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Defendo a avaliação dos professores. Mesmo sabendo que, já agora, a maior parte das experiências de avaliação de professores nos países europeus incide mais sobre os conhecimentos dos docentes do que sobre o seu desempenho; tem como primeiro objectivo identificar fragilidades na matéria leccionada e melhorar e muito menos definir a progressão na carreira; e só muito parcialmente é uma avaliação individual.

Ainda assim, defendo, em geral, a avaliação de todos os profissionais, começando sempre, para dar o exemplo, pelo topo da hierarquia. Defendo que essa avaliação só pode ser séria se depender de objectivos claros. E sei que isso só acontece em empresas ou instituições organizadas e exigentes, coisa rara no nosso país.

No caso dos professores, uma avaliação justa e adequada só pode acontecer com mais autonomia das escolas. Porque se a avaliação depende (só pode depender) de objectivos, e se os objectivos e metas dificilmente podem ser os mesmos em escolas completamente diferentes, é difícil acreditar na eficácia de avaliações burocráticas nacionais.

Mas, como bem disse aqui um comentador, tenho uma dúvida: quantos dos que gritam pela avaliação dos professores e os chamam de privilegiados e de incompetentes são, no seu trabalho, avaliados de forma objectiva, com grelhas e critérios escritos e definidos previamente? Quantos têm um colega seu a assistir a um dia de trabalho e a avaliar a forma como o desempenham? Quantos fazem exames frequentemente para saber dos seus conhecimentos? Quantos são sujeitos à avaliação da qualidade do que produzem? Quantos são promovidos tendo exclusivamente estes critérios em conta? Vou mais longe: em quantos dos locais de trabalho o salário que cada um recebe é público e conhecido de todos os seus colegas e a razão de ser esse e não outro o seu salário é explicita e clara?

Num país onde nem os gestores são realmente avaliados (como se vê pelos resultados que obtêm e os salários que recebem, quando comparados com os seus colegas europeus); num país onde a objectividade nos critérios de contratação é a excepção e a regra é a referência que veio do primo da tia de um amigo; num país onde um aluno mediano de boas famílias arranja com muito mais facilidade emprego do que um bom aluno sem berço; num país onde os critérios salariais dos quadros das empresas é quase uma ciência oculta; num país em que, nas empresas, os critérios objectivos de avaliação são desvalorizados porque tiram às hierarquias os seus pequenos poderes discricionários, tão ao gosto da cultura nacional; num país onde a maior parte das empresas relaciona-se com os seus funcionários ao sabor de humores e simpatias pessoais; é salutar ver esta agitação em defesa da exigência. Mas neste país, onde toda a gente se mata a trabalhar e os outros são todos uns mandriões, uns incompetentes e uns privilegiados, podíamos começar a mudar de registo para ver se chegávamos a algum lado.

Sou a favor da avaliação de todos os profissionais. Mas começo a ficar cansado destes linchamentos de vítimas selectivas: primeiro os funcionários públicos, depois os professores… Que tal começarmos a defender uma cultura de exigência antes de mais no lugar onde trabalhamos. Porque quem só leia os jornais e os blogues fica com a sensação que vive num país com empresas e serviços de excelência onde sobrevive uma ilha de desorganização: o Estado. Pois eu, que praticamente toda a minha vida trabalhei no sector privado, sei bem como isso é falso. O nosso Estado é apenas um excelente retrato do resto do país. Sente-se mais porque é mais centralizado e mais pesado. Mas a cultura é a mesma.


56 respostas ao post “Gritar para o lado”  

  1. 1 1  Miguel

    Caro Daniel,

    O seu post representa tudo o que há de mal neste país.

    Aparentemente, concorda que se avaliem os professores…mas… O problema é sempre o mas.

    Mas, se uma parte relevante dos trabalhadores nao são avaliados …entao é melhor deixar andar.
    E mais..quem comentar e exigir alguma coisa, é bom que tenha as suas avaliações para apresntar.

    Este é o “mas” do imobilismo. O “mas” que nos trouxe ao país que somos hoje.

    Ao contrario do que diz todos os trabalhadores do sector privada são avaliados. Todos! Se não o são directamente…são quando a empresa onde trabalham vai à falência ou é “deslocalizada”.

    O probelma é que nos professores não há qualquer mecanismo de avaliação. Nada que nos indique quais sã os melhores e os priores. NAda que permita recompensar os melhores e penalizar os piores.

    E assim querem que permaneça.
    Para mim só os piores inimigos da escola publica podem pretender manter o status quo.
    Porque um dia será tarde demais para salvar alguma coisa.

    Para terminar, a comparação com outros trabalhadores é despropositada. Para estes existem muitas maneiras de reclamar e avaliar o seu trabalho. A primeira é que os clientes vão para outro lado.

    O seu post desculpa os comentarios que tem no outro post. nem um único comenta´rio produtivo, uma proposta..nada. Apenas o choradinho
    Pior..o contra-ataque. Como me aprsentei como pai, recebo comentários sobre “pais do meu tipo” e sobre a qualidade da educação que providencio.

    Só uma classe muito mal habituada fala assim de quem justifica a sua existência.
    Por si estes comentários (representativos?) justificam a perda de estatuto que os professores têm sofrido.

    Miguel

    P.S. Tenho pena que o meu ultimo comentário no outro post ainda nao tenha sido aprovado… provavelmente o mesmo destino deste. è pena.

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    O “mas” não é nada de específico deste país. O “mas” é sinal de inteligência. Tudo na vida tem um “mas”.

    Seria bom ler o post para perceber que defendo a avaliação e quais acho ser a condição para que ela seja eficaz. A avaliação pode servir para premiar ou punir, mas não é esse o seu primeiro objectivo. O primeiro objectivo é melhorar o serviço prestado. E não basta premiar ou punir para que esse objectivo fique garantido. Seria excelente que bastasse. Era mais fácil. Mas não chega.

    Se acha que no sector privado um trabalhador é avaliado quando a empresa vai à falência como distingue o bom do mau trabalhador nessa empresa? Ficam todos desempregados: o bom e o mau.

    Todos os seus comentários foram aprovados.

  3. 3 3  Filipe Abrantes

    Tudo tem um “mas”? Ok, então tem de acrescentar vários “mas” aos seus “mas”, pode ser? Se defende a autonomia das escolas, não sei porquê o enfâse nos “mas”. Cada escola saberá de si.

    Eu acho que se ser professor fosse assim tão duro (há um blog divulgado no ventosueste que diz que é a profissão mais desgastante logo após a de mineiro!!!) veríamos imensos a quererem mudar de profissão. Você conhece algum que já tenha mudado? Muito poucos. Na manif não se viu nenhum a dizer que se estas medidas forem avante irá mudar de profissão.

  4. 4 4  Pedro

    Excelente post. Em Portugal todos sabem muito do mester do vizinho e muito pouco sobre o próprio. Os portugueses são o público ideal para os assassinatos de carácter que paulatinamente se vão tecendo sobre as diferentes corporações, ao sabor dos desígnios do emagrecimento do Estado.
    A Escola e as salas de aula reflectem sempre as sociedades em que se inserem e, como muito bem aponta, a nossa não é um modelo de eficácia e organização. Creio, no entanto, que a maior parte dos professores se empenha no sucesso dos seus alunos, muitas vezes em condições muito difíceis. Toda a estratégia governamental, de apagamento da memória do esforço e da dedicação desses professores, em contra-ciclo às políticas erráticas que fizeram da Educação um constante laboratório de experiências, encerra uma perigosa armadilha. Esta criação de fracturas na coesão da sociedade com propósitos economicistas para além de miserável consubstancia um perigoso e irresponsável ataque a instituições de referência (hoje os profs, ontem os polícias, amanhã os magistrados) tornando toda a sociedade mais desordenada, mais violenta e mais insegura. Este vai ser o legado de todas estas tropelias neo-liberais. Esta avaliação é um embuste (tenho 25 anos de profissão os ultimos 5 a orientar estágios, sei do que falo) e toda a pressa em levá-la a cabo radica tão-somente na necessidade de, em tempo de eleições, mostrar serviço: depois de 30 anos em que, supostament, não houve avaliação, o PS apresentar-se-á como o único Governo que pôs esses priviligeados preguiçosos na ordem. E embalados nesta propaganda os portugueses lá irão caminhando para a precarização das suas vidas e para a perda da sua identidade.

  5. 5 5  Levy

    Concordo com o que escreveu. Como é que no Estado podia ser diferente, se o povo é o mesmo?
    Outro dos mitos são os salários. Ainda esta semana no Expresso lá vinha mais uma comparação entre os salarios dos professores e o salário médio português, com a invariavel conclusão do costume. Há 5 anos que o Expresso se dedica a este assunto.
    Num país onde a maioria das pessoas não tem sequer o 9ºano, é natural que comparando com a maioria os salarios, os dos licenciados sejam superiores. E isto não se aplica só aos professores, aplica-se a medicos, advogados juizes, etc.
    Como a maioria dos licenciados em Portugal trabalha para o Estado, é natural que os salários no sector público sejam, em média, superiores aos do sector privado. Normalmente ninguém faz estas contas…

  6. 6 6  O Psiquiatra de Serviço

    Mudar de profissão. Aqui reside, do meu ponto de vista, o fulcro da questão. Quem não está satisfeito, muda. A nódoa é em vez de mudar de emprego, ter-se entranhada a ideia de que é o emprego que tem de mudar. O cliente tem de ser feito à medida do fato e não o contrário. É isto que caracteriza, pela pior, o emprego público em Portugal.

  7. 7 7  JC/Gato Maltês
  8. 8 8  Moriae

    Filipe Abrantes,

    digo eu: se estas medidas forem avante mudarei de profissão.

