
Sobre este post tive muitas reacções aqui (quase 200 comentários) e noutros blogues. Variaram muito. As mais críticas:
1. Uns resolveram debater se quem tinha razão era a aluna ou a professora e houve mesmo quem me acusasse de desculpabilizar ou até dar razão à aluna. Penso que fui claro mas confesso que nem me passou pela cabeça pôr as coisas nestes termos. Mal seria. Quando se discute um caso de indisciplina numa sala de aulas separam-se os planos. A aluna não está em pé de igualdade com a professora. Defender que o professor deve ter autoridade é dizer isso mesmo: que o bom funcionamento das aulas depende do professor, mesmo quando tem alunos indisciplinados na sala. Se um filho de um amigo nosso levanta a mão ao pai ou à mãe nós ficamos chocados com o comportamento do filho mas é ao pai ou à mãe que dizemos «estás a falhar em qualquer coisa». Não lhe dizemos «tu é que tinhas razão, o teu filho foi indecente». Bem sei que professores não são, nem têm de ser, pais e mães. Mas não podem estar em pé de igualdade com os adolescentes que estão sentados na sala. Nem na autoridade, nem na avaliação que se faz da sua prestação.
2. Outros usaram argumentos de autoridade: não sou professor, não sei do que estou a falar. Fui à marcha dos professores manifestar a minha solidariedade. Escrevi várias vezes sobre a sua luta. E a razão porque o fiz, mais do que profissional ou de política circunstancial, prende-se com a defesa da escola pública que passa pela defesa da dignidade da profissão docente, sem a qual a escola perde razão de ser. Quando o fiz nenhum professor me pediu credenciais. Se querem (e devem querer) envolver a sociedade na sua luta não podem, quando há um comentário critico, dizer «aí pára, que isto não é o teu ofício». A escola é um assunto de todos e devem ser os professores a querer que o seja.
3. Outros condenaram o facto de eu fazer uma avaliação do professor através de um vídeo de dois minutos. Nisto não posso deixar de lhes dar alguma razão. Mas mais do que querer avaliar a professora (apesar de repetir que o comportamento geral dos alunos – tratamento por “tu” e por “velha”, descontrolo generalizado, etc – indicia uma indisciplina e falta de respeito que vem de trás), quis avaliar a situação em concreto, tal como quase todos os comentadores fizeram, só que no sentido inverso. E fiz menos do que todos aqueles que avaliaram a partir destas imagens todo o sistema e até os tempos em que vivemos. Todos ouvimos pessoas dizer que um determinado jornalista é um incompetente porque leram uma má notícia feita por ele, que um determinado político é um aldrabão porque ouviram uma declaração falsa, que a função pública é uma vergonha porque apanharam um determinado funcionário em dia não, que um determinado polícia é incapaz porque excedeu de forma inaceitável os limites das suas funções… Ainda assim, concedo o risco de fazer todo um debate em torno de um caso concreto e com muito poucos dados. Mas se usam este vídeo para provar qualquer coisa de mais geral é difícil não o fazer.
4. Veio, como não podia deixar de vir, o “no meu tempo” da praxe. Devo recordar que o «no meu tempo isto era assim (quase sempre excelente) e agora as coisas são assado (quase sempre próximas do Apocalipse)» é tão antigo como a humanidade. Foi dito em todos os tempos e não vale um caracol para o debate. No tempo de cada um havia coisas óptimas e coisas péssimas. E não seria mau recordar que “no tempo” de muitas das pessoas que fazem estes comentários o ensino na adolescência era para uma pequena parte da população. A escola é hoje outra coisa e estas comparações são inúteis. Os alunos eram outros (e menos) e até os professores eram outros (e menos).
5. Outra reacção: isto é um retrato da sociedade em que vivemos. Fica a minha dúvida: o que querem fazer? Fechar as escolas enquanto a sociedade em que vivemos é a sociedade em que vivemos? As escolas vivem sempre na sociedade em que vivem. Como é difícil adaptar a sociedade à escola, geralmente prepara-se a escola para saber lidar com a sociedade em que vive. Não quer isto dizer que a escola deva ceder a tudo o que lhe é imposto pela dura realidade do exterior. Às vezes, pelo contrário. Deve ser um contraponto (por isso reajo mal a alguma facilidade na abordagem de algumas matérias – há coisas que são mesmo complicadas e o que se deve é criar o gosto por o que é complicado em vez de fingir que é simples), mas isso não deixa de a obrigar a saber que é com aquela realidade que lida e é com ela que terá de saber lidar.
6. Por fim, acusar-me de «eduquês». Relendo o meu post nem imagino de que possam estar a falar, tendo em conta a minha insistência na importância da autoridade do professor. O meu post não é, ao contrário do que aqui se escreveu, contra qualquer sinal de autoridade. É exactamente o contrário: é contra uma demonstração de evidente falta de autoridade.
Vamos então à conversa mais geral. A escola hoje é diferente: já não é um espelho do privilégio de estudar. É um espelho de tudo o que há na nossa sociedade. Hoje andam na escola miúdos cujas famílias não valorizam a própria escola. Hoje andam na escola miúdos com experiências familiares muito diferentes. E hoje há muito mais professores, também eles muito mais heterogéneos entre si, e com diferentes graus de motivação ou apetência para a profissão. Este é o preço da massificação do ensino. Ela teve de se fazer e tudo tem custos. No “tempo” de muitos comentadores era tudo muitíssimo mais fácil. Grande parte dos verdadeiros problemas ficavam fora da escola.
Sempre houve indisciplina na escola e nas salas de aula. O tempo que as pessoas fantasiam nas suas cabeças desapareceu há umas décadas. Aceito, no entanto, que hoje seja mais grave. Algumas de muitas razões: famílias demissionárias ou ausentes (as mulheres hoje trabalham e espero que não as queiram de volta para casa), formas de socialização entre adolescentes que os pais e os professores desconhecem e com os quais não sabem lidar, concentração de miúdos problemáticos nas mesmas escolas e turmas, pais e alunos que não respeitam a escola porque não a vêem como uma forma de ascensão social, depreciação da imagem do professor, confusão entre autoritarismo e autoridade (sem a qual a educação – aceitação de que a pessoa que está à nossa frente tem qualquer coisa para nos ensinar – é impossível), uma escola cada vez mais distante da realidade quotidiana vivida pelos adolescentes, a hiper-mediatização de cada episódio que deixa de poder ser gerido dentro da sala de aula e passa a ser debatido por todos (para esta última contribuo eu próprio).
Alguns destes factores são inultrapassáveis. São assim mesmo. Outros não o são e vale a pena discuti-los. Mas há debates que não vejo muito bem para onde nos podem levar. O que propõem exactamente, para resolver os problemas de disciplina, alguns que aqui deixaram comentários?
1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?
2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?
3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?
4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?
A pura indignação pode ser uma excelente terapia colectiva, mas não serve de grande coisa.
Quando aqui quis debater a preparação daquela professora para lidar com um problema de disciplina quis, mais do que decidir quem tinha razão (como se isso estivesse sequer em debate), discutir o que pode ser resolvido. Usei este exemplo concreto, de que todos falavam, o que pode ser sempre injusto.
A importância de preparar os professores para lidar com a indisciplina (que passa por saber gerir uma crise, mas também por saber dar aulas) e com adolescentes pareceu-me evidente. Defender a dignidade dos professores é defender os professores, mas não só. É defender a sua qualificação. E quem trabalha com adolescentes em 2008 tem de saber trabalhar com os adolescentes que existem em 2008, com todas as diferenças que há entre eles, e não com o adolescente que devia existir ou que um dia existiu (se é que existiu). Haverá sempre excelentes professores, professores medianos, professores maus e professores péssimos. Haverá sempre excelentes alunos, alunos medianos, alunos maus e alunos péssimos. A formação dos professores, a valorização da profissão para que os mais capazes queiram leccionar e a adaptação da escola à realidade que tem pela frente é o que podemos fazer. O resto depende, como em todas as profissões, da qualidade de cada um. Mas fazer de cada professor uma vítima aos olhos da sociedade, dos pais e dos adolescente só piora o problema. Uma coisa não está ao nosso alcance: escolher os adolescentes que podem estudar. E ainda menos os pais deles. Por isso é que faz sentido falar dos professores e, claro, do funcionamento da escola.
De resto, os que não querem resolver os problemas podem continuar a falar do seu tempo. Já foi. Era outro. E sobre o outro tempo podemos também falar. Há muito para dizer e está longe de ser consensual. Mas não serve de muito para aquilo que está em debate. Esse tempo passou. Passa sempre. A escola que temos tem estes adolescentes que têm estes pais. Acabada a indignação, vamos discutir o que interessa?
PS1: Uma coisa que não suporto ouvir: o meu papel é ensinar a matéria, não é educar, gerir conflitos ou resolver este tipo de problemas. E não suporto por uma razão simples: é falso. Mesmo que fosse justo (e não é), não aguentava um segundo de contacto com a realidade. E denuncia uma relação burocrática com a docência que é intolerável.
PS2: gostei de ler este texto, que, com conhecimento de facto, talvez faça justiça à professora.
76 comentários 22 Mar 08 em Educação76 respostas ao post “Isto hoje só à estalada, porque no meu tempo…”
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É impressionante o que a maiora das pessoas “lê” no seu post! Pelos vistos, “no tempo delas” o ensino de Português não era tão bom como isso, porque nem sabem interpretar o que lá está escrito. O ensino precisa de uma mudança profunda que não se limita à questão de autoridade nem se resolve à chapada. Já agora, tenho 54 anos e nasci numa vila da província. “No meu tempo” éramos 37 miúdas na sala de aula da escola primária e só 3 (uma, duas, três…) iam para a escola calçadas. Antigamente é que era bom? Uma ova! Esse tempo, eu não quero de volta por nada deste mundo! (ainda que eu fosse uma das três cujos pais tinham dinheiro para comprar sapatos)
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você está a tornar-se um perito no virar-o-bico-ao-prego.
não há uma linha de coerência naquilo que diz. até parece que é você que anda a escrever os discursos do menezes.
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Provavelmente não leu o texto anterior ou este. Digo o mesmo. Talvez a sua excitação não o permita ler o que se escreve. Apenas isso.
