Gostava com os nossos juízes publicassem a lista de empregos que os infectados com HIV podem ter. E, já agora, em que condomínios e bairros podem viver, que escola e Universidade podem frequentar, que bares e restaurantes podem usar, em que transportes públicos podem andar, a que horas do dia podem passear na rua, se podem ter filhos em casa. Claro que para isto juízes e juristas não devem consultar nenhum médico da especialidade. Para quê baralhar decisões judicias com conhecimentos técnicos? Que decidam depressa para começarmos a construir sanatórios. Não os queremos por aí à solta, pois não?


Sem respostas ao post “A lista da ignorância”  

  1. 1 1  nuno magalhães

    Na minha condição de tão especialista no tema quanto o dono do Arrastão, sei que a SIDA se propaga por via sanguínea, e que, por isso, qualquer profissão em que haja risco de cortes e transmissão do sangue a outras pessoas deve fazer parte de lista. Mesmo que a probabilidade de ocorrência seja baixa, o risco não é justificável.Ninguém terá grande apreço em dizer: «Ora bolas, eu fui o um no milhão!» Isso não implica qualquer segregação, nem justifica despedimentos, nem muito mesmo me impede de lhe devolver o insulto da ignorância. Ignorância, e mistificação, é misturar guetos, um acórdão sem jeito nenhum que dá razão a um despedimento, e riscos reais de contágio.

  2. 2 2  Karl Macx

    Como eu já referi no Vida Irritante, já só falta a braçadeira com a estrela de David, ou coser a mesma na lapela.

    E se os juizes se lembram de recusar certidões de óbito é que vai ser uma chatice. Querem lá ver os médicos a decidir o que é uma doença ou não? Para isso existem juizes…

    Serão influências das Juntas Médicas?…

  3. 3 3  Paulo Ribeiro

    Perfeito, Daniel. Isso é que é falar. É impressionate a falta de informação de pessoas responsaveis por decisões desta ordem. É de ficar com o queixo no chão.
    Estes tipos deviam informar-se acerca das formas de contágio do HIV. Bem, só se alegarem que o sr. fazia coisas meio libidinosas com a comida? ou que mandava postas de sangue para cima das refeições!!!… Give me a break. Que país de mentecaptos.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    nuno magalhães, eu não sou especialista. Mas os especialistas que fizeram pareceres disseram que este despedimento não fazia sentido, não havendo risco de contágio conhecido até hoje.

  5. 5 5  peter

    Com juízes destes não há justiça, sem justiça não democracia, sem democracia não há liberdade!

    É incrível como a ignorância e a estupidez resistem a campnhas de informação!

    Meu caro Nuno Magalhães, não existem casos de infecção fora da via sexual ou de transfusões de sangue. Arre que esta gente quando não quer ser informada não se cala mesmo assim!

  6. 6 6  Tárique

    Como não sou especialista nestes assuntos de segurança alimentar como o Nuno Magalhães, decidi ir ver o que dizia o Institute of Food Science and Technology, maior autoridade Europeia em segurança alimentar. E parece que concordam com todas as comissões médicas consultadas na sua conclusão:

    “Cozinheiros portadores de HIV não são um risco para os seus colegas nem para os productos com que lidam. Não devem ser impedidods de manusear e preparar comida, bebida, nem equipamento como telefones, casas de banho, etc.”
    w w w . ifst.org/uploadedfiles/cms/store/ATTACHMENTS/HIV&foodhandler.pdf

  7. 7 7  Paulo Ribeiro

    Nuno Magalhães, o virus do HIV/sida morre quando exposto ao meio ambiente (ao ambiente que nos rodeia). Os toxicodependentes podem ser potenciais vitimas porque o interior das seringas é “um viveirinho”, bem quentinho e húmido. O mesmo se pode dizer dos pacotinho do sangue (não conheço termo para aqueles utensílios). É, e ,mesmo assim, o sangue só é contagiante se entrar em contacto directo com sangue doutra pessoa. O sr. cortava-se e cortava o cliente para que este fosse infectado? Não, não tem lógica.

  8. 8 8  Paulo Franco

    Se por acaso for a 1 restaurante e quizer um bife tártaro (mal cosido ou em sangue)…
    Se houver cortes…
    Responsabilizam se?

    o senhor iria a um restaurante com 1 cozinheiro com HIV, se quisesse 1 bife tartaro?

