E? Também a copeira não melhora o sabor da bebida que entrega quando usa mini-saia, mas no entanto é um atributo que pode ser valorizado pelo patrão.
Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.
Filipe, sou daquelas pessoas que prefere ter uma enfermeira que saiba garantir cuidados de saúde sem ter de ser um modelo. As enfermeiras não são enterteiners. São técnicas de saúde. Até podem ser gordas e feias, sabe? Ou não, não podem?
A mim não me fica bem indignar-me. É que me indigno mesmo. Sabe que se pode gostar, usando um eufemismo, de mulheres fisicamente interessantes (eu seguramente gosto) e não ser machista. Uma coisa não tem de vir com a outra.
tenham calma. há um ror de rol de listas de espera nos hospitais. pessoal deste e visual assim as listas não têm mais fim e lá vamos ter outro ministro.até eu quero .. doente
Está cheio de razão Daniel. Mas a mim isto dá-me mais para soltar umas gargalhadas do que para me indignar. Fica a questão, que produtividade teriam que elas ter para terem o prémio.
No outro dia fiz um exame em que tinha de mostrar as “partes vergonhosas”.Eram só médicas e enfermeiras!Todas lindas!E disse-lhes que elas eram lindas! Calaram-me com uma droga.
Mandei um mail para o hospital a dizer que tinha sido muito bem tratado!
Que saiba não lhes baixaram o ordenado e o meu exame teve um resultado de um jovem de 18 anos!
Devia estar indigado. Eu estou. Isto é o capitalismo selvagem no seu melhor. Utiliza o sexo, neste caso a sua sugestão, para aliciar clientes a consumirem bens que não estão directamente relacionados com a imagem publicitária. É publicidade subliminar. Quantos homens não terão gasto rios de dinheiro em ataques súbitos de hipocondria? Quantos não terão pedido aos médicos para lhes tirarem o apêndice perfeitamente são?
E é isto um país socialista, com uma grande abertura nos costumes. É impressionante como os extremos se tocam.
Trata-se de uma unidade de saúde privada. Ora, uma unidade de saúde privada é um negócio como qualquer outro.
Ao contrário das unidades estatais, onde o que interessa (ou devia interessar…) é o bem do doente, nas unidades privadas interessa a satisfação do cliente como forma de ganhar dinheiro. Se a satisfação do cliente passa pela “paisagem”, que valem os direitos dos trabalhadores (diz-se colaboradores) perante os interesses do pagante?
Por muito que se digam defensores da saúde, para esses senhores não há diferença entre um hospital e um bar de alterne. Só o lucro conta!
Entre uma enfermeira competente e gorda e uma enfermeira competente e boa, o gestor ao pagar mais a estas está apenas a juntar o útil ao agradável (para muitos clientes, asseguro-lhe, pelos mais variados motivos…). Mas eu sei, isto faz-lhe lembrar o papão do darwinismo social, mas aqui estamos em discordância irresolúvel. Adiante.
Não, por ser privada não faz tudo o que quer. Há leis do trabalho e quase que aposto que se as enfermeiras puserem a clínica em tribunal ganham de caras.
Eu escrevo, em resposta a um leitor: «A mim não me fica bem indignar-me. É que me indigno mesmo.»
Resposta de uma leitora: «Daniel: Devia estar indignado.»
se preferir, «gordas ou feias». Acho que percebeu muito bem o que quis dizer e acho extraordinário que seja isso que nisto tudo a irrita. Mas está bem.
A facilidade com que se aceitam as discriminações mais básicas argumentando com a cifra do costume “é privado, fazem o que querem; elas que se sujeitem” é assustadora. Até ver, existem leis contra a discriminação e contra o assédio sexual. Sim, o assédio.
