O Pedro Correia acha um disparate comparar a censura de dois cartoons. Se a proibição de cartoons por motivo de gosto não se pode comparar não sei o que se pode comparar nesta vida.
Diz o Pedro que num caso «houve a pressão ilegítima da “rua árabe”» e que no outro, pelo contrário, «é o Estado de Direito a funcionar.» A mim, parece-me que mais grave do que a pressão da rua, à qual o Estado de Direito não cedeu, é quando é o próprio Estado de Direito a usar os mecanismos de censura. Quando há pressões para que haja censura podemos recorrer à justiça e à lei. Quando é a justiça a censurar recorremos a quem?
A prova que assim é está nos factos: as caricaturas de Maomé foram publicadas por toda a Europa e os jornais onde foram publicadas chegaram aos leitores. O jornal com as caricaturas dos príncipes não chegou a sair do armazém. No primeiro caso houve pressão para se censurar e no segundo censurou-se. O que é mais grave? Para quem acredita na superioridade do Estado de Direito, uma lei imoral é mais preocupante do que uma ilegalidade. Porque a ilegalidade pune-se, a lei imoral acata-se.
Por Daniel Oliveira 17 Nov 07 em Democracia, Espanha, Islão, Jornalismo, Liberdade, Liberdade Expressão


Como os direitistas portugueses vivem de papões: ontem era o comunismo; hoje são os africanos; amanhã serão os árabes e muçulmanos.
Eles não toleram ninguém que seja diferente deles. E depois querem dar lições de pluralismo e democracia.
Aproveito aqui, para corrigir o meu comentário no post “Há mau gosto e mau gosto”.
Só agora li a crónica de MST e ele quantifica o problema da mesma maneira que eu o faço.
A sua transcrição, por parcelar, deu-me a entender o contrário.
É com satisfação que acabo de ver o Daniel no Eixo do Mal defendera liberdade de expressão sem restrições, aliás na linha dos seus posts mais recentes. Em minha opinião há no entanto que distinguir entre expressar opiniões, ideias, etç e a ofensa simples dirigida especificamente a uma pessoa.
Porém, infelizmente, a censura e as limitações à liberdade de expressão existem por todo o lado. Basta ver os ataques de que foi vítima o Dr. Watson com a justificação de que ele não teria o direito a expressar essas opiniões, e os subsequentes ataques a quem defendeu a sua liberdade de expressão.
Mesmo na blogosfera, os atropelos à liberdade de expressão são imensos. Por exemplo, muitos bloggers exercem censura nas caixas de comentários impondo claramente regras como:
“Não serão publicados comentários:
1 - De teor racista ou homofóbico ou que façam a apologia do fascismo ou do nazismo; ”
Citando o Pacheco Pereira, só defendemos a liberdade de Expressão quando defendemos a liberdade de expressão daqueles que pensam o oposto de nós. Exactamente o contrário daquilo que fazem muitos paladinos da Liberdade de Expressão.
«Mesmo na blogosfera, os atropelos à liberdade de expressão são imensos. Por exemplo, muitos bloggers exercem censura nas caixas de comentários impondo claramente regras como:»
Mas esta gente terá alguma noção do que diz?
Onde é que viola a liberdade de expressão não publicar um determinado texto no seu próprio espaço.
Agora se eu mandar para o Diário de Notícias uma carta a dizer que devo ser 1º ministro, o Diário de Notícias é obrigado a publicá-la? Se não o fizer atenta contra a liberdade de expressão?
E se a carta tiver os 3 livros do Senhor dos Aneis, eles são obrigados a pôr o jornal 500 vezes maior, para não me cortarem a palavra e assim serem censores?
The studio:
Tu mandas um comentário, para que o Daniel publique no site dele. Se tu fizeres um site e eu mandar um e-mail a pedir que publiques lá um manifesto anti-PNR, tu tens TODO o direito de não o publicar. O site é teu publicas o que quiseres. Não estás a limitar a liberdade de expresão de ninguém apenas porque não colaboras na minha propaganda.
Se concordas com isto, devias entender que qualquer dono de um blogue tem o direito de não publicar no seu espaço informação nazi que lhe peçam para publicar, sem estar a infringir a liberdade de expressão de ninguém. Até tem o direito de não ter comentários, sem estar a infringir essa liberdade. E até pode definir uma regra de acordo com a qual todos os comentários têm de ser escritos em Flamengo, com letras maiúsculas. Em nenhum caso viola a liberdade de expressão de ninguém.
Hilariantemente o Daniel Oliveira não aceita comentários no seu blog
“8 - Que não cumpram a lei”
LOL!
A liberdade de expressão funciona de acordo com o regime político vigente. Quando alguma ideia, grupo ou instituição põe em causa esse regime, é óbvio que é necessário “abafá-lo”, persegui-lo e/ou eliminá-lo. Aconteceu com os comunistas, durante o Estado Novo, acontece com a Extrema Direita, no regime que vigora neste momento. The Studio os regimes têm que se defender daqueles que o possam por em causa. É normal que não se tolere comentários de indole fascista.
Já imaginou se o governo do Salazar tolerasse as manifestações dos comunistas? Acha que tinha vigorado durante 50 anos?
Foram tomadas as devidas precauções, assim com são tomadas nos dias de hoje.
A partir do momento em que as ditas manifestações não põe em risco o regime político vigente, não me parece correcto perseguir quem manifesta o seu desagrado através de imagens, textos, etc…
Luis, porque sou juridicamente responsável pelos comentários aqui produzidos. Se alguma vez for condenado que seja por qualquer coisa que eu escolhi escrever.
eh, pò pedro correia o mundo lá deve ser a preto e branco, dicotómico, como pò Bush foi, ou seja, que uns são maus porque têm petroil e são eles, ao contrário de nós, que somos bons, evangélicos, cristãos…
Posted by: João Vasco | novembro 18, 2007 11:43 AM
Não é bem assim.
Claro que Daniel Oliveira tem toda a legitimidade para censurar os comentários aos seus posts e tem a mesma legitimidade para colocar aquelas regras (aliás suscitadas por um texto que eu escrevi).
É legal, não é elegante.