    Daniel, mais autonomia nas escolas favorece as quintas, os lobbys. E esses já têm poder que chegue! E não são representados, na sua maioria, pelos mais competentes. Na mesma, o seu texto é muito bom e significa que este debate está a chegar a muitas pessoas que podem realmente contribuir positivamente. Estamos cansados ‘do deita abaixo’ estereotipado de que não queremos avaliação.
    Para mim, há que ter muito em conta o CV de cada qual. Não podemos permitir que os burocratas, fabris metais, levem a deles avante. Isso é o fim …

    Outro abraço!

  9. 9 9  rosinha dos limões

    Estamos a centrar a questão dos problemas na Educação como se fossem exclusivo do “mau desempenho” dos professores! Sabemos todos que não é!!! Como também não é a avaliação a questão única que opõe os professores à Ministra!
    Como já noutro post escrevi, os professores alguma razão terão, mas a verdade é que se sabe que ao longo dos anos o ” ensino” se degradou, a organização interna nas escolas se degradou, e os Governos têm vivido prisioneiros de Sindicatos, que apenas pretendem melhorar -legitimamente aliás- , as suas condições de trabalho e nada mais!!!
    Acontece que esta profissão não é uma profissão qualquer!!!(Não pode nem deve ser comparada à de um operador de máquinas, que em vez de 100 peças só fez 50)!
    Os destinatários dos serviços são os alunos, e quando os objectivos não são cumpridos pelos professores e pelas escolas, os resultados são sempre susceptíveis de alterar percursos de vida!!! E isto é grave, não se compara ao prejuízo, das 50 peças que operador da máquina deixou de fazer!
    A responsabilidade das falhas não é só dos professores ??? Não, claro que não é!!Mas são eles que devem ” sugerir” como fazer melhor!!! E não o têm feito!
    Fui durante dois anos membro de uma associação de pais numa escola. Colaboração dos Pais???? Insuficiente! Os pais também não estão isentos de culpas, sobretudo quando se demitem de participar!
    Mas constatei razões que desmotivam a participação: os professores só queriam os Pais na escola para se queixarem dos filhos, e tudo o que fosse para além disto, era ignorado ou considerado intromissão , o que limitava qualquer intervenção!!(que não foi nem é permitida).
    por outro lado, muitos pais intervinham sobretudo, para discutir apenas a nota atribuída ao aluno, num claro desafio à matéria soberana do professor.
    Não sei se é esta a reforma certa e a forma certa de a fazer!!Mas sei que não pode continuar como está e alguém tem que reduzir a desproporção de interesses entre os dos professores e os dos alunos!!!
    È este equilíbrio que não existe hoje numa Escola Pública, no meu modesto entender!!!
    Os professores “invadiram” a gestão Escolar, controlaram muito e mal e condicionaram a Escola a ser aquilo que temos hoje!!
    É por isso, que não conseguem ter o apoio da maioria dos pais, embora , repito, muita coisa esteja errada com eles!! mas, a “rejeição que agora sentem dos pais” é apenas comer daquilo que semearam!
    A responsabilidade de tudo isto não é dos professores!!! É dos governantes que lhes passaram pastas que não eram as suas, demitindo-se das funções públicas de organizar gerir, e avaliar, deixando para os professores a sua missão: ENSINAR!!!

  10. 10 10  BB

    Perder um segundo que seja a discutir a avaliação dos professores é fazer um enorme favor ao sr. engenheiro. Como toda a gente com dois dedos de testa já percebeu os problemas são outros. E são graves. E não são exclusivamente portugueses.

  11. 11 11  Bolota

    Oi Miguel,

    Aqui vão mais mas…

    Também eu defendo a avaliação dos professores, mas o meu mas, é diferente doutros mas… defendo a avaliação dos professores, mesmo depois de uma licenciatura de 4/5 anos passados em Faculdades da tutela do Ministério da Educação, um estagio e uma prova de ingresso na carreira para depois ser mão de obra barata fruto de um contrato de trabalho precário.

    Defendo a avaliação dos professores mas…podemos confiar na qualidade do ensino das nossas instituições de ensino superior ou não???
    Se não tudo bem…venha a avaliação
    Se sim…há-os por ai como a governar países com 15 a inglês técnico avaliados por fax. onde fica a avaliação destes???

    Mais…nem sequer sou professor. Mas…

    Um abraço

  12. 12 12  Patricia

    Daniel não vou voltar a falar de professores,mas como falou na avaliação no sector privado vou-lhe dar um exemplo,que é a realidade dos dias de hoje.Tenho um filho que tem o 12ºano e que fez o secundário na Escola do Comércio de Lisboa.Está a trabalhar faz 2 anos em Setembro num hipermercado,quando entrou fez um contrato com uma empresa de trabalho temporário renovável mes a mes,trabalhou assim durante 3 meses e meio.Ao fim desse tempo assinou contrato com a empresa detentora do hipermercado estando ainda a prazo.Na secção onde trabalha tem um valor meta diário de vendas,que se não for atingido é discutido com a chefia directa.O trabalho é por turnos rotativos.Apesar de toda a precariedade não há avaliações por simpatias,cumprem as leis,pagam tudo o que devem a tempo e horas.Portanto quanto a avaliações no sector privado pode ver o que se passa hoje em dia na maior parte das empresas.

  13. 13 13  Moriae

    Xiii … perdoem o ‘de que’ e o metais … leia-se mentais. O ‘é’ tb deveria ser ’seria’ … Terei que passar a reler o que escrevo.
    Desculpe. Não publique nenhum destes comentários, se assim o entender.
    Boa semana!
    Margarida/Moriae

  14. 14 14  Rui

    “O probelma é que nos professores não há qualquer mecanismo de avaliação”

    Engana-se existe um mecanismo de avaliação, enquanto Formador de Professores, avaliei muitos dos meus colegas.
    É muito fácil ser treinador de bancada, temos assistido invariavelmente a muitos comentários de “especialistas” em educação.
    Está na moda e é politicamente correcto criticar os Professores.
    Amanhã serão os magistrados e quiça a saúde, esta tendência mesquinha para enxovalhar o outro é muito português e triste.

  15. 15 15  Rui

    Mas o mais triste disto tudo é que eu avaliava Professores dentro da minha área e não como pretende a Srª Ministra colocar um Professor de Educação Física a avaliar Professores de Educação Visual, Educação Musical , caso que conheço bem pois trata-se da minha Escola

  16. 16 16  o puma

    Não existem boas avaliações

    nem nas urnas eleitorais

  17. 17 17  Fado Alexandrino

    Em traços gordos devemos separar as empresas em privadas e públicas.
    Não vou escrever nada sobre estas a não sequer que até há pouco tempo eram como na tropa, subia-se por antiguidade.
    Nas empresas privadas onde trabalhei, e tive a honra e o prazer de trabalhar nas maiores, a avaliação era uma norma, diria mesmo uma norma absolutamente normal.
    Havia injustiças?
    Claro, até Cristo que dizem era infalível enganou-se sobre Judas, como é que um simples mortal não havia de as fazer.

    Penso que o post reflecte uma maneira particular de sentir a sociedade.
    Deve-se reflectir muito, consultar as bases, fazer plenários, votações, comícios para que a vontade soberana do povo não seja maculada.
    Mas nesse caminho há sempre uma mas, uma coisinha, um renitente.
    Quem governar nestes pressupostos nunca vai governar coisíssima nenhuma.
    É por isso, que no caso em apreço, o privado é sempre melhor que o público.
    E dá melhores frutos.
    Parece-me até que Miguel Portas estudou num colégio privado.
    O resultado é como o OMO, está à vista.

  18. 18 18  Name

    Esta história de os privados serem todos avaliados é para rir? O que se vê por todo o lado, e 15 anos de auditoria não me provaram o contrário, é que as empresas privadas em Portugal apresentam os mesmos vícios que as públicas.
    Alguém disse lá atrás que não via ninguém a querer mudar de emprego no ensino apesar das queixas. Abra os olhos s.f.f.. Até ao fim do ano fala-se em 20 000 possíveis reformas antecipadas. Em países como a Inglaterra o ensino público já está entregue aos paquistaneses e indianos. Abrem concursos internacionais para conseguir preencher as vagas.

  19. 19 19  Fernando Martins

    Excelente post!

    Quanto a um tal Miguel ou lá como se chama, que diz isto:

    “Eu acho que se ser professor fosse assim tão duro (há um blog divulgado no ventosueste que diz que é a profissão mais desgastante logo após a de mineiro!!!) veríamos imensos a quererem mudar de profissão. Você conhece algum que já tenha mudado?”

    Há imensos casos de professores que abandonaram a profissão - na minha Escola, o ano passado, um colega deixou o Ensino (era contratado) e passou para a área da construção (também era Engenheiro, dos da Ordem). E esperem pelas saídas com penalizações que podem chegar aos 40% do valor da reforma dos mais velhos - vai haver milhares de professores a sair nos próximos meses…

  20. 20 20  Zé Bonito

    “Pois eu, que praticamente toda a minha vida trabalhei no sector privado, sei bem como isso é falso. O nosso Estado é apenas um excelente retrato do resto do país. Sente-se mais porque é mais centralizado e mais pesado. Mas a cultura é a mesma”.

    Já agora, pode acrescentar outro motivo. No Estado sente-se mais, porque é o principal empregador, sem que se veja onde anda esse dinamismo do sector privado que temos, com capacidade (e interesse) para se apresentar como alternativa.

