Vi, na TVE, o debate entre Zapatero e Rajoy, ganho, sem qualquer dúvida (as sondagens confirmam), pelo líder socialista. Apesar de se repetir ali um mal que aqui encontramos - o enumerar de uma interminável lista de propostas avulsas e consensuais que substituem o debate político mais profundo - não podemos deixar de ficar deprimidos se fizermos comparações. Não falo, claro, de comparações entre Rajoy e Luís Filipe Menezes. Por respeito pelo comparado, não se compara nada com Menezes. Mas se compararmos Sócrates a Zapatero também não ficamos animados.
Comparações à parte, e regressando a Espanha, Zapatero ficou hoje mais próximo da vitória. O discurso de Rajoy sobre a imigração ultrapassa o aceitável numa direita que se queira civilizada. Sobre a comportamento do governo em relação à ETA, a demagogia é absoluta. Talvez funcione a favor de Rajoy. Em relação ao Iraque (lá é tema) foi Zapatero que brilhou com facilidade. Na economia, o PP vende uma receita que não pega: o que é bom é herança, o que é mau é de Zapatero. Num debate com demasiados gráficos e números, demasiados pormenores e temas, Zapatero ganhou por ser menos agressivo e por ter qualquer coisa para dizer sobre o futuro, o que não parece ser o caso de Rajoy. A declaração final de Rajoy tentou ser emotiva mas soou mal. A de Zapatero foi mais eficaz.
Aqui o debate completo.
Por Daniel Oliveira 4 Mar 08 em Espanha


Daniel, não se esqueça que partido “irmão” do Bloco de Esquerda na Espanha é a “Izquierda Unida” e não o PSOE!
Eu se fosse espanhol votaria PSOE, mas eu também não sou militante do BE como você.
Justicialista, eu não sei em quem votaria se fosse espanhol. Até talvez dependesse de que parte de Espanha era. Ainda assim, nunca escondi que a minha simpatia por Zapatero é proporcional à minha antipatia por Sócrates. De resto, uma coisa são as relações internacionais dos partidos, outras são as opiniões individuais de cada um. Não tenho acompanhado muito a IU. Por isso não sei como seria o meu voto.
Realmente a Izquierda Unida está mesmo em risco de desaparecer. A esquerda concentra-se toda no PSOE. É que lá o PSOE é realmente de esquerda, não deixando espaço nenhum à IU, e na Galiza o BNG também perde influência para o PSOE. Em Portugal só com o PS que virou à direita sem vergonha e sem medos, é que o PCP e o BE ganham força e influência.
De resto Daniel, tem de admitir que o seu apoio a Obama e a simpatia por Zapatero, demonstram que não é tão extremista de esquerda como o pintam.
Justicialista, eu nunca fui extremista. Sou, há muitos anos (antes do BE nascer) um social-democrata de esquerda. Só que em Portugal, o espaço de um social-democrata não é seguramente no PS e não é, como é evidente, no PCP. Mesmo que em minoria, fico vem no BE.
realmente fico “surpreso” que o Daniel ache que foi o zapatero…estou “espantado”…
A declaração final de Rajoy tentou ser emotiva mas suou mal.
De Espanha só gosto das espanholas e do senhor Camacho.
Quanto ao debate qualquer bom desodorizante, anula o problema.
Suou ou soou?
“Suou mal” ? Gralha embraçosa sr. Daniel Oliveira
Fora isso, gosto muito de o ler.
Cumprimentos
O Rajoy é um paozinho sem sal…
E parece-me que o Zapatero vai ganhar de novo.
A declaração final de Rajoy tentou ser emotiva mas suou mal.
A declaração final de Rajoy foi uma repeição da mesma menina da final do primeiro debate, que o prejudicou desde logo, como disseram os comentadores, pelo que mostrava de falta de imaginação do “tio”, sempre tenso, sempre sério, zangado e invariavelmente agressivo.
Agora, já comparar Zapateroa o socrático, ó Daniel, só espanhol que não conheça ainda do nosso postiço. Que o Zapatero es un Señor, caramba. Que quando ri, vê-se que é sincero, sem aquele trejeito forçado do Sócrates, que ssó se não puder é que não te amesquinha e ofende.
Zapatero, no, pues Zapatero es un señor y un guapo caballero !
Todos os órgãos de comunicação espanhóis são unânimes em considerar Zapatero o vencedor do debate. Embora me reveja mais na IU, não consigo esconder simpatia por Zapatero… se Sócrates o admira tanto como é possível estar a anos-luz do homólogo espanhol? Quanto a Rajoy, não o considero um Aznar, mas parece-me que vestiu a máscara do extremismo conservador a que muitas vezes se chama “rigor” ou “ordem” ou seja o que for. A questão da imigração foi muito mal conduzida.. pareceu-me uma tentativa desesperada de unir a direita conservadora numa causa comum e resultou numa piada de muito mau gosto. Zapatero soube muito bem virar isso a seu favor, sem qualquer tipo de demagogia. Da questão do terrorismo nem vou falar e cito Zapatero quando diz que é imoral usar essa questão como tema de campanha.
um pequeno post-scriptum Daniel: queria dizer “suou” ou “soou”.. é que, se realmente foi um trocadilho foi muito bem conseguido.
“soou” em vez de “suou”
ganhou o Zapatero!?
tudo se decide na TV.
para quê votar então? e apenas uma vez?
com a televisão interactiva podemos “votar” a qualquer hora, sobre qualquer assunto.
Porquê então a importância dos directórios partidários?
Daniel, é “soar mal” e não “suar mal”. Lamento,mas não para não ver.
Do que vi do debate, pareceu-me que Rajoy perdeu pontos às pazadas com populismos baratos.
O auge da lamechice foi atingido mesmo no final, com a estória da criancinha espanhola na qual ele pensava constantemente, a toda hora, ao longo de toda a campanha. Quem acabasse de sintonizar a TVE ou a Galicia pensaria estar perante um grupo de entreajuda para pedófilos em recuperação, não num debate político sério.
Daniel, eu também não acho que o BE ou que você sejam extremistas. Defendem coisas que fazem parte do “senso comum”. No entanto, muita gente gosta de associar ao BE ao extremismo. Em Portugal, defender que deve acabar o sigilo bancário, por ex., é uma proposta extremista.
Está corrigido. Obrigado a todos. Infelizmente não era um trocadilho.
Discordo de quase tudo o que disse, mas tem razão numa coisa:
Rajoy não tem projecto de futuro. Este PP é absolutamente esclerosado.
Cumprimentos.
Estou de acordo com a análise, Daniel. Zapatero parece-me um vencedor indiscutível, enquanto que Rajoy não passa de uma versão 2.0 de Paulo Portas, mas com os mesmos tiques fascistas, populistas e demagógicos.
Foi um excelente debate, já agora. Bem melhor do que temos visto em Portugal. É impressionante a preparação que os dois levaram para o debate.
É relativo considerar IU o análogo do BE já que também é o análogo do PCP, pois engloba o PCE. Mas é verdade que IU é mais parecida com o BE que com o PCP, e também que é mais parecida ao PCP que o BE…