Marinho Pinto defendeu que a violência doméstica não devia ser crime público porque isso impede que a vítima ponha fim ao processo. Não percebe que o que isto impede é que o agressor, que vive com a vítima, a obrigue a fazê-lo. A verdade é que antes da violência doméstica ser crime público, para chegar à punição do agressor punha-se em risco a vida da própria vítima.

Como escreveu Isabel Stilwell, «crime público significa que a sociedade considera que determinado acto lesa não só a sua vítima directa mas também toda a comunidade. É um crime considerado intolerável, e é por isso que o Estado se responsabiliza por perseguir e levar a tribunal o seu autor.»

Revelando a sua ignorância, Marinho Pinto defendeu ainda que a violência que é exercida sobre as mulheres “não é hoje a pior violência doméstica”. Essa, diz ele, é praticada em relação às crianças e aos idosos. 17 mulheres assassinadas e 11 tentativas de assassinato só este ano, todas vítimas da violência doméstica? São trocos para o bastonário.

A Associação de Apoio à Vítima (APAV) e as associações de defesa dos direitos das mulheres, que estão no terreno e sabem da importância que teve esta mudança legislativa no combate a uma das mais cobardes formas de violência, reagiram, como seria de esperar, com indignação. E os partidos não deram ouvidos ao bastonário. Com alguma tristeza, começo a achar que é o melhor que há a fazer com Marinho Pinto.


19 respostas ao post “Marinho Pinto: de mal a pior”  

  1. 1 1  N

    mais uma intervençao ridicula.

    antes dessa foi aquela conf. com os juizes em que ele se pos a criticá-los, dizendo que n fundamentavam as sentenças… dizendo que os cidados estavam desprotegidos e td o mais…etc etc

    claro que um deles disse “espere lá dr… mas isso é uma nulidade… pode arguir, deve arguir!”

    ele riu-se…

    o judice é q tinha razao…

  2. 2 2  Zapata

    Concordo, Daniel. O bastonário tem-me desiludido com algumas das suas posturas e declarações. Esta sua última intervenção é absolutamente estúpida e detestável.

  3. 3 3  Umbelina

    Neste momento e depois das afirmações que José Marinho fez sobre a libertação de Manuel Machado e acerca da violência doméstica só não sinto repugna por ele porque, considero que este senhor está demente e eu costumo ser piedosa com a doença.

  4. 4 4  luis m. jorge
  5. 5 5  Costa Nunes

    O Daniel cita a irmã de um padre que há umas duas semanas atacou veementemente as leis que em Inglaterra permitem a igualdade de direitos para os homossexuais

    http://www.destak.pt/artigos.php?art=10561

  6. 6 6  PR

    Já o tinha postado ontem. Por uma vez em sintonia total, K’mrd…eheheheh…
    Mais a sério: lamentável.
    Mas, também…
    Um abraço.

  7. 7 7  LUIS BARATA

    Será que o sr.bastonário não percebe que quando há uns anos atrás se qualificou este crime como público foi precisamente para evitar as habituais desistências de queixa,quase sempre coagidas?

  8. 8 8  josé manuel faria

    E de bestial está a tornar-se uma “besta”. Qualquer dia vamos dizer que José Miguel Júdice tinha razão.

  9. 9 9  Fernando

    Marinho Pinto é um defensor das liberdades e dos direitos humanos. E não é de agora. Pretender dizer que Marinho Pinto defende a violência doméstica é uma “violência” e má fé.

    Ele tem razão quando diz que não sendo possível à vitima retirar uma queixa lhe estão a retirar um direito; o da liberdade individual. Foi isso que ele quis significar.

    Mas obviamente esse direito ao colidir com um maior que é o direito à dignidade humana perde sentido. E por isso Marinho Pinto não tem razão.

    Mas Marinho Pinto não deixa de ser um grande defensor das liberdades e dos direitos humanos por causa disso. Interessa a uma certa direita deitar abaixo Marinho Pinto espanta-me é que a esquerda também o tente agora diminuir.

