Em 1908, Henry Ford inventou o modelo T, o carro do povo, mais barato, fabricado em série, que esbatia as diferenças de classe e permitia à classe média americana aceder a um artigo que até então era privilégio da burguesia abastada. Já ouvi dizer, a propósito do preço dos combustíveis em Portugal, que é bem feito que paguemos mais do que no resto da Europa. Mas ter carro não é, não deve ser, um luxo. Como Ford provou, a generalização do uso do automóvel permitiu uma maior igualdade entre as pessoas. Se há qualidade que o liberalismo económico pode ter, é esta. Numa economia não estatizada, a livre concorrência permite que os produtos cheguem mais baratos ao consumidor. Mas Portugal é um caso: temos empresas semi-privadas que operam sozinhas no mercado, como a EDP, e continuam a aumentar os preços mesmo em tempos de inflação negativa, e num bem de primeira necessidade, que não faz sentido que não tenha os preços controlados pelo Estado; temos um ramo da economia onde existe um simulacro de concorrência, com dezenas de empresas a fornecer o mesmo produto e a praticar preços semelhantes; e temos uma Autoridade da Concorrência que fecha abusivamente os olhos à evidente concertação de preços praticada por essas empresas. Bem pode vir a Galp dizer que a culpa é dos impostos que tem de pagar (leia-se a notícia do Público para se perceber claramente que a empresa distorce a realidade de maneira quase cómica) – não é normal que num país com um nível de vida que está muito abaixo da média na União Europeia sejam praticados preços na área dos combustíveis que nos põem em quinto lugar no ranking dos países europeus. Se a Autoridade da Concorrência não consegue provar que existe concertação de preços entre as gasolineiras, que se regresse ao passado e volte o preço dos combustíveis a ser controlado pelo Estado. Como está agora, é que seguramente não está bem – ou temos um liberalismo económico a funcionar em pleno, com todos os defeitos e qualidades, ou não temos, e nesse caso, tudo o que seja produto essencial deveria ter preços controlados pelo Estado. E como provou Ford há mais de cem anos, não há como não achar que os combustíveis não sejam um bem de primeira necessidade. Seria tão fácil fazer com que o mercado funcionasse – bastava um boicote generalizado à empresa que monopoliza o mercado – a Galp – e era ver os preços a baixar…
50 comentários 17 Jan 10 em Economia, Política50 respostas ao post “As virtudes do liberalismo económico”
- 1 Pingback on 17 Jan 2010 às 17:48





Eu já há muito que não abastecia na Galp. Agora tentar mobilizar o tuga sem ser para a bola? Boa sorte…
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Libertário Reply:
Janeiro 17th, 2010 at 15:06
Todos os combustíveis em Portugal têm origem na GALP independentemente de serem vendidos por outra empresa qualquer.
É também esse um dos motivos que fazem um boicote totalmente inútil.
Em países liberais estes monopólios resolvem-se dividindo compulsivamente uma empresa em várias. O que é um bom exemplo de como o estado pode assumir um papel regulador da economia sem ser um interveniente directo.
“ bastava um boicote generalizado à empresa que monopoliza o mercado – a Galp “
Sergio,
Eu só em extrema necessidade. Mas acho uma tremenda batalha conseguir um boicote ao Portuga acomodado.
Sobre a diferença de preços dos combustíveis entre nós e nuetros hermanos, o assunto é tanto mais grave se tivermos em conta que um posto de abastecimento Galp em Espanha, tem o combustível mais barato do que qualquer posto Galp em Portgal.
Os custos de produção não são os meus para as duas situações????
Um
Abraço
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Mas pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista) ainda…os Gestores da Galp, EDP, etc, vão receber condecorações e medalhas alusivas pelo Dr Cavaco, por alto desempenho ao serviço da Nação!
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Somos um país “mais ou menos”. Nem grande nem pequeno, nem quente nem frio, nem alto nem baixo, nem à esquerda nem à direita. Bom…como quem conduz numa estrada de dois sentidos. Se caír para a esquerda arrisca-se a bater de frente. Se continuar ao centro, arrisca-se a ser ultrapassado pela direita. Se conduzir à direita, tera que ser paciente e respeitar o transito. Num mundo como aquele em vivemos…só de helicopetro.
