Leio no “Público” que «numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música» Nestas coisas há que ter cautela com o diz que diz. Mas se é verdade, está explicada alguma coisa e talvez seja preciso ter um pouco mais de calma com o debate. Como disse antes, não se tem autoridade, conquista-se.
Fico também a saber que a turma em questão é «maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.» Já no meu tempo se fazia isto: juntava-se os problemas. E já então o resultado não costumava ser brilhante.
Por Daniel Oliveira 28 Mar 08 em Educação
Não obstante, parece-me que há uma crise claríssima de autoridade por parte de pais e professores.
esse pormenor já tinha sido mencionado numa notícia bastante mais “antiga” sobre o caso do “telemóbel”. o problema é que as pessoas às vezes só vêm o que querem ver. e o aproveitamento político deste caso tem sido gigantesco. de ambos os lados. a professora não tem qualificações para lidar com os alunos, é de caras. a aluna devia ser expulsa, obrigada a dar a cara na imprensa e fazer dela um exemplo para o resto dos pequenos reizinhos que os pais hoje em dia criam em casa.
ontem, num spot comercial, dizia o belmiro de azevedo que a sonae ofereceu livros para o plano nacional de leitura e gostava de saber que os mesmos seriam usados “à antiga”, ou seja, lidos em família. para alguém que detem o posto de homem mais rico do mundo, as esperanças do senhor são dignas dos comentários do comendador berardo. as famílias não existem como antigamente. os pais têm filhos porque é assim que se faz. depois apercebem-se que têm de os criar. e que não têm tempo para isso e muitas vezes nem vontade. e então convencem.se que é para isso que serve a escola. que a obrigação da escola não é formar, mas sim educar. e aqui é que está o problema. a formação da professora enquanto formadora passou por, talvez, duas cadeiras semestrais de pedagogia. cadeiras estas que servem para encher chouriços. e que na idade de um estudante universitário servem como tempo para estar no café. de qualquer modo, não é obrigação dela educar os filhos dos outros.
suspender os meninos ainda é dar-lhes mais força no meio dos pares. tornam.se heróis. têm mais dias de férias. até porque depois lhes fazem testes para recuperarem os dias que perderam. transferi-los é mandar o problema para outro lado.
ou a sociedade se apercebe que o problema está em casa e que a formação parental não é uma necessidade exclusiva das minorias étnicas e dos menos favorecidos ou este tipo de situações só vão aumentar exponencialmente. em número e em gravidade.
obviamente, não queria dizer que o belmiro de azevedo é o homem mais rico do mundo. leia-se “homem mais rico cá do brurgo”.
E tudo isto foi aproveitado para mais uma vez desprestigiar o Ensino Público.
Repararam no que foi emissão do Jornal da Noite na Sic, e da noite informativa da Sicnotícias?
Propaganda ao ensino privado.
“é «maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.» Já no meu tempo se fazia isto: juntava-se os problemas.”
Nem sequer devia ter sido constituída.
Daniel, não o choca que os alunos agridam outros alunos em plena aula, que se masturbem, que boicotem aulas? Não vê que as coisas mudaram “desde o meu (seu) tempo”? Despoje-se de preconceitos anti-autoridade, limitando-se a inanidades como “insolência sempre houve” ou a “professora desceu ao nível da aluna”. Daniel, há um problema de fundo de falta de autoridade dos professores. Antes, no fascismo, a violência era professor-aluno com métodos abjectos. Hoje, a violência aluno-professor é mal digerida pela esquerda. Sejamos contra a violência, seja ela qual for.
Autorizou a ouvir música dado que era o último dia de aulas.
A aula foi repreendida, não por ouvir música, mas por atender uma chamada da mãe em plena aula.
«Daniel, não o choca que os alunos agridam outros alunos em plena aula, que se masturbem, que boicotem aulas? Não vê que as coisas mudaram “desde o meu (seu) tempo”?»
Choca, com conta peso e medida. Não gosto de histerias colectivas. E no meu tempo também acontecia. E se o professor não tinha mão na turma acontecia com muita facilidade. Fico a pensar que no tempo da maior parte das pessoas não deve ter sido o meu.
Como já terá reparado por coisas que aqui escrevi, não tenho rigorosamente nada contra a autoridade, muito menos numa sala de aula.
Sou professor há 26 anos e a minha experiência diz que vai havendo cada vez mais casos de alunos indisciplinados e violentos, à prova de qualquer ‘carisma’ que o docente possa (ou não) ter. Casos com raízes tão profundas na desestruturação da sociedade e dos valores (sei que soa mal…) que a escola por si só, isolada, pouco ou nada pode fazer. Casos como assisti de um aluno meu de 11 anos a chamar filho da p… ao agente da Escola Segura que, com muita paciência, lhe estava a tentar dizer que a continuar com aquele comportamento o seu futuro seria negro. A verdade é o que o presente daquela criança já é negro e os organismos vocacionados para lidar com esses problemas são muitas vezes inoperantes, dada a enorme quantidade de casos, a falta de meios e a ausência de estruturas de retaguarda para os apoiar. O desinvestimento, não só material mas também social, na Escola Pública é só um meio de aumentar a procura do Ensino Privado; um negócio muito apetecível, muitas vezes subsidiado com os nossos impostos, mas que rejeita os alunos problemáticos…
Sinceramente, parece-me que a situação da disciplina é a questão crucial do ensino público.
Isto tem pouco a ver com o seu tempo, Daniel. Hoje, um professor não pode fazer nada para castigar um aluno. Eu dei aulas no estágio e tive uma experiência curta de ensino, e aquilo que mais me incomodava era a impotência. O que sentia é que bastava um aluno querer virar tudo para o ar e a aula descambar. Eu nunca tive problemas graves, mas sentia que não tinha mão naquilo. Podia estabelecer regras, podia mandar calar os alunos, podia até berrar (e fazia-o muitas vezes), mas não podia fazer mais nada.
Os alunos à partida sabem que dificilmente chumbam; os alunos sabem que um professor está praticamente proibido de mandar alunos para a rua (é claro que na teoria é possível, mas na prática a história é outra); os alunos sabem que não podem ser expulsos do ensino; os alunos, na grande maioria das vezes, são apoiados pelos pais.
O Daniel pode considerar que aquela professora não soube agir pedagogicamente, mas tenho dúvidas de que houvesse muitos professores que fizessem melhor. Digo mais, se aquela professora tivesse saído da sala e se dirigisse ao Conselho Executivo para fazer queixa dos alunos, o mais certo era enfrentar um problema burocrático desgastante, quando não a recriminação do próprio executivo.
O que separa o seu tempo dos tempos actuais não é só o aumento exponencial da indisciplina, é também a falta de instrumentos para actuar face a situações concretas de indisciplina.
Eu sei que há muita berraria sobre este assunto, mas para mim ainda bem. Isto é muito mais importante do que a avaliação dos professores, muito mais importante que a gestão das escolas.
Pelos vistos toda a gente tem soluções. Toda a gente que está de fora, entenda-se. Será, talvez, altura de os professores começarem a opinar acerca das outras profissões e dos respectivos profissionais. Que tal, para começar, um fórum de professores subordinado ao tema “que jornalismo no século XXI”?
Foi só uma ideia…
Apedrejamentos públicos são sempre maus; é chocante fazer desta miúda e desta turma bodes expiatórios do sistema de ensino, apenas e só por pressão mediática. A mesma pressão leva a professora a fazer queixa no tribunal. Ridículo.
Verifiquem o comportamento da turma com os restantes professores. Não sei se era igual.
Também eu, no meu tempo, passei por turmas indisciplinadas, mas, curiosamente, o nosso comportamento variava de professor para professor. Havia aulas que não se ouvia um pio.
E aqueles que pensam que a culpa é apenas dos pais, talvez se surpreendessem se pudessem assistir (mas invisíveis) às aulas dos seus filhos.
Pois, realmente ate parece que ha para ai uma força oculta a querer acabar com o ensino publico.
Pelo que ontem vi e ouvi a certas figuras publicas que se mantem desde ha dias num estado de quase histeria e que nao param de tecer encomios aos estabelecimentos de ensino privado quaquer um poderia acreditar que os que frequentam escolas publicas sao todos do piorio e houve mesmo quem se atrevesse a dizer que as escolas publicas sao “viveiros de violencia” .
Algumas pessoas ainda tem o condao de me surpreender pelo que de pior exibem e sem corar.