    A maior parte dos defensores desta avaliação dos professores, pouco ou nada conhece do que se pretende com ela e muito menos do modo como uma avaliação pode contribuir para melhorar a Escola. Na realidade, como o Daniel diz, a maior parte dos que falam, nunca passou pela experiência de uma avaliação. Limita-se a pretender uma “penalização” de um grupo profissional que, por qualquer motivo, considera ser melhor (com mais “privilégios”) do que o deles. O raciocínio segue os mesmos passos de um outro que aprovou a redução dos “direitos laborais” dos funcionários públicos, porque os outros não os tinham- quando seria de esperar que reivindicassem por cima, pretendendo alcançar os mesmos objectivos.

    Para que uma avaliação de profissionais contribua para melhorar o serviço em que trabalham, é necessário que esse serviço tenha objectivos definidos e seja, ele próprio, avaliado. Ora, como tem sido denunciado até por pessoas da área política do actual governo (Ana Benavente, por exemplo), se há coisa que ainda não foi feita foi definir o que se pretende da Escola Pública. Aliás, as famosas medidas que tanta publicidade têm merecido, como o prolongamento do horário e o aumento do “sucesso escolar”, mereciam ser analisadas friamente, sem o nevoeiro da propaganda. Talvez nessa altura se percebesse que se está a exigir às crianças e aos jovens deste país o que nunca anteriormente foi exigido, limitando as suas experiências e a construção da sua autonomia, às quatro paredes de uma instituição. Na realidade, talvez se percebesse que se está a transformar a escola numa válvula de escape que evite que se pense muito no tipo (e na qualidade) de vida que vamos tendo.

    Quanto ao “sucesso escolar”, uma análise mais calma facilmente levava a concluir que se estão a analisar resultados de um só ano que por si só nada dizem. Podemos dizer que o sucesso aumentou se, dentro de 3 anos, concluirmos que há um maior número de percursos (12º ano) concluídos com sucesso, e um maior número e entradas em TODOS os cursos do Ensino Superior.

    Para quem tem estado atento às diversas declarações, sobretudo às que às vezes são feitas sem querer (veja-se as do secretário Pedreira ou a declaração da ministra no encontro com os professores do PS), esta avaliação apenas pretende regular o descongelamento dos escalões salariais. Ponto final.

  21. 21 21  o DCSA

    Daniel Oliveira

    “é difícil acreditar na eficácia de avaliações burocráticas nacionais.”

    Mas quem lhe disse que esta avaliação é nacional, sabe por acaso o que as escolas estão a fazer?

    http://www.esec-amarante.rcts.pt/

    Já agora a esmagadora maioria dos professores são contra escolas autónomas. Quando defendo junto dos meus colegas que as escolas deveriam poder escolher quem nelas trabalha, chamamam-me logo de neoliberal!!! E eu sou de esquerda.

  22. 22 22  Daniel Oliveira

    DCSA,
    O ministério definiu a forma de avaliação.
    Quanto à autonomia, temos o mesmo problema e aí discordo da esmagadora maioria dos professores. Escrevi. aliás, penso que aqui no Arrastão, um post sobre isso. Nunca percebi se acham que o sistema que vigora nos hospitais de administração pública, com os médios, é neoliberal.

  23. 23 23  Moriae

    Daniel, eu acho que o esquema que vigora nos hospitais é neoliberal. E, penso que as escolas não devem escolher os seus professores e dou exemplo: se o tipo que estiver à frente da escola só quiser saber de belas mulheres louras e se, se estiver nas tintas para a educação e (sei que não devia usar este 3º e) se a política educativa for a que JÁ está em vigor, então, só as louras belas entrarão porque, passar, passam todos e a paisagem tb é bonita!

    Por falar em saúde, reparou que morreu um adolescente por causa dos negócios do governo com o INEM? Bombeiros a 5 mn, Hospital a menos e INEM, 30 (40mn segundo uma fonte) mn???

  24. 24 24  saltapocinhas

    bem dito!

    como professora sou contra esta forma aberrante de avaliação que me vai pôr na situação de ser avaliada por colegas com menos anos de serviço e um dos quais nem sequer dava aulas há um monte de anos!!

    a avaliação de professores está inquinada desde o início quando, por meios meramente burocráticos e artificiais, colocaram os professores em 2 patamares diferentes (os professores e os professores titulares)
    Isso é que ninguém engole, já que todos sabemos como foi mal feita e injusta essa diferenciação!!

  25. 25 25  João Narciso

    Para existir qualidade no ensino tem de haver uma boa avaliação dos seus intervenientes. É assim com os alunos. Deve ser assim com os professores. A qualidade tem de ser premiada e tem de haver uma clara discriminação entre os bons e os maus professores. Actualmente, a profissão de professor proporciona inúmeras situações de não ser exercida. Depois de entrar na carreira é um descanso. Para alguns, a segurança de um emprego para a vida e a certeza de uma promoção automática, são as únicas coisas que os prendem à profissão. Muitos caem na rotina, no comodismo e no facilitismo que a carreira oferece. Até os bons professores se desmotivam e acabam por entrar nesta cultura descentrada do seu objectivo principal: o sucesso dos alunos. Por isso que, para bem dos alunos e dos bons professores, é urgente mudar. A escola precisa de voltar a ser credível e isso só é compatível com uma cultura de qualidade e exigência para todos, inclusive para os professores. Porque a escola pública existe por causa dos alunos, é neles que devemos centrar as nossas atenções, ainda que isso possa resultar na perda de direitos de alguns maus professores. Por muito que custe.

    Há ano e meio atrás, a maior parte dos professores dizia-se contra qualquer avaliação de desempenho que fugisse dos termos da que era feita na época, ou seja, que interferisse com a progressão automática nas carreiras. Agora, tal como o Daniel, percebendo que não têm argumentos que sustentem o facto de não quererem ser avaliados, dizem que, afinal, querem ser avaliados mas não nos moldes que a regulamentação do Ministério da Educação definiu.

    Sejamos claros, o objectivo da maior parte dos professores e sindicatos é, tal como ouvi ontem na voz de um colega, “dar cabo da ministra antes que ela dê cabo de nós”. O que temos assistido ultimamente é apenas fogo de artificio para nos entreter em discussões demagógicas e vãs que visam apenas e só adiar a implementação da avaliação e deixar tudo como está.
    Todos sabemos que a reforma em curso na educação é a mais difícil de fazer, com óbvios custos políticos, e envolve mudanças profundas na cultura das nossas escolas que, sem margem de dúvida, afectam os interesses e expectativas dos professores. Contudo, são reformas imperativas a bem do país, que só não foram feitas há muitos anos por falta de coragem política dos governos anteriores.

  26. 26 26  laranjalima

    Ao Miguel e não só…
    Eu defendo a verdadeira autonomia, onde as escolas possam fazer os seus documentos PE,PCE,RI…darem deles conhecimento à comunidade que inscreverá os seus filhos se concordar com eles. A escola gerirá os seus recursos humanos e financeiros e no fim presta contas. Quem é avaliada é a Escola, que internamente há-de encontrar os seus mecanismos de avaliação, nomeadamente para os professores, uma vez que ela, escola, vai ter que estabelecer objectivos e todos terão que cooperar para os atingir. Esta é a minha ideia de Escola e de avaliação.
    Ao Miguel eu gotaria de lhe perguntar o seguinte: como se sentiria o Miguel se o seu chefe lhe exigisse um resultado que só numa parte depende de si? Imagine que é um operário que tem que produzir um determinado produto com determinda qualidade, mas a matéria prima não tem sempre a mesma qualidade, as máquinas estão ultrapassadas, tem sempre alguém que lhe está a desligar a luz e o Miguel não pode fazer nada para impedir essa pessoa e o fazer. Depois diz consumidor os cuidados a ter para que o produto funcione bem mas ele não houve as suas recomendações e os resultados não são os esperados. Imagine que, ainda por cima, o seu chefe, que nem conhece a empresa, lhe está sempre a dar as orientações erradas. Qual o grau de culpa do Miguel?
    Já agora sentia-se confortável num modelo de avaliação em que quem o avalia é o seu colega que curiosamente também está a ser avaliado e a concorrer à mesma promoção que o Miguel?
    Leia o modelo proposto que vai ter tantas surpresas que ainda vem para a rua também…

  27. 27 27  Pedro Gomes

    Deixo aqui o que escrevi no dia 9 no meu blog, acerca deste tema:

    Estive ontem em Lisboa, e constatei in loco a manifestação dos professores. Independentemente de se concordar ou não com as suas razões , não é possível ignorar ou minimizar o facto de 80 a 100 mil pessoas terem estado ontem em manifestação de desagrado contra o Ministério da Educação. Pelas declarações dos porta-vozes da manifestação (Fenprof, CGTP) e de alguns dos professores ouvidos, consegui perceber aquilo que eles não querem:

    * Um sistema de avaliação tal como o que foi concebido pelo gabinete do Ministério (de notar que os professores não recusam ser avaliados)
    * Serem considerados como o bode expiatório de todos os males da educação em Portugal

    Agora resta saber aquilo que os professores querem ou seja quais as ideias que propõem para a melhoria do ensino em Portugal. Na minha opinião, nas questões referentes ao ensino em Portugal fala-se demasiado de professores e ministérios, e muito pouco dos que realmente interessam: os alunos. Não há como dizê-lo de outra forma: neste momento os alunos saem das escolas impreparados para as universidades e para a vida. Porque é que os alunos Finlandeses atingem graus tão elevados de excelência na educação e porque é que os alunos Portugueses não os conseguem imitar? Tendo algumas culpas no estado actual das coisas, os professores certamente não são os únicos culpados. Perderam autoridade e respeito devido a políticas ministeriais que teimam em confundir exigência e disciplina com autoritarismo, cada vez mais são incumbidos de tarefas que não fazem parte das suas habilitações (muitos pais hoje em dia “despejam” os filhos nas escolas durante 8 a 10h e esperam que sejam os professores a educá-los, quando a tarefa destes últimos é simplesmente ensinar), e têm que lidar com uma população estudantil hoje em dia mais numerosa e muito heterogénea em termos sociais e económicos.

