Ainda sobre o salário mínimo e os argumentos de “autoridade” de quem, seguindo maus exemplos do passado, tenta transformar ideologia em ciência, vale a pena ler este post de João Rodrigues. E estes dois, do Nuno Teles.


Sem respostas ao post “Ideologia cientifica”  

  1. 1 1  agent

    Não vai faltar muito para começar a chover crónicas a concordar com os “jovens populares” e alguém vai sugerir que se devia acabar com a idade mínima para trabalhar. “Quem quiser trabalhar aos 10 anos não deve ser impedido, isso atrasa a economia…”

  2. 2 2  PC

    É certo que, mais do que face à média europeia, face às normais necessidades de um agregado familiar médio o valor do SMN é curto. É também certo que a discussão esquerda/direita, na sua redutora qualificação funcionário/empregador é não mais do que vazia. Mais certo é que a sociedade não se pode conformar com um empregador que explora a relação procura/oferta de emprego para pagar o menos possível, nem com aquele que quer ser empregado mas não quer ser trabalhador. E isto é que é o cerne da questão, o demais só releva para quem tem tempo para se perder em divagações intelectuais.

  3. 3 3  Zé Trolha

    Divagações intelectuais e cálculos cientificos à parte,deveriam era fiscalizar as entidades patronais que nem o salário mínimo pagam aos seus colaboradores.E,pode parecer que não,são muitas.

  4. 4 4  ruy

    Milton Friedman, um dos seus teóricos do neoliberalismo, para além da extinção do slário mínimo advogava “que se há desemprego então deverão reduzir-se os salários. Se esta diminuição dos salários não é capaz de gerar emprego, então é preciso continuar a baixar os salários. Para que os salários possam baixar, devem desaparecer os Sindicatos, já que estes não permitem que haja uma “livre” contratação da mão-de-obra, impedindo que o valor da força de trabalho se fixe pelas leis de mercado. Se os Sindicatos fazem subir o salário, isto leva a reduzir o nível de emprego”.

  5. 5 5  Stran

    [No meu ultimo comentário parti de um pressupost errado pelo que peço desculpa pelo "erro infantil" que cometi].

    Só agora me apercebi da polémica que a afirmação da JP está a provocar na blogoesfera.

    Nunca pensei que tal afirmação poderia ter tal repercursões.
    No entanto não deixa de ser interessante tal debate. Ele demonstra como vários conceitos podem ser misturados para provocar uma mistura explosiva.

    Primeiro facto é que se mistura economia com politica. Esta mistura já é antiga, mas parece que não existe maneira de separar ambas para certas pessoas (devo confessar que a grande maioria de direita). Enquanto em economia se pode afirmar e justificar que a introdução de um salário minimo trará desemprego, já é um passo de gigante suportar o fim do ordenado minimo como combate ao desemprego em politica.

    Por isso é importante separar os dois conceitos e não se movimentar de um campo para o outro de forma aleatória só para se argumentar favoravelmente a uma posição.

    Economicamente o que a JP afirma é suportado em teorias estudadas e o tema é tratado abstratactamente (se não for então tal afirmação não está suportado em nenhum estudo).

    Politicamente aquela afirmação é no minimo desastrosa e no máximo parva.

    Se defendem que o salário mínimo nacional deveria ser abolido então que o confirmem com estudos suportados. Não se pode pegar numa teoria e transforma-la em dogma quando a queremos aplicar a uma politica. Se não veremos dois cenários possíveis:

    Cenário optimista (JP):
    Termina-se com SMN, a economia fica mais eficiente e há menos desemprego. Toda a gente vive feliz para sempre.

    Cenário pessimista (eu):
    Não existe SMN, as pessoas trabalham no ponto eficiente de mercado, o salário médio diminui(*). O poder de compra diminui rapidamente, a economia entra em recessão, empresas encerram, o desemprego aumenta. Aumenta a pressão do lado da procura de emprego, o salário médio volta a reduzir-se (simples teoria de oferta e procura) e inicia-se o processo outra vez.

    (*) basta analisar o gráfico que aparece no blasfémia para se chegar a esta conclusão.

    Qualquer dos cenários é utópico, pois existem inumeros factores que influenciam estes cenários e que seria dificil repercurtir num estudo.

    Segundo, a existência de um SMN é além demais um assunto social. E agora em jeito de comentário à resposta do Blasfémia ao Daniel, não foi o Daniel que determinou que é imoral trabalhar abaixo de um determinado valor. Foi a sociedade como todo que assim decidiu. Pode-se argumentar que economicamente é menos eficiente, mas duvido que alguém defenda que socialmente o seja. O conceito (e foi isto que a JP atacou) é um dos ganhos da nossa sociedade, é uma evolução, assim como foram muitas outras que provavelmente também são “economicamente ineficientes”.

