Quem eu gostei de ouvir ontem no Prós e Contras? Arsélio Martins e o senhor que estava ao lado da ministra, que não fixei o nome. Quem eu detestei ouvir, para minha infelicidade, depois de ter destacado o seu blogue aqui? O representante do Movimento Professores Revoltados. Os primeiros falaram de alunos e de escola. O segundo fez demagogia com os alunos e com a escola, no discurso mais reaccionário sobre educação que ouvi nos últimos tempos. A luta que eu quero é combativa, imaginativa e generosa quando fala dos direitos dos trabalhadores mas não se esquece de o ser quando fala do seu trabalho.


36 respostas ao post “O meu trabalho é política”  

  1. 1 1  berto

    Daniel, subscrevo inteiramente este seu post. A imagem que o representante do Movimento dos Professores Revoltados deu da sua classe é uma tristeza, o que só contribui para desvalorizar as justas reclamações dos professores.
    Aplauso para as intervenções do prof. Arsélio Martins que eu não conhecia.

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  2. 2 2  Patricia

    Se o Daniel tivesse lido os artigos escritos nesse blog e em mais alguns semelhantes decerto não teria feito essa escolha.Eu ontem deixei-lhe um comentário sobre o assunto,mas eu não sei tanto de politica como o Daniel

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  3. 3 3  JoaoLuc

    Já agora, o blogue do Arsélio é este:
    http://aveiro.blogspot.com/

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  4. 4 4  JCM

    A escola do professor Formosinho e a de Arsélio Martins seria o pior que poderia acontecer aos mais desfavorecidos. O pobre rapaz do Movimento dos Professores Revoltados pensa pouco e mal, tem mais emoção do que razão, mas nessa emoção há um grito contra o pior que há no ensino: a discriminação doce. Os alunos que provêm de estratos cultural e simbolicamente menos favorecidos seriam as grandes vítimas das utopias expressas ontem por Formosinho e A. Martins.

    A praxis utópica, que mina efectivamente o ensino a partir da burocracia ministerial, não tem qualquer capacidade para rivalizar com o ensino mais tradicional dos colégios particulares. O resultado todos o conhecemos.

    Há várias correntes na escola. O professorado não é um corpo monolítico. Muitos, entre os quais me encontro, têm uma perpsectiva conservadora da escola. A escola deve concentrar-se na sua missão: ensinar. Para tal precisa de regras e de disciplina. Precisa de valorizar o saber disciplinar, deve fechar-se à comunidade e abrir-se aos seus alunos. Estes devem compreender que têm o dever de aprender, como um professor tem o dever indeclinável de ensinar. Esta escola, apesar de ser pedagogimente conservadora e anti-utópica, é a única que poderá tratar todos os alunos como iguais e, ao mesmo tempo, permitir aos desfavorecidos social, cultural e simbolicamente o desenvolvimento pleno das suas potencialidades.

    As escolas utópicas que tanto comoveram o Daniel, perdoe-me a familiaridade, têm o condão de tornarem-se distópicas e serem, do ponto de vista social, efectivamente segregadoras.

    O que está em causa é uma coisa muito mais interessante. Quem tem possibilidades coloca os seus filhos em escolas privadas, de ensino conservador, mas que ensina e prepara os alunos. Os outros, os que não podem, não têm direito ao ensino conservador, exigente e rigoroso. Têm direito à inovação e à utopia, à reprodução da comunidade, etc. Mas quem vai ter lugar nas melhores universidades? É este discurso mole que é indigno. Indigno pois mascara os resultados sociais que produz. É aqui que está o problema. Eu, enquanto professor, quero uma boa escola para todos os alunos. Por uma boa escola entendo uma escola com regras, com disciplina, com exigência, uma escola centrada no saber disciplinar, uma escola empenhada em que todos aprendam, pelo menos até ao final do ensino básico. Depois, para que continue a haver aprendizagem, deverá haver discriminação conforme as aptidões e as vocações. As escolas utópicas são inimigas de quem precisa da escola para que esta lhe dê aquilo que a família não pode dar.

    Só mais uma nota final. A escola utópica de certa maneira já existe: é a do Ministério da Educação, permeada por mil teorias utópicas, umas de cariz libertário, outras de cariz marxista, outras de cariz liberal. Os resultados são o que são.

    Cumprimentos,
    Jorge C. Maia

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  5. 5 5  Joca

    O professor Arsélio Martins? A sério? Mas o professor teve um discurso completamente baralhado… não respondia concretamente às questões, falava, falava, mas a lógica andava arredia.
    O programa foi talvez demasiado hermético na sua problemática para a generalidade do público que, a respeito do Ensino, está habituado a engolir as xaropadas de propaganda que o governo lhe dá. De resto, entre a classe política, apenas duas pessoas estão muito bem informadas sobre a situação real e têm feito intervenções muito bem propositadas: Ana Drago, do BE, e Diogo Feio, do PP. O resto é um deserto de ideias com muitas dunas de ignorância (e não se trata de qualquer Lino-alegoria). Então entre a classe jornalística, não há ninguém que investigue o que se passa no terreno. Por indolência ou falta de capacidade?

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  6. 6 6  Pedro

    Arsélio Martins chamou a tenção para a política de terra queimada do ME que faz tábua rasa de estratégias já validadas em nome de uma inovação deslumbrada com modelos de sociedades que em nada se comparam à portuguesa, mas depois baralhou-se. Formosinho deu a impressão de não perceber o tema do debate, perdeu-se na utopia pedagógica. De quem eu gostei mesmo foi da Fernanda Velez, que apesar da boa prestação da Ministra não se intimidou e a levou às cordas. Quanto à falta de lucidez do jovem dos Profs Revoltados ela é fruto da indignação e acabou por ter o mérito de denunciar a falácia estatística em que assenta a tão propalada melhoria em termos de insucesso e abandono… O que importa dizer é que este modelo de avaliação e gestão não serve professres nem alunos. Apenas funcionaliza ainda mais os primeiros, perpetua a as baixos índices de proficiência dos segundos e ‘caciquiza’ a escola.

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  7. 7 7  Manuel Leão

    Daniel Oliveira:

    Não tenho conhecimentos, sobre a matéria, que me permita acrescentar algo importante à discussão deste tema.
    Tenho ideias sobre o problema, mas falta-me o conhecimento do que se passa no terreno.

