Tendo em conta que o vídeo que aqui estava (o episódio da aluna do Porto com a professora) já foi sobejamente visto e que me é tecnicamente impossível tapar as caras das intervenientes, resolvi retira-lo. Um vídeo que, na realidade, não deveria ter postado sem poder esconder a identidade das visadas. Uma questão que estupidamente negligenciei e que, só depois de pensar no assunto, me apercebi da gravidade. Mais vale tarde que nunca. Todos conhecem já as imagens e percebem o texto.
Vi este vídeo através de Helena Matos e do Expresso. Sim, o que eu vejo aqui é uma aluna mal educada. Uma adolescente incrivelmente insolente. Sempre existiram, sempre existirão. Às vezes até crescem e transformam-se em adultos responsáveis e educados. Outras não.
Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções. Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa. Mas não desce ao nível da adolescente. Se o fizer, está frita. Nem é preciso ser profissional para saber isto. E o que vejo neste vídeo é uma professora com uma turma completamente descontrolada a usar métodos só aceitáveis em alguém com a idade da adolescente que tenta controlar.
Ser professor é difícil. Recebem-se na sala de aulas todos as falhas familiares, todas as falhas sociais, todas as falhas do sistema. E no fim, o mais provável é ser-se maltratado por quem falha em casa, por quem falha na sociedade, por quem falha no sistema. Mas é esta a profissão que se escolheu e todas as profissões têm partes difíceis. E nesta profissão, em que se trabalha numa escola em que todos entram e têm de entrar, não se escolhem os alunos. Há, haverá sempre, casos quase impossíveis. São esses os ossos do ofício. Já havia quando eu era aluno. Para uns professores era dramático, para outros era um problema que tentavam resolver com muito talento e esforço. É difícil, mas simples: a disciplina e a autoridade nunca estão garantidos, conquistam-se. Até com os filhos.
O problema deste vídeo é o que mostra e o que quer mostrar. Mostra uma professora impotente. E a sua impotência nada tem de metafísico ou de político. É a impotência que sentirão todos os que, não conseguindo dar-se ao respeito, trabalham com adolescentes. Porque os adolescentes, quase todos e em todos os tempos, medem forças (se não for físico é psicológico) e desafiam a autoridade. E só pode trabalhar com eles quem o sabe fazer. E para o saber tem de se ser preparado. Parece-me que não o são. Apenas se conta com o talento natural e a experiência de cada um.
O que se quer mostrar com a divulgação deste filme? Que já não há o mínimo de disciplina na sala de aulas? É provavel. A escola é hoje mais democrática: todos andam nela. E isso é bom. Mas traz novos problemas.Que a profissão de professor é difícil? Já o era quando eu andava no liceu. Talvez hoje seja mais. O que quer apenas dizer que os professores têm de ser preparados de uma forma diferente.
A única coisa útil neste vídeo: é dar a algumas pessoas a noção de que a função de professor, sendo muito exigente, deve ser valorizada. E que quem a desempenha deve ser respeitado por isso. Mas que esta professora não sirva de exemplo. É por não estar à altura das suas funções (pelo menos neste momento) que sabemos que a profissão não é para qualquer um. Provavelmente não seria para mim, que estou aqui a fazer de professor de bancada. Mas não é a minha profissão.
Quem julga que a única coisa que um professor tem de saber é a matéria que ensina está a delirar. Essa é a parte mais fácil. Um professor tem de saber o que ensina, tem de saber falar, tem de saber captar a atenção de uma plateia desatenta, tem de saber gerir a sua autoridade, tem de saber avaliar, tem de saber entusiasmar e ainda tem de gostar do que faz.
A falta de respeito pelos professores começa nos pais e acaba na ministra. E aluna repete-a. Mas isso não chega para explicar esta cena. O que temos aqui é um caso exemplar de falta de vocação. Que a profissão volte a ser tratada com o respeito que merece, que recupere dignidade social, e provavelmente os que têm mais vocação quererão leccionar. O resto, o que se passa entre as quatro paredes de uma sala de aulas, depende deles. E no que dependeu desta professora, falhou clamorosamente. A culpa é, antes de mais, da aluna e dos seus pais? Sim, claro. Mas isso é o que não podemos resolver. Dizer “no meu tempo havia respeito” pode aliviar a alma a alguns, não serve é para rigorosamente nada.
Sei que vou levar aqui pancada de muitos professores e de outros que acham que isto “só à estalada”. Mas eu sou daqueles que acha que a responsabilidade começa sempre em quem a tem por ofício. E que a autoridade não se empresta. Ganha-se. E desculpem a crueza: não imagino uma cena destas com nenhum dos muitos excelentes professores que conheci ao longo da vida. Não discuto o comportamento da aluna porque discutir, no mesmo plano, o comportamento de uma adolescente indisciplinada e de uma professora profissional seria, por si só, uma falta de respeito pelos professores. E isso é o que não quero fazer. Para a dignidade dos professores nada pior do que os infantilizar.
Por Daniel Oliveira 20 Mar 08 em Educação
Daniel,
Aquela escola é um “forte apache” . Não deve estranhar a atitude da professora. Qualquer um de nós numa situação similar poderia ficar bloqueado e não responder com o melhor do discernimento.
O Daniel pensa que este episódio é isolado? A infeliz deve ter sido já sujeita a outros mimos antes, e como não se pode expulsar nem bater nos meninos, os nervos deram-lhe para aquilo. Não há profissionalismo que resista a um ano de enxovalhos, provocações e agressões. Quer trocar com a professora? Vai ver que não é fácil aturar os selvagens.
Dar aulas àqueles alunos é a sua profissão. Há escolas complicadas. O que fazer? Não devem ter professores? Pode-se dizer: foi um momento menos feliz. Todos os temos. Mas não se transforme um momento menos feliz em qualquer coisa que merece aplauso.
Eu não tenho de trocar com ninguém. Cada um deve desempenhar bem as suas funções. E exigir, claro, de volta, que esse seu esforço seja valorizado. O que não tem acontecido.
É claro que a professora se passou… com tanta falta de educação dos alunos.
Mas, garanto, que se aquela jovem fosse minha filha, que levava dois tabefes bem aviados.
Digo isto sem qualquer problema e sem ser politicamente correcto.
O problema do Daniel é o dos treinadores de bancada: opina muito mas argumenta pouco e no caso presente, nada. Uma 1ª reserva: acho indigno que sujeitem “esta” professora ao escrutínio da blogosfera e que o mesmo só seja possível porque outros alunos (cujos comentários fomos ouvindo) usaram telemóveis, suspeito, para obter as imagens, o mesmo objecto, motivo da disputa em questão. Mandaria o bom senso e mesmo algum cuidado e reserva que, querendo usar-se o documento, o uso fosse feito garantindo anonimatos, mesmo que, e sei que vem por aí esse argumento, o mesmo filme esteja no You Tube, etc, etc. Há princípios a que não podemos ceder. Bom o Daniel como outros não pensou nisso , problema dele!
O documento, enquanto tal, imaginando-o se tal fosse possível como um caso típico, frequente, com o qual os professores se podem confrontar e/ou como uma atitude a não seguir em sala de aula, coloca-nos perante as seguintes questões, às quais, mesmo os excelentes professores do Daniel tinham que responder (já repararam que todos temos sempre excelentes professores para lançar neste tipo de disputas?):
1 - Como responder se a aluna não cede?
2 - Como responder se a aluna nos impede (com a óbvia colaboração dos colegas) de chegar junto da porta para chamar alguém?
3 - Como reagir se reparamos que estamos a ser filmados, etc, etc?
Não vale vir com a resposta, mais opinião do que outra coisa, de que isso só acontece porque o/a prof. têm ou tiveram uma prática anterior, responsável por esses factos, tiveram ou não, é não demonstrável neste momento.
Presumo ou deduzo, pelo que percebi da opinião do Daniel, a avaliação dada à profª por um único filme e digo: abençoada Sra Dona Mª de Lurdes Rodrigues e a sua proposta de avaliação, que a do Daniel Oliveira se resume à opinião que ele tem dos seus exclentes professores, como eu também tenho dos meus e à consequente comparação com a professora do filme em questão. O Daniel, como eu, não tem respostas para o perguntado acima, a não ser se se encaminhasse para o uso dumas lambadas que já vi por aí defendido, e não tem porque o problema é outro e coloca-se exectamente onde ele não quer que o problema se coloque, a saber?
Como é possível que este tipo de situações se normalizem, sejam frequentes, de tal forma que não os estranhamos?
