Um político não diz a um jornalista o que lhe vai na alma, nem lhe conta da sua táctica política. E táctica existe sempre. Mas quando explícita deixa de ser apenas táctica e passa a ser programa político. É por isso natural que o PP tenha tentado fazer deste episódio um caso político. Mas vale o que vale. Políticos que não dramatizam e não desdramatizam não são políticos. E para quem tem no seu passado uma mentira sobre a autoria de um atentado terrorista, para sobre os corpos dos mortos garantir uma vitória eleitoral, talvez alguma decoro não ficasse mal. Isso sim, foi grave e pouco natural para uma democracia consolidada.

Outro elemento interessante desta campanha em Espanha é o envolvimento directo da Igreja Católica em favor do Partido Popular. Parece-me óptimo. Assim a Igreja pode passar a ser trata como um agente político e social como qualquer outro, que não merece nenhum tratamento especial por parte do Estado. Ficam as coisas mais claras para quem ainda não as tivesse enxergado. Concordo, por isso, com o que Pedro Marques Lopes escreveu há uns tempos: é porque a Igreja trata dos seus interesses que os interesses da Igreja não são nem podem ser os do Estado e entre os dois não pode haver nenhuma confusão. O Estado é de nós todos, a Igreja é dos seus seguidores. Sejam eles uma larga maioria ou uma pequena minoria.

Um não-católico, ao defender a neutralidade de Igreja, está a dar à Igreja um estatuto especial que ela não tem nem deve ter. Se alguém se pode zangar com os bispos em campanha são os membros da sua Igreja. Eles que tratem disso. Por mim, a ICAR fará o que entender. Com uma certeza: sempre que quiser (como quer tantas vezes) meter o bedelho na minha vida e subjugar-me, através do Estado, aos seus ditames morais terá a resposta que merece: que vá pregar para o seu rebanho.


Sem respostas ao post “Nada de novo”  

  1. 1 1  corvo

    Quando tanta gente fala de fundamentalismo islâmico, muitas vezes esquecem o fundamentalismo cristão, ou neste caso católico.

    Com a chegada ao poder do pastor alemão, deixaram-se de tibiezas, para os incautos vejam o que se está a passar na Espanha e na Italia.

    E tivemos uma pequena amostra deste fanatismo, durante o referendo do IVG.

    É por isso que a vigilância republicana, democratica, e laica, tem de estar atenta, esta gente não muda, encolhe as garras, mas se tivessem poder teriamos de novo autos-de-fé no Rossio.

    [Responder]

  2. 2 2  Isabel

    Espero que o Estado republicano, democrático e laico, nunca se lembre de nacionalizar a rede de assistência social da Igreja ou patrocinada por ela.

    Seria com certeza um grande rombo no orçamento geral do dito.

    [Responder]

  3. 3 3  Filipe Tourais

    Já tinha visto e postado o video. O contexto creio que pouco importará. Zapatero não fica melhor na fotografia porque o PP é pior ainda. São os dois mauzitos e tanto os faits divers que utilizam como as políticas que defendem em pouco diferem. A diferença está nos lobbies que satisfazem.

    [Responder]

  4. 4 4  Fado Alexandrino

    Eu, se fosse a Daniel Oliveira, tinha mais cuidado.

    Quando ele escreve Parece-me óptimo. Assim a Igreja pode passar a ser tratada como um agente político e social como qualquer outro está a destapar uma caixa de Pandora.

    Se esse dia chegar e os católicos votarem em quem os pastores indicarem temo que numa futura Assembleia da Republica onde os tais 80% de católicos portugueses seriam maioria até o Bloco de Esquerda seja obrigado a usar cabeção.

    Mas para que é que a Igreja haveria de querer disputar o poder político com os políticos profissionais?
    Então não é verdade que o seu Líder disse: o meu Reino não é deste Mundo!
    O poder da Igreja não se mede em votos, esteja descansado.

    [Responder]

  5. 5 5  Dover

    Pois Corvo, uma coisa é votar contro o aborto outra é proclamar a morte dos infiéis. Deve ser muito corajoso a fugir aos paroquianos que o querem matar.

    [Responder]

  6. 6 6  Dover

    Por outro lado isto prova que zapatero é mentiroso e hiòcrita, e se alguém mentiu antes dele isso n faz com que seja menos mentiroso.

    [Responder]

  7. 7 7  Manuel Leão

    O envolvimento dos (i)responsáveis da Igreja na campanha eleitoral, em Espanha, é inqualificável. Mas não é surpreendente.

    Apesar de não ser praticante, mesmo assim sinto vergonha. Mais uma.