    A reforma do ensino em Portugal, pelo que me tenho apercebido pelas declarações da ministra da Educação, tem-se centrado num ponto, a meu ver importante mas não o mais prioritário: o sistema actual de carreiras está estruturado de uma forma em que um professor em início de carreira ganha muito pouco (quando comparado com um professor Finlandês, por exemplo), e um professor no topo da carreira ganha cerca de 3000 euros brutos por mês, para todos desde educadoras de infância a professores do secundário (bastante mais elevado que os congéneres finlandeses). Actualmente todos os professores conseguem chegar ao topo da carreira, independentemente das suas avaliações. Pelo que percebi, a reforma actual vai permitir que apenas ascendam a esses valores uma parte do total dos professores, que estará dependente de boas avaliações. Faz algum sentido, porque nem todos podem ser bons, já que a competência se distribui segundo uma curva normal. A introdução de avaliações e restrições à progressão nas carreiras tem a ver unicamente com a constatação pelo Ministério de que não há dinheiro para 150 mil professores poderem chegar ao topo da carreira, e não pretende ser uma forma de melhorar a educação.

    No entanto começar por aqui parece-me uma acção precipitada e politicamente desastrosa. Deixo alguns dos pontos que, na minha humilde opinião, deveriam ser discutidos antes:

    1. Autonomia de gestão para a escolas, através da presença de um Director (nomeado/votado pelos professores, pelos pais e pelas autarquias) que responsabilizasse a escola pela contratação do seu corpo docente, acabando com a aberração que é a colocação de professores através de um sistema burocrático e centralizado, em que os não efectivos andam todos os anos com a casa às costas. O sistema actual é péssimo para os professores (cuja estabilidade ou falta dele se reflecte certamente no desempenho de funções), péssimo para as escolas (um professor que viva nas proximidades será certamente muito menos faltoso do que um que tenha os filhos, por exemplo, a 100 ou 200 km de distância) e péssimo para os alunos (que muitas vezes vêm um bom professor de quem gostavam e com quem aprendiam ser substituído no ano lectivo seguinte por um colega bastante menos competente).
    2. A possibilidade dos pais poderem escolher a escola em que matriculam os filhos, não estando limitados à área de residência. Isto obrigaria as escolas a terem de “competir” pelos alunos, o que as obrigaria a ser melhores.
    3. Maior responsabilização dos pais no processo de aprendizagem dos alunos. Não vale e pena chumbar repetidamente um aluno problemático e mantê-lo na escola sem envolver os pais na procura de soluções (por exemplo, tirá-lo do ensino geral e colocá-lo no ensino profissional).
    4. Criar condições de trabalho para professores e alunos dentro das escolas, para que os primeiros não tenham de ir para casa preparar aulas, fazer avaliações e desenvolver material didáctico e para que os segundos possam por exemplo fazer os trabalhos de casa com a ajuda de um professor, ou participar em actividades extracurriculares
    5. Acabar com o ensino para as estatísticas, com as progressões automáticas dos alunos e o nivelamento por baixo dos critérios de exigência do ensino.

    Fica o tema para discussão, para quem quiser comentar.

  28. 28 28  zep

    ainda não percebi como é que a avaliação que o ministério quer impor à pedrada pode melhorar a educação!

    o que é que pode melhorar o facto de um professor ser classificado de muito bom ou excelente?

    a mim parece-me que é necessário haver muitos e muitos professores muitos bons e excelentes.

    este sistema garante que todos aqueles que sejam muito bons e excelentes possam classificados como tal? Não!

    depois também não percebo como está garantido o princípio da imparcialidade quando o avaliador também tem interesse na percentagem disponível para essas classificações! (ver artigo 44º do CPA)

    que melhoria pode vir para a educação para um professor que, embora excelente, não consegue chegar a professor titular!

    esta “reforma” apenas tem um objectivo económico, apoiado pela “inveja do vizinho”.

    Não acham estranho que ao mesmo tempo que se quer passar a ideia de mais exigência com os professores se diminua a exigência com os alunos? (ver novo estatuto do aluno)

  29. 29 29  Levy

    Pedro Gomes 17 Mar 2008 às 0:45

    Relativamente às propostas que deixou, parte delas são “lugares comuns”, e outra parte propostas “à treinador de bancada”, mas ainda assim, permita-me que as comente:

    1. Caminha-se para isso. Mas a mudança de um sistema centralizado de colocação de professores, para um ao nível de escola, não se consegue fazer de um dia para o outro. E tem também alguns inconvenientes, a titulo de exemplo: as escolas já podem recrutar directamente professores para substituituir outros que se encontrem doentes. Até aqui parece tudo normal, acontece que muitas vezes a 1 vaga concorrem 300 pessoas. Nesse caso, é a secretaria da escola que tem de processar as 300 candidaturas, com as dezenas de papeis que tem cada uma. Já assisti de perto, e só lhe digo que é um inferno, e atrasa a selecção do professor, com prejuizo directo para os alunos. Por outro lado, também já assisti, a abrir a vaga, ser publicado o anuncio no jornal e ninguém concorrer. Paralelamente, o ME tem uma lista com milhares de pessoas, mas como tem de se respeitar a lei e a autonomia das escolas, a partir de determinada fase, essa lista n serve para nada, cabendo à escola a recrutar os professores que vai precisando. Como vê, uma coisa às vezes é a teoria, outra é a prática. A solução para isto, no meu entender, continua a ser haver uma bolsa organizada de professores, onde as escolas possam recorrer, caso contrário a colocação de 1 único professor é um pesadelo.

    2. Sei de onde vem esta proposta. Insere-se na corrente mais liberal em relação ao ensino, visando tornar os alunos “clientes”. Não sei se será melhor ou pior, mas a mim parece-me pelo que vou observando, que os país continuam a ter relutância em colecar os filhos em escolas longe de casa. Por isso julgo que se essa medida fosse tomada, muito pouco impacto teria. Por outro lado, as escolas melhores tenderiam a ficar cheias com as cunhas do costume, sendo os alunos piores empurrados para escolas piores, acabando por não benificiar desse “poder de escolha” que sugere.

    3. Isso é feito todos os dias com milhares de alunos. Se há coisa que o nosso sistema faz é tentar envolver os pais. Mas não se esqueça que ele é garantista. O que é que acontece aos país que forem irresponsaveis em relação à educação dos filhos?

    4. É dificil defender o contrário.

    5. Na maneira como apresenta a 5. ela é quase oposta à 3. Parece que numa acusa os professores de exigencia, na outra de facilitismo.

  30. 30 30  Fado Alexandrino

    ainda não percebi como é que a avaliação que o ministério quer impor à pedrada pode melhorar a educação!
    o que é que pode melhorar o facto de um professor ser classificado de muito bom ou excelente?

    Permita-me dar uma achega às suas dúvidas.
    O que está aqui em causa não tem nada a ver com educação.
    Aliás nem o ministério nem os professores estão preocupados com a mesma.
    O que está aqui em causa tem a ver com a simples progressão na carreira. Antigamente era muito simples, todos chegavam ao topo se não morressem antes.
    Ora isto era muito caro e assim o ministério precisava de um sistema para diminuir essa orgia.
    Podia ter mandado fazer uma tômbola, meter lá uns papelinhos e fazer uma extracção na televisão.
    Arranjou este.

  31. 31 31  Mário Azevedo

    Um dos problemas dos professores é não fazerem a separação do trigo do joio. Há coisa nesta avaliação que são positivas e há outras que são autênticas aberrações. Ao serem contra tudo, dão a ideia de que não querem ser avaliados.
    Para mim, as aulas assitidas, por exemplo, é umaspecto positivo. A única forma de se saber se um professor é bom ou não é observando-o na sua actividade: é ver como prepara as aulas, como ensina, como se relaciona como os alunos. Não vejo como se pode saber isto sem aulas assitidas.
    Eu não sei que experiência profissional tem o Daniel Oliveira, mas uma empresa que não avalia os seus trabalhadores não pode ter grande futuro. A vantagem das empresas privadas é que as coisas funcionam de um modo muito natural. Pode não haver grelhas, mas as empresas sofrem sempre a pressão da competição e da concorrência. A empresa terá muito mais hipóteses de sobreviver se tiver bons profissionais. Ora, isto não acontece na maior parte da instituições públicas. Nunca vi nenhuma instituição pública fechar por incompetência.

  32. 32 32  Stran

    Gostaria de deixar o meu comentário para reflexão:

    Já muito se falou desta reforma. Muitos foram a favor e muitos foram contra. Este é um tema fracturante da sociedade. assim como já foi um outro: o Aeroporto.

    No entanto, e ao contrário do que aconteceu com o aeroporto, parece que a actitude neste caso é agir mesmo que seja de forma errada.

    O que eu não compreendo, e gostaria que alguém me explicasse, é como num tema em que envolve principalmente dinheiro e infraestruturas se aceitou e aplaudiu que se parasse para fazer estudos mais avançados. Aceitou-se como positivo existir uma nova reflexão quando surgiram duvidas se a decisão tomada tinha sido a melhor.
    E noutro tema que envolve dinheiro e principalmente pessoas se tenha a actitude precisamente contrária. Também neste caso não se tem certeza que seja a melhor opção, não existem estudos (nenhum publico pelo menos) que comprove que esta decisão tenha algum beneficio para o País. Mas neste caso existem pessoas, e os governantes incluidos, que preferem agir primeiro e depois é que se corrige (quando na verdade já não é possível corrigir).

    Tanto num caso como noutro está em risco o nosso dinheiro e um custo de oportunidade brutal, mas a actitude é completamente oposta. O que me deixa a dúvida: o que os distingue?