Do mal o menos, e não perdem o emprego. Só perdem 30 euros, o que torna a situação ainda mais ridícula. Esquecem-se o empregadores, tão (ir)racionais, que a produtividade é fortemente influenciada pelo estado de espírito mental dos trabalhadores. Duvido que enfermeiras vestidas de fetiche sexual tenham muita moral e façam um trabalho mais produtivo. Bem pelo contrário.
Trabalhei numa empresa em que o patrão teve a feliz ideia das fardas. Eram curtinhas e cintadas, com uma cor de abelha maia, amarelas e pretas, as cores da marca. O senhor, coitado, só se esqueceu que felizmente tinha sempre preferido o intelecto ao físico, logo, o resultado não foi dos melhores… a farda terminou no momento das provas de roupa.
Sem os 30 euros, as enfermeiras ganham mais ou menos que nas clínicas públicas mais próximas? Com os 30 euros ganham mais ou menos que nas clínicas privadas mais próximas?
Considerando que o Daniel é a favor da liberalização da prostituição, como veria a ideia de uma clínica privada (sublinho o carácter privado, ou seja, só lá vai e paga quem quer) oferecer serviços de saúde e prostituição no mesmo local?
Carlos G. Pinto, a questão não se ganham mais ou menos, mas que há critérios inaceitáveis para a atribuição de prémios.
Sou a favor da legalização (e não da liberalização, que é quase o contrário) da prostituição, e ainda assim não acho que uma enfermeira possa ter como obrigação ter relações sexuais com os pacientes.
Tomo a pergunta como uma provocação. Um serviço de saúde é um serviço de saúde e uma profissional de saúde é uma profissional de saúde. O facto de ser privado é para mim absolutamente irrelevante. Qualquer empregador que num qualquer ramo de actividade proponha que uma/um profissional tenha relações sexuais como cumprimento das suas funções profissionais eve ser criminalmente punido.
A prostituição deve ser legalizada e regulamentada. Não deve ser liberalizada e muito menos misturada com outras actividades profissionais.
A confusão permanente entre liberalização e legalização (que são coisas quase opostas) criam permanentes barreiras ao debate.
Um serviço privado não tem de estar acima das leis. Não vale tudo, e não tem o direito de tratar assim as enfermeiras. Penso que quem acha o contrário, revela uma “fé” cega no mercado, e no seu poder de se auto-regular. Mas felizmente, como o Daniel já disse, há leis (contra o assédio, por exemplo). E essas leis não são facultativas para os privados…
Mas isto já parece a revistaCara,Olá,ou o caneco.DO,isto é o Capitalismo na fase mais imaginativa e libertár4io,pq podem fazer tudo o que quiserem em prole da dignidade humana.Pois!
Eu não conheço bem as leis do trabalho em Espanha, penso que não têm os 13 mês e subsidios de férias, penso mas posso estar errado, que será pelo mérito que significa uma mais valia para a empresa por outras palavras, dinheiro! Se a qualidade em prestar um bom trabalho não assenta neste caso no aspecto fisico do prestador mas este torna-se na tal mais valia, pois vai trazer mais “clientes” à privada então realmente a entidade empregadora têm razão em não dar o bonús de 30 euros ( o bónus pelo merito da boa prática deve ser mt maior!) pois o empregado não correspondeu nesse sector! Por exemplo se eu tenho um negocio aberto ao público e tenho 2 funcionárias, ambas muito capazes e trabalhadoras, mas uma arranja-se todos os dias e
a outra não, logo é natural que dê um bónus á que
se arranja pois a clientela gosta e ela vai ter gastos
com maquilhagens, cabeleireiros, etc.
É preciso ser muito acrítico para dizer: “como é na iniciativa privada não faz mal”.
É absolutamente impressionante como o dinheiro tem potencialidades para comprar tudo! Até as mentes!
E é também impressionante que haja malta que se indigne por obrigação. Não consigo entender. Pode ser que fique bem fingir-se estar indignado. Enfim, mas isso é um debate interno de quem se indigna por escolha num catálogo.
