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O Estado securitário vai ocupando a Internet. Os franceses apanhados a piratear filmes ou música podem perder o acesso à net. O presidente francês Nicolas Sarkozy já considerou o acordo como um “decisivo momento para o futuro de uma Internet civilizada”. Temo este futuro, sobretudo quando é sonhado pelo senhor Sarkozy. Imaginem tudo o que é necessário para aplicar esta lei e todas as suas implicações. E suspeito que, neste caso, os nossos liberais não venham gritar por menos Estado.

Como de costume, nasce um espaço de liberdade, o mercado vem depois tomar conta dele e o Estado trata da polícia. Há alternativas, como alguns autores de música têm provado. Só que essas beneficiam mesmo o autor e não abrem este perigosíssimo precedente. Os autores deviam começar a perceber que a Internet é a oportunidade de deixarem de ser funcionários. É ter imaginação e seguir os bons exemplos. Até porque, como se vê pela greve dos guionistas de Hollywood, quando se trata de dividir os lucros provenientes da Internet, a Industria rapidamente se esquece dos autores.


26 respostas ao post “Mais um passo”  

  1. 1 1  Bang Bang

    Muito bem Daniel. Vamos ver o que dizem os ditos liberais. Ficarão caladinhos que nem ratos?

  2. 2 2  Nuno

    O blog Que Treta q há muito aborda esta problemática do copyright, q proteje não os autores mas os ditribuidores e as gdes indústrias, q são perfeitamente passiveis de serem ultrapassadas, mas que criam novos formatos e legislação para protegerem o negócio e NUNCA para beneficio dos consumidores. Estas noticias dão me vontade de comprar menos originais e fazer mais downloads!

  3. 3 3  RJ

    Estas medidas anti-pirataria, se forem para a frente, poderão resultar. Já há casos nos EUA de gente condenada a pagar uns milharzitos por disponibilizarem conteúdos online(música/ filmes).
    Isto só vai ao sítio com repressão. Entenda-se que é muito grave termos uma geração que pensa que os conteúdos culturais (música/cinema) são gratuitos.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    RJ, veja o link que deixei no fim. As pessoas pagavam o que queriam e pagaram mesmo.

    Acontece que as distribuidoras de música sabem que serão, no futuro, dispensáveis (ficariam consumidores e autores a ganhar), mas, como é normal, fazem tudo para não ser.

    Quase todas as experiências de venda directa têm resultado. Mais: a Internet consegue tornar conhecidos grupos que teriam de esperar pelo OK das distribuidoras para chegar ao público.

    É possível distribuir música mais barato com mais lucros para os autores (que chegam mais depressa a mais público e fazem mais dinheiro nos consertos).

    No cinema e audiovisual as coisas são mais complicadas mas há muita gente a tentar experimentar saídas. A repressão não resultará em nada (o “pear to pear” trata de trocar as voltas a qualquer sistema de segurança), apenas servirá para matar o meio. É esse o objectivo.

  5. 5 5  tric

    entre o possivel comportamento de sarkosy e o já se passa em espanha, não sei qual o mais preocupante

    http://www.libertaddigital.com/noticias/noticia_1276318046.html

  6. 6 6  Bang Bang

    Se é possivel engendrar um sistema em que as distribuidoras são dispensáveis, então porque razão as devemos manter em pé? Não há volta a dar, daqui a 20 anos não existem nem uma. Nem sequer para recordação.

  7. 7 7  Tarzan
  8. 8 8  Tarzan

    «E suspeito que, neste caso, os nossos liberais não venham gritar por menos Estado.»

    Porquê?

