Helena Matos pergunta se existe o direito de criticar este cartaz do Festival Internacional de Cinema Gay e Lésbico de Barcelona. E mostra-se indignada pelas críticas que são feitas aos críticos do cartaz.

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Sim, existe o direito de criticar este cartaz.
Como existe o direito de criticar este livro:

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Como existe o direito de criticar os críticos deste cartaz e deste livro.

Parece que apologistas do Novo Politicamente Correcto (NPC), que é uma recuperação do Politicamente Correcto do passado, acham que a crítica é livre, mas só se for num sentido. Se vier de volta é um ataque inominável à liberdade de expressão. À deles, claro, que é a que conta.

Reconhecendo que os pais autorizaram o uso da imagem do seu filho, Helena Matos não acha adequado «que se use o rosto duma criança para promover um festival de cinema gay, lésbico ou heterossexual». Só não explicou porquê e preferiu atirar-se para o chão e queixar-se da resposta. Eu percebo a estratégia: chorar contra a censura sem ter de abrir a boca, dando a entender que são os críticos e não os autores do cartaz que estão a ser moralmente condenados.

E gostava mesmo de perceber as suas razões. Tendo em conta que, suponho, nada tem contra a utilização de actores-criança em filmes de terror ou filmes de guerra, em publicidade variada e campanhas políticas. Se tem, então entramos noutro debate mais interessante sobre a utilização da imagem de crianças em coisas que não são para a sua idade. E eu retiro já a referência ao “Lolita” (que por sinal é um dos meus livros de sempre). Mas se assim for, o cartaz deste festival é apenas mais um episódio e até com muito menos impacto do que tantos outros. Mas se não for o caso, fica a pergunta: o que é que este festival tem que é diferente dos outros?


Sem respostas ao post “Direito à crítica nos dois sentidos”  

  1. 1 1  lena afonso

    Sr.Daniel:
    O seu comentário é pura e simplesmente desonesto. É evidente que o utilizar crianças ou as suas imagens em todos os outros temas a que refere no seu comentário é perverso e absolutamente condenável.
    A ambiguidade que esta foto da criança revela, num cartaz que publicita o festival gay/lésbicas, é, no mínimo, de mau gosto. A argumentação “práfrentex” do seu artigo, esclarece o quê????
    Certo é que as crianças são alvo - indefeso - de toda a espécie de predadores: como bem disse, da publicidade (e do consumo) das guerras, dos pedófilos, etc.
    Este cartaz não abona a favor das intenções do movimento gays/lésbicas. Ponto final.

    Helena Afonso

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    É evidente? Onde? Se é tão evidente e tão condenável e se acontece diariamente na televisão e no cinema, porque raio só agora se torna assunto. Terá a ser a Helena Afondo honesta? (já que começa o seu comentário com um adjectivo).

    Já agora, isto é um festival de cinema. É arte, não é um manifesto político.

  3. 3 3  Pêndulo

    “A ambiguidade que esta foto da criança revela, num cartaz que publicita o festival gay/lésbicas, é, no mínimo, de mau gosto. A argumentação “práfrentex” do seu artigo, esclarece o quê????
    Certo é que as crianças são alvo - indefeso - de toda a espécie de predadores: como bem disse, da publicidade (e do consumo) das guerras, dos pedófilos, etc.”

    Helena, é mau gosto porquê? Os homossexuais já nascem com 20 anos?
    Como comentei noutro sítio
    Então para que não haja confusão nas pessoas, para não as confundir e por causa das leituras transversais que propõem:
    1-Proibição dos homossexuais usarem fotos de crianças.
    2-A anterior acrescida de proibição de homossexuais tocarem em crianças.
    3-As anteriores acrescidas de proibição dos homossexuais se aproximarem a menos de 50 metros de menores de 16 anos.
    4- As anteriores acrescidas da proibição de olharem sequer de soslaio para menores.

  4. 4 4  Karl Macx

    Se a imagem fosse retirada de um filme incluido no programa do festival, seria válida?

    O que esses puritanos estão a tentar dizer (pelo menos que tenham a dignidade e os “tomates” para defender as suas convicções, mesmo que seja para justificar o injustificável) é que como é um festival de cinema gay/lésbico é um ultrage usar uma criança. Fosse um ciclo de cinema da Juventude Católica e ninguém falaria do assunto.