Por outro lado, vejam bem onde já estamos. Nem sequer devia ser preciso chegar ao argumentário relativo à prostituição.
Mas é claro que como capitalismo, machismo, exploração, andam todos ligados, de repente, de forma inacreditável parece que temos de lembrar a alguns que o dinheiro não compra (ou pelo menos não comprava) tudo.
Será que estes amigos também esquecem-se - para além da questão de fundo: totalmente inaceitável este prémio e estas condutas desrespeitadoras da diginidade da pessoa humana por parte desta empresa - que as suas mães eram mulheres? Gostavam que a vossa mãe passasse por isso?
Completamente de acordo. O capitalismo tem que ser posto ao serviço das pessoas. Não podemos deixar passar o modo como algumas pessoas se servem do capitalismo para explorar o próximo em todos os campos.
Não é o capitalismo que está errado. É o uso que se faz dele.
O Filipe, do segundo comentário diz:
“Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.”
Digo:
O Filipe, do primeiro comentário diz:
“Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.”
Seja por pura tentativa de provocação, seja por pura idiotice, choca-me o teor de alguns comentários – além de estar indignado com esta notícia. A provocação nivela a discussão por baixo, a idiotice é resultado de anos de nivelamento por baixo da discussão.
A utilização de uniformes em empresas tem as suas razões, maioritariamente de ordem prática (seja pela necessidade ou desejo de reconhecimento, seja pela adequação à actividade), mas deve sempre respeitar o indivíduo nos seus direitos essenciais de não ser descriminado com base em raça, género, religião, etc. Ou seja, um uniforme deve ser flexível – e isto não é um paradoxo.
Além disso um uniforme tem que ser esteticamente agradável e, apesar de esta característica ter um factor subjectivo, não deve ser dependente de quem o usa. Ou seja, o uniforme deve ser esteticamente agradável tanto vestido por um homem com barriga, como vestido por um homem sem ela. Mais uma vez o uniforme terá de ser flexível.
Estes são parâmetros que entram no desenho (projecto) de qualquer uniforme. E um uniforme, ou uma estratégia de marca, que não é adaptável funcionalmente, esteticamente ou culturalmente falha redondamente.
É uma banalidade mas aqui fica: uma empresa (privada) de serviços não tem como objectivo o lucro, tem como objectivo prestar serviços aos seus clientes. Privada ou não, para manter o serviço aos seus clientes, e valorizar a energia despendida, tem que ser economicamente viável – o que é bastante diferente de ter como objectivo o lucro.
Na sua essência uma empresa de serviços é diferente de uma empresa de produtos. Sendo central a prestação do serviço, o serviço é avaliado com adjectivos como eficaz, eficiente, correcto, simpático, informado, e não com atraente, excitante, musculoso, colorido.
A avaliação da prestação dos funcionários de uma empresa é uma coisa bastante séria e não pode ser banalizada. O mérito é central nessa avaliação, e é o que interessa à empresa. As características de cada indivíduo influenciam enormemente a avaliação. Tipicamente, um indivíduo mais articulado – ou mais atraente ou simpático – terá uma melhor avaliação que um mais engasgado, mesmo que isso não influencie a sua prestação. O bom gestor descortinará por detrás destas características o mérito da prestação individual. Uma má avaliação (ou série) é razão para penalizações e, no limite, despedimento. Por isso é importante que os critérios sejam claros e justos.
É uma estratégia conhecida a utilização de avaliações negativas (baseadas em critérios injustos ou aplicados parcialmente) para despedimento sumário de funcionários indesejáveis.
Para terminar, o uniforme tem uma outra missão também importante, que não a adequação às tarefas ou o reconhecimento da empresa – a uniformização. Tal como um uniforme flexível não é um paradoxo, a uniformização através do uniforme não é uma redundância. O uniforme é utilizado para dissimular algumas características individuais irrelevantes ao serviço prestado – tais como a classe económica ou social de um indivíduo; ou até gostos particulares ou atributos físicos.