    Mas o que sei, leva-me a acreditar que não se podem tirar grandes conclusões quando se compara ensino público com ensino privado.
    Desde logo, porque as condições sócio – económicas, de quem frequenta um e outro, não são comparáveis.

    Para finalizar, estranhei a maneira como concluiu o “post”: «A luta que eu quero é combativa, imaginativa e generosa quando fala dos direitos dos trabalhadores mas não se esquece de o ser quando fala do seu trabalho».

    Estaria de acordo se tivesse escrito, por exemplo: A luta que eu apoio é …

    “Que eu quero” parece-me excessivo, a menos que o Daniel seja, também, professor.

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  8. 8 8  xatoo

    hey teachers, leave the kids alone
    concentrem-se nas vossas carreiras
    e deixem os putos entregues à televisão, à tmn e aos joguinhos de computador

    Joca: o “jornalismo de investigação” depende dos patrões – que dão ou não dão ordens para o fazer – eis a razão porque não se faz

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  9. 9 9  tt

    Concordo com o Daniel no que respeita ao tal “movimento dos professores revoltados”.

    Quanto ao mais, não devemos ter visto a mesma emissão.
    Do que eu vi, Arsélio confessa que falhou em todas as batalhas em que se meteu e foi premiado; Formosinho, num eduquês ferrenho, assegurou que o grande problema da escola actual é o multiculturalismo, passando em branco pela questão da pobreza.
    Os dois condenaram a retenção como consequência da falta de trabalho dos alunos.
    É Rousseau bebido à colherada, qual óleo de fígado de bacalhau…

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  10. 10 10  Zé Bonito

    Estamos a falar de uma escola obrigatória, certo? Uma escola onde entram todos, independentemente da sua origem social e cultura de suporte. Uma escola onde o ponto de partida dos alunos é heterogéneo, não apenas do ponto de vista económico, mas também em coisas simples como a aquisição de “regras básicas de educação”. Perante isto, só me parece existirem duas vias: ou defendemos uma escola para elites e outra para a “massa”, ou preparamos a escola para ritmos diferentes de aprendizagem e até para diferentes problemáticas abordadas, já que os problemas são tantos que exigem a intervenção de outros serviços (segurança social, serviços de saúde, comissões de protecção de crianças e jovens, etc.). Se a via for esta última, não faz qualquer sentido compartimentar o processo de aprendizagem em anos e conteúdos leccionados, nem ter como resposta a “aprovação” ou “reprovação” em função de resultados imediatos. O que faz sentido é definir tempos mais longos para um caminho que tem que garantir, no final, a aquisição de um conjunto de competências. Esta é a “utopia” que foi defendida pelo professor Arsélio. Isto é o que se faz em grande parte dos países do Norte da Europa.
    Não é verdade que esta seja a escola do actual ME- essa é, aliás, uma das hipocrisias do discurso da sua equipa. Porque uma escola com estes objectivos, exige uma organização completamente diferente da actual, desde o modelo dos edifícios, até à gestão do pessoal. Exige, por exemplo, que haja uma bolsa de professores disponível, para intervir quando e se necessário, de modo a trabalhar com alunos que estejam a revelar maiores dificuldades. Exige a possibilidade de um ou mais alunos serem retirados de um grupo e colocados noutro, em qualquer altura do ano, de acordo com as suas necessidades. Nada disto está a ser feito pela actual equipa do Ministério da Educação.
    O debate de ontem foi mau. Não se pode intervir numa coisa daquelas com “conversas de sala de professores”, ignorando que estão a assistir milhões de pessoas que da escola apenas sabem o que lá viveram ou o que os filhos contam. Claro que o facto de, pela primeira vez, estarem a participar movimentos pouco estruturados, à margem das organizações tradicionais, aumenta o risco de coisas daquelas acontecerem. No entanto, esse movimento de cidadania, com todas as contradições e fragilidades, é o que de mais positivo está a ter esta mobilização. Espero que não tenha “esvaziado”, depois daquela má experiência.

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  11. 11 11  Luis Pedro

    Ao contrário dos últimos «prós e contras» sobre a educação, no debate de ontem houve debate (houve prós e contras), houve confronto, houve contraditório, e em vários momentos do programa (principalmente no seu início e aquando da intervenção dos representantes dos sindicatos) a ministra saíu derrotada e desmascarada. A verdade é que as intervenções do professor Arsélio foram um momento de descanso e alívio para a ministra – que o parecia ouvir sem qualquer tensão, com muita atenção e quase veneração. Porquê? Porque o discurso do Arsélio foi muito abstracto e evitou chamar os bois pelos nomes, dizendo que todos somos responsáveis pela escola – um discurso muito consensual, muito interessante, mas que se esqueceu de especificar que com este modelo de avaliação, e com o novo estatuto do aluno, o que se vai construir é o contrário disso, uma escola em que todos são desresponsabilizados: os alunos deixam de ser responsáveis por estudar e de frequentar a escola, e os professores deixam de ser responsáveis por ensinar (já que as suas funções principais passam a ser funções burocráticas). Aliás, o professor Arsélio quando foi mais concreto entrou em contradição: se por um lado afirmou (se bem me lembro) que não se devia reprovar os alunos, por outro lado afirmou que não ia vergar a espinha, e que por isso não aceitava que a sua avaliação estivesse dependente das notas atribuídas aos alunos.
    Quanto ao professor «revoltado» a sua intervenção não foi nem reaccionária nem demagógica, como diz o Daniel: foi, precisamente, uma intervenção revoltada e sem floreados, e por isso também algo precipitada e pouco pensada (porque como ele disse «não gosta de enrolar a língua»), mas realista. E aquilo que o revolta é o que eu também aqui já disse: andar a trabalhar para as estatísticas (que à força têm de mostrar sucesso), em vez de se trabalhar para a real aprendizagem e ensino dos alunos. Porque o que é isso de ser generoso no seu trabalho? É dar notas hiper-inflacionadas aos alunos? O que um professor deve ser, antes de mais, é justo na avaliação que faz dos alunos. Essa dita generosidade só pode conduzir ao facilitismo, à desresponsabilização de alunos e professores (como eu já disse), e ao prejuízo dos próprios alunos que não têm o ensino de qualidade que a escola pública devia proporcionar. Assim, é essa generosidade que acaba por ser reaccionária: tal como a esmolinha não elimina a pobreza, mas apenas perpetua a condição de dependente do pobre, a falsificação das notas e as passagens administrativas não eliminam o défice de educação e de conhecimentos, mas apenas o mascaram e perpetuam e reproduzem as diferenças sociais.
    O que a mim me espanta (ou revolta) é ver a esquerda a apoiar o dito eduquês (muito teórico e abstracto, como a intervenção do Formosinho revelou) que se baseia mais em premissas pós-modernas, do que em premissas de justiça social e de emancipação social. A escola deve ser para todos e não só para alguns, como disse o Formosinho; só que a escola deve promover a integração e combater a exclusão, mas não à custa do que devia ser a sua função principal que é ensinar e qualificar. Porque ao sacrificar-se o ensino, a escola passa a ser só para alguns, outra vez. Está, portanto, aberta a porta para a privatização das escolas e da educação – porque como dizem os liberais, o mercado seria mais eficaz na prestação desse serviço do que um Estado («despesista e pesado») que se devia limitar a «ensinar» quem não tem dinheiro para colocar os filhos no ensino privado. Ora, no que toca a este combate à exclusão, isto sim, isto é que é (ou devia ser) da responsabilidade de todos, de toda a sociedade. Só que ao remeter-se essa função apenas para a escola (que se transforma numa espécie de depósito de crianças), tudo o resto pode funcionar sem essa preocupação: a começar pelo sistema económico, que depois rejeita e exclui quem não foi bem qualificado. Mas percebe-se: é mais difícil e mais caro criar empregos e pessoas qualificadas, do que criar diplomas. E como disse o ministro da economia: o nosso país é economicamente atractivo devido à sua mão-de-obra barata (e pouco qualificada).