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MV Reply:
Janeiro 17th, 2010 at 18:17
Somos, em conclusão, um país de “tugas”. Se fosse de Portugueses, se calhar era bem diferente.
– MV
Sérgio Lavso toca no ponto: a haver alguma vantagem para a população/consumidores no liberalismo é a concorrência fazer baixar os preços. É que não há outra. Se isso não acontece alguma coisa está errada: ou há de facto concertação de preços, ou o modelo não nos serve e então, por imperativo nacional, há quefixar os preços máximos pelo estado.
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perdão, Sérgio Lavos.(erro ortopédico)
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“Numa economia não estatizada, a livre concorrência permite que os produtos cheguem mais baratos ao consumidor. ”
Ó Sérgio Lavos… isso é que é boa vontade! É preciso ir estudar pensar e mais um bocadinho nisso!
Quantos exemplos quer de mercadorias que, numa “economia não estatizada e de livre concorrência”, não chegam mais baratos ao consumidor?
E já agora, onde é que fica esse paraíso “da livre concorrência”? Está a tomar esse caso como se fosse uma excepção, uma violação das boas práticas capitalistas. Acontece que esse caso é a regra.
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Portugal é um rebanho de carneirinhos…
Coffee talk, coisa e tal… mas depois é como os texanos dizem:
«when the thing get tough, the ”tough” get going…»
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Este blog só piorou com as “novas aquisições” para o plantel. Para ler estes liberais de esquerda a debitar keynes já tínhamos o Ladrão de Bicicletas! Daniel Oliveira volta, estás perdoado.
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Pedro Penilo
Muitíssimo bem visto.
Às vezes neste blog… parece que estou a ler o Blasfémias.
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só tenho uma pergunta a fazer. quantas vezes é que as industrias farmaceuticas foram sentenciadas por fixação de preços? e só falamos das vezes em que foram apanhadas…
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Eu não lhe chamaria inventar, mas tudo bem!
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Ora portanto Pedro Penilo e quem com ele concorda:
as vossas reacções era aquilo que procurava quando retoricamente questionei o funcionamento do liberalismo nesta questão. É claro que muitos outros exemplos de mau funcionamento das regras que são sagradas para os liberais. Podia dar o exemplo do proteccionismo ao comércio e às áreas produtivas em países onde é suposto haver livre concorrência. A questão das cotas à produção impostas pela União Europeia também dá que pensar em termos de leis do comércio livre. E etc., etc.
Queixo-me das concorrência não funcionar nesta área não porque defenda a privatização mas sim porque acho que deve ser sempre o Estado a controlar o preço final ao consumidor. E pensar que a Galp é uma empresa detida maioritariamente pelo Estado apenas me deixa mais irritado. É a inversão total das regras, tanto do liberalismo económico, como as de uma economia estatal. O que podemos fazer contra isto?
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Na minha modesta opinião: mudar o governo – mudar as políticas. Peço desculpa pela simplicidade: não há milagres. Sectores estratégicos da economia devem estar na mão do estado (isto é: na mão da organização dos cidadãos).
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Quem me explica a razão de se considerar a gasolina um bem de primeira necessidade e portanto tendencialmente gratuita?
Agora a sério: se não tenho um rendimento que me permita ter e sustentar um carro, ando nos transportes públicos. Afinal de contas o transporte individual só traz desvantagens ao colectivo, não é?
Concordo com as restantes opiniões expressas no texto mas acho que o problema aqui é a mania dos tugas adorarem mostrar um nível de vida que não têm.
De qualquer das formas, muito em breve, graças ao Pico Petrolífero, vamos ter a gasolina em valores estratosféricos e esta discussão vai deixar de fazer sentido.
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O problema, Jaculina, é que qualquer transporte público precisa de combustível, e quem acaba sempre por pagar, ande de carro ou de autocarro ou comboio ou barco, somos nós. Se não enchemos o depósito de gasolina, pagamos mais pelos passes. De cada vez que existe um aumento nos preços da gasolina, os passes e bilhetes também sobem.
