Hoje Cuba vai a votos. Estou ansioso para saber quantos candidatos da oposição vão conseguir ser eleitos. Mas o mais provavel é não haver oposição. Não que se seja proibida ou perseguida. Nada disso. Cuba é um exemplo de democracia e de liberdade. Apenas porque o regime cubano é tão perfeito tão perfeito que, tirando uns vendidos e gente com mau fundo, ninguém de boa fé se lhe opõe.
Por Daniel Oliveira 20 Jan 08 em Cuba


Nunca se sabe. Há alguma mesa de voto aberta em Miami ?
Há países que nem eleições fantoche têm há já vários anos… Angola, por exemplo…
o problema de Cuba é que tem uma dimensão mediática muito superior à importância real como País no mundo…
não defendo esta ditadura, como não defendo qualquer uma que exista no mundo… mas não me deixa de fazer alguma confusão esta obsessão pelo exemplo cubano quando haverá alguns, muito piores, que pelo seu pouco mediatismo, nos esquecemos… não me lembro de te ouvir mencionar todos aqueles países que pertenciam à ex-URSS e que hoje em dia vivem em regime no mínimo mais que duvidosos (Turquemenistão, Casaquistão e afins)
Por isso em que neste país de especialitas em democracia é ora temos o PS,o PSD,o CDS,o PCP,o BE no governo.Éa verdadeira alternância.A democracia premeia os mais capazes,justos e é, é ver na cadeia os vigaristas que usurpam dos poderes para se amanharem.De facto,também temos uma cadeia televisiva/radiofónica/jornais afecta à esquerda como sabemos que têm uma grande influencia junto da opinião pública e
osector cooperativo e outras formas de propriedade juntamente com a sacrossanta propr.privada,n’é DO?Se não fossem vocês eu jamais conseguiria interpretar esta maravilhosa sociedade
Miguel F. Carvalho, j´s várias vezes escrevi e falei sobre Angola, que não é, como é evidente, uma democracia. O Presidente nunca foi eleito.
Fantástico, Sabekem sabe!…é isso aí..
Abraço
Há eleições em Cuba. Diferentes, muito diferentes das eleições na maioria dos países. Não há campanha eleitoral, o nº de candidatos é igual ao nº de eleitos previamente escolhidos em assembleias. Não é obrigatório votar. Mais de 90% vota. É importante o nº de votos brancos e nulos. Uma eleição estranha num país diferente. Há quem diga que estas sim são eleições democráticas, não burguesas.
Pelo que percebo do modelo eleitoral Cubano (e falo só do modelo eleitoral, que o resto são outras contas), ele parece-me transparente e democrático. É comparável àquele que se usava na Suíça, talvez até melhor. E mete no bolso os caucus dos EUA.
robespierre, qualquer eleição onde não se podem escolher alternativas políticas é anti-democrática.
Discutir o mecanismo eleitoral é realmente a melhor forma de mudar as atenções do facto de não haver uma escolha livre para os cubanos. Insinuar que as eleições em Cuba são mais democráticas do que as americanas por causa das regras de funcionamento dos caucus durante as primárias, bem, isso é de um facciosismo que não conhece limites, especialmente o limite do ridículo.
“robespierre, qualquer eleição onde não se podem escolher alternativas políticas é anti-democrática.”
Concordo plenamente - agora não percebo é porque é que esta regra é esquecida quando se trata de defender plebiscitos a tratados Europeus…
Repare, Daniel Oliveira, que eu falo só do modelo em si. Teoricamente essas alternativas podem ser escolhidas ao longo do processo nas assembleias de base onde se decidem os candidatos. Mas, e continuando no plano teórico, podem até nem haver candidatos da oposição, se essa for a opção das bases.
Parece-me bastante democrático.
A mim parece-me bastante anormal que tais candidaturas, na prática, nunca tenham aparecido, sendo o processo teoricamente tão democrático.