    A resposta é fácil, o primeiro tinha reflexo em grande interesses económicos, e num grupo de cidadãos que embora menos numeroso tinham mais força de pressão, no outro afecta pessoas, que embora em maior numero têm menos força de pressão.

    E julgo que este exemplo de comportamento começa a ser uma imagem do nosso país: preocupamo-nos mais com as infraestruturas (matérias inertes) do que com as pessoas.

    Triste o caminho que caminhamos quando ainda por cima quem está no poder é um governo “supostamente” socialista.

    P.S.:
    Daniel,
    Espero que leias esta parte do comentário.

    Julgo que não deverias escrever tão ligeiramente sobre a autonomia. Esse será o próximo passo desta reforma. Embora saiba que este é o teu blogue pessoal e nele tu emites opiniões pessoais, a verdade que a tua visibilidade (mais de 1.000.000 de pageviews que estás mais do que de parabéns) te dá uma outra responsabilidade que por exemplo eu não tenho (o meu peso é diminuto se não nulo). Quando escreves acabas por influenciar a opinião de outras pessoas quer queiras ou não. Isso é fruto do teu trabalho e deve-te deixar orgulhoso.

    No entanto quando escreves como agora que és apologista da autonomia, sem a definires concretamente, estás a de uma forma indirecta a fundamentar o próximo erro desta reforma: a autonomia. Corres o risco daqui a 3 meses (ou mais) voltares a escrever que és a favor da “autonomia mas não desta”, o que irá mais uma vez esvaziar um pouco o debate que poderia ser muito mais sólido se antecipasses desde já esse cenário.

    Espero que não te ofendas com este comentário ele foi elaborado no intuito de melhorar o teu já excelente blogue. Escrevo porque estou muito preocupado com o tempo que aí vem, que vai ser muito dificil e que, pela primeira vez na nossa vida (pelo menos na minha), poderemos enfrentar não uma recessão mas sim uma depressão.

    Melhores Cumprimentos,

    Stran

  33. 33 33  António Vilarigues

    É espantoso, sim ainda me espanto, como alguns comentários denotam um atrevimento imenso fruto da ignorância.
    Já foram ao sítio na Internet da FENPROF?
    Já leram esta entrevista imprescindível para perceber o que se passe nesta área (concorde-se ou não com ela) http://ocastendo.blogs.sapo.pt/211135.html?
    Ou as 25 páginas de Word (é o espaço que ela ocupa) metem medo e são um apelo à preguiça?

  34. 34 34  Moriae

    Concordo com o Mário Azevedo no que diz respeito às aulas assistidas. Eu e muitos de nós não temos pruridos quanto a isso até porque já fomos habituados a tal: enquanto estudantes (estágios profissionais integrados) e alguns, enquanto orientadores de estágio. Sempre gostei de dar aulas de porta aberta e sempre recebi pessoas com muito gosto.
    Não me repugna nada planificar porque tal faz parte das minhas funções. No entanto, só aceitaria tal se reconhecesse competência científica e pedagógica na minha área disciplinar.
    Obrigada, Daniel.

  35. 35 35  JLS

    «este sistema garante que todos aqueles que sejam muito bons e excelentes possam classificados como tal? Não!»

    Neste ponto a ministra tem toda a razão: se começarem a surgir muitos excelentes e muito bons é porque os objectivos foram mal definidos. É impossível haver 100% de excelentes ou muito bons. Mas é de facto possível, existe um risco residual de que isso possa acontecer. Comparando com o status quo, dificilmente pode dizer que isso é algo negativo. Hoje temos a certeza absoluta que isso acontece, sem critério algum. Pode não haver a classificação, mas as consequências são as mesmas - é como se fossem todos excelentes. É impossível esta avaliação ser pior do que isto.

  36. 36 36  Miguel Marujo

    «[...] com grelhas e critérios escritos e definidos previamente? Quantos têm um colega seu a assistir a um dia de trabalho e a avaliar a forma como o desempenham? Quantos fazem exames frequentemente para saber dos seus conhecimentos? Quantos são sujeitos à avaliação da qualidade do que produzem? Quantos são promovidos tendo exclusivamente estes critérios em conta?» Mal ou bem, os médicos. Essa outra classe dita privilegiada que, no SNS, não é assim tão privilegiada, obedece a todos estes critérios.

  37. 37 37  José Rodrigues

    Seguindo a recomendação aqui deixada fui ler a entrevista do presidente da Fenprof Mário Nogueira ao CM.
    Mal deparei com uma resposta inicial na entrevista, que deixo aqui, perdi quase a vontade para ler o resto. Como para criticar convém ler-se tudo, foi o que fiz e depois deparei já mais para o fim da entrevista com outra resposta de Mário Nogueira, que também aqui deixo, que contradiz por completo os argumentos utilizados na primeira.
    E não nos podemos esquecer que ainda mal a actual ministra tinha pousado a sua carteira na secretária e tirado o casaco, quando entrava pela primeira vez em funções, já a Fenprof de que Mário Nogueira fazia parte, ainda não era presidente, já tinha decretado uma greve aos exames, com todo o calvário e perturbação que isso causou no sistema educativo e sobretudo nos alunos do 12º ano.
    É com grande estupefacção que agora vejo o Mário Nogueira muito preocupado com a possível perturbação que uma avaliação de professores iria provocar por ser no terceiro período.
    Resumindo, para a Fenprof, uma avaliação aos professores, os tais cerca de 7000 agora, seria de todo irresponsável pelo que ia perturbar, quer professores e alunos. Uma greve de professores no final do ano, já será um acto muito legítimo, nada irresponsável e já nada preocupa os dirigentes da Fenprof se isso for perturbar o final do ano lectivo, quer para professores e sobretudo para alunos e dentre estes os do 12º ano.
    Valeu a pena ter lido a longa entrevista. Só é pena, que o jornalista que a fez e que ainda há dias escreveu um artigo bem duro para com os professores, não estivesse tão dentro destas matérias e outras que ao longo da entrevista deixou escapar sem apontar o contraditório a muitas das respostas dadas por Mário Nogueira.

    «Por causa dos testes e dos exames?

    - Repare. O terceiro período lectivo é quando os alunos estão a preparar os exames, são os momentos de recuperação, os professores já têm dois períodos lectivos, já têm algum cansaço acumulado, e é quando os professores precisam de ter tudo menos coisas que os distraiam do trabalho com os alunos. Por isso, ir introduzir no terceiro período um factor de instabilidade é irresponsável.

    Admite uma greve de professores no final do ano?

    - É um cenário que nós não pomos de lado. Tem de estar sempre em cima da mesa. Se as coisas não se resolverem é uma forma de luta, uma luta grave, forte. Não a descartamos. Eu costumo dizer que para um dirigente sindical a melhor luta é aquela que não é preciso fazer. Porque é aquela que até ao momento da sua concretização os problemas que estavam por detrás da marcação foram resolvidos. Às vezes não é fácil. Nós temos uma forma de luta prevista, temos um processo de mobilização para ela, para ganhar força e depois de as pessoas estarem embaladas nós temos de parar. É um desafio extremamente exigente. Mas repito. A melhor forma de luta é aquela que não se faz porque é sinal que a coisa se resolveu. Porque a luta é instrumental. Não é um objectivo. Não andamos aqui para fazer lutas. Andamos aqui para resolver os problemas. Agora, quando os problemas não se desbloqueiam só resta a luta.»

  38. 38 38  Moriae

    “E não nos podemos esquecer que ainda mal a actual ministra tinha pousado a sua carteira na secretária e tirado o casaco, quando entrava pela primeira vez em funções, já a Fenprof de que Mário Nogueira fazia parte, ainda não era presidente, já tinha decretado uma greve aos exames, com todo o calvário e perturbação que isso causou no sistema educativo e sobretudo nos alunos do 12º ano.” José Rodrigues

    Sim, foram uns cobardes os professores … deviam ter lutado muito mais já nessa altura para impedir a alteração à idade da reforma. Temos uma profissão altamente desgastante. Sei do que falo … já vi pessoas sem qualquer capacidade a ‘dar aulas’ desde aí. Gozadas, verdadeiramente humilhadas. Incapazes de dar boas aulas …

    Greve aos exames, greve a avaliações. Contra as aulas de substituição e tarefas auxiliares. Para não chegar ao que se chegou que é uma classe de dezenas de milhar a sentirem-se humilhados.

    Li na diagonal e só peguei nesse aspecto. Tenho a certeza que há vários …

  39. 39 39  Tiago Soares Carneiro

    Vamos exigir as 35 horas na Escola!!!