Neste caso, não imagino como a saia curta poderá ter uma utilidade prática na actividade exercida; ou como possa ser essencial no reconhecimento do pessoal da organização ou na imagem que se quer transmitir acerca do serviço; e, obviamente, contradiz a missão de dissimulação de factores irrelevantes.
Eu nem acredito no que vejo e leio!
Esta das enfermeiras, obrigadas a usar mini-saias, ultrapassa todos os limites. E ainda há gente que desculpa isto.
Já nem é uma questão de leis: é uma questão de mentalidades.
E com isto, acho que vou mudar de blogue. Não por causa do Daniel, mas por causa de “sus nuchachos”.
Mas num caso tão sem jeito, não se pode dizer que os gestores é que são uns atrasados mentais? Não estão todos de acordo com isso? Mini saia?algumas lindas outras nem por isso.A questão é que usa quem gosta!
E se quando foram contratadas, o uso da mini saia fosse uma condição? Mudava a questão?
Daniel:
“Agora sou responsável por quem aqui deixa comentários?”
Não. Mas, pelo que sei, ou é do BE, ou anda lá próximo. Ora a maioria dos comentaristas, a avaliar pelo inquérito dos políticos, prefere o Louçã (com o seu ar de seminarista), ou a Ana Drago (que é uma rapariga jeitosa).
Ora, as minhas preferencias, à falta de melhor, estão bem mais cá para baixo (Manuel Alegre, Helena Roseta e, embora a contragosto, Cavaco Silva).
Daniel: estou muitas vezes de acordo consigo, e quando não estou respeito as suas opiniões. O que há entre nós dois, é uma diferença de gerações.
Mas há aqui muitos comentadores, que só à chapada!
Desculpe: desabafei.
A maioria dos leitores do Arrastão será de esquerda Basta ler os comentários em todos posts para perceber que não é assim em relação a quem deixa comentários (que são apenas uma pequena parte dos leitores: cerca de 100/150 por dias, para cerca de 2800 leitores diários).
Só nos resta a clonagem!!!
Já nos formatam as ideias, já nos formatam os comportamentos, já nos formatam os gostos…e agora formatam-nos os corpos?! É que nisto das pernas!!!
Deixo aqui o seguinte comentário: a imagem colocada no post (enfermeiras de sapato vermelho e língua de fora) direcciona a discussão para um caminho que me parece perigoso e pouco digno para a profissão em causa. Gostava que se centrassem mais no problema real, que tem muito que se lhe diga…
Eu não sou nada de esquerda, mas gosto muito do blogue na mesma.As pessoas inteligentes merecem sempre ser lidas, tenham ou não razão nas ideias que defendem.
Eu acho que enfermeiras como as das fotos até dão vida a um morto… é capaz de ser uma boa ideia…e a clínica pode ter razão. Afinal, mais (só) 30 euros por mês por um acréscimo notável nas capacidades curativas das enfermeiras até nem é muito…affaire à suivre.
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
E? Também a copeira não melhora o sabor da bebida que entrega quando usa mini-saia, mas no entanto é um atributo que pode ser valorizado pelo patrão.
Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.
Alívio, já me sinto mais integrado.
Filipe, sou daquelas pessoas que prefere ter uma enfermeira que saiba garantir cuidados de saúde sem ter de ser um modelo. As enfermeiras não são enterteiners. São técnicas de saúde. Até podem ser gordas e feias, sabe? Ou não, não podem?
A mim não me fica bem indignar-me. É que me indigno mesmo. Sabe que se pode gostar, usando um eufemismo, de mulheres fisicamente interessantes (eu seguramente gosto) e não ser machista. Uma coisa não tem de vir com a outra.
tenham calma. há um ror de rol de listas de espera nos hospitais. pessoal deste e visual assim as listas não têm mais fim e lá vamos ter outro ministro.até eu quero .. doente
Está cheio de razão Daniel. Mas a mim isto dá-me mais para soltar umas gargalhadas do que para me indignar. Fica a questão, que produtividade teriam que elas ter para terem o prémio.