E em relaçao as escolas publicas e ao que desde ha dias alguns teimam em chamar de onda de violencia e de como esta pior a juventude portuguesa gostaria de lembrar de que no tempo que alguns parecem saudar como saudoso, a chamada “autoridade fascizante ” que estava implantada nas escolas nunca impediu que existissem episodios e muito significativos de indisciplina e muito acentuada dentro e fora das escolas dentro e fora das salas de aulas o que significa que o medo nunca impediu ninguem de se expressar a mal ou a bem.
E quanto as escolas publicas que parecem incomodar tanto alguns senhores de posses e poder, melhor seria que fosse mais respeitada por todos os que habitam neste pais porque sem elas voltariamos ao tempo em que so as classes dominantes tinham acesso a cultura o que deu o belo resultado que se viu ou seja um enorme atraso nas mentalidades e subsquentes modos de vida cujos efeitos negativos continuam a fazer-se sentir.
Indisciplina nao e sinonimo de violencia e nao e porque existem neste pais os comums episodios de indisciplina que o terror foi implantado.
Quanto ao episodio do porto esta cheio de imprecisoes e esta tudo por explicar.Nao basta aparecer agora a revelaçao de que se trata de uma turma com problemas de ordem social para se justificar o videozito mais as cenas canalhas que por ali se viram.
E todos os intervenientes tem culpas acentuadas no que ali se passou.Portanto o que tem a fazer e pedir desculpas ao povo e passar a tratar melhor dos alunos e de si proprios.O video e uma vergonha nao porque alguem o filmou mas pelas razoes que deram para o que foi filmado.E passar os alunos em questao ( so 2 ?? entao e o resto da turma-nao responde pelos seus actos?? ) para outra escola qualquer so fica mal aos que responsavies por esse estabelecimento de ensino.
Mal fica que tem mas praticas .
Quanto a paz e bem viver que existe ou nao no ensino privado devo confessar que apesar de quererem fazer ai o paraiso na terra nao me convencem a verdade e que tambem por la existem cenas bem tristes e seria melhor parar com a tentativa patetica de cavar fossos maiores do que ja existem entro os que tem poder material e os que nao tem .
Porque o futuro de uma naçao passa pela capacidade de evoluçao de todos os seus habitantes e se assim nao for nao me parece que o futuro traga nada de bom a Portugal.
Esse “pequenino” detalhe de que afinal andamos a pagar professores para eles mandarem os alunos ouvir música no telemóvel, tem muito que se lhe diga. Afinal além de termos uma miúda que agride professores, temos professores que roubar o contribuinte.
Venham cá dizer que a culpa é dos pais que não os educam e que andam a atentar contra a escola pública…
Não há nenhum estudo que ateste que a indisciplina é actualmente maior que outrora. Nenhum, repito. Todavia, a percepção geral é que agora a escola é uma bandalheira enquanto que antigamente as coisas funcionavam que nem um brinquinho. A tendência para cair neste enviesamento é muito forte e natural. Faz parte da natureza humana.
“….não se tem autoridade, conquista-se.”
Correctíssimo. Mas o sistema tem que estar preparado para dar resposta satisfatória aos casos em que o professor não consegue conquistar autoridade e, por isso, é vítima de desobediência por parte dos alunos.
Em meu entender a melhor solução passa por dar formação aos professores nesta matéria de como conquistar autoridade e gerir conflitos - ao que julgo saber é inexistente. Penalizar os pais é do domínio da ficção. Defender a técnica da estalada é de quem já não tem os pés assentes na terra. E o cheque-ensino conduziria a uma segregação ou guetização na sociedade portuguesa que só serviria para agravar os nossos problemas.
A democratização do ensino, na qual se puxaram para a escola franjas que antes ficavam de fora, justifica muito do que acontece.
E nestas franjas não vieram só alunos!
O Daniel aflorou aqui, e eu estou totalmente de acordo - a democratização do ensino massificou os alunos mas, e também, os professores.
O aumento do grau de dificuldade na disciplinação dos alunos foi ainda catalisado com a diminuição do grau de preparação pedagógica dos professores.
As imagens da cena do telemóvel são confrangedoras, tanto pelo comportamento da aluna/turma, como pelo da professora.
Se concordamos que a indisciplina dos alunos é um espelho da nossa Sociedade, estarão os professores fora dessa reflexão?
E é neste novo paradigma que devemos actuar; a organização do sistema, o estatuto do aluno, a gestão das escolas, etc - são assuntos também importantes mas secundários.
Para os casos inevitáveis as punições previstas no estatuto do aluno parecem-me bastante equilibradas. Aliás, bem mais severas que noutros temos.
Continuo a pensar que este problema tem mais que ver com questões do ordenamento do território do que do sistema educativo. Ao fim e ao cabo, essa turma mais não era do que o prolongamento do “bairro social” do Cerco. Ou seja, reproduzia a sua asneira: juntar os problemas, tentando escondê-los. É essa a “integração” que é feita a muitas das vítimas do êxodo rural. Não há mecanismos de integração, nem redes de suporte. Há apenas a solidariedade que cresce entre excluídos, com os códigos de conduta que lhes são acessíveis. Não se esqueçam que Paris tem ardido com jovens semelhantes a estes- eis o maravilhoso mundo,onde se defende que 80% da população passe a viver em cidades. Ou nas franjas delas.
O Sr.Procurador vem falar á comunicação social sobre estes casos de indisciplina e violencia em meio escolar dizendo que tem que ter um castigo exemplar.Não preocupou tanto o Sr.Procurador o que se passou no Porto no caso Gisberta.Os menores tiveram castigos muito leves e até aquele que tinha 18 anos está em vias de só apanhar uma pena suspensa e ser obrigado a prestar trabalho comunitário.A justificação no tribunal foi de que ele só assistiu mas não participou nas agressões.Este crime abominável vai ficar sem castigo,que futuro espera o Sr.Procurador para estes jovens,quando nos vem dizer que do pequeno delito passa-se para o grande delito.O que é exemplar no caso do Porto é a hipocrisia de quem pode e deve fazer justiça,mas parece que na sociedade portuguesa há vitimas de primeira e vitimas de segunda.
«Que tal, para começar, um fórum de professores subordinado ao tema “que jornalismo no século XXI”?
Foi só uma ideia…»
Acho muitíssimo bem. Aliás, toda a gente opina sobre o trabalho dos jornalistas. E eu, quando era jornalista, achava muito bem que o fizessem e irritava-com com colegas que não o aceitavam. Fazia parte das funções, estar sujeito à crítica da sociedade. Também faz parte das funções dos professores.
“Dá-se a mão, eles agarram o braço”!
Divagando sobre o que li e ouvi:
1 - Na Escola Pública há de tudo - alunos que não querem lá estar e alunos que querem aprender - como não se pode por tudo no mesmo saco, (como os exemplos vindos a público demonstram), pergunto se os direitos democráticos atribuídos aos gandulos se pode sobrepor aos dos alunos que querem aprender.
2 - Os professores, além de terem uma licenciatura, (às vezes têm mestrados e doutoramentos), têm também de saber ensinar (Óbvio), têm de educar, têm de gerir conflitos, têm de ter sangue frio, têm de ser relações públicas, têm de ter coragem, têm de conhecer milhares de leis, normas, regulamentos, etc. - não acham que isto são qualidades a mais para quem ganha no topo da carreira cerca de 2.000 euros mensais?
3 - Porque é que a chamada autoridade democrática não permite o uso da força contra os alunos que agridem, insultam e desastabilizam as aulas e essa mesma “autoridade democrática” pode “malhar forte e feio” nos trabalhadores de Sines?
4 - Porque é que os pais que apoiam os seus filhos gandulotes não são também punidos??? - Com a politicamente correcta distância sei que os donos dos cães perigosos são punidos pelos estragos que os mesmos fazem.
5 - Quando os pais não se interessam pelo percurso escolar dos seus filhos e quando esses filhos não se interessam em aprender será que a Escola pode fazer milagres? - ou essa é mais uma qualidade que os professores devem têr?
6 - Será que as estatísticas em que se releva a diminuição do abandono escolar estão a incluir os adolescentes de raça cigana que recebem 50 euros mensais para “estarem” durante um certo tempo numa sala de aula? Ou então passa pela criação de turmas femininas porque as adolescentes ciganas não podem ser “conspurcadas” no convívio com os seus colegas masculinos de outras etnias? Ou então ainda passará pela elaboração de turmas só de tarde porque os miúdos ciganos não gostam de se levantar cedo?
(Isto tudo o que referi apareceu na SIC e num jornal regional).
7 - Porque será que o Cavaco está tão calado sobre um assunto que tem preocupado de forma clara toda a população portuguesa?
