Público: Mas para que serve estar perto do poder? Para atrair clientes, para ter influência?
António Cunha Vaz: Eu nunca disse a um cliente meu: “Olhe que sou muito amigo do dr. Menezes, e, quando ele estiver no governo, faço isto e aquilo.”
Público: Não disse, mas eles podem pensar isso.
António Cunha Vaz: Já agora! Não os posso impedir de pensar, ou posso?
Público: O interesse de trabalhar com políticos tem a ver com isso.
António Cunha Vaz: Também tem a ver com isso. O importante é a percepção que se cria nas pessoas. O mercado vai atrás de quem? Das empresas ganhadoras. Mas é claro que dá alguma sensação poder dizer: “Ó Sócrates, recebes-me aí o Manuel Joaquim amanhã?”
Público: Mas para além desse prazer pessoal, isso pode trazer benefícios aos seus clientes.
António Cunha Vaz: Eles não me pagam mais por isso. Mas abre portas.



“António Cunha Vaz: Eles não me pagam mais por isso. Mas abre portas.”
Isto acontecesse em qualquer lado, seja qual for a instituição ou forma de organização. As relações de negócios, uma vez que envolvem sempre pessoas humanas, terão de ter sempre uma relação de confiança. Essa relação de confiança nasce, muitas vezes, por conhecer as pessoas do meio. Obviamente que isto é uma faca de dois gumes, mas é inevitável…