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  12. 12 12  josé Manuel Faria

    O sr.da confap é candidato a um lugar no aparelho do Estado pelo PS.

    O Prof do MPR, pareceu-me que não consegui expressar totalmente o seu pensamento. Ficou-se pela denuncia do inspector e o facilitismo da nota 3. Não teve oportunidade de se defender da Ministra.

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  13. 13 13  Carlos

    Aquele prof. do movimento revoltados, foi um desastre.

    Diferenciação Pedagógica. Saberá ele o que é?

    E o Daniel deu destaque a esta gente neste blogue. Repito o que escrevi noutro blogue:

    Este Movimento Representa o Atraso.

    Professor

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  14. 14 14  Carlos

    Errata:

    “E o Daniel deu destaque a esta gente neste blogue. Repito o que escrevi noutro post.”

    E já agora reconheça lá, só não diz que gostou da Ministra, por causa da habitual compaixão com que a esquerda olha para as corporações.

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  15. 15 15  Lino José

    Eu acho espantoso é o Sr. Daniel Oliveira e a esquerda amiga das corporações reduzirem a escola aos professores, esquecendo os alunos (esses sim os principais destinatários), os pais e a sociedade que depende de um ensino que leve o país para a frente.

    No fundo para o Sr. Daniel Oliveira e para a esquerda das corporações é tudo uma questão de horas extraordinárias, de progressões o mais automáticas possíveis, de vencimentos, de providências cautelares e de puro parasitismo.

    Foi disso que se falou ontem no Prós e Contras e de pouco mais.

    Dos alunos não se falou nada.

    É tudo muito pobre sr. Daniel Oliveira, sobretudo para mim que conheço uma mão cheia de verdadeiros trabalhadores, esses sim com dignidade, que trabalham 12 horas por dia, não sabem o que são horas extraordinárias, nem providências cautelares, gaham um terço destes privilegiados, e nem tempo de antena têm .

    A sua esquerda mete nojo Sr. Daniel Oliveira.

    Os meus cumprimentos e total apoio à Ministra.

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  16. 16 16  José Rodrigues

    O Daniel completamente às aranhas. Para combater o ME arrabanha-se tudo, tudo o que mexer nesta altura, tudo o que andar na rua serve. Ops, mas se o rapaz do movimento vem com os argumentos do Paulo Portas, já não quer saber do movimento para nada.
    Só que, as ideias do rapaz do movimento estão precisamente no oposto das ideias do ME, no que toca a avaliação dos alunos.
    O Daniel consegue esta coisa fantástica: está a dar fogo à luta contra o ME, conforme demonstra esta sua precipitação, mas ao mesmo tempo defende as ideias do ME no que diz respeito ao facilitismo da avaliação dos alunos, porque foi esta a ideia essencial que transmitiu a intervenção do jovem do movimento.
    Em que ficamos Daniel?
    E compreendeu bem qual é a escola que quer afinal o professor Arsélio?
    E só um aparte. Acho incrível como um programa do canal público, conseguiu dar mais lugares e mais voz e destaque a movimento espontâneos que crescem agora como os cogumelos de que esse jovem do movimento é um caso exemplar e tenha subalternizado organizações que não andam agora a nascer espontâneamente como os cogumelos.
    Precipitou-se Daniel.

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  17. 17 17  João Paulo Silva

    Boas,
    meu caro Daniel, há algum tempo que andava para lhe dizer isto – o seu preconceito anti-sindical, nomeadamente contra o movimento sindical dos professores é algo que lhe está a atrapalhar a reflexão. Obviamente, sabe o Daniel e sei eu, que muito boa gente da FENPROF é do PCP, mas isso não o pode levar a meter tudo no mesmo saco e a confundir as coisas.

    Se ler com alguma atenção o que se escreve no tal blog dos revoltados vai perceber que eles não fazem qualquer ideia do que andam aqui a fazer… Voluntarismo, sim.
    Movimentos de cidadania, sim….
    Mas… No dia anterior ao Prós e Contras escrevi no meu blogue que os Professores desses movimentos tinham que começar a fazer política…

    Ainda não começaram.
    JP

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  18. 18 18  JC

    Não vi o Prós e Contras; desconhecia o tema a tratar, e a qualidade do programa (muito por culpa da apresentadora, que por vezes fala mais do que os convidados) não é motivo para o espreitar a cada segunda-feira. De qualquer modo, o tema é daqueles em que todos costumam ser especialistas, não se coibindo de mandar o seu bitaite. Mas é sério demais para ser abordado recorrendo à mera opinião. Cometendo o mesmo pecado, faço este meu extenso comentário com o intuito de despertar a polémica, cuja publicação deixo ao seu critério.