E aí vamos à escola e à sua organização, à irresponsabilidade experimentalista com que se vem gerindo, à completa ausência do discurso oficial de coisas tão simples como “espírito de sacrifício”, “mérito individual”, “capacidade de trabalho”, “procura de conhecimento”, “valorização do saber”, etc, etc, as tais coisas simples e de bom senso… e a armadilha é muito simples:
se o elevador social já funciona pouco, como é evidente, com a degradação da escola pública vai funcionar cada vez menos, e, a ser assim, a perpetução das mesmas “elites” de sempre, é o menor dos riscos que corremos. É evidente que os “muito ricos e com pedigree” (sejam eles quem forem) mandam os seus filhos para lugares exigentes, onde pagam bem a quem “obriga” os seus filhos a “saber” a “ganhar capacidade de estudo e de trabalho”, etc, nós, que até pagamos e bem, as escolas públicas, vamos vendendo os discursos da facilidade, da culpa daquele e daquela (caso do Daniel), não percebendo ou não querendo, que estamos a condenar muitos jovens à falta de exigência e formação sérias a que tinham direito, por razões presumidas por elites que se instalaram, e de que forma, em pequenos poderes no dosso sistema de ensino.
Daniel,
Acho que entendeu a “troca” como sendo somente retórica; eu pessoalmente também não trocaria de lugar, nem morto.
No meu tempo, havia professores que toleravam um pouco de barulho, outros toleravam alguma galhofa. Não havia quem tolerasse má educação e falta de respeito, porque esses dois factores eram de inteira responsabilidade dos pais, e não cabia ao professor corrigi-los. Ao professor cabia (e ainda cabe) a responsabilidade de impedir essas lacunas na educação dos jovens, viesse perturbar as aulas. Para tanto, tinha o professor um arsenal de medidas, e sabia fazer uso delas.
Neste tempo de ausência de valores, desvalorização do professor, e de demissão do papel paterno na educação dos filhos, com que armas pode contar o professor para domar a escumalha? Pode expulsar? Mandar suspender? Chumbar o delinquente juvenil por faltas de comportamento? Responsabilizar os pais?
Caro Daniel, o que não se aprende em casa, não cabe ao professor ensinar, e o que não é colocado à disposição do professor, a este não pode ser exigido.
-Nestas alturas tenho uma certa pena de não ser professor, talvez o telemóvel tivesse “voado” pela janela, podendo a aluna optar, já que a aula era de Francês, se queria sair pela porta ou pela janela.
-Pelos vistos existe mesmo falta de verbas no ministério da educação, para contratar seguranças que possibilitem aos professores leccionar, e coloquem estas bestas no sítio que merecem…
A única adulta da sala deixou-se envolver num confronto físico com o objectivo de impor a sua autoridade.
É óbvio que quem não se sabe fazer respeitar jamais será respeitado. E isso já era assim há vinte anos atrás e será sempre assim.
Olá Daniel,
Continuas a usar a palavra “liceu”, acho que isso te enviesa o raciocínio, “liceu” é um vocábulo do tempo em que o ensino secundário era maioritariamente frequentado por gente “bem”, os “liceus” tinham nomes como “Pedro Nunes”, “Camões”, “Garcia da Hora”, “Alexandre Herculano”, hoje em dia não é assim,o ensino é universal e obrigatório, as “escolas” têm nomes tipo “C+S 2.3″, “AE 2″, “S 4″. Não sei quantos professores de “liceu” existiam no “teu tempo”, agora parece que são 100, 150 ou 200 mil.
Pões a tónica na formação dos professores (que não deixa de ser importante) mas discordo da “lavagem” do comportamento dos adolescentes que fazes no teu post.
Já agora, seria interessante saber, se dependesse de ti, se tomarias alguma medida “disciplinar” para com aqueles alunos. Sem ideias? Deixo-te uma sugestão, pergunta a um dos excelentes professores que tiveste
Mais…
O Daniel faz uma apreciação um pouco minimalista do problema, apesar de um post comprido e um pouco redundante, e enfatiza a “culpa” sobretudo na «falta de vocação» da professora… Que você não conhece, ou que apenas conhece deste vídeo.
Apesar do que eu disse no meu primeiro comentário, é claro que não se deve educar “à estalada”, estou de acordo.
Tenho dois filhos já adultos, bem sucedidos (seja lá o que isto for…) e não precisei de os educar “à estalada”.
Mas posso garantir que aquelas que levei do meu falecido Pai e as reguadas que levei da minha saudosa professora na Escola Primária e do meu professor de Desenho e de Matemática no Ciclo Preparatório até me ensinaram a ler e a escrever sem abrir os olhos, bem abençoando, hoje, a lambada que levei.
Naturalmente que as coisas não são assim tão lineares como aqui as argumento mas também não o são como o Daniel as argumenta no seu post, sobretudo, quando fala da «falta de vocação» da professora, achando que, nesta parte, é uma argumentação um pouco redutora.
E note que a professora não “enfrentava” apenas aquela aluna, mas toda a turma que filmava (…!?) a cena, que mais parecia uma claque de futebol, e que ordinária e impunemente insultam o adversário… E aqui o adversário, para não dizer o inimigo, é a professora.
Quanto ao resto concordo com quase tudo o que diz.
Eu também acho que ser professor não é para todos e que quem é professor tem que ser preparado. O problema é que a escolha da profissão depende sempre de uma sequência de opções e oportunidades disponíveis e nem sempre temos a hipótese ou a capacidade de voltar a trás. Muitos professores continuam a sê-lo porque é a única profissão que podem exercer. E têm que o fazer mesmo depois de perceberem que não têm a mínima vocação.
Vitor: a divulgação foi feita pelo Expresso. Ou seja, a partir daí é tema. Mas concedo que seja discutível e compreendo os seus argumentos.
Quanto ao mais: a professora, se repara, até ao fim da cena, não larga o telemóvel, medindo forças com a aluna. Essa é a questão. Foi aí que a professora falhou, não foi ao tentar ir até à porta. Se a aluna não cede não se fica agarrado ao telemóvel. Eu não faço isso com a minha filha e até seria mais normal. A outra questão: isto não acontece com todos os professores. As coisas, para chegarem a este ponto (mesmo numa escola complicada) têm uma história de falta de autoridade. Não sei se estas histórias são frequentes. E não sei se o Vitor sabe.
Eu deixei claro que o que foi neste momento que a professora não esteve nada bem. Mas não se chega a este momento, com toda a turma a participar, se as coisas correrem normalmente na sala.
De resto, a minha filha anda na escola. Suponho que posso ter opinião sobre o funcionamento da escola. E sendo solidário com a luta dos professores sem que me tenham dito que era treinador de bancada, espero que isso não mude quando faço críticas.
Já agora: a minha filha anda na escola pública. Tenho todas as razões para querer defender a escola pública.
Estou a ver que o Daniel é contra a avaliação dos professores se fôr feita nas escolas, mas se fôr feita nos blogs, porreiro…
Tirando isso, concordo com tudo, embora ache que fica melhor ser a escola a avaliar se a senhora é boa professora ou não e a dotá-la de meios para meter a miúda a aviar cuecas no centro comercial mais próximo.
A avaliação para a evolução na carreira faz-se na escola. Mas de resto, somos todos avaliados por todos (sem consequências na carreira) na nossa vida profissional. Eu sou e sempre fui.
A sua última frase é esclarecedora. Como diz o outro, é todo um programa.
Oh Pedro, mas que idade julga que eu tenho? Chamo liceu porque me habituei. Mas no meu tempo chamavam-se Escolas Secundárias. Sei que não estou muito bem conservado, mas bolas…
«A única adulta da sala deixou-se envolver num confronto físico com o objectivo de impor a sua autoridade.
É óbvio que quem não se sabe fazer respeitar jamais será respeitado. E isso já era assim há vinte anos atrás e será sempre assim.»
Evidente!
…já não há o mínimo de disciplina na sala de aulas? É provavel. A escola é hoje mais democrática…
Daniel Oliveira de vez em quando no calor do argumento, distrai-se.
Eu, já me palpitava que ele rimava democracia com anarquia.
São tiques que duram e duram e duram.
Acho este post do Daniel, lúcido e soberbo!
Cumprimentos
Fado: eu não disse que tinha um funcionamento mais democrático. Disse que era mais democrática. O que quer dizer uma coisa simples: universal. Não é apenas para as elites. Por isso, mais difícil de gerir.
João José Fernandes Simões, eu falei da falta de preparação, não falei apenas da vocação.
A culpa dos pais se calhar resolvia-se como em Inglaterra : multando-os pelo mau comportamento da prole .
