Sem respostas ao post “Agora tentem com pobres”  

  1. 1 1  Joca

    O que Clara Ledo não diz é que há entrevistas selectivas antes dos alunos serem admitidos no colégio, como aliás em qualquer colégio privado. E quem se porta mal é “convidado” a procurar outro poiso imediatamente.
    Tentem fazer isso numa escola pública. Caía o Carmo e a Trindade. Mas como é em madrassas católicas, já é aceitável.

  2. 2 2  António

    “Fazendo só referencia aos valores de maior expressão, vemos que nas habilitações literárias 42% dos pais, e 53% das mães têem o 4º ano de escolaridade ou inferior, o que se situa acima dos valores, em termos percentuais, para o global da população do concelho.”
    O concelho é Évora, e os dados referiam-se a 2004. Como não deve ter existido grande alteração nas habilitações da população quererão eles abrir aqui uma filialzinha, por caridade senhores…

  3. 3 3  Zé da Póvoa

    Por experiência própria como encarregado de educação, nunca tive dúvidas quanto à boa qualidade de ensino nos particulares (há excepções). Ali, quando os professores faltam (raramente),há sempre um substituto. No colégio onde andou o meu filho era o próprio Director e dono do colégio quem substituia os faltosos. A disciplina é diferente, o cuidado com o ensino não tem nada a ver com o oficial onde os prof.s se portam como elementos de comissão liquidatária.

  4. 4 4  Lino José

    Eu para mim, quem se porta mal dentro de uma escola de forma reiterada, e por portar mal entende-se faltas disciplinares graves a ponto de pertubarem o ensino, porem em causa a autoridade do professor e prejudicarem o resto dos alunos, deveria, pura e simplesmente de ser corrido e até mesmo os pais responsabilizados.

    Se essas “madrassas” fazem isso, fazem elas senão bem.

  5. 5 5  Marco Oliveira

    Mais uma vez andam a publicitar uma avaliação que é perfeitamente primária.
    Será que esta gente não percebe que tirar um 15 numa escola num meio desfavorecido é muito mais meritório do que tirar essa mesma nota numa escola situada num meio favorecido?
    Quem elabora um ranking desta maneira anda a prestar um mau serviço à Educação em Portugal.

  6. 6 6  Nuno Santos Silva

    No meu blogue propus o seguinte exercício:

    Tentem descobrir qual o custo anual de propina + inscrição + suplementos pagos por aluno em cada uma das escolas (que estão no top 10). Agora dividam essa quantia pela média das notas.

    O resultado é o preço em euros por cada valor.

  7. 7 7  Tárique

    Estou a ver a conclusão lógica destes dados, e adianto-a antes dela aparecer no insurgente, blasfémias, atlantico etc.:

    Urge investir mais na escola pública, para que alcance os níveis de sucesso da escola privada! Foi o que a Finlândia fez para nos ultrapassar há década e meia. Investimento público na educação! Todos os dados confirmam que precisamos de mais!

    ps: um truque muito simples que era usado para fazer uma escola subir no ranking era sugerir (ou forçar) os alunos com médias positivas baixas (10, 11) a se desmatricularem e irem a exame como auto-propostos.

  8. 8 8  João Norte

    Nesta ” falácia” do ranking das escolas o que os “média” não dizem é que o resultado da última escola representa um muito maior esforço dos professores do que o dos colégios privados. Atente-se apenas em que 30% dos alunos provêm de famílias de subsídio de sobrevivência. Alguma escola pública pode escolher alunos? Algum colégio privado tem como alunos os “miseráveis” deste país?

  9. 9 9  Ricardo

    Já repararam na justificação principal para o sucesso? Os valores cristãos (a escola pública laica tem um ataque implícito) e a separação dos sexos. Podiam ao menos falar que a fórmula para o sucesso passa pelo corpo docente estável, acompanhamento personalizado, investimento constante (sem chuva a cair nas salas). Outra matéria importante (espero que ninguém leve isto para a teoria da conspiração) está relacionada com o facto da futura “elite” do país sair destes colégios.

  10. 10 10  Ricardo

    Já repararam na justificação principal para o sucesso? Os valores cristãos (a escola pública laica tem um ataque implícito) e a separação dos sexos. Podiam ao menos falar que a fórmula para o sucesso passa pelo corpo docente estável, acompanhamento personalizado, investimento constante (sem chuva a cair nas salas). Outra matéria importante (espero que ninguém leve isto para a teoria da conspiração) está relacionada com o facto da futura “elite” do país sair destes colégios.

  11. 11 11  Sebastião Dias

    Até que enfim o vejo dar um destaque muito positivo à acção social da igreja. Será que ainda me vai surpreender um dia com postas sobre a assistência hospitalar da igreja, o apoio aos pobres e carenciados, às mães solteiras em dificuldades, aos sem abrigo, as visitas a doentes em hospitais, o acompanhamento de pessoas idosas, a realização de vendas para recolha de fundos, etc, etc?

