
Em Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores. Ninguém é despedido, há ajustamentos às necessidades de produção. As empresas não fecham a porta, deslocalizam a produção. Não existe perda do poder de compra, há contenção salarial. É populista e demagógico lembrar as crescentes disparidades salariais, devendo antes realçar-se que o mérito deve ser premiado e os gestores têm que estar identificados com os interesses da empresa. Que são os mesmos dos trabalhadores. Desculpem, dos colaboradores.
A escolha semântica não é neutra. As palavras têm valor e significado. São uma peça central na disputa do campo das ideias políticas. Fala-se muito do politicamente correcto e do predomínio da esquerda na imprensa, mas nunca se lê uma linha sobre o economicamente correcto que tomou conta do discurso político e jornalístico sobre a economia. E, curiosamente, o economicamente correcto é o mais poderoso motor da assimetria ideológica que normaliza a crise e constitui, ela própria, uma das causas do atraso de um país que não encontra outro modelo de desenvolvimento que não o dos baixos salários. Ele reproduz-se partindo da premissa de que a economia é uma ciência exacta imune à contaminação ideológica e que o discurso “mainstream”, que ouvimos e lemos todos os dias, é politicamente neutro. Não é.
Peguemos no exemplo das mistificações sobre a reduzida taxa de produtividade nacional, constantemente alardeada como a prova provada que os trabalhadores portugueses são pouco trabalhadores e produtivos, quando a única coisa que se pode ler desse indicador é que a economia nacional tem um baixo valor acrescentado. A discrepância não é inocente, como se percebe, servindo para justificar anos e anos de degradação de poder de compra dos trabalhadores. A forma como os aumentos salariais para a função pública foram retratados na generalidade da imprensa, blogosfera e colunas de opinião constitui um dos melhores exemplos dessa assimetria ideológica. Entre as acusações de eleitoralismo até a“o dinheiro que abunda para salários escasseia para despesas reprodutivas”, de Vital Moreira, o tom geral foi a condenação do despesismo. Pouco importa que, nos últimos oito anos, os mesmos trabalhadores tenham perdido 9,4% de poder de compra e que, contando com menos 51 486 trabalhadores, a produtividade da função pública tenha aumentado mais de 7% desde 2005. Também é indiferente que exista margem orçamental. O que importa é que se quebrou a mensagem de austeridade que vinha sendo transmitida ao país. Pelos trabalhadores, claro. E depois fica tudo muito espantado quando surge um estudo que indica que Portugal é um dos países industrializados com maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos. Pois.
44 comentários 21 Out 08 em é a economia estúpido



É pá até tem alguma razão! Pedro Sales fez copy paste de algum lado?
Agora uma perguntinha ao Daniel Oliveira.
O senhor é trabalhador da Sic e do Expresso ou colaborador?
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duvido muito do estudo mas ainda agora se divulgou que os colaboradores portugueses são dos que menos colaboram semanalmente nas suas empresas, que dizer disso, quando não é de todo a visão que tenho?
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Excelente Sales. Era vê-los nos prós e prós ontem e na 2ª feira passada. Loas ao nosso PM.
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É óbvio que Daniel Oliveira é colaborador dos órgãos em causa. Já Mário Crespo é um trabalhador da SIC-Notícias. Se há quem não perceba a diferença entre uma e outra figura, peça a alguém que lhe explique como se tivesse quatro anos. É que eu só colaboro aqui com uns comentários, os pedros e o Daniel é que são os trabalhadores do Arrastão.
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Excelente post que deve começar a ser lido após a segunda frase.
Porquê?
Porque presumo que deve ser mais consistente.
Ora vejamos:
Em Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores. Ninguém é despedido, há ajustamentos às necessidades de produção.
Há aqui uma mistura excelente de inverdades, verdades que se presumem mentiras e mentiras que podem ser verdades.
Ora temos que pensar no seguinte.
O maior empregador é o Estado e se considerarmos que as autarquias podem equivaler-se ao mesmo em termos de emprego, então o número é assustador.
É no entanto verdade que estes funcionários públicos não são trabalhadores e muito menos colaboradores, são o que são e não é menos verdade que não podem ser despedidos.
Portanto não sei o que diz o post a seguir.
Só sei que as premissas estão erradas.
