É provavel que já tenham visto esta reportagem da RTP sobre Cuba. Eu não a tinha visto e encontrei-a no Kontratempos. Ponho-a aqui pelo equilibrio. Nem Cuba é o Inferno na terra, nem Cuba é uma democracia onde se viva bem. E diz-nos o mesmo que qualquer pessoa sente quando vai a Cuba: que os cubanos são um povo extraordinário, independentemente das considerações sobre o regime. E um regime e um povo não são, como deveriamos saber, a mesma coisa.

Ainda não traduz bem a complexidade da situação cubana e devemos ter sempre em conta a dificuldade em fazer uma reportagem num país onde não há liberdade, em que não se diz em público o mesmo que se diz em privado. Em Cuba ouvi coisas que só eram ditas depois de muita conversa. Como bem diz a jornalista, só se atreve a desafiar a ditadura castrista, que ainda parece contar com algum apoio popular (quanto, não podemos saber), quem já não tem nada a perder. O meu lado, já o disse várias vezes, é o dos que lutam pela liberdade. Sempre. Esperando que nunca deixem de se bater pela independência da ilha. Porque sem ela não terão a liberdade pela qual arriscam tudo.

Vale a pena ver
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Sem respostas ao post “Cuba”  

  1. 1 1  Justicialista

    Infelizmente os que lutam pela democracia em Cuba não são os mesmos que lutam pela liberdade e independência. Caso contrário não seriam subordinados a Washington.

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Nem todos são, caro Justicialista. Sobretudo os que por lá continuam.

  3. 3 3  Justicialista

    Pois bem, com esses sou eu solidário. Não desejo aos outros aquilo que não desejo para mim próprio, nem que seja para tornar o suposto inimigo (EUA) mais fraco. Aqueles que defendem a ditadura de Cuba como modo de oposição aos EUA, tratam do povo cubano (ou qualquer outro) como instrumentos em relação à sua ideologia política. Ora a dignidade humana sobrepõe-se.

  4. 4 4  Paulo Ribeiro

    Um regime só permanece válido enquanto tiver a aprovação da maioria popular. Parece-me óbvio que a maioria cubana está satisfeita com o regime castrense, assim como a maioria portuguesa estava, antes do 25 de Abril.
    Embora o Castro esteja senil, permanece com aquela áura que encantou o povo, em tempos. Agora, quem não está satisfeito tem que se mudar.
    Se o povo cubano estivesse em maioria contra a ditadura, esta, possivelmente, já teria passado à história. Mas permanece….

  5. 5 5  Miguel Madeira

    Um movimento anti-regime e anti-imperialismo:

    http://www.psrdc.org

  6. 6 6  corvo

    Paulo Ribeiro, fico espantado com o seu racciocinio.

    Em suma em ditadura, o povo que livremente não se consegue expressar, isso é sinónimo de estar satisfeito.

    Então para que nos estamos a preocupar com democracias, eleições livres, liberdade de imprensa e de opinião…

    Tudo aborrecimentos.

    Em ditadura o povo está satisfeito e por isso não derruba os regimes….

    Os birmaneses tambem estarão de acordo consigo.

    Tal como os espanhois durante o franquismo.

    Os chilenos no tempo do Pinochet.

  7. 7 7  Luís Marvão

    Cuba pode não ser o país mais favorável para o documentário ou a reportagem jornalística, mas isso não quer dizer que não seja possível realizar aí um trabalho interessante; de riqueza e complexidade jornalísticas. Diria até que há sítios bem piores para um jornalista, onde se corre mesmo risco de vida, o que nem por sombras é o caso de Cuba, ao contrário do que a repórter Sandra Felgueiras dá (demagogicamente) a entender.
    Eu, pela minha parte, já vi documentários que expunham bem as vicissitudes da “Cuba socialista”; da penúria dos mercados à repressão ideológica, passando pelas raízes da revolução e do apoio social de que esta ainda desfruta em vários segmentos da população. Não é preciso entrar num registo histriónico para fazer vir à luz essas matizes da sociedade cubana; basta tão-só pôr as pessoas a falar do seu quotidiano.
    Infelizmente, esta reportagem da RTP constitui um mau exemplo de jornalismo, pois a repórter não raro respondia pelos entrevistados, como se já tivesse as respostas paras as perguntas que fazia. Talvez tenha sido uma reportagem mais para consumo interno, talvez para provar aos seus colegas lusos que foi a Cuba e não fez uma reportagem apologética do regime. Enfim, uma infantilidade. O que não falta por aí é bom material, jornalístico e documental, sobre Cuba. É só espreitar os canais por cabo, o Arte, o Odisseia, A BBC World e até o programa Sinais do Tempo, na RTPN.
    Não é uma coisa do outro mundo, fazer reportagem em Cuba e ao mesmo tempo expor as veia repressiva do regime castrista.

