João Miranda diz que não tenho nenhum argumento contra a posição da Juventude Popular que, num mesmo comunicado, diz que a existência do Salário Mínimo «impede de operar todas as empresas e serviços que não tenham a capacidade de remunerarem aquele montante» e que «não nos assusta o tradicional receio/argumento de que sem o salário mínimo as empresas irão pagar ainda menos» porque «o paradigma da competitividade baseada nos baixos salários já mudou». Ou seja, onde se diz, com poucos parágrafos de distância, uma coisa e o seu contrário.
Para além de vários argumentos sobre o tipo de desenvolvimento que precisamos (que Miranda, que acredita na providência divina do mercado, não entenderia), sobre os efeitos para a nossa economia de salários excessivamente baixos e de empresas que sobrevivem à custa desse expediente, fico-me por um mais importante: receber, com os preços em vigor em Portugal, menos do que 426 euros de salário por 22 dias úteis de trabalho é escravatura. E os meus argumentos contra a escravatura não são, antes de mais, económicos. São morais.
Já agora, desafio o João Miranda a encontrar um único estudo sério que indique que o ridículo valor do salário mínimo nacional é causa de desemprego em Portugal.
Por Daniel Oliveira 18 Dez 07 em CDS, Economia, Mercado e Liberais, Neo-liberais, Trabalho34 respostas ao post “Tenho 426 argumentos”
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Mas mesmo em termos fundamentalmente económicos os meninos do PP não têm razão.As empresas que não têm capacidade para pagar o SMN devem pura e simplesmente fechar as portas ou investir em inovação .Manter estas empresas é manter o país no estado de pobresa generalizada em que nos mantemos há séculos.
O salário mínimo deita abaixo as empresas mas a fuga ao fisco ( que se faz desviando dinheiro da empresa) é virtuoso!
Ou os milhões dos gestores!
Hum… Daniel e que tal um desafio? Que tal mandar um desses “palhaços” (sem desprimor para a profissão circense…) da JP dizer isso em voz alta no meio de uma fila para o Centro de Emprego?
Aí sim, era bonito de ser ver…
Ou o João Miranda fazer o mesmo. Isto é, se ele não tiver “nojo” de entrar num Centro de Emprego… (fico sempre com a sensação que é uma atitude tipicamente neo-liberal… ou de tia de Cascais…)
Miranda é um brincalhão !
Só que a JC diz aquilos que a maioria dos nossos “em presários ” pensa e goataria de praticar ( a la chinesa )
Perante isto, só o silêncio !
Parafraseando o nosso irmão-lucia que não tem papas na língua : Phone-Ix!
Daniel, tem razão no que diz. Diga-me só uma coisa: aplicaria o mesmo critério aos estágios não curriculares? É que se aplica, deixo-lhe a dica: investigue sobre estágios em jornalismo. Vai encontrar uma situação delirante, para dizer o mínimo.
Os meninos do PP acreditam que serão os futuros gestores e portanto vão treinado o discurso. Eles acreditam (querem acreditar, precisam acreditar) que a gestão se pega por contágio.
Depois, há argumentos económicos para preferir elevar os salários do que baixá-los.
Mas não é nem uma coisa nem outra o que João Miranda pretende “debater”. O jogo dele é a solidez, ou fragilidade, dos “argumentos teóricos”.
90% das empresas sao PME, nao sao propriamente multinacionais ” imperialistas e feudais”, que sabe Deus os sacrificios que fazem para sobrevivir. O salario e baixo comparativamente aos outros paises, assim como e a produtividade e mentalidade. ” Os portugueses recebem tanto como um marroquino e gastam como um alemao”. Aumentem os SMN em demasia e vem o desemprego aumetar porporcionalmente com as empresas a falir, e uma carga para o estado a subir na mesma medida. É facil falar quando nos chega certinho ao fim do mes sem ter que ficar noites em branco sem saber como pagar aos empregados e sem ter a preocupaçao do que é realmente gerir alguma coisa.
Daniel, achei a ideia do roteiro do fumador mesmo boa. Passeia-a para o meu blog. Espero que não te importes.
Em relação à observação do João Miranda, acho que nem merecia resposta de tão jurássica que ela é.
A solução para estes iluminados era meter-lhes 426€ no bolso e mandá-los fazer compras do mês para verem com os próprios olhos com quanto ficavam para a renda.
A propósito Daniel, se não lhe der muito trabalho gostava de um comentário seu ao meu último post em o-pinoka.
O Daniel permite-se definir a escravatura como a troca de 22 dias de trabalho por 426 euros. Corajoso.
Quanto valerão 22 dias de não trabalho? Quem paga esse valor?
Quantos empregos está o Daniel disposto a criar e manter pelo valor que lhe parece justo?
