Através do Jornal de Notícias descubro a interpretação que o director do Colégio São João de Brito tem para os resultados dos alunos deste colégio.

Amadeu Pinto é de opinião que o sucesso das escolas privadas está no projecto educativo. “Nas escolas oficiais, esse projecto não passa de um proforma”, referiu, para destacar, ainda, a estabilidade do corpo docente como também uma mais-valia dos colégios. Por outro lado, Amadeu Pinto critica o “facilitismo” que existe nas escolas de ensino oficial.

Ora, como o projecto educativo do colégio São João de Brito é o mesmo do Instituto Nun´Álvares e do Colégio da Imaculada Conceição, vale a pena conhecer a interpretação que o director deste último tem para os resultados dos seus alunos: “o Colégio de Coimbra fica num meio paupérrimo”. “é um meio rural, com fraco nível cultural. Teríamos outra posição no ranking se estivéssemos mais perto de Coimbra”.

Ora aí está. Quando uma escola privada tem bons resultados a explicação é a excelência do projecto educativo. Quando tem maus resultados com o mesmo projecto educativo, mas sem a vantagem competitiva de poder escolher os seus alunos, é o meio social que a impede de melhorar a posição no ranking. É verdade. Noutro meio social o Colégio da Imaculada Conceição teria outros resultados, como teriam as escolas públicas obrigadas a receber todo o tipo de alunos. As mesmas que, de Castelo Branco à Golegã, tiveram melhores resultados que o colégio da Companhia de Jesus, mas cujos docentes e alunos não se livram do estigma criado por uma comunicação social ávida de apresentar as “melhores escolas” e um batalhão de colunistas sempre prontos para louvar o mérito das escolas privadas contra o facilitismo do sistema público.

Nota: o título deste post foi alterado, tornando mais perceptível a sua ligação ao post seguinte.


15 respostas ao post “A mistificação dos rankings II”  

  1. 1 1  David Castro

    E qual é a moral da história ? Acabar com as escolas privadas ? Não vejo qual é o problema de existirem escolas privadas. O verdadeiro problema passa por ( infelizmente ) a grande maioria dos portugueses não poderem optar, se assim o desejassem, pela escola privada.

    Até teria um certo interesse em saber como os doutos escribas deste blog escolheriam a escola para os seus filhos. Já sabemos que privada, jamais !

    [Responder]

  2. 2 2  Pedro Sales

    Este post é a sequência do anterior. Talvez o David Castro não tenha reparado, o que é difícil porque há três dias que está em todas as televisões e jornais, nas notícias sobre a excelência das escolas privadas que são as melhores do país. Uma tese que parte da anulação do impacto cultural e social na definição dos resultados dos alunos, como, penso eu, se pode ver nestes dois posts.

    Quanto à escolha da escola, sim, o meu filho vai andar em escolas públicas. É pecado?

    [Responder]

  3. 3 3  EM

    Eu andei em colégios privados (Doroteias e S. José de Cluny), mas o meu filho andou sempre em escolas públicas e não deixou ainda de ser um excelente aluno!

    [Responder]

  4. 4 4  David Castro

    A questão para mim não é essa ( ou pelo menos assim não a entendo ). Acabar com a dita escola privada não resolveria, per si, o “problema” da escola pública. Subiam as médias, mas presumo que os que sofrem com o “impacto cultural e social” continuariam a sofrer. Impacto este, diga-se, ao qual as famílias são totalmente alheias. Presumo que para exigir rigor, disciplina, empenho e resultados o agregado familiar tenha de ser das classes A…. Além disso, há privados e privados. No meu tempo de “liceu” ( anos 90 ), havia uns ditos externatos privados onde na prática os alunos iam “comprar” o 11º e 12º. Portanto, não podemos generalizar. Embora, depois, essas compras “derrapassem” nas provas específicas….

    Se querem por os vossos filhos na pública, estejam à vontade. Estudei numa e voltaria a estudar na mesma. Mas gostaria de, se for possível e não ofender ninguém, ter a hipótese de escolher uma privada para os meus filhos. Gosto da possibilidade de poder escolher. E este é para mim o problema – nem todos podem escolher. É pecado ?

    [Responder]

  5. 5 5  Pedro Sales

    David Castro,

    Confesso que estou a ficar baralhado. Tem a certeza que está a comentar o post certo? Onde é que me pronunciei pelo fim da escola privada. A única coisa que contesto é que, em igualdade de circunstâncias com as escolas públicas que não escolhem os seus alunos, tenham melhores resultados.

    [Responder]

  6. 6 6  José Costa

    Caro David, desculpar-me-á mas esse argumento da escolha só faz sentido numa sociedade onde os melhores alunos e porfessores são atraídos para um certo tipo de escolas e o resto fica com os alunos mais fracos e mais problemáticos.