8 - Além da ministra, secretários de estado e Sócrates não há mais responsáveis pelo estado a que isto chegou na 5 de Outbro?
9 - …
Quanto ao seu segundo parágrafo, tem o Daniel toda a razão: constituir uma turma dessas é estar a pedir problemas.
Já quanto ao primeiro, parece-me que o seu raciocínio é muito linear e a sua conclusão precipitada. Dizer que a autoridade não se tem, conquista-se, é um daqueles chavões que soam bem mas que se aplica num contexto em que a pessoa não está investida de nenhuma função em que essa autoridade seja inerente. Ora, o professor é alguém a quem é devido respeito por parte dos alunos porque está investido numa função que lhe confere essa autoridade. Fora da minha função sou um cidadão como os meus alunos (com a diferença de que sou adulto): eles não têm obrigação nenhuma de me ouvir um segundo que seja.
Relativamente à música, acontece por vezes, em disciplinas com certas características (língua materna ou estrangeira, artes, por exemplo) e/ou em certo tipo de actividades mais criativas ou introspectivas (escrever um poema, fazer o esboço de um quadro, relatar/ilustrar uma experiência pessoal, por exemplo), que alguns professores deixem os alunos ouvi-la, porque isso ajuda à qualidade do trabalho que se está a fazer.
Em relação a questões de sala de aula, é muito importante perceber o contexto concreto e as razões específicas que orientam certas decisões. Não sei o que terá levado esta professora a deixar os alunos ouvir música, mas certamente não o fez enquanto estava a explicar fosse o que fosse, antes durante a realização de uma tarefa individual escrita. Concorde-se ou não com essa abordagem (há muitas perspectivas diferentes sobre como deve ser a escola, o ensino, etc.), isso em nada justifica a reacção da aluna nem constitui falha profissional da professora em causa.
Nada de novo, portanto. Se há algo que se percebe facilmente naquela turma é que há um défice de qualquer coisa. Esse défice não nasce da obra e graça do espírito santo, nem do génio mau intrínseco a cada um dos catraios. Nasce, antes de mais, na família, passa pelos canais (”des”)socializadores do costume, e acaba numa escola incapaz de responder a tanta heterogeneidade de quem a procura.
Quanto à falta de autoridade da professora… Duvido! Duvido que com outros professores as coisas fossem muito diferentes. Talvez isto não acontecesse, mas os “casos perdidos” iam continuar a ser “perdidos”, e o caminho de cada um destes alunos continuaria traçado para o insucesso escolar. Sem mais.
«Os professores, além de terem uma licenciatura, (às vezes têm mestrados e doutoramentos), têm também de saber ensinar (Óbvio), têm de educar, têm de gerir conflitos, têm de ter sangue frio, têm de ser relações públicas, têm de ter coragem, têm de conhecer milhares de leis, normas, regulamentos, etc. - não acham que isto são qualidades a mais para quem ganha no topo da carreira cerca de 2.000 euros mensais?»
Não. Pode dizer que o salário é baixo para tantas responsabilidades. O salário depende das responsabilidades, não é o contrário.
De resto, estou um pouco farto de pais que culpam a televisão, professores que culpam os pais, ministérios que culpam os professores, comentadores que culpam o ministério e todos que culpam o “sistema” o “sistema” que culpa todos. Que cada um assuma as suas responsabilidades. Como pai, tento cumprir as minhas. O futuro dirá se bem. Que cada professor assuma individualmente as suas. É assim que deve começar. Se não a culpa é sempre de todos e de ninguém. Depois, perante casos em que os professores fazem exactamente o que têm a fazer, tentamos perceber onde falharam os pais. Em casos em que os pais fizeram tudo o que tinham a fazer, tentamos perceber onde falharam os professores. Em casos em que pais e professores fizeram tudo o que tinham a fazer veremos onde falhou o poder político.
No caso em concreto, para além da censura à aluna (evidente), parece-me (com os dados que temos, sempre falíveis - e este é o perigo de mediatizar estas coisas) que a professora falhou. Será tudo culpa dela e, mais uma vez, da aluna? É provavel que não. Será dos pais? Talvez sim (partindo sempre do perigoso principio que filhos educados com cuidado dão sempre excelentes pessoas). Mas que não se atire sempre, em cada caso, as responsabilidades para o ar. Havendo consenso sobre a responsabilidade primeira da aluna. Acho que os dados permitem concluir que a professora (neste momento específico e provavelmente noutros) não esteve à altura. E que a escola, ao juntar alunos complicados na mesma turma também não. Quando e se soubermos mais sobre a vida familiar da miúda saberemos se também eles falharam. Também é provável que sim. Mas que cada um saiba saber o que tem de fazer e onde falhou. E que não diga que ganha demasiado pouco para isso. Defendo os direitos dos trabalhadores e defendo o brio profissional, em qualquer circunstância, ganhe-se o que se ganhar. Até quando se é voluntário e não se ganha um tostão. Nunca, em nenhum caso, devemos fazer depender uma coisa da outra. Se não é uma pescadinha de rabo na boca.
Ó meus amigos desculpem lá a minha ignorância ,mas em vez de se juntarem 100.000 mil a protestar contra a avaliação ,seria melhor juntarem-se pelo menos metade contra a HUMILHAÇÃO.Bingo.
Ó Achadiço: os 100.000 foram lá exigir RESPEITO… e não foram APENAS contestar a avaliação! A avaliação - “esta” avaliação - foi apenas “a última gota” que fez transbordar a paciência dos docentes!
Está desculpado…
Em 1991, quando eu andava no 9º ano, tive um professor de Matemática substituto que era sistematicamente gozado pela turma. Certa vez até foi trancado na sala de aula enquanto os alunos (eu e os meus colegas) fugiam pela janela.
Os maiores prejudicados disto tudo fomos nós que não aprendemos nada de Matemática, e que tivemos no ano a seguir que estudar a dobrar para recuperar um ano de galhofa. Pagámos mais duramente o nosso erro que o referido professor de Matemático, posso garantir.
Bertha, como eu a percebo. Vivi situações assim desde o 5º até ao 9º ano. Sobrevivi, é certo. Pior aluno, com menos capacidades, e com particulares carências a matemática. Mas sobrevivi. Há quem não sobreviva.
Daniel,
Afirma que não tem qualquer problema com autoridade na sala de aula, mas não aponta uma medida que reforce a mesma, e todos os textos que aqui remete são contra medidas de autoridade. Daniel, as coisas mudaram nos últimos anos.
A atmosfera hoje é punitiva para o professor que é vítima de agressão - não será preocupante que os professores não apresentem queixa dos ilícitos para não serem desvalorizados nas escolas?
Veja o caso desta professora que não apresentou queixa!
Temos 185 casos de agressões físicas, mas muitíssimo mais na realidade, porque este tipo de ilícito não é participado. Isto não o inquieta? Isto não deverá mudar?
«Daniel, há um problema de fundo de falta de autoridade dos professores. »
Há. Mas não é um problema tão grande como querem fazer crer. Tem-se fazido crer que praticamente todas as escolas são assim. É evidente que existirão problemas de indisciplina em todas as escolas. Mas há que saber separar águas. Esta ideia tem sido transmitida porque, é mais do que óbvio, querem fazer a ministra cair a qualquer custo. Só quem já passou pela escola à muito tempo é que pode acreditar que quando se fala de autoridade e de disciplina, este é um caso exemplar. Não o é. É uma clara excepção. Até este caso é uma excepção dentro das excepções: porque a aluna estava a reagir contra a apreensão de um bem seu. Claro que fez mal em reagir violentamente, mas não foi violência gratuita. Existe uma razão muito clara.
“Como disse antes, não se tem autoridade, conquista-se.”
Caro Daniel Oliveira,
a gestão de uma aula de um “9º C em grande”, em particular da última aula de um período, não tem nada a ver com a autoridade de uma professora. Os alunos, pura e simplesmente, consideram-se em auto-gestão. A “velha”, ou qualquer outro professor, não tem outro remédio senão “sair da frente”.
É perfeitamente compreensível que alguém que não esteja directamente ligado ao ensino nos últimos anos, tenha uma percepção idêntica à sua. Sou capaz de me colocar no seu lugar e acho que a reacção seria exactamente a mesma.
Tenho mais dificuldade em compreender colegas que ao serem confrontados com o seu post, se proponham fazer um fórum sobre jornalismo.