Não tem dinheiro, não é empresário, não pretende arriscar os seus recursos para criar empregos/riqueza, não saberia como fazê-lo, falta-lhe uma ideia, não estudou o assunto?
Não faz mal, o seu ponto continua válido: 22 dias de trabalho por 426 euros é escravatura.
O Luis Moreira acrescenta com brilhantismo - acabem-se com esses empregos. É exactamente disso que os “escravos” precisam.
Tal como os palermas/bandidos dos empresários que vivem destes expedientes.
Nuno
está enganado, o que eu disse e você não percebeu,é que as empresas que vivem do salário mínimo vão á falência,inexoravelmente! Como há tantos exempos aqui em Portugal os salários de miséria não salvaram as empresas dos têxteis.Estas empresas foram salvas quando começaram a inovar e a investir na formação dos empregados.
Acresce que as empresas que têm capacidade de criar mais-valias ao aumentarem os salários são capazes,com os factores de motivação pessoal introduzidos,aumentar a produtividade que essa sim é a que interessa!
A política dos baixos salários torna -nos a todos pobres.Incluindo as empresas!
“desafio o João Miranda a encontrar um único estudo sério que indique que o ridículo valor do salário mínimo nacional é causa de desemprego em Portugal.”
Caro Daniel
De uma vista de olhos aos estudos e artigos de opiniao de Paulino Teixeira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Ai discutem-se argumentos economicos, nao politicos ou morais.
Ja agora Daniel Oliveira, duas perguntas para ajudar a compreender a sua posicao:
- Acha que seria boa ideia termos um salario minimo de 1000 euros? Porque?
- Porque ‘ que a maioria dos empregadores paga mais do que o salario minimo, nao sendo obrigados a isso?
O que ainda ninguém se lembrou é que há quem receba o salário mínimo (o actual) e ainda passe recibos verdes, ou seja, ao fim do mês fica com… quase nada.
Um dia destes ainda vêm dizer que as pessoas deviam pagar para trabalhar, e não receber salário nenhum…
Daniel,
Infelizmente, por razões por mim desconhecidos, não consigo comentar directamente no blog da blasfémia, pelo que se alguém tivesse a gentileza de copiar este comentário para o tal blog eu agradecia imenso. Fica então aqui o comentário:
Eu não sei qual a formação da JP ou do João Miranda, mas espero que não venha da area de economia ou gestão. Se por acaso vier então essas pessoas envergonharam de uma forma brutal os seus professores e a instituição que lhes deu formação e passo a explicar porquê.
O João Miranda apresenta no seu blog uma justificação, através de um gráfico, da sua posição.
Embora não explique o que está lá contido e as calculações que levaram a essa conclusão, defende que tal gráfico é uma resposta cabal ao desafio lançado pelo Daniel Oliveira.
Tal não podia ser mais falso.
Do que me parece, aquele gráfico assenta, pelo menos, num pressuposto: concorrência perfeita.
Ora esta noção implica, além de outros factores, que exista informação perfeita no mercado. Isto é qualquer “actor” desse mercado tem o conhecimento perfeito sobre o que está a decorrer no mercado.
Todos conhecem as ofertas de emprego e o valor das ofertas que existe no mercado de trabalho. Significa também que o individuo A sabe exactamente quanto o Individuo B ganha e quais as suas condições de trabalho.
Utilizando uma expressão popular, é aqui que “a porca torce o rabo” e que a realidade nos assalta com uma crueza brutal.
Este pressuposto não se verifica no mercado de trabalho português. Ninguém sabe quanto é que ganha o colega de trabalho, quanto mais saber quanto é que oferecem os empregadores pelo o emprego X ou Y.
Basta ir a a qualquer site de oferta de emprego para verificar que o que afirmo é verdadeiro (quase nenhum menciona o ordenado).
Ora não se verificando este pressuposto, o mercado não está em concorrência perfeita e, não estando em concorrência perfeita, a conclusão que o João Miranda escreveu não tem qualquer aplicação ao mercado de trabalho português.
O que é supreendente para mim, é que um escritor de um blogue que têm tantos leitores, como a Blasfémia, cometa um erro tão infantil. Que espero que não tenha sido intencional e que o mesmo o corrija num curto espaço de tempo.
Mais supreendente é que aspirantes a líderes politios também o façam.
É caso para dizer “está tudo doido…”
Não faltam estudos que demonstram que o aumento do salário mínimo não afecta negativamente o emprego, e em alguns casos impacta de forma marginalmente positiva.