    Como a economia ainda não lida com conceitos como liberdade, democracia, bem-estar individual e colectivo (não confundir com a noção de bem-estar ou utilidade em economia) consegue chegar a conclusões que empiricamente são incorrectas embora sejam baseadas em estudos cientificamente fundamentados.

    A economia não é uma ciência exacta (sei que vou ser atacado por economistas), constroi teorias e modelos e suporta-os com matemática.
    Aceitar teoria económica como uma lei divina a ser aplicada em politica só revela o grau de burrice de quem defende tal acto. Ela deverá ser sempre instrumental e não sobrevalorizada como acontece muitas vezes.

  6. 6 6  S

    Ver, p.f.
    Obrigado.

  7. 7 7  gpn

    heheheh Belo título da posta…Mea culpa? Ao menos que usem um argumento económico e não político/social/moral para o assunto. Ah e pede-se alguma coisa não forjada…

  8. 8 8  Luis Moreira

    Atinem!Todos sabemos que as condições criadas para os trabalhadores não são ingénuas ou têm a ver com solidariedade.

    A todo o tempo procura-se o ponto de equilibrio entre o que se paga e a capacidade do trabalhador produzir!

    Um trabalhador cansado,a viver numa barraca,sem dinheiro para comer e com a família doente, faz tudo menos trabalhar!

    O salário só é alto se a produtividade for baixa!E a produtividade depende mais do gestor que do trabalhador!

    E como gestor já passei muitas noites sem dormir por causa do pagamento dos vencimentos no fim do mês!

  9. 9 9  Jam

    Podia-se fazer uma experiência. Todos os que advogam o fim do SMN deveriam (sobre)viver 3 meses (para não ser muito durinho) com o valor do SMN - 30%. Como dizem que o SMN é um entrave, a experiência teria de decorrer com um valor claramente inferior ao SMN, como é óbvio. Podia-se, até, mandar uns agora para Bragança, que está quentinho e outros para Lisboa, onde o custo de vida é uma pechincha.

  10. 10 10  António Vilarigues

    Deixo aqui cópia do comentário que deixei no Blasfémias.
    Entre 200 e 2007 o salário minimo em Portugal aumentou 99€. Em Espanha 240€ e na Irlanda 458€. No mesmo período o desemprego cresceu em Portugal e diminuiu em Espanha e na Irlanda. Querem-me (os que defendem a relação entre salário mínimo e desemprego) dizer qual a relação? Parece-me que estão a comparar a cultura da batata com a teoria da relatividade. Já agora o salário mínimo mais elevado da U.E. é o do Luxemburgo. E a produtividade também. Como explicam?

  11. 11 11  António Vilarigues

    Deixo aqui nova cópia do comentário que deixei no Blasfémias.
    A característica mais marcante da evolução do emprego, em Portugal e em todo o mundo capitalista, a partir da passagem da década de 60 para a década de 70 foi a … do aumento incontrolado do desemprego! Essa evolução era o resultado da pressão sócio-demográfica e da falta de resposta da economia para criar os empregos necessários. Baixas taxas de rendibilidade não estimulavam o investimento; inovações tecnológicas e conquistas sociais que vinham do pós-guerra e encareciam o factor de produção trabalho vivo, privilegiavam as actividades de capital intensivo, nos sectores produtivos.
    Não sendo essa tendência compensada pela chamada «terciarização», os níveis das taxas de desemprego foram sendo sucessivamente ultrapassados, por mais socialmente insuportáveis que se afirmassem. E não só socialmente porque os sistemas de protecção social aos desempregados começaram a atingir dimensões perturbadoras para a economia pública.
    Em duas palavras, era preciso, na lógica do sistema, criar condições estimulantes para o investimento criador de empregos, pelo que era indispensável tornar competitivo o factor de produção trabalho vivo, diminuindo-lhe o custo, tornando-o flexível, fazendo da força de trabalho mera e rendível mercadoria. As condições tecnológicas, possibilitando novas formas organizativas do trabalho, podiam facilitar esses objectivos estratégicos. Com o bónus extra – quando não objectivo primeiro – de, dividindo unidades produtivas, atomizando relações intra-laborais, quebrar solidariedades e enfraquecer consciências de classe.
    Assim se instalou uma estratégia económica explícita ou implícita que, aproveitando a insegurança do desemprego, levou à criação de empregos cada vez mais precários, menos seguros socialmente, fez baixar os chamados custos salariais unitários reais – isto é, a remuneração do factor de produção trabalho vivo através do ataque aos salários reais, desligados da produtividade e sofrendo os trabalhadores a inflação.
    A estratégia, chamada na CEE de cooperação para o crescimento e o emprego foi adoptada na segunda metade da década de 80. Actualizada para estratégia de Lisboa na década de 90. A sua expressão no terreno, trabalho sem direitos, precariedade, «geração dos 500€.
    Esta é a nudez crua da verdade que se esconde sob o manto da fantasia do salário mínimo.
    E agora retiro-me para a Casa do Benfica de Penalva do Castelo para entrar em estágio para ver o óbvio…

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