  12. 12 12  Fado Alexandrino

    Posted by: Joca | outubro 24, 2007 04:20 PM

    Dirijo-me a si, mas implicitamente também ao dono do blog.
    Em primeiro lugar quero dizer-lhe que se vamos tratar um assunto com elevação o insulto gratuito estraga a pintura e pode, porventura, fazer desaparecer os argumentos.
    Chamar a um colégio privado “madrassas católicas” pode ser uma hipérbole esquerdista muito bem vista no Procópio mas mostra que quem a escreve não sabe o que é o privado, não sabe o que é uma madrassa e não sabe o que é a religião católica.
    Um mau começo, portanto.
    Daniel Oliveira parece querer induzir que com os pobres este sistema também iria produzir bons resultados.
    Ora aqui, e a minha argumentação vale para ambos, não está em causa a riqueza.
    Está em causa dois métodos de ensino.
    Um onde a disciplina e a ordem, dois valores muito queridos da direita, mas que a esquerda não tolera por limitar as liberdades individuais é soberano.
    Outro onde os soberanos são os alunos que fazem o que muito bem lhes apetece, ao ponto de o PGR considerar que a indisciplina nas escolas é um dos principais problemas do País.
    Foi no que deu todos estes anos de educação formatada pelos marxistas que se acantonaram a fazer experiências no Ministério da Educação.
    Portanto o método seguido naquele colégio, com resultados comprovados, podia e devia ser seguido nas escolas públicas com pobres, remediados, pretos, amarelos e azuis.
    Professores não faltam.
    Falta é disciplina mas a esquerda gosta tanto do “é proibido proibir!”

  13. 13 13  Lidador

    Com pobres de espírito não funciona.

    De resto, o que o Daniel quer dar a entender é a habitual patacoada da culpa da sociedade.

    Daniel,isto já foi estudado por gente que sabe: os filhos de gente bem sucedida têm várias vantagens, é evidente.
    Mas a mais importante, foi-lhe legada 9 meses antes de nascerem.

    Em termos médios, evidentemente, o que não impede que haja indivíduos que nasceram no meio da lama e lograram atravessá-la sem um salpico…gente de muitíssimo valor (Belmiro de Azevedo, Adriano Moreira, etc,etc) e outros que nasceram em berço de ouro e acabaram atulhados no lodo.
    Mas, em média, a probabilidade de filhos de pais bem sucedidos terem uma vantagem inata, é muito maior.

    Steven Levitt (Freakonomics) explica isso muito bem, estribado em estudos sobre grandes bases de dados).
    Na verdade explica até porque o aborto livre, contribuiu para a diminuição da criminalidade nos EUA…parece que como quem tendia a ter filhos à desgarrada era gente de meios disfuncionais, dando-lhes hipoteses de abortar, contribuiu para que nascessem menos uns milhares de potenciais criminosos.

    Claro que o bom do Levitt, ia sendo linchado pela patrulha.
    Epuore si muove.

  14. 14 14  marieta

    antes da invasão do Afganistão, também aí as madrassas, escolas do Alcorão, apresentavam um aproveitamento excelente, depois disso, não!

  15. 15 15  MigPT

    O DO, na sua paranóia igualitária, não percebe que o actual sistema é que impede os mais pobres de chegarem a estas escolas de excelência. A inveja endémica desta esquerda impede-os de perceber esta simples correlação. O sistema de financiamento da oferta é um sistema muito mais injusto para uma família pobre do que para uma família rica, ao contrário do financiamento da procura.

  16. 16 16  Manoel d'Oliveira

    E então? Onde é que você quer chegar? Que da forma como o ensino está organizado, só é possivel obter bons resultados em escolas de ensino confessional, destinadas às elites e com uma perceptora por cada aluna? Será isso?
    Já agora, você acha que isto tem alguma novidade em relação ao resto do mundo, e ao que se passa nos dois últimos séculos? Sabe qual é a escola na Holanda com melhores resultados? E nem sequer vou falar na Inglaterra…

  17. 17 17  Paulo Ribeiro

    Joca, e que o ensino é pago principescamente… Em Portugal é preciso pagar balúrdios para ter acesso a um ensino decente. Que palhaçada. De qualquer forma, mantenho-me adepto do ensino público. Nele as coisas são diferentes, há uma diversidade bem mais interessante do que nos colégios de cócós…

  18. 18 18  tonibler

    Quando alguns estados dos Estados Unidos introduziram o cheque, o resultado foi semelhante, principalmente entre os pobres. Eu sou ateu, irritam-me padres e em caso algum meteria um filho meu ao lado de um padre. Agora, podemos ir na conversa deles e acreditar que têm boas notas por causa da religião e moral, ou podemos saber a razão do sucesso. Podemos arranjar todas as desculpas do mundo para esconder que nessas escolas são as escolas que escolhem os professores ou podemos arranjar desculpas.

  19. 19 19  Justicialista

    A pobreza para mim não é desculpa para justificar os maus resultados dos exames nas escolas públicas. Precisamente deveriam ser os pobres que deviam ser os primeiros a ver a educação como meio de ascenção social. E por outro lado, a incompetência, impreparação e laxismo dos professores das escolas públicas são também responsáveis pela assimetria dos resultados. É que ao lado de professores muito bons e dedicados, existe uma outra metade que acomoda-se aos vícios que o actual sistema, sem avaliação nem compensação do mérito [quer para professores, quer para alunos], permite.

  20. 20 20  Filipe Tourais

    A selecção também se faz na escola do público que aparece a seguir na lista. E os alunos também são pressionados a sair quando têm más notas
    Falta só dizer que fica situada numa zona nobre da cidade, em que se pagam muitos euros por metro quadrado, mas isso nada tem que ver com o aproveitamento escolar dos meninos.

  21. 21 21  Daniel Oliveira

    «Até que enfim o vejo dar um destaque muito positivo à acção social da igreja.»

    A Igreja até tem trabalho social e muito dele deve ser elogiado. Não são seguramente estas escolas para gente abonada.

