A escola da Ponte não corresponde ao modelo educativo que João Miranda acha que funcionaria. A Escola da Ponte usa e abusa de todos os pecados que muitos dos nossos comentadores consideram responsáveis pela desgraça da nossa escola. Mas os pais, os professores e os alunos da Escola da Ponte estão satisfeitos. Pior: a Escola da Ponte é pública e não funciona bem por causa da concorrência.
Os professores gostam e fazem visitas ao lugar para conhecer a experiência. Os pais gostam e querem lá ter os filhos. Mas como não bate certo com o que João Miranda gosta, desta vez a preferência dos pais não é o que conta.



Então e o artigo genial sobre «a mentira», da autoria do seu odiado Pacheco Pereira? Deixou-o sem argumentos? Quem cala consente?
Sobre a qualidade da Escola da Ponte não me pronuncio. Sou macaco demasiado velho para não saber que a qualidade é um conceito muito escorregadio, que o marketing é uma técnica muito eficaz e que em matéria de educação o efeito placebo é crucial.
Mas concordo plenamente consigo quanto à incoerência de João Miranda.
Daniel&Miranda,Lda
Fabricam-se pseudo polémicas big easy to big empty
E cá está xatoo para fazer o papel de ASAE
Sebastião, ainda não li. Lá irei.
Este assunto já foi discutido até à exaustão lá, no Blasfémias.
E verificou-se que afinal havia muitas contradições e várias opiniões a favor e contra.
E isto é mau.
O que é bom, mesmo bom, não suscita comentários negativos.
Estou a lembrar-me por exemplo de Chalana, o pequeno génio!
De qualquer maneira não é assunto que me interesse muito,
As minhas netas andam no privado.
Enquanto houver dinheiro assim será.
Quando não houver eu e mais uns três ou quatro escolhidos entre os repetentes de uma escola do Norte assaltamos um Banco.
É fácil e já não se vai preso.
Este Miranda é o tipico “liberal” (está entre aspas pois bem sabemos que ele é conservador) que diz uma coisa e o seu contrário e conforme mais lhe convém! Embora faça parte do seu trabalho gabo-lhe a paciência de o ler!
A propósito da escola da Ponte, permitam-me que lhes diga o seguinte: deixem-me fazer um programa, entreguem-se uma sala limpa e arejada e deixem-me lá colocar 10 ou 15 alunos por turma, numa escola não tenha mais que duas ou três centenas de jovens. garanto-lhes que não terei problemas de autoridade e serei um professor a realizar-me na profissão, mesmo com um ordenado muito baixo.
Mas, se me dão 25 ou 30 alunos, uma sala velha com carteiras velhas e todas riscadas, com um quadro onde o giz mal escreve, num edifício sombrio, com 7, 8 ou mais centenas de alunos juntos ao acaso, metidos em turmas onde, de inicio (e por vezes durante o ano) mal se conhecem uns aos outros. E estão ali misturados em duas categorias: os que vem para a escola, porque são obrigados e dela nada esperam; e os que esperavam muito da escola, mas sentem que ela não corresponde às suas expectativas, porque os colegas que encontram têm outros valores,metem-lhes medo, pois são muito diferentes dos amigos com quem cresceram. Imaginem a frustração minha e dos alunos que querem aprender e os problemas que daí resultam!…
No primeiro caso, não preciso de falar em disciplina, no segundo terei de a impor, se não quiser que os meus alunos cresçam sem interiorizar regras e amanhã a polícia tome conta deles.
Eu penso que a escola de futuro terá de ser escola de proximidade, com menos alunos, menos professores e melhor equipadas, tal como é a escola da Ponte. Nestas escolas a indisciplina que aparece é associada à falta de educação e, por isso, resolve-se naturalmente; nas outras, ser indisciplinado é a única forma de dizer «sou o melhor!» e, por isso, é uma acto de afirmação heróica que deve ser copiado, pois provoca graça e admiração,tal como expressa a t-shirts «Dá-me o telemóvel, já».
Haver quem, a propósito da agressão a uma professora do Carolina Michaelis, se divirta a criar t-shirts com a expressão «Dá-me o telemóvel, já» é bem significativo da ideia que muita gente faz da função social da escola.
E coloca-me a seguinte questão: como pode um aluno desenvolver um sentimento de justiça, de justiça social (sensibilidade aos que sofrem, p.ex.,) se veste uma t-shirts ridicularizando uma professora que, de uma forma mais correcta ou menos correcta, procurou cumprir o seu dever?
Hannah Arendt escreveu um dia: «as boas almas geralmente vendem-se a preços de saldo». Não será isso o que está a acontecer a muito boa gente?!…
Este título não está errado? Não seria “quando o cliente deixa de ter razão?”
Obrigado Luis. Que disparate.
Eu gosto do modelo da Escola da Ponte e gostava de trabalhar lá. Acontece que nenhuma outra escola tem autonomia para poder desenvolver um modelo semelhante, ou outro. Estão asfixiadas pela loucura legislativa/normativa do ME.