  10. 10 10  Tárique

    É “só” uma mulher assassinada por semana. (no ano passado foram 44 penso eu). Portugal é “só” o país da europa ocidental em que o caso é mais grave. Coisas sem importância quando comparadas com o flagelo do carjacking.

  11. 11 11  Minhoto

    Bem de inicio até gostava do Marinho, tinha o estilo trauliteiro, de Zé Povinho, já tava farto do Opusdeisado do Rogério Alves mas agora dou o braço a torcer, o gajo é uma merda, o Judice tinha razão. Eu que dei apoio a algumas mulheres que eram brutalizadas, reduzidas a seres de quem os cães têm pena por um cretino qualquer que entende que a mulher é sua posse, por um cobarde (nos homens não bate ele porque sabe que leva) que tortura diáriamente, um sádico que se vinga no elo mais fraco e vi como são estes FDP que só com porrada em cima ( Leia-se coça velha e cadeia) é que ganham medo e param. A unica maneira de parar os maus tratos é com intervenção imediata por parte da sociedade porque se assim não for a mulher nunca sairá de um ciclo vicioso e que acabará com a morte de um dos participantes.
    A vantagem de ser crime publico é a única garantia de escapatória para a vitima, pois mesmo depois de a vitima ter sido coagida a retirar a queixa o processo segue.

  12. 12 12  Tárique
  13. 13 13  João Mesquita

    Esta posição do bastonário é inaceitável e, no que me diz respeito, torna-se mesmo incompreensível, à luz do conhecimento que tenho dele. Já discordei de outras atitudes ou afirmações de Marinho Pinto, como, por exemplo, as assumidas em relação a Manuel Machado, o dirigente neo-fascista. Mas analisar o mandato do bastonário à luz de duas ou três posições, é manifestamente insuficiente. Tanto mais que ele exerce o cargo há pouco tempo e também já disse coisas, nomeadamente sobre a corrupção, que me parecem bastante certas. Demos, pois, tempo ao tempo, antes de fazermos uma apreciação global. O que não impede, obviamente, a crítica a posições como esta, sobre a violência doméstica.

  14. 14 14  corvo

    Marinho Pinto é um homem que eu respeito.

    O seu precurso, o desassombro com que defende as suas posições merecem o meu respeito.

    Não é por discordar da sua posição sobre o neo-nazi Mario Machado, e agora sobre esta questão, que isso me faz retirar a admiração que nutro por ele.

    Por vezes certas frases podem ser mal interpretadas.

    Um desafio á Umar, convide o Marinho Pinto, estou certo que ele aceitará, para publicamentte discutir esta questão, talvez afinal as posições não sejam assim tão antagonicas como á partida parecem.

  15. 15 15  N

    a posiçao é aburda.

    pouco ha mais a dizer.

  16. 16 16  Rui Gamboa

    Relativamente a MP não considerar a violência sobre as mulheres a “pior violência doméstica”, o argumento de Daniel Oliveira não é consistente, porque o número e a cadência não devem ser factores para aferir qual a “pior violência doméstica”. Situação comprável seria considerar o “esticão” mais grave que o assassinato, só porque é cometido mais vezes.

  17. 17 17  Daniel Oliveira

    Rui Gamboa, onde é que eu disse que a violência sobre as mulher era a pior violência doméstica? Eu escrevi que era «uma das mais cobardes formas de violência». Quem falou em pior foi Marinho Pinto.

  18. 18 18  Rui Gamboa

    Daniel, o seu argumento é que não é consistente. Não vejo como os números (que são inacreditáveis, de facto, mas que o Bastonário deve conhecer) da violência doméstica sobre as mulheres, possa de alguma forma ter alguma coisa que ver com o facto de Marinho Pinto achar que essa não é a pior forma de violência doméstica.

  19. 19 19  Ana

    As leis portuguesas estão imbuídas de feminismo, segundo Marinho. Infelizmente, tal não é verdade. O que acontece é que Marinho está imbuído de um machismo conservador que não esconde!

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