    O país depara-se com um grave problema no sistema de ensino ao nível da educação básica: elevadas taxas de abandono e de insucesso. A escolarização e o sucesso escolar são mesmo um dos nossos mais graves calcanhares de Aquiles. Nesta questão, estamos ao nível dos países subdesenvolvidos mais desenvolvidos, o que é uma vergonha. Dantes, o grande culpado era o salazarismo (ainda que à medida das possibilidades do país o regime tenha envidado esforços para aumentar o número de escolarizados, mesmo à custa da redução da escolaridade obrigatória para três anos). Veio o 25 de Abril e, passados os primeiros anos, o mal voltou a atacar em força. À medida que tem aumentado a oferta educativa, tem aumentado o abandono e o insucesso. Nem fazer depender a concessão do rendimento mínimo garantido da frequência escolar tem contribuído para atenuar esta grave situação.

    São estes dois problemas que os sucessivos governos não têm sabido atacar com competência. As políticas educativas deste governo são talvez o caso mais flagrante da incompetência reinante, porque lhes associa a mais descarada demagogia. Em vez de identificar os problemas e de lhes estudar as causas, para tentar encontrar as soluções mais adequadas, repete as mesmas medidas, comprovadamente inadequadas, e ainda arranja outros problemas, tomando como alvo os professores, aqueles que nas escolas arcam com todas as dificuldades. Por este facto, as suas políticas de educação têm sido um avolumar de problemas, o que só agrava a situação e inviabiliza o ataque ao problema principal. Os CEF e as Novas Oportunidades, não são diferentes do 9ºAno+1, dos Currículos Alternativos e de outras trapalhadas vindas dos tempos da Ana Benavente (aliás, a responsável pela inqualificável reforma educativa em vigor, que o David Justino tentou remendar em vão), só que agora publicitados e usados demagogicamente para ilustrar o aumento das taxas de escolarização. Também na mesma linha de estupidez, esta gente pretende fazer crer que o aumento das taxas de escolarização é sinónimo de redução das taxas de insucesso e de abandono.

    Há um grave problema de indisciplina na escola e há problemas de motivação que não favorecem o sucesso escolar; e tem crescido a desvalorização social da escola como instrumento de mobilidade social ascendente (patente no aumento do desemprego entre os detentores dos níveis de escolaridade mais elevados). Em grande parte, estes problemas derivam da retirada de autoridade aos professores, das modas pedagógicas centradas no aluno e da maior diversidade do público escolar devida à desorganização familiar e à escolarização de nacionais de primeira ou de segunda geração, oriundos de culturas não escolarizadas, sem apreço pela escola e dominando mal a língua. Mas há igualmente um grave problema de design e de gestão curricular, desde o número exagerado de disciplinas até aos programas, extensos e ambiciosos, que não passam de listagens de conteúdos desajustados das necessidades e das possibilidades dos alunos a que se destinam, que agrava a desmotivação, o insucesso e o abandono. O caso mais exemplar da demagogia foi a passagem da duração das aulas de 50 para 45 minutos (rompendo com uma tradição de muitas décadas de resultados comprovados), sob o pretexto de que aulas de 90 minutos seriam mais rentáveis didacticamente (quando anteriormente as mesmas aulas eram de 110 minutos), e cuja causa real foi a introdução de duas novas disciplinas mantendo a mesma carga horária semanal.

    Depois do congelamento das progressões nas carreiras, da desvalorização dos salários, do não pagamento das aulas de substituição e das alterações drásticas nas condições de reforma, a actual equipa da educação resolveu-se por novo ataque aos professores, desta feita através da avaliação do desempenho. Desde sempre os professores têm tido os seus desempenhos avaliados, como toda a função pública. Poderá argumentar-se, não sem razão, que essa avaliação não tinha fiabilidade e era desprovida de credibilidade. Esperar-se-ia que um novo modelo viesse permitir garantir-lhe a credibilidade perdida e fazer depender a progressão na carreira da qualidade do trabalho docente. O principal objectivo, contudo, não é contribuir para a melhoria do desempenho dos docentes, mas conter o crescimento da massa salarial no sistema de ensino. Com maior rigor, é provável que a progressão seja mais lenta e menor o crescimento da despesa.

    Mas o modelo de avaliação agora imposto não visa apenas fazer depender a progressão na carreira dos resultados do desempenho dos docentes, por muito que tal seja propalado. As medidas administrativas mais diversas (como a contingentação ou o puro congelamento das progressões, por exemplos), muito mais expeditas, menos burocráticas e com menos implicações negativas na cooperação que deve presidir ao trabalho docente (que a partir de agora passará a ser regido pela competição, com todas as implicações negativas para a qualidade real do ensino que daí resultarão), tomadas por este governo, produziram os mesmos efeitos de contenção da progressão da massa salarial. Para além destes objectivos económicos, este modelo de avaliação do desempenho tem em vista um outro objectivo, quiçá ainda mais importante: a redução das elevadas taxas de insucesso. Só assim se compreende que os resultados do desempenho dos alunos constituam objectivos da avaliação do desempenho dos professores. Estes podem melhorar as suas qualificações, podem preparar mais cuidadosamente as aulas, podem proporcionar climas de aprendizagem mais propícios; tudo isso faz parte do seu trabalho e deverá ser objecto de avaliação. Mas como podem eles controlar o aproveitamento que os alunos fazem do seu trabalho?

    As condições de retenção, que ditam o insucesso escolar, têm vindo progressivamente a ser alteradas: passou-se de duas para três negativas e adicionaram-se outras condicionantes burocráticas que progressivamente foram destituindo a avaliação do desempenho dos alunos de qualquer credibilidade. O abaixamento da qualidade desmotivou os professores, que a cada ano se viam confrontados com a ausência de competências de pré-requisito que deveriam ter sido adquiridas no ano anterior; o resultado foi o acumular de lacunas e a consequente ampliação do insucesso e do abandono escolares. Tais medidas administrativas, para além de um desastre para a qualidade das aprendizagens escolares, não permitiram baixar significativamente as estatísticas do insucesso. Restava aos doutos gestores da educação adoptarem a medida mais drástica, neste caso, fazer depender a progressão na carreira também da redução das taxas de insucesso. Doravante, os professores estarão condicionados nas suas avaliações do desempenho dos alunos, e é de esperar que muitos não resistam a fazer dependê-las dos efeitos negativos que delas possam resultar para a sua progressão na carreira. Mantendo-se profissionais íntegros, sofrerão as penalizações inerentes.