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Minhoto, a resposta já lhe foi dada: sou colaborador do Expresso, os jornalistas que lá trabalham é que são trabalhadores. A diferença? Eu não cumpro qualquer horário, não respondo a nenhuma hierarquia e não tenho nenhuma obrigação para com a empresa a não ser a de prestar um serviço específico: fornecer um artigo por semana sobre aquilo que eu entender escrever. E a empresa não tem nenhuma obrigação para comigo a não ser pagar-me por esse artigo. Tudo o resto, será mera cortesia de parte a parte.
Mas o que são os “colaboradores” na novilíngua de que fala o Pedro? São pessoas que têm todas as obrigações para com a empresa mas empresa não tem qualquer obrigação para com elas.
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Péssimo. A única coisa que concordo é que o termo “colaboradores” é ridículo.
O que acontece em Portugal é que a diferenciação salarial é mínima. Devia ser era muito maior.
Acha por acaso justo que um administrativo com 10 anos de casa ganhe mais de € 1000 e um jurista com 10 anos de casa ganhe € 1750 ? Isto no mínimo é ofensivo.
Aliás, meter juristas, economistas e engenheiros em qualquer circunstância a ganhar menos de € 2500/3000 por mês é ofensivo.
Acha justo um director de serviços ganhar 2500/3000 ? Devia ganhar no mínimo 5000 !
Alguém ganha demasiado ? Sim. Mas não são os administradores. São os administrativos do sector público. À conta dos quais os técnicos superiores do Estado ganham escandalosamente mal.
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Quo vadis, Vital?
Pode-se mudar de partido e de opção política. É inteiramente legítimo, embora muitas vezes haja oportunismo nisso.
Mas, ler de Vital Moreira uma coisa destas: – « o dinheiro que abunda para salários escasseia para despesas reprodutivas», depois de anos a fio ter havido uma enorme perda de poder de compra, é simplesmente vergonhoso. Aqui é mais um posicionamento de política social, do que uma opção partidária. Mas ele é que sabe onde quer chegar, ao escrever estas coisas. Se está a correr para ministro, é bom que saiba que antes do Vital está o Vitalino.
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Excelente!
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Daniel é um modo legítimo e liberal de fazer pela vidinha.
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Fazer pela vidinha, Minhoto?
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Sou economista e acho de uma grande honestidade este artigo. Sou gestor e visto bem o fato que o pedro escreve. O que descreves é de uma exactidão metálica, caindo a prumo a verdade das tuas palavras. Por isso bem hajas. Já agora Minhoto, sendo que eu sou do Minho, acho que o comentário que fazes sobre a relação profissional que o Daniel Mantém com o Expresso é infeliz. Não se trata de vidinha mas de Vida; e no caso o expresso não deve pagar ao Daniel, pelo artigo, aquilo que realmente este vale. O que o Daniel escreve, como o que o Pedro escreve, é importante para mim… e para outros como eu, gestores, crentes nos mercados, convictos de que as empresas são os motores da sociedade e as principais fontes de riqueza… talvez eles se preocupem com isso, desprezarão até o que escrevo, estando como estão empenhados em lutas ideológicas mais profundas e complesxas, mas o facto de escreverem o que escrevem, faz com que pessoas como eu sejam mais humanas, porque nos alertam para coisas e visões, a ter em consideração, de que frequentemente nos esquecemos. Bastava isso para o seu contributo ser fundamnetal para a sociedade.nos jornais, nests Blog…onde quer que seja. Devias,Minhoto, pedir desculpa.
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Conheço recursos humanos de secções publicas que tem formações em que lhes é ensinado a tratar e a encarar os trabalhadores por colaboradores. A pouco e pouco o diiscurso vinga e com o discurso, a intenção. Retirar os direitos dos trabalhadores
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e no caso o Expresso não deve pagar ao Daniel, pelo artigo, aquilo que realmente este vale.
Este pedacinho de frase é magnífico.
Não pelo que diz, mas pelo que ignora.
E vindo de uma pessoa que se intitula economista e gestor, então não nos podemos admirar que o quintal esteja tão mal tratado e a produzir tão pouco.
Então o senhor não sabe que o justo preço de um acto é aquele que os intervenientes acordam.
Estou a ver que se um dia o senhor tiver uma empresa vai levá-la à falência num instantinho.
A não ser que seja um empresa pública.
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Subscrevo inteiramente o post do Luis do Minho. Obrigado aos 3.
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Toda a gente gostaria que todos ganhássemos mais e que todos tivessemos emprego garantido para toda a vida. Simplesmente não assim que nos podemos safar neste mundo globalizado.
