PSOE: 43,6% - 169 (+5)
PP: 40,1% - 153 (+5)
CiU: 3% - 11 (+1)
EAJ-PNV: 1,2% - 6 (-1)
ERC: 1,2% - 3 (-5)
IU: 3,2% - 2 (-3)
BNG: 0,8% - 2 (0)
CC-PNC: 0,6% - 2 (-1)
UPyD: 1,2% - 1
NA-BAI: 0,2% - 1 (0)

Correcções ao post anterior sobre o assunto: a margem acabou por ser mais pequena e o PSOE cresceu sobretudo à custa da esquerda.

Uma das principais derrotadas de ontem: a Igreja Católica espanhola. Fez oposição activa a Zapatero e envolveu-se na campanha apelando ao voto no PP. Perdeu.


Sem respostas ao post “Espanha”  

  1. 1 1  jacobino

    Caro Daniel, tenho dúvidas sobre se a Igreja terá de facto perdido. Terá, ao menos, a responsabilidade (julgo eu) de ter tirado uma maioria ao PSOE. Creio que de outro modo seria impossível o PP ter tirado votos ao PS. um rendimento per capita que subiu em 4 anos dos 28 mil euros para os 33 mil é, per si, argumento suficiente para levar alguém a votar em Zapatero. vive-se hoje em Espanha muito melhor do que se vivia há 4 anos, e no entanto, o PP subiu. PP que é o mesmo que há 4 anos mentiu sobre os atentados (Rajoy fazia parte desse mesmo PP). Em condições normais, o PSOE teria dado uma “abada” ao PP. Se não deu, creio que se deve unicamente à Igreja e não a qualquer outra coisa.

  2. 2 2  josé Manuel Faria

    A Esquerda Unida está a desaparecer e o PSOE a crescer demais, isto não é nada bom. A social-democrcia e o neoliberalismo sem oposição à esquerda.

  3. 3 3  Henrique Morais

    Já agora, porque é que perdeu?

  4. 4 4  Sei da Relva

    As razões por detrás dos votos são sempre obscuras. E por isso mesmo, as nossas interpretações sobre o fenómeno em geral dizem mais sobre nós proprios do que sobre a realidade.

    Dito isto, também eu gostaria de poder afirmar convictamente que a Igreja espanhola “perdeu”, mas inclino-me mais para a interpretação- trata-se disso mesmo, não de um facto- do “Jacobino”.

  5. 5 5  Fado Alexandrino

    Deceive boys with toys, but men with oaths
    Lysander

    Agora sei porque é que Paulo Bento é um incorrigível optimista.
    Ele vê, como Daniel Oliveira, o que mais ninguém vê.
    Ambos os partidos aumentaram cinco deputados, o PP ganhou Madrid e a maioria das províncias, aumentou 530 mil votos contra 154 mil do PSOE e Daniel Oliveira acha que o PSOE aumentou graças aos eleitores de esquerda.
    E o PP aumentou graças a que eleitores?
    Quanto à derrota da Igreja não consigo perceber onde é que está?
    Pois se o partido que supostamente dizem apoiar melhorou em todas as vertentes.
    Só lhe faltou ganhar, mas nisso já estou como o treinador do Sporting que afirma que está em todas as frentes.

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    A nossa direita parece o PCP no passado: mesmo quando ganha perde. O objectivo do PP não era aumentar deputados, votos ou número de províncias em que ganhou (isto serve paa quê, exactamente?). Era vencer as eleições. E perdeu. O objectivo da ICAR era apear Zapatero. E perdeu. E depois eu é que vejo coisas onde não existem. A julgar por estes comentários Rajoy deve estar a festejar desde ontem à noite. As políticas de laicização da Espanha vão continuar. E é isso que a ICAR queria impedir. Não conseguiu.

  7. 7 7  Alvaro

    Correcão:
    BNG: 0,8% (0) -> BNG: 0,8% -2 (0)
    Cumprimentos

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    jacobino, o PSOE não tinha maioria absoluta.

  9. 9 9  Ana Matos Pires
  10. 10 10  jacobino

    tem razão, o PSOE não tinha maioria, mas o essencial mantém-se. em qualquer outro país, onde o nível de vida tivesse subido da maneira que subiu, não haveria grandes dúvidas sobre uma eventual maioria. durante estes quatro anos, todos os indicadores económicos subiram (o desemprego, contudo, como é hábito em Espanha, nunca baixou), e a Espanha passou a 8ª economia mundial. Zapatero saiu, conforme tinha prometido, do Iraque, medida extremamente popular, como se viu. O único telhado de vidro de Zapatero foi a luta contra a ETA, cujos resultados até nem foram substancialmente diferentes de outros. Deu grande margem de manobra às autonomias regionais, o que lhe granjeou real apoio dessas populações, ao mesmo tempo que deixou isolados as formações nacionalistas, que foram practicamente pulverizadas, como se viu. Em qualquer outro sítio, Zapatero deveria ter tido mais 12 deputados para uma maioria. Se não o teve, creio sinceramente ter sido culpa da máquina da Igreja, que fez a questão dos casamentos entre homossexuais parecer mais importante do que realmente era, tirando, em última análise, a Zapatero uma mais do que esperada (e, permita-me, merecida) maioria.