    [Responder]

  8. 8 8  tric

    “Um não-católico, ao defender a neutralidade de Igreja, está a dar à Igreja um estatuto especial que ela não tem nem deve ter. Se alguém se pode zangar com os bispos em campanha são os membros da sua Igreja. Eles que tratem disso. Por mim, a ICAR fará o que entender. Com uma certeza: sempre que quiser (como quer tantas vezes) meter o bedelho na minha vida e subjugar-me, através do Estado, aos seus ditames morais terá a resposta que merece: que vá pregar para o seu rebanho.”

    tem toda a razão , da mesma forma que eu, como cristão ,sempre que a IRMANDADE Gay e o CLÃ jacobino andar a pregar os seus valores e a tentar impo-los através do estado( como quer muitas vezes ) , decerto que terão resposta identica : pro car…!

    ou só a Igreja Jacobina-Gay ( Igreja minoritáia em Portugal) é que pode impor os seus valores na sociadade !!! como por exemplo ,aborto, casamentos e adopções gays , etc , etc !

    [Responder]

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Onde está a mentira de Zapatero? Agora dramatizar um combate político e criar tensão é mentir? Estabos bonitos, estamos.

    [Responder]

  10. 10 10  Dover

    A hipocrisia de Zapatero mede-se pelo facto de ele próprio acusar o pp de fomentar o mau ambiente pré-eleitoral, quando o que lhe interessa e assim o confessou, é criar esse mesmo mau-ambiente. Foi ele que o disse.

    [Responder]

  11. 11 11  Justicialista

    Sinceramente, a expressão não foi bonita. Mas é acessória, o essencial é que a Espanha progride em todos os aspectos. A economia não está tão forte, mas cresce e as desigualdades sociais diminuem. A política de habitação social é exemplar. As igualdades civis foram reestabelecidas. As tropas sairam do Iraque. O estatuto da Catalunha foi aprovado. O governo PSOE é um governo de orgulho para toda a esquerda. Até Saramago declarou o apoio a Zapatero.

    [Responder]

  12. 12 12  corvo

    Quem viu a Igreja Catolica Espanhola ( quase toda ela ) apoiar os crimes de Franco.

    Quem viu a Igreja Catolica Portuguesa ( quase toda ela) apoiar a ditadura do Salazar.

    Quem viu a Igreja Catolica Italiana ( quase toda ela) apoiar o regime fascista de Mussolini ( poderia tambem dizer a MAFIA, banco Ambrosiano, Monsenhor Marcinkus) .

    Quem viu as Igrejas Catolicas Austriacas e Alemã, serem muito pouco criticas dos crimes de Hitler,e defensores e encobridoras depois de 1945 de muitos criminosos nazis.

    Deve pensar duas vezes , antes de escrever certas coisas.

    Há fanatismo, em muitos catolicos, há desejos de impôr a sua visão do mundo a toda a sociedade,quereriam se tivessem poder para isso, impôr uma única forma de pensar ( vejam a defesa aberrante do criacionismo).

    É por isso, que eu falo em vigilância Republicana.

    É um combate feito no campo das ideias, e na defesa da democracia, PARA TODOS.

    Isto não é nenhuma perseguição á liberdade de culto, nem é nenhum combate contra o a solidariedade, que muitos catolicos prestam aos mais humildes e deserdados.

    Quem não percebe isto, tambem nunca entenderá a velha frase:

    A Cesar o que é de Cesar
    A Deus o que é de Deus

    [Responder]

  13. 13 13  corvo

    Quanto a TRIC

    Basta ler o que se passou em seminarios na Austria e na Alemanha.

    Os escandalos de pedofilia na Irlanda Espanha, Italia e sobretudo nos EUA.

    O assassinato numa Igreja de uma mulher gravida, por um padre, que quis assim esconder a paternidade .

    Ou mesmo no nosso país as centenas , direi milhares de filhos de padres, e as respectivas governantas, com quem á vista de todos vivem em comunhão de facto.

    Para dizer, que se existe Igreja cheia de podres, ela é a Igreja Catolica.

    Mas têm sempre a confissão e o pseudo arrependimento para lavar a alma ( como certos catolicos, PREVERSAMENTE , gostam de propalar).

    [Responder]

  14. 14 14  Isabel

    E eu que ouvi dizer que a prosperidade espanhola era uma mentira…

    [Responder]

  15. 15 15  Isabel

    Corvo.

    A Igreja é uma associação de pessoas, que defende valores e passa mensagens. Neste campo não se distingue em nada de todas as associações de cidadãos que existem.
    Como todas as associações laicas, gays, feministas, ambientalistas, consumidores, doenças incapacitantes, sabe que a maneira mais eficaz e económica de passar a mensagem que considera importante é influênciando o poder, ora juntando-se a ele, ora “combatendo-o”.