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É só uma opinião mas continuo a achar que o meu papel é ensinar. Dar educação é para os pais. Durante dez anos funcionou bem. Se querem que eu dê educação a marmanjos de 15 anos ou que me limite a mantê-los dentro da sala só me resta ir embora. Para isso não sirvo.
Quanto às propostas para resolver o problema:
1 – Castigo físico – NÃO.
2 – Alunos que só querem boicotar as aulas têm de ser separados dos que se esforçam. Só assim podemos ajudar aqueles que têm mais dificuldades (intelectuais ou materiais)
3 – Internet e televisão não são problema. Até podem ser uma ajuda.
4 – Esterilizar é capaz de ser exagerado, mas…
NO MEU TEMPO – Passei pelo 9º ano a meio da década de 80. A minha turma era das mais “problemáticas” da escola. Posso-lhe garantir que nenhum dos meus colegas tratava um professor como hoje se trata. Nenhum deles sonhava sequer fazer um quarto daquilo que já vi este ano.
P.S: Não sei se conhece a carta do professor Domingos Cardoso ao PR. Tem já alguns meses mas mostra claramente que aquilo que se passou no Carolina é vulgar na maioria das escolas. Se eu levasse telemóvel para a sala teria filmes bem melhores.
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fico confuso. não percebo o que é que lhe agradou no texto do JL Sarmento. É que contradiz ponto por ponto os seus dois posts sobre o assunto.
Já agora, para além da banalidade de pôr o aluno na rua (que resulta tanto como dar-lhe um, chocolate) que mais teria o Daniel a propor?
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Respondendo às questões colocadas (embora pense que elas são apenas exemplificativas das muitas que se poderiam colocar:
Não vamos chegar a tanto mas deviam ser criadas políticas que responsabilizassem mais os pais e que os penalizassem(mas como há mais pais a votar que professores, se calhar não dá jeito). Há verdadeiros exemplos de abandono: Pais que entregam os filhos nas escolas e só lá aparecem depois de eles já terem reprovado (e não venham com o argumento do trabalho pois muitos dos casos passam-se com pais desempregados ou com tempo livre), pais que chegam à escola e nem sabem indicar a turma e o ano em que o filho está, pais que entregam menores aos cuidados de avós e que emigram…
1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?
Óbvio que não e só opta por esta via quem procura o facilitismo da resposta. Existem já modalidades de castigo interessantes e propostas bem viáveis de punir este tipo de situações:
- Colocar os alunos-problema em turmas de menor dimensão (5/6 alunos), com acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais (em 95 trabalhei numa escola onde isso foi aplicado e funcionou);
- Adaptar, verdadeiramente, os Projectos-Curriculares de turma às realidades de cada turma (isso é feito em algumas escolas, noutras opta-se pelo “copy paste” de projectos já existentes);
- Aplicar as punições “a doer”. Com isto não falo de castigos físicos mas de punições que afectem a vida do aluno: Ajudar em tarefas de manutenção da escola em horário fora do escolar, aulas extra em tempo de férias… (em 2001 estive numa escola em que os tempos livres dos alunos castigados eram usados em tarefas que passavam por servir os colegas na cantina, tarefas de jardinagem, limpeza de fossas, sempre acompanhados de pessoal especializado). Claro que muito disto se aplicava nos anteriores estatutos do aluno e não neste objecto actual que vai contra tudo o que é pedagogia.
2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?
Claro que não. Devem antes ser integrados em turmas próprias com projectos bem definidos e cargas horárias adequadas. Algo próximo dos CEFs (geralmente os CEs das escolas entregam estas turmas a professores novos e com pouca experiência). Infelizmente a verdadeira razão do ME criar estes cursos é apenas financeira (enquanto um aluno do ensino normal obriga a investir, um aluno do CEF permite ao estado ganhar dinheiro)
3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?
Não e também não com a playstation. Apenas se pede que haja um certo controlo. Os miúdos desacompanhados criam prioridades bem diferentes das antigas. Após mais de 8/10 horas na escola (quando não 12…) chegam a casa e a última coisa que querem ver é um livro (eu faria o mesmo) e procuram outras distracções. Quando se dedicam ao estudo é já tarde e pouco eficaz. Todos os dias, encontro alunos, de 13/14 anos, com seis ou sete horas de sono.
Aproveito para inserir outro problema que nem sequer tem sido tocado: Os telemóveis com câmara não servem apenas para filmar professores mas também para os alunos se filmarem a eles próprios nos balneários, nos recreios… e as imagens circulam por toda a escola.
4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?
Agora que toca no assunto…
Claro que é fácil perceber que muitas das opções que indico (e que já vi quase todas aplicadas) precisam de mais funcionários, mais professores, mais técnicos especializados. Mas isso é um problema de um governo que é economicista. Como se explica que os sucessivos governos que permitiram abertura de vagas para cursos de psicologia, não empregam os psicólogos (e são muitos os desempregados) nas escolas? O ratio de psicólogos/alunos em CNOs (onde o dinheiro vinha do FSE e agora do QREN) é maior que na escola tradicional com a agravante que nos CNOs se trabalha com adultos que não passam mais de meia dúzia de horas por semana na escola, enquanto na escola tradicional temos adolescentes enclausurados por quase 40 horas semanais!!
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a ideia dos castigos exemplares parece-me ideal. na augusti gil (porto) éramos ameaçados com ajudar na cantina, lavar o chão do ginásio, ou, em casos extremos, lavas as casas de banho. este último nunca vi (acho que a ameaça valia por si só, o que pode ser excelente…), mas vimos várias fezes colegas a servir sopas na cantina. pode ser um método bom, mas lá está, só resistiu porque os pais aceitaram. “no meu tempo” os meus pais aprovaram esta ideia. só que os meus pais vieram da aldeia, tiveram poucos estudos em crianças (fizeram a escolaridade á noite) e viam na escola uma coisa boa que não puderam ter e que era fundamental para o futuro da filha.
os pais de hoje em dia foram muito mais à escola que os meus (agora na casa dos 50-60). e na sua maioria já apanharam uma escola que poucos desafios ofereceu (como eu apanhei, com muita pena minha). os pais de agora pouco mais velhos são que eu e não estão para se ralar. mesmo andando na escola acabaram como caixas de supermercado, por isso estudar é no fundo uma perda de tempo.
uma coisa que me preocupa desde há uns tempos é saber quantos livros terão estas crianças em casa. um dia, um professor de francês (na universidade) fez-nos esse inquérito: pensei que era a brincar. quantos livros é que nós, alunos do 4º ano de letras, tínhamos em casa? perguntei, para quê saber isso?
ele respondeu-me que muitas vezes recebia inquéritos com respostas chocantes: 10, 15 livros, comprados pelo próprio aluno, às vezes nenhum livro. porque os pais, mesmo sabendo ler, nunca tinham comprado um livro. quantos livros existirão nas casas dos meninos desta turma? quantos livros terá lido a patrícia? não lê porquê? porque não tem glamour, porque não é “tipo cenas”, porque o saber ocupa um lugar muito incómodo e não interessa?
terá a patrícia um pai que chega a casa e bebe cerveja arrotando no sofá? ou que pega num livro e lê?
o que é que a escola pode fazer em relação a isto? temos um nível de analfabetismo baixo como nunca, e no entanto o conhecimento nunca foi tão pouco valioso. não sei se valerá a pena proibir a escola aos rufias nem aos miúdos “complicados”…mas não consigo deixar de me perguntar, como perguntei já a colegas meus: se isto não te interessa para nada, o que estás aqui a fazer? número?
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Caro Daniel,
Já se informou acerca dos currículos dos cursos (deixando algumas Escolas Superiores de fora) que formam recursos humanos para a docência.
Encontrará com certeza Psicologia, Psicologia da Educação, Pedagogias (inúmeras), Didácticas, entre outras.
O que quer mais? Acha que as supracitadas cadeiras não incluem conteúdos relacionados com a forma de lidar com a indisciplina?
Com mais cadeiras seriam cursos de quantos anos? E estamos limitados, nos casos dos cursos “Via-Ensino”, a um limite.
Formação contínua dos professores? Com certeza. Em que moldes? Os a que os obrigam os iluminados “patrões”?
Não se esqueça que os professores (dos Ensinos Básico e Secundário, que exercem a actividade lectiva) são os mexilões que, efectivamente, sabem mas não mandam.
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Desculpem o “limitados … a um limite”.
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Com todo este debate (?) sobre questões relacionadas com a Educação, talvez se perceba que estamos a “construir a casa pelo telhado”. O desejável alargamento da escolaridade obrigatória foi uma conquista do 25 de Abril. Conseguida. Mas, até hoje, não sei quantos ministros depois e não sei quantas intenções de reforma, nada mais se fez do que lançar para dentro das escolas um elevado número de alunos. E agora querem “resultados”.
Alguém disse que as reformas da Educação, fazem-se na Economia e na Sociedade- grande verdade. Se a Escola não sentir exigência e colaboração por parte dos outros serviços, mais não é do que uma “ilha” onde se simula um “estar” com pouca relação com o real. Se a Escola apenas servir para libertar as famílias do “estorvo” da educação de crianças e jovens, nunca será vista como algo mais do que um “mal necessário”.
Meninos(as) mal educados(as), sempre houve. “No meu tempo”, também. A diferença estava na força da repressão e na homogeneidade (social e cultural) dos que frequentavam a Escola a partir de um determinado nível. Quase se pode dizer que a Escola pouco tinha para fazer, porque o trabalho (das normas básicas da educação) ia feito de casa. Isso acabou. E a única resposta que os decisores das políticas educativas (e económicas e sociais) conseguiram alinhavar, foi acabar com a repressão. Grande medida, sem dúvida. Insuficiente, também.
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Segundo o Daniel Oliveira, a rapariga em questão é uma “criança”. Tem, segundo foi noticiado, 15 anos. Caso faça neste ano, 16 anos, deixará de ser inimputável, segundo o Código Penal. Os argumentos do DO são imperdoáveis, chamou de incompetente uma professora que resolveu não agredir, não insultar, nem sequer participar a aluna.