    A esses “escravos” da obediência cega à estupidez é melhor dizer que ainda não existem provas científicas que substanciem a teoria de que a criança corre maior ou menor risco de se tornar gay/lésbica só por aparecer num cartaz…

  5. 5 5  corvo

    Quem vê os quadros do pintor Balthus, com meninas nuas…

    Quem viu o filme de Louis Malle ,Pretty Baby com uma criança actriz Brooke Shields, disfarçada de prostituta infantil…

    Só pode dizer que :

    A utilização abusiva da imagem de crianças, deve ser condenada em todas as situações, e não só nalgumas….

  6. 6 6  marieta

    já disse que se este festival tivesse a anunciá-lo um monstro de cartaz, tava porreiro para os homofóbicos doentes, assim, como em cada um de nós há o desnaturado e o santo, os genes tresloucados da homofobia saltam da pia, provando que dentro de todos nós tanto há o sábio como bronco homofóbico suicida…

  7. 7 7  Toino

    Caro Daniel pelo que me dá a entender você junta o útil ao agradável, juntar o cartaz desse tal festival de “paneleiros e paneleiras”, desculpe a minha linguagem, mas, raramente frequentei a escola e não aprendi muito, dizia eu que o tema do cartaz nada tem a ver com a criança, logo não entendo o porquê da foto da criança, quanto à capa do livro, como o senhor e eu tb sei que o tema do livro é supostamente a violação de uma adolescente por um homem mais velho, na estória do livro, não sou npc, nada disso apenas no meu entender humilde não se devem misturar alhos com bugalhos, as crianças são o melhor que este mundo ainda preserva, e são tão maltratadas.

  8. 8 8  Tarzan

    Acho que o Daniel Oliveira se esqueceu de explicar em que é que pôr uma criança no cartaz de um festival gay/lésbico é uma boa ideia. Sabe dizer? Parece-me um pouco mais aberrante do que, por exemplo, pôr uma chávena de chá no cartaz o Fantasporto.

    Óbviamente que quem acha que ser paneleiro é um comportamento desviante - à semelhança da pedofilia - o cartaz causa alguma urticária. É difícil perceber isso? Não acha normal que se discorde? Alguém pediu que se proibisse o cartaz?

  9. 9 9  Paulo Ribeiro

    O “Má Educação”, do Pedro Almodovar, tem, na capa, a imagem duma criancinha e contem, inclusive, cenas que remetem para a prática homossexual de putos. Qual é o problema afinal? Qual é o cariz pedófilo da coisa, porque eu estou com dificuldades em perceber. Já agora, a comparação com “LOLITA” não foi muito feliz de facto…

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    A questão não é se é uma boa ideia. É se é uma ideia criticável. A mim, quem pensa que a homossexualidade é um coportamento desviante semelhante à pedofilia causa-me urticária. E tenho de viver com isso. Os trogloditas existem. É a vida.

    Se usa o termo “paneleiro” seguramente não toma a minha frontalidade como um insulto.

    Nem ninguém tentou proibir que alguém se indinasse com o cartaz. E se já ultrapassamos a vitimização podemos passar ao conteúdo. Um passo em frente, portanto.

  11. 11 11  Toino

    Ainda a propósito desta questão, dizem que uma foto vale mil palavras eu não tenho essa ideia, acho que uma foto vale o que vale, mesmo sem palavras, segundo reza a crónica, os pais autorizaram ao uso da foto para o cartaz, eu pergunto em que condições, por acharem que não tem problema nenhum segundo o seu ponto de vista, tb posso pensar que se deve essa autorização ao facto de os pais necessitarem provavelmente do dinheiro que cobraram para o efeito, esta vida é muito complicada senhor Daniel, é mesmo.

  12. 12 12  Tarzan

    «É se é uma ideia criticável.»
    Tudo é criticável. Ou acha que não?

    «a homossexualidade é um coportamento desviante semelhante à pedofilia causa-me urticária.»
    Se está a interpretar isso a partir do meu comentário, está errado. Passo a explicar: ambos são passíveis de ser considerados comportamentos desviantes. Daí a deduzir que eu disse que são semelhantes… Na minha opinião a pedofilia deve ser criticada, proibida e combatida. A homossexualidade dever ser respeitada e isso abrange a forma como possa ser criticada.

    «Os trogloditas existem. É a vida.» Todos diferentes, todos iguais. É a vida.

