«O tema da homossexualidade é a este respeito ilustrativo. Este é um tema recorrente na história da humanidade. A solução herdada do passado - o preconceito - a respeito da homossexualidade é a da sua rejeição - e esta é a solução racional. Na realidade, não existem muitos problemas acerca da humanidade onde seja possível descortinar tão facilmente a racionalidade que presidiu às soluções adoptadas pelos nossos antepassados - e que eles nos legaram sob a forma de reacções automáticas, ou preconceitos - como o problema da homossexualidade.

Nas soluções que adoptaram aos problemas que encontraram na vida, os nossos antepassados não foram diferentes de nós - eles foram guiados, em primeiro lugar, pela necessidade da sua própria sobrevivência e, em segundo lugar, pelo desejo da sua prosperidade. Por isso, eles nunca poderiam ter aceite a homossexualidade como uma regra geral de comportamento humano.

Na realidade, no dia em que os nossos antepassados tivessem aceite a homossexualidade como regra geral do comportamento humano teria sido o dia em que a sua cultura - ou, mais geralmente, a humanidade - teria iniciado o caminho para a sua própria extinção. A atitude racional em relação à homossexualidade está, portanto, do lado do preconceito, que implica a sua rejeição como regra geral de comportamento - não a sua aceitação.»

Pedro Arroja


Sem respostas ao post “Se isto tivesse dignidade filosófica para ter um nome chamar-lhe-ia “uma espécie pouco evoluida de darwinismo social””  

  1. 1 1  De Bag

    Caro Daniel,
    Percebo o seu entusiasmo pelo debate, pela troca de ideias e pela Política (assim mesmo com P grande). Percebo ao ponto de compreender o quão contagiante esse seu entusiasmo pode poir vezes ser.
    Não percebo algumas vezes however como não lhe dá nunca uma certa (como os brazileiros dizem) “preguiça” mental para discutir com o tipo de bloggers que cita neste post, uma vez que me parece que não é com diálogo civilizado que em relação a estes senhores e senhoras se chegará lá…
    cumprimentos do De Bag :-)

  2. 2 2  Henrique Morais

    Nao posso deixar de concordar com a ultima frase de Pedro Arroja….

  3. 3 3  l.rodrigues

    Suspeito que o darwinismo biológico nos diz precisamente o contrário. Mas abstenho-me de explicar porquê.

  4. 4 4  Paulo Ribeiro

    Concordo com o De Bag. Eu que sou a “bicha”, o “paneleiro”, membro da espécie pouco evoluida de Darwinismo Social, não ligo patavina a esse tipo de raciocínio de veradeiro atrasado na teoria geral da evolução de Darwin, e penso que os meus “iguais” também não, vai o Daniel preocupar-se com isso. Eu sei que causa uma certa respulsa e mau estar, mas a verdade é que, ao longo dos tempos, a espécie atrasada foi sobrevivendo e mostrou sinais de conseguir prosperar num mundo que é constantemente adverso a ela. Um exemplo: Foi assim que os mamiferos existiram, durante a era dos Dinossauros, e depois tornaram-se na espécie dominante do planeta. Vê, leis simples podem ter tanto significado. LOL
    Ainda vamos dominar a terra e conseguir formas inovadoras de reprodução, para que a humanidade não desapareça… Não, estou a brincar… Todos têm o direito de existir e há heterossexuais em número suficiente para garantir a substituição de individuos, portanto não é necessário reprimir a homossexualidade… Ela não é, de todo, perigosa nesse sentido…
    O Pedro Arroja sim, espero que seja uma espécie em vias de extinção… Que não resista à selecção natural…..

  5. 5 5  The Studio

    Tenho a sensação que o Arroja só escreve estes “posts” porque lhe dá gosto ver os “PIDES do Politicamente correcto” todos histéricos aos saltos.
    No entanto, numa coisa o Arroja tem toda a razão, a homossexualidade não é o “comportamento natural” nem pode ser colocada a par com a heterossexualidade como se de uma questão de opções se tratasse.