    Só gente incompetente, com uma mentalidade perversa, apologista da trafulhice, sem rigor ético e de carácter autoritário poderia descer tão baixo. A cereja no bolo é o novo modelo de gestão das escolas: de agora em diante, os gestores escolares podem ser destituídos por simples despacho, pura e simplesmente por não agradarem e independentemente da vontade de quem os escolheu.

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  19. 19 19  José Neves

    Caro Arrastâo,
    Não só o conteúdo do discurso do “professor revoltado” como a forma de apresentação dos seguidores denunciavam à partida um reaccionarismo da pior espécie. Quando um grupo de professores(repito professores) se farda e adopta o comportamento de claque para o olho da televisão, a sua qualidade intelectual deixa muito a desejar. Aquela gente pensa e actua à maneira do futebolismo , não de educadores, aquela gente não presta.

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  20. 20 20  DCSA

    Os carissímos colegas que para aqui vêm contestar a avaliação dos alunos, nem por um momento pensam que é precisamente este modelo de avaliação, de reprovações maciças que mais contribuí para o baixo nivel de aprendizagens de muitos alunos.

    Sendo certo que o principal responsável é o poder político, que não dá as orientações adequadas na organização dos currículos/turmas. A ingnorância da generalidade do corpo docente em matéria de avaliação de alunos(dar notas!!) é confrangedora!

    Sabem o que é avaliar alunos pelo nivel de aprendizagem em que se situam?

    Diferenciação Pedagógica?

    Leiam este ex-professor, que por acaso é militante do PSD.

    A excelência e a diferença
    Santana-Maia Leonardo| 2007-11-29

    Por muito boas que sejam as instalações, por muito bons que sejam os treinadores, por muitos treinos que tenham, não se consegue fazer um Figo ou um Cristiano Ronaldo de um “perna-de-pau”.

    Após vinte e cinco anos a pregar no deserto, decidi, há um ano, abandonar definitivamente o ensino, porque me convenci de que era completamente impossível introduzir no sistema qualquer medida que fosse minimamente inteligente. Com efeito, o sistema só está preparado para adoptar medidas estúpidas e irracionais, as únicas que colhem o aplauso das nossas elites.

    Mas se, com a estupidez, tenho ainda alguma condescendência, com a hipocrisia não tenho nenhuma. Por isso, desafio as pessoas que gostam de dar palpites sobre a Educação, inclusive a ministra, o primeiro-ministro e o Presidente da República, a responderem à seguinte questão: são ou não são favoráveis à escolaridade obrigatória?

    É bom não esquecer, a título de exemplo, que a academia de futebol do Sporting só consegue excelentes resultados porque pode seleccionar os melhores praticantes a nível nacional. Porque, se fosse obrigada a receber todos os praticantes do concelho de Alcochete e a aguentá-los até aos juniores, os resultados não seriam os mesmos. Obviamente. Por muito boas que sejam as instalações, por muito bons que sejam os treinadores, por muitos treinos que tenham, não se consegue fazer um Figo ou um Cristiano Ronaldo de um “perna-de-pau”. Sem matéria-prima não há resultados. O mesmo se passa nas nossas escolas.

    Ora, quem é a favor da escolaridade obrigatória não pode ter um discurso do género «quem sabe passa, quem não sabe chumba» em que está subjacente uma ideia de exigência, excelência e de rigor que é a negação pura da escolaridade obrigatória, porque pressupõe a existência de objectivos para cada disciplina antecipadamente fixados para cada ano de escolaridade.

    As pessoas, em geral, e as nossas elites, em particular, confundem escolaridade obrigatória com a obrigação de ir à escola. São duas coisas completamente diferentes. A escolaridade obrigatória, ao contrário da obrigação de ir à escola, impõe que a escola se adapte ao tipo de alunos que recebe de forma a ser capaz de dar resposta às suas necessidades. Na escolaridade obrigatória, não pode haver objectivos antecipadamente fixados. Os objectivos têm de ser fixados tendo em conta cada aluno em concreto, consoante as suas capacidades, aptidões, nível de conhecimentos e ritmo de aprendizagem.

    Ser exigente não é impor uma fasquia igual para todos os alunos. Não se pode exigir a um aluno aquilo que ele não pode dar. Se um aluno não consegue saltar um muro de meio metro de altura, não se pode colocar a fasquia a dois metros, mesmo que essa seja a altura que a maioria dos colegas da sua turma é capaz de saltar. Mas é precisamente isso que se faz nas nossas escolas. E depois admiram-se de que haja abandono escolar. Pudera! É como na fábula da raposa e da cegonha: se convidamos uma pessoa para vir comer à nossa casa, não lhe podemos pôr a comida num recipiente em que ela não consegue comer.

    Além disso, a colocação de fasquias de conhecimento por anos de escolaridade, com base no aluno médio, tem um efeito perverso, uma vez que elimina precocemente indivíduos cujas capacidades ainda não desabrocharam completamente. Com efeito, é totalmente falsa a ideia de que as qualidades e as capacidades dos alunos podem ser comparadas nas mesmas idades. Ou seja, o facto de um aluno aos dez anos ser um aluno brilhante e outro da mesma idade ser um idiota não significa que, aos dezoito anos, as posições não se possam inverter completamente. Não é impossível que um aluno que só salte meio metro, quando os seus colegas saltam dois, possa vir, dentro de dois ou três anos, a saltar mais do que os seus colegas, se tiver o acompanhamento adequado. Agora não se pode é atirar o desgraçado para um canto da sala porque o professor não tem tempo para lhe dedicar, uma vez que só tem duas horas de aula por semana, tem um programa a cumprir e a maioria dos alunos da turma está numa fase muito mais adiantada. Ora, ninguém gosta de fazer o papel de burro… A reacção natural será o de passar a fazer o papel de insolente: «Eu não faço, não é porque não saiba, mas porque não quero».

    No entanto, por aquilo que eu leio e ouço, a maioria dos professores e as nossas elites são contra a escolaridade obrigatória. Defendem, antes, uma escola onde todos devem ser obrigados a ir mas onde só devem ficar aqueles que correspondam às expectativas do aluno médio tipo. Os restantes deverão reprovar tantas vezes quantas as necessárias até se convencerem de que o seu lugar não é ali. Acontece que as reprovações acabam por provocar o efeito precisamente contrário ao pretendido.