Qualquer economia que tenha flexibilidade está melhor preparada para reagir a choques que na maior parte dos casos são exógenos, i.é, em nada dependem da propria.
As crescentes disparidades de rendimentos têm como principal justificação a ineficiencia do nosso sistema de ensino que não promove a mobilidade social que é o seu principal papel. Combata-se isto que o resto virá por acréscimo. Não se pode querer altos salários com baixas qualificações.
Não posso deixar de considerar hilariante a tese da esquerda que se se aumentar salários e pensões o consumo estimula a produção e portanto deixamos de ter uma economia assente na mão de obra barata, ridículo! Teriamos era uma inflação extraordinária dado que o nosso produto potencial é baixo, consequente perda de competitividade e logo aumento da divida ao exterior.
O caminho é termos uma educação e uma justiça que cumpram o seu papel que, isto leva-nos à produtividade e esta aos salários mais elevados. Isto é querer atacar a consequencia e não ligar ás causas.
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é verdade que se tenta a todo o custo retirar o peso ideologico das palavras trabalho e trabalhador e se prefere chamar de colaborador. No entanto o que é mais preocupante não é que quem ande a recibos verdes seja chamado de colaborador (que nos remete para um tipo de actividade que associamos às profissões liberais mas que na verdade são um meio para xupar até ao tutano o trabalhador), o mais preocupante é que quem ande a recibos verdes não tenha direitos a rigorosamente nada (subsidio desemprego, ferias, sindicalizar) e em último caso até faz sentido a distinção da palavra colaboradores para os trabalhadores.
O termo mais apropriado não seria colaboração mas talvez escravatura.
Mas isso agora também tem muito a ver com a opinião e os gostos individuais de cada um……………
O Vital Moreira coitadinho… quando se começa a ser citado pelo Nuno Melo no casamento homossexual… é caso para se tar preocupado… que era da esquerda neo-liberal, já se sabia, agora da esquerda neo-liberal e conservadora de custumes…. sobra-lhes o quê de esquerda? (ou centro sequer…)
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Bom discurso, sim senhor! No entanto os recursos humanos no País são péssimos, daí a histórica produtividade reduzida…
Na função pública subiu a produtividade. Também se descesse ainda mais?…
O que está aqui verdadeiramente em causa é o eleitoralismo exacerbado resultante do aumento dos FP neste contexto global em que vivemos. É absurdo. Qual é o critério? Ninguém pode explicar o que não tem explicação..
Por causa dessas e de outras é que cada vez mais me sinto próximo de uma esquerda indeterminada…
Mas gostei da expressão “economicamente correcto”.
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“Então o senhor não sabe que o justo preço de um acto é aquele que os intervenientes acordam.”
Teoricamente falando… Ou acredita mesmo que é assim?
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Aplaudo este artigo do Pedro Sá. T
Também há algum tempo escrevi sobre esta novilíngua que caracteriza o “admirável mundo novo” da empresa. Não se esqueçam de que o Orwell é também este mundo concentracionário da Empresa.
Esta coisa do “colaborador” é mesmo sinistra!
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Acusam logo o toque, já não se pode brincar, convosco pois com os outros…Palin…
Peço perdão ao comissário-mor dos Amigos do Esturjão o senhor camarada partizan Daniel Oliveira , vou já pagar a segurança social dos meus empregados (lá se foi o Aston!) neste acto de contrição sincero!
Já agora viram ontem o Fazenda na sic noticias, qual social-democracia, aquilo é socialismo puro e duro.
Vou já encomendar uma rezinha ao arcebispo Ortiga para que Espirito Santo e o seu banco nos salvem desta Brigada Anacrónicamente Saudosista Partizan Albanesa—–BASPA.
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Mas realmente o Daniel Oliveira devia ganhar pelo que escreve, tipo uma percentagem, fundavam uma comuna no Expresso e na Sic e o dinheiro em vez de ir para o bolso do grande capital explorador a recibos verdes ia para quem trabalha pois a “terra” é de quem a trabalha.
Temos o caso da Oprah Winfrey, essa exploradora de emoções, que se desse 1% aos desgraçados que lá vão da receita liquida do programa, acabava com a miséria de muita gente, no limite ficava desempregada.
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Teoricamente falando… Ou acredita mesmo que é assim?
Não acredito nem deixo de acreditar.