  6. 6 6  FV

    Duvido que seja a intenção de Pedro Arroja, mas aquilo que o seu texto diz pode perfeitamente ser encarado como um juízo de facto e não de valor.
    Parece-me perfeitamente pertinente colocar a hipótese de que as sociedades primitivas que reprimiram a homossexualidade tiveram mais sucesso demográfico a longo prazo, e que eventualmente acabaram por engolir todas as outras. Isso conduziria a uma sociedade estável predominantemente homofóbica.
    Apesar de não achar que seria possível acontecer uma evolução desta forma tão absoluta, é um assunto que merece a mais respeitada discussão.
    Tal como quase toda a divulgação científica ou pseudo-científica, verdadeiro problema desta abordagem não são os “factos”, mas sim fazer deles juízos de valor.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Quando The Studio tenta ser mais moderado do que Arroja a falar de homossexualidade percebemos que Arroja já chegou à estratosfera.

  8. 8 8  agent

    Ou seja quem não gostar de Tagus vai para a fogueira. Parece-me uma atitude “racional”, sim senhor.
    O problema da humanidade foi ter arranjado estas catalogações de desejos ou orientações para certos “iluminados” debaterem no século XXI. Deviam ter previsto como infeliz e monótona poderia ser a vida sexual dessas pessoas e então arranjaram-lhes razões para ocuparem o seu tempo a falar da dos outros.

  9. 9 9  André Militão

    Pois Daniel, resta saber se o Pedro Arroja acredita nessas coisas do darwinismo…

    Parece-me que ele será mais da opinião de que Deus introduziu no nosso subconsciente os tais preconceitos para evitar a extinção da nossa espécie (ficando por esclarecer por que razão ele terá inventado a homossexualidade em 1º lugar, se calhar sentia-se sozinho, não sei…).

    E os culpados disto tudo quem são? O Marquês de Pombal pois “tá claro”!

  10. 10 10  Tiago Antao

    Pelo ponto de vista do Pedro Arroja e considerando que 6 bibliões de almas são claramente demais para aquilo que o planeta pode sustentar, aquilo que haveria a fazer era ilegalizar e estigmatizar a heterosexualidade, ou, pelo menos a parte reprodutiva desta.

    Sexo heterosexual? Só por prazer. De um ponto de vista de sobrevivência da espécie neste planeta sobreocupado a reprodução deveria ser fortemente estigmatizada.

    Isto levando a “racionalidade” do senhor PA às devidas consequências, está claro.

  11. 11 11  Phaedrus

    Quando ele fala de “antepassados”, não está com certeza a referir os Gregos e os Romanos. Não deixa de ser curioso como esses “antepassados” eram todos monoteístas e a maioria deles cristãos. Não me parece que o juízo condenatório da homossexualidade (que, na sua forma exclusiva nunca foi suficientemente predominante ao ponto de ameaçar a sobrevivência de qualquer civilização), derive de qualquer preocupação pragmática, e, nesse sentido estritíssimo do termo, “racional”. É antes o corolário de uma perspectiva altamente complexa sobre a sexualidade e sobre o seu papel na vida humana. De qualquer modo, de um ponto de vista estritamente pragmático, também se poderia argumentar que os homossexuais, por estarem livres do peso da procriação, poderiam dedicar-se a outras actividades tão ou mais úteis para a comunidade, como a defesa ou a aquisição de conhecimento. Esta hipótese é tão inverificável e tão razoável como a do Pedro Arroja.

  12. 12 12  João

    As sociedades primitivas não aceitaram a homosexualidade?

    “The Spanish conquerors were horrified to discover “sodomy” openly practiced among native peoples, and attempted to crush it out by subjecting the berdaches (as the Spanish called them) under their rule to severe penalties, including public execution and burning. In a famous example of homophobic cruelty, in 1513 the conquistador Vasco Nunez de Balboa”

    “In East Asia same-sex love has been referred to since the earliest recorded history. Early European travelers were taken aback by its widespread acceptance and open display. None of the East Asian countries today have specific legal prohibitions against homosexuality or homosexual behavior.