No outro dia fiz um exame em que tinha de mostrar as “partes vergonhosas”.Eram só médicas e enfermeiras!Todas lindas!E disse-lhes que elas eram lindas! Calaram-me com uma droga.
Mandei um mail para o hospital a dizer que tinha sido muito bem tratado!
Que saiba não lhes baixaram o ordenado e o meu exame teve um resultado de um jovem de 18 anos!
A beleza nunca atrapalha!Só a estupidez!
Sabe o que me chateou mesmo no conjunto das notícias e comentários? A sua “simpática” pergunta: Até podem ser gordas e feias, sabe?
A junção destes dois adjectivos é tão ou mais ofensiva (por mais repetida) do que a obrigação palerma da mini saia.
E antes de iniciarem a actividade: não sabiam as condições? e se sabiam pq as aceitaram?
Serei machista?
Daniel:
Devia estar indigado. Eu estou. Isto é o capitalismo selvagem no seu melhor. Utiliza o sexo, neste caso a sua sugestão, para aliciar clientes a consumirem bens que não estão directamente relacionados com a imagem publicitária. É publicidade subliminar. Quantos homens não terão gasto rios de dinheiro em ataques súbitos de hipocondria? Quantos não terão pedido aos médicos para lhes tirarem o apêndice perfeitamente são?
E é isto um país socialista, com uma grande abertura nos costumes. É impressionante como os extremos se tocam.
Trata-se de uma unidade de saúde privada. Ora, uma unidade de saúde privada é um negócio como qualquer outro.
Ao contrário das unidades estatais, onde o que interessa (ou devia interessar…) é o bem do doente, nas unidades privadas interessa a satisfação do cliente como forma de ganhar dinheiro. Se a satisfação do cliente passa pela “paisagem”, que valem os direitos dos trabalhadores (diz-se colaboradores) perante os interesses do pagante?
Por muito que se digam defensores da saúde, para esses senhores não há diferença entre um hospital e um bar de alterne. Só o lucro conta!
Caso caricato mas honestamente, clinica privada faz o que quizer. Se quer apostar menos na qualidade e mais no eye candy é lá com eles.
Daniel,
Entre uma enfermeira competente e gorda e uma enfermeira competente e boa, o gestor ao pagar mais a estas está apenas a juntar o útil ao agradável (para muitos clientes, asseguro-lhe, pelos mais variados motivos…). Mas eu sei, isto faz-lhe lembrar o papão do darwinismo social, mas aqui estamos em discordância irresolúvel. Adiante.
Não, por ser privada não faz tudo o que quer. Há leis do trabalho e quase que aposto que se as enfermeiras puserem a clínica em tribunal ganham de caras.
Eu escrevo, em resposta a um leitor: «A mim não me fica bem indignar-me. É que me indigno mesmo.»
Resposta de uma leitora: «Daniel: Devia estar indignado.»
Será que serve para alguma coisa escrever?
se preferir, «gordas ou feias». Acho que percebeu muito bem o que quis dizer e acho extraordinário que seja isso que nisto tudo a irrita. Mas está bem.
Peço desculpa. Devia ter lido com mais atenção, apesar de achar que isto é um problema muito mais profundo que o machismo.
A facilidade com que se aceitam as discriminações mais básicas argumentando com a cifra do costume “é privado, fazem o que querem; elas que se sujeitem” é assustadora. Até ver, existem leis contra a discriminação e contra o assédio sexual. Sim, o assédio.
Do mal o menos, e não perdem o emprego. Só perdem 30 euros, o que torna a situação ainda mais ridícula. Esquecem-se o empregadores, tão (ir)racionais, que a produtividade é fortemente influenciada pelo estado de espírito mental dos trabalhadores. Duvido que enfermeiras vestidas de fetiche sexual tenham muita moral e façam um trabalho mais produtivo. Bem pelo contrário.