Para o Daniel, a professora até deveria ter levado ainda mais porrada para aprender a ter “vocação”, os colegas deviam ofender e denegrir ainda mais a docente para aprender a não ser “velha”, e o vídeo deveria ser divulgado por todo o mundo, para demonstrar a virilidade e responsabilidade dos alunos.
Quem perde mais tempo com a professora do que com a aluna, demonstra claramente de que lado está. Além do mais é uma falta de respeito para aqueles jovens, que mesmo sendo pobres (o que não me parece que aluna em questão o seja), sabem respeitar o outro.
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Já agora, e com todo o respeito, não digo que o Daniel merecia uma filha como aquela, que quando fosse velho, muito provavelmente o poria num lar de idosos fechado a morrer, mas é para perceber que a falta de valorização e respeito pelos outros, que tem vindo a crescer substancialmente nos últimos anos, e todos os novos problemas sociais têm um motivo que começa na juventude.
Quem cresce torto, quase nunca se endireita.
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Este país, caro Daniel, já não é para adultos. E sim, resolve-se muito por expulsão dos alunos: dá-se o exemplo, e verá como os outros animais da escola começam a portar-se muito melhor.
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“Antigamente é que era bom? Uma ova!”
Joana, eu diria, uma porraaaaaaaaa
Como somos moços da mesma idade, completamente de acordo.
Só que…Por volta dos meus 6/7 anos, roubei ao ti Lopes, vendedor de carvão, um grande naco do mesmo.
Excitadíssimo, cheguei ao pé da minha mãe, mulher robusta com tendências p´ro buço…doei-lhe o meu enormíssimo feito. Reacção, Zezinho onde foste buscar isso??? Vi logo que tinha metido agua porque me chamo Zé e não Zezinho, só assim era tratado quando se adivinhava borrasca…
Fomos ter com o Ti Lopes devolvemos o carvão apesar de ele dizer deixe lá isso é coisa de moços e, a distancia que mediava a carroça e a minha casa, fui mamando nelas sem que tentasse alterar o passo. Mais, as que caíram no chão é que se perderam.
A minha questão é esta. O que seria eu hoje se a minha Custodia não desempenhasse o seu papel de mãe desta forma, isto apesar de não saber uma letra do tamanho do Castelo de Beja??
Quantos ás botas , as 1ªs que tive que era do meu primo Toi Rosa, tinham mais pregos que uma escova. Nada que a minha espessa pele, calos, não resolvesse.
Páscoas felizes
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«Para o Daniel, a professora até deveria ter levado ainda mais porrada para aprender a ter “vocação”»
O que raio escrevi eu para poder você escrever isto? Assim é difícil, meu caro.
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A escola nunca será igualitária pela razão mais simples que se pode encontrar! Tem alunos e tem professores!
O que aconteceu na escola é que essa diferença -sem a qual não há escola- foi apagada ao extremo! Ao extremo do professor não poder ser professor.E não havendo professor tambem não há alunos.Há uma massa disforme de pessoas que não são responsabilizadas,não são avaliadas e não são sancionadas!
Uns chegam, todos, ao topo da carreira outros, passam sempre!
Numa escola privada aquilo não acontecia pela simples razão de as regras existirem e terem consequências!
Para o professor e para o aluno!
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Agradou-me a sinceridade no debate. Eu gosto de textos de gente que discorda de mim, desde que haja nisso honestidade intelectual no debate. Apenas isso. E fiquei a saber sobre a professora coisas que não sabia e ajudam a perceber melhor o que se passa.
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Ao que chegamos!…
Contratados coagidos a assinarem requerimento a pedirem avaliação de desempenho
Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola – do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente “quero”ser avaliado.Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada …Ordens da tutela às quais temos de obedecer!Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!. A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram. Eles estão a sair do armário.
Ana
In:http://ramiromarques.blogspot.com/2008/03/contratados-coagidos-ssinarem.html
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Ao que chegamos!…
Pior do que bater nos professores é tratá-los da forma como os trata o Ministério da educação socratino
Ora veja:
Contratados coagidos a assinarem requerimento a pedirem avaliação de desempenho
Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola – do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente “quero”ser avaliado.Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada …Ordens da tutela às quais temos de obedecer!Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!. A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram. Eles estão a sair do armário.
Ana
In:http://ramiromarques.blogspot.com/2008/03/contratados-coagidos-ssinarem.html
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Devo voltar a dizer, repetindo-me, que é sintomático do estado de degradação a que se chegou neste País o facto de haver que, perante o video, culpe a professora e defenda a aluna.
Não faltaram aqui comentários em que tão abstrusa posição é evidente.
Pobre Portugal, triste futuro!
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Vejo que o Daniel “emendou a mão”, porque eu também li no seu anterior post uma excessiva culpabilização da professora. Talvez ela não tivesse reagido da melhor forma mas, depois do que aconteceu, é cruel referir isso tão enfaticamente. No fundo, está a promover a falta de respeito para com os professores de que acusa a ministra.
O que fazer? De uma forma telegráfica:
1) Recuso os castigos físicos, obviamente, mas hoje, se o professor, num momento de conflito como este, pegar pelos colarinhos do aluno e o obrigar a sentar, a lei corta-lhe o pescoço. Os alunos sabem disso e usam-no para levar as agressões ao extremo. Embora isso não deva ser incentivado, o professor não deveria ser penalizado se, numa situação extrema, responder com firmeza física ao aluno.
2) Os pais dever ser penalizados. 80 % da culpa disto é dos pais. Os pais deveriam ser penalizados legalmente (multas, por exemplo) pelo que os seus filhos menores fazem. Talvez depois não fossem bater no professor….
3) Claro que depois disso vem o aumento do prestigio do prof, da escola, etc…
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no meu tempo é que era bom
porque no meu tempo tínhamos o Almeida Prof. homem para 1,95 de altura e nós pequenotes com frio mal podíamos pegar na caneta de aparo. ele na sua bondade flagelava-nos as mãos com a menina de cinco olhos para as aquecer e a cana da índia atravessava a aula de canto a canto, o Almeida nem precisava de se levantar para nos acariciar. Como era bom nesse tempo.
O Ramalho rapaz repetente de 14 anos deu uma coça na professora da 4ª classe. O Ramalho não foi castigado. Porque no meu tempo é que era bom. o padrinho do ramalho alem de ser banheiro na praia da Parede era bufo da pide.
Os tempos melhores são sempre os próximos as gerações próximas são por natureza melhores que as anteriores.
Tudo malha na miúda alguém sabe o quanto valerá para a miúda o seu móvel quais as dificuldades
Para o ter se era dela se se se. Castigue-se o que houver a castigar a vida continua ela não roubou o almoço a ninguém
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Outra coisa: não alinho neste coro que culpa a democratização da escola e as “classes baixas” pela falta de respeito pelos professores e pela escola. A aluna não me pareceu propriamente oriunda duma classe social problemática, e conheço pessoalmente inumeros casos de alunos de classes média e alta com graves problemas de indisciplina, inclusivamente em colégios privados que, obviamento, os expulsam depois para o ensino público, quer por falta de aproveitamento, quer por problemas de comportamento.
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Veja a reacção da Federação Concelhia das Associações de Pais de Porto, onde pontificam PS(s). A propósito da agressão à professora, lamenta os aproveitamentos políticos, como se não estivesse também ela a fazer política e mete a cabeça na areia como faz a avestruz.
A notícia do comunicado da FCAPPé dada pela LUSA (está no Sapo).
Esta federação representa meia dúzia de pais, mas tem muita gente a dar-lhe palco.
Este governo PS é para a educação pior que a pneumónica para o País no princípio do séc. XX.
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1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?
2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?
3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?
4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?
-Não, apenas introduzir uma cultura de exigência no ensino. Exames nacionais no final de cada ciclo, retirando daí ilações sobre a avaliação do estabelecimento de ensino, e por consequência do seu corpo docente. É diferente do ranking, porque passar por exemplo do centésimo para vigésimo, será um trabalho com maior mérito, quando comparado com uma passagem de terceiro para segundo.
-Permitir suspensões, e mesmo expulsões da escola a alunos mal comportados, com obrigatoriedade de repetição no ano lectivo seguinte, caso não tenham concluido a escolaridade obrigatória.
-Maior autonomia de cada estabelecimento face ao poder centralizado do ministério.
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Daniel, perante uma situação daquelas, revelada no contexto em que foi, jamais se pode criticar a professora. Foi alvo de uma rebaldaria dentro da sala de aula e alvo de chacota na Internet. É proíbido filmar as aulas e punida a divulgação de imagens sem o consentimento dos visados.
Disse o Daniel que a aluna deveria ter sido expulsa da sala ou deveria ser tomada outra medida qualquer, mas o facto é que a aluna admitiu ao Correio da Manhã já ter sido expulsa das aulas várias vezes. Adiantou alguma coisa? Provavelmente até vai para a rua com prazer.
Além disso, quando a aluna diz “Dá-me o telemóvel já!”, o Daniel acha que a professora devia ceder, com que autoridade ficava?
Se acha que a função dos professores é também educar adolescentes de 14/15 anos, tem de lhes reconhecer poderes de sanção física. Para mim, que andei numa escola secundária há poucos anos, sei bem que este tipo de situações são muitas vezes criadas para afirmação pessoal do aluno perante a turma, mais do que problemas sociais, económicos ou familiares. Não viu como ela foi louvada pelos colegas?
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Justicialista,
A que propósito vem a imputabilidade penal da aluna? Ela cometeu algum crime? Qual?
São exageros destes que levam a que haja quem defenda a aluna! Ela foi mal educada e deve ser punida de acordo com os regulamentos pedagógicos/escolares – isso parece pacífico! Mas invocar a responsabilidade criminal da aluna é um exagero e um disparate.
A haver matéria criminal, só se fosse por parte de quem se apropriou ilicitamente de um bem alheio…
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Escrevi no meu blogue dois pequenos textos em nítido contra-pé com a generalidade do que tem sido dito e escrito. Condenei a utilização abusiva da situação e recusei-me a fazer uma análise do estado da Educação a partir deste caso.
Há problemas graves na Educação que é urgente resolver. Mas não me parece que a solução passe por esta discussão. A água do rio corre para o mar.
Uma professora e uma aluna envolveram-se na disputa de um telemóvel de uma maneira que não deveria ter acontecido. Professora, aluna e todos os outros alunos, todos agiram mal.