Os factos estão aí para o demonstrar.
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Não tenho nada contra o aumento proposto para os trabalhadores da função pública,contudo não me parece correcto que se os trabalhadores no activo vão ser todos aumentados na mesma percentagem,os aposentados tenham aumentos com taxas diferenciadas por escalões.
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O politicamente correcto é bom e o economicamente correcto é mau? No fundo, no fundo, o objectivo é o mesmo. Não estou a ver como é que se pode apoiar um e criticar o outro. A mim parece-me uma grande hipocrisia.
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Slogans, sebastianismo e milagres não enchem a barriga de ninguém. Pelo menos durante muito tempo.
O último dos grandes slogans, que tem servido antes de mais para justificar o adiamento de algumas soluções no mundo do trabalho, é a da educação, ou falta dela.
Não digo com isto que não seja um factor muito importante, mas é um factor entre muitos que, por si só, nem multiplica os pães nem justifica que, sem esse item, ou que até esse item seja cumprido, as relações sociais e do trabalho permaneçam inalteradas.
Porque, antes de mais era necessário que os nossos gestores e “empresários” (dantes chamavam-se patrões), soubessem utilizar a ferramenta que é a qualificação profissional ou académica dos seus “colaboradores”. Não sabem.
E os exemplos estão aí espalhados pelas empresas, das grandes às pequenas, das privadas às públicas: advogados, engenheiros, economistas, sentados atrás de secretárias a fazer trabalho de administrativos. Alguns até com funções de menor responsabilidade, ostentando meramente o título atrás de um monitor com o Free-cell.
Esta é a realidade que espera muitos dos licenciados, pessoas com “educação”, ao mesmo tempo que os “gestores” e o governo continuam a carpir o fado do baixo nível de educação dos seus colaboradores.
À falta de melhor argumento, daqui por 20 anos ainda andaremos a chorar sobre o mesmo.
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Minhoto 11:20!…”Já agora viram ontem o Fazenda na sic noticias, qual social-democracia, aquilo é socialismo puro e duro.”
Vi o Luis Fazenda e também vi o Ferraz da Costa da CIP, dizer que os trabalhadores portugueses não merecem ganhar mais porque não têm qualificações!?? É preciso ter lata para fazer afirmações destas, quando se representam empresários que “sacaram os fundos comunitários” da formação profissional para proveito pessoal (houve muitos processos mas ninguém foi responsabilizado), em vez de “qualificar” os trabalhadores, para lhes continuarem a pagar baixos salários.
Contudo, o acesso às Universidades e Politécnicos trouxe à sociedade mais um numero gordo de desempregados – estes potenciais trabalhadores “mais qualificados” mas a quem a “distintíssima classe” da maioria dos empresários nacionais, (salvo raras excepcionais) tem apenas 500 Euros para “oferecer” de salário a recibos verdes!
Reciclem-se e qualifiquem-se primeiro os empresários que temos, para depois criticar a qualidade dos trabalhadores/colaboradores portugueses!
No final, acho que Luís Fazenda o pôs no sítio! O homem já nem sabia muito bem o que dizer!!!
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ora nem a propósito, deixo aqui um link para o que o escritor Michael Parenti escreveu sobre a maneira como os media manipulam e distorcem a realidade e como palavras são usadas com um objectivo perfeitamente contrário ao que elas querem dizer.
“A new favorite among deceptive labels is “reforms,” whose meaning is inverted, being applied to any policy dedicated to undoing the reforms that have been achieved after decades of popular struggle. So the destruction of family assistance programs is labeled “welfare reform.” “Reforms” in Eastern Europe, and most recently in Yugoslavia, have meant the heartless impoverishment of former Communist countries, the dismantling of what remained of the public economy, its deindustrialization and expropriation at fire sale prices by a corporate investor class, complete with massive layoffs, drastic cutbacks in public assistance and human services, and a dramatic increase in unemployment and human suffering. “IMF reforms” is a euphemism for the same kind of bruising cutbacks throughout the Third World. As Edward Herman once noted, “reforms” are not the solution, they are the problem.”
http://www.michaelparenti.org/MonopolyMedia.html
cumps,
rjnunes
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PEDRO SALES e DANIEL OLIVEIRA,
não sei se vão ler este meu comentário, espero que sim e que se possível me respondam.
“Em Portugal não existem trabalhadores, há colaboradores”
É a segunda vez em tão pouco tempo que esta expressão me causa arrepios na espinha e passo a explicar porquê.
