Assinala-se este ano o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Este será, aliás, o início de muitas datas a recordar à volta deste tema. Por isso, a partir de hoje, e nos próximos meses, iremos publicando os episódios de uma série de documantários (24) sobre a Guerra Fria – claro que faremos algumas interrupções para, no Doc à 6ª, tratarmos de outros temas. “Cold War” (1947–1990), de Jeremy Isaacs, foi produzido em 1998 pela Turner Broadcasting System (para ser transmitido na CNN) e pela BBC. A séries recebeu críticas de quase todos os lados e muitas delas justas. Por vezes simplista, por vezes incompleto, muitas vezes ideológico, é, ainda assim, o primeiro documento televisivo que tentou fazer um apanhado exaustivo de mais de 45 anos da nossa história. Muito vista do lado Ocidental, é verdade, mas ainda assim com uma impressionante recolha de depoimentos e imagens de arquivo. No primeiro episódio, os antecedentes, entre 1917 e 1945. O mais fraco, na minha opinião. Não se resume meio século em 45 minutos. Mas é aqui que tudo começa.
46 comentários 28 Ago 09 em Doc à 6ª46 respostas ao post “Doc à 6ª: Guerra Fria (1) – Camaradas 1917-1945”
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Se a sua ideia é dar-nos uma lição de História, não tenho nada o opor: por mim até gosto.
Mas duvido que os outros pensem da mesma maneira. Infelizmente.
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Daniel Oliveira Reply:
Agosto 28th, 2009 at 16:34
Isabel, não dou lições de nada a ninguém. O documentário nem sequer é meu e nem concordo com tudo o que nele se pode ver. Mas acho-o interessante e por isso divido-o com os leitores. Apenas isso.
Ainda nem vi, mas CNN e BBC… ui… que dupla…
Auferstanden aus Ruinen
und der zukunft zugewandt,
laßt uns Dir zum guten dienen,
Deutschland, einig vaterland!
(e desculpas pelos erros, já lá vão uns anos).
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Daniel, não era minha intenção criticá-lo. Devia ter dito “proporcionar-nos” uma lição de História. O que agradeço. O documentário pode ser o que quiserem, mas que é muito bem, é.
Só não concordo com a útima frase do seu post: “é aqui que tudo começa”.
Esta verdadeira luta de Impérios, pode ser datada (embora haja antecedentes) da ambição imperial de Napoleão.
Em 1815, em Viena de Áustria (na realidade, juntamente com a Prússia, o princípio da Alemanha) a Europa, como depois em Yalta, foi retalhada ao sabor dos vencedores.
(A França, como de costume conseguiu infiltra-se, como “piolho por costura”, para ser contada, numa altura e noutra, entre os vencedores, contra toda a evidência.)
Em minha opinião foi dessa partilha da Europa que resultou, primeiro, num século de “guerra quente”, depois em meio século de “guerra fria”. Uma e outra são, na minha análise e na de muitos historiadores, apenas duas facetas de uma mesma guerra.
Queira Deus que esteja errada, mas o velho imperialismo, agora patente na chamada União Europeia, não augura nada de bom. Sobretudo de for globalizado, como agora é possivel e se pretende.
Continue pois a mandar-nos mais decomuntários como este.
Da minha parte, como já lhe disse, apenas tenho a gradecer-lhe.
PS: um debate sobre o assunto – que infelizmente não acredito que venha a acontecer – seria mesmo muito bom.
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Boas.
Não vi ainda o filme apesar de lhe conhecer os contornos.
Tentarei, assim a minha disponibilidade o permita, até porque sugestionado pelo Daniel, transporta desde logo certificado de qualidade.
Foi um momento inolvidável a que tive a honra, o prazer e a sorte de viver.
A debandada comunista na europa foi geral, apenas uma aldeia tuguesa resiste.
Cumprimentos.
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toninho viveste na RDA?