Trabalhei numa empresa em que o patrão teve a feliz ideia das fardas. Eram curtinhas e cintadas, com uma cor de abelha maia, amarelas e pretas, as cores da marca. O senhor, coitado, só se esqueceu que felizmente tinha sempre preferido o intelecto ao físico, logo, o resultado não foi dos melhores… a farda terminou no momento das provas de roupa.
Sem os 30 euros, as enfermeiras ganham mais ou menos que nas clínicas públicas mais próximas? Com os 30 euros ganham mais ou menos que nas clínicas privadas mais próximas?
Considerando que o Daniel é a favor da liberalização da prostituição, como veria a ideia de uma clínica privada (sublinho o carácter privado, ou seja, só lá vai e paga quem quer) oferecer serviços de saúde e prostituição no mesmo local?
Carlos G. Pinto, a questão não se ganham mais ou menos, mas que há critérios inaceitáveis para a atribuição de prémios.
Sou a favor da legalização (e não da liberalização, que é quase o contrário) da prostituição, e ainda assim não acho que uma enfermeira possa ter como obrigação ter relações sexuais com os pacientes.
Tomo a pergunta como uma provocação. Um serviço de saúde é um serviço de saúde e uma profissional de saúde é uma profissional de saúde. O facto de ser privado é para mim absolutamente irrelevante. Qualquer empregador que num qualquer ramo de actividade proponha que uma/um profissional tenha relações sexuais como cumprimento das suas funções profissionais eve ser criminalmente punido.
A prostituição deve ser legalizada e regulamentada. Não deve ser liberalizada e muito menos misturada com outras actividades profissionais.
A confusão permanente entre liberalização e legalização (que são coisas quase opostas) criam permanentes barreiras ao debate.
Um serviço privado não tem de estar acima das leis. Não vale tudo, e não tem o direito de tratar assim as enfermeiras. Penso que quem acha o contrário, revela uma “fé” cega no mercado, e no seu poder de se auto-regular. Mas felizmente, como o Daniel já disse, há leis (contra o assédio, por exemplo). E essas leis não são facultativas para os privados…
Mas isto já parece a revistaCara,Olá,ou o caneco.DO,isto é o Capitalismo na fase mais imaginativa e libertár4io,pq podem fazer tudo o que quiserem em prole da dignidade humana.Pois!
Eu não conheço bem as leis do trabalho em Espanha, penso que não têm os 13 mês e subsidios de férias, penso mas posso estar errado, que será pelo mérito que significa uma mais valia para a empresa por outras palavras, dinheiro! Se a qualidade em prestar um bom trabalho não assenta neste caso no aspecto fisico do prestador mas este torna-se na tal mais valia, pois vai trazer mais “clientes” à privada então realmente a entidade empregadora têm razão em não dar o bonús de 30 euros ( o bónus pelo merito da boa prática deve ser mt maior!) pois o empregado não correspondeu nesse sector! Por exemplo se eu tenho um negocio aberto ao público e tenho 2 funcionárias, ambas muito capazes e trabalhadoras, mas uma arranja-se todos os dias e
a outra não, logo é natural que dê um bónus á que
se arranja pois a clientela gosta e ela vai ter gastos
com maquilhagens, cabeleireiros, etc.
É preciso ser muito acrítico para dizer: “como é na iniciativa privada não faz mal”.
É absolutamente impressionante como o dinheiro tem potencialidades para comprar tudo! Até as mentes!
E é também impressionante que haja malta que se indigne por obrigação. Não consigo entender. Pode ser que fique bem fingir-se estar indignado. Enfim, mas isso é um debate interno de quem se indigna por escolha num catálogo.
Por outro lado, vejam bem onde já estamos. Nem sequer devia ser preciso chegar ao argumentário relativo à prostituição.
