Apesar da inegável importância que teve e tem para o fado, Carlos do Carmo não é o meu fadista preferido. Amante do fado desde que me lembro de mim, é reconfortante assistir à sua crescente popularidade. E nesta matéria - isso nem se discute - devemos muito a Carlos do Carmo. Que tenha contado mais com brasileiros e espanhóis, que perceberam a riqueza do que por aqui cantamos há séculos, não espanta muito. Carlos do Carmo, mas também a nova geração de fadistas que fez renascer o fado e venceu os preconceitos mais idiotas, está de parabéns.
Bom; para mim em materia de fado ( pensando no masculino ) o meu amor vai todo para o Alfredo Marceneiro que considero alguem que atingiu um grau de absoluta pureza e que adoro.
Mas e sempre bom ver artista Portugueses reconhecidos e acho que e justo .O Carlos do Carmo tambem e um excelente fadista, acho bem.
Brasileiros e espanhóis? Só? E o acervo de Bruce Bastin em boa hora comprado pelo Estado português? Mas ainda bem que gosta de fado, Daniel - embora eu tenha dúvidas sobre se uma parte importante da discografia de Carlos do Carmo se possa considerar verdadeiramente fado -, já que poucos portugueses não têm preconceitos ideológicos e/ou sociais em relação ao fado, a única forma de música popular urbana aqui do rectângulo e que foi a base, a partir do fado de Coimbra, da grande renovação da música popular portuguesa com José Afonso, Adriano, etc. Em qualquer país civilizado, Afredo Marceneiro, por exemplo, seria idolatrado ao nível de um Robert Johnson ou de uma Bessie Smith.
Não é que seja grande adepto de Fado, mas nao ha duvida que é uma grande conquista para a cultura portuguesa. E muito graças a Carlos Do Carmo, Camene e especialmente a Mariza…
Enquanto por aqui de disserta sobre o faduncho (sempre associado à boa pinga que alegra a alma) centenas de milhar de cidadãos em França manifestam-se em Versalhes contra a ratificação do Tratado de Lisboa que Sarkozy pretende seja feita nas costas do povo.
Por aqui, na imprensa corporativa em geral, nem uma palavra sobre o assunto. Os comentadores admitidos no sistema de “informação” imitam-nos, fomentando a apatia.
Amanhã, quando os jornais e as tvs revelarem que o Tratado já foi ratificado não faltará o habitual entusiasmo post-morten: Traição, traição! gritarão os comentadores “de esquerda” – são as chamadas lágrimas de crocodilo.
Foi uma surpresa este post. O Daniel tem cara de tudo, menos de gostar de fado!
Eu não aprecio, mas reconheço que é um dos maiores símbolos da cultura musical portuguesa. Não é o pop, nem o rock nem a pimbalhada que se faz em Portugal que é reconhecida no estrangeiro. Quase todos os grandes músicos portugueses conhecidos no estrangeiro são fadistas.
daniel,
Sem pretensões a chico-esperto e no mesmo embalo da intenção do teu post, julgo pertinente dizer que ajudaria bastante uma conversa destas fora de prémios. Mais vezes. Só porque sim.
Abraço.
Concordo. A nova geração do fado tem feito coisas dignas de louvar. E não falo só na mainstream. Em Portugal fazem-se coisas de muita qualidade que, infelizmente, continuam a não ter muita divulgação. Um exemplo são os recentes “Fado em Si Bemol”, um projecto de fusão de fado com jazz. Caso tenha despertado alguma curiosidade, estes podem ser vistos no “You Tube”.
Da minha parte, apenas estranho a forma como o Fado de Coimbra tem sido totalmente marginalizado em praticamente todos os círculos. A gota de água foi, para mim, o filme que o Daniel colocou aí em cima, em que não há uma única referência a um único intérprete de fado de Coimbra. Se se pretendia fazer um documentário, não está exacto. Se se pretendia fazer um filme, não está real. Não se pode marginalizar assim um lado importante do fado só porque não vende…
Xatoo, não me leve a mal, mas não há pachorra. Está a criticar que eu escreva sobre música quando está a acontecer uma manifestação? Que raio de sentido tem isso.
Há aqui alguns equívocos que convêm relembrar.
Primeiro o fado de Coimbra não tem nada a ver com o fado de Lisboa.
Segundo, como atrás se diz o fado é de Lisboa e nunca pode representar Portugal ou então estaria no mesmo pé que o vira do Minho.