Como disse num dos meus blogues, isto poderia muito bem ter acontecido no sossego do lar entre mãe e filha com um dos filhos a filmar.
A violência existe. A sociedade está em crise. O estranho seria a Escola funcionar na perfeição.
Hoje, no meu blogue, acrescentei mais uma dica. à violência das ruas, acrescentei o espectáculo violento e degradante a que de quinze em quinze dias tenho vindo a assistir na televisão. O palco é a Assembleia da República. A violência, por enquanto, é apenas verbal. Por enquanto.
Quem pensa que a violência se resolve por decreto, deveria preocupar-se em educar primeiro aqueles que têm por obrigação fazer as leis.
Depois disto, penso que quem ficou pior foi a professora. Não por causa da aluna.
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Quando o PGR falou da prioridade à violência escola, o Daniel no Eixo do Mal atacou-o. Consulte os números que hoje Vasco Pulido Valente expõe no Público.
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Prezado Daniel Oliveira,
a solução certamente passará por detectar problemas e actuar em várias frentes. Sem nunca desistirmos da escola pública. Por vezes tem-se a sensação que levamos as coisas de ânimo demasiado leve. Falo de pais, professores e governos, que defendem a escola e o ensino numa retórica exaustiva, e que depois a desprezam profundamente quando se trata de agir.
Em primeiro lugar, é preciso chamar os pais à pedra. Os pais são parte fundamental na educação e tem que existir, no discurso social, mecanismos que levem as famílias a perceber que a educação e o ensino são, não apenas um direito, mas também um dever. Passado o tempo da velha senhora, em que conseguimos que a escola passasse a ser um direito de todos, talvez agora seja tempo de perceber que a instrução é não apenas um direito, mas também um dever. Um direito de todos e um dever não apenas dos governos, mas também dos pais. Um dever para com o futuro dos seus filhos e para com o futuro do seu país.
Na necessidade de tornarmos a escola um instrumento social útil e credível, há que ponderar sobre métodos pedagógicos, que devem ser mais exigentes e criativos.
Mais exigentes nas consequências (e não, não defendo a reintrodução da punição física nas escolas!), e mais criativa nos métodos (porque no limite, não haja dúvidas, aprender é das coisas mais divertidas que pode haver). Subscrevo praticamente todas as ideias sugeridas pelo Emanuel.
As turmas não devem ter mais do que 14 / 15 alunos, sob pena de ser impossível gerir conflitos e expectativas demasiado previsíveis quando falamos de crianças e adolescentes. Numa turma pequena, há naturalmente menos conflitos, e numa turma pequena é mais fácil gerir tensões. É mais fácil prestar atenção a todos (aos mais fracos e aos mais fortes), e assim é certamente mais fácil transmitir ideias.
No limite, os pais devem ser responsabilizados ao mais alto nível pelas atitudes dos filhos. Perante um aluno problemático, tem de existir uma comissão pedagógica composta por professores e psicólogos e assistentes sociais que não só o acompanhem como também, muito seriamente, se empenhem em ouvir os pais. A esse nível a figura do Director da Escola pode ser útil. Um sistema de ensino sem consequências, é um sistema à deriva. Levar os miúdos problemáticos a participar em actividades comunitárias; dar-lhes responsabilidade ao nível da gestão da própria escola (serem convidados a organizar eventos desportivos, culturais, etc); às vezes, um aluno problemático que é levado a ter responsabilidade, acaba por acreditar nas suas capacidades.
Evidentemente, algo de negativo se passa com um aluno que brutaliza uma professora. E aí, suspeitando-se de negligencia parental, o Estado deve actuar; colocando o aluno numa turma ainda mais pequena (os tais cinco / seis alunos de que falava o Emanuel) e obrigando os pais a comparecerem regularmente perante uma comissão social de acompanhamento; a maçada havia de ser tão grande, que talvez esses pais começassem a preocupar-se.
Quando àquela ideia recorrente de que às vezes o que faz falta é uma boa estalada, serei certamente politicamente incorrecta por dizer isto, mas falo por mim: até sensivelmente aos quinze anos de idade estive habilitada a levar uma lambada dos meus pais em momentos de histérica estupidez; a partir dos dezasseis anos, deixou de assim ser. Provavelmente, graças a um ou dois pares de estalos que em boa hora levei. Nunca mais andei de acelera sem capacete e me estatelei (felizmente sem consequências graves para ninguém), nunca mais fui a uma discoteca sem dar conhecimento aos meus pais, e tb nunca mais achei que podia replicar com inolvidável talento a assinatura do encarregado de educação em caso de dramática negativa. De resto, tinha um respeitinho que me pelava à directora da escola, porque sabia que se pregasse alguma, os meus pais não iam ser cúmplices do meu comportamento, e o mais certo seria passar as férias a fazer equações.
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É espantoso saber que há professores que reduzem a sua profissão ao debitar de matéria. Obviamente que estes professores nunca deveriam estar no activo. Enganaram-se clamorosamente na profissão. É por isso que urge a avaliação dos professores.
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Caro Daniel,
O que é que procura na vida?
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Pelos vistos a professora do video é uma jóia de pessoa. Não admira. Normalmente é justamente desses que os adolescentes abusam. É por isso que para se ser professor não basta ser uma jóia de pessoa. Para além da competência cientifica, é necessário também pedagogia e habilidade para gerir conflitos inerentes ao convívio grupal. A verdade é que há muitos professores que são autênticas nulidades.
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«O que propõem exactamente, para resolver os problemas de disciplina, alguns que aqui deixaram comentários?
1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?
2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?
3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?
4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?»
Estou a brincar, claro, mas fez-me lembrar o filme Battle Royale.
http://www.imdb.com/title/tt0266308/
O filme é basicamente isto:«Forty-two delinquent students, three days, one deserted Island: welcome to Battle Royale. A group of delinquent students from a Japanese high school have been forced by legislation to compete in a new forum of reality television.The students are each given a bag with a randomly selected weapon and a few rations of food and water and sent off to kill each other in a no-holds-barred (with a few minor rules) game to the death, which means that the students have three days to kill each other until one survives–or they all die.»
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Também eu achei este debate muito esclarecedor, mesmo nalguns momentos em que foi mais acalorado. Penso que muitos intervenientes acharam nele ocasião de matizar as suas opiniões: eu, pelo menos, matizei algumas das minhas.
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«Quando aqui quis debater a preparação daquela professora para lidar com um problema de disciplina quis, mais do que decidir quem tinha razão (como se isso estivesse sequer em debate), discutir o que pode ser resolvido. Usei este exemplo concreto, de que todos falavam, o que pode ser sempre injusto.»
Numa questão relativamente paralela, estas “indisciplinas” também vão acontecendo em escolas e turmas “exemplares”. É uma questão de respeito. Não é um dado adquirido. Tem de ser ganho. Ou se à partida, nas primeiras aulas, é um dado adquirido (ou existe uma espécie de estudo mútuo), não pode ser perdido. E há professores que têm uma certa tendência para o perder. Claro que depois haverá indisciplina, mesmo nas turmas “exemplares” (e reforço que o que escrevo não tem nada a ver com este caso, nem com “estas” escolas).
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Professor João Duarte:
Nunca afirmei que os professores não têm razão e que a sua luta não é justa. Atenção.
Entendo até que a luta devia ser muito mais radical e o grau de exigência dos professores e da sociedade, em geral, maior.
Como se pode censurar um aluno que copia, quando se admite, pacificamente, -eu não, que o primeiro-ministro nos governe com uma “licenciatura técnica” e “assinaturas arquitectónicas”?
Como podem os jovens, com estes exemplos públicos e no actual estado da arte, não se sentirem legitimados para manifestar, também, a sua revolta? Porquê tanta intolerância com eles? Por serem os mais indefesos?
Quanto à avaliação dos professores, propriamente dita, penso que o resultado prático vai ser a promoção indevida de professores dos aparelhos partidários dominantes e dos interesses instalados, acentuando desigualdades em nome de uma necessidade de avaliação.
O resultado, vai ser aumento da discricionariedade, no sentido negativo do termo, mais injustiça, mais prevaricação e favorecimentos pessoais.
O combate a esta fatalidade, do sistema de avaliação proposto, é que deverá merecer a total intransigência dos professores…
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«Para o Daniel, a professora até deveria ter levado ainda mais porrada para aprender a ter “vocação”»
O que raio escrevi eu para poder você escrever isto? Assim é difícil, meu caro.
Tem de ler melhor aquilo que você próprio escreve. Não será isto “bater” na professora?
O problema deste vídeo é o que mostra e o que quer mostrar. Mostra uma professora impotente. E a sua impotência nada tem de metafísico ou de político. É a impotência que sentirão todos os que, não conseguindo dar-se ao respeito, trabalham com adolescentes. Porque os adolescentes, quase todos e em todos os tempos, medem forças (se não for físico é psicológico) e desafiam a autoridade. E só pode trabalhar com eles quem o sabe fazer. E para o saber tem de se ser preparado. Parece-me que não o são. Apenas se conta com o talento natural e a experiência de cada um.
Chamar a este exemplo de pura má criação de “desafio à autoridade” é um insulto a todos aqueles que algum dia o ousaram fazer.
tem de rever os seus argumentos.
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Fui à marcha dos professores manifestar a minha solidariedade.
Isto é muito perigoso.
Eu também fui para tirar umas fotos e assim diminuímos o número para 99.998.
Daqui a bocadinho aparecem mais e vamos a ver que só lá estavam três professores, o senhor do sindicato, a senhora de Costa e uma anónima que até podia ter sido esta professora que ia levando um enxerto de porrada.
Ora depois de tantas opiniões quero, se assim me permitir, voltar a dar a minha.
Acho que a professora, como representante de uma classe, mereceu o que lhe aconteceu.
Repare.
Há trinta anos que a disciplina nas escolas tem sido progressivamente anulada pelas ideias de esquerda e nunca os vi irem para uma greve para protestarem contra isto.
O estar naquela escola foi um castigo merecido.
Ela, o senhor Doutor Charrua e centenas e centenas de outros passam dezenas de anos em gabinetes a partarejar lindas leis e excelentes livros pedagógicos ensinando como se deve ensinar.