    Recebi esta mensagem e quero partilhar convosco…
    Aos meus colegas professores espalhem-na para ver se algumas coisas são esclarecidas…
    Alguns comentários de colegas sobre a perseguição aos prof’s (afinal, os GRANDES culpados do estado do ENSINO em Portugal)
    Porque não mudamos de agulha?! Vamos passar a exigir as 35 horas semanais… Assim a nossa sociedade não pode acusar os professores de trabalharem pouco… “Pois eles até se queixam! Querem trabalhar 35 horas… só pode ser porque REALMENTE trabalham mais”. Os pais deverão passar a perceber melhor o que se passa…
    Há muitos que realmente não se preocupam com o trabalho que fazem e quanto menos melhor. Mas desses há em todas as profissões!
    O que quero é trabalhar 35 horas e não me preocupar mais com a escola. Porque, se a ideia for as 35 horas MAIS não sei quantas fora de horas então que nos paguem para isso, pois não há dúvida que os “gordos” vencimentos que nos pagam são para 35 horas.
    Então vai ser o bom e o bonito: “Tenham paciência, mas não trago os testes! É que os computadores estiveram toda a semana ocupados por outros colegas. Fiquei até à hora de sair a olhar para as moscas porque não tinha onde trabalhar (o portátil é MEU, é para actividades de lazer, a escola não mo ofereceu!). Depois fui passear com a família. Estava fora das 35 horas. Vamos ver se para a semana temos mais sorte!”
    Ou então: -”O Stora!!! Outra vez o mesmo CD???”
    - “Tenham lá paciência. Mas já requisitei outros no ano passado (iguaizinhos a uns que comprei para me entreter enquanto brinco com os meus filhos depois das 35 horas). Ainda estou à espera. Mas esta música é muito interessante, ora vamos lá abordá-la de uma outra forma, de certeza vocês vão gostar muito.” (É que os professores que não tiverem imaginação e uma atitude muito positiva, não são bons profissionais).
    Ou ainda: “Desculpem lá, mas vou ao cinema com a minha mulher! São 17h e não posso continuar nesta reunião!” (Claro que posso ser obrigado a isso, se pagarem as horas extraordinárias ou um suplemento de isenção de horário!”)
    Já agora… e a propagada necessidade de formação contínua, de actualização??? No meu tempo familiar??? NEM PENSAR!!! Só nas desejadas 35 horas!!!!
    EU QUERO UM HORÁRIO DE 35 HORAS E ORGANIZAR A MINHA VIDA PROFISSIONAL À VOLTA DESSAS 35 HORAS!!!!
    Exijo que me obriguem a estar na escola 35 horas, e mais nada! Ou então calem-se e não me falem mais nisso pois, com jeitinho, pego num cronómetro e passo a impor-me 35 horas, mesmo que não mo obriguem!!!
    Não gozem comigo! A sério, vamos pedir as 35 horas!
    Já agora, gostava de ver um estudo comparativo, sério, entre diferentes carreiras de licenciados. Horários, remunerações, sistemas de saúde, etc. Também gostava REALMENTE de saber que raio de privilégios é que tenho! É que se me parece que a nossa carreira é uma aberração, com um topo decente, mas uma metade inicial uma anedota, seria interessante saber e não só parecer.
    E para acabar, porque será que de uma profissão que dizem tão privilegiada, também dizem que só a têm aqueles que não encontram mais nada???
    Gostava de perceber, mas sou professor, não chego lá!
    Eu também quero trabalhar as 35 horas na escola!
    Mas quero mais… Quero tirar as férias em diferentes alturas do ano e não ter de gramar sempre o Agosto!!! Tudo tão caro nesse mês. Vou já escolher: quero uma semana em Março, outra em Novembro e duas semanas na 1ª quinzena de Julho! E vou vender o meu PC de casa porque vou conseguir fazer tudo na minha escola! Vai ser fantástico! Vamos todos lutar pelas 35 horas!
    Eu também quero trabalhar as 35 horas na Escola. E, já que ficamos cada vez mais iguais aos outros funcionários públicos, também quero marcar férias fora do período que medeia entre 15/7 e 31/8 (ou uma semana além, por causa do Serviço de Exames). É que fora desse período gozo melhor as férias: - há menos gente e tudo sai mais económico.
    Quero também deixar de ter o porta-bagagens do meu carro transformado num escritório ambulante, carregando testes, apontamentos e livros de casa para a Escola e vice-versa. Também quero poupar nos tinteiros para a impressora, nas resmas de papel e na energia eléctrica que gasto em casa, à conta da necessidade de preparar aulas, instrumentos de avaliação, reuniões, etc.
    E mais, quero almoçar a horas e com sossego. As sandes do bar da Sala dos Professores, ingeridas num curto espaço de tempo, já me estavam a fazer mal ao estômago. Também quero que as reuniões acabem a horas e não se prolonguem para além das 20 horas, já para não falar de alguns Pedagógicos em que a Ordem de Trabalhos traz assuntos mais complicados que vão para além dessa hora. Quero sair à noite descansadamente, para tomar um café, sem pensar que ainda tenho alguns testes para corrigir, algumas notas a rever por causa das avaliações intercalares, etc…
    Vamos exigir as 35 horas na Escola!!!
    Eu também quero as 35 horas na escola, e não ter que me preocupar com o trabalho quando estou em casa.
    TAMBEM NÂO ME QUERO PREOCUPAR COM AS 3HORAS DE VIAGENS QUE FAÇO TODOS OS DIAS DE ESCOLA PRA CASA E DE CASA PARA A ESCOLA, E TER A REGALIA DE GASTAR UMA PIPA DE MASSA PARA ME DESLOCAR DE QUE ME POSSO QUEIXAR EU…ATÉ TENHO QUE TRABALHAR AOS SABADOS DURANTE
    TODO O DIA COM O DESPORTO ESCOLAR E ME DOU AO LUXO DE NADA RECEBER PARA ISSO…

  40. 40 40  piaf

    Sempre achei que é muito difícil explicar a alguém que não trabalhe numa escola, o que é e como funciona uma escola. Quando comparam o funcionamento da escola com uma empresa, eu gostaria de perguntar se na privada tem de levar lápis, canetas, batas e levar trabalho para casa porque numa escola com 8 prof de 1º ciclo, e é pequena, há 1 computador, 1 impressora uma sala minúscula de trabalho, etc, etc. Por favor, vão ao blog http://educar.wordpress.com/
    A Educação do meu Umbigo e leiam uma tomada de posição de uma escola de Viana de Castelo que ilustra a trapalhada que este ME nos meteu só em três meses. Tentem entender que nem os bons prof conseguem trabalhar neste imbróglio legislativo. Parece-me que se querem competência esta tem necessariamente de vir de cima ou então que autoridade tem o ME??

  41. 41 41  JCM

    Há alguns equívocos em muitos leitores. Por exemplo, pensar que esta avaliação se destina a separar os melhores dos piores. Iremos ter «excelentes» professores que ensinarão muito pouco ou nada. Iremos também ter professores «medíocres» na avaliação que marcarão os seus alunos para o resto da vida. Quem ler com atenção a metodologia de avaliação percebe claramente que não é a escolha dos melhores que está em causa. Mas quem conhecer a realidade burocrática das escolas sabe perfeitamente como, dentro em breve, teremos professores especializados na organização de portfólios de avaliação. O principal problema desta avaliação é que concentra o professores na sua própria avaliação em vez de os concentrar no ensino.

    Proposta de avaliação:

    Nota – Separar e diferenciar as avaliações dos vários níveis. Não se pode confundir o pré-escolar com o ensino secundário, nem sequer com o ensino básico. A minha proposta dirige-se aos professores do secundário, que é o grau que lecciono.

    1. Resultados dos alunos obtidos em provas de avaliação externa - exames (equacionar o resultado obtidos pelos alunos de um professor com a média nacional, o desempenho global da escola e o desempenho desses alunos nas outras disciplinas). Isto permite ter em conta o contexto sócio-cuktural da escola.

    2. Assiduidade.

    3. Formação científica feita na área do currículo que lecciona e junto das universidades.

    4. Desempenho de cargos atribuídos.

    5. Professores sobre os quais pendessem queixas regulares dos pais sobre o seu desempenho ou que revelassem uma avaliação negativa nos outros itens, seriam objecto de avaliação técnica sobre a forma como leccionam e se relacionam com os alunos, para determinar a forma de ultrapassar a situação (penso que isto é feito em certos países).

    Uma avaliação fácil, justa, clara e distinta. Sem burocracia, com respeito pela liberdade de ensinar e com assunção plena da responsabilidade do que se faz. Os resultados dos alunos, devidamente equacionados, contariam, seriam mesmo um elemento central. O professor estaria concentrado no acto de ensinar e na sua formação científica.

    JCM

  42. 42 42  Pois

    Basicamente, neste tipo de discussão surgem dois grupos de opiniões. Um, o das pessoas que raciocinam e que utilizam a sua inteligência para justificar as suas ideias. Outro, a dos invejosos que, por preguiça ou por qualquer outra razão menos nobre, nunca conseguiram ter aquilo que cobiçam nos outros. Este dado sociológico foi muito bem aproveitado por este Governo, liderado por um homem bem “sabido”. Ai não que não foi…

  43. 43 43  brit com

    Gostaria de deixar aqui esta achega para contribuir para a reflexão:
    1. Quando um aluno ou seu encarregado de educação estão descontentes com uma avaliação minha têm o direito de recorrer à nota. Para mim isso é uma avaliação. Nunca tive um recurso de nota.
    2. Existe uma instância chamada Inspecção Geral da Educação à qual qualquer elemento da comunidade se pode dirigir para “apresentar queixa” de um docente (e não só). Nunca fui objecto de queixa.

    Seria interessante fazer uma estatística só destas duas opções disponíveis para ver quantas das pessoas que tão mal dizem dos professores e que têm filhos a estudar efectivamente usaram as ferramentas ao seu dispor para mudar aquilo que tanto criticam. E também seria interessante verificar quantas das queixas eram efectivamente fundamentadas.
    Será que corresponderia a um número assim tão elevado? Digo que não.
    Razões:
    a) os professores afinal não são assim tão incompetentes
    ou
    b) os pais afinal não defendem assim tanto os interesses dos seus educandos.

  44. 44 44  Francisco Barbosa

    Durante anos a culpa era da 5 de Outubro que dirigia tudo centralmente. Agora, quando se fala de descentralizar, dar autonomia às escolas, de as responsabilizar é o ai Jesus. A minha mãe, que não é professora, em conversa com amigas professoras perguntou- “Então não era isto que defendiamos após o 25 de Abril? Mais autonomia para a escola? Envolver a comunidade? Liberdade responsável?” Ficou sem resposta.