Só como exemplo, aqui fica uma resposta a um estudo que demonstrava isso, e conclui o mesmo…
http://www.krueger.princeton.edu/90051397.pdf
É demasiado técnico para mim, por isso só li as conclusões:
“After analyzing BNW’s data, our original survey
data, publicly available BLS data, and most
importantly, the BLS ES-202 fast-food establishmentdata, we reach the following conclusion: The increase in New Jersey’s minimum wage probably had no effect on total employment in New Jersey’s fast-food industry, and possibly had a small positive effect.”
Carlos, é a favor da existência de férias? E acha que elas devia ter seis meses? Que raio de argumento…
Porque o mercado funciona. Mas alguém disse que não? O facto de se defender a regulação não quer dizer que se ache que o mercado não funciona. Mas os salários baixos como argumento competitivo é uma das razões para a nossa falta de competitividade.
MigPT, o seu argumento serve para tudo. Se o limite de velocidade é 50km/h dentro das cidades devia 1 km/k… Não percebo mesmo onde se quer chegar com este tipo de argumento. Que se houver uma regulação em qualquer coisa ela só pode ser absurda? Que a lei é uma coisa arbitrária? Esta cgente convenceu-se tanto do que pensa que já argumenta como se vivesse num Mundo diferente do que vive. O liberalismo está a transformar-se, na boca dos nossos liberais, na defesa do fim de qualquer lei, qualquer regra social… E dizem-no com uma naturalidade assombrosa.
Só uma afirmação. Empresa que não possa pagar o salário mínimo nacional, não tem razão de existir.
Para começar,não sou do CDS.
O que é um salário baixo?
Na maioria dos casos, com a nossa produtividade os salários Portugueses são altos, se com um salário minimo eu fizer um computador e um alemão a receber 2000 euros fizer vinte, o meu salário é alto, e não é competitivo.
Daniel, parece-me que fugiu á pergunta. Se não responde às perguntas é complicado discutir o que quer que seja. Explique lá porque é que o salário mínimo não pode ser 1000 euros e porque é que a maior parte dos empregadores paga mais que o salário mínimo apesar de não ser obrigado a isso.
A estas acrescentaria outras sobre o argumento da pobreza: acha que o salário mínimo para se sobreviver em Lisboa é o mesmo que para sobreviver em Bragança?
Não é preciso nenhum estudo sério.
Nós já temos salários baixíssimos, dos mais baixos da UE. Tendo isto em conta, e seguindo a lógica do Sr Miranda, deveríamos ter uma economia hiper dinâmica.
Onde é que está esta economia vibrante??
Não sou economista, mas parece-me evidente que qualquer esforço de modernização sério terá que contemplar, simultaneamente, as elites económicas (quase feudais) e os sindicatos que permanecem enclausurados num paradigma do século passado (os malévolos capitalistas). A timidez dos governos neste domínio deve-se essencialmente ao medo da perda de legitimidade. É por esta razão que tentam introduzir as reformas gradualmente com uma precisão quase cirúrgica. É um erro. Hoje, com a revolução nas InfoTechs, é literalmente impossível localizar seja o que for, particularmente as percepções políticas. Assim, mal por mal, reforma-se o que tem que ser reformado num curto espaço de tempo. Ou seja, tudo.
O simples facto de alguém se “debruçar” sobre o pensamento de João Miranda é tão anti-higiénico!…
Os srs. economistas (adoro quando começam, eu não sou economista, mas…) o que pode fazer um cidadão se está disposto a receber menos que o salário minimo fazer? Explique la DO com argumentos “não morais” (tão interessante esta introdução da “moralidade” em certas discussões…) o que acha que acontece a uma economia quando se “impõe” um custo? Na sua “moral” sabedoria será imediato que na mesma não fica, não é? Então quem ganha e quem perde? Em vez de lancar demagogicamente números para o ar devia pensar nas suas consequâncias. Depois fala dos paises nórdicos (espero que não da Noruega…), quer pagar os impostos que eles lá pagam? Quer ter taxas reais de desemprego daquelas?
Ezequiel,pode parecer paradoxal mas os nossos salários são dos mais ALTOS da Europa, devido à nossa baixissima produtividade.
Uma vez que hoje em dia já não podemos competir na base do preço e as nossas taxas de insucesso escolar são monstruosas,teremos que ter taxas de desemprego nos dois digitos durante os próximos anos.
gpn, saberá que a esmagadora maioría dos países da OCDE têm salário mínimo? Que nos EUA há salário mínimo. Mas claro que isto são países com economias desgraçadas.
Suponho que defende, para não se imporem custos, o fim dos impostos, o fim das leis ambientais, o fim das ferias, do subsídio de férias. Ou seja, voltarmos ao século XIX, tempo em que, como se sabe, vivíamos todos muito melhor. O Estado Social, o salário mínimo e os direitos laborais é que destruiram isto tudo.