Se os professores estão sinceramente interessados em que a comunidade entenda as suas dificuldades, então, devem ter o cuidado de desenvolver um trabalho pedagógico de informação. De facto, a autoridade não é um dado adquirido. Primeiro ganha-se. O único equívoco do Daniel é presumir que ela ainda se pode ganhar numa sala de aula.
Os professores perderam-na (e não foi hoje nem com esta ministra) nos corredores do ministério da educação. Num ministério da educação que foi tomado de assalto pelos “cientistas da educação” e que nos foi impondo rotinas de gestão que nos hão-de tornar a todos insolventes. (A este propósito, recomendo ao Daniel Oliveira e a todos os interessados que leiam o magnífico texto de José Luiz Sarmento, “Ciências da Educação” em “As Minhas Leituras. Blogspot”).
E sim, somos culpados (eu também) de termos vindo a aceitar, silenciosamente e sem protestos, as políticas educativas destes “cientistas”
“Assim não se pode ser professor” Assim como? Já nos demos a um trabalho sério de explicar? Alguém ouviu alguém dizer o quer que fosse quando alguém diz num conselho de turma (e, por favor, é só um exemplo retórico) que um aluno só deve ser expulso da sala de aula numa situação extrema, tipo, eminência de levar uma mocada na cabeça? É o clima de opinião e nós calamo-nos. Não concordamos, mas calamo-nos. Pois se foi um “cientista” lá do ministério que fez o despacho e tudo, que teve em Boston e assim.
Colegas, o Daniel tem razão; a autoridade não é um dado adquirido.
Só agora reparei na razão de ser da notícia. Vai-se encapotar a expulsão da aluna com a sua transferência. Tudo bem. E a professora, quando é que vai ser expulsa do sistema de ensino?
Não consigo perceber onde é que andaram a estudar.
Logo a seguir ao 25 de Abril foi a bandalheira geral, tanto da parte dos professores (um aluno ter que ir entregar um trabalho ao café em frente à escola porque o professor não compareceu na aula), como da parte dos alunos (uma professora que é apalpada numa geral oferecida pela turma, depois de terem apagado as luzes da sala).
São apenas exemplos de coisa que aconteciam mas que não tinham o mediatismo que têm agora e as relações famíliares não eram, nem de longe, o que são (ou o que não são) agora.
Se os miúdos já começam cedo a agredir (fisica e verbalmente) os pais e a ficar por isso mesmo, é normal que cheguem à escola e se comportem do mesmo modo. Principalmente se os professores que encontram pela frente, tiverem pouco mais que a sua idade e nenhuma preparação.
Sou mãe de 3 filhos, o mais velho “depositado” numa turma de curriculos alternativos, o que no meu tempo se chamava “turma de repetentes”. Esta politica de escolaridade obrigatória é tão errada! Todos têm direito à escola,~mas quanto à educaçao…
O problema é que os miúdos chegam ao secundário sem bases nenhumas e depois, andam ao “papel” nas aulas de 90 minutos. Não percebem nada do que os professores dizem e depois dispersam-se. É culpa de alguns pais, sim, é culpa de alguns professores também, principalmente aqueles que têm tendência a pensar que os meninos têm de ser compreendidos e não castigados. Quando o meu marido disse numa reunião (de 14 alunos estavam 4 encarregados de educação…) que se voltasse a ver o filho com as calças descaídas à porta da escola e sem dizer bom dia à funcionária iria experimentar os seus cinco dedos espalmados na cara, ouviu-se um murmurio de desaprovação geral na sala…quando castiguei o meu filho retirando-lhe o computador porque não fazia os trabalhos de casa, a Directora de turma aconselhou-me a não o fazer pois ele iria ficar ainda mais revoltado. Quando expliquei ao meu filho que se tivesse más notas iria chumbar, ele disse-me logo: “ó mãe, a gente nos alternantivos não chumba que eles querem que a gente se despache…”
Ouvi um dos amigos do meu filho, que frequenta o 9º ano, dizer que o professor de português era hipócrita pois tinha a mania das doenças…ao que o outro respondeu, “Ya é bué farsolas o cota”
O comentário do Carlos Gonçalves traduz bem o pensamento geral dos professores a respeito da sua autoridade: A culpa é do Ministério. Não lhes passa sequer pela cabeça que talvez eles próprios, os professores, sejam os principais responsáveis. Tipicamente português: a culpa é sempre do outro. Com professores destes vai ser difícil!
Não lhes passa sequer pela cabeça que quando se vêem professores na TV a berrarem, insultarem e outras coisas mais graves ainda, a autoridade que possa existir esvai-se mais rápido que uma carteira num casino.
Sim, os professores deviam ser como monges tibetanos.
Oooops… esses também se indignam e protestam… raios…
Ó np a avaliação foi a “última gota” e a humilhação o que é?
“juntava-se os problemas” mas que eu me lembre turmas de repetentes sempre as houve. O que faria bem a esta malta para compreender o que é a vida, e adquirirem a noção das responsabilidades consoante o aproveitamento escolar, era um mês por ano de serviço cívico obrigatório numa fábrica ou numa exploração agrária.
Em Cuba fez-se isso no primeiro ano da Revolução com jovens em regime de voluntariado e teve resultados óptimos: os alunos esforçavam-se verdadeiramente por aprender e ao fim do primeiro ano já não havia camponeses analfabetos.
Como se trata de um país pobre e sem recursos (como nós,não?) investiram naquilo que têm de melhor: os “recursos humanos” (a vulgata como aqui se denominam as pessoas)
Culpar os pais em geral pelos comportamentos dos seus filhos, sobretudo se adolescentes, é tão estúpido como culpar os professores em geral pelos fracos resultados dos alunos ou a escola em geral pela precariedade da nossa educação. São generalizações que sossegam a inquietação mas não ajudam em nada para realmente compreender o que se passa.
Conheço jovens extremamente bem formados com pais que são de fugir, e conheço pessoas fantásticas cujos filhos os fazem corar de vergonha. Isto de passar a responsabilidade do comportamento de alguém para terceiros sem sequer conhecer quem esses terceiros são em concreto é muito nosso: a culpa assim acaba por ser de ninguém.
Ó Achadiço:
a humilhação foram dois terços das gotas anteriores à “última gota da avaliação”!
As expulsões de sala de aula só dependem do regime disciplinar da escola, mais nada.
O ME não tem nada a ver com o assunto.
Extinga-se o ME, a bem de todos.
O problema de autoridade já é antigo. Todos aqueles que sofreram na pele quer castigos físicos quer psicológicos por parte dos seus professores, são aqueles que agora estão à frente do País. Não se trata de saudosismo até porque não tenho idade para isso, mas ainda me lembro que por uma questão de educação, levantava-me quando alguém entrava. Não interrompia os adultos e tinha pavor de mostrar os testes com negativas ao meu Pai e cheguei a ficar de castigo por ter a mania de faltar às aulas. Nem 8 nem 80 e o problema é que este País esqueceu-se de ver no dicionário o significado da palavra “Liberdade” e que a liberdade de cada um acaba onde começa a do outro. Quando andava a estudar, os meus colegas rapazes sabiam que enquanto tivessem bom aproveitamento escolar adiavam a tropa por mais uns tempos, o que assustava não só os meninos como principalmente as mães.
Quando as dóceis crianças se transforma em monstros adolescentes é quando precisam de pulso forte e eles próprios é o que querem, ao contrário do que muitos pensam. Com tanta liberdade, os seus cérebrozinhos entram em curto e reagem disparatadamente às situações, mas quando se habituam a ver os professores constantemente a “fazer queixinhas” na caderneta sobre coisas tão insignificantes como o aluno estar a mascar pastilha elástica ou a rabiscar no caderno, aí percebem que estão na frente de alguém que não tem mão neles e que pede ajuda exterior para lidar com os problemas. É muitas vezes nessas alturas que os alunos perdem o respeito ao professor.
Permite-se que um miudo chegue ao secundário sem saber estudar, sem saber consultar um dicionário! Não têm vocabulário suficiente para dizerem uma frase completa e descobrem felizes que os manuais escolares se adaptaram à sua pouca capacidade de interpretação e estudam textos sobre big brothers e morangos com açúcar, ou biografias de Britney Spears, esse exemplo de restos humanos.
Ficam felizes e sentem-se os maiores quando conseguem um Satisfaz- num teste, pois tiveram a melhor nota da turma…
Tragam por favor os agricultores do Portugal profundo para as escolas, para que ao menos os miudos aprendam a pegar numa enxada…
Pedro:
Parabéns. É, até agora, o comentário mais lúcido.
Eu sou de esquerda e vejo, com clareza, que há muito casos de indisciplina intolerável.
