O documento diz ainda que, caso seja escolhido um patrono, «as propostas de denominação [...] devem fundamentar-se no reconhecido valor de personalidade que se tenha distinguido na região, nomeadamente no âmbito da cultura, da ciência ou educação, podendo ainda ser alusivas à memória da expansão portuguesa, à antiga toponímia ou a características geográficas ou históricas do local onde se situam os estabelecimentos de educação ou de ensino».
Esta prosa é um hino à burocracia. Quem é que se lembra de fazer um decreto lei em que se definem as regras para dar nomes às escolas? Ainda assim, tenho pena que esta proibição não tenha ido adiante. Daria um resultado engraçado. Quem não gostaria que a EB 2, 3 de Santo António, em Faro, se passasse a chamar EB 2, 3 de Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo? Ou que a Escola Secundária da Póvoa de Santo Adrião, na Madeira, se passasse a chamar Escola Secundária da Póvoa do Agapito? E que o Colégio São Francisco de Assis se passasse a chamar Colégio Francesco Bernardone? E que a Escola Básica Integrada de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, se passasse chamar Escola Básica Integrada de Uen-nefer?
Por Daniel Oliveira 3 Jan 08 em Educação, Religião


Burocratas não sei mas burrocratas, provavelmente.
Sou a favor de uma lei que controle os nomes que se dão às escolas… não é burocracia, é regulamentação de uma coisa importante (o nome de uma escola é importante)…
Acho que as escolas só deviam poder dar nomes de santos e padres, se estes fôssem santos/padres locais, ou que tenham tido influência na localidade. Agora dar nomes de santos, “porque nós gostamos muito deste santinho” não… isso já é confissão religiosa individual que é tomada como pública…
Dêem-se nomes de pessoas (santos, padres, políticos, escritores, enfim… personalidades) que tenham nascido ou tido influência na terra onde se fez a escola… Não me venham é com Escola de Nossa Senhora de Fátima, Escola de Jesus Cristo, Escola de São Pedro etc… apenas por uma opção religiosa e não identitária.
Não, Daniel, tu é que estás certo e o blogger Baldassare está a pensar noutra coisa diversa que nos factos a frio. Estará por ventura a pensar na reescrita da História e da Cultura Portuguesas no que elas não têm de Hinduísta, não têm de suficientemente Laico ou Superiormente Racional. É um belo projecto, sem dúvida, e há-de chegar o Incrível Hulk Lusitano que o consume, paz à sua alma.
A verdade é que este dispositivo normativo, o tal de um inédito Ministério-Sôfrego-a-Legislar, é mesmo redondo e enferma de desprezível.
Nomear as coisas, ainda para mais Coisas-Escola, de um modo geral, responde a amplos consensos ou não responde. A sugestão é efectivamente dispensável e diz respeito à grande avalancha de treta legislativa com a qual parece que se andou muito tempo a pensar imenso, mas em não mais que bizantinices.
Concordo com o que diz o Daniel Oliveira e também tenho pena que não tenha ido adiante.
Eu gostava de ver o resultado da aplicação desta lei…
“Estará por ventura a pensar na reescrita da História e da Cultura Portuguesas no que elas não têm de Hinduísta, não têm de suficientemente Laico ou Superiormente Racional.”
A Escola Pública é laica, quer o seu romantismo católico queira, quer não. Uma escola do Estado não pode ter o nome de um santo por uma confissão religiosa de um presidente do Conselho Pedagógico… se um santo ou padre fôr uma personalidade com influência histórica na região é outra conversa… (aí a atribuição do nome deve-se a feitos do santo/padre… aí há um mérito que é dado independentemente das preferências religiosas de uma pessoa…)
O critério deve ser o mérito pessoal, já que (contrariamente à nossa “cultura” e “tradições”) vivemos em República. Assim, atribua-se o nome a pessoas (religiosos ou não) com mérito.
Se alguém tiver uma preferência por um santo qualquer, tem boa solução: cria uma escola privada com o nome desse santo… Agora não me imponham preferências religiosas (porque até entre os católicos há preferências de santos… isso já é uma tradição…), quando decidem dar um nome à escola.
Esta é uma questão importante no processo de republicanização da escola pública que, desculpe lá, mas tem de ser laica. Será tão difícil para os católicos deixarem as suas confissões religiosas para si? Têm que impingir nomes, símbolos e (pior) disciplinas na escola pública? Deixem lá isso… hão de sobreviver só com a catequese!