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O problema é saber a determinada altura o que são bens essenciais…um país onde o estado determina a economia não me parece viável da mesma forma que entregar um estado social ao liberalismo económico a mais absoluta subversão.
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pois…
o ouro negro e o seu preço influencia tudo o resto, afinal nós somos uma civilizaçao completamente construida sobre esta fonte de energia.
é necessario criar prioridades, usar o dinheiro arrecadado para modernizar a rede publica de transportes por forma a torna-la tendencialmente independente de fontes não renovaveis (não é só o petroleo, não vamos desviar-nos de um buraco para nos metermos noutro) e gratuíta.
sobre a “organização dos cidadãos” materializada no estado… não me parece, pelo menos não tem de ser necessariamente assim, mas eu sou desconfiado de qualquer forma de organização burocratica e hierarquizada (como as empresas também o são). perdem-se muitos recursos pelo caminho, muita papelada, muito individuo com interesses obscuros, autorizações que requerem por sua vez autorizações de autoridades autorativamente autorizadas, directores a dar com pau, conflitos de interesse e interesse de conflito, etc etc
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“Como Ford provou, a generalização do uso do automóvel permitiu uma maior igualdade entre as pessoas. Se há qualidade que o liberalismo económico pode ter, é esta. Numa economia não estatizada, a livre concorrência permite que os produtos cheguem mais baratos ao consumidor.”
Até pensei que estava a ler o JoaoMiranda a criar uma ode às maravilhas do liberalismo económico. Depois acordei e estava no arrastão.
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E eu que julguei que estava a falar a sério, e não a induzir reacções. Ora bolas. Até ia pedir-lhe para incluir a banca na sua lista de sectores com preços concertados…
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“E pensar que a Galp é uma empresa detida maioritariamente pelo Estado apenas me deixa mais irritado”
Exactamente, e isso prova que sendo detida pelo estado nem é mais bem gerida nem tem melhores preços.
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António:
o Estado limita-se a receber a sua parte, quando deveria intervir na política de preços. O Estado, neste caso, funciona como uma empresa privada que tem interesse em que haja concertação. O Estado não deve funcionar como uma empresa privada, mas sim garantir que o país funciona o melhor possível. É este modelo misto que está errado.
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Antonio Cunha Reply:
Janeiro 17th, 2010 at 23:54
Exactamente, e por isso a GALP deveria ser totalmente privatizada, ficando o estado apenas com a função reguladora.
Sérgio Lavos Reply:
Janeiro 18th, 2010 at 0:14
Se a essa função fosse de facto desempenhada como deve de ser, não acho mal que isso acontecesse. Acho que apenas deve haver serviço público em áreas de interesse social – Educação, Saúde – ou que tenham a ver com a sobrevivência das pessoas – energia, água, etc. O modelo de empresas de capital misto, como existe agora, está mais que provado que não funciona.
as “áreas de interesse social” segundo a canção do Sérgio Godinho são: a Paz, o Pão, a Saúde, a Educação, a Habitação… sem o que não há liberdade a sério… trá-lá-rá… lembram-se desta letra?
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ó Lavos,
Explique-me lá o seguinte:
ontem abasteci o meu carro com gasóleo. No total do preço que paguei (50 €) quanto é que.
– ficou para o Estado?
– quanto é que o gasolineiro arrecadou?
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O problema é que a Galp, de facto, monopoliza o mercado. Não o mercado distribuidor, em que há várias “concorrentes”, mas o da produção.
E isso, não porque seja proibido ou difícil importar gasolina, mas porque fica mais caro, contando os custos de transporte e logísticos.
Por essa razão, as bombas da Galp em Espanha abastecem-se em refinarias espanholas e todas as “marcas” que operam em Portugal, por muito sonantes e internacionais que sejam os seus nomes, abastecem-se em Sines ou Leça da Palmeira. Vendem combustíveis produzidos pela Galp.