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Pá, já fazia aqui falta uma caricatura do Dias Loureiro no “trono” a ler uma rica “literatura” portorriquenha!!
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Boas.
Tenho que fazer uma crítica ao “Arrastão” e sabem que nessa matéria sou muito comedido.
Com três distintos moderadores é inaceitável que sendo tão lestos na colocação dos posts não o façam também na publicação dos comentários já que a clientela é tão vasta quanto diversa.
Prefiro aqui vir para me inteirar da actualidade que vocês me dão do que gastar uns trocados nessas merdices impressas que se vendem por aí.
Faz favor de me facultar o livro de reclamações já, senão chamo a polícia!
Cumprimentos.
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#6 “toninho viveste na RDA?
Sim…sim…imagina que até tirei por lá um curso (faz favor de não confundir com as oportunidades socretinas) e regressado ao berço, passei a dedicar-me à cátedra actividade dos comentários dos blogues.
Cumprimentos.
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errata:
#9 “…actividade de comentador nos bolgues.”
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Estão a ver? Como eu pensava, 24 horas depois de publicado: comentários ? nenhum! (pelo menos ligado ao tema).
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A guerra fria , o mundo bipolar e a divisão da terra em dois blocos politico- ideologicamente antagónicos ( com excepção dos não alinhados), a era nuclear, polarização esquerda / direita, a descolonização, a contracultura , o Maio de 68, sexo, drogas e rock and roll, a Internet…
Para quê?
Para fazer nascer a nova era global?
Será possível, por meio da educação, alterar o rumo da história substituindo os tacanhos nacionalismos e imperialimos pela solidariedade humana?
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Ainda ninguém comentou o caso Mourinho, o Rushdie da bola?
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Finalmente tive tempo de ver o documentário.
Comentário: a guerra fria começa com o fim da II GM.O documentário só se completa com a queda do muro de Berlim.
Fiquei impressionada! , embora sejama imagens já muito batidas.
Conclusão: do ponto de vista neurológico o cérebro humano pouco se alterou desde o homem das cavernas e o animal + semelhante ao ser humano é o rato, porque é o único animal que mata os da sua espécie( tal como o homem) e não o chimpanzé como comummente se pensa.
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eu vi o documentário e não o achei grande coisa. mas enfim, só posso falar no fim da série toda.
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Dois políticos ’sérios’ a tentar negociar com um tirano sem escrúpulos tinha que dar mau resultado… Fica a noção do comunismo como algo que se impinge pela mentira e se impõe pela força das armas.
Curioso ainda como, na invasão da Polónia, a história sempre branqueou o envolvimento Soviético e como quase se conseguiu ‘apagar’ o massacre da floresta de Katyn.
Felizmente os grandes criminosos passaram à história e, hoje em dia, aos seguidores da caduca ‘revoluçao comunista’ apenas restam, como figuras a seguir, patetas como o Hugo Chavez.
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“o animal + semelhante ao ser humano é o rato, porque é o único animal que mata os da sua espécie”
Deve ser giro para dizer em conversa de café, mas é um disparate.
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“Conclusão: do ponto de vista neurológico o cérebro humano pouco se alterou desde o homem das cavernas e o animal + semelhante ao ser humano é o rato, porque é o único animal que mata os da sua espécie( tal como o homem) e não o chimpanzé como comummente se pensa.”
É um bocado offtopic, mas pronto. O rato está longe de ser o único animal que mata os da sua própria espécie. No mundo dos insectos será talvez melhor perguntar quais os animais que NÃO matam os da própria espécie. E nos mamíferos ocorre-me agora o exemplo dos leões macho, que muitas vezes matam as suas próprias crias.
Peço desculpa pelo desvio ao tema do post, mas estas visões miserabilistas e redutoras do homem mexem sempre comigo.
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Corrijo: existem outras espécies que tb matam os da sua própria espécie, nomeadamente cães, pássaros, hienas,…
É errado afirmar , deste modo que o Homo sapiens é a única espécie que mata os seus semelhantes, o único herdeiro da marca de Caim e de outras sinas igualmente melodramáticas.