    «Se usa o termo “paneleiro” seguramente não toma a minha frontalidade como um insulto.»
    Óbviamente que não. Não sou desses panascas que se ofende por tudo e por nada ;-)
    «Nem ninguém tentou proibir que alguém se indinasse com o cartaz.» Então qual é a razão da celeuma. Discordar é saudável, pá!

  13. 13 13  anonimo

    Mas é claro que o cartaz faz todo o sentido, não são as criancinhas o futuro da humanidade, Quer dizer futuros gays e lésbicas. Não fazia sentido colocar uns mastronços ou umas matronas, nunca ouviram dizer que é de pequenino que se torce o pepino. O cartaz justifica-se o ditado popular confirma-o, para além de que as criancinhas são sexualmente activas que o digam os pedófilos…..

  14. 14 14  recepcionista

    Para mim, cada um leva onde quer e come daquilo que quer mas, ninguém tem o direito de tentar publicitar como normal um comportamento desviante. Claro que a questão da liberdade sexual e da opção sexual de cada um, só diz respeito a cada um, contudo, não posso deixar de ficar chocado com a tentativa de branquear uma anormalidade com é a de explorar crianças sexualmente tentando dizer a toda a gente que é normal. Tenham paciência. Normal seria todos esses indíviduos que provavelmente tiveram uma infância infeliz ou que nunca conseguiram arranjar alguém do sexo contrário que lhes desse algum prazer comprassem um lote de terreno na Lua e apanhassem o primeiro vái.

  15. 15 15  César David Sousa

    Moralismos à parte, a criança é marketing puro e duro. Tem, justamente, o objectivo de suscitar a polémica a que assistimos aqui - colocar em confronto os puritanos com os vanguardistas, sendo que o público-alvo são justamente os vanguardistas - não se esperava ver muitos homofóbicos nas estreias, acho eu. Logo, para os vanguardistas já fartos de conhecer o respectivo, a ideia era devolver um pouco do “edge” à coisa, para se sentirem… transgressores? É que, quer queiramos quer não, a sociedade está formatada para que o cinema gay - tal como o gay, em si - seja transgressor. E o gay, em si, parece também querer arrogar-se dessa pretensão transgressora, e é nela que muitas vezes se define. Logo, o cartaz serve todos os seus propósitos.

    De resto, a imagem desse miudo, em si, não faz sentido nenhum. Excepto se atentarmos no lápis na boca. Mas não deve ter sido com malícia… afinal, se fosse para o programa de distribuir computadores nas escolas, o lápis na boca não tinha importância nenhuma. Then again, não é de computadores que estamos a falar. Oh well. Se os pais consentiram… espero ao menos que tenham explicado à criança para que era a foto. Moralismos à parte.

  16. 16 16  The Studio

    O velho Daniel de sempre: comparando o incomparável, misturando alhos com bugalhos, e rapidamente se encontra a defender o indefensável.

    A comparação que faz, como já lhe disseram, é absurda. O cartaz é um cartaz publicitário que faz promoção a cinema gay. Aliás, seria igualmente condenável usar crianças para promover cinema de cariz sexual ou erótico caso fosse heterossexual.
    Aqui, há a agravante de que a criança provavelmente irá ser gozada no liceu durante toda a sua adolescência.

    Além disso, quer-me parecer que o Daniel não é suficientemente Progressista de Esquerda. Já há quem defenda a pedofilia como opção sexual legítima. A minha previsão é de que não tardará muito até que a pedofilia seja politicamente correcta. A ver vamos.

  17. 17 17  agent

    Já tentavam perceber a razão pela qual se escolheu esta foto antes mandar qualquer “posta de pescada”, não? E já agora, observar melhor: não é um lápis, é um termómetro!

    Deve ser curioso constatar que os maiores críticos deste cartaz nunca meteram os pés num festival gay e torcem o nariz a tudo o que é filmes catalogados por esta natureza – o brokeback e os telefilmes pseudo-erótico-lesbianos que costumavam passar madrugada a dentro na tvi não são para aqui chamados. Nada disto invalida as suas críticas, claro, mas parece-me que estão sempre a tentar arranjar um argumento para subestimar o “produto principal”. Se não são os “paneleiros” a beijarem-se, é a traveca borrada,… O ideal seria criarem um cartaz único: todo negro com uma bola vermelha no canto superior direito. Vermelha, porque o rosa já causaria muitas náuseas.