Lá está, por isso eu frisei o “teoricamente”. Mas gosto de saber que o caro Nicolae é um profundo conhecedor daquilo que se passa nos processos eleitorais de Cuba.
Já agora, não tenho dúvidas que o modelo (e não a realidade) de Cuba é de longe mais democrático que os caucuses das primárias.
Caro robespierre
Perdoe-me o cliche mas nestas matérias costumo dizer que as árvores se reconhecem pelos frutos e não pelas raízes.
Sobre eleições, conclave de bases de braço no ar e democracias, acho mesmo que o melhor é citar Maximilien François Marie Isidore de Robespierre:
“This is no trial; Louis is not a prisoner at the bar; you are not judges; you are — you cannot but be — statesmen, and the representatives of the nation. You have not to pass sentence for or against a single man, but you have to take a resolution on a question of the public safety, and to decide a question of national foresight. It is with regret that I pronounce, the fatal truth: Louis ought to perish rather than a hundred thousand virtuous citizens; Louis must die, so that the country may live.” .
O Luis de que ele fala, pouco tempo depois perdeu a cabeça´democráticamente.
Valha a verdade dizer que ele morreu da mesma doença.
Só o nome Robespierre diz muito da pessoa. Porquê Robespierre e não, já agora, Fouquier de Tinville?
O Robespierre, já se viu, é um engajado do partido cuja referência, a defunta URSS, estava para a Terra como o Sol está para o sistema solar, segundo as palavras de outro defunto.
Diz o Robespierre, “… Teoricamente essas alternativas podem ser escolhidas ao longo do processo nas assembleias de base onde se decidem os candidatos. Mas, e continuando no plano teórico, podem até nem haver candidatos da oposição, se essa for a opção das bases. Parece-me bastante democrático.”
É o que fazem os americanos nos caucuses onde, de facto e não no plano teórico, escolhem ente as várias alternativas que se apresentam. Felizmente têm sempre várias alternativas por onde escolher e isto aconteceu sempre e em todas eleições havidas até hoje.
Em Cuba, curiosamente, nas raríssimas eleições havidas, nos seus caucuses nunca apareceu a oposição, donde não ser de admirar, nunca nenhum ter sido eleito. Daí o Robespierre achar que é mais democrático do que nos EUA. É que aqui pode-se escolher entre vários e isto segundo o Robespierre é pouco democrático. Em Cuba só se pode escolher aquele e mais nenhum e isso é muito democrático. Estamos conversados.
Assim funcionaria Portugal se em tempos o partido do Robespierre tivesse conseguido o poder. Hoje teríamos caucuses a nível local para escolher entre a Odete e o Casanova. O que seria na opinião do Robespierre mais democrático do que escolher entre o Sócrates, o Menezes, o Jerónimo, o Portas, o Louçã ou outros.
“Qualquer eleição onde não se podem escolher alternativas políticas é anti-democrática.” – DO. Absolutamente de acordo!
Para “catalogar” o carácter de alguém pela alcunha blogueira que escolhe, como por exemplo, “robespierre”, deve dar um mau-jeito do caneco chamar-se “Sebastião José”
Mas quais bases… mas qual povo….
Qual é a diferença entre estas chapeladas cubanas…. e as chapeladas do Salazar e do Caetano….
Só nem vê quem não quer, Cuba é uma ditadura, sem liberdade de expressão, sem direito ao mais elementar principio democratico, que é a real possibilidade de uma alternativa.
Os eleitos são todos figurões afectos ao regime, á boa maneira da União Nacional do botas de Sta. Comba….
Eu não defendi aqui o Governo Cubano nem o modo como decorrem as eleições naquele país. Modo esse que é, pelo que sabemos, duvidoso. Defendi exclusivamente o modelo eleitoral de democracia participativa. Numa altura em que o poder político se afasta cada vez mais dos povos e vice-versa, é bom ver que há modelos alternativos onde pode ser oferecido mais poder de decisão aos eleitores.
