Argumento em defesa da legitimidade democrática do Rei Juan Carlos: o seu mandato, por natureza vitalício, está inscrito na Constituição.
Argumento contra a legitimidade democrática de Hugo Chavez: pretende não ter limitação de número de mandatos na Constituição que vai ser referendada.



A diferença entre a República e a Monarquia.
Sou Republicano. E favorável sempre há limitação de mandatos.
Aqui, de facto, a questão essencial assenta na diferença entre os 2 regimes.
Absurda será a natureza vitalícia (inscrita na Constituição) do mandato de um presidente num regime republicano (que é o que o presidente venezuelano parece pretender…)
Não haver limitação de mandatos não é o mesmo que um mandato vitalício. Os nossos deputados não têm limitação de mandatos e não têm mandatos vitalícios.
Não compare o que é incomparável.
Qual o poder político do rei, definido pela constituição espanhola?
Ao rei só está permitido desempenhar o papel de moderador entre as várias sensibilidades políticas e sociais e o papel de representação do país (sob supervisão e de acordo com o governo). Quase nada. Muito de simbólico e pouco de real. Embora, sobretudo o Juan Carlos, não possa ser reduzido a uma figura meramente decorativa…
Qual o poder politico de Chávez?
Um poder quase total… Legislativo, executivo, etc…
Portanto o poder vitalício do Juanca e o (eventual) poder vitalício do Chavecíto não são comparáveis.
Se o poder atribuído ao rei pela constituição espanhola fosse comparável ao de Chávez, estaríamos perante uma monarquia absolutista e, obviamente, a Espanha não seria um país democrático. Felizmente, não é o caso…
Aleph, chegsa onde eu queria. É por isso mesmo que o Rei não se deve envolver no confronto político e muito menos em incidentes diplomáticos.
Daniel,
A defesa cega do ditador Hugo Chavez diz muito sobre o conceito de democracia de quem o defende. Há poucos dias, estudantes universitários venezuelanos fizeram uma manifestação contra a nova constituição… e lá foram abatidos uns quantos. Democracias assim, só conheço a do Zimbabwé, não me parece que tal aconteça nos EUA ou na Madeira.
Quanto ao que dizes neste texto, mais uma não faz qualquer sentido. Como já te explicaram, o Rei de Espanha é pouco mais que uma figura decorativa. Ao contrário de Chavez não tem
poderes executivos.
Juan Carlos, não tem poder e não mudou as regras do jogo. Chavez, não apenas detém o poder, como quer alterar as regras do jogo para que possa perpetuar-se no poder.
A tua resposta ao Aleph não faz qualquer sentido. A função atribuida ao Rei de Espanha é precisamente representar o país neste tipo de reuniões, aliás era por isso que ele lá estava.
Continuo à espera que esclareças o que queres dizer quando afirmas “Espero que os venezuelanos o tirem de lá”. Dado que Chavez se candidata contra a Direita Reaccionária, preferes a vitória dos reaccionários?
The Studio, dize que eu faço a defesa cega de Chavez diz muito da forma como o senhor faz as suas leituras o que explica algumas das suas posições. Ande para baixo, leia os vários posts que eu escrevi. Recordo-lhe mesmo que dei nota aqui dessas manifestações. O que torna o debate absolutamente desinteressante consigo é isto: o senhor não lê o que os outros escrevem e depois finge que está a debater com alguém. E o mais engraçado é que no mesmo comentário que diz que eu faço a defesa cega de Chavez recorda que eu quero ve-lo fora do poder. Como vê, não vale a pena. Quando quiser discutir o que eu escrevo em vez de discutir o que queria que eu tivesse escrito, cá estarei.
PS: Há sempre alternativas. Sempre. Gostava que o movimento popular que dá força a Chavez encontrasse um outro protagonista.
1º-Esta Assembleia não é Constituinte, logo não está mandatada para fazer uma nova Constituição
2- Esta nova nova Constituição transforma uma democracia num regime comunista totalitário.
3º- Esta Assembleia foi eleita por apenas 15% dos venezuelanos.