Isto não tem nada a ver com gostos, pessoalmente não aprecio, a não ser pelo vinho e pelo chouriço assado que o acompanham em dó maior mas sim com questões técnicas e estéticas.
Parabéns a Carlos do Carmo de quem nunca ouvi nada.
Henrique,
Não me leve a mal, mas dizer que «nao ha duvida que (o fado) é uma grande conquista para a cultura portuguesa» é o mesmo que dizer que a couve é uma grande conquista para o caldo verde. Qualquer grande melodia com um poema assim é um fado triste.
Cumprimentos
Bom, primeiro deixem-me sublinhar que nada tenho a ver com um tal JC que por aqui já vi comentar num outro post com algumas expressões dem português vernáculo.
Segundo, Fado Alexandrino, na sua origem o fado de Coimbra mais não é do que o fado de Lisboa levado para Coimbra pelos estudantes e adaptado ás suas vivências e por eles recreado e modificado. Veja, por favor e apenas como exemplo, “Lisboa, o Fado e os Fadistas” de Eduardo Sucena.
Terceiro, Daniel, que a realidade fadista é fundamentalmente urbana, da Lisboa cidade e dos seus bairros populares, levada aos fins de semana para as hortas pelos lisboetas e tb acolhido nos palácios da aristocracia, “fora de portas”.
Já agora, para os esquerdistas mais facciosos:
Rúben Carvalho, do PCP, é um dos mais importantes estudiosos do fado, leitura incontornável para os que se interessam pelo assunto.
Existia uma tradição de fado operário na 1ª metade do séc. XX, penso que ligada ao anarco-sindicalismo, que parece definitivamente perdida
Vá lá!, então?!
Alguém tem noção do que seria do Fado se não tivesse acontecido Carlos do Carmo nos últimos 35 anos?
Declaração de interesses: Carlos do Carmo é o meu fadista preferido.
Parabéns Carlos do Carmo. Apesar de não gostar mesmo nada de fado….
E agora que o tema é música, chamo a atenção para o que se preparam para fazer com a escola de musica do Conservatório Nacional de Lisboa!
“não há pachorra”? caro Daniel?
desculpe; eu não estava a criticá-lo ad hominem; apenas notei uma lacuna no blogue. que considero uma falha grave, e disse-o.
Quanto ao mais, sabe, estou muito confiante no meu futuro como comentador que aqui vem de quando em vez. Desta vez não fui apelidado de “herói do teclado”
Acho o fado uma pepineira, sempre achei.
As letras, salvo raras excepções (e entre elas não está o marido da Inês Pedrosa), são uma desgraça.
Chegou-se ao cúmulo de achar que a Mariza canta…
Fogo!!!
Devido à sua ronda pelos blogs açorianos, o basalto negro assinalou o blog Arrastão (http://arrastao.org/ ) de Daniel Oliveira como um blog de referência.
Tendo em conta que o fado é canção e a canção ligaçao instrumental e letrista, a parte que normalmente mais me interessa é a lírica e “dizência” da palavra, no seu sentido estético. Mas como reconheço temperatura relevante na sonoridade da guitarra portuguesa, dou perferência a Carlos Paredes, aquele que desenvolveu ao máximo as possibilidades expressivas da guitarra.
Felizmente não sou surdo mas como vivo num país que não é socialista posso escolher o que ouvir.
E olhe, gosto particularemnte de Esbjorn Svensson e Monty Alexander que lhe recomendo.
Tá, não deixa é de ser
coisa triste, que eu não
recomendo a meus filhos,
se, fado, empobrece o povo,
lhe faz mal à cabeça e à vontade,
além de ao raio da vida, com reflexos
na governação do CDS ao PSD e PS,
como os ladrões do País, que além
de encherem a mula só servem
ao escândalo dos diários e à
incessante pilhéria de uns
arrastões e blasfemos.
Mai nada. E porra então lá p’ò fado.
O fado é na maior parte das vezes uma canção triste e magoada,e acho que representa bem a nossa maneira de ser como povo.Ontem num programa da antena aberta a questão era se os portugueses tem sentido de humor,pois bem a maior parte dos que para lá telefonaram só falaram em coisas tristes.Temos uma certa predisposição para o queixume e por vezes até á lamuria.
Já sabia que não os conhecia!