E não me parece que Cuba seja um paraíso. Isso é só na Coreia. Mas também não me parece um inferno, e muito menos o inferno que muitos querem fazer crer.
E não sou “engajado” nem do PCP nem de partido nenhum.
“qualquer eleição onde não se podem escolher alternativas políticas é anti-democrática.”
E quem elegeu Gordon Brown, 1º Ministro Inglês???
Foi o nome que me deram não fui eu que escolhi. Mas antes terem escolhido Sebastião do que um nome hebreu, apesar do José (pelo menos este, o conhecido, não tinha a mania das professias).
De facto, o nome que se escolhe tem muito a ver com o carácter, o sub-consciente, a maneira de ver o mundo, o contexto interno e externo da pessoa, as vivências, etc.
A palavra esquerda, hoje, é uma fonte de equívocos e de apropriações arrivistas e ilegítimas.
Não basta a autoproclamação para convertermos velhos aliados da direita em genuínos militantes de esquerda.
Daniel é com espanto e desagrado que vejo que não publicou o meu comentário acerca deste tema. Não desrespeitei nenhuma das regras que estabeleceu. Assim, e porque fui censurado por delito de opinão, é com tristeza que nunca mais enviarei nenhum comentário para este blogue.
“robespierre, qualquer eleição onde não se podem escolher alternativas políticas é anti-democrática”
Donde deduzo que para o Daniel Oliveira só é democrática a escolha entre o Omo ou o Tide, com umas franjas de Xau e Sim, naturalmente antecedidas de uma renhida campanha. Detergente só, sem marca e sem campanha é de um odioso totalitarismo, e feito em casa, então, é claramente nazismo. Pobres cubanos…
Sarcasmo à parte, francamente não consigo alcançar que parte destas regras são anti-democráticas, totalitárias ou ditatoriais. Ou se será anti-democrático totalitário ou ditatorial submeter a Constituição a referendo, como os cubanos fizeram em 76 - deve ser, porque o nosso regime democrático não o permite… Isto de constituições, tratados, etc. é só para especialistas, que o povo destas coisas não percebe e é melhor que não perceba.
Agry White, muito bem observado. Aliás parece que a linha fracturante dessa “esquerda” hoje em dia é a magna questão Hillary ou Obama…
estouxim, se não atinge onde está a falta de democracia quando, na hora do voto secreto, há tantos candidatos como lugares, se não atinge onde está a falta de democracia quando todos os candidatos têm a mesma posição ideológica, então não atinge o que conquistámos no dia 25 de Abril de 1974. E todas as criticas que faça à nossa democracia ficam sem qualquer credibilidade.
Justicialista, publiquei todos os comentários nos últimos quatro dias.
Apanhei o “arrastão” a meio, não posso falar muito, o que me chega provèm de notícias lidas na imprensa e pelos media, cujo valor é perfeitamente relativo! De democracias, ui ui, o que já se ouviu e viu, desde a popular à orgânica, venha o diabo e escolha!!! Uma coisa é certa, da “minha” democracia orgânica, também apelidada de ditadura, regime fascista etc etc, dessa posso falar com conhecimento de causa, que era uma aldrabice era, mas será que seria tão diferente da “ditadura” democratica em que vivemos? No que diz respeito a Cuba, cubanos, américa latina em geral, a tendência foi sempre para os “caudillos”, uns mais sangrentos, outros nem tanto… já “ví” alguns ditadores de direita serem presos e acusados, já “vi” uns da dita esquerda serem mortos! Ainda não vi nenhum preso e acusado! Veremos se em breve isso se passa! De facto há uma frase que não sai de moda: “Na práctica a Teoria é outra”! Como são deturpados os ideiais (alguns bonitos mas perfeitamente utópicos) e como se mantém actual aquela frase: “Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros”!
Quem chama a Cuba uma democracia, chama a um peido um assobio!
