Numa empresa moderna, uma desenhadora-projectista a trabalhar numa firma de engenharia que resolvesse tirar o curso de engenharia seria apoiada e acarinhada. A qualificação de um trabalhadora, ainda por cima feita apenas com o seu esforço, seria motivo de aplauso e entusiasmo. Na maior poarte da empresas portuguesas é ao contrário. Por cegueira, receio de ter trabalhadores que façam sombra a «quem manda» ou por pura mesquinhez. Aqui fica esta história, relatada no “Público” de hoje:
«Durante nove anos, Miriam Martins, 34 anos, nunca teve problemas na empresa de engenharia civil onde era efectiva e trabalhava como desenhadora-projectista. Nem no ano passado quando decidiu voltar a estudar e inscrever-se no ensino superior, no curso de Engenharia Civil da Universidade Lusófona, e o comunicou aos sócios da empresa. Seis meses depois, enfrenta um processo disciplinar e de despedimento por justa causa.
A história começa em Setembro de 2007. Depois de ter conseguido entrar na universidade, pediu o estatuto de trabalhador-estudante, cumpriu todas as formalidades, apresentando o horário das aulas na empresa e, com um mês de antecedência, o calendário das frequências. Durante meses, tentou gerir um horário laboral e escolar que dava pouca margem de manobra, com a hora de saída do emprego (às 18h00) a coincidir com a hora de começo das aulas e levando a que o dia só terminasse entre as onze e a meia-noite. “Nunca gozei da dispensa até seis horas semanais a que tinha direito como trabalhadora-estudante. Chegava sempre atrasada às aulas”, conta.
Mas os problemas no emprego acabaram por surgir em Fevereiro, na altura dos exames, quando Miriam invocou o direito, contemplado no estatuto do trabalhador-estudante, de tirar dispensas na semana das frequências. “Apesar de ter entregue as datas dos exames atempadamente e de a empresa ter tempo para recorrer a mais alguém se fosse necessário, foi dois dias antes das provas que me disseram que eu não podia tirar os dias, que havia muito trabalho para fazer”, recorda.
Tirou-os na mesma, para conseguir estudar e fazer os testes. Mas no regresso ao emprego, apercebeu-se de que o ambiente era de “alguma pressão e desagrado”. Para não piorar a situação, e como ainda tinha de fazer mais dois exames, Miriam abdicou de tirar os respectivos dias. De nada lhe valeu. “Na véspera do segundo exame, barraram-me a entrada no emprego. Disseram-me que tinha um processo disciplinar [com efeitos suspensivos imediatos], que não podia entrar naquele momento, nem para ir buscar as minhas coisas.”
Voltou para casa e foi só na semana passada que teve acesso ao processo onde leu que a empresa accionara o despedimento por justa causa. Motivo: atrasos na chegada ao emprego. Admitindo que por vezes chegava 15, 30 minutos depois das 9h00 (algo que durante anos, e até começar a ter aulas, compensou ficando a trabalhar até mais tarde), Miriam garante que não é essa razão que está por trás do processo, mas o facto de ter gozado das dispensas para fazer as frequências. “Nunca antes tinham feito qualquer referência a um processo disciplinar.”
De resto, Miriam garante que não é caso único. “Tenho colegas na turma que tiveram medo de pedir o estatuto de trabalhador-estudante por causa dos direitos que isso lhes dá e outros que ficaram desempregados quando começaram a estudar.”
O caso vai agora para tribunal e, enquanto continua à espera de saber se tem direito a uma bolsa (requisitada em Setembro), Miriam ainda não sabe se terá condições para pagar os quase 300 euros de propina mensal e concluir o curso que lhe abria novas perspectivas de carreira.»
Isabel Leiria
A história de Miriam Martins começa em Setembro de 2007 quando conseguiu entrar na Universidade Lusófona



É na verdade o retrato nacional do jornalismo.
Há aqui duas partes em confronto.
O Público ouviu uma.
É por estas e por outras que São José de Almeida é chamada hoje de mentirosa com todas as letras na edição do mesmo jornal.
Alguém acredita que uma empresa de alta tecnologia despedia uma funcionária enfrentando um processo judicial sem ter razões apoiadas na lei?
Qual a empresa em causa? Chamemos os bois pelos nomes! E façamos má publicidade e discriminemos essa empresa! Q gdes fdp!
exaaaacto Fado, looonge de nós imaginar uma situação desse tipo. Inimaginável meu caro, inimaginável! Not even in my wildest nightmares.
é uma história triste, mas não revela a realidade que eu conheço. em TODAS as empresas de engenharia onde conheço pessoas, são pagas propinas de mestrado a engenheiros e é dada flexibilidade para a formação contínua. em diversas é inclusivamente condição para progredir na empresa a frequência de pós-graduações…
não duvido da veracidade do relato, mas neste sector, pelo que conheço, não é sintomática do panorama geral.
Realmente não gosto de julgar sem saber tudo.
Caro Fado Alexandrino, o que sabe, que nós não sabemos?
Alguém acredita mesmo neste relato? Uma funcionária a querer progredir nos estudos e ser barrada pela administração? Uma desenhadora projetista? Acordem!
BL
28 Abr 2008 às 18:31
O que é que eu sei?
Não sei nada e por isso reservo-me algum pudor na análise do facto.
Pudor esse que a empregado do jornal não teve.