  9. 9 9  Manuel Caetano

    É artifício dos Governos essa protecção, que falais, às editoras e distribuidoras de música. Já vi esses tretas acerca de livros (quando começaram as fotocópias), as gravações em cassetes de audio, as gravações em cassete video, etc etc
    A questão agora é outra e garanto-vos que nem se trata de nada relacionado com economia. Penso que há macroeconomistas a estudar esses assuntos. Fiscalissímamente falando, para o estado tanto faz que receba IVA duma Editora como duma Empresa de Comunicações. Pensando bem, em Portugal deve ser mais certo a boa cobrança do IVA à PT, TVcabo,Vodafone, etc do que à Etiqueta da Merdaleija que edita e/ou distribuiu os Tones e as Micas cantadeiras. Também sabemos que a maioria dos portugueses pagam integralmente os seus IVAS no Grupos Continente e Pingo Doce porque ganham para comer e pouco mais. Quando compram um disco ou um livro é para oferecer e não oferecem fotocópias nem um dvd sacado no Emule (refiro-me obviamente à maioria). Atendendo ao endividamento das famílias que é muito e à poupança nacional que é pouca não sei que ginástica financeira conseguiria pôr os nossos pobres concidadãos a comprar livros e discos à fartazana.
    Um conselho aos músicos e cantadeiros: Trabalhem, toquem e cantem directamente para quem os gosta de ouvir. Nunca entenderei porque um arquitecto ou um engenheiro faz uma obra publica de grande utilidade e não cobra posteriormente a quem a usa. Um pintor não cobra a quem olha os seu quadros, a sua arte, um escultor idem. Mas os músicos e os escritores são manipulados por máquinas de mercado curiosas que à custa deles fazem fortunas. Penso que ninguém vai-se ocupar em reflectir sobre isto. Nos livros vão mais longe, famílias recebem direitos de autores falecidos!!!
    Bom quanto à Net, as coisas que se ainda vão inventar para a controlar ABSOLUTAMENTE, ainda estão no início, e como dizia alguém, “em politica o que parece é”. O que interessa é que pareça que não se pode piratar músicas, videos e outras tolices. Tudo para o bem de todos e em prejuíjo de alguns malfeitores que roubam o pão a quem trabalha nas falidas editoras.

  10. 10 10  Daniel Oliveira

    Porque quando se trata de defender os interesses da indústria os nossos liberais querem o Estado e em força. Acham mesmo que é para isso que ele serve.

  11. 11 11  ezequiel

    1-Liberais há muitos. Neo-liberalismo e liberalismo (s) são coisas distintas. O neo-lib é decididamente de direita enquanto todos os outros são…genuinamente liberais, perdoem-me a tautologia. Em Portugal, os neo-libs assumiram o controlo cognitivo da coisa. Não sei como, mas conseguiram-no. Triste. E a esquerda ajuda-os ao replicar, de forma pavloviana, esta percepção absurda da coisa.

    2-Suspeito que, neste domínio, as acções do estado serão fúteis. O Sarkhozy que tenha juízo na cabeçona. Não tem muito dinheiro para esbanjar em projectos inconsequentes. A França está completamente falida. So bloody typical!! Dirigisme louco. Os franceses pensam que mudam o mundo com os seus intervencionismos! Este projecto está condenado ao falhanço desde a nascença.

    Os autores ganham muito bem. Poderiam ganhar melhor, sem dúvida. Mas não estão a ser explorados. Longe disso.

  12. 12 12  ezequiel

    E, meus caros, foi o mercado e o estado que “criaram” a internet, tal como nos a conhecemos hoje.

    Mas há aqui uma outra coisa.

    O Daniel defende que os autores sejam mais bem pagos pela malévola indústria. Ok. Concordo completamente. Olhemos para a justificação da coisa. Os argumentos são dos autores, não é assim. OS autores, como forma de protesto, pararam de escrever para os hollywoodies. Exercitaram controle sobre aquilo que produzem, sobre a SUA propriedade intelectual. Chegamos à mesma questão: o que legitima a acção dos autores(o direito de propriedade sobre o que produzem) é o mesmo princípio que é invocado na intervenção do estado sarkhoziano. Se defende os autores, terá que defender Sarkhozy. Será?

  13. 13 13  Karl Macx

    A coisa boa da Net é que por cada “polícia” que nos tenta colocar um colete de forças, há pelo menos uma mão cheia de “hackers” que, qual Houdini, trata de providenciar a chave para a fuga.
    Não fico preocupado.
    Repare bem nisto, Daniel, diga-me uma medida tomada para combater a pirataria que não tenha já sido completamente desmantelada por um puto de 16 anos? Nem o iPod se livrou…
    Os “hackers” de hoje vão ser os “revolucionários” de amanhã - se eles quiserem, nem os próprios Estados estão seguros. Uma mão cheia de hackers pode, numa questão de dias, deixar um país de rastos…

  14. 14 14  fidel

    Bons exemplos camarada daniel? Seria um bom exemplo se o tivessem feito antes de serem conhecidos e terem tirado proveito da maquina de marketing da editora com qual tinham contrato.
    A verdade é que ninguém é obrigado a assinar contratos com as editoras quem, quiser pode colocar os seus trabalhos de borla na net.
    Vender ou dar aquilo que não nos pertence é que é crime.

  15. 15 15  Miguel F. Carvalho

    em tempos houve livros proibidos…

    em tempos houve filmes proibidos…

    um dia haverá também a internet proibida…

    e depois o bom senso suplanta a estupidez e volta a normalidade…

  16. 16 16  O Poder de Grayskull

    é impressão minha ou grande parte dos franceses estarão em risco de perder o acesso à net?