E, o que é facto, é que os casos vão aparecendo, uns atrás dos outros, como cogumelos.
Há turmas inteiras sequestradas, por 2 ou 3 energúmenos, durante todo o ano, só para compor as estatísticas do sucesso (?) escolar. O sucesso escolar é ensinar a matéria curricular e ajudar a formar um cidadão.
O que está a ser feito é compor estatísticas para CE ver e para papalvos enganar. E, de caminho, denegrir a Escola Pública. Alguém vai ganhar sem ter de colar os cacos.
Esperava pelo menos do Daniel a sua opinião sobre as teorias do Sr.Procurador que parece querer transformar a indisciplina em criminalidade,mas só em relação a determinadas vitimas.Quanto ao caso do video que já vimos centenas de vezes nas televisões,pode levar a pensar que é o dia a dia das nossas escolas e que os professores são umas vitimas dos alunos,quando o problema da violencia é mais grave na relação entre os próprios alunos.Mas parece-me que a discussão já vai longa e outros assuntos devem mobilizar a nossa atenção,como por exemplo a manifestação de hoje sobre o trabalho precário que atinge os nossos jovens.Chega de professores porque eles não são o centro do Mundo nem a classe social que neste momento tem mais problemas em comparação com os reformados,desempregados de longa duração,trabalhadores pobres mesmo com emprego.
Daniel, afinal qual é a sua posição/solução em relação à indisciplina/violência que atravessa, em maior ou menor grau todas as escolas do país? Eu tenho lido o que tem escrito, mas confesso que não consegui chegar a nenhuma conclusão.
Vamos esquecer, a questão da “autoridade”dado que provoca algum desconforto a algumas pessoas, e centremo-nos numa coisa muito simples: respeito pelos outros, tipo “a minha liberdade acaba onde começa a dos outros”. É tão simples como isso. Numa sala de aula por exemplo, onde está a dúvida? Há regras definidas para ambas as partes:professores e alunos, que desculpa pode haver para que não se cumpram se são essenciais ao normal funcionamento da aula? Isto para mim não é negociável. Eu respeito os meus alunos, logo exijo respeito e para mim não há coitadinhos, são todos iguais. Se tiver que mimar, que às vezes é muito preciso, fáço-o no fim ou fora da aula.
Eu gosto do chavão ” a autoridade conquista-se”, eu própria acreditei nisso piamente até há algum tempo atrás. Vou parecer um pouco convencida mas não importa. Trabalho há 9 anos na mesma escola, sempre mereci o respeito dos meus alunos, fiz amigos e não conheço inimigos, mas a verdade é que cada ano que passa me deparo com situações cada vez mais complexas, com alunos mais indisciplinados, e cada vez demoro mais tempo a sentir que tenho a turma completamente na mão. Já dei algumas, poucas aulas, no fio da navalha, a medir, em cada segundo, a reacção/acção do aluno em questão. Tratava-se aplicar a regra, para que não houvesse a tal excepção só porque o aluno é díficil e imprevisivel. Correu bem, mas podia ter corrido mal. Não é nada fácil, posso garantir.
Agora por favor parem de comparar o incomparável! Nós temos hoje nas salas de aula alguns alunos muito difíceis, vocês conhecem-nos, das ruas, dos cinemas, dos centros comerciais, dos autocarros… porque não “conquistam a vossa autoridade” de adultos e cidadãos livres e fazem com que eles vejam o filme em silêncio, não atirem pipocas pelo ar não digam palavrões aos gritos nos autocarros?
Ao contrário do que por aqui se afirma, efectivamente não dispomos de meios para combater a indisciplina a não ser descarregar o nosso “charme” e esperar que resulte.
O estatuto do aluno é letra. Que importa a um aluno indisciplinado, ser colocado fora da sala de aula, ou mesmo a suspensão? Eu conheço alunos que infernizam a vida dos professores para virem para a rua. As faltas não contam para nada!
Dos pais só me sinto autorizada a falar quando lhes criarem leis laborais que lhes permitam de facto acompanhar os filhos, dentro e fora da Escola.
Breve proposta de reflexão
Um professor pode ter imensa autoridade sobre uma turma_ fruto do seu tom voz, do olhar, de ter imposto regras inflexíveis logo no primeiro dia, e até do seu aspecto físico. Porém, pode não dominar bem a matéria, faltar as aulas e ser um péssimo comunicador.
Outro professor; este possui um personalidade fraca, não gosta de impor nada a ninguém, como se diz «não tem pulso»_ certamente que irá ter mais problemas que o colega. Todavia, este professor é um profundo conhecedor da matéria, prepara bem as aulas, e tem o dom da palavra. Tem a paixão do ensino, mas não o deixam ensinar.
Então pergunto: qual deles é o melhor professor? Qual preferiam para os vosso filhos?
Quanto a métodos pedágogicos: estudei Ciências da Educação e Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Fiz o estágio pedagógico. E realmente alguns métodos são eficazes, mas nem sempre resultam. E numa aula de sexta ao fim da tarde, não há método que nos valha … . E com alunos que nunca souberam o que era um mínimo de disciplina e respeito, que insultam os próprios pais, então não há método algum que funcione. Quiçá alguns sejam um caso de saúde mental, admito.
Nesse caso, necessitam de psicólogos, assistentes sociais, médicos e outros profissionais. E mesmo este batalhão conseguirá um taxa de 100% de sucesso?
Como li num blog, é um exercício de uma enorme violência culpabilizar a vítima que foi a professora e dizer que, perante uma ameaça física, perante uma turma que gritava «a velha» e a tratava por tu, perante um estudante que a filmava, perante a pessoa que colocou o vídeo em comédia no you tube, perante o título a turma 9 C é a maior; perante tudo isto enfocar na falta de autoridade da professora, que desceu ao nível dela e que isto com os excelentes professores do Daniel nunca aconteceria - a culpa (também) é dela.
Possidónio C. resume bem a filosofia ao dividir salmonicamente as culpas. Sendo assim e se há um processo à aluna, também deveria haver um processo à professora.
salomonicamente - se puder ser corrigido, agradeço.
Num dos poucos parâmetros em que a escola tem autonomia diz respeito à gestão das turmas. Tem-se visto o resultado: turmas A e B os filhos deste e daquele; turma C, os remediados; D e por aí fora, os excluídos.
um abraço, j ricardo
Mais uma vez o Daniel insiste na relativização e na tecla da desculpabilização. Mais um bocado e a aluna ainda é elogiada.
A professora pode ter dado essa instrução disparatada, mas isso não minimiza o que a turma fez. Quanto a isso não há discussão.
Relativamente às caractaristicas da turma a que se refere, depende das turmas e cada caso é um caso, mas o que acontece muitas vezes, é que se distribuem os alunos problematicos pelas turmas todas, tipo 4 ou 5 por turma, e o resultado é uma autentica blaburdia: todas as turmas têm aulas perturbadas e o problema espalha-se pela escola. Esta questão é discutivel, como quase todas, mas quase sempre espalhar o mal só piora as coisas. Não é justo que os alunos cumpridores não aprendam nada porque tem 4 ou 5 colegas permanentemente a boicotar as aulas e a faltar ao respeito aos colegas e aos professores.
Gostava também de lhe dizer que o novo estatuto do aluno não permite que os procedimentos disciplinares sejam celeres e eficazes (como alias se pode ver pelos casos em questão. Há mais de uma semana que estão a tratar da instauração do processo e a averiguar), fazendo com que as situções passem sem qualquer tipo de consequencia. Isso faz como que se gere um clima de impunidade e que mais situações surjam.
Estou cansado de dizer: BASTA QUE HAJA 3 MURROS NUMA ESCOLA, PARA QUE OS PROFESSORES NÃO FAÇAM MAIS NADA QUE TRATAR DA BUROCRACIA PREVISTA DO ESTATUTO DO ALUNO.
A autoridade não é uma coisa que deva ser conquistada, porque se colocamos as coisas dessa maneira, todas as situações vão poder ser desculpabilizadas porque vai parecer sempre alguem como o Daniel, a dizer que a professora A ou B não conquistou a autoridade e por isso os alunos não cumprem os regulamentos. Tou cansado dessa conversa.
Há um regulamento Interno nas escolas que é para ser cumprido. Os alunos que não o cumprirem devem ser penalizados. Há muita mesa para lavar e chão para encerar.
A discussão do assunto está confusa.