Sim, posso ter ouvido qualquer coisa dele distraído, olhe dizem-me agora aqui do lado que interpretou uma vez o Avante camaradas numa festa da Atalaia.
Para o contentar vou terça-feira a Carcavelos ver se os ciganos têm lá qualquer coisa dele.
Ora, ora , você é definitivamente 1 homem orientado!
Prova de autenticidade e bom gosto = gostar de fado.
(Lá está outro complexozito nacional, diz bem!)
Apesar de eu não gostar muito do Carlos do Carmo (não faz de todo o meu estilo) é bom saber que o distinguiram; reconhecer que fez uma ‘ponte’ importante em tempos conturbados; e saber sobretudo que lá fora se destacou o nosso género musical mais emblemático.
(Pena é que tudo isto venha por arrasto de um destaque feito, não por um português, mas por 1 espanhol…o Saura).
E tem toda a razão o Daniel quando diz que o fado de Lisboa é (actualmente) nacional. - Any problem?
Por mim, adoro fado, desde sempre!
Quanto a cantores, todos temos diferentes preferências… dividimo-nos justamente como no resto das coisas da vida (e nem sempre pelas mesmas razões).
Não gosto do Carlos do Carmo, como não gosto do João Braga. Mesmo não confundindo as dimensões, é mais por questão de voz e de forma: - são ambos monocórdicos e desinfectados, coisa que nada condiz com o fado:).
Também não alinho nada no fenómeno ‘passeio em ombros’ de Marisa, que não me comove
(é fantástico como as pessoas são sugestionáveis!).
Gostar, gostar, em vozes de agora, é de irrepetíveis como o Ferreira Rosa, o António Zambujo, a Kátia Guereiro e a Aldina Duarte.
(mais alguns outros e sem esquecer anónimos da minha predilecção, claro).
- Nada em comum naqueles exemplos?
Pouco…de facto.
Só mesmo cantarem mesmo muuuuuuuito bem!
OBS: Ó Daniel, faça lá de vez em quando uma entrada sobre fado, por favor!
- E que tal também uns links?
Tal como disse um comentador por aqui, o fado de Coimbra não é mais do que o fado de Lisboa levado para Coimbra pelos estudantes. É, pelo menos, essa, a sua origem. Actualmente, dá para notar diferenças óbvias: seja pela guitarra (afinada meio-tom abaixo da de Lisboa), pelo próprio canto (exclusivo de homens, e a meu ver mais técnico) ou pela própria sonoridade, normalmente com arranjos mais complexos (o que tem uma razão de ser, já que o fado de Lisboa é normalmente cantado em círculos mais populares e o de Coimbra em círculos mais eruditos). Mas não se trata de saber se um ou outro é melhor ou pior. Tanto um como outro merecem divulgação e não merecem ser marginalizados pelo facto de um vender mais. Ambos são fado, e isso é inegável. Não estamos a comparar o corridinho com a chula.
henrique,
Quis e quero dizer que o fado não pode ser considerado uma conquista da cultura portuguesa, pela mais elementar razão que o fado é a cultura portuguesa. A cultura portuguesa é só o fado? Claro que não, mas também não conquistou nada que não fosse parte de si, nesse hermafroditismo complexo que o mau caro vislumbrou. Consegue o meu amigo imaginar a cultura portuguesa sem o fado, ainda por conquistar? Eu não.
Pedi-lhe que não me levasse a mal por pudor de arrogância e não por salamaleque de escrita. É que é tanto o especialista de fado nos nossos dias que não me reconheço competência para vestir a pele desse lobo, que papa cordeiros como eu ao pequeno almoço de todas as análises. Não quis por isso que me confundisse, a minha intenção foi nenhuma, terá feito um zig, nada de grave, limitei-me a indicar o zag, sem remoque.
Não veja pois também grande alarde no que lhe vou dizer agora: dizer que o fado é triste é só comentar meio fado, que ele foi inventado em dois tons distintos. Os portugueses cantavam o seu sentir sem viola, só à guitarra manhosa e alaúdica, tocada para pecadores e à porta do pecado. Em dois andamentos, dos quais deriva todo o fado. O Fado Menor, para a dolência dos queixumes, e o Fado Corrido, para cantar o coração a bailhar. Todas as diminutas com quartas aumentadas nos sustenidos dos novos especialistas perdem-se neste imenso acorde natural, simples e primário, dois tons apenas, que deu início a essa cantiga com três acordes. A mesma que hoje deslumbra, (revista e melhorada, sim, mas ela própria e a de sempre,) um país que se deslumbra com pouco e aplaude sempre de pé e em delírio a novidade da moda. Porque gosta? Não, porra. Porque o fado ganhou um Goya, desta vez.