Se é verdade que palavras são só palavras, também é verdade que estas duas palavras não são simples nuances mas sim duas visões sobre os recursos humanos.
Quando uma pessoa defende que se deve utilizar a palavra “trabalhador” no fundo está a defender que os recursos humanos sejam vistos como meras mercadorias, isto é que o trabalho é uma mercadoria que se transaciona, que se vende compra e descarta-se como qualquer outra mercadoria.
Quando uma pessoa defende que se deve utilizar a palavra “colaborador” então está defender que os recursos humanos sejam visto não como meras mercadorias mas como parte integrante de uma empresa e de um contribuinte para o objecto social da empresa.
Pode parecer uma nuance mas é uma enorme conquista. Em termos de gestão implica uma mudança de paradigma que acarreta uma mudança de politicas.
Ora causa-me bastantes arrepios que alguém de esquerda defenda a primeira visão e tão viemente como se defendeu “Eixo do Mal”.
É essa mesmo a vossa visão?
[Responder]
As palavras não nasceram com os recursos humanos – uma disciplina que consiste em aprender a emagrecer umas companhias à custa do pôr no olho da rua uns tipos que deixaram de estar em consonância com os objectivos empresariais.
As palavras nasceram com significados concrectos etimológicos. Por algum motivo mancebo vem do latim que queria dizer escravo.
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Ó Rosinha o dinheiro da formação foi um escândalo, poucos fizeram bom proveito em boa formação, pois
formação da treta também não interessa.
Há soldadores profissionais com a quarta classe que ganham 5000 euros nas plataformas e até parece no
CERN por isso o canudo só por si pode não querer dizer nada.
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Caro Antónimo,
“As palavras não nasceram com os recursos humanos – uma disciplina que consiste em aprender a emagrecer umas companhias à custa do pôr no olho da rua uns tipos que deixaram de estar em consonância com os objectivos empresariais.”
Explique-me lá que disciplina é essa?
“As palavras nasceram com significados concrectos etimológicos. Por algum motivo mancebo vem do latim que queria dizer escravo.”
Então esclareça-me lá quais os significados etimológicos concretos e em que é que isso difere com o que disse?
[Responder]
Stran,
naõ me chamo Pedro Sales nem Daniel Oliveira, mas permita que meta o bedelho:
Concordo que estas palavras, “colaborador” e “trabalhador”, representam duas visões diferentes dos resursos humanos. E é por serem e REPRESENTAREM visões diferentes que, não ingenuamente, uma tem sido progressivamente substituida pela outra.
O que daqui decorre é, como diz, que ao ser definido como “colaborador”, os recursos humanos “deixam de ser vistos como mercadorias mas como parte integrante da empresa”. A noção está lá e seria eventualmente de aplaudir. Acontece que, a essa noção do papel dos recursos humanos, não corresponde a função atribuída.
Colaborador implica, ou independência (no sentido em que não tem responsabilidades hierárquicas e/ou de horários e/ou de representação); ou, ao contrário, que está implicado totalmente na vida da empresa, TOMANDO PARTE NA DEFINIÇÃO DOS SEUS OBJECTIVOS E/OU ESTRATÉGIAS.
Ora, como admitirá, nenhuma destas permissas se aplicam aos que hoje e, para simplificar, trabalham por conta de outrém.
Mas como disse atrás, esta designação não é ingénua: ao querer “integrar” o trabalhador debaixo dessa designação o objectivo é co-responsabilizar os trabalhadores em decisões para as quais os ditos não foram tidos nem achados (ao contrário do que pressupõe o termo).
E isto dá particularmente jeito em situações de horas extraordinárias não pagas, deslocalização do posto de trabalho, etc, etc.
No tempo do Salazar o termo usado era que a empresa era uma “família”. Todos irmãos aos beijos e abraços.
Agora são “colaboradores”. Amigos, gajos porreiros.
[Responder]
Gabriel García Márquez escreveu nos “Cem Anos de Solidão” que “as coisas só passaram a existir depois de lhes terem inventado um nome”. Citado de memória, as palavras não serão exactas, mas o que interessa aqui é a ideia. Uma ideia que vou “esticar”: as coisas deixariam de existir se lhes suprimissem o nome.