Os adolescentes de hoje não são iguais aos de há 10, 20, 30 ou 40 anos. O que lhes entra pelos olhos e ouvidos obriga a muito maior arcabouço para que não se deixem esmagar. Mas tal como eu quando adolescente (anos 60) fiz múltiplas patifarias, os adolescentes de hoje também as fazem. E ainda bem que eu fiz e que eles fazem. E tal como eles hoje, também eu tive à época bons, suficientes e maus professores.
Ao que sei a professora esteve muitos anos fora da escola e acabou de voltar. Caberia à gestão da escola dar-lhe tempo de adaptação.
A aluna reage à retirada de um objecto que contém elementos da sua privacidade. Também eu reagiria. De modo diferente mas não sou adolescente hoje.
Que o assunto devia ser resolvido na escola, quanto a isso não tenho dúvidas. É absurda a retirada dos alunos. O episódio tinha de ser aproveitado para construção.
Mas o que interessaria discutir era a escola que temos. Se durante o primeiro ciclo muitos alunos com capacidades normais não conseguem fazer as aprendizagens básicas há que perceber porquê e alterar logo aí. Turmas demasiado grandes, impreparação dos professores? Disto resulta naturalmente uma escolaridade conturbada. O aluno com dificuldade em ler, em perceber o que lê vai facilmente desinteressar-se. O professor do 2º ou 3º ciclo, face à impreparação dos alunos infantiliza a coisa o que agrava o desinteresse. E infantiliza porque é a forma mais fácil de resolver o assunto. E mesmo que queira encontrar soluções diferentes, não consegue impô-las porque não lhe permitem nem lhe dão condições.
A escola tinha de ser um lugar com condições para aprender e não é.
Exactamente … por isso Daniel, desde o primeiro post, concordo com a sua visão. O que interessa isso? Nada, ou pouco. O suficiente para reforçar o que já lhe disse: continue a escrever o que pensa.
Penso que foi ‘atacado’ por um certo espírito corporativista que se tem observado ultimamente ( não me acredito que na prática, no cara a cara, dia a dia, ele exista …).
Enfim … só me apercebi que a colega não fez queixa muitos dias depois … Isso é grave (por mim e por ela). Permitir telelés nas aulas, é grave.
Turmas assim, devem ser Percursos alternativos (dá grandes tachos essa ‘treta’ e.g. convites nominais para determinados colegas ficarem em determinadas escolas).
A colega esteve anos fora … isso faz dela uma Titular … é estranho, não é?
Enfim …
Bom fim-de-semana!
M.
Alô… mas porque é que a professora contrariamente ao regulamento da escola autorizou o uso do telemóvel para ouvirem música?…já agora, no vídeo vê-se 1 (uma) aluna a tentar separar aluna e professora, mas ninguém fala da pobre criatura…Porque não fazem como eu? O meu filho tem telemóvel, mas lembro-me de no início do ano te assinado o regulamento da escola e por isso não o autorizo a levar o telemóvel para a escola. Não fui a única encarregada de educação a assinar esse documento que entre outras coisas dizia que era proibido o uso do telemóvel. Então os pais não são responsáveis pelas atitudes dos filhos até à sua maioridade? E ficam sempre impunes porquê?
SETORA, desculpe-me mas turmas demasiado grandes? A minha turma do Liceu de S.João em 74/75 tinha 43 alunos e só na disciplina curiosamente de Francês a turma era mais indisciplinada e porquê? Porque a professora deixava fazer tudo na aula.
Tive 2 anos mais tarde um professor que deu um estalo a um aluno que fez caír uma colega ao retirar-lhe a cadeira e contráriamente ao que se possa pensar, não só o aluno pediu imediatamente desculpa à colega, à turma e ao professor, como ninguém apresentou qualquer queixa do sucedido. Foi o melhor professor que tivemos naquela turma. Foi mestre, amigo e ganhou o respeito dos alunos, porque aos histéricos dá-se uma palmada para que acalmem.
Na hora certa só traz benefícios. Instaurações de inquérito, averiguações, audições de partes, etc leva tempo, é justiça retardada. Ao fim de não sei quanto tempo, transferem a aluna para outra “sala de cinema” como se retrata em http://papalvosdotcom.blogspot.com/2008/03/estreia-brevemente.html
Para mim esta historia do porto esta cada vez mais confusa.Depois de tudo o que ouvi e li as minhas interrogaçoes que ate nem eram muitas, passaram a ser.De um caso de indisciplina dentro de uma aula esta a passar a ser um processo entre muitas outras coisas demasiado politico e com demasiados pontos negros.E estou a ver demasiados pontos de exclamaçao em muitos lugares errados dos discursos.Nebulosa historia esta.
PORQUÊ que ninguém fala desta relação?
http://altamente.tumblr.com/
Se a aluna vai ser transferida PORQUÊ que a ministra também não é?
Esta situação é diferente? Também não é GRAVE? Que medidas tomam?
Isto não é ensinar à VIOLÊNCIA? À AGRESSIVIDADE?
Alguém consegue ver o filme da ministra sem se sentir INCRÉDULO? ARREPIADO? Até o próprio aluno que filma diz surpreendido a determinada altura … “isto não é possível” …
Bom, mudando de assunto gostava de saber se o que fica no nosso subconsciente depois de vermos o filme do telemóvel se não é a apatia, generalizada, o gozo generalizado, o enxovalho generalizado, a má educação generalizada. É, claro que é, mostra o que é hoje a escola, ainda que haja quem possa e queira dizer que este caso foi pontual (só quem não está no ensino pode dixer isto), o comportamento generalizado da turma é o espelho da escola que hoje existe em Portugal.
Lembram-se da ministra dizer que perdeu os professores mas ganhou a população?
O que é ISTO? Que incentivo é este e a quem se dirige? Alunos? Pais? Mas que ajuda à indisciplina, ajuda.
E NINGUÉM lhe pede responsabilidades!!!
Os alunos sabem que têm que passar porque é nisso que os professores (e principalmente as escolas - Ranking!!) são avaliados. Os alunos não podem ir para a rua porque é por isso que os professores são avaliados. Um professor se sair da sala (como esta quis fazer) para chamar alguem acima dela do Executivo, leva a resposta que não pode “abandonar” os alunos e que se amanhe.
A unica resposta que sobra com estas regras é como vi a um amigo meu, que um aluno reagiu assim para a mulher e ele deu uma malha ao pai do dito aluno. Nunca mais esse se portou mal nas aulas.
Tem razão aiMania no tempo de reação da turma. Não foi longo. O tempo em “cinema” engana. E naturalmente que a prof. começou mal ao autorizar os telemóveis. Quer “dar música” porque é a última aula, leva o “leitor” para a aula.
Não tem razão quando compara uma turma de 40 no seu tempo e hoje. Não tem nada a ver. Mas, exactamente no Carolina, há onze anos, a minha filha fez o 12º ano com turmas de 40, os melhores professores que teve ao longo da sua escolaridade e atenção e aprendizagem em todas as aulas.
Se alguém, um dia, não estava com disposição para aprender naqueles termos, faltava e não incomodava ninguém. Mas era 12º ano, não eram adolescentes no nono. E foi há dez ou onze anos.
O que o mundo mudou neste entretempo!
Há telemóveis nas escolas - de profes, alunos e func. O mal não está no objecto em si mas na utilização. Há dias um aluno pediu-me para desligar o telemóvel porque se tinha esquecido de o fazer antes de entrar. O que ele queria era dizer-me que já tinha telemóvel. Autorizei o desligamento e compreendi aquele anúncio. Mostro-lhes o meu que há muitos anos adquiri com tampas de iogurte e lá vai cumprindo a tarefa dele, para lhes quebrar o fascínio pelo último e caro modelo.
E não me meto nos furtos de telem.
Quanto às chapadas dos professores também lhe podia contar histórias - umas boas, outras péssimas. Ficará para outra altura.
E o “sai da frente, ó gorda”, esta tortura a que alguns são sujeitos?
O rapaz está no 9º ano e nunca ninguém lhe pôs na cabeça até aqui que não pode dizer isso?
Claro que esta violência é aprendida em todo o lado, em casa, no autocarro… que a barbárie vai-se espalhando por aí.
Não é tão ou mais incómodo que o tira/não tira telemóvel?
E o “sai da frente, ó gorda” que o rapaz atira à colega não incomodou ninguém?
Ninguém até hoje fez aquele menino aprender que não pode dizer isso?
Não é tão ou mais violento que o tira/não tira telemóvel?
A prof Adozinda de repente decidiu fazer queixa de tudo e todos. Quem a pressionou?
Este caso extravagou. Deixou de ser apenas de indisciplina para passar a ser político.