Aceite um abraço, caríssimo. E, acabando como comecei, não me leve a mal.
rvn
Eu percebi que quando disse para nao levar a mal, foi com essa mesma intençao. Percebi tambem que vou ter que ter mais cuidado quando me quiser expressar…Apenas quis transmitir o meu agrado pelo acontecimento, talvez, e como me consegui provar, nao o tivesse feito da melhor forma.
amigo,
Pior que atirar ao lado é não chutar. Veja o Crstiano Ronaldo e nunca as mãos lhe doam, não se assuste com ranzingas como eu. Opinar é dos poucos prazeres que vai escapando ao olho vigilante do nunes.
Abraço, claro.
Magnífico!
O Rui Vasco Neto conseguiu “infiltrar” o nunes num comentário sobre os parabéns ao “Charmoso”. O nunes vai ficar escamado! Espero que o premiado tenha alguma prova da proveniência do objecto em forma de cabeça do señor Goya…
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
Bom; para mim em materia de fado ( pensando no masculino ) o meu amor vai todo para o Alfredo Marceneiro que considero alguem que atingiu um grau de absoluta pureza e que adoro.
Mas e sempre bom ver artista Portugueses reconhecidos e acho que e justo .O Carlos do Carmo tambem e um excelente fadista, acho bem.
Brasileiros e espanhóis? Só? E o acervo de Bruce Bastin em boa hora comprado pelo Estado português? Mas ainda bem que gosta de fado, Daniel - embora eu tenha dúvidas sobre se uma parte importante da discografia de Carlos do Carmo se possa considerar verdadeiramente fado -, já que poucos portugueses não têm preconceitos ideológicos e/ou sociais em relação ao fado, a única forma de música popular urbana aqui do rectângulo e que foi a base, a partir do fado de Coimbra, da grande renovação da música popular portuguesa com José Afonso, Adriano, etc. Em qualquer país civilizado, Afredo Marceneiro, por exemplo, seria idolatrado ao nível de um Robert Johnson ou de uma Bessie Smith.
Não é que seja grande adepto de Fado, mas nao ha duvida que é uma grande conquista para a cultura portuguesa. E muito graças a Carlos Do Carmo, Camene e especialmente a Mariza…
Enquanto por aqui de disserta sobre o faduncho (sempre associado à boa pinga que alegra a alma) centenas de milhar de cidadãos em França manifestam-se em Versalhes contra a ratificação do Tratado de Lisboa que Sarkozy pretende seja feita nas costas do povo.
Por aqui, na imprensa corporativa em geral, nem uma palavra sobre o assunto. Os comentadores admitidos no sistema de “informação” imitam-nos, fomentando a apatia.
Amanhã, quando os jornais e as tvs revelarem que o Tratado já foi ratificado não faltará o habitual entusiasmo post-morten: Traição, traição! gritarão os comentadores “de esquerda” – são as chamadas lágrimas de crocodilo.
Foi uma surpresa este post. O Daniel tem cara de tudo, menos de gostar de fado!
Eu não aprecio, mas reconheço que é um dos maiores símbolos da cultura musical portuguesa. Não é o pop, nem o rock nem a pimbalhada que se faz em Portugal que é reconhecida no estrangeiro. Quase todos os grandes músicos portugueses conhecidos no estrangeiro são fadistas.
daniel,
Sem pretensões a chico-esperto e no mesmo embalo da intenção do teu post, julgo pertinente dizer que ajudaria bastante uma conversa destas fora de prémios. Mais vezes. Só porque sim.
Abraço.
Concordo. A nova geração do fado tem feito coisas dignas de louvar. E não falo só na mainstream. Em Portugal fazem-se coisas de muita qualidade que, infelizmente, continuam a não ter muita divulgação. Um exemplo são os recentes “Fado em Si Bemol”, um projecto de fusão de fado com jazz. Caso tenha despertado alguma curiosidade, estes podem ser vistos no “You Tube”.