4º-Este referendo ( daqui a quinze dias) é ele mesmo uma ilegalidade à luz da legislação em vigor, uma vez que , segundos os prazos estabelecidos, não poderia ser feito antes de 2 anos.
Assim sendo, se há aqui “legitimidades” e legalidades só se forem do tipo revolucionário.
Mas aí vale tudo, incluindo tirar olhos e canonizar o super-homem das massas bolivarianas.
Tenho para mim que continua a haver pequenos Robespierres a ronronar no mais íntimo de uma certa esquerda que se quer caviar-chic.
De vez em quando, o verniz estala e vê-se tudo..
Posted by: Daniel Oliveira | novembro 13, 2007 07:38 PM
Está muito enganado.
O Rei não se envolveu em nenhum incidente diplomático nem em qualquer confronto político.
Simplesmente se colocou ao lado do representante do povo espanhol que se insurgia contra uum ataque descabelado a uma pessoa que nem sequer estava presente.
Foi uma questão de honra.
Claro que este valor está em desuso em Portugal mas disso não se pode culpar o Rei, o Chefe do Governo e os espanhois em geral.
“É por isso mesmo que o Rei não se deve envolver no confronto político e muito menos em incidentes diplomáticos.”
Senão… Senão o quê? Os únicos limites da palavra, tanto do chavez como do j. carlos são os que eles considerarem. Depois, se os espanhois n gostarem do que o rei disse, então deitem abaixo a monarquia e integrem-se na respublica portuguesa!! ou não.
Caro Daniel,
Não encontro justificação para o facto do meu post ter sido “censurado”!
Terá sido uma falha informática ou realmente não passou pelo crivo editorial?!
Abraço,
Bruno Contente
Lidador, quem vai aprovar o referendo são os eleitores. Vai haver um referendo.
Pois é, esqueci-me que o Daniel era uma sumidade intelectual e um exemplo de honestidade intelectual.
Bem, o que tentei explicar ao Daniel é o seguinte: Numa democracia, o poder é exercido por quem vence as eleições. Numa ditadura o poder é exercido por alguém que o impõe pela força. Podemos dizer que no primeiro caso existe legitimidade democrática, e que no segundo caso essa legitimidade não existe. É precisamente este o ponto que eu tentei focar: A questão da legitimidade democrática aplica-se a quem exerce o poder. Para quem não exerce o poder, não faz sentido falar-se em legitimidade democrática. Um operário fabril pode perfeitamenteocupar o seu posto de trabalho durante toda a vida sem que tenha sido eleito. Também neste caso, não faz sentido falar em legitimidade democrática do operário para ocupar esse posto pois ele não exerce poder.
Como é hábito, o Daniel misturou alhos com bugalhos e veio comparar a legitimidade democrática de alguém que exerce o poder com a legitimidade de alguém que não o exerce. É verdade que o Rei de Espanha representa o país em várias circunstâncias. Mas se insiste em falar em legitimidade democrática, podemos dizer que sim, que o Rei possui essa legitimidade pois as suas funções foram-lhe atribuidas pelos governos democraticamente eleitos.
Diz ainda o Daniel que gostaria que o movimento popular que apoia Chavez encontrasse outro protagonista. Está a falar no campo das utopias, certo? Ou está mesmo a imaginar que exista alguém na Esquerda que dispute o poder a Chavez? Se Chavez acaso abandonar o poder, o que duvido, será para a Direita reaccionária.
Caro Daniel, agradeço a informação e confesso a minha admiração pelas suas certezas sobre a legalidade resultante e um acto ilegal (à luz da legislação actual da Venezuela).
Quanto a referendos e plebiscitos, Saddam Hussein, normalmente saia-se com 99,9% dos votos.
Presumo que para o Daniel, isso fosse prova cabal da legitimidade do socialista de Bagdad. (é verdade, Daniel, um socialista “bolivariano” em Caracas…um socialista árabe ( Baath) em Bagdad…os mesmos tiques, os mesmos referendos…os mesmos meios…os mesmos socialismos…os mesmos “mas”.)