Não é apenas absurdo fazer uma manifestação à porta da sede do PS quando lá iam reunir professores do PS . Num momento em que os professores socialistas começam a contestar de forma aberta a política educativa do governo não me ocorre nada mas estúpido do que os ir assobiar. Não sei de quem foi esta ideia peregrina que felizmente juntou apenas umas dezenas de pessoas. Mas Sócrates deve ter gostado. Fez mais em sua defesa junto dos professores do seu partido do que horas de argumentos. Brilhante!
Por Daniel Oliveira 16 Fev 08 em Educação, PS


Só é pena eu não ter sabido da iniciativa porque se soubesse eu era mais um a assobiar.
Estou farto destas malditas Corporações que só olham para o umbigo delas e para a manutenção ad-eternum dos privilégios sem nada darem em troca.
Que não falte a força e a coragem a José Sócrates para as porem no mesmo pé de trabalho e de sacrificios que todos os outros trabalhadores, como eu próprio, que lutam ao sabor das tempestades da economia, sem garantismos de emprego vitalicio, com avaliações diárias e sem eumentos anuais garantidos.
Força José Sócrates !
“Não sei de quem foi esta ideia peregrina”.
Daniel…..
Em calhando foram os tais “professorzecos” de que falavas num post anterior. Os tais que não são contam para a definição das políticas desastrosas deste governo.
Infelizmente têm de cometer estes actos “absurdos” para mostrar a sua indignação.
Caro Daniel, não concordo com a sua opinião.Bem haja a esses colegas por terem a coragem de dar a cara.O objectivo da manifestação foi protestar contra a política educativa do Governo e não apupar os colegas socialistas, penso eu.
Este seu admirador ( mas já simpatizei mais com o BE…).
Concordo em absoluto com o Daniel. Guardemos as forças para, nas escolas, lutar contra papeluchos virtuais que querem fazer passar por leis. Juntemo-nos contra todo este sinistro sistema de avaliação mas acho infantilóide andar atrás do homem a assobiar-lhe. Sejemos criativos nas formas de luta !
Lutar em todas as frentes e em todas as lutas.
Caro Carlos a posição de Daniel Oliveira não conrresponde à posição de muitos professores militantes e simpatizantes do BE.
Foi uma ideia GENIAL
Boas, eu próprio tinha escrito algo parecido com isto no meu blog. Acho que foi um tremendo tiro no pé. Não acredito que os professores, sejam do PC ou do BE, independentes ou não que estejam de acordo com isto. Trata-se de dar trunfos ao adversário.
JP
Aí está o Daniel a gritar contra desconhecidos. A FENPROF já se demarcou, não controlou este protesto. Só quem não está dentro daquilo que se passa actualmente dentro das escolas se pode admirar com esta atitude aparentemente anárquica e descontrolada. É um sinal dos tempos, do mal estar geral - dos professores do PS, do PSD, do PCP, do BE, e sobretudo de todos os outros que estão disponíveis para responder ao primeiro SMS que aparecer. Infelizmente, é este o estado de espírito da maioria dos professores que não fazem raciocínios tácticos e políticos. Sentem-se atacados e respondem, às vezes mal, dando uma deixa destas a um profissional da política e da propaganda que deixaria António Ferro envergonhado. Mas esta acção não deixa de ser um sinal de desepero e de impotência.
Interessante esta perspectiva de união com os professores socialistas que este membro do BE vislumbra.
Interessante!
Olaio, união com todos os professores. Socialistas, do PSD e até do CDS. Não percebe, pois não? Claro que não.
Eu só pergunto isto : se a porcaria dos professores não gosta do patrão (Estado) porque é que não sai ? Venham cá para fora. Venham à luta, como todos os que cá estão !
Só querem ter direitos, deveres nenhuns que esses são para os desgraçados que trabalham cá fora sem garantismos de coisa nenhuma !
Vocês os professores, como os FPs, e todos os privilegiados desta porcaria de país METEM NOJO !
Estes são os meus colegas para quem a Educação não é: Escolas, Alunos e Comunidades, mas sim BUROCRATAS, CONCURSOS NACIONAIS, DECRETOS DE LEI, MINISTROS , SECRETÁRIOS DE ESCTADO, ETC…
ESTES COLEGAS REPRESENTAM O ATRASO, MERECEM O QUE O ME FAZ.
Se a lhes perguntassem:
Concorda com a extinção do Ministério da Educação?
100% responderia discordo.
Concorda com as aulas de substituição?
100% responderia discordo.
Concorda com a contratação directa de professores pelas Escolas?
100% responderia discordo.
Concorda como exame de acesso à profissão?
100% responderia discordo.
Concorda com a autonomia das escolas?
100% responderia que não.
Nota, a maioria dos professores, onde me incluo, não pensam assim.
Errata:
ESTES COLEGAS REPRESENTAM O ATRASO, MERECEM O QUE O Ministério da Educação FAZ.
Se lhes perguntassem:
é esta a nossa esquerda do futuro?..valha-nos a do passado..
Eu não sei quem eram aquelas pessoas que foram assobiar á porta da sede de um partido politico,neste caso o PS,que disseram ter sido convocados por SMS e auto intitularam-se professores.A Fenprof diz não ter nada a ver com o que se passou.É completamente disparatado e espero que não pegue a moda,fazer manifestações á porta das sedes dos partidos politicos.