Está tudo errado! A aluna, por cuja falta de educação (não tem a ver com instrução)são os pais os culpados, alguns colegas que não sabem senão gozar (?) o acontecimento filmando-o(note-se a linguagem usada pelos que estão a filmar) e a professora que já devia saber que aquela atitude não levava a lugar nenhum. Quanto ao existirem muitos casos destes, talvez sejam menos do que pensamos e uma percentagem baixa no número total de alunos e professores, mas isso não elimina a gravidade dos mesmos. Tenho por certo que eles se devem mais ao facto de a “educação” (linhas gerais de conduta e relacionameto) não ser dada em casa, pois eu sempre aprendi que em casa é que começa o ensino. Razões para isso haverá várias mas isso é outro debate.
A aluna atendeu ou o seu telemóvel tocou. A professora chama a atenção da aluna e manda desligá-lo. Ela não obdece. Interrompe a aula chama um funcionário e a aluna encaminha-se para o CE. A professora elabora um relatório e apresenta-o ao director de turma.
Passei por situações idênticas. E eles nunca mais tocaram.
“A tolerância é a virtude do fraco”- Marquês de Sade
A minha reacção ao ver este vídeo, mais do que de revolta é, curiosamente, de profunda deprimência - pelo conjunto dos acontecimentos. Mais do que a teima aluna ficou-me a reacção dos colegas, a rirem-se, gozando com o aparato a só agirem passado mais que um minuto, certamente quando sentiram ter uma dose de satisfação suficiente. E o cuidado do “cameramen” de ocasião - “sai da fente!”. Que tristes, que tristeza, que medíocres…
Eu partilho de muito do que o Daniel diz.
Aliás, tenho recorrentes discussões com uma amiga que dá aulas numa escola com alguns problemas, aqui na área de Lisboa, nomeadamente sobre a questão da autoridade do professor e da falta de postura de uma grande parte dos alunos.
Uma boa parte dos professores afirma categoricamente que não tem obrigação de aturar insolências. Concordo, nem ninguém em nenhuma profissão, mas todos as aturamos (o Daniel bem o pode dizer). Mas esses mesmos professores são os que dizem que só lhes compete ensinar as suas matérias. Discordo - um professor também tem de ser um educador, no sentido do desenvolvimento pessoal e em sociedade.
Existem professores porque existem alunos e não o inverso. Não pode jamais isto indicar a soberania do aluno na escola - na sala é o professor quem tutela, mas nunca no sentido da autoridade. Já o meu pai dizia, da polícia, que não são agentes da autoridade, mas da lei. Nesse sentido gosto muito do slogan da polícia americana (ainda que nem sempre se reflita) - “To protect and Serve”
Acredito que mesmo nas mais árduas condições um professor possa cativar os seus alunos, ainda que isso seja uma raridade - mas lembro-me da escola de Cacilhas e daqueles professores, sobretudo o de música, fantástico.
Neste caso a aluna tem de ser punida, bem punida e como o caso veio a público, arriscava-me a dizer que exemplarmente, mas o resto da turma não deve ficar impune. Quanto à professora, não agiu da forma mais eficaz, não mesmo, mas agiu em reacção, não a posso culpabilizar, a culpa é sempre da menina que como alguém disse (e não tenha problemas em dizê-lo) devia apanhar uns belos tabefes.
Muitas dessas discussões com a minha amiga, quando atingem um ponto mais acalorado, acabam com ela a dizer-me: “Mas se é assim tão fácil e bom porque não ais dar aulas?” - Não acho nem que seja fácil nem necessariamente bom e além do mais não é o meu objectivo de vida. No entanto e perdoem-me a arrogância, por muito do que já vivenciei, nem duvido que me sairia melhor que uns quantos…
E eu que estava convencido que os problemas do Ensino era haver ou não haver avaliação, sendo os professores uma classe respeitada por todas as pessoas, com excepção da Ministra Má!
“A falta de respeito pelos professores começa nos pais e acaba na ministra.”
O Daniel não resistiu à tirada demagógica…
Para quem não sabe, incluindo o Daniel: a professora fez apenas o que muitos Regulamentos Internos de escolas estipulam.
O resto só não sucede a quem não é professor.
Normalmente, erguer o tom de voz basta para que um aluno mais renitente caia em si. Garanto que, partindo de uma pessoa habitualmente calma, é um choque para o prevaricador. Depois, explica-se-lhe (ou melhor, relembra-se-lhe) o motivo de o privar do telemóvel durante a aula - porque não devia estar a jogar ou a mandar mensagens, por exemplo, pois com isso está a prejudicar-se, não participando nos trabalhos e eventualmente incomodando outros colegas.
Mas isso é “normalmente”. Agora, se um aluno não reconhece no professor essa autoridade e o ameaça fisicamente, sabendo que quase nada lhe acontecerá…
Eu proponho que quem tem o dom de ser “treinador de bancada” nesta situação vá testar as suas teorias para o Médio Oriente. Com tantos bitaites doutorais, lá para o fim da próxima semana teríamos os membros do Hamas a abraçarem fraternalmente os militantes do Likkud.
Desculpe Daniel, mas foi você que escreveu: «O que temos aqui é um caso exemplar de falta de vocação…»
Mas tudo bem, porque lendo o seu post mais a frio, acho que tem razão praticamente em tudo o que diz, e a ênfase na “culpa” da professora em concreto de pouco importa para o essencial do problema.
Mas eu sei estar na pele daquela professora e avalio o seu descontrolo, continuando a achar que ela é a menos “culpada”.
Porque, também eu, tenho uma profissão onde sou diariamente agredido e tenho a obrigação de saber lidar com isso.
Só que eu recebi preparação específica e, apesar disso, garanto que não é nada fácil.
O que será, portanto, com aquela professora…
Numa Escola onde se perdeu a autoridade; onde o Estado trata os professores como vulgares funcionários públicos; onde muitos professores nunca o deviam ser; onde os regulamentos não são suficientemente sancionatórios para que a autoridade dos professores, também por esta via, se faça sentir; onde os pais se alheiam da Escola e da educação dos filhos (daqui, eu dizer que, como pai, era bem capaz de lhe dar dois tabefes se fosse minha filha…); onde a professora, porventura, neste caso concreto, nem meios teria para pedir ajuda… etc.
Daniel,
Tudo isto resulta, na minha opinão, de:
1. uma demissão dos pais que obviamente não educaram a menina
2. Declinio do estatuto social dos professores. São mais uns muito por sua culpa.
3. Falta de meios de dissuasão parar pôr alunos na linha. Hoje não se chumba, não se é suspenso, não se leva faltas a vermelho.
3. Da menina que obviamente se “estava a armar” para os colegas.
O seu comentário: “Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções” é, no minimo infeliz e precipitado. Está a avaliar o trabalho de alguém (talvez 10, 15 ou 20 anos) pr 2 min de uma situação provocada por uma muida parva que deve ter sido alvo de muitos alertas para deixar o telemóvel.
Uma nota: Apesar de jovem (tenho 28), na minha primária havia uma régua e uma cana. Levei muitos “bolos” (réguadas nas mãos) por indicipliana e por falta de responsabilidade pois nunca fazia os tpc como deve ser. Quando me queixei pela primeira vez ao meu pai ele respondeu-me: “Que fizeste? Não deve ter sido por estares a estudar ou a rezar o terço!”
Aí percebi qual a autoridade do meu professor e como ela estava apoiada pelo meu pai.
Para mim é isso que é essencial: dar autoridade ao professor. Dar meios para pressuadir, para obrigar (sim, obrigar) os meninos a estarem atentos e portarem-se bem.
Estudar, naquela idade, não é divertido, não é baril, não dá prazer, não é motivante (há sempre uma esplanada à espera…). Devemos alertar os jovens para esse facto. Estudar requer sacrificio.
O vídeo não foi divulgado pelo Expresso.
Mas dou-lhe os parabéns por o ter aproveitado.
Já quase tudo foi dito, no entanto, não sou capaz de deixar de comentar. Está certo que houve da parte da Professora uma grande falha relativamente à atitude a tomar numa situação de crise, mas também é verdade que situações como esta acontecem mais vezes do que seria desejável, o que faz com que determinados Professores vivam situações de grande stress. A população escolar é muito variável e esta deve ser muito problemática, talvez seja altura de alguém pensar em dar formação específica para enfrentar situações deste tipo. A violência a que estão sujeitos alguns Professores faz deles uma classe profissional considerada de alto risco. Acho condenável que o Expresso tenha divulgado este vídeo.
Que venha a avaliação dos Professores e a responsabilização dos Pais.
Eu vi no Expresso, Gabriel. Mas foi orginalmente divulgado por quem? Para eu corrigir.