JRicardo,
a escola não tem autonomia na formação das turmas. O ME determina: as turmas devem manter-se desde o 1º Ciclo como grupo turma, só questões de ordem pedagógica, devidamente fundamentadas possibilitam a sua divisão. Já aconteceu na minha escola que por motivos pedagógicamente fundamentados, dos quais se destacavam os “casos problema” que impediam o normal desenvolvimento das actividades lectivas, se propôs a divisão da turma, a DREN indeferiu. As turmas têm que ter 28 alunos e só podem ter 20 se lá estiverem incluídos alunos com necessidades educativas especiais. Onde está a liberdade da escola?
O Colégio Universal é privado e bem caro. Eu que o diga.
A impunidade e o castigo
Lendo o comentário de Vasco, não resisto a contar algo parecido que demonstra que nesta cultura escolar (alunos e pais incluídos) a maioria parece apenas entender a lei da força. É triste e lamentável, mas é verdade.
Foi assim: desesperado por não conseguir dar uma aula sem estar constantemente a pedir silêncio, a fazer pausas, a impedir que os alunos se insultassem ou até se esmurrassem (um vez tive de tirar os óculos e meter-me no meio de um luta), resolvi fazer uma experiência. Tendo-lhes perguntado se gostavam de desporto, revelei algo que em outras circunstâncias nunca me passaria pela cabeça fazer (trata-se da minha privacidade). Disse-lhes então que praticava Karaté e era cinto negro.
Gerou-se um silêncio sepulcral na aula, ouvi uns «ohh», e, por fim, o aluno mais turbulento saiu-se com esta: «stor vai-nos bater?». Dominei-me para reprimir o riso (o efeito pretendido iria perder-se), aproximei-me dele com ar muito sério, pus-lhe a mão no ombro (com algum peso) e respondi:« acho que não será necessário, pois não?».
E então, durante algum tempo (tudo tem um fim) a turma indisciplinada tornou-se um modelo de comportamento. Nunca mais nenhum aluno me respondeu torto ou se levantou fazendo peito. Pude finalmente ensinar, esclarecer dúvidas, aconselhar métodos de estudo, falar de livros, de filmes, etc, etc. Naturalmente, as notas melhoraram. E no final, tiveram todos nota positiva (e não deixei de passar o aluno que me riscou o carro).
E qual a moral desta história trágico-cómica?
Enquanto se sentiram impunes, faziam o que queriam; quando imaginaram que havia uma punição (julgo que na cabeça deles era levar uma tareia) começaram a respeitar as regras, o professor, os colegas, e quiçá o mais importante, a si próprios.
Quando todos alunos que faltarem ao respeito ao professor ou sabotarem as aulas forem castigados com trabalho na escola_ lavar a loiça, cortar a relva, etc_, quando puserem os líderes da bandalheira a trabalhar na frente dos colegas, muitos problemas serão solucionados. E talvez nem seja preciso expulsar ninguém. Então, a Escola cumprirá então o seu dever: formar cidadãos responsáveis, capazes de singrar na vida, esbater as diferenças sociais, preparar o país para o futuro.
Eu já passei da fase em que me espantava com os que desculpabilizam a atitude da aluna. Tampouco continuam a espantar-me os que acham que a professora deveria ter sido uma super-mulher, fria, analítica, actuação imaculada. Mas confesso que ainda me espantam os “argumentos” usados por alguns para crucificar a “bélha de branco, do dá-me o telémobele” (sem ofensa), como agora é conhecida.
Com que então, «numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música»? E daí? De que maneira é que isto explica ou justifica o comportamento da aluna e da turma?
Salvaguardadas as devidas distâncias, isto faz-me lembrar a decisão daquele juiz que absolveu dois marmanjos, que tinham violado duas turistas jugoslavas, com o curioso argumento de que as mesmas tinham contribuído para o “acto” por se terem passeado pela coutada do macho ibérico, logo estava “explicada alguma coisa”.
Francamente não gostaria de estar na pele desta senhora, por isso vou propor um pequeno exercício mental ao sr. Daniel Oliveira: imagine que naquele dia fatídico em que o skin Mário Machado lhe fez uma “espera”, para o insultar de forma virulenta, alguém filmasse a cena e a colocasse no Youtube. Continue a imaginar que todas essas luminárias, fazedores de opinião, treinadores de sofá e afins, que pululam pela blogosfera, jornais, partidos políticos, etc. começavam a dissecar o seu comportamento, perante a situação, atirando “pérolas” do tipo:
- “não se tem autoridade, conquista-se” (porque com a luminária de serviço, que conquistou autoridade e respeito, ninguém sonharia fazer tal coisa).
- “Uns têm, outros não” (tomates, entenda-se, porque com a luminária de serviço levava logo uma pêra, para lavar a honra, ali e agora).
- O Daniel Oliveira é uma pessoa muito doce e pacífica (em tom irónico) não é de andar em selvajarias .
- Escreveu um artigo a criticar aqueles brutamontes? Ah! Então “está explicada alguma coisa” (os insultos).
Por fim imagine que o juiz que vai julgar o energúmeno Machado o absolve, com o curioso argumento de que o Daniel Oliveira, de certa forma, contribuiu para o sucedido ao ofendê-lo. Como se sentiria?
Consegue, agora, imaginar como se sente a professora Adozinda? Ainda se sente com ganas de atirar a primeira pedra?
Sobre a constituição de turmas, na minha escola, secundária, fazemos as turmas como queremos, cumprindo o n.º mínimo de alunos por turma, 24.
A professora em causa embora seja professora há 35 anos, nunca lidou com alunos deste género. É efectiva na escola mais elitista da cidade do Porto, Liceu Garcia de Orta, à qual não regressou porque o seu lugar esta ocupado por um professor destacado.
Lima,
O Grande Colégio Universal até há uns anos atrás era gratuíto do 5.º ao 9.º ano, tinha contrato de associação como estado.
Estou espantada com a posição de Daniel Oliveira. Estou a ver o Eixo do Mal … e parece-me que DO caiu na demagogia fácil. Um homem do Bloco de Esquerda acha que não há nada a fazer !!! Há a televisão, etc etc, não se pode fazer nada. Julgo que acredita na solução dos Psi’s … e nos senhores(as) do eduquês. Fiquei espantada perante a insensibilidade por nem sequer se mostrar chocado com a desumanidade de quem filmou. Não é por ser adolescente. É um adolescente, mas era ele que verdadeiramente ali mandava (aterrorizava) toda a gente. “Ó Rui … ó Ruizinho”, grita ameaçador quando o Rui tenta acalmar a cena. Eu julgava que você tinha sentido de humanidade e de solidariedade para com os mais fracos. Mas não. Ou é um Peter Pan, ou afinal já só pensa em cativar votos de adolescentes à beira de votar … Pense (e diga) o que quiser. Cheguei à conclusão de algo que sempre me andou a perseguir durante estes anos em que você se tornou “mediático” (sic !) : você é mesmo o Manelinho da mercearia …
Dona Teresa, a posição que ali desenvolvi é a mais impopular de todas. E caçar votos para quem? Não sou candidato a nada. Não me junto é a histeria, essa sim, excelente para caçar votos. Um problema disciplinar numa sala de aulas resolve-se na sala de aulas. Garanto-lhe que se fosse candidato a alguma coisa, depois do que disse, dificilmente seria eleito. E, no entanto, repito: adolescentes indisciplinados e mal-educados sempre houve e sempre haverá.
É o professor que tem de impor a disciplina.
Os alunos que chegam ao ponto de maltratar os professores nas aulas têm atrás de si um longo historial maltratante, primeiro a colegas, depois ao pessoal não-docente. É uma espiral de impunidade que se vai avantajando qual Adamastor, porque toda a gente olha para o lado e assobia, como se o que se passa à volta não lhe dissesse respeito.
Na Escola, a socialização dos alunos e a manutenção da disciplina são fundamentalmente da responsabilidade dos professores.
Neste momento assistimos a uma santa aliança entre o pensamento corporativo dos sindicatos e o autoritarismo da direita.O defensor dos agricultores,feirantes,militares,contribuintes,junta-se agora a Fenprof na defesa da autoridade dos professores.Paulo Portas aproveitando o vazio do PSD toma nas suas mãos a defesa das causas da direita.Não sei como é que se vão entender,os sindicatos não querem ver os policias,o CDS quer por um policia em cada sala de aulas.