  17. 17 17  Polemusa

    Não tenho pena nenhuma das “majors” discográficas. Não souberam (nem quiseram) adaptar-se e rebolaram que nem porcos na lama durante muitas décadas.
    Há muitas outras formas de apoiarem os músicos.

    Recomendo VIVAMENTE esta posta (acrescentar http://www. ) :
    demonbaby.com/blog/2007/10/when-pigs-fly-death-of-oink-birth-of.html

  18. 18 18  André Militão

    Pegando no exemplo dos Radiohead, eu não entendo por que raio é que uma pessoa há-de pagar para ouvir música ou ver um filme recente, se não existem outras alternativas.

    No caso de livros ou publicações técnicas já funciona assim, só quem quer é que paga, uma vez que existe uma alternativa razoável - ir a uma biblioteca!!
    Ou com a pintura, que eu saiba posso ter uma réplica de um quadro famoso em minha casa, ou também é crime?

    Numa sociedade evoluída, a mesma coisa deveria passar-se com a música e os filmes. E é isso que os radiohead e milhares de bandas desconhecidas (para responder ao fidel) andam a fazer, através de sites como o Myspace e outros.

    Pessoalmente acho a ideia de propriedade intelectual abjecta tal como esta é concebida pelas editoras.
    Os autores certamente que devem ter controlo sobre o seu trabalho, mas acho que esse controlo não lhes dá o direito de privarem outras pessoas do seu trabalho cultural, simplesmente porque não têm dinheiro para o comprar, pois isso é injusto e, em última análise, apenas permite aos estratos culturais mais altos o acesso à cultura e informação.

    Como o disse outro comentador, também os livros e a informação em geral já foram proibidos e restringidos, com o intuito de assegurar o domínio do mercado ou do Estado em si pelos mais poderosos.

    Espero sinceramente que o futuro do mercado da música seja semelhante à visão dos radiohead: quem quer faz o download e se gostar pode fazer uma doação no valor que bem entender.
    Assim, todos têm direito à cultura e os artistas continuam a ser pagos e reconhecidos (sim, porque muitas vezes grande parte dos rendimentos dos músicos provém dos espectáculos que dá).

  19. 19 19  marieta

    olha, aquele ali atrás é o busha, o novo hitler, ó Daniel, por mais que lhe disfarces o retrato…

  20. 20 20  ZeM

    “Como de costume, nasce um espaço de liberdade, o mercado vem depois tomar conta dele e o Estado trata da polícia.”

    Mas a internet não nasceu, precisamente, do mercado e do estado?

  21. 21 21  Tarzan

    Caro Daniel,

    esses não serão verdadeiros liberais. Um (verdadeiro) liberal nunca se esquece que também é consumidor…

  22. 22 22  Daniel Oliveira

    «Mas a internet não nasceu, precisamente, do mercado e do estado?»

    Do Estado sim. Militar, primeiro, universitário, depois. Do mercado? Porquê?

  23. 23 23  Ricardo Francisco

    Caro Daniel Oliveira,

    Como não tem comentários válidos a fazer sobre o que “os nossos liberais” dizem de facto, comenta aquilo que eles diriam?

    É bom sinal…bom sinal.

  24. 24 24  ezequiel

    Caro Daniel,

    hoje estou mesmo sem paciencia ninuma para grandes digressões cibernéticas.

    Leu o que eu escrevi? Eu reli o que escrevi e parece-me assaz claro.

    Bem sei que a internet foi inventada pelos militares americanos e o www por um universitário brit. Referia-me à internet TAL-TAL-TAL-TAL como a conhecemos hoje. O mercado, no sentido mais abrangente do termo, tem determinado as potencialidades e funcionalidades da internet. A estratégia dos radiohead é uma estratégia de mercado, ou, na parlance totó dos marketeers (com quem o Daniel compartilha uma certa propensão
    “formuleira.”) Ou seja, MARKETING! Não tem nada de altruísta. Assenta, simplesmente, num novo conceito de valor: o valor da disseminação comunicativa é entendido como sendo maior do que o da venda de um produto. E é, de facto. Exposure vs sale. O exemplo que cita, dos radiohead, é um bom exemplo desta nova lógica do mercado. Isto está suficientemente knorr, ou será que deveria adicionar mais alguma coisa?

    O carro foi inventado pela Benz mas não é a Benz que controla o mercado automóvel.

    bye bye

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    ezequiel, se não está com grande peciência volte quando estiver.

    De resto, o contrário do mercado não é o altruísmo. E não tenho qualquer problema (pelo contrário) com o mercado na Internet. O problema é quando o mercado passa a impor quem as regras de acesso à Internet usado o Estado como polícia.

  1. 1 Cortando o barato (1) «

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