  45. 45 45  Jorge Guimarães

    Há vinte e tal anos que sou professor… Ao ver tanta eloquência, sabedoria e profundos conhecimentos da matéria educativa, Meus Senhores e Senhoras, quem nada disto percebe sou eu.
    Todavia digo-vos: desde o Código do Trabalho no magistério Manuela Ferreira Leite (1º golpe), ao Estatuto da Carreira Docente do magistério Lurdes Rodrigues e às aulas de substituição, á escola a tempo inteiro, ao inglês para todos os meninos(as) do ensino básico, à avaliação do desempenho docente (da co-autoria Pedreira e Lemos Lda), passando pelo Estatuto do Aluno do Ensino não Superior e da Lei da Nova Gestão que se forja e considerando o contínuo congelamento em que o meu ordenado se encontra por oposição a mais serviço e trabalho que me é exigido, digo NÃO e NÃO a tanto golpe e golpada. Pois NÃO é isso o quero para os meus filhos, para os meus alunos, para os professores(as) e para Portugal. Basta de golpes sejamos claros. EDUCAR E ENSINAR CUSTA DINHEIRO, saibamos exigir um investimento nas pessoas, em todas as pessoas.

  46. 46 46  PD

    Estou estupefacto por estar completamente de acordo (bem, 95%) com este post do Daniel.

  47. 47 47  MJP

    Quando me falam em avaliação dos privados, sem o querem dizer com isso: objectivos a serem cumpridos. Não se trata de avaliação de desempenho, mas mera obrigatoriedade de cumprimento das tarefas para que foram contratados. A óptica é também completamente diferente porque os professores não vendem, nem produzem pessas em série.
    Imaginemos um vendedor com excelentes resultados numa loja e que é transferido para outra que tem vendido menos. Será que esta loja vai passar a vender mais? pode ser que sim, e aí conclui-se que a falha era imputavel aos trabalhadores (ou talvez não) mas poderá acontecer que continue com falhas nas vendas. Como o trabalhador é o mesmo não se vai poder concluir nada, a não ser que, pelo facto de existirem objectivos, o trabalhador não se limitou a estar no posto de trabalho lendo jornais, contando umas larachas, navegando na net, telefonando aos amigos ou bebendo uns cafezitos.
    O que se passa nas escolas é muito parecido. Há escolas onde é fácil conseguir resultados, e um professor menos exigente até é mal avaliado pelos pais porque os alunos deixam de investir no trabalho já que é fácil conseguir bons resultados sem esforço. Há escolas onde quase que é preciso “obrigar” os alunos a fazer qualquer coisita e nunca se vêm resultados apesar do esforço e os pais classificam os professores como maus porque são muito exigentes e desta forma desmotivam os alunos.
    O ME pretende avaliar os professores da mesma forma. Pretende que os bons professores são os que conseguem bons resultados, o que até nem é verdade. Os professores mais desleixados é que costumam calar os protestos com boas notas.
    A avaliação dentro das escolas não vai acabar nunca com os profissionais menos esforçados. Sabemos da vida corrente que estes só são menos esforçados porque conseguem sobreviver dessa forma. A avaliação vai contribuir para o mau-estar entre professores, como já está a acontecer sem ter benefícios.
    As fichazecas vão complicar tudo porque a perfeição não existe. Um bom professor, com prestígio, pode ser enxovalhado por uma observação pontual caso ocorra um pequeno deslize justificavel pelas condições. Se numa aula assistida, o “melga” da turma fizer uma intervenção despropositada o professor pode continuar como se não tivesse ouvido e isso ser apontado como uma falha por quem não conhece minimamente os alunos dessa turma; pode, também, o professor responder ao aluno e no fim ser criticado por ter rompido a linha de raciocínio dos restantes alunos, que passaram a estar menos atentos a partir daí, quando afinal se tratava de uma intervenção menor de quem estava distraído.
    Claro que os professores têm que ser avaliados mas não por aspectos pontuais, como se pretende, mas por comportamentos persistentes e em contextos variados. Não se pode avaliar um professor apenas numa turma de alunos muito bons ou muito maus, mas nas várias situações. Não se pode avaliar um professor pelos resultados porque estes podem não depender do professor.
    Os avaliadores não podem ser colegas que aspiram a classificações que estão na mesma cota dos avaliados. Os avaliadores tem que ter tempo para avaliar porque uma avaliação esporádica pode ser pior que nenhuma avaliação.
    Esta avaliação não cumpre nenhum dos objectivos que se propõe. Esta avaliação nasceu torta e persiste em não se endireitar.

  48. 48 48  MJP

    peças e não “pessas”.
    Desculpem, mas nem eu acreditei no que estava a ler.

  49. 49 49  snafu

    Claro que o sector privado deste país é um excelente exemplo de produtividade! Desemprego, trabalho precário, reformas e salários miseráveis, pobreza, emigração, não há dinheiro para pagar aos professores, não há dinheiro para a saúde…sei lá! É o resultado natural de tanta e tão boa avaliação que se faz nas empresas, cientificamente organizadas! A culpa é certamente dos professores!…e dos professores dos professores! Que raio de vida!

  50. 50 50  Pedro Ribeiro

    “A reforma do ensino em Portugal, pelo que me tenho apercebido pelas declarações da ministra da Educação, tem-se centrado num ponto, a meu ver importante mas não o mais prioritário: o sistema actual de carreiras está estruturado de uma forma em que um professor em início de carreira ganha muito pouco (quando comparado com um professor Finlandês, por exemplo), e um professor no topo da carreira ganha cerca de 3000 euros brutos por mês, para todos desde educadoras de infância a professores do secundário (bastante mais elevado que os congéneres finlandeses). Actualmente todos os professores conseguem chegar ao topo da carreira, independentemente das suas avaliações.” (Pedro Gomes)

    Sei que esta questão tem sido pouco aflorada. Mas o que a meu ver está na génese de toda esta confusão é uma questão de natureza económico-financeira. Que muitos reputarão de forma sumária de “economicista”, termo que serve para arrumar liminarmente com o argumento.

    É que a questão que o Pedro Gomes aponta não é menor. Se é verdade que no início da carreira um professor em Portugal recebe menos que um professor finlandês (dados da OCDE, 2006), a verdade é que passados quinze anos de carreira, essa diferença em termos absolutos se reduz consideravelmente. E no topo da carreira, um professor português recebe mais (considerando paridades de poder de compra)!!!! Isto revela um dado para mim chocante porque de tal nunca me tinha apercebido: a relação entre o salário no topo da carreira de um professor e o seu início é de 2.56, rácio que não tem paralelo no conjunto de países da OCDE que consultei (a média é de varia entre 1.64 e 1.67 consoante o nível de ensino). E se tomarmos a Finlândia como exemplo esse rácio varia entre 1.17 e 1.25!!!!! Para os restantes países nórdicos encontraríamos rácios similares. Para não irmos mais longe, os mesmos rácios em Espanha variam entre 1.43 e 1.44!!!!!

    O que é que isto significa? Significa que em Portugal a progressão na carreira significa (parece-me a mim) demasiado do ponto de vista pecuniário. Não creio que a celeuma fosse tão grande se estas diferenças de “estatuto” internas à profissão fossem tão cavadas. E não me parece que elas sejam justificadas. A experiência profissional é um valor mas não creio que justifique isto. Admito que isto não suceda apenas para os professores e que isto seja apenas o retrato de um país em que as diferenças de “posto” são ainda demasiadamente vincadas.

    Ora, eu creio que a condução desta reforma por parte do Governo parte disto: da consciência que com uma franja muito alargada de professores a atingirem escalões mais elevados da carreira, o crescimento da massa salarial fosse imparável pela própria inércia do sistema. O que é grave num sistema em que mais de 95% da despesa corrente é afecta a salários e em que apenas sobra(?) 2.9% da despesa com os ensinos básico e secundário para o investimento (em infra-estruturas, por exemplo). Custa-me até a perceber como é que é possível manter um sistema a funcionar desta maneira.

    O Governo decidiu então bloquear o acesso aos escalões mais elevados com a criação da categoria de professor titular - esta é pelo menos a minha leitura. Para resolver um problema real, escolheu uma má solução. Bem entendido, não acho que o problema financeiro seja de somenos importância. Não acredito que seja possível modernizar as escolas, poder dar conveniente formação aos professores, permitir que as escolas funcionem sem as carências de que habitualmente ouvimos queixas sem prevenir uma escalada dos gastos com a educação (sem contrapartida na qualidade do ensino) - porque não parece que os problemas se situem ao nível do esforço (financeiro) do país com a educação (pelo menos não é isso que os dados comparativos dizem).
    Assim sendo, qual a alternativa? Propôr uma nova carreira que, repartindo de outra forma a retribuição dos professores, garantisse uma entrada na carreira mais condigna (numa fase em que os professores são frequentemente obrigados a leccionar longe das suas terras de origem), limitando obviamente os escalões mais elevados da carreira. Estou certo de que, de parte a parte, a discussão se processaria com outro sentido de urgência e sobretudo focando a atenção nos reais problemas da escola. Duvido contudo que da parte dos sindicatos houvesse abertura para isso porque isso implicaria um verdadeiro pacto no seio da classe, em que uns (mais novos) beneficiariam da generosidade dos outros (mais velhos). Mas seria esta sim, uma manifestação de força dos que exercem a profissão e um exemplo para o país…

  51. 51 51  setora

    Antes do mais, obrigada ao Daniel pela citação da “escola”.

    E um aviso prévio para quem acha que os professores nunca foram avaliados: prestei prova pública, com júri externo, nacional, para passar para o 8º escalão. E até informo que tive muito bom, a nota máxima da altura. Foi um governo PS que acabou com esta avaliação.E sou titular já que, no desconhecimento do que se seguiria e não gostando de entregar o ouro ao bandido, concorri.