Calhou-lhe agora ver o filme em directo.
Aposto que está agora toda desanimada sem perceber como é que o que resulta em papel não serve na prática.
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E desculpem a crueza: não imagino uma cena destas com nenhum dos muitos excelentes professores que conheci ao longo da vida. Não discuto o comportamento da aluna porque discutir, no mesmo plano, o comportamento de uma adolescente indisciplinada e de uma professora profissional seria, por si só, uma falta de respeito pelos professores.
por isso prefere ‘enterrar’ a professora. “crueza”, diz você. pois, pois…
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Jé é a terceira vez que tento entrar neste debate, mas desisto sempre. Não consigo traduzir em palavras o que sinto, mas não resisto à tentação.
1º já não aguento mais ouvir comentadores a falar da Escola sem procurarem saber o que lá se passa ( tinham obrigação de o fazer).
2º Dói-me, profundamente, que não tivessem percebido que a presença de 100 000 professores na rua foi, justamente, para pedir que olhassem para a Escola Pública e os ajudassem a salvar o que resta dela.
3º A escola tem que ter regras, e se as tem, tem que ter meios para as fazer cumprir. Não sei em que isto contraria toda a filosofia da Escola inclusa, antes pelo contrário. Se uma criança não compreende desde pequenina que as regras são para cumprir, como vai em adulta cumprir a lei?
4º Não percebem que não existem, hoje, meios que permitam contraria a indisciplina/violência que flagela a escola. Que adianta dar ordem de saída da sala de aula, ou suspender o aluno se as faltas não contam para nada. No actual Estatuto do Aluno, nem se distinguem fatas justificadas de injustificadas.
4º Estranharam o comportamento da professora porque estão a vê-lo à distância, mas imaginam lá o que já se teria passado até aquele momento.
5º Eu, confesso, gostava de vos ver aqui, na escola. Quanto ao Daniel, já é a segunda vez que o desafio a vir conhecer a minha … e olhe que é das melhores!!!
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Pegando no título “Isto hoje só à estalada que no meu tempo…”
Mas qual tempo? só se for o dos meus pais… eu que já vou quase em meio século de existência lembro-me bem dos “saneamentos” a professores, da recusa em se fazer testes (só queriamos trabalhos de grupo), das greves de zelo nas aulas, das greves às aulas, das passagens administrativas generalizadas, do pessoal ir para as aulas de óculos escuros para esconder a “pedrada”, de não se ligar patavina ao que o prof dizia (até se jogava ao “stop” e à batalha naval nas aulas), e nesse tempo ainda não era toda a gente que podia ir à escola (pagavam-se propinas, aliás sempre paguei).
Hoje, diz o meu filho, esta situação de pseudo “falta de autoridade” é normal na sala de aula, com frequência assistiu a alunos serem mandados para a rua pelos professores e a não obedecerem, nessas discuções do “vai”/”não vou” os alunos acabam por “vencer” pelo cansaço, afinal o professor tem uma aula para dar. São esses alunos os mesmos que também vencem pelo cansaço os pais (dá-me/não dou, dá-me, dá-me, DÁ-ME!!!, está bem, não me chateies mais.), são esses alunos que mais cedo ou mais tarde vão ter problemas com a autoridade, mas também são eles que mais cedo ou mais tarde vão ser a autoridade (quantos daqueles de quem falei no início não estão hoje em cargos de responsabilidade?).
Para mim o mais impressionante é o público impávido e/ou incitador, e veio-me à memória “Os Acusados”, e veio-me à memória um certo pontapé visto em directo, ao vivo e a cores, tão largamente desculpado pela generalidade dos cidadãos entrevistados (afinal tinham “insultado” a mãe do rapaz) e veio-me à memória a “triste” frase: somos um país de brandos costumes.
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Caro Daniel,
devo confessar que apenas li o 1º ponto, pois acho que adivinho o que se segue. Será?
Bem, é que já não há pachorra para tanto idealismo, bem intencionado, como manda a praxe.
Mas porque não olhamos para os factos. Não para todos, ninguém os possui na totalidade, mas para alguns.
A classe com menos posses é que é prejudicada com a indiciplina, pois não tem papás que paguem explicações.
A indisciplina existe e prejudica, não só os profs., mas sim, sobretudo a ascensão social das classes desfavorecidas.
Ah, mas já me esquecia “é proibidio proibir” e isto são “coisas da idade dos putos”. Olhe a professora que tome uns calmantes ou então que vá ganza para a aula para estar mais calma.
No fundo, que seja uma porreira, ignore, seja compreensiva e sobretudo, não chateie.
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A ver se percebi. És a favor da avaliação dos professores, mas foste à marcha mostrar a solidariedade para com os professores que lutavam contra a avaliação, não porque eram contra a avaliação mas porque eram a favor da escola pública, coisa que a ministra também se manifesta a favor mas com a qual não marchas. Entretanto fazes um post, em que até acho que tens alguma razão, em que descobres que afinal não tens nada de comum com o pensamento comum dos professores e, pelo que me parece, estás muito mais próximo da ministra, contra quem te mostraste solidário, que daqueles com quem dizes ser solidário.
Como diz o outro, é todo um programa eheheh…
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Indisciplina nas aulas sempre houve…
Concordo inteiramente…. quem foi aluno nas decadas de 60 e de 70 do seculo passado, sabe que isso é verdade.
Sempre houve professores que se souberam fazer respeitar ,e outros que coitados eram autênticos bombos da festa.
É aqui que talvez a discussão tenha razão de ser, o professor deve fazer-se respeitar, e isso é cada vez mais dificil.
Porque o respeito , ganha-se pela confiança que os alunos depositam no professor, quando reconhecem nele o mestre (a mestra), e se quiserem o tutor ( tutora) , e para isso não é necessario abandalhar, o lugar que cada um ocupa na sala de aula.
Só que PROFESSORES (AS) são cada vez menos, e pessoas á procura de um emprego , que só são professores á falta de melhor, são cada vez mais.
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Penso que tambem há uma certa confusão sobre o que é a disciplina.
A não ser que queiram voltar á menina de cinco olhos, tão em voga nas decadas de 30.
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I
Daniel Oliveira escreveu, “apesar de repetir que o comportamento geral dos alunos – tratamento por “tu” e por “velha”, descontrolo generalizado, etc – indicia uma indisciplina e falta de respeito que vem de trás”.
Para compreender melhor a situação da professora, acrescento:
-A professora, que regressou este ano à docência, encontra-se destacada nesta escola, é efectiva noutra Escola Secundária da cidade do Porto, onde não pôde regressar este ano, pois não havia horário disponivel.
-A escola onde é efectiva, é a mais elitista da cidade do Porto, tal como era o Carolina Michäelis há uns anos atrás.
-Quando a professora deixou a escola, telemóveis, mp3, ipods,etc., ou não existiam ou a maioria dos alunos não os tinha, quando regressou à Escola viu as salas cheias de aparelhos destes.
-É muito provável que este seja o primeiro ano que lida com turmas “naturalmente” mal comportadas.
II
“concentração de miúdos problemáticos nas mesmas escolas e turmas”
O problema é mesmo a ditribuição dos miúdos problemáticos pelas diferentes turmas, isto porque: baixam o nivel médio das aprendizagens, arrastam alunos bem comportados para a indisciplina – “imitar o líder”. É isto que, erradamente, é feito no Carolina Michäelis, mistura de bons com maus alunos.
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Em conversa com um professor da antiga guarda ouvi uma opinião muito interessante: “O quê??? Um pirralho vir mandar em mim e abusar assim?? Era já um estaladão e que ele chamasse a família!! Abusar é que não!!!”
E diga-se o que se disser, um professor tem de ser autoritário em certos momentos e ganhar o respeito dos alunos. Exageros é que nunca!!!Nem de um lado nem de outro!!
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e agora algo completamente diferente:
é p’ró menino e p’rá menina…
http://www.dame-telemovel.pt.vu/
via blogotinha
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Um texto excelente de uma professora, retirado daqui,http://professoresramiromarques.blogspot.com/2008/03/prolas-do-eduqus-leia-aqui-o-que.html
“Os alunos não aprendem e a culpa é dos professores que não sabem ensinar??!!!
Esse foi o lema durante o meu estágio feito há mais de 20 anos!
Durante uma aula assistida, um aluno perguntou-me que horas eram, e aqui d’el-rei que o menino estava enfastiado! Para bem dos meus pecados ainda tinha 27 alunos interessados na aula, que me valeram para “abafar o incidente”!
Como “o professor é um actor”, fazia-se o pino, entoavam-se as palavras, passeava-se pela sala organizada em grupos de mesas, gesticulava-se, levavam-se resmas de imagens, bonecos, retroprojector, diapositivos… cada aluno era um mundo e o professor tinha que se desdobrar por 28 / 30 pequenos mundos por hora…
Não interessava muito o produto final, mas sim os processos, os percursos que cada aluno percorria durante o ano lectivo.
Trabalho de Projecto; trabalho em grupo; pedagogia Freinet; nada de autoridades; muita motivação; as aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, mas sim pela experiência; o fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo… enfim tudo era motivador.
Cada Unidade de Trabalho começava sempre por “sensibilização dos alunos ao problema de…”
E os alunos ficavam sensibilizados.
Resultou? Sim resultou. Durante muitos anos este tipo de pedagogia resultou nas minhas aulas e nas dos meus colegas. Os alunos respondiam aos desafios, experimentavam, eram curiosos, interessados e aprendiam.
E agora? Como é agora?
Se na pedagogia Freinet tudo era centrado nos interesses das crianças, porque é que agora não resulta? Quais são afinal os interesses das crianças e dos adolescentes de hoje?
Passou quase um século, desde Freinet…
Agora os interesses mudam todos os dias. Mudam muito mais depressa do que antigamente. Mudam dois dias antes de se pôr em prática a melhor pedagogia, a melhor metodologia, as melhores estratégias…
Ah! O zapping! Agora está na moda o zapping!
Hoje gosta-se disto, amanhã gosta-se daquilo. Não presta, deita-se fora, troca-se, compra-se novo, desfaz-se, muda-se de emprego, de casa, de canal de TV, de marido, de mulher, de amigos… tudo ao alcance de um click!