“Quem julga que a única coisa que um professor tem de saber é a matéria que ensina está a delirar. Essa é a parte mais fácil”
Aqui está um ponto chave. Um dos grandes problemas é termos um sem-número de licenciados a dar aulas, sem terem tido a mínima preparação pedagógica para tal! Depois é vê-los a fazerem número para os “não-colocados”. É que parece que ser professor é uma profissão de recurso…
Daniel:
A questão é precisamente a de saber o que fazer da tal escola pública onde a sua filha anda e mais: fazê-lo de forma a que ela se torne num espaço, que aproveitado, garanta maior igualdade de oportunidades para todos - desarmadilhar o mais possível a transmissão familiar e de grupo das riquezas, dos conhecimentos, das possibilidades, etc.
A facilidade e o discurso das competências, a permissividade comportamental dos meninos, a irracionalidade metodológica de certas “cientificidades” pedagógicas, a “psicologização” de todas as dificuldades em escola, ganharam um lugar de camarote e de luxo neste teatro todo. Aquela menina coitada, e a família e, e … é o discurso dominante. A actual equipa do ministério (não falarei sobre questões sindicais - leis de trabalho, salários, etc), explica-se mal por não tocar nestas questões. Quer organizar as escolas! muito bem -a nova lei de gestão é interessante e abre-se à participação dos pais garantindo o poder executivo num professor, a abertura das escolas do 1º ciclo até as 17.30 e o inglês, refeições para todos, encerramentos de focos de isolamento a que se chamavam escolas, etc, etc, subscrevo e aplaudo - não mexe no entanto, pelo menos até agora, na substância daquilo para que as escolas servem, o ensino. Porque uma escola é isso: um “espaço” onde se ensina, onde se transmitem conhecimentos: organizando-os, relacionando-os, associando-os, etc. Continua esta espécie de “esquizofrenia” estas 2 vozes que permitem a discordância organizada do P.Portas e do JSousa: ambos têm razões políticas consistentes - no sentido da consistência discursiva e argumentativa - porque a ministra vai pondo as mesas, as cadeiras, a cozinha, tudo, no restaurante, falta é vermos a ementa e esse é que é o problema. Percebe porque é que naquela sala de aula e acredite que em muitas mais, aqueles meninos só se preocupam em dizer “sai da frente”, deixa-me filmar e também porque é que na maioria dos casos se usa o incidente como mais um dos nossos desportos nacionais favoritos: a cosquice? Percebe porque é que deste tipo de incidentes nada mais se seguirá do que um ultrajante e abusivo uso da imagem de uma professora que me continuo a recusar a avaliar por absoluta falta de meios para o fazer e que o Daniel, como a grande massa de “treinadores de bancada” julga negativamente. Sem isto, e apenas lanço argumentos para a a sua caixa de comentários as escolas mais não serão que espaços onde, com mais frequência aparecerão aquelas meninas…
A cena é culpa da professora
Não soube lidar com a má criação da aluna e desceu ao nível dela.
No meu tempo isto dava expulsão da aluna após lhe ser ministrado um processo disciplinar.
A culpa não é da Ministra nem do Governo, mas sim fruto da permissividade que existe tanto na educação familiar como na escolar.
A deterioração do ensino de ano para ano é um facto. Em educação, conteúdo e facilitismo.
Os pais não querem não podem ou fogem de acompanhar a educação dos filhos.
Sem ser necessário entrar na chapada o pai desta menina deveria castigá-la severamente ( se tivesse autoridade para tal)
A professora deveria ser repreendida por não ter agido de outro modo , como expulsão da sala (será ainda isto possível hoje?) e participação da ocorrência para o Conselho Disciplinar da Escola ( Será que as escolas têm Conselho Disciplinar ?)
Daniel, acho que o video foi referido á Helena Matos via email, pelo Gabriel Mithá Ribeiro
http://blasfemias.net/2008/03/20/sai-da-frente/
Corrigido.
Lendo alguns dos comentários é possível ver aflorada uma questão essencial que tem a ver com a diferenciação da natureza da Escola.
Hoje, aquilo a que se chama genericamente “Ensino Básico e Secundário” comporta duas realidades diferentes. Por um lado o Ensino Básico, universal e obrigatório, cujos professores aprenderam a lidar com a diversidade (cultural, económica, étnica, religiosa, etc.). Por outro lado o Ensino Secundário, último herdeiro do Ensino Liceal (daí o “liceu” usado pelo Daniel), que continua a ter uma configuração elitista e prioritariamente propedêutica do Ensino Superior.
Infelizmente muitos dos professores do Ensino Secundário têm o secreto desejo, não realizado, de serem professores universitários. Daí a sua maior dificuldade em lidar com a diversidade que lhes entra pela porta dentro.
Sobre o caso particular, sendo eu professor e não desejando condenar ninguém, deixei um contributo (re)flexivo em http://fjsantos.wordpress.com/2008/03/20/indisciplina-diversidade-e-acesso-alargado-ao-ensino/
Caro arrastão,
“A falta de respeito aos professores começa nos pais e acaba na ministra”, diz vossa professorice. Que tem a ministra a ver com a cena em quetão? Por acaso com os ministros anteriores não havia cenas destas ou piores? A facadinha política vem ao de cima como o azeite.
Pelo método educativo que vivi(do tempo do velho senhor) é-me inconcebível que tal aconteça numa sala de aula. Dirão, era o tempo da ditadura, hoje tudo é diferente. Compreendo, mas entendo que cenas daquelas não podiam dar-se na ditadura nem deveriam poder dar-se em democracia. A liberdade, também na sala de aula, deve respeitar a liberdade dos outros e aquela aluna não só não respeitava a professora como o resto dos alunos.
Duvido que se possa avaliar pelas imagens se se trata de boa ou má professora como deduz fácilmente DO. Vejo é que não se deixou intimidar e tudo indica pôs a aluna na rua como lhe competia. Ou não, porque, estando a escola neste estado, deveria haver alguem de piquete preparado para ser chamado e resolver imediatamente o caso a gosto ou contra-gosto do prevaricador.
Já que falou em treinador de bancada , já reparou o que acontece a um jogador que se “arrebita” contra o treinador? Fica de fora no jogo a seguir ou a época toda conforme a “arrebitação” continuar ou não face ao treinador. E já pensou o que acontece numa empresa privada quando um profissional pôe em causa o bom fumcionamento dum escritório? Não esquecer que aquela aluna não faz outra coisa que estudar, é na prática uma profissional que está sujeita ao professor, mais velho e mais sábio, designado para ensinar ao qual deve respeito quer seja boa ou má professora.
A escola democrática se não pode ser um abuso de autoridade não pode ser paldo do abuso da liberdade.
Aparece um post assinado por “Vitor” com uma citação do Marquês de Sade. Como decidirá com facilidade quem leu os meus dois posts, maiores em tamanho, que não, admito, no conceito - sempre é o divino marquês! - também assinados por “Vitor”, não somos a mesma pessoa.
Daniel, sou professor mas não lhe vou dar pancada. Peço porém licença para discordar de alguns dos seus pressupostos.
Diz você que a professora não soube gerir uma situação de conflito e que tinha alternativas ao procedimento que adoptou: «chamar alguém, dar ordem de saída à aluna ou interromper a aula.» Não sei se reparou que a professora se tentou aproximar da porta, provavelmente para fazer isso mesmo, e foi impedida fisicamente.
Posto isto, talvez houvesse mesmo alternativas. Por exemplo: devolver o telemóvel à aluna, dar-lhe ordem de saída e, se ela se recusasse, dar a aula por terminada nesse mesmo momento. Isto sou eu a pensar a frio: a quente não sei como reagiria.
Tudo teria corrido melhor, pressupõe você, se aquela professora fosse melhor professora ou se, sendo na maior parte do tempo uma boa professora, não tivesse tido naquele momento uma reacção mais infeliz.
É provável. Mas a questão é que ninguém deveria ser obrigado a ser assim tão bom. Somos apenas humanos, e a relação de poder na sala de aula devia ser tal que fosse possível, a um professor apenas humano, manter sempre a sua autoridade.
Não é esse, hoje, o caso. A relação de poder nas salas de aula está desequilibrada a favor do aluno. E nestas circunstâncias pedir a todos os professores que saibam sempre manter a sua autoridade é exigir-lhes que sejam sobre-humanos.
Se uma coisa destas se tivesse passado na Finlândia, que é o país que serve sempre de exemplo, teriam acontecido três coisas: os alunos que não socorreram a professora já teriam sido castigados; a aluna estaria já internada numa instituição correccional; e os pais estariam já a contas com a justiça.
De modo a permitir que os professores que são apenas humanos possam cumprir eficazmente a sua função, e não apenas os sobre-humanos, que por definição são pouquíssimos.
Neste caso, não é apenas a atitude da aluna que é reprovável, mas da turma inteira, que não censurou o seu comportamento e ainda se divertiu com o sucedido
Caro José Luís Sarmento, a professora tentou ir para a porta depois de dois minutos de puxa-telemóvel e ainda agarrada a ele. A solução foi dada por si e parece-me demasiado óbvia: «devolver o telemóvel à aluna, dar-lhe ordem de saída e, se ela se recusasse, dar a aula por terminada nesse mesmo momento.»