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José Bastos, se fosse só o massacre de Katyn…Os “democrátcos” Aliados são responsáveis por atrocidades como os bombardeamentos indiscriminados sobre cidades alemãs indefesas sendo o mais famoso de todos eles o de Dresden, expulsão de milhões de alemães do Leste europeu, violações em massa praticadas pelos soviéticos, pelos senagaleses trazidos para o Reich pelos franceses como forma de vingança e pelos marroquinos em Itália, cativeiro desumano de prisioneiros alemães nos Gulags siberianos onde eram tratados como escravos, Eisenhower mandou matar à fome quase 1 milhão de prisioneiros alemães ao negar-lhes os alimentos que a própria Convenção de Genebra estipula e a vergonha de Hiroshima e Nagasaki, para salvadores do Mundo não está mal…
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Isabel Coutinho #4
“(…) velho imperialismo, agora patente na chamada União Europeia (…)”
…hã? Agora estamos a chamar Imperialista à UE? Provavelmente a construção politica menos imperialista da História mundial? =?
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Caro FV,
“Peço desculpa pelo desvio ao tema do post, mas estas visões miserabilistas e redutoras do homem mexem sempre comigo.”
Visões miserabilistas!? redutoras!? Desvio ao tema do post?
Veja os estudos de Konrad Lorenz (foi prémio nobel)quanto à questão da violência e agressividade inerente aos seres humanos(sim! , as guerras são violentas ? , ou não?), aos genocídios, aos crimes contra a humanidade e outras mortandades. O ser humano consegue ser muito + macabro do que qq outra espécie no planeta terra. Não acha? Ah! e é “o animal racional”!estranho , não?
Zoólogo austríaco, Konrad Lorenz, foi o fundador da moderna Etologia, o estudo comparativo do comportamento humano e animal.Uma nova área de estudos científicos com profundas implicações para a humanidade. Pelas suas descobertas recebeu o prêmio Nobel de Fisiologia em 1973.
Lorenz logo enveredou para um estudo comparativo entre o comportamento humano e o comportamento animal, expondo sua tese principalmente nos livros Das sogenannte Böse, de 1963 (tit. em port. “Sobre a agressão”) e Die Rückseite des Spiegels: Versuch einer Naturgeschichte menschlichen Erkennens, (“Por trás do espelho: uma pesquisa por uma história natural do conhecimento humano”), de 1973.
No primeiro ressalta que nos animais em geral a agressividade tem um papel positivo para sobrevivência da espécie, como o afastamento de competidores e a manutenção do território, e que também no homem a agressividade poderia ser orientada para comportamentos socialmente úteis.
No segundo, Die Rückseite des Spiegels, Lorenz especula sobre a natureza do pensamento e da inteligência humana e seu poder de sobrepujar as limitações reveladas por seus estudos, e argumenta que a luta e a guerra no homem tem uma base inata, mas que pode ser mudada..
Em 1973 Lorenz recebeu o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, dividido com outros dois estudiosos do comportamento animal, Karl von Frisch e Nikolaas Tinbergen. Seu trabalho sobre as raízes da agressividade alcançou grande repercussão devido à possibilidade de aplicação ao conhecimento da violência urbana e, em maior escala, à prevenção das guerra. Jean Piaget tomou-o, juntamente com os resultados de sua própria pesquisa, como base para sua inovadora psicobiologia. Recebeu também diplomas honorários das Universidades de Yale, Loyola. Leeds, Basel, e Oxford, além de vários outros prêmios e honrarias.
FV ,
A politologia e a sociologia cada vez recorrem + aos estudos de outras ciências ( e não só à etologia) , nomeadamente à psicologia, à neurologia para explicar comportamentos humanos no âmbito de áreas específicas de estudo das ciências sociais e humanas.