Estamos na era do zapping, do imediatismo, do facilitismo, “do quero ter já e depois logo se vê”!
As novas tecnologias, os novos sistemas de comunicação, entram-nos pelos olhos, pelos ouvidos, pela nossa casa dentro, todos os dias e a toda a hora. E não é mau. Usamo-las. Já não dispensamos o nosso ipod, a Tv, o PC, o telemóvel, o pocket PC, o iphone, a PSP, a pendrive… e tantos outros gadgets que nos inundam o dia a dia.
E de repente, toca para a aula e entram-nos 20/30 alunos por uma porta que se sentam em frente de um quadro negro (ou verde), virados para uma criatura que os proíbe de utilizar os Mp3 e os telemóveis, e lhes pede que estejam sentados a conjugar os verbos, a fazer equações, a ouvir contar os descobrimentos…
E eles que já nascem com a cabeça levantada, que com menos de um ano de idade percorrem os corredores dos hipermercados em alcofas e cadeirinhas penduradas nos carrinhos de compras, a levar com outdoors, cartazes, luzes, sons …
Eles que desconhecem o que quer dizer “concentração”, porque já nascem com “concentração dispersa”, eles que conseguem estar atentos a 4 ou 5 coisas ao mesmo tempo, eles que já nascem hiperactivos, têm que permanecer sentados numa sala de aula a aprender matérias que não percebem bem “para quê?”
Para quê ler, se viajam mais e melhor através da Net?
Para quê memorizar aquela quantidade de nomes ou a tabuada, se pode estar ao alcance de um click? Para quê?
Hoje já não “disfarço” os conteúdos como antigamente fazia. Eles não gostam. Acham que é tratá-los como atrasados mentais. E têm razão. Para quê projectar “a caixinha” na aula de Matemática, que é construída em Ed. Tecnológica, é pintada na aula de Ed. Visual, é cantada em Ed. Musical, é escrita no Português, traduzida em Inglês e reciclada em Ciências Naturais?
Dar “a seco” os conteúdos, porque afinal assim eles “sabem” o que estão a aprender.
Também já há salas repletas de computadores, onde os alunos se atiram vorazmente a cada PC, surfando indiscriminadamente na Net ou utilizando o MSN e outros programas do género, onde costumam passar horas a conversar com os próprios vizinhos do lado…
Já não conversam muito entre eles. Falam teclês na Internet, por SMS…
Afinal o que é que querem?
Quais são os seus interesses?
Porque é que as famílias os depositam nas escolas onde sabem estarem seguros?
Porque é que ao mesmo tempo certos pais desvalorizam a escola?
Porque é que os alunos não aprendem?
O que é que afinal quereriam aprender? Ou deveriam aprender?
Porque estão cada vez mais agressivos, mais violentos?
Porque é que os pais não os educam?
Porque é que os profs têm que “tomar conta deles” mesmo depois das aulas?
Porque é que muitos têm famílias desestruturadas e por isso mesmo gostam cada vez mais da escola, do recreio da escola?
Porque é que os profs têm que competir com a televisão, os MP3, os computadores…. etc?
Porque é que já não conseguimos sensibiliza-los para nada?
Porque é que já não se encantam com um bom livro que a professora lhes mostrou? Uma imagem? Uma exposição? Um filme? Uma aula que levou horas a preparar?
Afinal temos que competir com os gadgets que eles trazem no bolso?!!
Afinal para que é que todos temos o telemóvel no bolso, se temos que o ter desligado?
E se o meu filho precisa de mim e telefona? E a minha mãe, que está doente e sozinha?
E porque é que não posso ouvir música ao mesmo tempo que o prof. fala, se lá em casa todos trabalham no PC, com a TV ligada, o CD a tocar, os miúdos a gritarem….?
A comunicação mudou.
A comunicação mudou?
As matérias são uma seca. A professora é uma seca. Diz o meu filho em casa.
Temos que pensar o que é que queremos. Não para amanhã, mas o que queremos para daqui a 10, 20 anos.
Temos que reflectir sobre muita coisa.
Temos que reformar muitas coisas.
Temos que nos actualizar.
Temos que aprender outras coisas.
Temos que ouvir os adolescentes de hoje.
Temos que ser ajudados.
Temos que nos entre ajudar.
Temos que nos equipar.
Temos que experimentar outras coisas.
Temos que “inventar” novas aulas, novas salas de aula.
Temos que nos adaptar aos novos alunos, às novas famílias, às novas profissões, aos audiovisuais, às novas formas de comunicação, até ao zapping!
Temos que aprender novas maneiras de ensinar.
Temos que aprender novas maneiras de aprender.
Mas, de repente, cai-nos um país em cima que diz que está tudo mal e que a culpa é nossa e por isso temos que ser castigados!
Também somos pais, que diabo!
Acabo de ver na Internet o tal vídeo da aluna aos gritos e puxões à professora, só porque esta lhe retirou o telemóvel enquanto decorria a aula. Uma turma inteira a faltar ao respeito a uma professora, que tenta desesperadamente desempenhar o seu papel, que com certeza já trabalha há muitos anos. Reparo agora que não é só este, mas centenas deste género de vídeos que mostram cenas em salas de aula onde se passa tudo, menos ouvir o professor! São escolas em Portugal, em Inglaterra, no Brasil e pelos 4 cantos do mundo. Mas afinal o que é que se está a passar?! De repente todos os professores perderam a autoridade na sala de aula?! E os valores? Ainda são os mesmos valores que perduram? Respeito é sempre respeito. Falta de respeito há 20 anos é a mesma falta de respeito hoje?
Aqui em Portugal, de há 3 anos para cá tem sido uma alegria com alguns políticos a denegrirem a imagem dos professores. Nos outros países não sei. Será que a culpa é dos telemóveis?
São verdadeiros génios os professores que conseguem manter a disciplina e o interesse dos alunos (uma turma inteira – 28 alunos) numa sala de aula durante um dia!
Perguntemos aos pais de hoje se conseguem manter os vossos filhos quietos sentados à mesma mesa a conversar? Quanto tempo dura o vosso jantar lá em casa? No meu tempo era a hora sagrada em que estávamos com os nossos pais a conversar à mesa.
São os vossos próprios filhos – devem conhecer-lhes os interesses, caramba! Quanto tempo conseguem estar à conversa com eles, ou a ensinar-lhes qualquer coisa? Nem que seja só as boas maneiras? Quanto tempo conseguem prender a atenção dos vossos filhos adolescentes?
É que eu já tenho dificuldade em fazer isso mesmo com os meus próprios filhos!
Então, percebam o que é que se pode conseguir sem equipamento nenhum. Só com uma sala cheia de mesas e cadeiras, um quadro negro de giz… e 28 pessoas diferentes.
Entretanto proliferam livros e documentários sobre pequenas crianças ditadoras e pais que pedem ajuda… O que é que se passa afinal?! Os pais estão a demitir-se e pede-se à escola que os substituam também?
São tantas as questões que gostava de ver debatidas, analisadas, reflectidas em conjunto com pais, professores, alunos, governantes…
Claro que queremos ser avaliados. Claro que temos sido avaliados. Há listas de graduação a nível nacional. Estágios, formação anual, antiguidade… más condições e péssimos salários, agora congelados…
Para quando as Reformas a sério?
Uma coisa eu tenho a certeza, não se conseguirá nada sem o envolvimento de todos.
Sou mãe de 3 filhos e professora há 28 anos. Nunca tive problemas de indisciplina nas minhas aulas, mas tem-me saído do pêlo e do tempo que tiro à minha própria família, dedicando-me à escola a tempo inteiro, mas até quando?
Os alunos que me aparecem nas aulas são cada vez mais problemáticos. O seu desinteresse, a falta de empenho e de trabalho crescem avassaladoramente. As forças vão-me faltando e os resultados são cada vez menos positivos. E não, não estou a falar dos resultados do aproveitamento, mas dos resultados das estratégias que utilizamos para ganhar o interesse dos alunos. Esses são para mim os mais importantes, porque os outros decorrem naturalmente dos primeiros.
São os programas, as matérias, os fracos recursos de que dispomos, a própria estrutura em que se sucedem as aulas, as vidas familiares turbulentas e desequilibradas, a grande disparidade entre a vida lá fora e o comportamento que se pretende numa sala de aula, que provocam este desinteresse nos alunos de hoje.
Mudar? Sim. Mas como? Para onde? De que maneira?
Pensar uma escola a longo prazo e no que queremos destes cidadãos daqui a 20 anos, parece-me ser o caminho mais certo. Não interessam reformas para hoje, nem para eleições. Não é só encher as escolas de computadores, se não se souber para que os queremos ou como usá-los.
A tecnologia avançou largamente estes últimos 20 anos. E a educação? A escola? É por decreto que se faz a escola do século XXI? São os professores os culpados por todo este estado de sítio?!”
[Responder]
Pelo que hoje li em alguns jornais a Sra.Professora está em casa doente,não pelo que aconteceu com a aluna,mas pela excessiva mediatização do que se passou.A RTP até transmitiu o video sem ocultar a face da aluna e da professora,só depois é que pediu desculpa.Apesar de o video estar na internet o problema foram as sucessivas repeticões nos vários canais de televisão bem como as discussões pelos comentadores que levaram a Sra.Professora a sentir-se mal,talvez por se sentir usada para aproveitamentos menos respeitadores do que a atitude da aluna.Estas atitudes dos adolescentes não acontecem só com os professores,tambem se verificam entre alunos.Muitos alunos sentem-se aterrorizados em pensar no que os colegas lhes fazem,e saiem muito amachucados destas situações.O problema é mais vasto do que a falta de respeito pelos professores.É uma situação que tem que ser bem analizada nos diferentes aspectos.
[Responder]
Para não me deter mais sobre o tema top ten, só quero dizer que subscrevo muita coisa do que diz neste post.
E integralmente o seu PS1, que reproduz em absoluto o que eu penso.
Mas sem que deixe de ser verdade o seguinte: – para essa tarefa ‘holística’ de verdadeira educação, que é exigível mas requer já de si uma entrega total, é preciso que existam condições mínimas de sobre-vida.