Já tenho lido que os alunos quando saiem da Escola da Ponte e vão para outras, para posseguir os estudos, chumbam todos… será verdade?
Pronto, pronto, é porque o pessoal está aqui todo em pulgas…
Homoclinica,
mentira, o que é bastante habitual na educação nacional.
Repare-se como a língua portuguesa é traiçoeira, e a frase
«a Escola da Ponte (…) não funciona bem por causa da concorrência»
pode ter duas leituras opostas…
Ouvi falar da Escola da Ponte já há anos, por uma brasileira estudante de Psicologia, muito entusiasmada com o conceito.
Moro na Alemanha, pelo que conheço pouco do ensino em Portugal e da Escola da Ponte. Os meus filhos frequentaram uma escola Montessori (nos EUA) e, na Alemanha, uma escola primária Jenaplan (que me parece semelhante ao projecto da Escola da Ponte).
Depois passaram para escolas tradicionais e começaram a queixar-se que os professores falam demasiado…
Admito que não seja o ideal para todas as crianças, mas para eles foi o melhor possível.
Agora, porque mudamos novamente de cidade, um anda numa escola pública “de elite” (uma turma de geniozinhos da matemática, todos filhos de óptimas famílias, todos prima-donas, em suma: um ambiente terrível!) e o outro numa escola privada onde os alunos são escolhidos a dedo - e tenho saudades do tempo em que não tinham ensino frontal, e em que a disciplina resultava naturalmente do imenso interesse que tinham em aprender, e de uma verdadeira educação para a Democracia.
Pelo que vou ouvindo no debate público sobre o ensino alemão, parece que o projecto Jenaplan é aquele que melhor corresponde às necessidades desta sociedade.
Não sei se os alunos que saem da Escola da Ponte chumbam quando chegam às outras escolas. O nível dos alunos que saem da Jenaplan é muito bom. O problema é que não se deixam levar em rebanho, e têm algumas dificuldades em trabalhar ao mesmo ritmo do resto da classe.
Para os interessados: falei bastante sobre isto nestes posts (longos)
http://conversa2.blogspot.com/2008/03/falemos-pois-da-escola-5.html
http://conversa2.blogspot.com/2008/03/falemos-pois-de-jenaplan-1.html
http://conversa2.blogspot.com/2008/03/falemos-pois-de-jenaplan-3.html
Acho inconsistentes os argumentos do João Miranda.
Custou-me mas cheguei lá, ou penso tê-lo feito. Não existe nenhuma escola, oficialmente chamada de Escola da Ponte, existe sim e penso serem a mesma, uma chamada de EBI das Aves, pelo menos por verificações que cruzei, julgo não me ter enganado. Há uma pequena margem de erro, admito portanto essa possibilidade. Se estiver enganado, algum dos defensores do projecto me esclarecerá e aceitarei obviamente o seu esclarecimento.
Como sabem, existe um ranking nacional dos exames do 9º ano, com todos os defeitos e problemas conhecidos. Não me parece serem os mesmos (baixo nível social e cultural, desprestígio da escola e do ensino, etc, etc) aqueles de que sofre a Escola da Ponte, não fazem parte, pelo menos, da sua própria caracterização. Nesse ranking o seu lugar a nível nacional é o 225, tendo os alunos tido uma média de escola de 3.56 e de exame de 2.94. A confirmar-se ser a mesma escola, que cada um tire as suas conclusões.
Se querem saber coisas interessantes sobre a chamada Escola da Ponte, falem com o meu amigo Admar– o entusiasta arquitecto desta escola. Leiam o seu blog.
O abnoxio do poeta, ilustre causídico e professor Ademar Santos tem lá tudo. Só é pena não ouvirem a gargalhada aberta e estridente do Ademar!
http://abnoxio.weblog.com.pt/
Penso que o meu amigo Ademar ainda por lá anda!
O DO aprecia imenso estas caricaturas simplistas. Ou é cinismo, ou ignorância do que é o liberalismo.
Em vez de analizar a floresta, marra com os olhos na casca de uma àrvore e pensa que isso é que é a floresta.
Use a cabeça DO. A livre escolha não garante que toda a escolha é excelente. Garante apenas que em 100 escolhas, a maioria tenderá a ser positiva e , deste modo, a fazer andar a coisa para a frente.
Veja a coisa como o mecanismo da evolução.
Há muitos erros mas há tb muitas coisas boas. No fim lá vamos andando.
Pelo contrário um sistema “ordenado”, ou é dirigido por seres divinos que nunca falham (basicamente o Partido), ou, sendo dirigido por homens, quando falha, é uma catástrofe geral.
Resumindo, para os Daniéis perceberem: um sistema centralizado dá estatísticamente mais tarde ou mais cedo, um monumental estouro; um sistema livre dá pequenos estouros, pequenos sucessos mas a resultante é sempre positiva.
Pelo menos é o que nos diz a história do homem e nos mostra a natureza.