Pois eu penso que quem ficou mal no retrato foi, mais uma vez, o sr. Sócrates. Perante uma manifestação espontânea em que essas dezenas de professores foram mostrar a sua indignação, Sócrates disse que não passavam de militantes de outros partidos e que os conhecia muito bem - esses arruaceiros… Estes outros partidos com que ele vive obcecado está-se mesmo a ver que só podem ser o partido comunista (principalmente), mas agora também o bloco de esquerda. E isto confirma-se com a já conhecida reacção do PS à manifestação, que a classificou de estalinista e anti-democrática. O fim do Cavaco também começou assim: com a acusação de que quem andava a protestar eram os comunistas. Só que entre quem ali se manifestou estavam militantes e eleitores socialistas, de certeza. Professores socialistas fartos do desrespeito com que este governo tem tratado os professores e fartos de políticas que só vão contribuir para destruir a escola pública.
Esta manifestação justifica-se porque só os ingénuos acreditam que desta reunião com certos professores socialistas sairia ou sairá qualquer alteração na política educativa do governo. Como o sr. Sócrates já nos habituou, terá sido uma sessão de propaganda para quem o foi ouvir e uma sessão para acalmar os ânimos, para dizer que todas as suas medidas foram tomadas a pensar no bem da escola e dos bons professores. Tal como no caso da saúde, a sua nova postura «dialogante» só pretende enganar quem está prestes a explodir (como disse o Garcia Leandro) e fazer parecer que o governo até está atento e ouve as reclamações dos professores. Mas aquilo com que eles estão preocupados e aquilo a que eles estão atentos já se sabe o que é: são as eleições que se aproximam.
Os assobios têm pois várias razões de serem: são contra estas políticas educativas, contra a falta de diálogo e finalmente contra a postura hipócrita e cínica do Sócrates que quer dar a ideia de que dialoga. Parece-me que o assobio é fundamentalmente contra a impostura de Sócrates e contra a impostura dessa reunião (que seria um reflexo da de Sócrates).
Eu não disse?
«De acordo com um dos presentes na reunião, uma das três dezenas de intervenções foi de um militante que declarou a José Sócrates que muitos dos professores que votaram no PS em Fevereiro de 2005 não o fariam neste momento.
Segundo o mesmo socialista, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro respondeu de forma acalorada que não estava a trabalhar para as corporações, mas para o país e que o país precisa das medidas que o Governo está a tomar»
Não acredito que Socrates fique bem na fotografia, pois enquanto tentava acalmar os seus inquietava cada vez mais todos os outros… O homem está no labirinto que ele próprio construiu, mas como se sabe ele e a engenharia têm uma péssima relação.
Não percebi a sua diatribe. Haverá manifestação mais genuína do que aquela que não tem liderança. Foi mais uma circunstância que revela que os líderes deste país andam acéfalos e ceifando-os assim, revelam-se os pavores que os assistem. Todos viram o irrascível raciocínio do afrontado. A ideia da vitimização é peregrina. Ou ainda acredita nas sondagens compradas?
Então uma reunião com professores socialistas? Isto são os mecanismos da democracia? O estado novo também tinha o Conselho Escolar. Vão levar para o tarrafal os que ainda não entenderam as ditirâmbicas ideias em legislorreia contínua da autoria do ME e que já fede.
Que leitura foi a sua? Darem tiros no pé? Não pense que só os “spin doctors” e os colunistas da treta repetida até à exaustão formatam os acontecimentos e as mentes. Há muito que a rebanhada da “mocidade portuguesa” desapareceu e a democracia está a ressuscitar. Viu-se.
Ninguém é de ferro, nem Sócrates, Daniel, que lá deve compreender o excesso em paga dos muitos mais que faz, que eu nem já percebia como é que professores podiam calar tanto há tanto tempo se ainda lhes restava um pouco de voz na garganta pa gritar como gritaram e outros assobiaram, cansados de todo, acho eu.
Caro Lino José.
Eu também trabalho cá fora, sou trabalhador do comércio e tenho como salário 500 euros. Já agora fica aqui uma homenagem à minha mãe que me ajuda com 50 euros para pagar os juros “baixíssimos” da casa. Agora o que eu não chamo é nojento aos professores, tenho uma lista de pessoas a quem o chamar, mas não aos professores e outros trabalhadores.
O ataque a grupos profissionais especificos tentando colocar o resto da população contra os visados parece já não estar a resultar e isso incomoda o primeiro ministro. Habitue-se!
A mim parece-me mais que acertado manifestarem-se à porta do PS. O PS elegeu Sócrates com resultados ao nível dos da CGTP e a esmagadora maioria dos meus amigos e conhecidos do PS continua a gostar muito do Sócrates que defendem com unhas e dentes. Se é isto o socialismo bem merecem que os assobiem, quando o secretário-geral que cinco ou seis contestam internamente vai reunir com professores. O PS colectivamente tem mais que muitas responsabilidades na situação e tem permitido fazer todas as políticas de direita que antes impediu a direita de fazer.
Efectivamente que as pessoas que eu ouvi na televisão tiveram um comportamento de arruaceiros,a politica não se faz com assobios.Contudo tenho sérias dúvidas que sejam do PCP ou do BE,ou sequer que tenha partido destes partidos politicos as convocatórios por SMS.Aos comentadores que concordam com manifestações á porta dos partidos politicos só posso dizer o seguinte,que vão fazer se alguem se lembrar de fazer manifestações á porta do partido a que pertencem ou daquele que é da sua simpatia.Há certos populismos que longe de resolver os problemas só lhes trazem mais dificuldades
Daniel, devemos ser coerentes. Penso que é mais condenável e contraproducente, pelos prejuízoz que trouxe ao desgraçado do homem,
a invasão levada a cabo por um grupo de activistas (que não deram a cara) a uma propriedade privada onde se cultivam produtos transgénicos e que o BE não condenou. Diga-me se estou errada.