    O que faz a diferença da Igreja Católica para outras associações é o teor da mensagem e o facto de se dirigir a todos sem excepção. As outras normalmente destinam-se a um público específico, muitas vezes minoritário.

    A diferença entre a Igreja e um partido político é que este, sendo também uma associação, dirigindo-se também a todos, quer ser poder, coisa que a Igreja não quer, (pelo menos desde o Concílio Vaticano II).

    Por isso a Igreja tentar influênciar o poder para garantir a sua existência e a passar a sua mensagem é um direito legítimo que lhe assiste.
    Nós não vemos as associações de gays tentarem mudar as leis para legitimarem os seus desejos?

    Se não evoluíssemos e se não esquecessemos o passado como é que se podia admitir a existência de um partido comunista num quadro democrático?

    [Responder]

  16. 16 16  ose Henriques

    Isabel, embora eu não o sendo, pois o que não me move é “essa” fé, pertenço a uma família de católicos, graças ao seu Deus, de esquerda, e que nãi se revêm na casta de previligiados que que comanda os destinos da igreja Católica e apostólica Romana. E comparar a igreja enquanto associação de pessoas às associações de gays, feministas, etc, é obra repinicada.
    A Opus gay é uma associação de gays criada com o objectivo de os gays melhor se defenderem dos ataques a que estão sujeitos enquanto membros da sociedade de pleno direito. Não confundir com Opus-Day ( nem sei se é assim que se escreve, desculpem), que como se sabe é uma associação de contornos muito transparentes, benemérita, ligada à igreja, que não se mete em políticas nem nada! Ó Iasbel, não brinque!!

    [Responder]

  17. 17 17  Isabel

    José

    Penso que não referi em sítio nenhum, nem as minhas convicções religiosas, nem sequer se as tinha.

    Há um passado impositivo, totalitário e anti-democrático na História da Igreja. A vida de Cristo produziu uma doutrina de salvação,(para os que acreditam), e a Igreja é a sua fiel testamentária, missão que levou muito a sério.

    Porque as pessoas que têm fé no sobrenatural Cristão acreditam em coisas extraordinárias e sabem de acontecimentos “estranhos” à nossa vida quotidiana, (aparições em Fátima, por ex.) acreditam que têm o dever moral de nos levar pela sua mão à salvação. É uma verdadeira e genuína intenção. Só que é aqui que a fé colide com a razão.

    Porque somos todos diferentes, porque não tivemos as mesmas experiências afectivas e de socialização na infância e durante o crescimento, esse afã de nos salvar, muitas vezes cego, totalitário, leva-nos, ou a aceitar sem perguntar nada, por medo ou ignorância, ou a reagir negativamente levando a traumatismos emocionais. Há muitos traumatizados da igreja Católica, de que eu sou um exemplar. Penso que até aqui estaremos de acordo.

    Quando defini a Igreja como uma associação a par com outras e por isso com as mesmas características, não me estava a referir ao conteúdo mas sim à forma.

    Quanto ao conteúdo, a questão é que ela já se organizou à 2000 anos e já tem um passado
    que deixou marcas. A Igreja também se organizou para se defender dos ataques que a vivência da sua fé suscitava. Os Cristãos também foram gozados, ridicularizados, apartados, agredidos e mortos. Homossexuais existem desde que o mundo é mundo mas só agora se organizaram. Só agora estão a abrir caminho como a Igreja já fez à séculos e têm de lutar contra direitos adquiridos por “mérito” e trabalho. As assc. de gays e as feministas com a questão do aborto, são as únicas cujos valores fundamentais colidem com os da Igreja. Em todos os outros valores sociais e humanos, em geral estão todas de acordo.

    Os Cristãos acreditam fortemente nos seus valores assim como os gays nos deles, e tanto uns como os outros devem lutar por eles. Tenho pena que estejam em desvantagem, mas se a causa é justa, força. Mas tenham cuidado para não se tornarem impositivos, totalitários e anti-democráticos. Tem que aceitar que há pessoas que não entendem a vosso modo de vida, que acreditam que os gays vão para o inferno e era importante terem essa tolerância para não cometerem os mesmos erros da Igreja.

    O Vaticano II está dar os seus frutos. Vai ver que mais dia menos dia teremos uma Igreja nova, a das Bem-aventuranças onde haverá espaço para todas as diferenças

    P.S. E porque sou democrata-cristã, não resisto a acrescentar que os comunistas também se tornaram tolerantes, quanto mais não fosse para sobreviver.

    P.P.S. O ideário do Opus Dei consiste em atingir a santidade em todas as tarefas do dia, servindo Deus e servindo os outros. Por muito que lhe custe acreditar há muitos que o conseguem.

    [Responder]

Leave a Reply