Claro que a professora é humana e eu não a quero crucificar. Já chega o que passou. Mas os polícias são humanos e nós exigimos reacções rápidas e que não desatem a disparar sem necessidade. Os jornalistas são humanos e nós condenamos as suas falhas graves, mesmo sobre pressão ou em directo. Os políticos são humanos e levam na corneta quando, perante uma pergunta de um jornalista, dizem uma asneiras. Eu sou humano e cá estou para levar na pinha se, num momento de discussão acesa num programa que não é editado, disser o que não devo dizer. Todos somos humanos e por isso devemos ser (ou estar) preparados, em determinadas actividades, para não perder o controlo da situação.
Ainda assim, o estado de descontrolo de toda a turma não lhe o faz pensar que aqui estamos um pouco para lá de um pequeno episódio? Posso estar a ser injusto, mas não imagino esta alarvidade colectiva numa turma minimamente controlada.
Daniel, é através de um vídeo, demonstrando uma situação limite, que dá um atestado de competência ou incompetência à professora? Comparado com o método de avaliação do Ministério da Educação para os professores, o seu é mais que rídiculo.
E já agora, a aluna não parece nada que vem das classes sociais mais baixas. E se vem, devia aproveitar a escola como meio de ascenção social, e não para fazer estas “fitas”.
O Daniel acerta e não acerta no problema. Começa com uma atitude dura (diria cruelmente inflexível) e diz que é um problema de formação. Perfeitamente aceitável e respeitável. Ser professor não é só ensinar (em sentido estrito) mas é, para simplificar a coisa, gerir ao segundo e várias vezes por dia diversas e disparatadas vontades/más-vontades. E, por isso, é que é cruel exigir discernimento e uma acção racionalmente pensada a cada segundo. Fazê-lo é física e psicologicamente extenuante. Mas depois mete pelo meio a ideia da “vocação,” que é um logro. A “vocação” é a história da carochinha. “Vocação” é uma vontade íntima, uma predisposição para, um ponto de partida incipiente. É uma ideia enternecedora mas não me interessa para nada. Vejo práticas, não vocações. Ao exigir vocação, o Daniel está a exigir uma espécie de sacerdócio e uma obrigação sobre-humana de corresponder na perfeição a essa vocação. Se no primeiro caso, estava a ser cruelmente cerebral e frio. Neste, está pura e simplesmente a ser irrealista. Não há super-pessoas. Não pode tudo depender do professor, isolado na sala de aula. Não é possível. Não é só demasiada responsabilidade (ou a ideia de que a tarefa só é para os melhores). É impraticável. Fala-se em devolver autoridade. É demasiado abstracto. Não é apenas uma questão de demitir uma ministra errática e, essa sim, completamente alheia ao que deve ser a sua função. Trata-se de criar estruturas institucionais fortes que enquadrem o trabalho do professor. Por mais que acredite nas qualidades dos professores que o Daniel admira, e acredito, perguntemo-nos se não havia uma estrutura por trás a estabelecer os limites do maior ou menor burburinho da sala de aula. A disciplina não é uma só questão de valor/vocação/profissionalismo individual. É uma questão institucional. De estabelecimento de regras, de procedimentos comunitários. E de os fazer cumprir. É num ambiente minimamente regulado que a função de ensinar e educar pode seguir o seu caminho. Uma professora como a do vídeo está sozinha, isolada. E os alunos sabem-no.
Sem dramas, as soluções não vão depender de mais um ministro providencial e iluminado ou de mais um despacho apressado. Vão depender de pequenas (ou até grandes) alterações no funcionamento das escolas, pensadas nas próprias escolas (infelizmente, os professores são os primeiros reféns da história da vocação). É difícil começar as aulas porque os alunos entram a correr e a falar alto? Ao toque de entrada, organizem-se filas de alunos por turma e que entrem por ordem, uma a uma. Problemas com os telemóveis, determinem-se procedimentos claros que toda a gente deve cumprir - sei lá, ameaçar com a reciclagem iminente do terceira geração em causa!
ainda tou pra ver alguém me explicar porque que tomar posse da propriedade privada de alguém pode ser aceitável em qualquer circunstância.
que raio, é essa a maneira de resolver essas situações? então e as faltas disciplinares, e os processos disciplinares, e as expulsões da aula, e as suspenções? devem-se usar os mecanismos normais de disciplina ou deve imperar a lei da selva, ao sabor da disposição do professor?
infelizmente não tenho essa imagem idílica do professor sacrificado. muitos com quem me cruzei não passavam de pessoas frustadas, desmotivadas, mal preparadas, e claramente deslocados.
de qualquer maneira não me parece que a minha reacção perante a situação (alguém que se apodera de uma propriedade minha) fosse diferente da da aluna. talvez teria chamado a polícia, não sei.
Não se pode bater nos jovens.
Acho bem.
Vamos supor o que é que acontecia se esta jovem levasse uma lambada da professora.
Ficava naturalmente com a cara a ferver e a alma em sangue (esta frase é aqui posta apenas para tornar o texto mais erudito).
Revoltada com a sociedade que não lhe deu as mesmas oportunidades que aos outros (leia-se uns pais ricos ou então gestores públicos) onde é que ela, um bocadinho tacanha, sublimaria as suas frustrações.
Pois evidentemente juntando-se aqueles que protegem os pobres dos ricos, os que vêm de famílias problemáticas, as minorias das maiorias.
O Bloco de Esquerda claro está.
E isso não é bom!
Já me preparava eu para escrever um textinho meu, mas chegada ao último comentário já lá estava tudo. José Luiz Sarmento, como habitual, conseguiu escrever à sua maneira muito própria o que eu iria referir.
Mas numa coisa, Daniel, concordo inteiramente: “E que a autoridade não se empresta. Ganha-se.”
Mas a autoridade do professor não se ganha sozinha… ganha-se também no reforço social, político e familiar, entre outros. E quando estes últimos falham…
Desculpe, Marini, mas acho que um professor tem todo o direito de guardar um telemóvel que está a incomodar uma turma. Na verdade, acho que os telemóveis deviam ser proibidos na sala de aula. É uma coisa que me escapa. Arranjem cacifos na escola e os alunos só podem entrar com o material escolar. Evitavam-se muitos problemas e não é propriamente uma violência. Até nos cinemas temos de ter os telemóveis desligados, bolas!
Pedro, concordo com praticamente tudo que escreveu. Usei o termo “vocação” no sentido pouco rigoroso de “talento”, “características pessoais para”, etc. Um pormenor: nas profissões de stress (onde se inclui algumas que já referi aqui nos comentários) é no segundo certo que muito se joga. Uma das razões porque defendo que os professores devem ter um horário relativamente reduzido é por essa mesmo: por causa da pressão (para além do trabalho que têm de fazer fora das aulas).
Justicialista: a minha opinião aqui não terá qualquer reflexo na progressão na carreira. E isso é que faz toda a diferença.
brit com: de acordo. Acho que o disse no texto.
Fado Alexandrino, quando um professor bate num aluno quer dizer que já perdeu toda a autoridade. Fica zero e a partir daí só manda se não apanhar um gajo mais forte pela frente. Olhe para a professora e para a aluna: acha que era assim que a professora se impunha? Impor a disciplina é muito mais difícil do que isso. Mas aceito que com a massificação do ensino nem todos os professores são bons ou excelentes e o sistema tem que estar preparado para lhes dar apoio e saídas em situações destas.
Este último post “marini” é inacreditável. Ou é ironia ou o retrato do que se passa na Carolina e em muitas outras.
1. As frases começam com minúscula; suspensão é com ç (isso é irrelevante, já sei).
2. “Tou pra ver como é que…” é fácil, por absurdo a propriedade privada era uma arma de fogo (também acontece!).
Daniel, não lhe parece que muitas vezes exigimos demais dos polícias, dos jornalistas e dos políticos?
Ou dizendo melhor: não lhe parece que temos uma atitude esquizofrénica que nos leva a exigir-lhes ao mesmo tempo demais e de menos?
Ou ainda, para ser retorcido e paranóico: não lhe parece que algumas vezes lhes exigimos demais nalgumas coisa precisamente para não termos que exigir deles - e de nós próprios - o que devíamos exigir?
Alguém escreveu aqui que não se exige aos professores apenas que ensinem, mas também que eduquem. Peço perdão pelo politicamente incorrecto, mas aos professores compete essencialmente ensinar. Há outros agentes educativos: com uns (como os media) o professor não pode competir; com outros (como a família) não deve competir, sob pena de transformar a escola numa instituição totalitária à qual nada escapa da personalidade do aluno.