“En el proceso de nominación de candidatos para las Asambleas Municipales, para 14,949 puestos a ser elegidos en octubre del 2002, fueron nominados 32,585 candidatos, en 39,981 asambleas de base, con la asistencia del 81.7% del electorado”
Tantos candidatos como lugares, Daniel?
32505=14949? Parece-me que não…
“En la primera vuelta de las elecciones a delegados de las Asambleas Municipales el 20 de octubre del 2002, fueron elegidos un total de 13 576 delegados, el 90.8 % de los cargos a elegir, al obtener la mitad más uno de los votos emitidos. Por ese motivo se efectuó, el 27 de octubre, una segunda vuelta electoral en 1370 circunscripciones, donde obtuvieron la mayoría requerida todos los cargos a elegir, excepto 3, que fueron elegidos en una tercera vuelta en las 3 circunscripciones correspondientes”
Como vê, mesmo sem campanha Omo-Tide, as eleições podem ser renhidas.
E pelos vistos os cubanos tiveram a oportunidade de se pronunciarem sobre o seu sistema eleitoral referendando a constituição. Nós, na “nossa democracia”, não.
estouxim, eu disse quando chega a altura do voto secreto.
Referendam? Imagino… deve ser um referendo de 1ª qualidade, aliás o poder está bem instituído e só se vai ouvir as histórias todas qdo cair por dentro! Porque será assim que vai acontecer, não viram já uma série de exemplos similares? Mas uma coisa é verdade se há tanto ditador a afirmar-se deocrata porque é que o Fidel y sus muchachos não poderão fazer o mesmo?
Daniel O.
Voçê ainda não percebeu nada do se passa em Cuba, ainda não entendeu a Revolução, logo lá vai escrevendo os disparates do costume e fica todo satisfeito por fazer um frete á chamada “democracia pluralista”. Mas já reparou que nos paises que voçê considera muito democratas só o são porque sabem de antemão que nada de estrutural irá mudar. Senão…. quais eleições…
Revolução? Mas que revolução? Oh Nuno, uma leitura que devia fazer é básica… Animal’s Farm, do George Orwell… ou como é cá conhecido ” O Triunfo dos Porcos”, abre muitas pistas!!!!
¿Por cuántos candidatos se puede votar en la elección de los Delegados a las Asambleas Municipales del Poder Popular?
En la elección de los Delegados a las Asambleas Municipales del Poder Popular el elector debe votar por un solo candidato de los que figuran en la boleta. Escribe una «X» junto al nombre del candidato al que confiere su voto, seguidamente dobla la boleta y la deposita en la urna. En el Registro de Electores se consigna la palabra «VOTO» a la derecha del nombre del elector.
En el caso que el elector advierta que ha marcado erróneamente una boleta, recibe otra, previa devolución de la anterior, la que se invalida. Se considera que el elector ha emitido el voto, cuando ha depositado la boleta en la urna.`
É a este voto secreto que se refere, Daniel?
¿Cómo se realiza la elección del Presidente y Vicepresidente de la Asamblea Municipal del Poder Popular?
Una vez constituida la Asamblea Municipal del Poder Popular, ésta elige mediante voto secreto, a su Presidente y Vicepresidente.
El proyecto de candidatura para ocupar los cargos de Presidente y Vicepresidente de la Asamblea Municipal del Poder Popular se integra con dos (2) candidatos, seleccionados entre los Delegados de la propia Asamblea.
Para ser elegidos Presidente y Vicepresidente es necesario obtener más del cincuenta (50) por ciento de los votos válidos emitidos
Ou será que é a este?
É que eu não excluo que vc tenha razão, mas a informação resultante de uma simples busca por “sistema electoral cubano” contradiz a sua opinião.
Oh Daniel Nos EUA é possivel escolher um candidato que não seja do sistema, ou que não seja multimilionário?
Paulo Filipe esse livro abre muitas pistas para se perceber o que actualmente se passa nos Estados Unidos, na Inglaterra e um pouco por toda a Europa.