Mas é claro que como capitalismo, machismo, exploração, andam todos ligados, de repente, de forma inacreditável parece que temos de lembrar a alguns que o dinheiro não compra (ou pelo menos não comprava) tudo.
Será que estes amigos também esquecem-se - para além da questão de fundo: totalmente inaceitável este prémio e estas condutas desrespeitadoras da diginidade da pessoa humana por parte desta empresa - que as suas mães eram mulheres? Gostavam que a vossa mãe passasse por isso?
Quem é que se indignou por obrigação?
gwb
Completamente de acordo. O capitalismo tem que ser posto ao serviço das pessoas. Não podemos deixar passar o modo como algumas pessoas se servem do capitalismo para explorar o próximo em todos os campos.
Não é o capitalismo que está errado. É o uso que se faz dele.
isto é francamente nojento.
O Filipe, do segundo comentário diz:
“Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.”
Digo:
O Filipe, do primeiro comentário diz:
“Mas bom, fica bem indignar-se com isto, não vão chamar-nos “machistas”. Ok, então aqui vai: “Vergonha! Exploradores! Deviam ser enforcados! Não percebem que já não vivemos no antigamente!”.”
Seja por pura tentativa de provocação, seja por pura idiotice, choca-me o teor de alguns comentários – além de estar indignado com esta notícia. A provocação nivela a discussão por baixo, a idiotice é resultado de anos de nivelamento por baixo da discussão.
A utilização de uniformes em empresas tem as suas razões, maioritariamente de ordem prática (seja pela necessidade ou desejo de reconhecimento, seja pela adequação à actividade), mas deve sempre respeitar o indivíduo nos seus direitos essenciais de não ser descriminado com base em raça, género, religião, etc. Ou seja, um uniforme deve ser flexível – e isto não é um paradoxo.
Além disso um uniforme tem que ser esteticamente agradável e, apesar de esta característica ter um factor subjectivo, não deve ser dependente de quem o usa. Ou seja, o uniforme deve ser esteticamente agradável tanto vestido por um homem com barriga, como vestido por um homem sem ela. Mais uma vez o uniforme terá de ser flexível.
Estes são parâmetros que entram no desenho (projecto) de qualquer uniforme. E um uniforme, ou uma estratégia de marca, que não é adaptável funcionalmente, esteticamente ou culturalmente falha redondamente.
É uma banalidade mas aqui fica: uma empresa (privada) de serviços não tem como objectivo o lucro, tem como objectivo prestar serviços aos seus clientes. Privada ou não, para manter o serviço aos seus clientes, e valorizar a energia despendida, tem que ser economicamente viável – o que é bastante diferente de ter como objectivo o lucro.
Na sua essência uma empresa de serviços é diferente de uma empresa de produtos. Sendo central a prestação do serviço, o serviço é avaliado com adjectivos como eficaz, eficiente, correcto, simpático, informado, e não com atraente, excitante, musculoso, colorido.
A avaliação da prestação dos funcionários de uma empresa é uma coisa bastante séria e não pode ser banalizada. O mérito é central nessa avaliação, e é o que interessa à empresa. As características de cada indivíduo influenciam enormemente a avaliação. Tipicamente, um indivíduo mais articulado – ou mais atraente ou simpático – terá uma melhor avaliação que um mais engasgado, mesmo que isso não influencie a sua prestação. O bom gestor descortinará por detrás destas características o mérito da prestação individual. Uma má avaliação (ou série) é razão para penalizações e, no limite, despedimento. Por isso é importante que os critérios sejam claros e justos.
É uma estratégia conhecida a utilização de avaliações negativas (baseadas em critérios injustos ou aplicados parcialmente) para despedimento sumário de funcionários indesejáveis.
Para terminar, o uniforme tem uma outra missão também importante, que não a adequação às tarefas ou o reconhecimento da empresa – a uniformização. Tal como um uniforme flexível não é um paradoxo, a uniformização através do uniforme não é uma redundância. O uniforme é utilizado para dissimular algumas características individuais irrelevantes ao serviço prestado – tais como a classe económica ou social de um indivíduo; ou até gostos particulares ou atributos físicos.