Não concordo com este tipo de local para se fazerem manifestações.
Mas, para além de Sócrates que a todos conhece, quem pode garantir que, entre aqueles manifestantes, não estariam elementos do PS ou que normalmente votam PS?
Se repararem bem, nas imagens da televisão, verão que ele não estava nada à vontade.
Sr. Daniel Oliveira
Os professores passam bem sem os spin doctors de segunda categoria que se albergam nos blogs.
Os professores expressam a sua mais que justa indignação sem calculismos. E ensinam sobre o que sabem, ao contrário dos senhores jornalistas que comentam sobre tudo e mais alguma coisa.
Afinal o que o incomoda? Não acha por exemplo as recentes declarações do Sr. Júdice, com o qual o seu partido é conivente na CML, bem mais graves e apetecíveis para comentário?
Dândi
você é trabalhor do Comércio, ganha 500 euros, pode ficar sem o emprego, é avaliado pelo patrão todos os dias e tem pena dos professores ?????
Ao pé de si e de muitos como você, eu incluido, os professores são uns lordes !
Não tenha pena deles !
Sabes o que eles são ? São uma Classe Corporativa que visa unica e exclusivementes a manutenção e até o aumento dos seus privilégios.
E sabes à custa de quem ? de você e de mim !
Sabe porque é que eles são contra toda e qualquer Reforma, essencial para o País, e para todos os portugueses que não eles ?
Porque uma Reforma a sério obriga-os a serem responsáveis, obriga-os a trabalharem e a justificarem os ordenados de luxo (comparados com o seu e com o meu) e o emprego para toda a vida que a Constituição só garante às Classes Corporativas que não aos outros.
E sabe porque é que a Esquerda Reaccionária os apoia ? Primeiro porque é Reaccionaria Conservadora e contra toda e qualquer mudança. Depois, por pura partidarite e pela cobiça dos votos desta gente.
E, por favor, não confunda o estatuto de trabalhador dessa gente com o seu ou o meu. São duas realidades completamente diferentes !
O Engenheiro José Sócrates disse a essa gente, e muito bem, que não governa para Corporações.
E tem todo o meu apoio !
Não são os Carvalhos da Silva, nem os Louçãs nem os Jerónimos que levam este país para a frente, porque esses não sabem construir nada. Debitam demagogia, slogans sem significado a cheirar a mofo, e estão todos eles, a viverem à conta do seu e do meu esforço !
The Teacher, adoro pessoas que falam em nome dos outros. “Os professores passam bem sem…”. Eles disseram-lhe? Nomearam-na? É sua representante?
“Os professores expressam a sua mais que justa indignação sem calculismos”. Todos os professores expressa a sia justa indignação da mesma forma? Nenhum é calculista? São todos muito espontâneos?
O que vale, é que no fim do seu comentário anónimo fica claro em nome de quem fala. Pena que Júdice tenha passado uma semana a atacar o vereador que a senhora ou senhor acusa de ser conivente com ele. Mas o que é que isso interessa. O que interessa é despejar a cassete. Note-se: uma cassete espontânea e nada calculista.
Sr. Daniel Oliveira:
Em relação ao “Teacher” o Sr. invoca “o comentário anónimo”, coisa que não costuma fazer quando esse anonimato é concordante consigo.
Neste aspecto, até estou à vontade porque não concordei com essa manifestação. Não por que não fosse justa, mas porque não é o local próprio.
Mas tem de haver coerência. E não resolver responder, ou não responder aos comentários, apenas quando dá jeito.
Esse senhor Lino deve ter tido algum trauma enquanto estudante… A perseguição aos professores não ajuda em nada os alunos… será que não compreendem isso? porra?
Concordo com o post e sublinho um aspecto: ver no telejornal um verdadeiro professorzeco que pede para não a imagem aparecer distorcida de forma a não o identificar, é das cenas mais ridiculas e absurdas que me recordo dos ultimos anos!
Excepto, se tinha vergonha de estar alí! Nesse caso, compreendo porque não quis mostrar a cara: eu também me sentia enojado!
Realmente, há certos comentários que mostram como a lavagem cerebral feita por Sócrates à opinião pública foi eficaz. Tão eficaz que o discurso da dita esquerda «moderna» é uma cópia fiel do discurso sempre ouvido à direita, mas eles entendem que os outros é que são reaccionários. E se calhar até têm razão: se ser da esquerda e moderno é ser de direita, então eles são de esquerda e modernos.
Dizem basicamente que os funcionários públicos não passam de uns privilegiados, laxistas e irresponsáveis que o que não querem é trabalhar. São os novos exploradores dos trabalhadores, que vivem à custa de pessoas como o Lino José. O patrão que paga 500 euros é que já não vive à custa de ninguém…
Depois aplaudem reformas que só vão deformar e destruír a escola pública, mas acreditam (porque o Sócrates assim o diz) que essas reformas vão responsabilizar os professores. Falta acrescentar que esta «responsabilização» envolve coisas que são, antes de mais ou também, da responsabilidade dos pais e dos próprios alunos: é o caso das faltas dos alunos, das suas notas, do abandono escolar, etc. Aliás, é bem verdade que o novo estatuto do aluno ao desresponsabilizar os alunos pelas suas faltas e empenho na escola, acaba por «responsabilizar» de forma absoluta os professores pelo comportamento e decisões dos outros, por coisas que eles até podiam influenciar, mas que não dependem exclusivamente nem principalmente deles. Mas eles só podiam ter essa influência se tivessem autoridade para tal, e o que se verifica é, a par dessa «responsabilização» absoluta, a desautorização «absoluta» (que começa logo por ser promovida pela campanha de caluniamento e desrespeito dos professores feita por este governo) na medida em que não se pode ser exigente no ensino nem decisivo no âmbito da disciplina na sala de aula. Ter uma boa avaliação (coisa praticamente impossível) é assim fazer a quadratura do círculo; conciliar o inconciliável: a responsabilização com a desautorização.