  22. 22 22  The Studio

    Bem, antes de mais há que felicitar e elogiar a Igreja Católica, pois independentemente das circunstâncias, eles apresentam resultados.

    Quanto às justificações, já sei o que o Daniel vai dizer: É a discriminação, é a pobreza, são os guetos, é a exclusão, é a falta de integração, o desemprego dos pais…

    Mas uma coisa é certa: Nas escolas Católicas há ordem, disciplina e método, o que certamente influencia os resultados das escolas. E se o Catolicismo fosse alargado às restantes escolas, certamente que os resultados destas não seriam piores. Ou seja, o país só teria a ganhar se a religião Católica fosse introduzida nas escolas. E os factos estão aí para o provar.

  23. 23 23  Daniel Oliveira

    Estas são escolas de luxo, o serem católicas é irrelevante. Os maus alunos nem sequer lá ficam, o que ajuda a manter uma média boa.

    De resto, meu caro The Studio, já sabemos que o senhor vive exaltado com a ordem. Mas agradecia que não impusesse a sua religião nas escolas do Estado. Eu tenho uma filha. O senhor lá entenderá como educar os seus, se os tiver, mas agradecia que deixasse a minha em paz. S quer muita ordem e muita reza, trate de trabalhar muito, fique muito rico e meta os seus filhos nas escolas da Opus.
    E que é mais difícil um camelo entrar no buraco de uma agulha do que um pobre entrar nas escolas da Obra.

  24. 24 24  Fado Alexandrino

    Será que esta gente não percebe que tirar um 15 numa escola num meio desfavorecido é muito mais meritório do que tirar essa mesma nota numa escola situada num meio favorecido?

    Eu não sei se o senhor reparou, que com fina ironia, acaba de avalizar as teses de Watson.

  25. 25 25  Pedro Sá

    Devia ser proibida a existência de colégios monossexuais. Isso é anti-natural.

  26. 26 26  Karl Macx

    30 anos.

    12 anos em escolas públicas.

    Média de 15,8 (dentro e fora do estabelecimento);

    Nunca teve tutores e, até ver, nunca precisou de acompanhamento para não reprovar.

    1 licenciatura;
    1 pós-graduação;

    Ateu.

    Rotulado de Esquerdista.

    Agora embrulhem e levem para os colégios privados…

  27. 27 27  Nuno

    Claro q a diferença está nos alunos e não nas escolas!
    Qto à religião e moral, eu conheço algumas meninas que frequentaram o colégio católico Mira Rio e o seu comportamento é muito pouco católico! E ainda bem!

  28. 28 28  unsilent

    Apenas a título de exemplo:€416 é o montante que um aluno do secundário paga mensalmente no Coléio do Sagrado Coração de Maria em lisboa(o ordenado mínimo anda à volta de €403). Esta foi uma das escolas que obteve das mais altas notas no ranking.
    Por €416/mês a escola até que podia ser satânica, e ensinar, nas aulas de música, dark-metall aos putos em vez do repertorio da Mafalda Veiga e do Roberto Leal…as notas não iam sofrer muitas alterações.Não me venham com “a formação espiritual e religiosa das alunas”, a verdade é que para ter educação de qualidade em Portugal, só pagando e bem.

    Apraz-me citar aquele livro de contos(que sabe-se lá porquê há quem o leia quase como se tivesse sido escrito por Deus…go figure?):
    Efésios 6:1 “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.”
    ps:Já agora aproveito para deixar tambem um grande bem-haja ao comportamento estritamente católico das meninas dos Salesianos, quem quais missionárias professam a fé critã pela noite lisboeta…

  29. 29 29  Justicialista

    Não vejo qual porque é que a disciplina (não confundir com ordem), o rigor e qualidade na educação tem de estar ligada à Igreja Católica. O problema do país é esse: pensar que para se ter virtudes tem necessariamente de se ser religioso. Agora uma coisa é certa: no tempo de Salazar os poucos que tinham acesso à educação, tinham uma educação de qualidade e de excelência. Nada comparada com a bandalheira que agora existe em quase todas as escolas públicas. Basta ver uma prova de 9º ano ou do secundário para se perceber que não se aprende nada e em muitos casos desaprende-se com este sistema de ensino.

  30. 30 30  Joao Duarte

    3 notas enquanto ex-aluno do S Joao de Brito.

    1º - só se era convidado a sair se se chumbasse 2 vezes no mesmo ano.

    2º - havia e há, vários alunos de diferentes religiões. A ninguem era obrigatório a ida à missa, e a presença desses alunos nas aulas de Religião era utilizada para procurar pontes ecunuménicas.

    3º - o ensino nocturno do colégio permitiu e permite, a muita gente que abandonou os estudos, voltar à escola e beneficiar do excelente corpo docente, havendo muitos professores comuns ao ensino diurno. Pena é que o Estado só tenha decidido quanto iria atribuir este ano de subsidio após as inscrições, tendo obrigado o colégio a congelar centenas de matriculas. Neste momento há APENAS 500 alunos no ensino nocturno.

  31. 31 31  Sebastião Dias

    «E que é mais difícil um camelo entrar no buraco de uma agulha do que um pobre entrar nas escolas da Obra.»

    Não é assim, Daniel, está a revelar ignorância nas afirmações que faz, muitos alunos há nos colégios da Opus Dei, e noutros dos melhores colégios católicos, que são de familias desfavorecidas e que nem sequer pagam propinas. Acontece que estas vagas são atribuídas a alunos brio, mérito e bons resultados.