  11. 11 11  Rui Fernandes

    A reacção enlouquecida da igreja espanhola é fruto do seu desespero, cada vez tem menos adeptos, vê as igrejas vazias/cheias de velhos. Deve ser frustrante para os bispos espanhois depois de 4 anos de acção política directa e dia a dia e de forma massiva, manifestações, misturando o vaticano pelo meio, etc, ver que o maximo que conseguem é “ajudar” o pp`a aumentar em uma meia duzia o numeor de postos com relaçao ao resultado desastroso de 4 anos atrás. Sejamos sinceros a derrota é total e eles sabem. E é provavel que isso aumente ainda mais o desespero. Uma das grandes burradas da direita e dos bispos foi achar que aumento a parada isso lhes favorecia. Erro crasso. A crispação reduz a abstençao da esquerda socialista e aumenta os seus votos. A direita espanhola perde sempre se a esquerda vai a votos, ganha se não vai já que os seus votantes são muito mais constantes. Com a loucura dos bispos talvez os populares tenham ganho meia duzia de votos de algum puritano socialista mas perdeu porque ganhou os votos em contra da massa socialista tendencialmente abstencionista. Repara que o nivel de votaçao foi proximo daquele verificado depois do 11m em um momento que nao era comparavel. Ainda para colmo desperdiçou uma parte importante da populaçao espanhola que sao os catalaes e que elegem muitos deputados, apenas para ganhar mais meia duzia de anti-catalaes no resto de espanha. Para a proxima se houver alguem que saiba ler estes resultados no partido popular pedira aos seus mais moderaçao e aos bisbos que se calem.

  12. 12 12  The Studio

    O Jacobino tem uma certa razão, só se esqueceu que os créditos referentes à melhoria dos indicadores económicos devem ser dados… a Aznar. As políticas económicas não têm efeitos imediatos, mas sim a médio longo prazo.

    Quanto à retirada do Iraque é tão irresponsável como a invasão do Iraque. Como é evidente, neste momento as tropas ocidentais não podem abandonar o Iraque por muita que seja a vontade dos seus governos.

  13. 13 13  Tiago

    A igreja perdeu (felizmente) pelo simples facto que o PSOE agora está de mãos completamente livres. São 4 anos em que podem continuar com uma agenda liberal e a minar os previlégios franquistas da ICAR: Não há que ter medo, a ICAR usou uma “bomba nuclear” e mesmo assim ganhámos. Mais dano do que (tentaram) fazer nunca conseguirão.

    Mais do que nunca é altura acabar com previlégios para machos e com o brain washing de crianças suportado pelo estado no sistema educativo.

  14. 14 14  jacobino

    the studio, é verdade que grande parte dos indicadores tem origem nas políticas de Aznar, mas quem vota, não vota a pensar em quem iniciou o ciclo económico; quem está no poder reclama-se sempre como sendo o responsável pelo sucesso. foi assim no tempo de guterres, que também aproveitou o fim de um ciclo. diz-se que o ciclo vai iniciar a descida: não sei, talvez. o que é facto é que as pessoas associam sempre o bem-estar económico ao poder vigente. o que não podemos de modo algum dissociar de Zapatero é a subida em 30% do ordenado mínimo e das pensões mais baixas, e esse indicador económico é mérito exclusivo de Zapatero

  15. 15 15  Sebastião José

    Andam a dizer que o PP perdeu mas por pouco ou, que o PSOE ganhou mas por pouco. Faz-me lembrar a eleição de Cavaco Silva, ganhou mas por pouco ou, a esquerda perdeu as presidenciais mas por poucaxinho. A verdade é que o PP perdeu e mais nada! O PSOE ganhou e é quem vai governar!

    A Igreja não concorreu às eleições tanto quanto me foi dado a perceber, logo não ganhou nem perdeu. Há muito católico que votou PSOE e muito não-católico que votou PP. A esquerda dizer como você diz, que a Igreja perdeu ou a direita dizer que nem tanto assim, não é mais do que o seu “wishful thinking” e o deles. Ela continuará a ter a influência que sempre teve em Espanha e não será o Zapatero a alterar isto. Pode tirar regalias, agora tirar a influência que tem duvido.

  16. 16 16  Manuel Silva

    A este post chamo ‘assobiar para o lado’
    Sendo o Daniel Oliveira militante bloquista, seria natural que tivesse uma palavra a dizer sobre a derrota estrondosa da Izquierda Unida, o partido homólogo do Bloco de Esquerda. Mas por certo lhé dá mais jeito não o fazer…

  17. 17 17  Daniel Oliveira

    Manuel Silva, não me deve costumar ler. Se me costumasse saberia que nunca escondi a minha simpatia por Zapatero. Estou contente com o seu resultado eleitoral. Não assubio para o lado. Repito apenas o que sempre escrevi.

    Se fosse espanhol o mais provável seria dar o meu voto, mesmo que crítico, ao PSOE. Sabe que a realidade política dos países não é a mesma. Em Itália seguramente votaria Refundação Comunista, com boas relações com o BE, na Holanda votaria Partido Socialista, também com boas relações com o BE. Mas em França, por exemplo, muito dificilmente votaria na LCR. As minhas preferências políticas não dependem das relações externas do BE, que seguem, e bem, outros critérios.

  18. 18 18  Igor Caldeira

    Interessante a queda da ERC. Interessante, porque merecida.

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