Cuba só estará livre qunado os comunistas dela sairem. Chega de miseria para esse povo!
Portugal Nação Valente Since 1143 SS
Claro que sim A. Silva, mas há igualdades e igualdades! Eu não aprecio muito esta que temos, não gostaria de ser objecto de um processo disciplinar por dizer uma mais ao lado ou dizer o que penso acerca do governo ou da administração da empresa em que trabalho! De facto, não é curial, mas vá lá, pelo menos ainda não me acontece algo de pior! Em relação ao “melting pot” (ou Usa, ou Eua, ou América) nem me pronuncio, é uma coisa que curiosamente (embora eu não aprecie) é um país que é um mundo! Há que o reconhecer… é sui-generis… não há igual, de facto, apesar dos muitos defeitos, sobretudo levados para a frente pela sua “minoria dominante”! Isso daria para um livro! Mas voltanto aos factos mais concretos, dá-me vontade de rir certos comentários, comparando o incomparável! Eu não conheço Cuba, alguns dos que conhecem, devem conhecer mas é as praias e os passeios turísticos controlados pelo regime (embora tudo se tenha modificado muito)! Acham bom? Mudem-se para lá… era o que eu dizia há uns largos anos atrás a muito boa gente apaixonada pela “igualdade soviética”, pela “albanesa”, pela “chinesa”! Se acham que deve ser assim vão… vão lá sentir na pele o dia a dia (não turístico, claro), ah, pode ser também a Coreia, ou o democrático Quénia (com uma luta ideológica muito viva… ou deverei dizer com muitas mortes?), depois venham queixar-se da vida que aqui levamos! Com problemas? Injustiças? Claro que sim! Mas eu não trocava!!!! De forma alguma!!!! Aqui li o Triunfo dos Porcos nos tempos ditos fascistas, bem como muito mais coisas!!!
Um último comentário, uma frase que subscrevo inteiramente e de que não me estava a lembrar:
A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.
Winston Churchill num discurso na Casa dos Comuns, em 11 de Novembro, 1947
Paulo Filipe, ainda bem que fala do democrático Quénia. Aqui tem um exemplo de como se constrói e para que serve a “democracia”.
Faltava a frase do homem do charuto e do sangue, suor e lágrimas. Um grande “democrata”. Pena é que quando dele se escreve nunca se recorde a sua faceta de genocida
Com pérolas como esta:
“It is absurd to consider morality on this topic when everybody used it in the last war without a word of complaint from the moralists or the Church. On the other hand, in the last war bombing of open cities was regarded as forbidden. Now everybody does it as a matter of course. It is simply a question of fashion changing as she does between long and short skirts for women.”
Ou esta:
“I am strongly in favour of using poisoned gas against uncivilised tribes. The moral effect should be so good that the loss of life should be reduced to a minimum. It is not necessary to use only the most deadly gasses: gasses can be used which cause great inconvenience and would spread a lively terror and yet would leave no serious permanent effects on most of those affected.”
Tratava-se, veja bem, de esmagar a insurreição dos Iraquianos, então, como hoje, ocupados pelos arautos da “democracia”
Eheheheheheheheheh… não acredito, eheheheheheh… umas frases foram do contexto? Pelo menos do contexto temporal! Será alguma frase dos tempos da 1ª Guerra Mundial, em que parecia tudo um concurso de gases!!! Oh meu amigo, nem me dou au trabalho de fazer “copy paste” de afirmações de muitas luminária da sua democracia… nem vale a pena… o pior cego é o que não quer ver! Teria de falar de quê? Hum? Nos tempos do Átila havia uma democracia muito especial também! baseada noutros pressupostos, verdade seja dita! Em Roma também! Portugal é hoje em dia um exemplo, ou já foi, sobretudo quando andou a vender armas a dois lados em conflito! Se vamos falar de hipocrisia, escapará alguém? Hum? Não há genocídios hoje? Sâo comparáveis aos de 1945? Ou aos de 1000 AC? É uma ideia um bocado limitada, mas cada qual com a sua! Limitei-me a referir uma frase de alguém que “ganhou” uma guerra e logo a seguir foi derrotado nas eleições!!!! Terá sido nessa altura que o Winston fez essas afirmações, referindo-se aos eleitores??? Se calhar foi… devia ter aderido á democracia popular… deportava uns quantos… metia uma cunha à Austrália e ficava com o problema resolvido… lá poderia ser um democrata “moderno” e revolucionário!!!