  8. 8 8  xatoo

    É lamentável que se pretenda promover esta senhora, Martha Beatriz Roque como “lutadora pela liberdade” - quando na verdade é financiada directamente pela USAID, e pelo governador da Florida, Lincoln Diaz-Balart descendente directo do ditador Fulgêncio Bautista - veja-se este link da crítica que intitulei “RTP a cadeia de televisão privada de Bush” que na altura postei e foi citado no “Cinco Dias”:
    http://xatoo.blogspot.com/2007/08/rtp-cadeia-de-televiso-privada-de-bush.html

    Outra “deficiência” na captação de informação é a de que a equipa de reportagem da RTP não tinha autorização expressa para trabalharem em Cuba como jornalistas profissionais. Viajaram “como turistas” e exerceram ilegalmente a actividade sem estarem credenciados, por isso foram detidos e interrogados. Não porque exista perseguição politica em Cuba, mas porque é assim em todo o lado; a RTP é uma vergonha. Protestei junto do provedor, enviando-lhes cópia do post; responderam-me que tinham anotado o protesto, sem mais explicações, até hoje, na reposição da verdade dos factos.

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    «Outra “deficiência” na captação de informação é a de que a equipa de reportagem da RTP não tinha autorização expressa para trabalharem em Cuba como jornalistas profissionais. Viajaram “como turistas” e exerceram ilegalmente a actividade sem estarem credenciados, por isso foram detidos e interrogados. Não porque exista perseguição politica em Cuba, mas porque é assim em todo o lado»

    Xatoo, é assim em qual todo o lado? Para fazer reportagens em Portugal não é precisa qualquer autorização. Em Portugal e na maioria dos países. Porque raio uma democracia precisa de dar autorizações para fazer reportagens?

  10. 10 10  Defski

    Da República Dominicana não se fala tanto.
    Da ligação da Maçonaria Espanhola vs Regime Cubano nada, é natural, investigar não é fácil, chamar-se Felgueiras muito menos.

  11. 11 11  Telmo

    Eu só gostava que fosse possível todos viajarmos até 1960, para depois voltarmos a uma realidade alternativa em 2007, e nessa realidade alternativa nós estávamos a sofrer um bloqueio dos EUA desde 1961, teria alguma piada analisarmos como estaria Portugal nessa realidade bloqueada, será que tínhamos um dos melhores sistemas de saúde do mundo? Será que viveríamos em democracia? Vejam onde chegou Portugal sem qualquer tipo de bloqueio e debaixo de um suposto regime democrático que todos os dias revela deficiências na justiça, saúde, educação, etc.

  12. 12 12  Telmo

    Eu só gostava que fosse possível todos viajarmos até 1960, para depois voltarmos a uma realidade alternativa em 2007, e nessa realidade alternativa nós estávamos a sofrer um bloqueio dos EUA desde 1961, teria alguma piada analisarmos como estaria Portugal nessa realidade bloqueada, será que tínhamos um dos melhores sistemas de saúde do mundo? Será que viveríamos em democracia? Vejam onde chegou Portugal sem qualquer tipo de bloqueio e debaixo de um suposto regime democrático que todos os dias revela deficiências na justiça, saúde, educação, etc.

  13. 13 13  Carlos Palminha

    Eu estive em cuba e tive contacto com dissidentes e claramente que a reportagem é facciosa. Não quero escamotear com isto a repressão que existe, mas o problema principal prende-se com as pessoas: Qual a alternativa a Cuba como existe?? Um bordel Americano??

    Claro que a história de Cuba ainda está por se fazer e concerteza não vai passar por sacos azuis ou autarcas corruptos!

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