Ao substituir-se o nome de “Trabalhador” por “Colaborador” o que se pretende é anular não o nome mas a carga ideológica que remete para a contradição de Classe que cimenta a Sociedade Capitalista. Pelo caminho, aniquilar o contrato colectivo regulador pelo solitário contrato individual de trabalho é apenas um bónus a caminho da Lei da Selva, a única que o mercado de freio nos dentes estabelece como legítima. E quando a coisa fica preta, viram-se para o Estado e pedem apoios. Depois de terem privatizado os lucros, socializam as despesas.
Os tipos podem não perceber nada de linguística, mas sabem (ao contrário dos totós que aqui perjuram o “politicamente correcto”) que a linguagem denuncia os “a priori” culturais que a catapultam.
Para que conste, não vou à bola com a teoria do Politicamente Correcto. Politicamente, quanto a mim, está errada.
[Responder]
MInhoto… na verdade a empresa em que trabalho é privada. Aí trabalho e sou colaborador. E de facto o preço nada tem a ver com o valor… nem no sentido capitalista nem no sentido marxista (let teoria do valor trabalho e mais ainda a teoria do valor utilidade). No sentido capitalista, se valor= preço então a negociação não existiria… ela existe porque se acredita que o preço pago pode ser superior (no lado de quem vende) ou inferior (no caso de quem compra). Talvez o Marketing pessoal do Daniel não seja suficientemente liberal e capitalista
[Responder]
Caro LAM,
Ainda bem que entrou na discussão.
Concordo com o que disse e passo a copiar:
“Colaborador implica, ou independência (no sentido em que não tem responsabilidades hierárquicas e/ou de horários e/ou de representação); ou, ao contrário, que está implicado totalmente na vida da empresa, TOMANDO PARTE NA DEFINIÇÃO DOS SEUS OBJECTIVOS E/OU ESTRATÉGIAS.”
Concordo 100%. E quem utiliza essa expressão ao o fazer (mesmo que para alguns seja apenas moda) está a aceitar essa definição. E isso foi e ainda é uma oportunidade de ouro para os colaboradores.
Se em vez de se querer recuar para a palavra “trabalhador” se defender a palavra colaborador já imaginou a mudança que isso implica. E se essa mudança acontecer nos sindicados então garanto-lhe que rapidamente que os colaboradores ganhariam muito com isso. Eu vou tentar explicar (infelizmente sou melhor oralmente do que a escrever, espero que me consiga expressar):
- um sindicato ao interiorizar a palavra trabalhador está a assumir plenamente o trabalho como mercadoria. Dessa forma a sua linha de acção prende-se principalmente com o factor monetário e gastam muitos recursos a discutir os 2,9% ou 3%, etc. algo que embora importante não acrescenta muito valor à bolsa do colaborador (por vezes estamos a falar de 5 euros mensais).
- um sindicato que interioriza a palavra colaborador está a assumir a pessoa que representa como membro responsável pelo objectivo da empresa. Neste aspecto consegue ter um modo de actuação muito mais amplo. Desde logo fica legitimado pelos directores em discutir problemas de gestão (afinal são representantes de colaboradores) e poder influênciar as mesmas. posso dar um exemplo de acções que os sindicatos poderão defender:
- participação dos colaboradores no capital social da empresa (desta forma passariam mesmo colaboradores), que poderia ser feito através de aumentos de capitais próprios.
Que achas?
[Responder]
Caro Stran,
Percebi o que quer dizer e até concordo com a explicação, mas apenas porque põe a claro o porquê da utilização da palavra “colaborador” enquanto forma de alterar a percepção das relações de trabalho.
Tudo isto no tem muito a ver com questões ideológicas de fundo que não iremos aqui resolver, mas para mim os sindicatos existem enquanto representantes dos trabalhadores e não são neutros em termos de posicionamento ideológico no que toca às relações de trabalho: se o fossem provavelmente deixariam de existir, como de resto tem sido a tendência nas empresas americadas de novas tecnologias em que qualquer tentativa de formar um sindicato é imediatamente coartada – se são “colaboradores” não precisam de sindicatos que são organizações de classe, e isso de classes é algo é visto como um entrave e uma linguagem “desadequada”.