  18. 18 18  pedro oliveira

    «a homossexualidade é um coportamento desviante semelhante à pedofilia»

    Daniel, este «post» vale por esta «sentença» tanto a homossexualidade como a pedofilia são: coportamentos, isto é, comportamentos causados pelos copos.

  19. 19 19  marieta

    e ele há famílias cujos álbuns de fotos têm centenas destes meninos…

    já pa não falar da escola e das creches, assim das universidades, ai, tantas crianças saudáveis, bonitas, que os homofóbicos ainda se põem vesgos de olhar tanto à banda!…

  20. 20 20  anonimo

    [“já pa não falar da escola e das creches, assim das universidades, ai, tantas crianças saudáveis, bonitas, que os homofóbicos ainda se põem vesgos de olhar tanto à banda!...”]

    Esta de classificar as pessoas em homofóbicos como se as coisas se resumissem a uma questão de ódio, é boa. Eu não falo nem nunca me passou pela cabeça identificar os homossexuais em relação a mim como heterofobicos,( e que os há) são coisas diferentes não vale a pena querer comparar o que é diferente.

    O que os homofóbicos querem é uma sociedade homossexual vá-se lá saber porque, mas já há gente que percebeu isso, outros ainda não por isso é preciso explicar-lhe as coisinhas, a homossexualidade é a norma e a heterossexualidade a excepção, a ideia é de contestar que a heterossexualidade seja a manifestação sexual normal ou natural, a sociedade, a culpada de tentar fazer das pessoas heterossexuais, pois é vão ler o Foulcault que ele também tem ideias sobre isso.

    Os heterossexuais o que querem é que os seus filhos e filhas virem todos gays e lésbicas e se possível que comecem de novinhos a integrar cartazes deste tipo.
    Sim porque essa actividade esta - lhes mesmo destinada no futuro e no presente mais que nunca a eles se dirige.
    Tal como anunciar um brinquedo da Mattel

    Provavelmente uma criança deste tipo, sabe muito pouco ou nada de sexualidade, a não ser umas brincadeirinhas próprias da infância, no entanto alguém já tomou por ele a iniciativa de o comprometer com uma das facções sem lhe perguntar nada ou saber se isso vai ter repercursões na sua vida futura, sim porque mostrar umas pernas de menina para além de denunciar a idade, é inócuo em termos de identificações mas uma cara é uma cara,

    Pode vir a ser um activista gay, quem sabe, então o cartaz era uma premonição. Ou pode ser heterossexual e isto pode ser uma mancha que lhe colocaram no caminho…… enfim cada cabeça sua sentença

    Sim porque isto deve ser por explicações freudianas, o desejo subliminar de não poder ter filhos. Quer dizer, filhos podem ter, mas tem o inconveniente de terem que imitar os heterossexuais, pois com dois do mesmo género não vai lá, a fisiologia humana aqui foi madrasta, tomou uma opção natural a favor de uma das partes quanto a filhos claro esta.

    E a homossexualidade não é um desvio sexual, de facto não é, o objecto de desejo sexual está trocado tal como na pedofilia, na zoofilia, Necrofilia etc. a pessoa sente-se atraída por um objecto diferente da normalidade da maioria dos seres humanos. mas não é um desvio. Porque a prática sexual entre duas pessoas do mesmo sexo, durante muitos anos incluído nos desvios sexuais, actualmente deve ser considerado e aceito como uma forma de opção sexual. Não que haja uma base cientifica que diga que a homossexualidade é genética, genética/ambiental ou outra qualquer consideração de ordem cientifica pelo menos para já, mas porque o que era considerado até a década de 70 como um desvio ou para outros uma doença, por pressão da sociedade e dos visados passou a ser considerado como uma orientação.
    O mesmo se pode passar com a pedofilia porque não? quando fica o critério na pressão social dos visados hipoteticamente podemos admitir tudo basta que as opiniões mudem

  21. 21 21  Pedro Sá

    1. As reacções são claras e têm claramente por base uma pré-compreensão de que a homossexualidade é por natureza algo de negativo.

    2. É ridículo falar em cinema GLBT, se excluirmos obviamente a pornografia. Só se colocam num ghetto. Mas enfim, cada um faz o que quer da sua vida.

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