    Acho também que num universo de escolas em Portugal, em que há as melhores e as piores, é de destacar o facto de que a igreja católica ocupa os cinco primeiros lugares, o que quer dizer que todos os outros colégios particulares, também para meninos ricos, são piores, o que diz muito acerca da qualidade destas escolas.

    Por fim, mais uma vez acuso a sua lógica enviesada. Em vez de dizer às escolas pior classificadas «vejam o que eles fazem bem e sigam o bom exemplo» - e ainda bem que há muito bom ensino em Portugal -, prefere aproveitar para mais uma vez tentar morder os calcanhares da igreja católica.

    A igreja é uma grande instituição, sabe? Muito sábia, já cá está há mais de 2000 anos e acredite que vai perdurar no tempo.

  32. 32 32  anonimo

    (“A selecção também se faz na escola do público que aparece a seguir na lista. E os alunos também são pressionados a sair quando têm más notas.”)

    Selecção, não selecção? Eu sou a favor da selecção, mas não da selecção que parece resultar do comentário atrás citado, da selecção pela exclusão, eu sou a favor da selecção pelas capacidades demonstradas da selecção pelo mérito da selecção positiva e não negativa. Não sou a favor do egualitarismo nestas questões.
    Eu tenho provas que a selecção é positiva ou pelo menos não estraga.

    Acho errado pressionados a sair, mas não acho errada a selecção.

    Explicando melhor, eu tenho um exemplo com um filho meu que presentemente esta na faculdade de medicina.
    Tendo frequentado o meu filho uma instituição de ensino privada desde a pré primaria ate ao 12º ano. A instituição quando os alunos chegarem ao 10 ano e conforme o percurso escolar e interesse demonstrado até aí, criou três turmas, uma com os bons alunos de medias excelentes, outra de médios, e outra com os restantes. Não convidou ninguém a sair por más notas, nem as matérias tinham sido ate ai ou depois dai diferentes, era o programa oficial, nem os professores. Simplesmente agrupou conforme as capacidades intelectuais demonstradas e respectiva aplicação. Os alunos continuaram a ser os mesmos não se criaram muros nem separações, o convívio foi sempre o mesmo e ainda é apesar de os percursos se terem distanciado. Isto não influi minimamente na psicologia dos alunos já não digo o mesmo em relação aos adultos.
    Acontece que a competição passou a ser outra, e os melhores de facto competiam com os melhores, para não estragarem a média, estudavam, diziam que o querer tirar boas notas se tinha tornado como um vicio, não eram desviados por más companhias para jogos, divertimentos, ou vícios faltando as aulas. Todos eles chegaram a universidade para os cursos pretendidos e que exigiam as melhores medias de entrada, os outros ficaram limitados as capacidades intelectuais e possivelmente a sua falta de aplicação desmotivação etc, enveredando pelos cursos técnicos profissionais de entrada rápida no mercado de trabalho e desistências.

    “A pobreza para mim não é desculpa para justificar os maus resultados dos exames nas escolas públicas. Precisamente deveriam ser os pobres que deviam ser os primeiros a ver a educação como meio de ascenção social.”

    A pobreza não é desculpa, nem a inteligência é transmissível, mas a riqueza ajuda muito.
    A capacidade económica dos pais reflecte-se nas possibilidades de aquisição de conhecimento dos filhos e não só em bens materiais e de apoio a sua educação.
    Alunos que frequentam aulas e pós aulas tendo explicações a quase todas as disciplinas como eu vi muitos pagando a volta de 10euros hora digam lá que não ajuda.
    Também é bem verdade que muitos nem lá iam com estas manigâncias.

  33. 33 33  RAF

    Daniel,
    Não são escolas de luxo, não. O custo anual por aluno é equivalente ao da Escola Pública. Dá que pensar, não dá?

  34. 34 34  Berto

    O concelho onde vivo tem perto de uma dezena de escolas públicas. A maioria delas tem mais de mil alunos cada, sendo muitos deles oriundos de bairros sociais. Apesar do esforço reconhecido dos conselhos directivos a média geral de notas é baixa e há muita indisciplina. O abandono escolar é alto. Uma destas escolas inserida numa zona onde não existem bairros sociais por perto, faz uma selecção de alunos de acordo com o seu aproveitamento e disciplina, ou seja, expulsa os indesejáveis que vão para as outras escolas. Os professores são aconselhados a inflacionar as notas positivas e a evitar dar negativas, simplificando testes e não exigindo muito aos alunos. Esta escola pública está no topo do ranking nacional e tem +/- 500 alunos.
    Não quero generalizar, mas a única diferença entre esta escola pública e uma escola privada é que uma não se paga e a outra paga-se e bem.
    Já agora a escola fica na Quinta do Marquês no concelho de Oeiras.

  35. 35 35  Rui NS

    Daniel Oliveira,

    Pode ler o meu comentário aqui: http://farmaciacentral.wordpress.com/2007/10/25/daniel-e-os-pobres/

    Cumprimentos.

  36. 36 36  Joca

    Fado Alexandrino:

    Quando “lê” um insulto na minha comparação entre um colégio privado de confissão católica - cuja responsável destaca a importância da componente religiosa para o sucesso - e as escolas confessionais islâmicas, vulgo madrassas, o Fado diz tudo acerca do espírito de tolerância com que encara quem contradiz as suas convicções. Eu somente procurei enfatizar a incongruência dos rankings, quando pretendem comparar o que não tem comparação. Ora isto foi o bastante para dar ao Fado Alexandrino vontade de armar um auto-da-fé aqui com o Joca. Não fosse o abençoado Marquês de Pombal e já cheirava a esturro. Isto sou eu a ironizar.