A não ser que… A não ser que os professores se tornem naquilo em que este governo os quer transformar: em burocratas e educadores infantis permanentes das crianças e dos adolescentes que os pais despejam na escola. Daí que o seu novo trabalho vá ser trabalhar para as estatísticas, pois a isso irão ser conduzidos necessariamente: é de números e estatísticas que uma eventual boa avaliação vai depender, e não de um bom ensino. Ou seja, o que vai resultar disto tudo é o contrário do que os Linos dizem: desresponsabilização da função de professor, que devia ser principalmente a de ensinar e transmitir conhecimentos.
É assim que o Sócrates «moderno» e de «esquerda» consegue o apoio de quem o quer ver a combater corporações de «privilegiados», mas que já não se importam que ele se submeta às corporações empresariais.
Pois cá para mim o nojento do Lino José só deve
ter ódio entranhado no unico neurónio que tem
na cabecinha.Ele é que mete nojo mais os seus comentários de sarjeta.
O Ministério tnm feito coisas boas e coisas menos boas. No que concerne à necessidade de avaliação de desempenho estou 100% de acordo. Sou contribuinte. Pagos os meus impostos tenho o direito (e o dever) de exigir níveis de desempenho adequados. A Escola deve prestar contas a todos os stakeholders. Os professores de qualidade são os primeiros a exigiresm avaliações correctas de modo a separar “o trigo do jóio”. Tenho filhos no no Secundário e estou, hoje, mais satisfeito com a Escola que antes deste Governo. Basta pensar na redução do absentismo dos professores…
Por mim Sócrates continuará…
Se me perguntarem se concordo com este género de contestações, diria que não. São folclóricas e não fazem o meu género. Mas se bem interpreto o estado de espírito da esmagadora maioria dos meus colegas professores (que acompanho) sou levado a concordar com as opiniões do Carlos Alberto e do Luís Pedro. Por todo o País, espontânemente e até um pouco anarquicamente, se multiplicam os movimentos cívicos de profs contra esta política e este Governo. Quem deu o tiro no pé foi Sócrates que conseguiu a quase unanimidade numa classe que, por o não ser em termos sociais, é normalmente tão desunida. Estas movimentações, desenquadrados política e sindicalmente, são os que mais atemorizam, por imprevisíveis. E 150 mil profs podem fazer muito barulho…
Caro Daniel,
Creio que se precipitou neste post. Acontece com muito boa gente. Sabe-se hoje o que Sócrates quis dizer aos professores do PS que ontem foram ao Largo do Rato. Se alguns tinham ideias próprias e estavam dispostos a contestar a desastrosa política educativa que o PS tem empreendido, pois bem: entraram mudos e sairam calados. Quem manda? Sócrates, Sócrates, Sócrates!
Não apoio nem condeno os que ontem foram ao Largo do Rato exprimir a sua indignação. Não apoio, porque me pareceu descabido fazer ali o protesto. Não condeno, porque a indignação, nas escolas, é praticamente universal, independentemente da côr política, e às vezes é difícil contê-la com moderação. São tantas as mentiras e a propaganda primária, que só quem vive a situação sabe como dói.
Trata-se de defender a escola pública de qualidade, não há privilégios (quais?, pergunto eu) “corporativos” a defender. Nada justifica o palavreado intelectualmente insane que um tal de Lino José tem por aí debitado, mas nem vale a pena perder tempo com tais desvairos.
Infelizmente, a falta de conhecimento profundo do que está hoje em causa na educação em Portugal atinge todos os partidos, da esquerda à direita. Só ouvi até hoje dois deputados - DOIS - falarem do assunto com inteligência e conhecimento de causa: Ana Drago, do BE, e Diogo Feio, do PP. O resto anda a dormir, ou a fazer o jogo do sr. José Sócrates Pinto de Sousa - o mesmo é dizer, a curvar-se perante as directrizes economicistas de Bruxelas.
É o futuro dos cidadãos deste país que está em causa, é a qualidade do ensino que está em causa - e esta não melhora com avaliações burocratizadas e kafkianas, que absorvem o tempo dos professores em papelada inútil, em vez de se dedicarem á função de ensinar. E tudo para nada, uma vez que o absurdo sistema de quotas (contra o qual o actual secretário de Estado Jorge Pedreira, enquanto sindicalista, se insurgiu violentamente in illo tempore) vai restringir a progressão de muitos que põem em prática um ensino de qualidade. Avaliação, SIM, mas com consistência e justiça. Não esta farsa que aí está montada.
Não gosto que um anónimo diga que sou de “segunda categoria”. Acho que quando se insulta alguém se assina com o nome. Coisas minhas.
O Daniel, como homem de cultura e grande jornalista que é, tem toda a razão quando critica a manifestação dos professores. Não tarda chamará também a atenção para a rudeza dos Capitães de Abril, que demonstraram a maior falta de educação perante o Professor Marcelo Caetano.
Desancará em seguida o Dr. Mário Soares por defender no passado o dever cívico da desobediência quando a injustiça prevalece. Depois, sempre muito correcto e pouco político, alinhará os erros ortográficos de algum manifestante que não hesite em vaiar o Sr. Primeiro-Ministro nalguma das suas deslocações em missão de marketing eleitoral. Noblesse oblige. Aqui na Quinta da Marinha sabemos apreciar um rapaz assim educado.