    Ora, se as pessoas, simplesmente pusessem os seus filhos na escola pública da sua área de residência, sabendo que lá haveria um ensino publico, e por isso menos atreito a “escolhas” (como as de um colégio religioso que conheço que aconselhou um amigo meu professor a não se alongar nos assuntos 25 de Abril e 5 de Outubro na sua aula de História) e, para além disso, sabendo que lá o seu filho conviveria com todo o tipo de crianças, talvez a angústia da escolha não fosse mais uma das angustias dos nossos tempos…

    Sou um “produto” do ensino público (Primária, Preparatória, Secundária e Faculdade) e, a n
    ao ser que a Escola Pública seja totalmente abandonada, os meus filhos também o serão.

    [Responder]

  7. 7 7  Manuel Leão

    O “post” é suficientemente esclarecedor. Só não entende quem não quer.

    [Responder]

  8. 8 8  PDuarte

    «Noutro meio social o Colégio da Imaculada Conceição teria outros resultados, como teriam as escolas públicas obrigadas a receber TODO O TIPO de alunos.»
    Não gostei deste…TODO O TIPO.
    Mas isto sou a falar.

    [Responder]

  9. 9 9  Pedro Sales

    Caro PDuarte,

    A formulação, reconheço, não é a mais feliz mas refere-se a todo o tipo de condições económicas, sociais e culturais.

    [Responder]

  10. 10 10  David Castro

    Caro José,
    não creio que a solução passe por não poder optar ( pese o simplismo da expressão ) . Aliás, a questão nem se coloca apenas no privado vs público. Qual é o encarregado de educação que ao inscrever o seu filho numa escola, não tenta que seja na melhor ( ou na que ele percepciona como melhor ) ? Quantos e quantos pais tentam matricular os seus filhos sem ser nas escolas ( e refiro-me às públicas ) da área de residência ? E porque ? Porque as pessoas, naturalmente, tendem a escolher aquilo que valoram e que acham ser melhor.

    Tive também um professor de história ( no secundário, escola pública ) que tinha uma curiosa perspectiva da revolução de outubro e, por arrasto, da II Guerra Mundial. O sr. em questão era comunista ( mas podia ter outra inclinação partidária, a questão não é essa ). Como vê, não é preciso ir para escolas privadas católicas para sermos confrontados com eventuais “alongamentos”. Ou perspectivas quase “religiosas”.

    Já agora, pergunta “técnica”: consegue-se ter acesso aos dados por turma ? Porque quando estudei no secundário, a minha escola não podia ( presumo eu ) escolher os seus alunos. Mas podia escolher os alunos em cada turma… E lembro-me perfeitamente que para o mesmo ano, existiam turmas completamente diferentes, algumas sendo muito boas, outras, vá lá, médias – a nível de resultados/notas.

    Penso que a angústia não está no escolher. Estará antes no não poder escolher.

    [Responder]

  11. 11 11  Nuno Correia

    A questão da escolha é muito interessante. Alguns pais com bastantes posses são muitas vezes “avisados” em certos colégios que, se os seus meninos não sobem as médias ou continuam a tirar negativas para o próximo ano lectivo não lhes aceitam a matrícula. Esse é o verdadeiro conceito de escolha e é a explicação simples para que algumas instituições apareçam sempre em lugares cimeiros nestas tabelas.

    [Responder]

  12. 12 12  Isabel

    Nuno Correia

    Se isso acontece é porque os colégios são bons e têm listas de espera. Se assim não fosse até aceitavam “burrinhos” desde que pagassem.

    [Responder]

  13. 13 13  Maria

    Suponho que esses colegios onde os pais sao avisados de que se filhos tiverem mas notas ou notas mediocres serao postos a margem nas matriculas, querera dizer que o dinheiro por la e tao abundante que nao justifica que o bom nome se perca .

    [Responder]

  14. 14 14  José Henriques

    Eu acho que a escola pública, e falo de todo o ensino, do básico ao universitário, tem sido prejudicada de modo a beneficiar o ensino privado.
    A verdade é que as políticas de ensino dos diversos governos, a falta de qualidade do equipamento escolar, tudo isso faz com que quem tenha dinheiro opte pelo ensino particular, que também não prima pela excelência, como os media nos querem fazer crer com esta história dos rankings. de um lado gente com dinheiro, proveniente de famílias bem colocadas, provavelmente de bom nível cultural. Do outro gente sem acesso facilitado à cultura, com famílias que fazem enormes sacrifícios para os poderem manter estudando. São duas realidades nada parecidas. Mas mesmo assim, há escolas privadas bem pior classificadas do que muitas públicas:
    donde eu infiro que de facto mais vale ser rico e ter saúde do que pobre e doente. Para bom entendedor….

    [Responder]

  15. 15 15  laranjalima

    Eu aceito que haja públicas e privadas, o que não aceito são demagogias do tipo: a diferença está no Projecto Educativo, no rigor e na exigência e blá,blá, blá… A diferença está no nível sócio-económico e cultural das famílias, na possibilidade de rejeitarem os que não cumprem as metas de sucesso e só tendo esses, é natural que o trabalho desenvolvido seja mais produtivo.
    Eu gostava era de os ver no Público a obterem os mesmos resultados. Aí sim, eu ia querer aprender com eles!!!

    [Responder]

Leave a Reply