Da minha parte, apenas estranho a forma como o Fado de Coimbra tem sido totalmente marginalizado em praticamente todos os círculos. A gota de água foi, para mim, o filme que o Daniel colocou aí em cima, em que não há uma única referência a um único intérprete de fado de Coimbra. Se se pretendia fazer um documentário, não está exacto. Se se pretendia fazer um filme, não está real. Não se pode marginalizar assim um lado importante do fado só porque não vende…
Xatoo, não me leve a mal, mas não há pachorra. Está a criticar que eu escreva sobre música quando está a acontecer uma manifestação? Que raio de sentido tem isso.
Há aqui alguns equívocos que convêm relembrar.
Primeiro o fado de Coimbra não tem nada a ver com o fado de Lisboa.
Segundo, como atrás se diz o fado é de Lisboa e nunca pode representar Portugal ou então estaria no mesmo pé que o vira do Minho.
Isto não tem nada a ver com gostos, pessoalmente não aprecio, a não ser pelo vinho e pelo chouriço assado que o acompanham em dó maior mas sim com questões técnicas e estéticas.
Parabéns a Carlos do Carmo de quem nunca ouvi nada.
Fado, o fado de Lisboa é muito mais do que de Lisboa. Não é um tipo de música local ou regional.
Henrique,
Não me leve a mal, mas dizer que «nao ha duvida que (o fado) é uma grande conquista para a cultura portuguesa» é o mesmo que dizer que a couve é uma grande conquista para o caldo verde. Qualquer grande melodia com um poema assim é um fado triste.
Cumprimentos
Bom, primeiro deixem-me sublinhar que nada tenho a ver com um tal JC que por aqui já vi comentar num outro post com algumas expressões dem português vernáculo.
Segundo, Fado Alexandrino, na sua origem o fado de Coimbra mais não é do que o fado de Lisboa levado para Coimbra pelos estudantes e adaptado ás suas vivências e por eles recreado e modificado. Veja, por favor e apenas como exemplo, “Lisboa, o Fado e os Fadistas” de Eduardo Sucena.
Terceiro, Daniel, que a realidade fadista é fundamentalmente urbana, da Lisboa cidade e dos seus bairros populares, levada aos fins de semana para as hortas pelos lisboetas e tb acolhido nos palácios da aristocracia, “fora de portas”.
Já agora, para os esquerdistas mais facciosos:
Rúben Carvalho, do PCP, é um dos mais importantes estudiosos do fado, leitura incontornável para os que se interessam pelo assunto.
Existia uma tradição de fado operário na 1ª metade do séc. XX, penso que ligada ao anarco-sindicalismo, que parece definitivamente perdida
Vá lá!, então?!
Alguém tem noção do que seria do Fado se não tivesse acontecido Carlos do Carmo nos últimos 35 anos?
Declaração de interesses: Carlos do Carmo é o meu fadista preferido.
Parabéns Carlos do Carmo. Apesar de não gostar mesmo nada de fado….
E agora que o tema é música, chamo a atenção para o que se preparam para fazer com a escola de musica do Conservatório Nacional de Lisboa!
Resumindo: “acaba” já em Setembro.
Parabens ao Carlos do Carmo …de quem nunca ouvi NADA…diz um comentador….
SERÁ SURDO……
O Tango é de Buenos Aires, e não deixa de ser a imagem de marca da Argentina.
O Samba é do Rio, e toda a gente o associa a BRASIL…..
O Flamengo é retintamente Sevilhano e Calé, e não deixa de ser a imagem das Espanhas……
rvn…Eu nao o levo a mal, mas nao percebi o que queria dizer.
“não há pachorra”? caro Daniel?
desculpe; eu não estava a criticá-lo ad hominem; apenas notei uma lacuna no blogue. que considero uma falha grave, e disse-o.
Quanto ao mais, sabe, estou muito confiante no meu futuro como comentador que aqui vem de quando em vez. Desta vez não fui apelidado de “herói do teclado”
Acho o fado uma pepineira, sempre achei.
As letras, salvo raras excepções (e entre elas não está o marido da Inês Pedrosa), são uma desgraça.
Chegou-se ao cúmulo de achar que a Mariza canta…
Fogo!!!
Devido à sua ronda pelos blogs açorianos, o basalto negro assinalou o blog Arrastão (http://arrastao.org/ ) de Daniel Oliveira como um blog de referência.