    Com efeito, as reprovações dos alunos com menos aptidões, para além de não resolverem o problema destes alunos (que, o mais certo, se houver rigor, é reprovarem, de novo, no próximo ano), só servem para desestabilizar, por completo, a turma onde irão ser integrados no ano seguinte, tornando-a ainda mais heterogénea e qualitativamente pior. Ou seja, a turma que receber os alunos reprovados fica logo à partida coxa. Com a agravante de os alunos reprovados, por serem mais velhos, acabarem por liderar a turma, com toda a carga negativa que isso tem, com prejuízo evidente dos melhores alunos e da qualidade do ensino. As reprovações na escolaridade obrigatória têm o mesmo efeito numa turma que as pedras num carrinho de mão: quanto maior for a carga de pedras, mais dificuldade tem o professor de andar com o carrinho.

    Por isso, das duas uma: ou defendemos a escolaridade obrigatória com todas as consequências que isso implica ou defendemos a ida obrigatória à escola para que se seleccionem os melhores.

    Quem defende a segunda solução, deve defender a exclusão por faltas e as reprovações de quem não atinja os objectivos mínimos antecipadamente fixados para cada disciplina e anos de escolaridade. Mas quem defender esta solução tem de ter também a coragem de defender que os alunos excluídos e reprovados abandonem o ensino. Ninguém tem o direito de humilhar, durante vários anos, uma criança ou um jovem exigindo-lhe, logo à partida, aquilo que sabe que ele não pode dar.

    Por outro lado, quem defende (como eu) a escolaridade obrigatória, tem de defender uma escola preparada para dar resposta a todos os alunos que recebe, tendo em conta as suas capacidades, aptidões, nível de conhecimentos e ritmos de aprendizagem. Tem de ser uma escola para todos: para os super, para os médios e para os mais limitados. E o sucesso desta escola tem de ser medido por aquilo que acrescenta a cada aluno e não pelo resultado dos seleccionados para os exames finais.

    Santana-Maia Leonardo
    Ex-professor do Ensino Secundário

    “Uma escola para todos
    Santana-Maia Leonardo| 2008-01-15

    A escola inclusiva, sob o pretexto de não querer excluir ninguém, acaba, na prática, por excluir quase todos.

    Quando se fala do «milagre finlandês», é importante perceber que o milagre só aconteceu porque os finlandeses conseguiram encontrar o registo certo para o seu sistema de ensino, tendo em conta o meio social, político e cultural em que estão inseridos. Ou seja, sendo o povo finlandês tão diferente do português, em praticamente todos os aspectos (culturais, sociais, temperamentais, ambientais, etc.), só mesmo por milagre o seu sistema de ensino daria frutos em Portugal.

    Aliás, a principal causa do descalabro do nosso sistema de ensino reside precisamente no facto de os nossos governantes, incapazes de compreender, analisar e avaliar a realidade portuguesa, se entreterem a importar retalhos de experiências educativas mal assimiladas de outros países.

    Mas recuemos aos tempos de escola da geração que nos governa. Nos inícios dos anos 70, para além de o acesso ao Ensino Secundário ser extremamente selectivo, um aluno de Letras do Ensino Complementar tinha apenas 20 horas lectivas semanais divididas, praticamente, por cinco disciplinas (havia uma que não contava). Esta carga horária pressupunha, inevitavelmente, uma grande intensidade de trabalho, com muitos trabalhos de casa, muitas leituras obrigatórias e muito estudo.

    Nestes últimos 30 anos, para além de assistirmos à chamada massificação do ensino, passámos de horários de 20 horas lectivas semanais para horários de 40 horas lectivas, repartidas por uma chusma de disciplinas que impede, só por si, que qualquer uma seja viável. Ora, uma carga horária com este peso pressupõe, obrigatoriamente, que todo o trabalho se esgote dentro da sala de aula.

    Acontece que, pelo que leio e ouço, a ministra, os professores e os sábios comentadores querem que os alunos de hoje, com horários de 40 horas lectivas e uma infinidade de disciplinas, continuem a fazer trabalhos de casa e a ler muito como antigamente. Ora, defender isto é o melhor certificado de estupidez de quem governa, de quem lecciona e de quem alvitra.

    Acresce que a inutilidade da maioria das disciplinas acaba por gerar uma concorrência absurda entre os diferentes professores que procuram justificar a maior importância da sua disciplina com uma sobrecarga de trabalhos de casa, trabalhos de grupo e testes que o bom senso totalmente desaconselha.

    Sem esquecer que o nosso “politicamente correcto” funda-se em dogmas que impedem a resolução dos problemas. Com efeito, enquanto não aceitarmos que as pessoas têm, naturalmente, capacidades diferentes e que o sistema de ensino deve servir, precisamente, para potenciar e direccionar as capacidades de cada um e não para as igualizar, não há outra forma de combater o insucesso escolar a não ser pela via administrativa e de forma artificial.

    Misturar na mesma turma alunos com capacidades, conhecimentos e objectivos muito diferentes é prejudicar todos e não beneficiar ninguém. Na verdade, para que alguém aprenda e evolua é necessário que a aprendizagem esteja adequada ao seu nível, ou seja, aos seus conhecimentos, às suas capacidades e às suas aptidões. Para uma pessoa melhorar o salto em altura, nem se pode pôr a fasquia tão baixa, ao ponto de não exigir qualquer esforço para a ultrapassar, nem tão alta, ao ponto de se ter a certeza, antes do salto, que é impossível consegui-lo.

    Ora, só com a criação das turmas de nível, a partir do 7.º ano de escolaridade, é possível à escola dar resposta a todos os alunos: aos super, aos medianos e aos menos bons, devendo a turma de nível inferior ser vocacionada, obviamente, para o ensino profissional. Só assim será possível ao professor adequar as estratégias, os programas e o ritmo de aprendizagem às necessidades de cada aluno em concreto e, consequentemente, avaliar-se o professor e a escola pelos resultados dos alunos.