Com os melhores cumprimentos
Lícinia Noronha Pita (Quinta da Marinha-Cascais)
O desconhecimento do que se passa actualmente nas escolas e do que está em causa na contestação que os professores fazem à forma atabalhoada e trapalhona como se quer implementar este processo de avaliação, é bem visível nos anteriores comentários. Mas a ignorância sobre questões da educação não se fica só pelos “comentadores de blogs”, sobe bem mais alto (ou desce mais baixo, conforme a perspectiva…).
Foi verdadeiramente confrangedor assistir ao debate da passada quarta-feira na AR. Sabendo que há várias dezenas de deputados, contando todos os grupos parlamentares, que já exerceram a carreira de professor, como é possível que nenhum tenha corrigido o PM quando este afirmou (várias vezes!) que há mais de 30 anos que os professores não eram avaliados? Então TODOS desconhecem que desde 1989, data da publicação do Estatuto da Carreira Docente, que é efectuada avaliação dos docentes, para efeitos de progressão na carreira, traduzida nas classificações de Não satisfaz, Satisfaz, Bom e Muito Bom?
Estariam com medo que se dissesse que essa avaliação era facilitista e que foram raríssimos os casos de atribuição de Não satisfaz? Bom, é um facto que o grau de dificuldade a ultrapassar para progredir era equivalente ao necessário para obter aprovação em licenciaturas de universidades privadas pouco independentes, mas essas eram as regras definidas pela tutela, os professores limitaram-se a cumprir a lei, como sempre têm feito.
Parece-me que todos os partidos estão a precisar de reunir com os seus militantes professores, que a ignorância sobre questões de educação, infelizmente, não se revela só neste governo e neste PS.
Destesto professores que mentem, já basta o Sócrates.
Os colegas professores que dizem que o modelo de avaliação só se preocupa com as estatísticas estão a faltar à verdade. Na ficha de avaliação do Presidente da escolas há 3 alíneas, num total de 18, em que é tida em conta a evolução das aprendizagens dos alunos, incluido exames.
Eu quero que a evolução das aprendizagens dos meus alunos seja tida em conta na minha avaliação.
Aqui ficam as polémicas fichas:
Avaliação cientifico-pedagógica feita pelo coordenador de departamento curricular
http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/AvaliacaoDesempenho_Anexo_VII.pdf
Avalição feita pelo Presidente do Conselho Executivo
http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/AvaliacaoDesempenho_Anexo_XIII.pdf
Deixemos a demagogia!!!
Errata:
“detesto” e “presidente da escola”
Não me passou pela cabeça nem recebi convocatória no telemóvel, mas teria lá ido apupar. E se houve um manifestante que falou de costas é que os processos disciplinares andam aí e cada um sabe de si….
O que me espanta é que não fique claro para todos que nenhuma destas medidas quer melhorar a ensinança. Quer apenas reduzir gastos.
E, ao contrário do que se diz aí para cima, os professores não ganham faustosamente (há quem ganhe menos de quinhentos euros porque tem horário incompleto, há quem ganhe oitocentos e gaste mais de metade em deslocações e instalação e muitos destes não têm garantia de ser colocados no fim dos seus contratos).
A avaliação que se pretende fazer só servirá para impedir que as pessoas progridam na carreira. Não vai servir para melhorar a qualidade do que se faz. O que são “avaliações correctas”, José Manuel Dias?
E quais são os privilégios dos professores que estão lá todos os dias com os seus alunos fazendo o melhor que sabem?
As férias? Se não as tivéssemos não aguentaríamos. Cinco, seis ou sete horas diárias com os alunos implicam uma enorme tensão necessária para os manter interessados, atentos e a aprender.
Devo dizer que gosto muito do que faço, continuo a achar que é a melhor profissão do mundo. Já prestei uma prova pública para passar para o 8º escalão. Foi o eng. Guterres que acabou com essa avaliação (que, diga-se, também não servia para muito). A avaliação que se seguiu também não servia para nada. Esta também não servirá o ensino mas servirá para deixar de pagar aos professores o que lhes é devido. E para onde irá esse dinheiro? Para aeroportos e tgv inúteis.
Em 1º lugar abaixo o Sócrates e as políticas que tem desenvolvido (não só, mas também) para a educação.
Depois, que raio de folclore é este e para que serve?
O Daniel escreve o que escreve e expõem-se. Está no seu direito, assim como nós estamos de concordar com ele ou não!
Já o insulto a coberto do anonimato é altamente condenável e demonstrativo da baixa condição de quem o utiliza. Não tem nada a ver com concordar ou não com o Daniel. Há muita gente que discorda, com elevação. É o que se pretende.
Quanto ao post, realmente eu já não sei se o que é polítcamente correcto, ou taticamente correcto é de relevar quando vemos tanta sacanice. Bem compreendo quem se manifestou.
Não sei se será correcto, mas francamente…
Infelizmente não estive no largo do Rato no sábado à tarde. De resto, só não estive lá porque não recebi o reencaminhamento dos sms que circularam devido a uma falha do telemóvel ou da operadora de rede.
Não pago nem nunca paguei quota a nenhum partido político. Fui sindicalizado durante os primeiros oito anos da minha carreira docente, tendo decidido abandonar o sindicato no regresso do Congresso da Fenprof realizado na Póvoa de Varzim em 1986 (?).
Os professores que conheço e estiveram no protesto de sábado também não militam em nenhum partido e se alguns têm as quotas sindicais em dia, outros não pertencem a nenhum sindicato.