    Homosexuality in China, known as the pleasures of the bitten peach, the cut sleeve, or the southern custom, has been recorded since approximately 600 BCE”

    “During the Renaissance, rich cities in northern Italy, Florence and Venice in particular, were renowned for their widespread practice of same-sex love, engaged in by a considerable part of the male population and constructed along the classical pattern of Greece and Rome.[21][22] But even as the majority of the male population was engaging in same-sex relationships, the authorities, under the aegis of the Officers of the Night court, were prosecuting, fining, and imprisoning a good portion of that population.”

    Porra é só ir à wikipedia … gay para totós.

    As sociedades que Arroja se refere ficamos a perceber quais eram… era uma e uma só, aquela que durante séculos foi sufocada por uma certa ‘elite’ divina. A nossa precedente.

  13. 13 13  Josué

    Realmente,o sr. é um retrógrado digno duma personagem da cambada do Torquemada.

  14. 14 14  Paulo Ribeiro

    A ideia mais comum nesta caixa de comentários: a homossexualidade é contra natura. Vejamos:

    - O comportamento homossexual não é exclusivo do ser humano. Outros espécies apresentam comportamentos claramente homossexuais e algumas, à excepção do periodo de reprodução, mantém relações com espécimes do mesmo sexo, p.e. Golfinhos.

    - A homossexualidade acompanha o Homem desde os seus primordios. Manteve-se ao longo do tempo e tende a continuar.

    - Por analogia, os seres pré humanos, à semelhança das outras espécies animais, especialmente dos simios, que estão mais próximos do pré humano do que as restantes espécies, mantinham relacionamentos homossexuais.

    - Durante a antiguidade, a homossexualidade era vista com normalidade e o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não era sequer motivo de tabu.

    - Com o cavalgar das religiões monoteístas, a homossexualidade começou a ser vista como pecado, como um comportamento que ia em contra das leis de Deus.

    Concluindo:

    O tabu homossexual, no mundo ocidental, está relacionado com o pensamento religioso e não com comportamentos ditos normais ou anormais. A natureza prova que a homossexualidade é mais natural do que aquilo que querem fazer parecer.

  15. 15 15  Pedro Fontela

    Daniel Oliveira,

    Faça-nos um favor a todos… deixe o arroja morrer sozinho lá no canto dele sem lhe dar direito a links. A criatura só ganha qualquer importância porque outros lhe passam cartão, porque ler o que ele escreve ninguém lê…

  16. 16 16  Luis Moreira

    Todos apresentam o argumento definitivo que os animaizinhos e o “homem pré -histórico”,bem como Gregos e outros em fase pouco abonatória do seu desenvolvimento,eram “homo”!

    Ora tambem já foram pobres,iletrados,não tomavam banho…

    Não é natural,pegando no vosso argumento,que o homem tenha evoluído para “hetero”?

  17. 17 17  Daniel Arruda

    Pois é. Também no outro dia oa Bruno Nogueira explicou na TSF que pelo Darwinismo o futuro do mundo estava em que os casais passasem a se composos por um homem e uma bimbi (um utensilio de ozinha bastante popular para quem não sabe). Estava mais tentado a concordar com ele.
    Quanto ao resto depois de ter ouvido o Forum TSF de hoje em que o tema era religião e o abandono das igrejas achoq ue já enchi a minha medida para a estupidez e pequenez de espírito. Só faltava escrever que o Kamasutra é uma obra do demo e que a únic posição admissível no ato sexual é a de missionário. Ah e que as relações só podem existir o periodo fertil da mulher porque senão não há reprodução.

  18. 18 18  João

    Porra, em 2007 ainda há gente que não percebeu que a homossexualidade não é uma opção? E o que incomoda tanto estes machos homofóbicos? têm pesadelos em que são penetrados e acordam hirtos? E porque nunca protestam contra a homossexualidade feminina? Pois… é excitante, não é?