Estranho também que as empresas se recusem a discutir a gestão das empresas com os sindicatos devido à utilização da palavra “trabalhador”, e se o fazem então mais razão tenho: não são as posições e propostas dos sindicatos que interessam mas sim a percepção que existe sobre o seu posicionamento. É natural que isto seja assim, mas mais uma vez demonstra que afinal isto existem uns colaboradores mais iguais que os outros
O trabalho enquanto mercadoria levar-nos-ia a longa discussão, bastanto para já dizer que de facto o trabalho enquanto mercadoria é a definição marxista. Isso não impede que se discutam planos de formação ou gestão – ver Auto Europa e outros exemplos – mas de facto a linguagem que priviligia a expressão “colaborador” é feita exactamente para dar a sensação de “todos no mesmo barco”, tal como com isto da crise estamos “todos no mesmo barco”, desde o tipo que trabalha na estiva ao gestor do BCP.
Quanto à participação no capital da empresa (estamos a falar exactamente de quê? Acções?) não vejo em termos concretos o que é que a palavra “trabalhador” o impede em termos práticos.
Resumindo ambas as palavras tendem simplesmente a espelhar a visão sobre as relações de trabalho, e as preferências são por isso não sustentadas en nada “prático” mas sim na preferência que existe em remover qualquer ideia de antagonismo entre o trabalho e o Capital (bem sei, já não se usa, estou a ilustrar um ponto).
Digo isto sendo eu um quadro médio relativamente privilegiado (“aristocracia do trabalho” e coisa e tal) do sector privado, funcionando com prémios consoante avaliações de objectivos e prestação própria e da empresa, etc etc, pelo que a nível pessoal mais que habituado aos “colaboradores” e a todos os restantes termos. O que disse acima (e que espelha a minha própria posição ideológica) não significa que ande a fazer piquetes à porta da empresa ou que não esteja “habituado” ao trabalho “moderno”.
[Responder]
Caro Fernando,
“Isso não impede que se discutam planos de formação ou gestão – ver Auto Europa e outros exemplos – mas de facto a linguagem que priviligia a expressão “colaborador” é feita exactamente para dar a sensação de “todos no mesmo barco”, tal como com isto da crise estamos “todos no mesmo barco”, desde o tipo que trabalha na estiva ao gestor do BCP.
Quanto à participação no capital da empresa (estamos a falar exactamente de quê? Acções?) não vejo em termos concretos o que é que a palavra “trabalhador” o impede em termos práticos.”
Também eu sou “aristrocracia do trabalho”.
Ainda bem que pegou na AutoEuropa, não só porque é um bom exemplo como já tive o privilégio de negociar várias vezes com esse sindicato. E sei que é possível que o sindicato seja uma ajuda na gestão e proteja os interesses dos trabalhadores.
Antes de falar no “capital da empresa” vou abordar a questão da palavra. Também concordo que a palavra em si não faz nem impede nada. O que eu queria demonstrar é que a palavra é um sintoma nada mais do que isso. Verdadeiramente o que tem de mudar não é a palavra mas a mentalidade. O que me causa arrepio é que alguém como o Daniel, cujas posições conheço melhor do que as do Pedro, ainda defenda essa mentalidade com o fervor que defendeu.
A gestão ao substituir a palavra trabalhador por colaborador foi inteligente, mas ao mesmo tempo teve que ceder. Ao fazer essa cedência os sindicatos tiveram uma oportunidade (e têm) de melhorar as condições das pessoas que representam, oportunidade essa que constantemente desperdiçam.
Quanto à entrada no capital estou mesmo a falar de acções. Para mim não faz sentido nenhum que os trabalhadores não estejam representados nesse capital, visto que são colaboradores e que “investem” parte da sua vida particular nesses projectos (muitas vezes a maior parte). Ora se os trabalhadores passassem a ter assento no Board de gestão então de certeza que as politicas da empresa mudariam um pouco (não seria o paraiso mas melhorava bastante).
E este ano é um bom ano para introduzir esta noção. Passo a explicar:
- Quando se sentarem à mesa das negociações a gestão vai dizer não há dinheiro para aumentos e que está em causa os postos de trabalho;
- O Sindicato por mais que tente contraiar esta noção sabe que ela tem um fundo de verdade e não tem muito espaço de manobra;
- Desta forma muito provavelmente desta negociação vai existir um aumento muito ligeiro e nada mais;
- Ora o sindicato poderia ser inovador e dizer algo de: nós compreendemos que a empresa está em maus lençois que é um periodo muito complicado e que está disposto a fazer sacrificios, que todos estão no mesmo barco e que todos deverão fazer sacrificios;
- Isto é ouro para os ouvidos dos gestores;
- dessa forma está disposta a que não exista aumentos desde que passem a estar representados no capital da empresa (posso discutir pormenores desta modalidade);(P.S. com isto podem ganhar os dividendos que podem vir a ser superiores ao aumento que teriam);
Assim em vez de sairem sem grande resultado poderiam sair com um enorme trunfo para o futuro. E sim é indiferente que chamem trabalhadores ou colaboradores para proporem isto. Têm é urgentemente de mudar de actitude.