Se o professor tem de gastar energias a garantir os mínimos que o sistema optou deliberadamente por não regular, ou por não regular de formas clara e descomplexada, o que resta para dar sentido e eficiência a esse papel “maior”? Em termos de oportunidade, de espaço e até de tempo (minutos lectivos…)?
Muito pouco, temos de convir. E imenso factor sorte.
[Responder]
Caro Luís Moreira:
Não estou certo de que isso não se pudesse passar numa escola privada. Conheço casos bem graves de indisciplina em escolas privadas. Como no público há casos e casos.
No entanto, reconheço que são situações destas que fazem os pais com algumas posses pensar em levar os filhos para escolas privadas. Com as actuais políticas, a escola pública vai ficar com os alunos que não possuem dinheiro para pagar o privado e a qualidade e aproveitamento vai diminuir ainda mais.
De qualquer forma acha que é solução expulsar/reprovar um aluno sempre que ele falha? Imagine que vai a um médico e ele abdica das suas funções sempre que um tratamento falha? Não se pode ver a educação básica numa opção de sucesso ou retenção. E não me veja como um defensor do eduquês e da passagem automática! Longe disso. Sou até defensor de previlégios para os bons alunos (tão abandonados nos dias de hj)e creio que a escola deve ser diferenciada em função dos resultado de cada um, como na sociedade (e a discussão se a sociedade portuguesa é assim, fica para outra altura). Apenas não creio que a exclusão dos “maus” seja o remédio para termos “bons”.
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Excelentes posts
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Uma “doçura” de senhora…
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Pergunta bem sobre o que se deve fazer:Acabar com o ensino obrigatório? Porque não? Não é o que o novo estatuto do aluno faz ao não ter em conta o número de faltas dadas sejam elas justificadas ou injustificadas?
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O mal é da paneleiragem educativa e do seu malfadado eduquês que invadiram as escolas depois do 25 de Abril (mera constatação histórica). Discute-se muito, mas nunca se solucionará o problema, se não voltarmos às pedagógicas e miraculosas chapadas (ou reguadas, canadas, etc) dos bons velhos tempos. As crianças são sempre as mesmas, estão num processo de aprendizagem e gostam de experimentar os limites, de provocar os professores. Fazerem-se engraçadinhos e valentões perante os colegas.
Mas intimamente gostam que lhes imponham os limites a não ultrapassar, as normas a respeitar na escola e em sociedade. Isso é decisivo para a sua socialização. Tudo normal.
O que não é normal é que a actual paneleiragem eduquesa (instruida pelo criminoso establishment eduquês do ME) renuncie por preconceiros ideológicos a impor limites de um ponto de vista autoritário (que deve ser o do professor, mestre e não “companheiro” dos alunos). A reacção a isto é mais que previsivel: as crianças quando não sentem pulso, quando não lhes impõem limites (devido ao tal “é proibido proibir” da bandalheira eduquesa e soixante-huitarde) perdem o respeito ao professor e multiplicam as acções de indisciplina. O significado mais profundo dessas reacções é a profunda revolta por não terem professores e um sistema educativo QUE OS EDUQUE, QUE LHES IMPONHA LIMITES ! O que eles querem dizer é “sois uns bananas, que nem vos dais ao respeito, não sois adultos nem professores, sois uns bardamerdas que não merecem mais do que isto”.
Percebem ? Não deve haver uma única cena de indisciplina que passe sem sanção imediata. Não “processos disciplinares” que levam longos meses e não levam a nada. Mas castigos corporais à antiga portuguesa.
Se o/a professor/a não tem cabedal para o fazer, deve suspender a aula imediatamente e chamar colegas ou contínuos que o façam de imediato. Só depois a aula deve prosseguir. E os alunos depois de lhes passaram os escaldões nas mãos, na cara ou no rabo, vão ADORAR O RESTABELECIMENTO DA ORDEM e SENTIR-SE FELIZES POE FINALMENTE TEREM PROFESSORERES A SÉRIO ! Sempre foi assim e continaurá a ser, menos para a escória eduquesa que está apostada em destruir a nossa juventude e o futuro do país nos ultimos trinta e tal anos…
desde que as réguas sairam das gavetas das mesas do professores…
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A primeira coisa que me ocorre acerca deste post é – inteligência em acção! Além de que o Daniel ao começar por colocar o plano da discussão ao nível da responsabilidade da professora, estava, ao contrário do que muita gente poderia pensar, e como ele aliás esclareceu neste post, a assumir a autoridade da professora, porque onde está a autoridade está a responsabilidade.
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Caro Sr. Daniel:
Não tenho o monopólio da verdade, mas penso que um dos primeiros valores de esquerda é que a liberdade de um cidadão, tem como fronteira a liberdade do outro. Assim o respeito pela pelo outro e pelas suas funções são uma marca de esquerda. Lembro isto por oposição o que eu chamo “cultura nazi”. O não respeito por pessoas que cumprem a suas funções (violência sobre professores nas escolas), o não respeito pela propriedade pública e privada (grafitis), o não respeito pelas pessoas (gangs organizados), são exemplos daquilo que eu chamo “cultura nazi”.
Estas pessoas cultivam a violência e o atropelo pelos direitos dos outros, e não entendo como pessoas que se dizem de esquerda possam branquear este tipo de procedimentos. Estão a criar um caldo de cultura de onde sairá uma sociedade fascizante.
Castigos: posso sugerir um…
porque não suspender por determinado tempo as prestações sociais (abono de família por exemplo) referentes ao menino ou menina?
É claro, com todas as garantias de defeso do acusado.
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Luís Moreira,
A escola privada tem uma vantagem: expulsa os alunos problema e a escola pública que trate deles. Assim é fácil ter regras muito ferozes. Com retaguarda.
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Paulo, só li a primeira linha do comentário«devo confessar que apenas li o 1º ponto, pois acho que adivinho o que se segue.»
E quando leio isto, por princípio não leio mais.
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Consulto números do Ministério da Educação, que é quem os tem.
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Do meu ponto de vista, a questão educação/ensino é, em larga escala, mais uma questão de semântica do que algo de substancial. Isto porque um jovem que seja mais culto em ciência, artes, línguas, história, desporto, é alguém que terá mais espírito crítico, que terá assimilado regras de convivência e respeito pelos outros, que terá aprendido a trabalhar em equipa, que será mais informado e terá consciência das consequências das suas acções, enfim, que será mais responsável. Daí a importância do ensino generalista, tantas vezes posto em causa com o argumento de que “nem todos têm que ser doutores”, que, tendo alguma verdade, aponta para um ensino demasiado especializado e também demasiado virado para o concreto, com os riscos inerentes.
O problema é, então, como fazer com que as aulas funcionem de modo a permitir que esse saber seja transmitido. Só reforçando a autoridade do Professor, que é exactamente o contrário do que tem sido feito ao longo destes anos e, em particular, no mandato de Maria de Lourdes Rodrigues. A autoridade perante os alunos impõe-se. É claro que também se conquista, mas isso é partindo do pressuposto que o outro lado está de boa fé. Ora, é precisamente o que não acontece em muitos casos. Há claramente por parte de muitos alunos, e eu experimentei isso em muitas situações, uma tentativa de boicotar sistematicamente o trabalho dentro da sala de aula. Por vezes, essa tentativa é generalizada à turma toda. Há também a tentativa de “aniquilação” do professor, através de jogos armadilhados, como se o mundo ideal, para esses alunos, fosse um mundo caótico, sem valores nem regras. É, como já vi escrito algures, uma nova forma de fascismo, aquela com que muitos professores são hoje confrontados. E para lutar contra esse fascismo é necessário cerrar fileiras, a todos os níveis: turma, escola, ministério, comunicação social, … o que está muito longe de acontecer.
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Não precisei de ser professsor, para ver a realidade das escolas de hoje. Eu, por acaso, vi o que acho que a ministra não quer ver. Que na escola há uma mistura de cores, do universo que fomos. Há que trazer à escola os valores duma sociedade, sem os quais ela não pode sobreviver, através de professores especializados em psicologia, em educação e moral e outras áreas que mostrem à juventude de sangue na guelra, que nem tudo é como eles querem. Há que acreditar no amanhã:
RESSUSCITA
Desejo uma Páscoa Feliz
e um dia de felicidade
para o velho e pró petiz
p’ra gente de toda idade!
-
Ressuscita, ai Ressuscita
nessa tua Fé no Senhor
nesta data qu’é bendita
leva a todos o Seu amor!
-
Vai e ergue-te aos Céus
em oração pede ao Senhor
que viva o Filho de Deus
ai, em todos com fervor:
-
Lá vai uma mãe negra
leva a sua filha ao altar
e ela não foge à regra
quer lá a filha baptizar!
-
Vestido de uma rosa cor
ai, leva ela o seu vestido
e pede p’rá rosa em flor
ajuda do Senhor querido!
-
e com ela vão as filhas
outras que o Senhor deu
vai pedir as maravilhas:
bençãos do Pai do Céu!
-
vejo agora a mãe branca
leva um vestido de azul
Com seu filho vai franca
baptizá-lo no altar do Sul!
-
Vejam como Deus as ama
o Seu espírito lhes envia
envolto na branca chama
do amor, da paz e alegria!
-
Ele que não faz distinção
entre ser de qualquer cor
dá agora ao novo Cristão
Seu espírito qu’é redentor!
-
ouvem-se os anjos do Céu
entoando a suave melodia
dizendo que o Senhor deu
Amor de Sua Mãe, Maria!
-
Ressuscita, ai Ressuscita
com espírito de Deus Pai
na Sua Bondade infinita
levar ao mundo Paz, vai!
-
Sem o amor não viverás
neste Mundo o dia a dia
precisas d’encontrar Paz
para viver em harmonia!
-
Pisco
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Ora ai esta!
Penso o mesmo.
E voce tem muita razao esta a haver demasiad inflamaçao a volta desse caso e muita gente a dizer coisas mesmo horiveis.
Mando esta resposta a algumas coisitas que li e desconsidero.
Ena pa ( sem 2000 )
o que vai para aqui!
Li tudo,Todos os posts e cada uma das palavras que, com apenas algumas diferenças me apareceram em frente dos olhos como verdadeiras e violentas bombas.