O Daniel
já parece a aluna do Carolina, enfiou uma ideia na cabeça e por mais que se lhe explique não arreda pé. Eu gosto de pessoas que defendem as suas convicções mas, neste caso, está tão fora que me deixa assim:(
Daniel Oliveira,
Uma coisa é certa, resolve-se na sala de aula, em situações normais, não com uma matulona daquele tamanho e uma turma a barrar o caminho. O mal é que os alunos deviam ter medo de serem expulsos e não têm.A rapariga, de todas, ainda é a mais desculpável, pois estava em pleno ataque histérico. Quanto aos outros, qual a desculpa?
Quando não se pode resolver na sala, sai-se, interrompe-se a aula, o que for. O que eu digo é que a disciplina dependerá sempre do professor. Apenas isso. E que berrar por autoridade e pôr o país todo histérico não resolve coisa nenhuma.
Daniel
o que não percebeu do que eu expliquei no comentário 47? A situação é grave, é gravissima e é urgente pôr o país a olhar para o problema. Não se está a berrar por autoridade estamos a discutir um problema sério e não o encarar de frente não vai resolver coisa nenhuma.
Daniel
o que não percebeu do comentário meu 47?
Não se está a berrar por autoridade, estamos a discutir um assunto muito sério. Não o encarar de frente não ajuda nada. O que Daniel diz a propósito é o senso comum, mas já deve ter percebido que não está a funcionar porque a situação nas escolas há muito que deixou de ser “normal”.
Estamos perante um acontecimento surrealista.Uma senhora vinda do Parlamento Europeu (o que faria lá) aterrou no Carolina, deu uma aula livre(seja o que isso for)e foi filmada por um puto, que contribuiu, assim, para o debate nacional sobre educação.A senhora precisaria de um curso de formação antes de aventurar na selva.Mas que o respeito na aula tem que conquistar-se, isso é uma realidade!
Não transfiram a raiva que sentem pela Ministra para os miúdos!Lembrem-se que têm 15 anos, têm de ser castigados mas não é motivo para tamanho ódio!
Maria, tem razão, mas a culpa continua a ser do governo, que não dá importância à formação para a resolução de conflitos: do parlamento europeu, a senhora deveria ter passado por um tirocínio no Iraque (talvez fique mais barato que o Kosovo, sei lá…)
Este é um comentário de uma pessoa que não percebe nada do assunto, como tantos outros.

Tenho razão ou não percebo nada do assunto, stora Idalina?
Então acha que o governo pode colocar um polícia atrás de cada um dos professores incompetentes?
“Estamos perante um acontecimento surrealista… A senhora precisaria de um curso de formação antes de aventurar na selva…,etc…”. Por esta ordem de ideias, sempre que novos professores se estreiem a dar aulas, o país fica sujeito a uma série de “acontecimentos surrealistas” porque duvido muito que lhes sejam ministrados cursos de formação sobre “Como ser um Rambo e sobreviver na selva”. Aliás, causa-me uma certa estranheza que já haja quem considere perfeitamente normal que a escola seja uma “selva”.
Da mesma maneira que alguns conseguem ver um “ódio” para com os “miúdos” que, coitadinhos, só têm 15 anos (por ironia, a mesma idade dos “miúdos” que, há dois anos atrás, assassinaram, com requintes de malvadez, uma transexual no Porto, tendo sido praticamente absolvidos do crime) eu consigo ver um “ódio” para com uma professora cujo único crime foi - aos 60 anos - não ter conseguido ser uma super-mulher numa situação de indisciplina pouco comum (espero eu) e que agora se vê escalpelizada e transformada numa espécie de bode expiatório da “raiva que sentem” pelos professores.
Moral (ou imoral) da história:
1º) a corda parte sempre pelo lado do mais fraco;
2º) há sempre 1001 maneiras de transformar o atacado em atacante e culpá-lo pelo ataque, desde que o atacado esteja em posição mais frágil e minoritária;
3º) por mais “couraçados” que estejamos, é sempre uma decepção constatar que
os defensores dos fracos e dos oprimidos (mas, desconfio, só dos fracos e oprimidos que estejam mais fashion na altura…) conseguem ser tão ou mais cruéis e insensíveis que os “atacantes” dos fracos e dos oprimidos (fashion ou não).
Depois não se queixem por cada vez mais gente se deixar enlear pelos cantos de sereia e pelos histerismos dos regimes repressivos e totalitários…
http://paideia-idalinajorge.blogspot.com/
Havia um homem excepcionalmente saudável.
Um dia perguntaram-lhe:
- Porque és tão saudável?
- Olha, porque nunca discordo de ninguèm.
- Não há-de ser por isso…
- És capaz de ter razão…
A conquista da Autoridade
O argumento de que «a autoridade conquista-se» enferma de um pequeno olvido. A autoridade para leccionar já foi conquistada por todos aqueles que trabalharam para concluir um curso; tal autoridade já foi reconhecida pela faculdade e pelo ministério da educação.
A autoridade só necessita de ser conquistada quando não existem leis ou regras_ por exemplo, entre um bando de arruaceiros: é quem tiver o murro mais potente quem conquista a autoridade, se torna o líder respeitado.
Como já escrevi, há pessoas que não nascem com um perfil de autoridade, mas podem ter todas as qualidades e conhecimentos para ser um grande professor.
Tive alguns professores assim: muito serenos, tímidos, nunca levantavam a voz_ mas sabiam ensinar e sabiam estimular o aluno. Não tinham jeito para comandar, mas souberam formar e fazer crescer muitos alunos.
Hoje, estes senhores e senhores professores, seriam trucidados numa sala de aula (normal).
Exigir que o professor tenha que conquistar a turma vira do avesso o princípio do sistema de ensino\aprendizagem. E o triste resultado é o que temos … .
O que deveria ser normal era que os alunos respeitassem as regras e professor. E dentro de uma sala de aula a única conquista deveria ser a do conhecimento.
Afinal o resultado aí está.
Facto 1 - colocou-se uma professora afastada à largos anos do ensino numa turma “problemática”.
Perplexidades - É admissivel a gestão da escola criando turmas problemáticas.
É aceitável que uma prof esteja tanto tempo afastada da realidade do ensino e depois volte a leccionar “uma turma difícil”
Responsabilidades - Do conselho executivo da escola
Facto 2 - A Prof autoriza a presença de telemóveis ligados na aula desde que os não atendam.
Perplexidades - Será aconselhável? Existe norma interna da Escola???
Responsabilidades - CE (se não existe norma) e/ou Professora pela quebra da norma ou por autorização pouco prudente.
Facto 3 - Momento politico de fragilidade (cautelas) do governo perante a corporação do ensino.
Perpelxidade - Se fosse no final do mandato do engº Guterres o durante o do Dr Santana Lopes a culpa seria dos governo pela sua falta de pulso e de autoridade. Hoje é do governo por excesso de autoridade.
Culpados - Demagogos encartados e comentadores que se pretendem manter sempre populares (até mais que certos politicos) Está sempre tudo mal, tudo errado, absurdo … (ver p ex Antoni Barreto este domingo no publico). Ninguem pensa à excepção de suas eminencias. (Ver PS)
Facto 4 - A aluna foi punida e o aluno que filmou também. Eram do Porto e diziam “telelmóbel” para gaudio dos provincianos lisboetas que veêm neste facto relevância. Ver posts vários e comentarios anteriores.
Perplexidades - E o CE e a professora? não assumem nenhuma responsabilidade? A miúda de 15 anos assumiu que errou, veremos se aprendeu. Duvido que o CE daquela escola tenha a mesma capacidade de autocrítica.
F. Barbosa
PS: Na minha actividade tenho frequentemente de lidar com processos desenvolvidos por outros profissionais. A primeira regra que me imponho é que tudo tem à partida uma razão de ser, o ponto de vista de quem implementou. É necessário descobri-lo e em caso de discordância corrigi-lo. Criticar logo à priori significa perder a capacidade de ver abordagens aos problemas de forma distinta da nossa e ficarmos refens das nossas ideias. Com o tempo definhamos e ficaremos prisioneiros das nossas convicções. O António Barreto entrou hà muito nesse beco. Todos são, sobretudo se forem poder, mentecaptos, é óbvio que estão errados, está tudo mal etc. é o seu argumentário.
Daniel,
sai-se da aula como ? Não vê a professora a tentar, mas a ser puxada ?
Maria,
não é razão para tamanho ódio. Claro. Não seria antes tamanho “MEDO” ?
E não sou professora … Mas ao ver aquele vídeo imagino-me no lugar da “velha” e fico assustada.
Não me merecem comentários as atitudes do Portas. Claro que quer apanhar a onda. Está-se bem borrifando para as escolas, alunos e professores. Quer é submarinos …