  19. 19 19  Hugo

    Pior, pior, é aquela passada da zazie. Alguém me sabe explicar quem é? Um alter-ego do arroja? É que estive a dar uma olhada nalguns comentários a vários posts do P.A. e… porra, alguém tem um comprimido para dar à mulher?

  20. 20 20  João Dias

    O mais engraçado deste texto pseudo-racional é que a teoria da sobrevivência cai por terra com 3 singelas palavritas: fertilização in vitro.
    Confesso, no dia em que a irracionalidade homofóbica encontrar argumentos racionais válidos eu fico assustado…até lá rimo-nos um pouco com a precariedade intelectual.
    Tudo bem, se os “homens-macaco” não tinham fertilização in vitro, lá teriam de atirar pedras e inibir os homossexuais, mas acho que já podemos começar a andar hirtos sobre duas patas…e, eventualmente, ser gente séria.

    A negação de um direito individual como a sexualidade não é um instrumento de debate de democracias, é objecto de debate em “estados confessionais, paroquiais e bolorentos. Ou seja, para que não seja mal interpretado, não temos democracia enquanto homossexuais (gays e lésbicas) não tiverem plenos direitos. Tudo o resto são exercícios fúteis, ignorantes e desculpabilizantes da hipocrisia e estupidez vigente em países que se recusam a reconhecer direitos em função da opção sexual.

    P.S: Apesar de tudo agradeço o momento humorístico.

  21. 21 21  Xico

    O Pedro Arroja tem razão. Veja-se o que aconteceu aos romanos e aos gregos. Extinguiram-se!!!….
    Agora falando sério.
    Os romanos descobriram que os celtas também gostavam. E por aí fora. A questão é que toda aquela gente gostava muito de sexo e serviam-se com o que havia à mão.
    O Alexandre, o César, o nosso D. Pedro (não sabiam?), o David, etc, etc.
    Agora é que querem transformar o sexo numa coisa cheia de regras. Gostas de homens? Então não olhes para mulheres e vice- versa.
    Uma seca.
    Eu até acho que se houvesse três ou quatro géneros em vez de dois é que teria piada….
    E não era por isso que a espécie se exterminava.
    Alguém diga ao Arroja, que basta um único homem para fecundar as mulheres todas do seu país, e ainda lhe sobrava tempo para umas férias em Espanha…!
    Será que ele nunca leu o D. João????

  22. 22 22  Paulo Ribeiro

    O homem não pode evoluir para hetero? Pois, a interpretação da evolução não foi a mais correcta. O objectivo não é provar que a homossexualidade é sinónimo da normalidade e a heterossexualidade não. Ambas são naturais e é aí que reside o problema, isto porque a maioria hetero macho homofóbico não entende que na humanidade a normalidade possa ser composta por uma, duas ou mais orientações sexuais.
    Mas percebo perfeitamente esta nova “demanda” de perseguição homossexual. À semelhança do que sempre aconteceu, quando à uma clara diminuição demográfica, surge uma corrente de perseguição homossexual, não vá o Homem extinguir-se. Os judeus eram homofóbicos, aquando da criação do primeiro testamento, porque eram muito poucos e careciam de população. Os cristãos seguem o mesmo padrão, porque surgem como uma minoria e portanto corre riscos de desaparecer… isto origina o “homossexual, o pecador”. Séc XV, pestes, fomes e guerras, homossexuais para a fogueira… periodo das guerras mundiais, idem. Terminada a segunda guerra e co mconsequente baby boom, a homossexualidade foi posta de lado e um nada esquecida, porque o número de nascimentos garantia a continuidade da espécie (vive-se a loucura dos 70´s). Agora, no mundo ocidental, assiste-se ao envelhecimento da população e a um número reduzido de nascimentos, o que significa que a homossexualidade tem que ser novamente reprimida. Mas, se os “responsáveis” garantissem o minimo de regalias a quem quer prociar, esta perseguição não estaria a despontar. Há interesses superiores… enfim.

  23. 23 23  ezequiel

    Fontela tem razão.

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