  37. 37 37  Karl Macx

    Posted by: anonimo | outubro 25, 2007 01:47 PM

    “Acontece que a competição passou a ser outra, e os melhores de facto competiam com os melhores, para não estragarem a média, estudavam, diziam que o querer tirar boas notas se tinha tornado como um vicio, não eram desviados por más companhias para jogos, divertimentos, ou vícios faltando as aulas. Todos eles chegaram a universidade para os cursos pretendidos e que exigiam as melhores medias de entrada, os outros ficaram limitados as capacidades intelectuais e possivelmente a sua falta de aplicação desmotivação etc, enveredando pelos cursos técnicos profissionais de entrada rápida no mercado de trabalho e desistências.”

    Ora, este anónimo de certeza que não vive em Portugal, senão vejamos:

    - Imaginar que é a capacidade intelectual que define as “más companhias” é negar que existem muitos ilustres quadros empresariais e do estado consumidores de drogas!
    Até porque conheço gente que tirou o 9º ano de “bilhar aplicado” bem mais inteligente que muitos “doutores” que para aí andam!;

    - “Todos eles chegaram a universidade para os cursos pretendidos e que exigiam as melhores medias de entrada, os outros ficaram limitados as capacidades intelectuais”, esquecendo-se que as médias são definidas pelo número de vagas e só se conhecem depois de todas as vagas serem ocupadas. Mais, se esses entram nos cursos com as médias mais altas e os restantes entram nos cursos - quando entram, presumo eu que quererá dizer - “limitados as capacidades intelectuais”, significa que os milhares que entram na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto são mais “limitados” que os poucos que entraram na Independente?;

    - “enveredando pelos cursos técnicos profissionais de entrada rápida no mercado de trabalho”, que, como toda a gente sabe, excepto o anónimo, são o garante do funcionamento do País ( que isto só com doutores e engenheiros não vai lá…).

    Por isso, anónimo, explique-me alguns pontos:

    1- Quantos anos tem o curso do seu filho?
    2- Há quantos anos ele está para o fazer?
    3- Quantos anos mais pensa que ele irá ficar a ocupar a vaga de quem, não tendo a sorte de estudar no ensino privado toda a sua vida, até obtém melhores médias?
    4- Ele sabe mudar uma lâmpada?

    Como vê, não só não é preciso “canudo” para se ser inteligente, (e a prova é o anónimo que, quase aposto, tem diploma, mas ainda assim escreve baboseiras destas…), como a inteligência não é limitada pelo ensino.

    Só para que conste, fiz o meu percurso académico numa universidade privada e sabe o que se dizia lá? “Entrar é a coisa mais fácil do mundo, sair com o curso terminado é que dá dores de cabeça”. Não precisei mais do que os 4 anos da licenciatura. Pelos seus parâmetros, isso faz de mim um iluminado?…

  38. 38 38  anonimo

    Karl Marx, desatento, desatento, faz perguntas a que eu já dei resposta no comentário assim não da

    “limitados as capacidades intelectuais”, significa que os milhares que entram na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto são mais “limitados” que os poucos que entraram na Independente?”

    “Eu falava de selecção no secundário é obvio que eu falei em três turmas, falei de uma realidade concreta que se passou comigo, e falei precisamente que muitos dessa selecção não tinham sequer a menor hipótese de entrar numa faculdade, por competição de médias mas podiam apesar de não ter essa hipótese tendo dinheiro enveredar pelas privadas, (se fossem admitidos, ou entra-se sem mais nem menos nas privadas basta mostrar o Money.) como o senhor, por falta de média ou não. Não me interessam para nada as suas teorias, que alias diz que não é preciso canudo para ser inteligente e para mudar uma lâmpada, pois não, que seria dos burros se os inteligentes também ocupassem estes postos.
    Claro que o canudo não faz de si um iluminado poderia fazer de si um mestre na matéria em causa se fosse o caso.
    Nunca ouviu dizer que um burro carregado de livros é um doutor.

  39. 39 39  Lidador

    “nem a inteligência é transmissível”

    Por acaso engana-se.
    Em amostras significativas,os filhos dos peixes sabem nadar.

    Claro que alguns não sabem, e tb há filhos de não peixes que nadam muito bem.

    Mas em termos probabilísticos há relação entre pais inteligentes e filhos idem.

    As leis de Mendel ainda funcionam e agora até se sabe porquê.

    Não percebo como é que Outubro de 2007, alguém pode pensar que a “inteligência” é como um dom divino.
    Não é…o suporte é físico e esse, como se sabe, está todo naquele ácido helicoidal.

  40. 40 40  anonimo

    Pois Lidador, pois, voce é que sabe de genética e de senso popular
    Mas não se sabe ainda nada disso a não ser você, talvez daqui a uns 20 anos se possa saber algo em concreto entretanto vá buscando para os seus argumentos, psicólogos, que defendem por exemplo a curva de bell para justificar as desigualdades com base na inteligência. Sabe-se que há genes da esquizofrenia que podem estar ligados a inteligência, olhe se calhar foi isso que o tal Watson transmitiu ao filho e o fez influenciar o projecto genoma humano. Há tanto inteligente e super dotado filho de pais burros e tanto burro filho de pais inteligentes.
    O indivíduo é dotado de um património genético aquando a concepção (genótipo) que vai sofrer a influência do meio em que vive, desenvolvendo um conjunto de características que resultam da combinação da componente genética e ambiental (fenótipo).