A base da concertação de preços deriva deste facto e, enquanto a autoridade da concorrência não equacionar esse aspecto, estará a olhar apenas para os cêntimos que este ou aquele retalhista (mesmo que “marca”) está disposto a retirar, ou não, às margens de comercialização – quando o essencial dos preços é determinado a montante.
E, para que continue a mandar nos preços e a mantê-los tão altos quanto possível no mercado nacional, basta à Galp estar atenta aos preços das refinarias espanholas e aos tais custos acrescidos de transporte, para que não se torne mais barato, aos outros distribuidores, ir abastecer-se lá.
Isto também faz com que um eventual boicote a bombas da Galp não seja eficaz.
A sua principal fonte de lucros não seria atingida (comprar-se-ia gasolina noutras bombas, mas vindas das suas refinarias) e quem pagaria as favas seriam os seus retalhistas, que são sobretudo concessionários.
As grandes empresas sabem bem como nos lixar.
E, até, dentro de quadros formalmente legais.
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LGF Lizard Reply:
Janeiro 18th, 2010 at 22:26
Na mouche.
Caro Sérgio Lavos,
vá ler qualquer coisinha:
http://www.transportesemrevista.com/Default.aspx?tabid=210&language=pt-PT&id=711
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Por volta dos anos 30, dizia-se: “o que é bom para a General Motors é bom para a América”.
Podemos dizer o mesmo da Galp em relação a Portugal.
Os combustíveis deviam ser ainda mais caros, através de impostos directos, para os consumos privados.
Isto permitiria:
– o Estado subsidiar mais os transportes públicos;
– id para os transportes de mercadorias;
– ibid para a produção industrial e agrícola;
– redução da dívida externa;
– menos poluição;
– baixa do nível de vida para valores realistas.
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ó Lavos,
Explique-me lá o seguinte:
ontem abasteci o meu carro com gasóleo. No total do preço que paguei (50 €) quanto é que.
– ficou para o Estado?
– quanto é que o gasolineiro arrecadou?
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Não peço muito: um prémiozinho jeitoso no Euromilhões, que me permitisse comprar um Tesla e, uma vivenda, com furo de captação de água, painéis solares e gerador eólico.
Era de maneira que deixava de sustentar a EDP, a Galp, a Galp Gás e os Serviços Municipalizados. Nada de consumir água (vinha do furo), electricidade (gerador eólico), gás (aquecimento de águas feito por paineis solares) e gasolina (os carros da marca Tesla são 100% eléctricos).
Era só ligar o carro à tomada e ver o vento a fornecer energia para as baterias do carro….. e deixar de sustentar essa malta. Um dia…
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nao podemos tambem negar a natureza da industria. a refinação é uma actividade naturalmente centralizada. por outro lado, não é útil a criação de redundâncias. como acontece com outros exemplos.
caso seja inteiramente privada é impossivel garantir que não haja uma confluencia de interesses, mesmo com regulação e fiscalização.
por outro lado, existem paises que conseguem fazer funcionar de forma eficiente a coisa publica. a questao é como é que eles o fazem.
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Caro Sérgio
Fiz, faço e farei minhas as suas palavras.
Tanto que tomei a liberdade de as transcrever no blog.
Até que este assalto diário e milionário pare de ser feito aos portugueses, nunca é demais repeti-las.
Acabem com o Gamanço!
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Caro Lavos,
Além de não ter respondido à simples questão que lhe coloquei, também não percebi a tese de “faça boicote que o preço desce”.
decompondo as componentes do preço que pagamos como é tal possível?
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Sérgio Lavos Reply:
Janeiro 19th, 2010 at 21:29
Não sei se o boicote resultaria. Quanto à sua pergunta, se é mais um que culpa os impostos cobrados pelos Estado, leia com atenção a notícia que linkei no post. São mais impostos cobrados aqui do que em Espanha, mas longe da média europeia. Não serve de desculpa.
Mouzinho Reply:
Janeiro 19th, 2010 at 22:16
Na notícia que citou está claro – “Um litro de gasolina 95 em Portugal sem os impostos custaria pouco mais de 50 cêntimos (0,5020 euros)(…) ligeiramente mais barato do que em Espanha (onde custaria 0,5097 euros)”
Se o preço está no 1,3XXX é fazer as contas.