Tendo em conta que o fado é canção e a canção ligaçao instrumental e letrista, a parte que normalmente mais me interessa é a lírica e “dizência” da palavra, no seu sentido estético. Mas como reconheço temperatura relevante na sonoridade da guitarra portuguesa, dou perferência a Carlos Paredes, aquele que desenvolveu ao máximo as possibilidades expressivas da guitarra.
O “Homem da Cidade” é, talvez, o melhor álbum de fado no que à letra (poesia) diz respeito.
E servido por um grande interprete.
Quinta do Infantado
Felizmente não sou surdo mas como vivo num país que não é socialista posso escolher o que ouvir.
E olhe, gosto particularemnte de Esbjorn Svensson e Monty Alexander que lhe recomendo.
Parabéns ao intérprete, mas embora por vezes cometa o mesmo erro quando falo de outros intérpretes, não existem fados do Carlos do Carmo.
Bom apetite, para os esbljorn e monty que não faço qualquer ideia de quem sejam…
Dizer que nunca se ouviu nada do Carlos do Carmo, é diferente de por opção optar por outro tipo de músicas.
Eu não gosto, nem compro música Pimba, mas não digo que nunca ouvi, a não ser que NUNCA veja televisão ou NUNCA OUÇA rádio.
Mas faria bem em ouvir ás vezes o Carlos do Carmo, é sem dúvidas um dos grandes interpretes , e não só de fado, que temos em Portugal.
Tá, não deixa é de ser
coisa triste, que eu não
recomendo a meus filhos,
se, fado, empobrece o povo,
lhe faz mal à cabeça e à vontade,
além de ao raio da vida, com reflexos
na governação do CDS ao PSD e PS,
como os ladrões do País, que além
de encherem a mula só servem
ao escândalo dos diários e à
incessante pilhéria de uns
arrastões e blasfemos.
Mai nada. E porra então lá p’ò fado.
um fado bonito e cristão
http://br.youtube.com/watch?v=J8sWYzUvV80
O fado é na maior parte das vezes uma canção triste e magoada,e acho que representa bem a nossa maneira de ser como povo.Ontem num programa da antena aberta a questão era se os portugueses tem sentido de humor,pois bem a maior parte dos que para lá telefonaram só falaram em coisas tristes.Temos uma certa predisposição para o queixume e por vezes até á lamuria.
Quinta do Infantado
Já sabia que não os conhecia!
Sim, posso ter ouvido qualquer coisa dele distraído, olhe dizem-me agora aqui do lado que interpretou uma vez o Avante camaradas numa festa da Atalaia.
Para o contentar vou terça-feira a Carcavelos ver se os ciganos têm lá qualquer coisa dele.
Ora, ora , você é definitivamente 1 homem orientado!
Prova de autenticidade e bom gosto = gostar de fado.
(Lá está outro complexozito nacional, diz bem!)
Apesar de eu não gostar muito do Carlos do Carmo (não faz de todo o meu estilo) é bom saber que o distinguiram; reconhecer que fez uma ‘ponte’ importante em tempos conturbados; e saber sobretudo que lá fora se destacou o nosso género musical mais emblemático.
(Pena é que tudo isto venha por arrasto de um destaque feito, não por um português, mas por 1 espanhol…o Saura).
E tem toda a razão o Daniel quando diz que o fado de Lisboa é (actualmente) nacional. - Any problem?
Por mim, adoro fado, desde sempre!
Quanto a cantores, todos temos diferentes preferências… dividimo-nos justamente como no resto das coisas da vida (e nem sempre pelas mesmas razões).
Não gosto do Carlos do Carmo, como não gosto do João Braga. Mesmo não confundindo as dimensões, é mais por questão de voz e de forma: - são ambos monocórdicos e desinfectados, coisa que nada condiz com o fado:).
Também não alinho nada no fenómeno ‘passeio em ombros’ de Marisa, que não me comove
(é fantástico como as pessoas são sugestionáveis!).
Gostar, gostar, em vozes de agora, é de irrepetíveis como o Ferreira Rosa, o António Zambujo, a Kátia Guereiro e a Aldina Duarte.
(mais alguns outros e sem esquecer anónimos da minha predilecção, claro).
- Nada em comum naqueles exemplos?
Pouco…de facto.
Só mesmo cantarem mesmo muuuuuuuito bem!
OBS: Ó Daniel, faça lá de vez em quando uma entrada sobre fado, por favor!
- E que tal também uns links?
pena é que em Portugal essa consagração tenha sido vista apenas como se tivesse recebido um mero Globo de Ouro da SIC…
Ó Tric, claro, mas a DPontes é coisa bem maior que o fado.
