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Conhecemos as imagens dos trabalhadores do Bangladesh que desfazem petroleiros para lhes aproveitar o ferro através das fotografias de Sebastião Salgado. Mas “Ironeaters” mostra-nos muitíssimo mais. A organização social daquele trabalho, a hierarquia, os moradores locais que ficam com os trabalhos melhores e exploram os migrantes até ao limite. Os donos das empresas e como se vêem como pais de uma grande família enquanto os migrantes regressam a casa sem sequer receberem a miséria que lhes foi prometida.

“Ironeaters”, de Shaheen Dill-Riaz’s, é uma viagem impressionante a uma espécie de capitalismo puro. Os códigos, os papeis e os discursos são semelhantes aos que conhecemos, mas sem a patine de civilização que acrescentámos à exploração. Não me leiam mal: a patine faz alguma diferença. Pelo menos faz diferença na prática e na vida das pessoas. Mas a diferença é pouca. “Quando tens fome, comes qualquer coisa. Até ferro.” Diz um trabalhador. “Ironeaters” é provavelmente o melhor documentário que vi no Doc.


Sem respostas ao post “Ironeaters”  

  1. 1 1  pedro a.

    Sebastião Salgado, não é?

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