
A blogosfera nacional (aqui, aqui e aqui) vibrou com uma reportagem da Veja sobre Che Guevara. Nessa mesma reportagem (“Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”), que o Diário de Notícias também referiu, citava-se Jon Lee Anderson, jornalistas da New Yorker e um dos mais respeitados correspondentes americanos, como sendo o «autor da mais completa biografia de Che» (Che Guevara - Uma Biografia). Uma autoridade na matéria, incluindo para a Veja, e não seguramente por se tratar de um guevarista.
Diogo Schelp, editor internacional da Veja e autor da reportagem, tinha enviado ao «autor da mais completa biografia de Che» um mail para o entrevistar. E depois acabou por não o fazer. Jon Lee Anderson leu o trabalho e mandou-lhe um mail que acabou por se tornar público:
Dear Diogo,
I was intrigued as to why I never heard back from you when I replied to this email you sent me (see below). And then I saw the article you wrote in Veja, which was the most one-sided perspective on a contemporary political figure I have seen in a long time. It was precisely this kind of highly-editorialized reporting, either hagiographically in favor, or — as in your case — demonizingly against, that led me to write my biography. I sought to put some flesh and blood on Che’s overly-mythified bones in order to understand what kind of person he really was. What you have written is an OpEd piece camouflaged as a piece of accurate journalism, which, of course, it is not. Honest journalism, to my knowledge, involves incorporating different sources of information and perspectives, and attempting to place the person or situation you are writing about into context, so as to educate your readers with at least a semblance of objectivity. What you have done with Che is equivalent to writing about, say, George W. Bush, and relying almost entirely on quotes from Hugo Chavez and Mahmoud Ahmadinejad to bolster your own point of view. I am, glad, in the end, that you did not follow up with me for the interview, because I would have spoken to you in good faith, under the mistaken assumption that you were a serious journalist, and an honest colleague. And In that assumption, I would have been sadly mistaken. Please feel free to publish my letter in Veja if you wish.
Yours, Jon Lee Anderson
Fica um conselho de borla para os nossos amigos da Atlântico e do 31 da Armada: um pouco mais de critério, por favor.
Por Daniel Oliveira 28 Nov 07 em Cuba, JornalismoSem respostas ao post “Quem vende propaganda como se fosse jornalismo…”
- 1 Pingback on 28 Nov 2007 às 23:29



não querendo ser desconfiado mas de certeza que o senhor escreveu isso?
Clap clap clap! Por acaso até comprei essa “Atlântico” para ver que barbaridades tinham lá sido
escritas. Não me espantei. Nem se poderia esperar outra coisa. Lá está, digam o que quiserem,
mas por favor não digam que é jornalismo.
eh, fiquem lá à vontade
pa dizerem o que lhes apeteça,
que despeito e inveja logo se reconhecem.
Eu posso por aqui a versão em inglês, se a encontrar. As pequenas falhas de tradução (normais em qualquer tradução) são absolutamente irrelevantes. Comprendo que o blog da Atlântico tente baralhar a discussão, falando de erros de tradução na carta. Ponha aí a versão em inglês e eu terei todo o prazer em publica-la.
Lord, espero que as suas desconfianças estejam dissipadas.
Mais uma vez fica provado que há muita gente com tal ódio a Cuba e a Che Guevara que acabam a ser parciais colocando qualquer espécie de profissionalismo e isenção de lado, para tentar denegrir a sua imagem.
Será inveja da direita por não terem um ídolo tão forte como o Che?
Eu como admirador da pessoa de Che fico agradecido por esses ataques de direita, só contribuem para enaltecer ainda mais a figura do revolucionário que continua a incomodar milhões.
Porque raio tanta e tanta gente diz tantas coisas más sobre Che, e nenhuma dessas coisas é provada?
E que tal admitirem que a esquerda também tem coisas boas e que um homem de esquerda como Che pode ter o seu valor?
Por mais que o tentem denegrir, um homem que levou uma vida de luta como Che levou, disciplinada por uma honestidade política e intelectual como nunca se viu num político, tem que ser valorizada mesmo por quem não goste dele.