No entanto estiveram lá, como têm estado em diversas reuniões que se vão realizando por todo o país e estarão na linha da frente para a constituição de uma associação de professores que defenda o ofício de ensinar em vez de defender uns “representantes” de quem trabalha quotidianamente nas escolas.
O que faz convergir o discurso do “socialista” Sócrates, com o discurso do”comunista” Mário Nogueira e com o do “bloquista” Daniel Oliveira são duas coisas: não percebem que há mais vida para além dos partidos e dos sindicatos e no fundo receiam que o exercício do direito à cidadania e à indignação lhes retire o protagonismo assente na mediocridade geral da sociedade. Por isso tanto temem e tanto desvalorizam o saber técnico-profissional e o conhecimento dos Professores.
Num dos comentários aqui deixados foi dito que «os professores que dizem que o modelo de avaliação só se preocupa com as estatísticas estão a faltar à verdade». Tenho a «impressão» de que eu sou um desses mentirosos. Mas eu não disse que esse modelo «só» se preocupa com as estatísticas, mas reafirmo que é essa a sua preocupação fundamental e que é a isso que vai conduzir os professores. E quem diz o contrário até pode não ser mentiroso, mas é de certeza muito inocente e ingénuo. Eu não detesto estes professores; tenho é pena deles…
E nem é preciso consultar as ditas fichas da avaliação para concluir isso. Basta ler o comentário do (ou da) DSCA: em 18 alíneas só 3 dão (aparentemente) importância à aprendizagem dos alunos - um peso de cerca de 16%, portanto! Ou seja, verifica-se uma inversão completa das funções de um professor: aquilo que devia ser prioritário (ensinar) passa a ser secundário, quase irrelevante, na avaliação de um professor.
A verdade é que este tipo de avaliação nem inventa nada de novo, apenas formaliza o dito «eduquês» e o «burocratês». Subordina os conteúdos à forma de dar as aulas, sabendo-se bem ao que isso pode conduzir e em que degenera: na infantilização dos alunos e no facilitismo. Uma aula bem dada é uma aula bem explicada (forma subordinada aos conteúdos), e não uma aula agradável (conteúdos subordinados à forma).
E é aqui mesmo que se vai revelar o trabalho para as estatísticas, porque um ensino exigente e responsabilizador dos alunos pode traduzir-se em mais insucesso escolar (porque depende também da aplicação dos alunos), enquanto que um ensino pouco ou menos exigente e desresponsabilizador dos alunos pode melhorar (artificialmente e estatisticamente) o sucesso escolar. Se já antes existia nas escolas uma pressão para inflacionar as notas, agora essa inflação torna-se inevitável, pois faz depender a avaliação de um professor das notas dos seus alunos. É por isso que os professores também são parcialmente responsáveis pelo que está a acontecer.
E por que é que a este nível se torna praticamente impossível um professor, com alunos que vão fazer exames, ser bem avaliado? Porque para os preparar bem tem de ser exigente e dar as notas que eles realmente merecem, por forma a não se dar um grande desfazamento entre as notas dadas e as obtidas em exame. Mas para ser bem avaliado na escola tem de inflacionar as notas e/ou facilitar, por forma a não se dar um grande desfazamento entre as notas dadas por ele e as notas dadas por outros professores aos mesmos alunos, no mesmo ano ou em anos anteriores.
Eu sei, e todos sabemos, do que eu estou a falar: por exemplo, no ano anterior fui contratado no terceiro período e deparei-me com turmas cujos alunos tinham notas muito semelhantes e sem qualquer negativa (o que considerei ser muito estranho e suspeito). Pois eu devo ter sido um péssimo professor, já que comigo os resultados dos testes de um terço da turma apresentaram uma descida de cinco valores a seis valores, passando de positivos para negativos. Três desses alunos fizeram exame nacional à minha disciplina, sendo que o desfazamento entre as notas dos meus testes e as notas do exame foi de um e zero valores. E agora vem o melhor da história: quando uma professora dessa turma soube das notas dos meus testes criticou-me, como a querer dizer que eu não devia ser tão rigoroso nem tão «traumatizador» das «crianças» de 17 anos. Senti a tal pressão de que falei mais acima. Ora esses mesmos alunos também fizeram exame à disciplina dela. Resultado? O desfazamento entre as suas notas e as do exame foi de seis a sete valores! Alunos de 13 e 12 valores na sua disciplina, tiveram uma classificação de 6 e 5 valores no exame! Destes professores eu não tenho pena. A estes professores é que eu chamo de mentirosos, e tenho a impressão de que vão ser estes os que vão ser melhor avaliados. Porque vão trabalhar para as estatísticas, para a burocracia e para os «bons» resultados e para a (boa) «evolução das aprendizagens», que é o que este também mentiroso sistema de avaliação dos professores promove e premeia!
Os professores que não concordam com “esta avaliação” que é que propõem em concreto? Só o que é medido é que é feito…é da literatura. Lá fora existem avaliações sérias. Cá dentro, nas empresas privadas, há muito que se presta contas do que se faz. O Siadap visa dar resposta a uma preocupação: distinguir os melhores. Porque raio é que os professores também não deviam ser avaliados pelos seus resultados?!
Ora, só quem ande muito distraído é que não reparou na marca genética do PCP naquela manifestação…
Ao José Manuel Dias recomendo a seguinte leitura:
Quando se fala de Avaliação é preciso ter em atenção os seguintes aspectos:
* qualquer avaliação tem por base a comparação entre uma situação que é observada e um referencial que é desejado ou esperado;
* a avaliação tem como objectivo verificar não só o desvio entre o observado e o desejado, mas sobretudo identificar os constrangimentos que impedem que se atinjam os objectivos, de forma a corrigir esses constrangimentos;
* toda e qualquer actividade humana pode e deve ser avaliada;
* o conceito de avaliação persegue objectivos formativos e cooperativos, ao contrário do conceito de classificação que persegue objectivos sancionatórios e competitivos.