    O que herdamos? Um genótipo, ou seja, um conjunto de predisposições ou tendências para apresentar determinadas características. Falou de Mendel? acertou
    É inegável a influência da hereditariedade nas características físicas de cada indivíduo (a cor dos olhos, do cabelo, da pele, a estatura, o peso, etc.). Já não se poderá estabelecer uma relação tão íntima entre a herança genética e as componentes de índole cognitiva ou características da personalidade.

    O desenvolvimento humano, depende de factores, o meio e da carga hereditária. Desde muito cedo o meio e a hereditariedade interagem, sendo difícil discernir qual o papel de cada um destes factores, sobretudo na definição de uma característica da personalidade, do nível de inteligência, das competências cognitivas de uma pessoa

    O mesmo genótipo pode levar a diferentes fenótipos, dependendo do ambiente, que todas as características e qualidades humanas resultam da interação da hereditariedade com uma sucessão de ambientes no processo de viver.

    Para que um indivíduo tenha alta inteligência (aliás, algo difícil de se definir), é necessário primeiro que ele tenha um sistema nervoso central formado pela interacção do conjunto de todos os seus genes com o ambiente durante o processo de desenvolvimento embrionário. Além disso, o indivíduo terá de sobreviver aos riscos da infância, ter certa saúde e ser educado em um meio propício.

    Ninguém herda um “gene da inteligência”, mas um genótipo que, como um todo, condiciona um certo nível de inteligência em complexa interacção com o ambiente. não herdamos vícios, gostos, desgostos ou comportamentos. Simplesmente herdamos uma constelação de genes, o genótipo.

    José Rueff explica ainda que todos os estudos que existem sobre genética do comportamento não permitem dizer que um indivíduo tem um gene que dita a inteligência, justificando que esta característica comportamental não é monogénica, mas sim multifactorial - como são muitas outras -, sendo fruto de uma acção combinada de aferências do meio com um grupo de genes”.

    ( coordenador do Centro de Investigação Genética Molecular Humana)

    sem mais comentários da minha parte

  41. 41 41  Fado Alexandrino

    Posted by: Joca | outubro 25, 2007 04:03 PM

    Muito obrigado.

    Conforme sabe numa madrassa há uma única disciplina que é decorar o Corão e aprender a manejar um cartucho de dinamite o que é um pouco diferente de um colégio católico que tem uma disciplina de Religião e Moral.
    Ora isto faz da sua comparação o quê?

    Mas não esteja preocupado nem vá a correr comprar nenhum extintor porque somos muito mais tolerantes do que pensa.
    Sobre este assunto (a educação) muito havia a dizer e estão para ai boas opiniões.
    Só vou acrescentar que hoje, num jornal, vem uma carta de lamentação de uma professora, da qual retiro um parágrafo auto-explicativo:

    Contudo, concordo, não é para qualquer escola; talvez para a escola onde trabalho - agrupamento vertical das escolas de Pedrouços na Maia/EB 2,3 -, uma escola com um projecto TEIP (território educativo de intervenção prioritária)

    Com este linguarejar vai ser difícil acabar com o eduquês

  42. 42 42  Daniel Oliveira

    «Conforme sabe numa madrassa há uma única disciplina que é decorar o Corão e aprender a manejar um cartucho de dinamite»

    Fado Alexandrino, o senhor sabe o que quer dizer “Madrassa”? Quer dizer escola. Qualquer tipo de escola em árabe. Até uma escola cristã é uma madrassa. Até as escolas de que estamos aqui a falar são, para um árabe, madrassas. Está portanto a dizer que nas escolas árabes só se aprende o Corão?

    Há escolas religiosas, onde os estudantes aprendem a ler o Corão, o que, em países não árabes é especialmente difícil. É uma espécie de catequese dos muçulmanos. Podem ter, não podem? Ou acha muito bárbaro?

    Dizer que nas dezenas ou centenas de milhares de escolas religiosas se aprende a usar o dinamite é apenas mais uma daquelas frases racistas que está na moda mandar para o ar. Já agora, devo recordar que a maior parte dos terroristas têm escolaridade superior e é pouco provavel que tenha sido numa escola religiosa que tenham adquirido essas sinistras aptidões. O mito de que os terroristas aprendem a ser terroristas nas madrassas religiosas é isso mesmo: um mito.

    Voltando ao básico: madrassas, se não se importa, são todas as escolas. Já que outro dia garantiu estar tão informado sobre o Médio Oriente, já que tem tantas certezas sobre a forma como os muçulmanos pensam e vivem, talvez não seja mau saber o mínimo dos mínimos. Não vá entrar em pânico quando uma criança árabe lhe disser que acabou de chegar da escola.

  43. 43 43  Joca

    Fado Alexandrino:

    Eu ia escrever que, retirando à sua afirmação a generalização explosiva, a madrassa ficava igualzinha a uma escola católica.
    Mas o Daniel antecipou-se e explicou tudo melhor do que eu.
    Ao Daniel tiro o meu sambenito.

    Joca (descendente de cristãos-novos)

  44. 44 44  Fado Alexandrino

    Posted by: Daniel Oliveira | outubro 25, 2007 10:36 PM

    Muito obrigado.
    Não tenho dinheiro para viajar e não há nenhum partido que me pague viagens de estudo e por isso o que sei é através da televisão.
    E olhe que não foi nada disso que se viu lá numas reportagens do Paquistão, mas se calhar era o São João de Brito lá da zona.
    E aprecio o seu cuidado com as minhas preocupações mas não faz parte das minhas intenções conhecer nenhuma criança árabe.
    E adultos muito menos.