    Na sequência destes pontos nos is, esclareço que sou absolutamente contra esta classificação que tem por exclusivo objectivo travar progressões nas carreiras e poupar o erário. Nada disto vai resolver os problemas das escolas. Não vai distinguir nada. É um burocrático sistema de faz de conta.

    E existem problemas nas escolas. Numas escolas mais graves, noutras menos.
    Na minha escola/agrupamento os problemas são gravíssimos. Daí a raiva que me fez abrir um blogue. Os alunos chegam ao 5º ano mal dominando a leitura, a escrita, o cálculo. Não vale a pena continuar a listar problemas. Andam todos pelos textos do blogue.

    Do que eu tenho a certeza: nenhum dos problemas vai ser resolvido com esta avaliação/classificação individual. Vão agravar-se como já se agravaram com a divisão absurda das titularidades.

    Só uma avaliação séria daquele colectivo, feita envolvendo todos os actores daquela comunidade, poderia permitir avanços.

    Não entendo por que havendo tanta gente interessada nestes problemas das escolas e tanta gente defendendo estas avaliações/classificações como panaceia para os males, a ninguém ocorre propor como prévia a avaliação das escolas nas suas circunstâncias. Iriam bem melhor por aí.

  52. 52 52  António

    Aos Treinadores de Bancada que saltam de Blog em Blog para falar de avaliação gostaria de lhes enviar uma mensagem.
    Percebem de educação, não, então calem-se , não falem daquilo que sabem e vão amandar postas de pescada ao Mercado do Bulhão.

  53. 53 53  nelson gonçalves

    Peço desde já desculpa a todos aqueles que se possam considerar ofendidos pelas minhas opiniões. Não tenho como objectivo fazer trolling. Quero apenas partilhar a minha opinião e receio.

    Gosto de acreditar que existem muitos professores no meio dos “dadores de aulas” e das “domésticas que vão à escola fazer tempo até terem de ir para casa fazer o almoço para o marido que tem um trabalho sério”. Por vezes, adormeço e tenho uns pesadelos deste género:

    Num conselho de turma (7º ano), uma professora pretendia à viva força que um colega subisse um 2 para 3 para evitar uma provável reclamação da mãe do aluno (”porque chumba só por uma disciplina”) que poderia originar uma nova reunião já no período de férias.

    Reunião de final de período numa escola secundária. Uma professora de EVT, secretária da reunião, defende: “eu acho que deveria ser um colega de português ou de história a fazer a acta. É que eles estão mais habituados a escrever e às letras do que eu”.

    Numa escola secundária que ía ficar sem 3º ciclo (passava a existir 3º ciclo apenas noutra escola), houve um ano lectivo onde funcionou uma turma única de 7º só com 15 alunos repetentes. Eu fiquei com o horário onde estava atribuída essa turma porque fui colocado em miniconcurso. Só 3 professores da turma não foram colocados por miniconcurso.

    Num conselho disciplinar, um dos docentes (também vice-presidente do executivo) defende energicamente uma original solução para os recorrentes problemas disciplinares da turma: separar a turma em “rapazes” e “raparigas” porque estas é que estragavam os rapazes. Também defendeu que a culpa era do 25 de Abril e das sucessivas reformas no ensino. Caridosamente, alugava um par de apartamentos a colegas deslocados… sem recibo.

    No natal de 2006, um agrupamento organizou uma peça de teatro. A história era muito linda: um menino de cor chamado barnabé estava muito triste porque ninguém gostava dele e não recebia prendas de natal. Durante o sono, foi visitado por um urso zarolho, uma boneca chinesa sem uma perna (e etc) que o consolaram dizendo que ele não estava sozinho, que eles eram prendas de natal que ninguém queria, sabiam bem o que eles estava a sentir. quando o barnabé acordou, as “visitas” estavam numa prateleira, eram as prendas de natal dele…

    Qualquer visita por escolas do 1º ciclo (e não só) revela uma quantidade assustadora de uns objectos que se assemelham a um homem de cabelo comprido pregado a uma cruz e a sangrar. E, para não variar, lá teremos outra vez meninos do 1º ciclo nas igrejas do nosso país, sobretudo pelo natal, em horário lectivo, a agradecer a qualidade dos seus professores.

    Escola de 1º ciclo numa sede de concelho que tem uma sala com “meninos com necessidades” (terminologia dos colegas). Curioso é que nessa escola só os “meninos com necessidades” é que usam bata… E há sempre uma professora de carreira, daquelas com muitos anos de ensino e “a quem ninguém já ensina nada”, que é capaz de ameaçar alunos com um “se te portas mal vais para a sala dos meninos com necessidades”.

    -Sobre a importância da formação contínua: “Ó colega, a acção de formação XXX já tem as inscrições preenchidas?” “Já, já temos a turma completa” “Ah, mas então eu vou escolher essa na mesma e depois o colega passa um papel a dizer que eu não fiz a acção - não tenho os créditos para mudar de escalão - mas que a responsabilidade não é minha, ‘tá bem?” “não. iinscreva-se noutra, existem mais acções” “3%&$#”

    - “Quanto às avaliações, dos professores e não só, em princípio sou contra. Entre outras coisas, porque a avaliação é altamente subjectiva. Pode avaliar-se uma “atarrachador de parafusos” pelo número de parafusos que atarrachou. Mas como avaliar um trabalho intelectual, por exemplo?” (Isabel Coutinho - http://arrastao.org/uncategorized/inquerito-cuba-e-professores/#comments). palavras para quê? certamente que não avalia os alunos ou é professora de “atarrachar” parafusos…

    - “como professora sou contra esta forma aberrante de avaliação que me vai pôr na situação de ser avaliada por colegas com menos anos de serviço” (saltapocinhas). Eu preocupava-me mais com a qualidade dos anos do que com a quantidade… mas, pelos vistos, no ensino a antiguidade, como na tropa, é um posto…

    - autonomia das escolas? que eu saiba existem alguns bons exemplos de escolas que trabalham bem e com contratos de autonomia (e já trabalhavam bem antes do contrato). Estou a pensar numa escola que também é aquela “com que sempre sonhei”… e não foi por causa do ministro ou da legislação que não conseguiram… Por vezes, a situação roça o esquizofrénico: não querem os “iluminados da 5 de Outubro” mas também não querem contratos de autonomia…

    Considero que o actual estado do ensino não é apenas da responsabilidade dos docentes. No entanto, os professores também têm responsabilidade e não vejo ninguém a preocupar-se com essa responsabilização. Aliás, acredito até que os professores são os principais responsáveis, exactamente porque desempenham um papel central na comunidade educativa onde se inserem. A sua importância é directamente proporcional à sua responsabilidade. Não acredito que os professores sejam apenas marionetas manipuladas pelos bonecreiros da 5 de Outubro.

  54. 54 54  saltapocinhas

    nelson:
    quando escrevi o que leu, não foi “um suponhamos” foi a pensar no meu caso pessoal.
    a antiguidade não é um posto, mas ajuda bastante, pelo menos nos professores que são competentes (e garanto-lhe que o sou!)
    e não engulo ser avaliada por alguém que, apesar de ser professor há alguns anos, andou por aí a fazer outras coisas (até podem ter sido coisas fantásticas) mas completamente fora do ensino!

    em relação aos “professores pimba” que conhece, sinto muito, realmente anda com muito azar com os seus colegas!
    eu tenho 27 anos de serviço e podem contar-se pelos dedos de uma mão os professores incompetentes que conheci!

    e ainda em relação aos crucifixos também está desactualizado, pois há muito que - felizmente - desapareceram das salas de aula.

  55. 55 55  António

    Já se percebeu que o Caro Nelson é um defensor da Ministra, está no seu direito de se querer iludir com este PS. A mim já se me acabaram as ilusões

  56. 56 56  José Silva

    Lembro-me de ser empregado bancário e dos chefes fazerem as nossas avaliações, simplesmente para beneficiar os meninos bonitos, que seriam escolhidos para funções compatíveis com o desejo das chefias. No ensino, é raro darem a um professor mais do que Suficiente; mesmo que o docente dê o que pode e o que não pode para ministrar ao aluno os conhecimentos que lhe farão falta na vida futura. No Exército avalia-se um militar pela sua capacidade física e pela pontuação no tiro, não interessa muito a sua sabedoria sobre os manuais militares. Acho que a preocupação no ensino se devia centrar em preparar a juventude para a sua vida no trabalho, de modo a incrementar a produção; mas a produção deste País limita-se a roubar o contribuinte para reduzir o défice e pagar as nacionalizações que se aproximam:
    A UMA SANTA
    desejo a esta ministra
    que pela sua avaliação
    tenha a sorte sinistra
    de ensinar a um leão!
    -
    Vê lá Lurdes Rodrigues
    eu também sou doutor
    vê lá não me castigues
    por eu ser um professor!
    -
    eu vou pôr-te na jaula
    ai, junta com um leão
    e tu lhe dás uma aula
    e ele faz a avaliação!
    -
    e de anos já faz dois
    qu’andas na tramóia
    joga-te ao rio, depois
    eu te atiro uma bóia!
    -
    de menina, a trança
    a que tinhas, outrora
    pensas ser de França
    de Lurdes, Senhora!?
    -
    t’envio meus recados
    como sendo professor
    livra-te dos pecados
    vai já a um confessor!
    -
    a ti que tanto insistes
    nesta louca avaliação
    quero ver se resistes
    a fazer muita flexão!
    -
    e na aula de ginástica
    que tens com um leão
    foi a mania dinástica
    de rainha d’educação!
    -
    e ouve a voz do vento
    que te quer murmurar
    um leão como o Bento
    vai-te pôr já a marchar!
    -
    os alunos fazem greve
    e greve faz o professor
    e o que a ministra deve
    é ir-se como o desertor!
    -
    Pisco

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