  9. 9 9  jose oliveira

    há uma pergunta para a qual não encontro resposta… é assim meio lateral à discussão. quando juízes decidem contra pareceres de todos os organismos científicos sobre um assunto, e depois o Estado numa instância superior (Tribunais Europeus) vai ser condenado a indemnizar a vítima, somos todos a pagar. de bom grado dou o meu quinhão para reparar erros judiciários, mas para decisões de tamanha estupidez custa um bocado. há solução para isto? tmabém não quero juízes com medo de decidir…

  10. 10 10  Paulo Ribeiro

    Paulo Franco, quando vai a um restaurante comer um bife tártaro, exige uma análise ao HIV a todos os funcionários do restaurante? Faz-se acompanhar dum centro de detecção móvel??? Já imaginou a quantidade de pessoas infectadas que, hipoteticamente, já lhe cozinharam ou serviram bifes tártaros???? Que risco….

  11. 11 11  Paulo Ribeiro

    Ps - Já agora, porquê um bife tártaro e não qualquer outro tipo de alimento? Faz alguma diferença? Sabe o significado das singlas VIH, não sabe????

  12. 12 12  Fado Alexandrino

    Posted by: Daniel Oliveira | novembro 20, 2007 04:01 PM

    Nem vale a pena fazer a pergunta que tem duas respostas, uma para os jornais outra para a família.
    Eu por acaso dou a mesma para ambos os lados; se soubesse que naquele restaurante trabalhava um cozinheiro com SIDA não entrava ponto final.
    Claro que eu sou um grunho, paciência, mas um grunho que pretende andar seguro.

    Ora Daniel Oliveira fez por ignorar que não há ninguém no mundo que neste caso consiga garantir que há 100% de certezas de não haver contágios.
    Um pormenor, pormaior.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Paulo Franco, veja o que dizem os técnicos. Fado Alexandrino, já comi comida cozinhada por infectados pelo vírus do HIV. Sou uma pessoa informada.

  14. 14 14  José Rodrigues

    Penso que seria mais correcto para a discussão introduzir outros dados. Ao que consta nas notícias sobre o caso, este trabalhador teria ocultado o facto de ser seropositivo e só num exame de rotina de medicina no trabalho para o hotel foi detectado que o trabalhador era portador do vírus HIV.
    Os portadores de HIV não podem ser descriminados no trabalho, assim como os esquizofrénicos, os bipolares, os daltónicos, os míopes e por aí fora.
    Ora nem os esquizofrénicos, os bipolares, os daltónicos ou os míopes podem pilotar aviões. Mas podem ter outras profissões.
    Nunca vi campanhas a favor da não descriminação ou da admissibilidade destas pessoas para que tenham acesso a qualquer emprego e nomeadamente a pilotarem aviões. Nem o Daniel se vai propor a isso certamente.
    A questão do melindre de ser um cozinheiro portador de HIV está na mesma razão dum esquizofrénico, um bipolar, um daltónico ou um míope seria a pilotar um avião e comercial nomeadamente.
    Da mesma forma que haveria um elevado número de passageiros que não arriscaria viajar num avião pilotado por um esquizofrénico, um bipolar, um daltónico ou um míope, haverá um número elevado de clientes que deixaria de frequentar um restaurante que saiba que tem um cozinheiro com HIV.
    Haveria um número muito restrito que não se importaria de viajar nos aviões com pilotos naquelas condições e de clientes que continuariam a ir comer a esse restaurante. Suponho que o Daniel seria um deles.
    Só que o Daniel tem que compreender uma coisa elementar. Não há companhia aérea que resista com um número insignificante de clientes, assim como não há restaurante que resista com um número insignificante de clientes.
    Depois, perderiam o seu posto de trabalho dezenas ou centenas de trabalhadores na companhia aérea e dezenas ou centenas no restaurante.
    Aí, teríamos o Daniel e o BE a lamentar e com razão mais um número significativo de trabalhadores a ir para o desemprego ou a lutarem contra o encerramento dessas empresas.
    Só que não se pode é estar dos dois lados ao mesmo tempo.
    O trabalhador com HIV do restaurante devia e podia ser “reciclado” para outras funções, no hotel ou noutro local de trabalho. Não pode é colocar em causa o posto de trabalho dos seus companheiros. Assim como, os esquizofrénicos, bipolares, daltónicos ou míopes, devem ter direito ao trabalho, mas não podem exigir que seja a pilotar aviões comerciais.
    Se o Daniel acha que não há qualquer problema, sugiro que dê a ideia aos putativos cozinheiros portadores de HIV a abrirem um restaurante e que não receiem dizer que são portadores de HIV. E veremos se o negócio vai para a frente. Apesar de voluntários comensais, pelo menos de boca, parecer haver muitos.