É claro que podemos treinar os professores para reagirem sempre bem sob pressão. Fazemos isso com as forças policiais de elite, por exemplo. É um treino demorado e difícil, mas as técnicas existem e é possível fazê-lo.
Mas será que queremos? Será que devemos? não será este um caso de exigir demais por um lado para exigir de menos por outro? Não será o facto de pensarmos em fazê-lo já uma derrota?
Óptimo, proibam-se telemóveis.
Aliás, são proibidos, não explicitamente, mas como perturbação da aula. É claro que isso é elementar.
Mas não consigo entender porque um professor poderia “guardar” um telemóvel que não seja entregue voluntariamente. Porque que iria insistir quando não entrega? Porque que iria agarra-lo e afasta-lo fisicamente, quando a pessoa que o tem não o permite? Se a escolha em não entregar o telemóvel (ou seja o que for) voluntariamente tem consequências, a aluna deve sofre-las. Mas não existem mecanismos que prevejam isso? Claro que existem.
Sinceramente acho que autoridade não tem nada haver com isso. Tem haver com fazer com que as regras sejam cumpridas, e cumprir as regras, até como exemplo. Não com impôr a sua vontade. Não com medir forças. Muito menos com um adolescente. E muito menos no Micaelis….
Caro Daniel,
Não posso concordar.
Neste vídeo apenas vemos uma aluna muito mal educada que sabe aproveitar até ao limite as fragilidades de um sistema de ensino público que permite que alunos insubordinados e violentos passem administrativamente ano após ano.
É por estas e por outras que é preciso fazer a avaliação dos professores. A Ministra tem razão!
O Daniel merece pancada e a marini merece ser internada. Esta professora merece uma estatua e todos os responsaveis (nao os ministros) no ministerio da educacao, que ha’ 30 anos mantem estas teorias esquerdistas liricas de educacao merecem um balde de merda pela cabeca abaixo.
A minha sogra, mulher e 2 cunhadas sao professoras em escolas diferentes em zonas nada mas da cidade de Lisboa (incluindo Expo!). Todas tiveram problemas de disciplina e violencia nas suas escolas e ate’ nas suas proprias salas. A indisciplina e violencia esta’ generalizada na escola publica porque a hierarquia poe “paninhos quentes”. Se esta selvagem soubesse que estava lixada para o resto da vida por fazer isto ‘a professora, nao o faria. Alguem tem duvidas.
Porque e’ que quem pode poe os filhos no privado?
Incluindo muitas luminarias da esquerda. O Daniel tem filhos? Estao na escola publica ou na privada?
Concordo em parte. Acho até perigoso um sistema de ensino que ignore de forma tão clara o que é o próprio adolescente que estão a tentar educar - uma característica, diria, muito típica dos país Portugueses. Mas também acho que a sua análise ignora parcialmente o que é o adolescente, e o efeito benéfico e eficaz que a disciplina tem sobre a educação e formação deles. Sim, é verdade que essa disciplina é ainda mais eficaz e aconselhável se vier de uma autoridade intelectual, cultural, que o professor tenha. Infelizmente, Daniel, não é possível haver 150 mil professores com talento, com autoridade intelectual, cultural, mas é fundamental que haja 150 mil professores em Portugal para educar todas as classes que finalmente (felizmente) têm acesso ao ensino. O fundamental é que haja, pois, alguma disciplina, e se não puder vir do talento dos professores, que venha das regras e da imposição pela força. Não quero que este país caia no que Inglaterra já caiu, onde os pais e professores se demitiram da responsabilidade da educação dos filhos. Não quero essa sociedade, e isso, digo-lhe, não é uma sociedade de esquerda, mas uma sociedade de direita, cheia de yuppies ambiciosos e totalmente egoístas no meio em que se inserem.
Pessoal acabei de ver que o Expresso tem o vídeo não censurado: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/272662
não sei como é possível falar do papel desta professora (que não sei se é competente, não a conheço) depois de ver esta cena deplorável.
aquele grupo de imbecis, se tivesse sido criado num zoo, não seria mais alarve ou mais grotesco.
para mim casos como este têm duas soluções: 1ª, uma boa chapada; 2ª, outra boa chapada.
é só.
Eu era um professor com gosto no que fazia. Modéstia à parte, era um professor razoável/bom e tinha uma boa relação com os alunos.
Com a proliferação dos cursos profissionais (da treta) impostos pelos Ministério estas situações tornaram-se frequentes.
Hoje, perante estes alunos sem educação, qualquer que seja a reacção do professor ficamos sempre a perder.
Por isso, vou desistir. Não tenho vontade de aturar alunos que se recusam a realizar as tarefas propostas, que se recusam a trazer materiais para as aulas, que aos 15 anos não sabem conversar e comportar-se de forma minimamente civilizada, que são incapazes de respeitar os colegas e os adultos (mesmo os da família), que se recusam a estudar e a aprender porque as faltas não contam e sabem que passam todos.
P.S. 1: Quanto à colega visada nesta “cena” só lhe digo uma coisa: tente levar isto na desportiva porque há milhares de professores (eu incluído)a viver diariamente problemas destes.
P.S. 2: Ao Daniel, cujas opiniões normalmente admiro, digo que precisa de conhecer melhor o quotidiano escolar (Sugestão: fale com alguns professores dos cursos profissionais do terceiro ciclo ou do secundário e depois diga qualquer coisa).
Vi cedo o vídeo via Helena Matos, e percebi que iria dar que falar!
O que escreveu o Daniel, é o que penso também e ja quase foi tudo dito!
Mas escrevo para referir que deveria ser aberto o debate - e agora era oportuno fazê-lo-, sobre a ESCOLA PUBLICA que queremos para os nossos filhos, e qual a responsabilidade de Pais, Educadores, Professores na sua organização, regulamentação disciplinar, etc!
O que temos é verdadeiramente uma Escola sem valores e sem príncipios, nomedamente os mais básicos! È o que vemos no vídeo, e que está para além da disputa da professora e da aluna!
Para ver e reflectir!
Sou crítica das posições (algumas) dos professores, mas o que aqui está explícito, é também a falha na educação em casa!!!
Não vale desculpar com a adolescência e os seus desafios, quando o que ali falta é outra coisa, !!!
Apesar de ser um professor de bancada, ofereceu-nos uma visão esclarecida e extremamente lúcida de todo este assunto. Como professor, concordo plenamente com a sua análise. Infelizmente, a capacidade para lidar com este tipo de situações, podendo ser trabalhada, depende em grande parte das características humanas de cada um de nós. Daí talvez esta profissão não ser para todos.
A realidade é cristalina, perante esta forma de julgar o comportamento de outrem, neste caso uma docente. O Daniel visionou um vídeo de curtíssima duração e logo decretou, em julgamento sumário e sumaríssimo, não ser a docente uma profissional capaz… A vida assim é uma coisa simples.
Acrescento o que escrevi noutras paragens:
“É muito fácil julgar aquela professora, repartir as culpas entre agressor e vítima, exercício assaz comum nos nossos dias. E é sintomático que nada se diga sobre o clima de impunidade vivido, lamentavelmente, em muitas escolas. Provavelmente, a aluna que fez aquilo voltará a sentar-se na mesma carteira da sala de aula; com a mesma professora, obrigada a suportar aquela presença. Por culpa de um Ministério de Educação que muito fala em avaliação dos professores, mas nada diz sobre os casos de indisciplina e violência que grassam no ensino. Sintomático.
Para terminar, como entenderão aqueles alunos a história da avaliação dos professores, coisa de que certa/ já ouviram falar?”
Fico espantado com a ingenuidade do Daniel. Ingenuidade quando diz o seguinte: «Mostra uma professora impotente. E a sua impotência nada tem de metafísico ou de político.» A impotência da professora têm claramente um aspecto metafísico - a da fragilidade do homem perante potências que não controla - e tem um claro aspecto político: uma sala de aula é um espaço público de formação, de onde não se pode expulsar a política, pois é ali que os futuros cidadãos estão a ser formados enquanto tais. Mas não é este aspecto político que quero realçar.
Gostaria de perguntar o seguinte: que condições políticas são aquelas que permitam a existência de escolas onde a normal disciplina de trabalho não existe?
Não creio que o facto de todos os alunos terem lugar na escola justifique seja o que for. Os responsáveis pela escola, o Ministério da Educação, permitiram a permissividade (assim mesmo), não deram claras instruções às direcções escolares para combater este tipo de fenómenos, não deram sinais claros para a sociedade de que a escola é um sítio de disciplina e respeito mútuo, pelo contrário.
