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Sobre Sicko, de Michael Moore, replublico aqui o texto que escrevi no “Expresso” há uns meses e o excerto de 15 minutos que aqui postei.


Para abrir o apetite

Eram escusadas as lágrimas e a pequena manipulação emocional no último filme de Michael Moore, ‘Sicko’, sobre o sistema de saúde americano. Os factos chegavam. Por cada cidadão, gastam-se nos EUA mais de sete mil dólares por ano em saúde. O dobro dos europeus. O triplo dos portugueses. Para acudir a todos? Pelo contrário. 43 milhões de americanos não têm acesso a qualquer cuidado de saúde e por isso mesmo morrem 18 mil por ano. Para ter melhor? Pelo contrário. A qualidade do sistema de saúde americano, quase exclusivamente garantido por seguradoras, põe os Estados Unidos no humilhante 37º lugar do “ranking” da Organização Mundial de Saúde. Os dez primeiros são quase todos europeus. Segure-se: Portugal está em 12º. E cerca de metade da mortalidade infantil por mil nascimentos da que é registada nos EUA. Um número a reter.

O documentário conta histórias na primeira pessoa. Um amputado que teve de escolher o dedo que poderia ver de volta olhando para o seu saldo bancário. Uma mulher que não foi aceite por uma seguradora por ser demasiado gorda. Um médico que assina de cruz todas as recusas e ganha um bónus por cada tostão que poupa à empresa.

Da próxima vez que alguém, para defender a privatização do serviço público de saúde, lhe falar de liberdade de escolha e de qualidade dos serviços veja este filme. O europeu gasta menos e pode escolher entre o privado e o público. O americano gasta mais para poder escolher entre as seguradoras e coisa nenhuma. E mesmo assim terá de negociar a sua vida.


Sem respostas ao post “Sicko”  

  1. 1 1  Defski

    Aquela parte de Cuba , por amor de Deus, nem o PCP se lembraria, e aquele doente do partido comunista americano é um “clin d´oeil” de alto nível.

  2. 2 2  PMA

    Concordo com o ‘post’, o que devo confessar, a bem da transparência, poucas vezes acontece. Mas não posso deixar de realçar a “pequena manipulação emocional” que parece tranparecer na forma como termina! n sei mas… “Da próxima vez que alguém, para defender a privatização do serviço público de saúde, lhe falar de liberdade de escolha e de qualidade dos serviços veja este filme”, parece-me um pouco semelhante ao q Moore faz, em alguns momentos, no documentário e que é por si, muito bem, criticado.

  3. 3 3  Sebastião Dias

    Não vi o filme, no entanto gostava de destacar alguns factos e fazer algumas correcções ao que o Daniel disse por desconhecimento.

    Destaco que apesar de cerca de 13% de habitantes dos EUA que não estarem incluídos em qualquer sistema de saúde, público ou privado, criou-se o mito de que nos Estados Unidos não existe um sistema de saúde público. Este mito é errado. Ele existe e é bastante complexo. Existe o programa federal Medicare, pago através de quotizações. Existe também um programa complementar Medicaid, gerido pelo estado. Além dos sistemas privados, há ainda outros sistemas complementares, que variam consoante os estados e a profissão de cada um.

    Destaco ainda que nos Estados Unidos as despesas sociais são mais ou menos iguais à maior parte dos países europeus quando se considera o conjunto das contribuições do estado, das colectividades, dos particulares e da filantropia. Poderá parecer só um detalhe, mas este é um detalhe importante.

    Gostava também de destacar que no que respeita ao sistema de saúde americano, existem alguns dos melhores hospitais do mundo, onde a investigação assume um papel bastante importante e por vezes pioneiro em diversas áreas da medicina. É sabido quefruto da investigação de vanguarda este é o país do mundo que mais contribui para o desenvolvimento da medicina.

    Menciono estes factos pois apesar de não ter visto o filme do Michael Moore não acredito que esta informação relevante lá tenha sido divulgada. Aliás, Michael Moore é um cineasta que tem o seu nicho, a sua vaca leiteira, faz os seus milhões e fa-los muito bem, sentindo-se certamente abençoado por ser americano.

    Michael Moore esquece-se destes e de outros factos, coisa que os seus fãs também parecem não conseguir ver. Por exemplo, esquece-se que também em Portugal, em França, na B
    élgica ou na Alemanha, um gordo com cú 16 por 9 versão wide, de 40 anos, que queira fazer um seguro de saúde não o consegue fazer por uma simples razão. O negócio das seguradoras é feito com base nas probabilidades e a probabilidade de tal sujeito morrer prematuramente é demasiado alta. O mesmo se passa com os fumadores. O mesmo se poderá passar se o segurado fôr condutos regular de uma motorizada ou se tiver tido um cancro. POrque as seguradoras não têm de ser parvas e fazer o que à partida se vê como sendo um mau negócio.
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    Para terminar, o sistema americano está longe de ser o ideal e acho que todos os países deveriam ter um Michael Moore, especialmente Portugal. É que apesar de estarmos em 12º lugar, não nos esqueçamos do doente que lhe foi retirado o rim bom em vez do doente, em que a justiça não funciona, em que se vê roubada a vida e não há para onde uma pessoa se possa virar em busca de uma tábua de salvação. E casos destes, ou enganos médicos por pura incompetência não são raros. Farão estes casos parte das estatísticas?

    E que diria Michael Moore da professora com 4 cancros, à qual foi retirada parte da língua e que o estado diz que está apta para o trabalho? Será que ele iria gostar?

    E que diria ele da quantidade de pessoas em Portugal que nunca descontaram um tostão para o estado porque escolheram não o fazer e reclamam o direito a pensões de reforma?

    Ui, que este post está longo, desculpe Daniel…

  4. 4 4  Lidador

    “Um amputado que teve de escolher o dedo que poderia ver de volta olhando para o seu saldo bancário. ”

    Bem, ó Daniel, a coisa é desagradável, mas ainda assim a escolha foi dele.
    No SNS inglês, são comissões burocráticas que decidem se um rim do paciente X é mais importante que a catarata do Y.

    E noutros nem sequer há escolha…é por isso que no dia em que o Daniel ( para longe vá o agoiro), tenha por exemplo, um cancro, ou se sujeita ao que tem direito, ou faz como o Jorge Coelho…mete umas cunhas e vai a correr para Paris.

    Quanto ao Sicko, é sintomático que as larachas de um comediante de extrema-esquerda sejam a luneta pela qual pessoas inteligentes acreditam ver a “verdadeira América”.

    Enfim…

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