Mais informação:
http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-lorenz.html
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21 Luis Vicente #21
…hã? Agora estamos a chamar Imperialista à UE? Provavelmente a construção politica menos imperialista da História mundial? =?
Porquê tanta admiração Luis Vicente?
O Imperialismo não é apenas ter colónias em África.
Já os romanos quiseram englobar toda a Europa num único Império. Calos Magno quiz outro tanto (é daí aliás que vem a rivalidade franco-alemã). Napoleão – tão idolatrado pela UE – tentou, na esteira de Carlos Magno, reconstruir o seu Império. A Rússia construiu um Imperio extensíssimo, depois continuado e alargado pela URSS.
A ambição territorial europeia, não é pois uma coisa de hoje.
A UE apenas tentou um método diferente, provado que está que não o conseguiria pela guerra.
Começou pela diminuição da soberania dos países europeus. Depois, aboliu as fronteiras, criou uma moeda única, quer impor uma legislação única, uma justiça única e, por fim uma única Constituição.
O que se chama a isto senão o princípio de um Estado Imperial?
Quem irá encabeçar este Império, ainda não se sabe, mas não será, de certeza, um conjunto de Estados, todos iguais (até porque os Estados deixarão de existir como tais).
Segundo a velha tradição europeia, a luta será (já está a ser) entre a França e a Alemanha. Isto se conseguirem mantar a Rússia afastada, e não voltarem a fazer a asneira de tentar integrá-la também. Assim como a Turquia e o Norte de África.
A Inglaterra poderá – como sempre – ficar de fora.
Mas, a Europa, como Estado único, o que será senão um Império? Em que os mais fortes irão progressivamente dominar os mais fracos? Até os subjugar completamente.
Para cabeça deste novo Império haverá de início uma luta (pacífica, é claro) entre as novas “Grandes Potências” que tenderão a limitar-se às eternas França e Alemanha.
Então, estas duas “lutarão” entre si por este novo Império Europeu.
E uma delas há-de ganhar de certeza.
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Isabel Coutinho,
Sim! a UE é uma construção política ( bastante centralizadora ), económica e social e não cultural e histórica, porque a Europa é multicultural, multilinguística e multietnica.Para além deste aspecto, a Europa, enquanto continente não existe , existe sim a eurásia.
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Madalena Madeira,
A Europa é um subcontinente, sim. Tal como a Índia, por exemplo. Em termos geofísicos, não em termos históricos.
Mas a Europa existe. Com todos os povos e culturas que a constituem. Que falam muitas línguas: germânicas, latinas, eslavas e outras. Mas que não abdicam da a sua identidade.
A sua unidade está na diversidade e não na unicidade.
E é esta que está em marcha sob uma suposta União. Que em termos históricos não existe. Existiu sim na época feudal, com Suseranos e Vassalos. O que motivou muitas guerras de libertação dos povos.
Os povos europeus convivem, mas não se submetem. É esta a sua Cultura. É esta a sua Liberdade.
Tudo o mais tem um nome: despotismo.
É por isso se evitam referendos. Para calar a vontade dos povos.
É a isto que chamam Democracia?
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Muito interessante e enriquecedor.
Mas contém pelo menos duas perspectivas bastante discutíveis: a Guerra Fria não é o produto apenas de um confronto ideológico, mas sim fundamentalmente de natureza geo-estratégica; a oposição entre o Capitalismo (ou a Democracia Ocidental) e o Socialismo (ou o Comunismo) não é, apesar de tudo, o traço histórico mais marcante do Século XX.
Se assim fosse, a Rússia “democrática” teria já entrado para a União Europeia (e até para a O. T. A. N.), por um lado, e por outro nunca teria havido tanto espaço para o desenvolvimento de fenómenos trans-ideológicos como o Materialismo, o Laicismo, o Fundamentalismo religioso (onde incluo o Sionismo) e o próprio sistema político chinês actual, que escapam à lógica simples da confrontação empolada (artificialmente?) durante a Guerra Fria.
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