Antes de mais, desculpe o meu “português” do ultimo texto.
kosamet, falar de produtividade?! Agora é que estragou a conversa toda..Isso não interessa nada…O importante é que os salários subam…já agora mais formações pagas pelos “capitalistas”… Depois a estrutura de custos aumenta, há empresas na falência mas não se preocupe que a culpa e desses mesmos capitalistas…
capitalistas…
Nos EUA não hà salário minimo. Há um preço minimo por hora de trabalho.
A questão é a produtividade!E a produtividade depende bem mais dos gestores do que dos trabalhadores!Pergunta-se aqui se o SMN podia ser 1000 Euros.Não ,não pode! Mas há países onde pode! Logo a questão é que o salário depende de muitos factores a maioria dos quais não atribuíveis ao trabalhador!
E com salários de miséria como sempre temos tido porque é que não avançamos?Porque é que as nossas empresas não são competitivas?
Deve ser porque os nossos empresários são beneméritos e fazem o favor de oferecer trabalho!
O argumento da JP não é tão descabido assim.
Existem diversos países onde não existe um salário mínimo nacional, como a Alemanha e a Suécia. Os salários são fixados a nível do sector por via de convenção colectiva e depois alargados às empresas não signatárias por via do mecanismo da extensão.
Por outro lado, o salário mínimo excessivamente elevado dificulta a criação de emprego, protegendo excessivamente os que se encontram com contrato de trabalho e dificultando ainda mais a procura de emprego a quem não o tem.
Mocho,
No Caso da Alemanha, eles têm um sistema de apoio social bem melhor do que o nosso. Além desse facto o argumento que tu deste não é contra um SMN, mas uma forma um pouco diferente de negociar o salário. Infelizmente não podemos comparar o peso que os sindicatos têm na gestão de uma empresa na Alemanha e o peso dos sindicatos têm em Portugal, assim como os seus papéis. Em Portugal só encontro algo comparável no caso da Autoeuropa, onde os sindicatos são um asset para a gestão. É um caso exemplar e que deveria ser mais divulgado.
GPN,
Estás a olhar apenas para um lado da questão, pois se os salários diminuem o poder de compra diminui, pelo que neste cenário também levaria à falência de empresas. Não se pode ter uma visão tão simplista da questão.
Além de que o aumento ou diminuição dos salários é irrelevante se analisada isoladamente como é fácil de entender. Um dos aspectos mais importantes é saber se o poder de compra aumenta ou diminui com a proposta da JP.
Outro aspecto que foi referido é a produtividade. Esta é mais uma palavra que entrou na moda e que é utilizada levianamente (como o deficit).
A produtividade está dependente de muitos factores, muitos deles não directamente relacionados com os trabalhadores. Imaginemos que que a produtividade é medida em valor (produto/nº horas de trabalho). É natural que a nossa produtividade seja inferior ao de paises mas desenvolvidos pois apostam em produtos de valor acrescentado. Por exemplo se um trabalhador fizer um sapato numa hora cujo valor é de 30 Eur é menos produtivo que um um trabalhador italiano que faz um sapato em 2 horas mas cujo valor é de 90 Eur!
Por outro lado se for em quantidade esse indicador é muito insuficiente, pois como qualquer pessoa consegue compreender, um sapato só tem valor se for vendido!!!
Este é o grande problema de Portugal a ser debatido, a criação de valor, que é mais abrangente do que um mero indicador de produtividade.
Já agora um reparo, outro problema que existe em Portugal é que ganhos de produtividade não são repercutidos nem no cliente, nem no trabalhador. Ficam no bolso dos accionistas e dos gestores de topo. Um bom exemplo é o do BCP, cuja disparidade de valores de ordenados é criminoso e que tem apenas dois responsáveis a administração e os sindicatos!
Pessoalmente, em vez de se falar de SMN (da sua existência ou não) sugiro que a JP fale de um outro assunto: Tecto máximo salarial.
Por cá ainda não se discute mas prevejo* que daqui a uns anos se comece a falar.
*P.S. Esta previsão deve-se ao simples facto de esta temática estar a ser discutida na Alemanha, pelo que, como é costume só daqui a uns anos é que tal discussão chegará cá
A falta de produtividade pode em parte sem duvida ser atribuida aos patrões que como Portugueses que são tem pouca formação,a pouca qualificação dos trabalhadores tb contribui.
Há milhares de empresas que sobreviveram ao longo destes anos através dos subsidios e principalmente da fuga ao fisco, essa festa acabou.
Como já disse aqui outras vezes, a falta de qualificação de patrões e empregados vai inevitávelmente empurrar-nos para longos anos de desemprego nos dois digitos, que só não existe ainda devido aos cerca de um milhão de Portugueses que imigraram nos últimos quinze anos.E não há nada que NENHUM governo possa fazer.