  15. 15 15  Farpas

    Daniel, concordo em pleno que é uma atitude discriminatória, no entanto é fruto de um aconselhamento de uma lei que foi colada sem que ninguém lhe desse nenhuma importância e que, de tão vaga que é, permite fazer este tipo de discriminações, e não é só neste campo que a dita lei está mal feita… convido-o a ler a minha opinião mais detalhada assim como a discussão saudável nos comentários em:
    ai-o-camandro.blogspot.com

  16. 16 16  samuel

    Realmente a “cultura não ocupa lugar”.
    É pena! Se ocupasse, talvez faltasse algum espaço para a exibição de ignorância, em alguns casos como um troféu…

  17. 17 17  Zé João

    Caro Daniel:
    Como está?
    Venho só recordar-lhe um aspecto:
    Se os juize decidem as coisas que muitas vezes decidem como soluções para casos concretos, é porque os politicos não o fazem e deixam esse “imbroglio” para o dominio do poder judicial, que só pode decidir de acordo com a lei, se esta for omissa ou incompleta ou desactualizada, eles não podem criar uma nova lei, pois estariam a quebrar o principio da separação de poderes.
    Por analogia dou-lhe um outro exemplo:
    Um atrasado mental de um psicologo, que se aproveitou do caso maddie para ganhar notoriedade e no progrma prós e contra sobre o caso esmeralda,criticou cinicamente e de uma forma desenquadrada e totalmente arbitrária, demonstrando falta de esclarecimento e honestidade intelectual, a decisão de um tribunal, que apenas interviu, porque os seres humanos não foram capazes de resolver, incluindo o poder politico atraves das entidades administrativas competentes. Esse senhor disse num exercicio retórico de mau gosto, porque o representante dos magistrados até então esteve exemplar na sua exposição, que antes do Direito existir o ser humano já existia e portanto a ética tambem!!!!
    Pura estupidez! Realmente o ser humano e a ética já existiam antes do Direito… Penso eu de que… Mas o Direito não apareceu por acaso… Apareceu porque o ser humano sempre egoista fazia da ética uma mera expressão de vontades que lhe eram convenientes!!!!
    Neste caso é o mesmo.
    Se querem que os tribunais decidam com ainda mais justiça, o poder legistalitvo, vulgo senhores deputados de todos os quadrantes politicos que estam na AR, fçam por isso e consultem os especialistas que quiserem nas comissões de especialidade. Sem lei, as coisas tendem para a injustiça e para o abuso discriminatório.
    Tenho dito.

  18. 18 18  JD

    A melhor piada é a do bife tártaro, a que junto a morcela, o arroz de cabidela e as papas de sarrabulho. Haja paciência.

  19. 19 19  Karl Macx

    A todos os que se recusam a ir a um local onde o cozinheiro é portador de HIV:

    Atenção para não ficarem doentes nem terem acidentes graves. Podem ir ter de parar a um hospital e nunca se sabe o que está dentro dos sacos de transfusões. E para quem vier dizer que é seguríssimo, tenho duas palavras para vocês: LEONOR BELEZA.

    Espero que nem vocês, nem ninguém que vos seja próximo venha a sofrer desse mal. Pior do que lidar com a estupidez e a intolerância dos desconhecidos, é ter de a ver estampada no rosto de quem nos devia apoiar…

  20. 20 20  nuno magalhães

    Bem, estive a ler o documento que Tárique me sugriu que lesse e não fico tão descansado como isso. Vinco que acho que o acórdão é estúpido. Uma doença não pode ser motivo para qualquer despedimento. Nem o hotel pode alegar que não tem vagas noutros quadros. Mas isso é outro assunto.
    A parte que transcreve cita o portador de HIV que como é óbvio não transmite a SIDA por tocar em alimentos. Também não foi isso que eu disse. Mas o mesmo documento, de uma agência britânica e não da UE, tanbto quanto me pareceu, embora descarte a existência de contaminações neste meio, impõe alguns cuidados aos portadores do vírus, nomeadamente o uso de luvas no caso de cortes e de abrasões. Por algum motivo será e sabemos que os acidentes acontecem muitas vezes sem darmos por eles. O relatório recomenda mesmo que quem tenha diarreia sendo seropositivo seja temporariamente afastado
    dos alimentos. Ignoro por onde será transmitida a carga viral neste caso. Admito que não seja apenas pela matéria fecal, de contrário a lavagem de mãos deveria ser suficiente. Quanto ao que me diz Paulo Ribeiro, no mesmo relatório diz-se que o vírus morre lentamente à temperatura ambiente e que sobrevive mesmo se congelado, pelo que também não será tão frágil assim. Embora o assunto já tenha aqui sido aflorado relembro o chiqueiro que o BE fez quando descobriu que nas Forças Armadas não eram admitidos candidatos seropositivos (questão diferente é o que fazer com quem já lá está dentro quando se diagnostica a doença). Não ouvi igual empenho na defesa da entrada de candidatos com seis dioptrias em cada olho, anemia ou hipertensão!

  21. 21 21  MRC

    Para quem trabalha diariamente nos tribunais, sabe que a qualidade generalizada dos juízes é abaixo de cão. Muitos deles não tem qualquer critério. É meia bola e força de justiça têm muito pouco.
    Isto é só a ponta do iceberg

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