Onde o Daniel vê apenas uma professora inadaptada e impotente eu vejo política. Vejo política pela acção e pela omissão dos responsáveis, há longos anos. Tenho tido alguns alunos que vêm do leste europeu. Lá também a escola está democratizada, mas, comentam, que não há nada deste tipo de comportamentos. Dirá o Daniel que isso se deverá à memória das ditaduras. Não o creio. Há uma atitude política geral de respeito pela escola. Coisa que, na nossa democracia, não existe há muito tempo.
Num universo de 150 mil professores, não pode haver apenas professores carismáticos. É estatísticamente impossível. Terá de haver pessoas mais frágeis e com menos capacidade de enfrentar situações destas. Mas estas situações é que deveriam estar pura e simplesmente proscritas (cultural e politicamente) de uma sala de aula. Não invertamos as coisas.
Cumprimentos,
JCM
Os presentes que me desculpem o desprezo demonstrado pelos sacrossantos métodos pedagógicos do nosso país, mas…
Uma lambózia bem assentada naquela fronha (por parte dos paizinhos, claro) não era mal pensado não senhor.
Daniel Oliveira:
“Chama outra pessoa, ”
Essa é porreira. Veja se percebe porquê:
http://range-o-dente.blogspot.com/2007/06/ensino-videovigilncia.html
RoD
Entretanto a notícia foi actualizada. A mãe da aluna foi à escola e tentou agredir a presidente do conselho executivo.
E agora, Daniel? Também acha que a presidente do conselho executivo devia ter sabido gerir o conflito? Acha que os professores têm que saber gerir conflitos a esse nível?
Muito bem, Daniel. Quando queres ninguém escreve e pensa melhor que tu. Parabéns.
no meu tempo, se eu fizesse tal cena, tinha levado um estalo na cara para acabar com a histeria. logo. e ao chegar a casa, se me queixasse, provavelmente ficava sem telemóvel e ainda levava mais umas bem assentes por cima.
nasci em 1984 e felizmente ainda tive uns pais lúcidos.
A mesma professora que o Daniel acha que não tem vocação é a mesma que se encontra no topo da carreira:
A professora da Secundária Carolina Michaelis, Porto, vítima de violência por parte de uma aluna quando lhe retirou um telemóvel encontra-se no topo da carreira e regressou este ano à escola, depois de anos requisitada, disse fonte do estabelecimento à agência Lusa.
A mesma fonte, ligada à Escola Secundária Carolina Michaelis, disse à Lusa que a cena terá ocorrido no último dia de aulas, antes das férias da Páscoa, e que a docente envolvida neste incidente é uma professora de Francês, como o PortugalDiário tinha já avançado. A docente, escreve a Lusa, encontra-se no topo da carreira e regressou este ano aquela escola, após ter estado durante vários anos na situação de requisitada, exercendo funções como coordenadora do Parlamento Europeu dos Jovens.
A professora foi vítima de uma cena de violência física e verbal por parte de uma aluna, depois de lhe retirar um telemóvel, cujo uso é proibido durante as aulas, acrescentou a mesma fonte.
JF
Fonte: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=930540&div_id=291
Razão tem o Daniel Sampaio. “Inventem-se novos pais”.
O que essa menina fez só revela que em casa não tem educação e ponto final. Um pai decente saberia como agir, mas hoje em dia a maioria dos pais, infelizmente, olha para a scola como o depósito onde pode pôr as crianças sem se chatear.
Quando se retira a autoridade aos professores, dentro da sala de aula, stá-se a caminhar para a construção de uma sociedadepodre de gente miseável.
Vivi muitos anos num país ( a China) onde os professores são respeitados até ao final da vida pelos seus alunos.
Será uma sociedade autoritária, não nego, mas viver numa sociedade onde se passam cenas destas é de vomitar. E haver gente de esquerda a desculpar uma “canalhinha” e a acusar a professora de falta de profissionalismo é do mais “basista” que já tenho visto desde o PREC.
Não sou professor, mas lido muito com escolas e já vi alunos de 12 anos a puxar de facas para colegas e professores. Se o Daniel acha qu isso é normal, está bem…
Estou de acordo com praticamente tudo o que disse o Pedro e quero deixar bem frisado que um professor não tem de ser dotado de especiais capacidades que lhe permitam ser professor, o que tem obrigatoriamente é de ter uma formação específica que o prepare para isso.
Sou professora, penso que naquelas condições não reagiria assim, até porque nunca tiraria o telemóvel à aluna (se se estragasse os pais ainda me apresentavam a conta e porque por princípio não concordar com esse tipo de atitude) mas perante os factos concretos ninguém pode saber como reagiria.
ola daniel,
É evidente que sim…tem razão; é evidente que não… não tem razão.
Ser professor, hoje em dia, numa turma normal de 3º ciclo (7-9 anos) é isto. Repare que a escola onde isto se passou era um antigo liceu (Carolina Michaelis). A professora agiu mal? Claro que sim… O treinador não devia ter feito aquela substituição? Claro que não… Mas às vezes dá resultado… O Mantorras não marca quase sempre um golito quando entra? Mas desta vez não marcou…
Umabraço,
j. ricardo
http://www.rescivitas.blogspot.com/
Daniel, tinha razão, “pôs-se a jeito”. Mas nesta escola não é uma caso isolado. Pelos vistos também foi nesta que a mãe agrediu a professora que, crime dos crimes, deu negativa a português à filha da agressora. Desculpe, talvez eu agora também me vá pôr a jeito, mas uma aluna como esta não devia estar na escola, pois, para aprender são necessários pelo menos 2, um para ensinar e outro para escutar. Ela devia era aprender a ouvir antes de ir para uma sala de aula. E não me diga que isto tem a ver com nível social, pois a má educação é comum, não nos pobres, mas sim nos mal-educados.
quando um professor bate num aluno quer dizer que já perdeu toda a autoridade
Como compreenderá, estava tentar levar este episódio, para uma edição em tempo real de uma qualquer sitcom, olhe por exemplo os ultra famosos Gatos Fedorentos.
Poderá dizer, mas este é um assunto sério.
Não, não é. Já foi.
Antes de se tiver inspiração me alongar um pouco, convido-o a reflectir que sentido de moral pode ter um professor para aplicar a disciplina, se se dá às palhaçadas de se mascarar de luto, colocar tarjetas nas escolas e insultar sem qualquer pudor a entidade que manda nela?
Vai responder-me que é o normal exercício do poder democrático.
Pode ser mas a verdade é que o respeito conquista-se, respeitando.
Mas a pobre da professora, espero sinceramente que também tenha vindo à manifestação patrocinada pelo PCP em Lisboa, bem pode agradecer aos partidos de esquerda o quase lhe terem partido a cara.
Com base no eduquês criou-se uma ideia política de que devemos ser subservientes com os deserdados da sorte que preferem continuar a sê-lo. E por isso a estas criancinhas, a estes jovens não de pode tocar. Podem ficar traumatizados.
E é vê-los com os seus trajes copiados dos states o capuz em cima do boné, as calças a cair do cú, arrogantes porque sabem que ninguém lhes pode tocar.
Também não precisam de estudar muito.
Arranja-se sempre um biscate, um assalto, um roubo, um pacote aqui, uma dose acolá.
A escola deixou de formar porque deixou de disciplinar e agora é ver os telejornais a abrir com estes espectaculares assaltos em que os jovens já nem se dão ao trabalho de tapar as ventas.
Para quê?
Num instantinho estão cá fora, novamente.
E dos professores, digo-lhe já, não tenho a menor pena.
Demitiram-se de impor a disciplina.
Souberam juntar-se num grande magote para reivindicarem problemas salariais levantados pela grelha da avaliação, mas não se souberam juntar quando estes casos eram uma minoria.
Calaram-se, agora amanhem-se.
Man is the only creature which must be educated – Immanuel Kant
Eu já desconfiava, mas depois de ler o postal do Daniel fiquei com a certeza: a professora é culpada!!!
Apesar de saber também que nessa mesma escola houve outra professora culpada porque levou uns bananos de uma aluna que não gostou da nota que ela lhe deu.
A professora, que é velha, (conforme ouvi um dos alunos dizer), devia saber que não se tiram telemóveis a jovens. Mandam-se tirar.
Ao princípio pensei que a velha, (a professora), entrou em pânico devido à atitude da jovem aluna e a única reacção que teve foi a de medir forças com ela.
O pânico tem destas coisas, pensei eu.
Mas o Daniel diz que não - diz que é preciso ter vocação.
E eu concordo que é preciso muita vocação para enfrentar estes jovens.
E sangue frio, e coragem, e paciência, e capacidade de sofrimento e … ser santo!
(Ainda não há a profissão de santo mas adivinhem qual é a classe profissional que se está a candidatar).
E preparação também - eu até acho que os professores, além de um curso universitário, deviam fazer um estágio de 2 anos no GOE, como fez a selecção nacional de rugbi!