Esclarecidos estes pontos torna-se mais fácil entender porque é que a transposição do SIADAP, e das suas cotas pretensamente meritocráticas, tem pouca ou nula aplicação à carreira docente, sobretudo quando a retórica aponta para um objectivo de melhoria da qualidade do ensino.
Se considerarmos que o trabalho docente tem que ser um trabalho cooperativo entre professores, a benefício dos seus alunos, não se devem introduzir mecanismos que induzem a concorrência e a competição, ao invés de estimular a cooperação e o apoio entre pares. Nesse sentido, definir à partida que apenas uma pequena cota em cada escola, em cada departamento, pode obter as menções classificativas mais elevadas, leva a que não exista qualquer vantagem em cooperar com os colegas, que passam a ser olhados como concorrentes pelo bem escasso que é a promoção na carreira.
A título exemplificativo imagine-se um titular do 8º escalão, a quem ainda faltam alguns anos para atingir o topo da carreira e a quem um professor mais novo solicita uma ajuda. Imagine-se que nesse departamento poderá haver uma cota para um Excelente e que alcançar essa classificação permitirá ao professor titular antecipar a subida de escalão já no próximo ano lectivo. Alguém achará mal que ele não forneça ao mais jovem toda a informação de que dispõe, garantindo assim a eliminação de um concorrente à atribuição do Excelente?
Em que é que isto contribui para a melhoria da qualidade do ensino? E das aprendizagens dos alunos? E para o progresso profissional do professor mais novo?
O Luis Pedro dá bons argumentos à necessidade de avaliação do desempenho dos professores. Curioso é conhecer a posição histórica dos sindicatos sobre esta matéria. São corresponsáveis plea situação que é descrita e que importa inverter. Existem escolas com excelentes desempenhos. Fazer benchmarking é uma via para apender com quem sabe mais…
Cumps
Luis Pedro,
1.”Se já antes existia nas escolas uma pressão para inflacionar as notas”
Como?
Nas escolas públicas?
Isso acontece mas é nos colégios/externatos, alunos que saem da minha escola com notas de 16/17 para aqueles e ficam com médias de 19/20, informe-se caro colega!
Sou professor há 11 anos, Geografia, nunca mas mesmo nunca fui pressionado seja por quem for para “dar notas altas”, bem pelo contrário sou criticado por colegas pelo simples facto de atribuir 19 e 20´s quando os alunos merecem. O ano passado tive 2 turmas do 11.º ano, foram a exame 47 alunos, tinham média interna de 16.8, nos exames a média deles foi de 14.9, ou seja diferença de 1.9, é muito? Acha que isto é motivo de penalização?
De resto as notas internas, refletem muito mais que os simples testes.
2.A avaliação dos professores é feita por outros professores, coordenadores e PCE.
A não ser que considere os PCE´s das nossas escolas CORRUPTOS.
3.”E nem é preciso consultar as ditas fichas da avaliação para concluir isso. Basta ler o comentário do (ou da) DSCA: em 18 alíneas só 3 dão (aparentemente) importância à aprendizagem dos alunos - um peso de cerca de 16%, portanto”
Aquela ficha vale 50%, logo 8% no total.
Eu até acho que o efeito dos professores sobre as aprendizagens dos alunos devia valer uns 25%.
Ou não se sente responsável por elas?
José Manuel Dias, os argumentos que eu dou para necessidade de avaliar os professores, mostram também que ESTA avaliação que vai ser posta em prática não vai premiar os melhores professores, mas sim os que conseguem mais sucesso estatístico e os mais dedicados ao trabalho burocrático. Portanto, não se vai dar qualquer inversão da situação: pelo contrário, a situação vai agravar-se
DCSA, você faz-se de ingénuo ou é mesmo ingénuo? Aquilo que diz das escolas privadas é bem verdade, mas também se verifica nas escolas públicas, que gradualmente foram adoptando essas práticas ditadas pela concorrência. O mito liberal de que a concorrência conduz à excelência e a melhores produtos finais, é só mesmo isso: um mito. Mas este governo pensa que as escolas se devem transformar em empresas, e seguir os objectivos de uma empresa. E a opinião pública facilmente manipulável, aplaude e entende que deve ser mesmo assim: a escolas e os professores têm de ser avaliados, como eles são no mundo privado.
Das duas uma: ou você só andou a dar aulas a bons alunos (e até é o que parece, pelo exemplo que deu), ou então desconhece as várias regras mais ou menos informais e «justificações» que «obrigam» (pressionam) os professores para não atribuírem notas muito baixas aos alunos (porque seriam «traumatizadoras» e de difícil recuperação), nem notas muito distintas de período para período (porque transmitiriam a ideia de uma certa irregularidade no percurso dos alunos). E o mesmo se pode dizer em relação às notas muito altas, pois o que convém é que os resultados não mostrem qualquer tipo de «anormalidade». Como eu disse, este modelo de avaliação só vem dar um carácter formal as regras mais ou menos informais.
E claro que as notas internas não se reduzem às notas dos testes, mas, deixemo-nos de tretas, aquilo que mais determina (ou devia determinar) a avaliação de um aluno são os seus resultados nos testes, que reflectem os seus conhecimentos. Só que com este sistema de avaliação, que torna irrelevante a função de ensinar e que vai conduzir à diminuição da exigência, as notas vão ser um espelho do sucesso estatístico que o governo pretende apresentar. Basta pensar no embuste das «novas oportunidades», para se perceber que este modelo se vai generalizar a todo o ensino.