Caro Paulo, a 1ª citação é de um memorando de Julho de 44, em que como 1º ministro, literalmente propõe o encharcamento da Alemanha com gaz venenoso. A 2ª é de Maio de 1919, em que como ministro da guerra propõe a utilização de gaz para sufocar a rebelião no Iraque.
Se no 1º caso a proposta nunca foi executada, no Iraque na zona de Bassorá e no Curdistão, o gazeamento foi amplamente utilizado, bem como o bombardeamento de várias povoações. Se não estou em erro, tratou-se mesmo da primeira vez que se utilizou gazeamento contra populações civis.
Se à sua citação sobre a democracia contrapuz estas, foi apenas para demonstrar que nem tudo o que parece é, e que, bombardeados como somos, várias vezes ao dia e ao longo de toda a vida, graças à comunicação de massas, com imagens e conceitos tendenciosos, assumimos como nossos os conceitos que nos são servidos.
Churchill é lembrado como um ícone da democracia. Saddam como um tirano. Ambos gazearam os Iraquianos. Para mim, tão criminoso é um quanto o outro.
Bem me parecia que havia uma certa distância temporal! Mas volto a repetir que não tenho ideia do Winston como icone de coisa alguma, a não ser que o considero um indíviduo com coragem e que o demonstrou largamente! Agora a frase que ele disse tem o valor que tem, não faz dele um democrata! Tal como muitas frases ditas por muito boa gente apenas têm o valor que têm! Quanto a massacres (seja à base de gás, catanas, matelos, armas de fogo, bombas atómicas, lo que sea) haverá alguém que diga desta água não beberei ou bebi? Os australianos não dizimaram os aborígenes? E o Adolfo e os judeus? Os judeus e os palestinianos? Os palestinianos e o terrorismo? Existe alguma democracia sem mácula? Será que existe mesmo alguma democracia? Há largos anos atrás eu costumava dizer que o regime soviètico acabava por - em termos eleitorais - ser menos hipócrita do que o americano, apesar de baseado em normas filosóficas e legais perfeitamente inamagináveis, como se veio a constatar! E não tenhamos dúvidas, o próximo “império” a cair será o americano… é apenas uma questão de tempo!!
Mas ainda a propósito do uso de produtos tóxicos como armas… já no século IV AC, na China, se usavam - mais toscos? certamente, mas igualmente letais - e não me consta que se fizesse distinção entre combatentes e civil! H+a mais esmplos posteriores, mas para não me alargar, apenas refiro mais dois exemplos, na 1ª Guerra Mundial - entre 1915-17, sobretudo -, apesar da intenção ser mais militar, a população, sobretudo belga e francesa, sofreram na pele as consequências da guerra química! Consequentemente os ataques químicos que refere, que ocorreram na Mesopotamia contra árabes e curdos (pobre povo que tem sido enganado desde sempre), era Churchill secretário de estado e grande defensor da ideia, ocorreram mais propriamente em 1920! Enfim… criminoso, sem dúvida, mas não se pode esquecer o contexto histórico! Se gazeavam os vizinhos será que teriam dúvidas em fazer o mesmo às tais “tribos primitivas”? Mas não foi preciso esperar muito, em 1921, a União Soviética, fez exactamente o mesmo durante as revoltas populares dos seus esfomeados camponeses, terá sido por bondade? Morriam mais depressa!O que dizer mais? A grande maioria dos líderes políticos são potencialmente criminosos? É uma possibilidade muito viável!