Neste caso, não imagino como a saia curta poderá ter uma utilidade prática na actividade exercida; ou como possa ser essencial no reconhecimento do pessoal da organização ou na imagem que se quer transmitir acerca do serviço; e, obviamente, contradiz a missão de dissimulação de factores irrelevantes.
Eu nem acredito no que vejo e leio!
Esta das enfermeiras, obrigadas a usar mini-saias, ultrapassa todos os limites. E ainda há gente que desculpa isto.
Já nem é uma questão de leis: é uma questão de mentalidades.
E com isto, acho que vou mudar de blogue. Não por causa do Daniel, mas por causa de “sus nuchachos”.
Meus muchachos, Isabel? Agora sou responsável por quem aqui deixa comentários?
Mas num caso tão sem jeito, não se pode dizer que os gestores é que são uns atrasados mentais? Não estão todos de acordo com isso? Mini saia?algumas lindas outras nem por isso.A questão é que usa quem gosta!
E se quando foram contratadas, o uso da mini saia fosse uma condição? Mudava a questão?
Daniel:
“Agora sou responsável por quem aqui deixa comentários?”
Não. Mas, pelo que sei, ou é do BE, ou anda lá próximo. Ora a maioria dos comentaristas, a avaliar pelo inquérito dos políticos, prefere o Louçã (com o seu ar de seminarista), ou a Ana Drago (que é uma rapariga jeitosa).
Ora, as minhas preferencias, à falta de melhor, estão bem mais cá para baixo (Manuel Alegre, Helena Roseta e, embora a contragosto, Cavaco Silva).
Daniel: estou muitas vezes de acordo consigo, e quando não estou respeito as suas opiniões. O que há entre nós dois, é uma diferença de gerações.
Mas há aqui muitos comentadores, que só à chapada!
Desculpe: desabafei.
A maioria dos leitores do Arrastão será de esquerda Basta ler os comentários em todos posts para perceber que não é assim em relação a quem deixa comentários (que são apenas uma pequena parte dos leitores: cerca de 100/150 por dias, para cerca de 2800 leitores diários).
Só nos resta a clonagem!!!
Já nos formatam as ideias, já nos formatam os comportamentos, já nos formatam os gostos…e agora formatam-nos os corpos?! É que nisto das pernas!!!
“O que há entre nós dois, é uma diferença de gerações.
Mas há aqui muitos comentadores, que só à chapada!
Desculpe: desabafei.”
Vai uma luta? São esses os seus argumentos?
Isabel Coutinho
É mesmo uma questão de gerações!Todos os nomes que indica são dos meus preferidos, incluindo “a contragosto” !
Deixo aqui o seguinte comentário: a imagem colocada no post (enfermeiras de sapato vermelho e língua de fora) direcciona a discussão para um caminho que me parece perigoso e pouco digno para a profissão em causa. Gostava que se centrassem mais no problema real, que tem muito que se lhe diga…
Bom… eu só quero saber qual é o hospital que emprega enfermeiras com o calibre das da foto. O resto é conversa
.
Eu não sou nada de esquerda, mas gosto muito do blogue na mesma.As pessoas inteligentes merecem sempre ser lidas, tenham ou não razão nas ideias que defendem.
Eu acho que enfermeiras como as das fotos até dão vida a um morto… é capaz de ser uma boa ideia…e a clínica pode ter razão. Afinal, mais (só) 30 euros por mês por um acréscimo notável nas capacidades curativas das enfermeiras até nem é muito…affaire à suivre.
Vai uma luta?
Filipe Abrantes
Porque não? Eu nunca fugi à luta.
http://agorasocial.wordpress.com/2008/03/27/igualdades-liberdades-e-indignacoes/ .