Não são, portanto, os professores que são corruptos, é o sistema implementado que o é, e que obriga os professores (transformados em burocratas) a seguirem as «boas» práticas do sr. Sócrates, que se afirma como o responsável e o autor de determinados projectos aos quais deu apenas sua assinatura!
É isto que está em causa: um professor deve ser responsável pelo (melhor) ensino e aprendizagem dos seus alunos, e não o responsável absoluto pelos seus resultados escolares (que não dependem só dele, como eu já disse). Com os professores a tornarem-se nos responsáveis absolutos e únicos dos resultados dos seus alunos, isso quererá dizer que são excelentes professores quando dão aulas a bons alunos, mas ao mesmo tempo péssimos professores quando dão aulas a maus alunos. Isto é contraditório? Nas estatísticas que só mostrarão números e médias, essa «contradição» deixa de existir…
Portanto este modelo de avaliação só pode conduzir à manipulação estatística, inevitável por uma questão de sobrevivência. Porque a partir de agora, «quem tiver ética não come», como disse a «filósofa» do Big Brother, Teresa Guilherme
Daniel, como é possível uma lógica tão esquemática de pensamento da tua parte??? Obviamente que este protesto não foi visto como um ataque aos professores que se iam encontrar com o Sócrates, mas como mais uma das mil manifestações de revolta que se vão multiplicando pelo país contra as poíticas do governo! E do que precisamos é mais, nunca menos, que sempre onde vá Sócrates exista uma manif de protesto…
Quanto aos autores da ideia, BRAVO!!! É confrangedor como a esquerda organizada (PC, Bloco e menos mal mas tb insuficiente a CGTP) não tem conseguido montar uma resposta à altura a estas políticas, quando nunca gozámos de momento mais propício para por sobre a mesa uma proposta de ruptura com o actual status quo e que tenha apoio maioritário no país.
Se a iniciativa tiver partido de fora, mesmo que com o conhecimento envergonhado, das orgânicas instituídas é também um excelente sinal, é o sinal de que a malta está pronta e farta de estar à espera.
E quem à esquerda quer mudar “situação”, tem mais é que apoiar e servir de catalizador a estes processos.
O melhor mesmo é ver as fichas de avaliação
http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/FichasAvaliacaoDesempenho.htm
e dizer em que é que pode colidir com o objectivo de perseguir as boas práticas.
Luís Pedro
“…privadas é bem verdade, mas também se verifica nas escolas públicas, que gradualmente foram adoptando essas práticas ditadas pela concorrência…”
Não conheço nenhuma escola pública que transforme alunos de 16/17 em alunos de 19/20.
Nomes? Nomes?
O que escreve não deixa de ser verdade, mas não diabolizo este modelo de avaliação.
“Aquela ficha vale 50%, logo 8% no total.”
será que este comentador é a ministra da educação ou um dos secretários de estado?!
eu pensava, pelos vistos estava enganado, que ainda não havia ponderação para os vários itens!
em que árvore de que floresta foi desta vez afixado o despacho que o secretário pedreira prometeu?
no diário da república não vi, no sítio da dgrhe também não!
“diferença de 1.9, é muito?”
depende. pode ser muito e pode ser muito pouco!
depende da ponderação dos critérios de avaliação e do que a escola definiu como objectivos!
se for a olhometro, olhe, depende dos olhos que vêem e da disposição com que acordaram nesse dia!
“A não ser que considere os PCE´s das nossas escolas CORRUPTOS.”
tendo em conta o grande número de escolas por onde passei e do número de PCE que conheci não houve, felizmente, que me parecesse corrupto. Mas há quem não concorde comigo e consigo, de tal forma que até alteraram a sua natureza e processo de eleição/nomeação! Reparem que o órgão nem pode ter mais de 50% de professores!
porque será?
Realmente posso dizer que este Pais vai de mal a pior.E so demagogia.Vive se de aparencias e bem e este 1º.Prinistro adoro apoiantes e ser o melhor adora ser o lider,cada vez vai tendo mais auto -estima e poder………aonde vamos parar….Que pais e o nosso.Critica se tudo e todos e incrivel.Entao arranjem se soluções e se este nao esta la bem . Porque a sociedade Portuguesa nao se manifesta de uma vez por todas…….Ja eram horam somos muito teoricos.Se fosse noutro pais da Europa isto ja tinha estourado de certeza.Nao podemos viver com tantas incertezas, sem segurança nenhuma e estabilidade de vida………Ja se fazem sacrificios a muito tempo..E pergunto ate quando???????Sou cidada e espero pela minha oportunidade no mercado de trbalho, sou tecnica de saude ambiental.Tive a oportunidade de trabalhar 1 ano na minha area.Aonde esta a minha progressao da carreira??????Nao ha necessidades de profissionais?Sinto me completamente desiludida com este pais que hoje da amnha tira nos tudo.Sera que vivemos num pleno estado de direito?????Isto e democracia?
Tento lutar integrar me noutras areas prof. e todas as portas se fecham………..Isto nao pode continuar assim…bem vamos ter que emigrar.E procurar novos caminhos novos rumos.Este pais e o pais da polemica, fala se bem…..mas so se fala e muito.E sao precisas tantas obras pelo bem de todos nos e de um Pais dito da Europa que de Europeu tem muito pouco……………………….Aonde ficamos qual o nosso rumo para aonde caminhamos???????Tantas perguntas, tantas duvidas e incertezas .Porque infelizmente e este estado que escolhe o meu rumo de vida.E simplesmente Portugal e pronto!!!!!!!!!Sem mais comentarios.