Regista-se também que mudou de ideias
Vejamos – inicialmente diz”bastava um boicote generalizado à empresa que monopoliza o mercado – a Galp – e era ver os preços a baixar”. Depois “Não sei se o boicote resultaria.”
Eu acho que o caro lavos falou de algo sem dominar bem o tema (que é complexo), alinhou pelo que parece evidente, mas não consegue fundamentar.
Aquele Abraço
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Sérgio Lavos Reply:
Janeiro 19th, 2010 at 23:57
Nada é certo, por isso afirmo que o boicote generalizado podia ou não resultar. Retrocedi um pouco. Quanto ao preço da gasolina em Espanha, nem eu nem a notícia afirmam que ela mais cara antes dos impostos. O que eu escrevi e repito é que, apesar de tudo, cobram-se menos impostos sobre os combustíveis aqui do que a média europeia, mas acaba por ser mais do que em Espanha. O preço final é portanto superior. Estamos em quinto lugar na União Europeia nos preços finais do produto (e para aí em 16º em nível de vida). E sem impostos também estamos nesse quinto lugar (a Espanha é que troca de lugar). Dê por onde der, é absurdo o que se cobra pelos combustíveis. E não é apenas o particular que leva o carro para o emprego que sofre. Todas as áreas económicas são prejudicadas – a indústria paga mais pelo combustível de que precisa, aumentando os custos de produção e o preço do que é produzido. E isto aplica-se a praticamente todas as áreas da economia. E depois queixam-se da falta de competitividade do país…
Eu não preciso de fundamento para o que é conhecido: existe uma prática por parte da Galp (e do resto das gasolineiras por arrasto) com nuances monopolistas e de abuso de posição no mercado que precisa de ser investigada e parada. Seja uma empresa pública ou privada – por acaso, como sabe, é as duas.
Caro Sérgio,
Antes de impostos o preço é mais baixo que em Espanha, conforme diz a notícia e o famoso relatório da AdC.
Quanto ao tema se você diz que “não preciso de fundamento “, e se não fundamenta ficamos assim numa do “sei, mas não digo”, que é o mesmo que “acuso mas não provo”.
Não leve a mal, mas achei o seu texto muito fraco. Bate num ceguinho, cavalgando uma indignação políticamente correcta, mas como você próprio afirma sem fundamentar o que quer que seja.
Mexer no preço teria de ser pela baixa de impostos, o que seria péssimo em termos económicos. E quanto ao uso do automóvel – o exemplo que você evoca (de Ford) é anacrónico. A prioridade deve ser inverter a tendência de abandono do transporte público, melhorando os mesmos, principalmente nas áreas metropolitanas de Lx e Porto.
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Meus amigos.
O meu boicote faz agora 2 anos.
Há 2 anos que não meto uma gota de gasolina nem na Galp, nem na BP e nem noutra Petroleira ladra e inflacionista.
Jumbo e Ecobrent. Já dura há 2 anos.
Agora quantos de vós aqui a mandar postas de pescada fazem o mesmo?!?!
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Antonio Cunha Reply:
Janeiro 21st, 2010 at 13:45
LOLOLOLOLO
E de onde acha que vem a gasolina que você mete no seu carro ?
Que cromo !!!!
Caro António Cunha
Venha ela de onde vier a verdade é que se as marcas brancas não fizessem diferença, esta campanha demagógica, violenta e mentirosa (http://gamanco.blogspot.com/2009/05/protesto-sai-rua-2.html) nunca teria existido.
O poder está e estará sempre na mão dos consumidores. Se todos em massa boicotarmos a galp, abastecendo no Jumbo ou noutra bomba de gasolina qualquer que não a galp, esta não terá outra alternativa que não praticar o preço justo, do qual se recusa terminantemente a praticar.