  45. 45 45  Daniel Oliveira

    Fui ao Iemen, Siria e Turquia (que não é árabe) com o meu dinheirinho, se não me leva a mal.

    «não faz parte das minhas intenções conhecer nenhuma criança árabe.
    E adultos muito menos.»

    Faz mal. Podia até descobrir que são humanos.

  46. 46 46  Lidador

    [Já não se poderá estabelecer uma relação tão íntima entre a herança genética e as componentes de índole cognitiva ou características da personalidade.]

    A sua crença é piedosa, mas falsa.
    Todos os estudos realizados provam que os gémeos, mesmo que educados em meios diferentes, tendem a ter personalidades e capacidades semelhantes.
    http://psych.fullerton.edu/nsegal/twins.html

    A explicação razoável é a de que partilham genes idênticos…

    E a sua?

  47. 47 47  João Manuel de Simas Cília

    Um comentário já um pouco tardio. Espero ainda a tempo. Ler aqui:
    http://eusouogatomaltes.blogspot.com/2007/10/opus-dei-e-ranking-das-escolas.html

    Cumprimentos
    JC

  48. 48 48  anonimo

    Lidador, você não entende nada, e eu desisto de comentários consigo, você acha que a inteligência se compra na data da concepção e esta tudo dito. É um dom que os pais transmitem aos filhos na sua lógica, a sua comparação é de que lagartixa não chega a jacaré, porque você faz comparações do que não é comparável. Você encara a evolução e tem um conceito de raças como se a raça humana no seu percurso evolutivo tivesse evoluído para espécies diferentes, dando origem a varias espécies ou raças. Mas isso não é verdade porque a genética desmente-o. Portanto resta o
    (“grupos humanos visivelmente, diferentes.”)
    o visivelmente talvez diga tudo.

    Quanto a hereditariedade você dá predisposições genéticas, como dados adquiridos na transmissão genética assim como uma transmissão directa e certa
    Vou falar assim digamos numa linguagem de lotaria.
    Imagine que você joga no euro milhões no totoloto etc. Você faz e aposta numa chave formada por números. Esses seus números vão entrar juntamente com outros números na composição de uma chave definitiva. Os seus números entraram lá, na esfera giratória mas não entraram sozinhos e dessa combinação, recombinação de números vai ditar a respectiva chave. Se corresponder a sua pre chave, você é um homem de sorte.

    Transferindo para a hereditariedade genética

    Na genética também nunca se sabe a chave, transfira os números para os genotipos e fenotipos, tem previsões nas quais aposta. Se acertar esta na genialidade, no entanto a maioria anda no meio termo, o que já não é mau não caindo no oposto da genialidade.
    Essa chave é única entrou naquele sorteio e acabou, mas no ser humano para além de ser única é irrepetível, o que faz de cada um de nós um ser único, e no conjunto cada um sendo único, é diverso dos outros, o que vai contra as teses racistas de grupo, raça. Raça, pressupõe unicidade e nos navegamos pela diversidade.
    Em tudo isto existe um risco de aleatoriedade que você nem considera.

    Mas quando o senhor me interpelou num comentário

    (“dou de barato que não queira chamar raças aos grupos humanos visivelmente,
    diferentes.”) fiquei com a ideia reconfirmada que a sua visibilidade o impedia de ver a invisibilidade.

    Claro que a ciência avança e já é possível prever algumas chaves, e evitar essas combinações estamos a jogar com duplas ou triplas, de modo que já sabemos que determinadas combinações genéticas podem acarretar determinadas doenças ou defeitos

    Mas isto já nos leva para outro campo da ética e da moral, da criação se seres laboratorialmente perfeitos e se é de seguir esse caminho.

    Ainda hoje não esta mapeada a genética da inteligência, nem sequer esta definida satisfatoriamente. Ela não é uma função vertical, isolada, mas sim um complexo de funções, entre as quais a memória espacial, a memória verbal, o cálculo, a atenção, a habilidade visual - espacial, o raciocínio lógico, a abstracção e a fluência verbal. Sabemos que muitos desses componentes são transmitidos por um ou vários genes, sem saber quais são e em que cromossomas estão.
    Além da genética, o ambiente, os estímulos na infância, as experiências pessoais e muitos outros factores afectam a performance do indivíduo nos testes de QI. e nos testes da vida.
    O que o Dr. Watson deveria ter dito é que existem doenças genéticas que afectam a inteligência – como a Fenilcetonúria e a síndrome do Cromossomo X Frágil – e que a terapia génica poderia ajudar a curá-las. E é isso que ele tem tentado impulsionar a partir do seu drama pessoal.

    “meu filho já sofre de sua doença há bastante tempo, e só recentemente me dediquei a pesquisar sobre o tema. Nos últimos quarenta anos, estive mais voltado para a pesquisa do câncer. Ocorre que por muito tempo não tínhamos nenhuma pista na área dos distúrbios mentais”

    O Dr. Watson também parece que quer fazer um homem novo por engenharia genética perfeito, e aperfeiçoar os filhos.

    “Se um dia pudermos mudar os genes para que as crianças fiquem mais bonitas ou inteligentes, não vejo por que não fazê-lo.”

    Olhe e deixe-me em paz com estudos psicológicos nesta área.