    Só que fazer isso implicaria pôr em causa um dos dogmas fundamentais do actual sistema de ensino: o da escola inclusiva que, sob o pretexto de não querer excluir ninguém, acaba, na prática, por excluir quase todos. E com os dogmas não se brinca. Galileu que o diga.

    http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=43C16644B89C11CBE04400144F16FAAE&psel=2

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  21. 21 21  Luis Pedro

    O que uma pessoa vai aprendendo por aqui…
    Um trabalhador é tanto mais digno quanto mais explorado for. Um trabalhador é tanto mais digno quanto menos protestar e mais obedecer. Um trabalhador é tanto mais digno quanto menos ganhar. Enfim, a absoluta dignidade só é atingida por quem é escravo!
    Dir-se-ia, então, que os (neo)esclavagistas não têm qualquer dignidade, pois não são explorados, dão (e não recebem) ordens, e ganham muito mais do que os «parasitas» dos professores. Não têm dignidade, mas como conhecem mãos cheias de «verdadeiros» trabalhadores provavelmente vão aprendendo com estes. É o caso dos Teixeiras Pintos que conseguem reformas milionárias, por serem considerados inaptos para o trabalho por juntas médicas mais «humanas» do que aquelas que negam a aposentação a professores (mas não só) «privilegiados», com leucemia ou cancros na língua. E tanto é assim que o Teixeira Pinto já está a trabalhar novamente. Em vez de gozar a sua reforma dourada, decidiu ser digno e tornou-se num «escravo» disposto a voltar a trabalhar…

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  22. 22 22  João Grade

    xatoo escreveu:
    hey teachers, leave the kids alone
    concentrem-se nas vossas carreiras
    e deixem os putos entregues à televisão, à tmn e aos joguinhos de computador.

    Com o devido respeito, já agora podem dar aos putos 1 camisola 7 do Figo, calções e ténis da Adidas que os putos sentem-se realizados.

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  23. 23 23  Daniel Oliveira

    Luís Pedro, suponho que não está a comentar o meu post.

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  24. 24 24  Luis Pedro

    E supõe bem, Daniel Oliveira. O que eu comentei foi um outro comentário aqui colocado.

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  25. 25 25  Rafael Ortega

    O que o professor do movimento disse é verdade até certo ponto. Existe no sistema de ensino português um facilitismo enorme. Basta olhar para as diferenças entre os exames de Fisico-Quimica de 2005-2006 e o de 2006-2007 para ver que o segundo foi muito mais facil. E ou muito me engano, ou foi mais facil porque o primeiro foi uma razia completa.
    Eu acho que um aluno do básico que, apesar das dificuldades, se esforça, estuda em casa, faz os trabalhos de casa está atento nas aulas, mas que as suas notas só dão para o 3, tem que se sentir injustiçado ao ver um cábula que merece chumbar levar o mesmo 3. Porque é cada vez mais dificil chumbar alunos.
    Não sei se o que o tal professor disse sobre o ter recebido pressões para não chumbar ninguém é verdade mas não me admiraria muito.

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  26. 26 26  Lino José

    Sr Luis Pedro

    Vocês (professores) não têm dignidade e são de facto parasitas, por comparação com outros trabalhadores (verdadeiros trabalhadores !!!!!) porque os senhores se fazem valer pelo numero da manada que não pela qualidade nem pela competência, se fazem valer pelos slogans insultuosos e impróprios de quem é suposto educar e sa fazem valer do facto de o patrão sermos todos nós, não vos pdermos despedir e substitiui por outros e muitos deslocalizar o ensino.

    Os senhores são uma classe privilegiada que se arrogam pretender demitir ministros, definir politcas, ao arrepio e com total desprezo pelos restantes portugueses .

    Nunca vi nenhum ministro de educação que não fosse atacado pela vossa Classe Corporativa. Nenhum serve, os senhores é que mandam, os senhores é que definem o que deve ou não ser feito (sempre de acordo com os vossos interesses) ninguém vos pode tocar, ninguém vos pode dar instruções e muoito menos ordens , os senhores estão acima de todos os outros portugueses !

    Ficarei tremendamente desiludido e frustrado enquanto trabalhador, português e pagador dos vossos privilégios se o Governo recuar perante vós um milimetro que seja !

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  27. 27 27  Luis Pedro

    Novamente a cassete mesquinha e reaccionária: os professores são uns parasitas sem qualquer dignidade. Principalmente se comparados com «outros trabalhadores» (os tais escravos obedientes e, por isso, «dignos»).
    Realmente a minha vida tem sido uma vida cheia de «privilégios»: sou um contratado (um «mero diplomado» que não deve ser considerado professor, segundo a Ministra, apesar de ser profissionalizado) que está sujeito a ir parar a escolas a 400 , 200 ou 100 Km de casa (como já aconteceu) e a ter horários incompletos e um salário que nunca ultrapassou os 750 euros. E assim continuará a ser nos próximos anos (15 anos?) até conseguir entrar nos quadros. Está na altura, realmente, de procurar outra profissão (até porque as coisas se agravaram), e quando houver falta de professores seguir-se-à então o «sábio» conselho do Lino e contratar-se-ão professores estrangeiros «deslocalizados», como já acontece em Inglaterra, que tomou medidas semelhantes às deste governo.
    Depois sou igualmente um «parasita» porque tenho de pagar grande parte daquilo a que um trabalhador digno (sem aspas) tem direito e que é o seu material de trabalho, assim como não tenho quaisquer ajudas de custo. É o caso dos computadores «oferecidos» por este governo aos professores, que só os «parasitas» não quereriam pagar para não terem de trabalhar com as «novas tecnologias». E também não consigo fugir aos impostos como certos trabalhadores «dignos» conseguem. O meu «parasitismo» revela-se também no subsídio de desemprego a que por vezes tenho (ou fui tendo) direito. Felizmente, este governo veio pôr um travão a isso, e daí que, a partir de agora, sempre que eu ficar desempregado já não vou poder receber esse subsídio à preguiça. Mas ainda vou ter o «privilégio» de receber o subsídio que se segue: cerca de 300 euros.
    Finalmente, não tenho qualquer dignidade, porque apesar destes «privilégios» todos e deste meu «parasitismo», não concordo com esta avaliação, com o novo estatuto do aluno, com todas estas grandes «reformas». Porque um professor «digno» deve obedecer às ordens superiores, e nessa medida tenho de passar a ser um burocrata. Como disse o outro «socialista» a «ética reduz-se à lei», e portanto o que eu devo fazer a partir de agora é cumprir o que é estabelecido: trabalhar para as estatísticas. Ser um professor digno é destruír o ensino e abdicar da sua função principal. Esperemos que este governo de «esquerda» não desiluda os adeptos do «mercado livre», da desregulação da economia e da ausência de direitos sociais.

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  28. 28 28  DCSA

    Como é colegas, os textos do nosso ex-colega Santana Maia Leonardo não têm direito a comentários?

    Enfiaram a viola do facilitismo no saco?

