Quatro dias antes da Lehman Brothers decretar falência, os seus gestores planeavam entregar 20 milhões de dólares em “pagamentos especiais” a três colegas que tinham saído do banco. O CEO da Lehman Brothers, que recebeu mais de 350 milhões de dólares em compensações nos últimos oito anos, diz-se profundamente atingido pela falência da empresa. Afinal, como o próprio indica, ainda tinha vários milhões de acções do banco quando a Lehman Brothers fechou as portas. Os liberais têm razão. O Estado e a regulação dos mercados só empatam. O que é preciso é premiar os gestores, envolvê-los nos riscos da empresa, e limitar o moral hazard. A mão invisível trata do resto. Como se vê.


13 respostas ao post “‘Your company is bankrupt, you keep $480m. Is that fair?’”  

  1. 1 1  Causa Vossa

    Mas vocês ainda acreditam na existência de liberais, ideiais puros … são vocês uns “attentive public ou um public umbigo”? Isso é quase como acreditar na existência dos glutões! É que puros só os puros-sangue!

    E se se preocupassem antes com os recibos verdes, cancro nacional e outras enormidades, mais factuais, menos distantes, mais fracturantes entre as elites do poder, newspapers men inclusos, e os … Portugueses!

    Inscrevam-se, por exemplo, no MEP … esperança Portugal http://causavossa.blogspot.com/2008/10/os-movimentos-nova-esperana.html

    [Responder]

  2. 2 2  Tarzan

    Em situação de mercado regulado, estas e outras situações bem mais escandalosas são possíveis (ver caso do ex-presidente da ERSE). Desconfio que a regulação adiante grande coisa na resolução destes casos, antes pelo contrário.

    [Responder]

  3. 3 3  Hugo

    Causa Vossa: “Mas vocês ainda acreditam na existência de liberais, ideiais puros

    Pelo menos um existe, não só me considero liberal, considero-me libertário e tenho muito orgulho nisso.

    Em relação ao post, é profundamente demagógico, qualquer liberal que se preze nunca aceitaria esta ajuda aos bancos, vai contra a concorrência.

    [Responder]

  4. 4 4  PR

    Isto não vai acabar bem…

    http://takea-break.blogspot.com

    [Responder]

  5. 5 5  causavossa

    Hugo, liberais não são os libertários, libertário é nosso … senhor Jesus Cristo!

    [Responder]

  6. 6 6  Sebastião Dias

    Mas isso não tem a ver com o liberalismo em si. Isso são casos de policia.

    Se situações menos claras de desvio ou má gestão de dinheiro de empresas públicas se passassem – e passam – são também casos de policia, não é a prova de que o sector público não funciona.

    Escusam os ex-comunistas-agora-sociais-democratas-reciclados estar todos contentinhos a pensar que agora é que o capitalismo acabou. Não acabou, não vai acabar, vai-se refinar.

    [Responder]

  7. 7 7  Pedro Sales

    Sebastião Dias,

    Alguém falou do fim do capitalismo? Onde é que ouvir isso? Esse tem sido o argumento da direita mais avessa a ouvir falar em qualquer hipótese de regulação, tentando agitar o papão do socialismo, como se a solução para contornar a crise se reduzisse ao capitalismo como o conhecemos ou o socialismo. Isso é uma visão ahistórica do desenvolvimento do próprio mercado e das leis que o regulam. O capitalismo crescentemente financeiro e desregulado tem menos de 30 anos. Não é o fim da história, sabe.

    E casos de polícia porquê? Este senhor fez o mesmo que centenas de gestores, apenas a uma escala maior e com maior estrondo (a empresa faliu) têm feito. Ou não se lembra dos epítetos atirados a todos quantos, entre nós, se lembram de falar das crescentes disparidades salariais.

    Não quer dizer que não venha a ser preso, mas não me parece que seja por causa destas revelações.

    [Responder]

  8. 8 8  Fernando Penim Redondo

    O que mais perturba, neste ponto da crise mundial, é percebermos que ninguém tem uma ideia que seja alternativa ao primado do dinheiro, ou melhor, ao primado de quem possui dinheiro em espécie ou sob outra forma qualquer.

    A tão incensada intervenção do Estado consiste, no essencial, em usar o nosso dinheiro para restaurar os mecanismos que tanto criticamos. Não precisamos de mais Estado, precisávamos de um “homem novo” que, ao contrário do outro, não esperasse pelo Estado para lançar mãos a uma nova economia.

    Em certo sentido têm razão aqueles que dizem que “este é o nosso mundo”, aquele que talvez venhamos a recordar com saudade apesar das suas taras e injustiças.
    As ilusões e os virtuais em que temos vivido, de forma crescente, nas últimas centenas de anos, permitiram criar um “castelo de cartas” em que muitos de nós, apesar de tudo, gozávamos um relativo conforto. Talvez faça até sentido perguntar se não faz parte da condição social do homem a permanente criação de “castelos de cartas”, sejam eles religiões, utopias ou mercados. Viveríamos melhor sem eles ?

    Veremos dentro em breve, quando a crise se agudizar, quantos dos críticos do sistema estão preparados para abdicar das mordomias de que usufruem.
    Ninguém se preparou para o colapso; se calhar não faz sentido alguém preparar-se para um colapso.

    [Responder]

  9. 9 9  João Pedro

    Pelo menos desde Nash que se provou que a mão invisivel de Adam S. não funciona, ou se funciona dai não resulta o óptimo. O estado deve regular e fazer aplicar as regras para não ter de intervir como se tem visto pelo mundo fora.
    É claro que se se deixa o pessoal fazer o que quer dá asneira. Muito raramente se vê um jogador assumir que fez uma falta, para isso é que lá está o arbitro. Quando vir um jogador a assumir que fez penalti nem vou acreditar.
    Em relação aos gestores, dizer que se há país em que eles são responsabilizados é os EUA. Lá vão presos vários anos se se prova que cometeram ilegalidades, o mesmo já não se pode dizer deste nosso país em que após terem uma gestão danosa algures ainda são recompensados com um tacho público e andam por ai como se nada fosse. Quero com isto dizer que em termos de responsabilização de gestores temos muito a aprender com os americanos..

    [Responder]

  10. 10 10  Luis Moreira

    É preciso responsabilizar quem ajudou á festa e quem ganhou com tudo isto. Chegou onde chegou porque havia muita gente interessada e “a burro que está a comer não se lhe deve mexer na barriga” !

    [Responder]

  11. 11 11  Stran

    Existe algo bastante perturbador sobre este periodo: a falta de informação.

    Já muito se foi dizendo sob esta crise, mas ainda não se falou em números.

    E presumo que este silêncio é benéfico para todos, para os que cometeram os erros, para os que querem manter as suas relações de poder, para os que querem aproveitar esta altura para solidificar ideologias mais extremistas.

    Esta é a pior altura para se falar em ideologias!!!

    É urgente saber o problema para se poder rapidamente passar para a solução do mesmo.

    [Responder]

  12. 12 12  Joaquim Teixeira

    O grande problema é que o capitalismo gera ganância e para satifazer a dita, atropéla-se tudo e todos.
    Veja-se a promiscuidade público-privada: Se uma empresa pública dá lucro, aparecem os abutres a exigir privatização. Se uma privada dá prejuizo, injecta-se capital ou mandam-se os trabalhadores para a rua da amargura.

    [Responder]

  13. 13 13  Nom_de_Guerre

    Antes de ser liberal, conservador, libertário ou libertino sou essencialmente livre de escolher o estereótipo cultural que me apetecer. ;)

    [Responder]

Leave a Reply