E então se estamos “nessa onda” ouça lá em troca este fado, semi-a capella, semi jazz:
http://www.antoniozambujo.com/home.asp?zona=3&template=3&precedencia=0&idioma=1
O que me dá gozo é um arrojo assim, tão conseguido!
Mas se quer que lhe diga, o Deus do fado não tem sempre o mesmo nome! E tem tanto da Alá como de Deus cristão… quer-me bem parecer!
Seja como for, é sempre, sim, definitivamente físico. E metafísico.
Fado Alexandrino:
Tal como disse um comentador por aqui, o fado de Coimbra não é mais do que o fado de Lisboa levado para Coimbra pelos estudantes. É, pelo menos, essa, a sua origem. Actualmente, dá para notar diferenças óbvias: seja pela guitarra (afinada meio-tom abaixo da de Lisboa), pelo próprio canto (exclusivo de homens, e a meu ver mais técnico) ou pela própria sonoridade, normalmente com arranjos mais complexos (o que tem uma razão de ser, já que o fado de Lisboa é normalmente cantado em círculos mais populares e o de Coimbra em círculos mais eruditos). Mas não se trata de saber se um ou outro é melhor ou pior. Tanto um como outro merecem divulgação e não merecem ser marginalizados pelo facto de um vender mais. Ambos são fado, e isso é inegável. Não estamos a comparar o corridinho com a chula.
henrique,
Quis e quero dizer que o fado não pode ser considerado uma conquista da cultura portuguesa, pela mais elementar razão que o fado é a cultura portuguesa. A cultura portuguesa é só o fado? Claro que não, mas também não conquistou nada que não fosse parte de si, nesse hermafroditismo complexo que o mau caro vislumbrou. Consegue o meu amigo imaginar a cultura portuguesa sem o fado, ainda por conquistar? Eu não.
Pedi-lhe que não me levasse a mal por pudor de arrogância e não por salamaleque de escrita. É que é tanto o especialista de fado nos nossos dias que não me reconheço competência para vestir a pele desse lobo, que papa cordeiros como eu ao pequeno almoço de todas as análises. Não quis por isso que me confundisse, a minha intenção foi nenhuma, terá feito um zig, nada de grave, limitei-me a indicar o zag, sem remoque.
Não veja pois também grande alarde no que lhe vou dizer agora: dizer que o fado é triste é só comentar meio fado, que ele foi inventado em dois tons distintos. Os portugueses cantavam o seu sentir sem viola, só à guitarra manhosa e alaúdica, tocada para pecadores e à porta do pecado. Em dois andamentos, dos quais deriva todo o fado. O Fado Menor, para a dolência dos queixumes, e o Fado Corrido, para cantar o coração a bailhar. Todas as diminutas com quartas aumentadas nos sustenidos dos novos especialistas perdem-se neste imenso acorde natural, simples e primário, dois tons apenas, que deu início a essa cantiga com três acordes. A mesma que hoje deslumbra, (revista e melhorada, sim, mas ela própria e a de sempre,) um país que se deslumbra com pouco e aplaude sempre de pé e em delírio a novidade da moda. Porque gosta? Não, porra. Porque o fado ganhou um Goya, desta vez.
Aceite um abraço, caríssimo. E, acabando como comecei, não me leve a mal.
rvn
Eu percebi que quando disse para nao levar a mal, foi com essa mesma intençao. Percebi tambem que vou ter que ter mais cuidado quando me quiser expressar…Apenas quis transmitir o meu agrado pelo acontecimento, talvez, e como me consegui provar, nao o tivesse feito da melhor forma.
Cumprimentos
amigo,
Pior que atirar ao lado é não chutar. Veja o Crstiano Ronaldo e nunca as mãos lhe doam, não se assuste com ranzingas como eu. Opinar é dos poucos prazeres que vai escapando ao olho vigilante do nunes.
Abraço, claro.
Magnífico!
O Rui Vasco Neto conseguiu “infiltrar” o nunes num comentário sobre os parabéns ao “Charmoso”. O nunes vai ficar escamado! Espero que o premiado tenha alguma prova da proveniência do objecto em forma de cabeça do señor Goya…
sam,
Sabes como é o nunes, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Acaba infiltrado, é fatal.
(andas no fado, cantigueiro?)