Tenho a certeza absoluta que se já hoje todos nós fizéssemos isto a galp não teria dinheiro para pagar nem metade do ordenado que ganha hoje o Tachista Fernado Gomes, e a fortuna de Américo Amorim oferecida de mão beijada pelo estado não seria nem um décimo.
Além do mais, ao boicotarmos a Galp e abastecendo nas marcas brancas ganhamos imediatamente. As diferenças chegam aos 14 cêntimos por litro! Eu pela minha parte já poupei centenas de euros desde que surgiram as marcas brancas. (E não nunca tive problema algum com o motor do carro. Como disse e bem, em Portugal a gasolina vem toda do mesmo lugar)
Enquanto não houver justiça nos preços dos combustíveis em Portugal não porei um único cêntimo de combustível nos postos de abastecimento da galp. Sugiro fortemente que faça o mesmo. Todos ganharemos com isso.
Acabem com o Gamanço!
http://www.gamanco.blogspot.com
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Antonio Cunha Reply:
Janeiro 22nd, 2010 at 22:47
ó meu caro amigo, a sua intenção é boa mas a prática é má, pois como já lhe disse o unico grossita em portugal é a galp. Isto significa que compre onde comprar a gasolina vem da galp.
E se quizer um bom exemplo para evitar estar muitas horas em filas desnecessárias pode fazero seguinte:
Faz-se sócio do Glorioso e nas bombas da Repsol tem em certos dias (normalmente fins de semana) um desconto de 7 + 6 centimos. Isto é, se for à repsol ao sabado tem um desconto de 13 centimos por litro.
Caro António
Deixe-me que lhe pergunte, se as intenções são boas, então quais seriam as boas práticas do seu ponto de vista?
Ser sócio do Glorioso, dá-me outro tipo de desconto que aprecio bem mais (Cabazadas ao fim de semana a metade do preço). A diferença para o jumbo continua a ser maior.
É certo que é a Galp quem fornece o combustível em Portugal mas se NINGUÉM abastecer nos seus postos o que acontecerá?
Mesmo sendo uns FDP como eu acho que são, serão forçados a baixar ao mínimo ou mesmo extinguir a margem de lucro dos seus postos para re-ganharem clientes, ao mesmo tempo que provavelmente subiriam as margens nos combustíveis que vendem as outras petrolíferas para manter os lucros escabrosos que anualmente apresentam.
O que traria isto de bom para o consumidor? O cartel era desfeito porque a galp trairia as suas congéneres petrolíferas, o que criaria uma guerra aberta entre elas. E o que quer dizer uma guerra aberta num mercado? Lucky Days para os consumidores, o mercado seria forçado finalmente a funcionar.
E isto sou eu que sou um optimista benfiquista que acho que tudo acaba sempre em bem.
É uma solução rebuscada é certo, tudo seria mais simples se a autoridade da concorrência funciona-se, mas infelizmente como todos sabemos, não é o que sucede.
Resta-nos a nos meros e simples consumidores usar todo o poder que temos, que é bastante, para travar esta injustiça.
Acabem com o Gamanço!
http://www.gamanco.blogspot.com
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Antonio Cunha Reply:
Janeiro 25th, 2010 at 10:02
Caro amigo (gostava de chamar qq coisa)
Se não abastecer na GALP o unico prejudicado será o retalhista, que nã maior parte das vezes é um empresário que nada tem a ver com a empresa.
Quem tem que ser atingido é a GALP grossista que tudo controla e tudo Monopoliza.
Acabem com o Gamanço! Reply:
Janeiro 30th, 2010 at 15:02
Caro António
Esqueci-me de lhe responder durante a semana, e agora também não tenho grande tempo para o fazer. Sugiro que apenas o seguinte: vá ler atentamente este post acabadinho de sair: http://gamanco.blogspot.com/2010/01/o-preco-do-petroleo-cai-nos-mercados.html
E perceba de uma vez que toda e qualquer medida de boicote, bloqueio, ou ataque à galp por pouco efectiva que possa ser, é extremamente positiva e um favor que fazemos ao zelo pela nossa liberdade individual.
Se quiser, trate-me por Gamanço, Acabem com o Gamanço!
http://www.gamanco.blogspot.com