Resumindo amigo Daniel, comentário do género “pimenta no c….”!
1ºO que é que tem a ver a Ministra da Educação(as suas políticas)com o caso concreto?
2ºVocê é avaliado, todos somos avaliados.Que confusão!É o mesmo que dizer «todos somos políticos».A sua avaliação julgo que será feita por aqueles que lhe dão trabalho na comunicação social(por exº em função das audiências), a dos professores é (será)feita em função de sistemas metodologicamente elaborados por especialistas em avalição de desempenho (que os há!)
Caro Daniel,
Ponto prévio, há ou não delinquentes na sociedade, há! É o caso desta miúda.
I.
Nas Escolas-Repartição é assim!
Os professores são, infelizmente, os primeiros a criar alarido à volta do caso.
Já reparaste no que andam a dizer os sindicalistas?
Alguns alunos não nos respeitam, ao se acompanharem os assuntos da educação pela Comunicação Social, menos nos respeitam ainda, quando vêm os professores a ofender a Ministra na rua: sinistra, milú, gorda,etc…
Claro que numa escola onde exista uma boa retaguarda, boas Direccções, a professora recorreria logo a ela, a aluna recusa-se a dar o telemóvel, chamava a Presidente da Escola.
A professora não é a culpada, mas sim, para lá do tecido social que condicona as escolas:
1.Gestão Democrática irresponsabilizante, por muito que te custe o modelo de gestão em vigor fomenta a indisciplina, os CEs demitem-se das suas responsabilidades.
Será que naquela escola onde foram produzidas aquelas fichas de avaliação de professores aberrantes, que o F.Louça mostrou no Parlamento, da prof. Esperança Barcelos, isto acontece?
tenho dúvidas, com alguns CEs isto é impossível!!!
É aceitável que o CE, apenas, tenha conhecimento do assunto pela comunicação social?
2.Modelo de colocação de professores, estas turmas(no caso uma turma de repetentes) têm de ter professores seleccionados a dedo, esta professora chegou à escola em Setembro(é efectiva noutra escola onde não têm horário), tal não se compatibiliza com a gestão centralizada dos professores.
3. Flexibilização dos currículos, não faz sentido os alunos que não querem/gostam de estudar terem de frequentar 14 disciplinas.
A maioria dos professores é incapaz aceitar mudanças que alterem os problemas que mencionei.
Para evitar os problemas com os telemóveis muitas escolas já os proibiram, quanto a mim bem.
E depois desta “barulho” o que acontecerá?
Nada, fica tudo como está, porque em matéria disciplinar, não há nada mais eficaz que a actuação do Professor e da Direcção da Escola. Temos sim mais lenha para a fogueira onde diariamente se queima a Escola Pública, sendo, infelizmente os professores, sindicatos, e Administração Educativa quem mais contrubui para tal.
II.
Sobre a Escola em causa trata-se de uma escola que nos últimos anos(6-7) viu a sua população escolar modificar-se, de uma escola quase exclusivamente de classe média, passou a receber miúdos de baixos estratos sociais, ao que se junta uma tentativa de encerramento, em 2003. Durante este periodo já vai no 4.º conselho executivo, a maioria dos quais incapazes de manter a escola na mó de cima. O actual CE eleito o ano passado, 2007, está a tentar levantar a escola, fazendo do Carolina Michaelis, a grande escola que já foi, mas não será fácil, este vídeo não ajuda nada.
Daniel, aqui lhe deixo o relatório de avaliação externa da escola feito pela Inspecção Geral da Educação realizado no 1.ºperiodo deste ano lectivo:
http://tvtel.pt/11152/Carolina_Michaelis.pdf
Associação de Amigos da Escola recentemente constituida:
http://www.amigosdocarolina.pt.la/
E associação de pais:
http://www.associacaopaiscarolina.pt.la/
O Carolina Michaelis não merece isto!!!
O problema é o respeito que se perdeu à figura do professor. Sempre existiram professores com visíveis dificuldades em impor respeito às turmas e alunos indisciplinados, mas duvido muito sinceramente que os professores mais disciplinadores do nosso tempo conseguissem lidar com o grau de falta de educação que estes fedelhos demonstram ter.
O trabalho do professor é ensinar matérias, o dos pais dar educação e lembrar os filhos que os professores merecem ser respeitados.
Se a mãe tentou agredir alguém os professores têm que chamar a polícia. Os professores dão aulas a alunos, não dão aos pais deles.
Olhando para o conteúdo do vídeo e de mais uns dados nas peças feitas sobre esta questão nos telejornais, convém situar o acontecimento:
1- Se julgam que esta situação é um pouco excepcional, estão enganados. Situações idênticas a estas (ainda há bem pior), ocorrem todos os dias em dezenas e dezenas de escolas.
2- Os alunos, a turma em questão, até está bem longe da caracterização duma turma problemática, por isso mesmo, esta é uma situação muito mais comum do que possam imaginar.
3- Por isso mesmo, a falta de “vocação” que o Daniel apressadamente endossou à professora, seria então extensível a uma grande fatia de professores.
4- Estou muito admirado com o “estado de choque” que este vídeo parece estar a gerar na opinião pública, blogosfera e televisão, como se de repente tivéssemos acordado para algo que nos andava a passar completamente ao lado. A menos que já tenham esquecido do caso duma escola filmado no Monte da Caparica, que será um exemplo dos casos extremos, mas que este do Carolina Michaelis se pode enquadrar num patamar de médio.
5- Mais espantado fiquei com o espanto dos sindicatos de professores e que isto revelava mais uma consequência do desprestigio a que tinha chegado a classe, Mário Nogueira estava a pensar na ministra tal como o Daniel também pensou a dado passo do seu post.
Agora reparemos noutros aspectos importantes para a discussão. A professora em causa, não me parece novata na profissão, alguma experiência disto já há-de ter e para estar colocada no centro do Porto, largos anos de serviço já deve ter. Perante situações destas, tudo começa com um telemóvel que não estava no seu devido lugar, isto é, imobilizado pelo próprio aluno, quantos e quantos milhares de telemóveis por essas escolas fora diariamente estão activos e em serviço nas próprias salas de aula, os professores podem reagir de maneiras diversas. Umas mais eficazes outras menos. Mas quanto a mim, o verdadeiro problema não é esse. Se a professora tivesse agido como sugere o Daniel e mais alguém, avisado a aluna, (não teria já avisado?) e caso não cumprisse ser posta fora da sala de aula ou em última instância a professora ter abandonado a sala, isso também acontece largas dezenas de vezes por dia no universo das escolas portuguesas, só que não merece ser filmado pelo telemóvel e nem é notícia como foi este caso hoje. Assim como não será notícia os casos, que os há e não são poucos, em que os alunos nas aulas utilizam praticamente à vontade o telemóvel, pelo menos em sms ou até em jogos.
A questão fulcral é a falta de autoridade, já sei que o termo não politicamente correcto para muitos, a perda de autoridade que a escola, professores e funcionários tiveram ao longo destes anos todos de reformas e mais reformas, de experiências pedagógicas e mais experiências pedagógicas, quase todas elas num sentido único, facilitar a vida dos alunos, direitos e mais direitos sem a devida correspondente da responsabilização, direitos sim mas também deveres.
E neste definhar em que o ensino em Portugal está mergulhado, todos são responsáveis, cada um com a sua quota parte, desde ministro e secretários de estado, passando pelos professores, sindicatos que nunca quiseram saber disto para nada, funcionários, alunos e pais e sociedade em geral.
Nunca veremos qualquer coisa de parecido nas ruas, como a recente manifestação de professores, cujo motivo principal parece ter sido a avaliação dos professores, quando o problema que hoje mais desmotiva, mais desgasta e mais “stressa” os professores, é precisamente a falta dum ambiente responsável e pacífico minimamente aceitável, para desenvolver em pleno a sua actividade para que é pago. E isto é notório nos desabafos nos corredores, nas consultas de psicologia. Jamais veremos, porque isso não é politicamente correcto, os sindicatos a mobilizarem os professores para saírem à rua, pedir exactamente esse ambiente mínimo e responsável para se poder trabalhar, porque aí, sindicatos, alguns partidos, muitos professores e muitas políticas ministeriais, vão precisamente em sentido oposto. Em nome não sei de que liberdade e direito, deixaram criar este caos, de que o vídeo de que hoje se fala, é muito mais comum e frequente do que o que nos querem fazer crer do contrário.
Não sei se repararam, mas a aluna trata a professora por tu, não sei se com autorização ou não, mas hoje é muito comum, a meu ver muito mal e aí começa logo o professor a perder o pé, ver alunos a tratar os professores por tu com consentimento destes.
Não julgo esta professora com a mesma f