“O que disse acima (e que espelha a minha própria posição ideológica) não significa que ande a fazer piquetes à porta da empresa ou que não esteja “habituado” ao trabalho “moderno”.”
Compreendo perfeitamente, tenho aquela sensação de deja vu.
Julgo que deveriamos ponderar a criacção de uma organização que defendesse os nossos direitos (e convinha não lhe chamarmos “sindicato”, julgo que “associação profissional” soaria “melhor
)
[Responder]
A palavra trabalhador ja nao esta na moda.
Agora e muito mais bonito dizer colaborador , porque nada como dar a ilusao de proximidade para que os sao dirijidos se sintam mais confortadinhos.Esta coisa da percepçao das realidades e das formas como se hao-de baralhar ha muito que ja entrou na concepçao filosofica dos que detem realmente o poder e o dinheiro.
Nada como dar outra carga as palavras para que mudando alguma coisa, tudo fique realmente na mesma.
E por essas e por outras que a lingua portuguesa e muito traiçoeira.
[Responder]
Stran.
Eu compreendo o “futuro” que está a ver nas potencialidades dessa nova designação. Admito até que as organizações representativas (sindicatos, comissões de trabalhadores), têm que dar um salto nas matérias de negociação. (Hoje em dia é absolutamente disparatado pretender avançar com greves, por exemplo, por diferenças de 1 ou até meio ponto percentual, e daí também a diminuição da capacidade de mobilização de sindicatos em muitos sectores).
Mas isso será “o futuro” a que essa nova designação se poderá prestar. Ela não surgiu para isso nem teve origem nos agentes mais interessados nesse (digamos assim), avanço social. Antes pelo contrário:
Teve origem no “patronato”, nos empresários e, até à data, o que tem servido é para domesticar e co-responsabilizar aqueles que não foram responsáveis por alguns maus caminhos percorridos pelas empresas.
Até à data é isso.
Creio aliás que não estaremos muito longe do dia em que o Dr. Ricardo Salgado, o Dr. Fernando Ulrrich, o Dr. Cadilhe, etc, me considerem “parceiro de negócios”…
[Responder]
Caro Lam,
“Teve origem no “patronato”, nos empresários e, até à data, o que tem servido é para domesticar e co-responsabilizar aqueles que não foram responsáveis por alguns maus caminhos percorridos pelas empresas”
Se eu tiver que dizer apareceu com algum consultor que, como você ou eu, estão no meio da cadeia e têm uma maior amplitude de visão. Talvez um pequeno revolucionario que tentou criar um cavalo de troia, que agora nós teremos que saber utilizar (concordo com o que você disse).
“Creio aliás que não estaremos muito longe do dia em que o Dr. Ricardo Salgado, o Dr. Fernando Ulrrich, o Dr. Cadilhe, etc, me considerem “parceiro de negócios”…”
Qd isso acontecer não se esqueça de pedir acções, dividendos e prémios dignos de um parceiro…
P.S. o Futuro só a nós pertence. Acreditava nisso em miudo e ainda acredito (deve ser defeito de fabrico)
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Excelente post.
Só não sei quem defende que a comunicação social é tendencialmente de esquerda. Só ao Alberto João Jardim me lembro de ouvir dizer isso.
Quando todas as empresas de comunicação social são grandes sociedades cotadas em bolsa, pouco mais há a dizer.
Sobre o “economicamente-correcto”, aconselho humildemente a leitura de um texto que há algum tempo atrás escrevi sobre o tema:
http://fumo-sem-fogo.blogspot.com/2007/07/ensaio-epistemologia-da-economia-por-lf.html
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“Mas o que são os “colaboradores” na novilíngua de que fala o Pedro? São pessoas que têm todas as obrigações para com a empresa mas empresa não tem qualquer obrigação para com elas.”
Excepto a de pagar o salário, trabalhem ou não, colaborem ou não, produzam ou não, tenha a empresa lucro ou não. Um pequeno detalhe.
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