
“Hot House”, de Shimon Dotan, não é um retrato das dezenas de milhar de presos palestinianos nas prisões israelitas. Todas as famílias da Palestina tiveram, têm ou irão ter um preso entre os seus. Nem é o melhor retrato de prisões onde se tortura e se mantêm presas pessoas, sem qualquer acusações, durante anos. Não é, porque se passa em duas prisões de alta segurança israelitas, onde estão apenas pessoas que participaram em atentados suicidas (cúmplices ou terroristas que o tentaram sem sucesso) e dirigentes políticos. Por ali estar ou gente perigosa a cúpula da sociedade palestiniana, as prisões são as melhores. Ou seja, o filme não é nem podia ser sobre as condições prisionais em Israel. Não podia ser porque o documentário, feito por um israelita, conta com a colaboração das autoridades.
Desde que não seja visto como um retrato do preso comum palestiniano e o tratamento comum que lhe é dado (ouvi muitos relatos na Palestina), “Hot House” é um interessante filme sobre como militantes da Fatha e do Hamas fazem toda a sua formação política e académica entre grades e tornam-se ali verdadeiros quadros. Como se organizam numa autêntica estrutura partidária na prisão. São, nos seus respectivos partidos, um elemento fundamental nas decisões políticas. No começo de guerra civil entre Fatha e Hamas tiveram, aliás, um papel central na tentativa de tréguas. As filmagens acontecem nas vésperas de eleições que dão a vitória ao Hamas.
Por Daniel Oliveira 29 Out 07 em doclisboa



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