Ve-se claramente que em alguns abunda a frustraçao, o passadismo o desejo de ver reposto o que de pior havia no sistema de antes do 25 de abril e pior ainda um certo desejo de violencia e confronto fruto talvez de um secreto desejo de alguma figura pardacenta volte de novo ao poder , pois ja que afinal o d sebastiao nao passou de brumas e sonhos imaginemos que um outro mais feroz se “alevante”.
Esta a criar-se a volta dos jovens portugueses uma pessima aura.
Que sao mal educados violentos , estupidos , que o que era bom era o “antigamente”; que deviam ser castigados, repreendidos expulsos castigados corporalmente ( homessa !-que sadismo e este , podiam ler o marques de sade sabiam.Talvez aprendessem umas coisas e dirigiam essa necessidade de violencia e toda essa insatisfaçao noutras direcçoes)-que nao estudam que so viajam na net que nao falam que so insultam, que tem a concentraçao dispersa etc etc etc e que o que deve ser feito e castigar punir castigar e voltar a punir.
A bofetada as sançoes imediatas levadas a cabo por professores(??) as miraculosas chapadas (ou reguadas, canadas, etc) dos bons velhos tempos (!!)
e mais sei la o que.
Tudo isto porque ha um video a circular que mostra -exactamente o que nem se sabe, gostaria de ver alguem a explicar exactamente o que se pasou ali-mas porque houve um episodio ou dois de professores a sofrer com a insubordinaçao de alunos.
Ora bem .
Claro que e mau .
Qualquer episodio em que entrem a falta de respeito e a violencia,seja por palavras ou actos e muito mau.
Disto nao existe duvida.
Mas as receitas que alguns aprontam para corrijir os problemas , essas seriam concerteza ineficazes e muito perigosas.
Porque aconselham a mesma violencia que criticam.
Professores tem ao seu dispor todos os meios que a escola lhes faculta para se protegerem e para dirigirem as suas aulas com muito bem entenderem.
Sao preparados para isso ao longo dos anos em que estudam para se tornarem professores.
Se dentro de escolas existirem alunos chamados problematicos esses alunos sao conhecidos pelos seus professores que podem obviamente tomar medidas de acautelamento em relaçao ao que esses alunos representam.
Mas dizer que hoje em dia os jovens portugueses nao passam de caloes violentos a quem deveriamos retirar todos os direitos em nome da nossa tranquildade e no minimo ridiculo.
E triste sabiam?
E mesmo muito triste ler a maior parte das coisa que alguns escreveram aqui.
Porque e passar um sinal de desprezo aos jovens que amanha serao adultos.
E dizer-lhe que nada valem e que a nada tem direito e dizer a nos mesmos que nada valemos e que a nada temos direito.
Quanto a pais e professores :-entendam-se!
Uns porque sao pagos para isso , os outros porque e a sua obrigaçao.
Ser pai e professor nao e nem tem que ser uma tarefa facil.Nao tem que ser algo que se limite chutar crianças e jovens para o outro lado so porque nos chateiam e dao trabalho, nao deve ser apenas uma forma para queixas e recriminaçoes.
Sao pessoas em formaçao que necessitam de amor segurança e respeito e a vossa /nossa obrigaçao e estar la a seu lado sejam quais forem as condiçoes e tentar compreeender para poder ajudar.
E se em familia for necessario um par de estalos –nao sera o melhor mas ate se pode entender.
agora nas escolas??
Recorrer a castigos dessa natureza nas escolas??
O meus senhorezzz.
Nao estou nessa nao.
E entendo que a maioria das crianças e jovens sao bem melhores do que alguns querem dar a entender.
e que TODOS os jovens e crianças merecem mais e melhor.
Independentemente do que alguns pensam.
Quanto aos telemoveis computadoeres ipods e telefones televisao cd s Vinis rock n roll e chanson française o blues o jazz e a descoberta da penicilina. meus senhores por muito que vos custe faz tudos parte do futuro e de um passado comum , pertence a todos e e o direito de todos.
E ja chegou o tempo em sendo um direito de todos foi apenas usufruto de alguns.
Nao tenham medo do futuro porque e para la que vamos e isso e muito bom.
Desejar os tempos em que nao havia ate vos fica mal.
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Daniel, se este problema o preocupasse não teria atacado a procuradoria quando esta decidiu fazer disto uma prioridade.
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Só posso falar do que sei. E o que sei é que dei aulas em vários estabelecimentos de ensino, em meio rural, em meio urbano favorecido;em meio urbano desfavorecido, aulas regulares; turmas de Ensino Especial; Turmas de percursos alternativos, em Cef e antigos supletivos nocturnos (chamados fim de linha), e em todas as modalidades, a realidade foi sempre uma: cada um de nós contava consigo mesmo e com o suporte dos respectivos Conselhos de Turma.Nunca tivemos equipas multidisciplinares a trabalhar nas escolas por onde passei. Hoje trabalho num distrito com apenas uma pedopsiquiatra, com uma lista de espera de cerca de meio ano; uma equipa de intervenção precoce com três técnicas; uma psicóloga para um Agrupamento de cerca de mil alunos, dois professores de Ensino Especial e uma estagiária de Serviço Social.Milagre!!
Não há equipas no terreno, quer da CPCJ que se debate com graves problemas de recursos humanos (as entidades responsáveis dispensam 4 horas semanais para os técnicos trabalharem e acompanharem as famílias em risco) e a Segurança Social apenas pede relatórios periódicos às escolas sobre as famílias abrangidas pelo RSI, há visitas domiciliárias pontuais, entrevistas, mas não equipas de acompanhamento e Educação Parental, como vi em regiões de França.Tenho no entanto que fazer justiça a todos os colegas que apesar de tudo e contra tudo conseguiram implementar Projectos e fomentar parcerias com Associações da sua área. Mas são poucos, mas são poucas as escolas que contam com a solidariedade da tutela ou das instituições, às quais se tem de “mendigar” colaborações.Não há créditos horários suficientes para parcerias ou tutorias. Habituei-me, e invento todos os dias motivos para continuar a trabalhar, quase sempre “sem rede”.Se tive problemas ao longo destes anos? Quem não teve?Medo? Também. À Escola cabe resolver problemas de escola e se à Escola se pede mais do que isso, então dêem-lhe, dêem-nos meios,se o quadro e o gis, já não chegam, então também não chega a gestão de conflitos que aprendemos em qualquer aula de pedagogia. Não peçam à Escola , não nos peçam aquilo que sozinhos não podemos dar. É desonesto, é perverso. Indisciplina? Resolvida com Regulamentos Internos? Com Estatutos do Aluno? Não. Com mudanças de práticas institucionais, sim.Que custam dinheiro, pois e mudanças de mentalidade e de comodidades instaladas, pois! Então, não…É melhor continuarmos a discutir a autoridade ou a falta dela dos professores.
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O texto que referencia é um pouco aquilo que eu disse, só que muito melhor dito.
Pode exigir-se a uma professor(a) a presença de espírito de um operacional dos GOE?
Gerir conflitos entre pessoas com um mínimo de civismo é uma coisa; gerir conflitos com a jovem Patrícia no meio de uma turma transformada em gang é coisa bem diferente.
Quem conhece a “velha” professora, (parece que tem 60 anos), confirma integralmente a opinião do texto referenciado – é uma senhora afectuosa, de trato doce que gosta de pessoas e dos alunos.
É aquela senhora que muitos de nós respeitamos porque vemos nela a mãe, a avó e a tia carinhosa que às vezes nos “secam” com conselhos.
Dizer que não tem vocação para ensinar é ser, no mínimo injusto para a “velha” professora, que hoje deve estar a interrogar-se o que é que andou a fazer durante tantos anos no ensino.
É que esta professora é a professora que eu quero para os meus filhos, que eduquei para serem solidários e no respeito pelos mais velhos.
E como pago impostos para a Escola Pública tenho todo o direito de dizer ao Estado que não quero os meus filhos a serem deseducados na turma-gang da jovem Patrícia.
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Por muito que agora venha “corrigir o tiro”, o seu primeiro texto simplifica a questão nos seguintes termos:
A aluna é uma criança indisciplinada, como sempre as houve; a professora é incompetente e incapaz e impreparada.
Passa por cima de uma agressão, de uma manifestação patética de histerismo; desculpa, objectivamente, a aluna e só de passagem reconhece a gravidade da actuação colectiva da turma.
As responsabilidades do acontecido são muito mais complexas e tenho pena que a sua voz se tenha juntado à de tantos outros “bem pensantes” que escamoteiam a assustadora realidade que as imagens permitem antever. E não me estou a referir apenas à energúmena adolescente mas sim a toda a circuntância da agressão, à cobardia colectiva do bando – não tão infantil como parece pensar.
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Blue Six:
“É espantoso saber que há professores que reduzem a sua profissão ao debitar de matéria. Obviamente que estes professores nunca deveriam estar no activo. Enganaram-se clamorosamente na profissão. É por isso que urge a avaliação dos professores”.
Está enganado. São precisamente esses que conseguiriam os melhores resultados se esta avaliação fosse para a frente.
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Daniel
E não há volta a dar-lhe!Se o aluno for um caso de doença psico/social deve ser tratado!E a escola não tem recursos nem competências para o fazer!
A escola pública não é um hospital psiquiátrico ! Há uma minoria de alunos ( muito minoria) que é altamente prejudicial e que a escola deve tentar acolher e resolver.Não o conseguindo a escola, deve ser tratado onde existam competências para tal!
Mas é isso mesmo ! O que não se pode fazer é ir de cedência em cedência até ao estado a que chegou a escola.Que não serve a ninguem !
Temos que ter consciência que há uma percentagen ínfima de alunos que são problemáticos.Sempre haverá!
Mas uma escola fragilizada,sem autonomia, comandada á distância por quem não sente na pele os problemas, nunca será capaz de lidar com estes alunos.
A primeira decisão é dar ás escolas capacidade de decisão,meios para intervir.Avaliando e responsabilizando! Fragilizando a escola e os professores é que não!
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Acha bem ou mal que a procuradoria faça do combate à violência escolar (professores-alunos e alunos fortes-alunos fracos fisicamente) uma prioridade?
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Eu usaria “auctoritas” em latim em vez de “autoridade”, parece-me mais correcto. Autoridade tresanda a polícia e a fiscais, como bem sabe.
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