Marinho Pinto defendeu que a violência doméstica não devia ser crime público porque isso impede que a vítima ponha fim ao processo. Não percebe que o que isto impede é que o agressor, que vive com a vítima, a obrigue a fazê-lo. A verdade é que antes da violência doméstica ser crime público, para chegar à punição do agressor punha-se em risco a vida da própria vítima.
Como escreveu Isabel Stilwell, «crime público significa que a sociedade considera que determinado acto lesa não só a sua vítima directa mas também toda a comunidade. É um crime considerado intolerável, e é por isso que o Estado se responsabiliza por perseguir e levar a tribunal o seu autor.»
Revelando a sua ignorância, Marinho Pinto defendeu ainda que a violência que é exercida sobre as mulheres “não é hoje a pior violência doméstica”. Essa, diz ele, é praticada em relação às crianças e aos idosos. 17 mulheres assassinadas e 11 tentativas de assassinato só este ano, todas vítimas da violência doméstica? São trocos para o bastonário.
A Associação de Apoio à Vítima (APAV) e as associações de defesa dos direitos das mulheres, que estão no terreno e sabem da importância que teve esta mudança legislativa no combate a uma das mais cobardes formas de violência, reagiram, como seria de esperar, com indignação. E os partidos não deram ouvidos ao bastonário. Com alguma tristeza, começo a achar que é o melhor que há a fazer com Marinho Pinto.
Publicado por Daniel Oliveira 16 de Maio de 2008 em Direitos Humanos, Feminismo, Justiça, Segurança, Violência



mais uma intervençao ridicula.
antes dessa foi aquela conf. com os juizes em que ele se pos a criticá-los, dizendo que n fundamentavam as sentenças… dizendo que os cidados estavam desprotegidos e td o mais…etc etc
claro que um deles disse “espere lá dr… mas isso é uma nulidade… pode arguir, deve arguir!”
ele riu-se…
o judice é q tinha razao…
Concordo, Daniel. O bastonário tem-me desiludido com algumas das suas posturas e declarações. Esta sua última intervenção é absolutamente estúpida e detestável.
Neste momento e depois das afirmações que José Marinho fez sobre a libertação de Manuel Machado e acerca da violência doméstica só não sinto repugna por ele porque, considero que este senhor está demente e eu costumo ser piedosa com a doença.
http://www.youtube.com/watch?v=TWaL1XnUPN0
O Daniel cita a irmã de um padre que há umas duas semanas atacou veementemente as leis que em Inglaterra permitem a igualdade de direitos para os homossexuais
http://www.destak.pt/artigos.php?art=10561
Já o tinha postado ontem. Por uma vez em sintonia total, K’mrd…eheheheh…
Mais a sério: lamentável.
Mas, também…
Um abraço.
Será que o sr.bastonário não percebe que quando há uns anos atrás se qualificou este crime como público foi precisamente para evitar as habituais desistências de queixa,quase sempre coagidas?
E de bestial está a tornar-se uma “besta”. Qualquer dia vamos dizer que José Miguel Júdice tinha razão.
Marinho Pinto é um defensor das liberdades e dos direitos humanos. E não é de agora. Pretender dizer que Marinho Pinto defende a violência doméstica é uma “violência” e má fé.
Ele tem razão quando diz que não sendo possível à vitima retirar uma queixa lhe estão a retirar um direito; o da liberdade individual. Foi isso que ele quis significar.
Mas obviamente esse direito ao colidir com um maior que é o direito à dignidade humana perde sentido. E por isso Marinho Pinto não tem razão.
Mas Marinho Pinto não deixa de ser um grande defensor das liberdades e dos direitos humanos por causa disso. Interessa a uma certa direita deitar abaixo Marinho Pinto espanta-me é que a esquerda também o tente agora diminuir.
É “só” uma mulher assassinada por semana. (no ano passado foram 44 penso eu). Portugal é “só” o país da europa ocidental em que o caso é mais grave. Coisas sem importância quando comparadas com o flagelo do carjacking.
Bem de inicio até gostava do Marinho, tinha o estilo trauliteiro, de Zé Povinho, já tava farto do Opusdeisado do Rogério Alves mas agora dou o braço a torcer, o gajo é uma merda, o Judice tinha razão. Eu que dei apoio a algumas mulheres que eram brutalizadas, reduzidas a seres de quem os cães têm pena por um cretino qualquer que entende que a mulher é sua posse, por um cobarde (nos homens não bate ele porque sabe que leva) que tortura diáriamente, um sádico que se vinga no elo mais fraco e vi como são estes FDP que só com porrada em cima ( Leia-se coça velha e cadeia) é que ganham medo e param. A unica maneira de parar os maus tratos é com intervenção imediata por parte da sociedade porque se assim não for a mulher nunca sairá de um ciclo vicioso e que acabará com a morte de um dos participantes.
A vantagem de ser crime publico é a única garantia de escapatória para a vitima, pois mesmo depois de a vitima ter sido coagida a retirar a queixa o processo segue.
Uma em cada duas mulheres portuguesas é ou já foi vítima de violência doméstica
(Dados do Conselho Europeu)
Esta posição do bastonário é inaceitável e, no que me diz respeito, torna-se mesmo incompreensível, à luz do conhecimento que tenho dele. Já discordei de outras atitudes ou afirmações de Marinho Pinto, como, por exemplo, as assumidas em relação a Manuel Machado, o dirigente neo-fascista. Mas analisar o mandato do bastonário à luz de duas ou três posições, é manifestamente insuficiente. Tanto mais que ele exerce o cargo há pouco tempo e também já disse coisas, nomeadamente sobre a corrupção, que me parecem bastante certas. Demos, pois, tempo ao tempo, antes de fazermos uma apreciação global. O que não impede, obviamente, a crítica a posições como esta, sobre a violência doméstica.
Marinho Pinto é um homem que eu respeito.
O seu precurso, o desassombro com que defende as suas posições merecem o meu respeito.
Não é por discordar da sua posição sobre o neo-nazi Mario Machado, e agora sobre esta questão, que isso me faz retirar a admiração que nutro por ele.
Por vezes certas frases podem ser mal interpretadas.
Um desafio á Umar, convide o Marinho Pinto, estou certo que ele aceitará, para publicamentte discutir esta questão, talvez afinal as posições não sejam assim tão antagonicas como á partida parecem.
a posiçao é aburda.
pouco ha mais a dizer.
Relativamente a MP não considerar a violência sobre as mulheres a “pior violência doméstica”, o argumento de Daniel Oliveira não é consistente, porque o número e a cadência não devem ser factores para aferir qual a “pior violência doméstica”. Situação comprável seria considerar o “esticão” mais grave que o assassinato, só porque é cometido mais vezes.
Rui Gamboa, onde é que eu disse que a violência sobre as mulher era a pior violência doméstica? Eu escrevi que era «uma das mais cobardes formas de violência». Quem falou em pior foi Marinho Pinto.
Daniel, o seu argumento é que não é consistente. Não vejo como os números (que são inacreditáveis, de facto, mas que o Bastonário deve conhecer) da violência doméstica sobre as mulheres, possa de alguma forma ter alguma coisa que ver com o facto de Marinho Pinto achar que essa não é a pior forma de violência doméstica.
As leis portuguesas estão imbuídas de feminismo, segundo Marinho. Infelizmente, tal não é verdade. O que acontece é que Marinho está imbuído de um machismo conservador que não esconde!