  49. 49 49  anonimo

    “Todos os estudos realizados provam que os gémeos, mesmo que educados em meios diferentes, tendem a ter personalidades e capacidades semelhantes.”

    Na Inglaterra, Sir Cyril Burt morreu1971 exerceu grande influência por alterar o sistema de educação do país. Com base em estudos com gémeos idênticos, afirmava que a inteligência era determinada pela genética. Burt ganhou prémios e morreu em glória, com colaboradores no exterior. Um estatístico norte-americano viu que era impossível chegar àqueles dados. Foram ouvir os colaboradores de Burt. Mas eles não existiam.
    Leon Kamin, psicólogo de Princeton, chama a atenção para “esquisitices estatísticas” nos relatórios dos estudos dos gémeos de Sir Cyril Burt. Entre o primeiro estudo com 20 pares de gémeos e o famoso segundo estudo, com 53 pares, as percentagens permanecem idênticas.
    Olivier Gillie, repórter do Sunday Times, tem acesso aos cadernos de pesquisa de Sir Cyril Burt. A farsa cai de vez. A maioria dos gémeos do estudo nunca existiu, assim como as senhoritas Howard e Conway, que supostamente haviam feito as entrevistas com eles !
    Seria cómico se não fosse trágico. Sir Cyril Burt, cavaleiro do Império Britânico, enganou todo mundo. E morreu sem ser problemas. O estudo sobre os 53 pares de gémeos idênticos de Cyril Burt parecia ser o sonho de qualquer psicólogo. Gémeos separados são o estudo de caso perfeito para separar o que é hereditário do que é adquirido no contacto com a família ou com o meio em que se vive.
    Na época do estudo de Cyril Burt os partidários de que a inteligência é mais influenciada pela educação e pelas condições de vida do que pela hereditariedade estavam ganhando terreno. Mas a pesquisa de Cyril Burt dá novo fôlego à disputa. Suas conclusões são óbvias: a genética e a hereditariedade têm mais peso na inteligência do que o meio que se vive e a família.
    Vários psicólogos se apoiam nesse estudo para proclamar a origem genética das desigualdades sociais e raciais. Mas não foi a única farsa de Cyril Burt. Ele também falsificou outros trabalhos, como o que pretendia mostrar a degradação do QI médio dos ingleses no último século. Ainda tentou se fazer passar como o inventor da análise factorial, um complexo método estatístico, na verdade concebido por Charles Spearman no início do século.
    gémeos idênticos criados separadamente ainda apresentam um QI bastante similar (isto é, que o QI é, em grande parte, hereditário), esses estudos apresentam uma série de limitações. Primeiramente, o número de gémeos comparados é, em geral, extremamente reduzido, muito provavelmente não sendo representativos da população como um todo. Além do mais, o nível de diferenciação do ambiente, assim como a distância geográfica entre eles, não está muito clara. Um número significativo de gémeos criados separados tinham sido adoptados por uma tia, às vezes morando muitos próximos de seus irmãos gémeos, sugerindo, desta forma, um elevado nível de similaridade do ambiente.

    De fato, nos casos em que o ambiente diferia de forma clara, os escores de QI tendiam também a se diferenciar
    As crianças adoptadas não são geneticamente relacionadas com a família que as criam, de modo que as diferenças genéticas e ambientais não se confundem, as crianças criadas em famílias adoptivas, com todas as suas vantagens sociais e económicas, e com familiares com QIs acima da média, demonstram um nível mais alto de QI do que seria de se esperar, considerando o nível de QI de seus pais biológicos, caso os pais biológicos sejam oriundos deambientes com baixo nível sócio-económico.
    Estes dados indicam claramente que o ambiente desempenha um papel no desenvolvimento intelectual da criança que não pode ser desprezado.Dessa forma, se os genes herdados dos pais podem determinar o potencial que os indivíduos possuem para a inteligência, é o ambiente no qual o indivíduo está inserido que determina de que maneira o indivíduo irá desenvolver tal potencial.

    Um estudo de Scarr e Weinberg (1983; Minnesota AdoptionStudy) investigou a questão racial subjacente aos testes de QI, avaliando crianças negras, brancas ede raça mista adoptadas por famílias brancas. A hipótese dessa investigação era a de que as crianças teriam os mesmos níveis de desempenho em testes de QI, isto é, que as diferenças raciais normalmente observadas no QI desses grupos eram consequência de factores culturais e não de diferenças genéticas. Os resultados encontrados confirmaram a hipótese, ou seja, tanto as crianças negras adoptadas, quanto as de raça mista apresentavam escores acima da média em relação à população branca, e consideravelmente acima da média em relação às crianças criadas em comunidades negras, apesar de ficarem em torno de 6 pontos de QI abaixo dos filhos biológicos dos pais adoptivos. Esse resultado é similar ao encontrado por Eyferth em um estudo com filhos ilegítimos de soldados Americanos brancos e negros que ocuparam a Alemanha após a II Guerra
    Mundial (ver Flynn, 1980). O conjunto destes resultados indica não existir um argumento
    convincente em prol de uma causa genética para a baixa média nos escores de QI de crianças
    americanas da raça negra.
    Um outro importante estudo que questiona a causalidade genética da inteligência é a investigação
    francesa realizada por Michel Schiff e seus colegas (Duyme, 1988, 1990; Schiff, Duyme, Dumaret
    & Tomkiewicz, 1982; Schiff & Lewontin, 1986).

    De estudos e psicologos estamos conversados

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