    Daniel Oliveira,

    é bom que abra os olhos e deixe os corporativismos de esquerda de lado.

    Os professores precisam de ser avaliados!

    não quero com isto dizer que o processo não tenha erros, desde logo a forma como se chegou aos avaliadores, o concurso de professores titulares.

    Sou professor.

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  29. 29 29  José Manuel Dias

    Uma análise brilhante…Acredito que a “qualidade dos professores” esteve muito mal representada, pela Deputada professora do PSD… Não gostaria que nenhum dos meus filhos a tivesse como professora. Uma definição : malcriada. Gostei da análise do professor Arsélio. Não há culpados mas somos todos responsáveis pelo estado da nossa educação. A gestão das escolas não é um problema dos professores, como alguns querem dar a entender. É um problema de todos. Sou accionista do Estado ,por via dos impostos que pago, tenho o direito e o dever de exigir uma gestão eficiente de recursos e um bom desempenho dos diversos agentes. A Escola deve prestar contas a todos os stakeholders. Fixar objectivos, diferenciar, premiar os melhores é uma necessidade. Ás mudanças nunca foram fáceis e são sempre mais difíceis quanto mais mexem com “instalados”. O desassossego pode ser salutar pois permite ultrapassar algumas dificuldades de momento. Permitam-que que cita Alvin Tofler ” A tensão gerada conduz, na maioria das vezes, a novas e imaginativas soluções. Neste sentido o conflito na sociedade não é só necessário como, em certos limites, desejável.”. Que cada parte cumpre o seu papel.
    Cumps

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  30. 30 30  Quintanilha

    Porque será que nos sucessivos Governos, desde o 25 de Abril, não houve um único ministro da Educação que agradasse ao professores e seus sindicatos?

    Será que a maioria dos portugueses está está solidária com a vossa luta? Têm mesmo a certeza?

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  31. 31 31  Isabel

    Tenho uma filha no 7º ano e um filho no 4º. A minha filha teve aulas à tarde no 1º ciclo, o meu filho tem um horário normal. A minha filha teve 6 professores durante os 4 anos do 1º ciclo. O meu filho teve 1 (que ficará na escola pelo menos mais 2 anos). A minha filha tinha uma professora que todos os 4 anos que durou o 1º ciclo meteu baixa no primeiro dia de aulas do ano lectivo deixando os alunos sem professor até à colocação do substituto. A professora do meu filho faltou nestes anos uma ou duas vezes. No 5º, a professora de matemática da minha filha faltou a mais de um terço das aulas (nunca houve substituição). A minha filha continuou no 5º e no 6º a ter aulas no período da tarde (!3h30-18h30). Se a escola a tempo inteiro avançar, o meu filho vai estar livre de horários idiotas.
    Estes últimos 3 anos foram de mudança na escola. Para mim, uma mudança formidável.

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  32. 32 32  Patricia

    Vai ser interessante no dia 8 ver á cabeça da manifestação,Menezes,Jerónimo,Louça,e talvez Portas(santa aliança),e depois ainda dizem que as manifestações de SMS são espontaneas.Porque será que a esquerda não percebeu ainda que o mercado eleitoral do voto da direita vai de vento em pompa.Mais um pormenor nas manifestações ditas expontaneas,todas as pessoas que foram entrevistadas eram professores,a comunicação social não cuidou de saber as opiniões dos restantes sectores da sociedade

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  33. 33 33  defariaesilva

    Cuidado com essas histórias de associar a FENPROF aos Profs do PC porque há lá muitos, refundidos mas pagantes, que sempre votaram CDS / PP, apenas nunca se quiseram mudar para a FNE. Essa “curiosidade” é sabida dos dirigentes da FENPROF que, em tempos, a utilizaram para falar no “pluralismo” FENPROF versus o “partidarismo social democrata” da FNE.

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  34. 34 34  Justicialista

    Daniel, você é muito laxista na educação.
    Não vou comentar directamente o post, mas sim as suas intervenções que já li e ouvi em diversos meios.
    Por si, todos chegavam à universidade sem saber ler ou escrever. Para si, um professor chumbar um aluno é um CRIME.
    Não vê que a falta de exigência e de rigor só prejudica os alunos mais pobres e desprotegidos? Não vê que é com o sistema que temos, que cria-se mais desemprego e abandono escolar? O sistema de ensino está caduco e desajustado. Os cursos profissionais e técnicos são escassos e desprestigiados. Na escola não universitária, não se aprende nada com utilidade prática. Cada vez mais há licenciados “ignorantes”. Para si está tudo bem e é tudo do melhor que há, mesmo que as estatísticas digam que Portugal está na cauda da UE e da OCDE nesta matéria.

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  35. 35 35  Levy

    O que disse o professor do movimento dos revoltados, não foi completamente descabido. Embora ele o tenha feito de uma forma errada e atabalhoada, lá no fundo tinha alguma razão. E não era preciso vir falar num inspector que supostamente lhe terá dito para passar os alunos. Bastava ter ido buscar as declarações do secretario de estado Pedreira ao jornal público, o qual referia que o ME só não acaba com os “chumbos”, porque isso seria politita e socialmente insustentavel. Para quê um inspector, se o próprio secretario de estado diz uma coisa destas?? Nada mais claro, o ME só não acaba com os chumbos na lei, porque não pode, mas na pratica tudo faz para que eles terminem. Os sinais que se são as escolas é este: passam todos. E se não passarem, milhares de relatórios há para preencher.

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  36. 36 36  laranjalima

    Quem tiver dúvidas sobre a razão de ser da revolta dos professores é só ler muitas das coisas que aqui se escrevem. Os professores exigem respeito. E merecem-no. Se não fosse o seu empenho, sentido de responsabilidade e dedicação aos alunos, há muito que a Escola tinha implodido. Adorava ver-vos aqui (na Escola)!! não vos dava um mês para estarem na rua a manifestarem a vossa revolta. Quanto ao Daniel, venha à Escola (a gente explica-lhe tudo) e vai ver como é capaz de defender a nossa causa com convicção, sem pudor nem preconceito.
    Já sei que estão todos a pensar nos resultados dos alunos…mas olhem que eles até são bons. Comparem-nos com os resultados do país…como exigir da Escola resultados de país desenvolvido, se em tudo o resto ele, o país, é terceiro mundista? A Escola não é uma ilha! Antes fosse…tou em crer que nós e os meninos nos daríamos lindamente e obteríamos bons resultados.

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