Vale a pena acompanhar o debate entre Zé Neves, Rick Dangerous, João Rodrigues e Renato Carmo. Talvez ainda me atire para o moche. Ou talvez não, que a coisa já vai adiantada. O debate tem ramificações de links em que um gajo se perde. Alguém que se dê ao trabalho de fazer a cronologia, que eu não consigo. A discussão é mais ou menos sobre o Estado e a democracia. Coisa pouca, como vêem. Daquelas em que é difícil entrar em andamento. Mas vale a pena.
Já agora, parabéns ao Miguel Madeira pelos dois anos do Vento Sueste, que aqui destaquei há umas semanas como blogue da semana.
O Miguel teve a simpatia de fazer uma cronologia do debate. Dos dois debates, para ser mais preciso. Usei-a andando ainda um pouco mais para trás. Aliás, foi assim que descobri que um deles começou a partir da minha discussão com o Zé Neves e com o Pedro Magalhães sobre a Venezuela. Isto de facto é como as cerejas. A outra começou com um texto de Isabel do Carmo sobre o Serviço Nacional de Saúde no Le Monde Diplomatique.

Cá vai:
Uma Esquerda sem Heróis (Zero de Conduta)
Democracia e fractura (Arrastão)
Matámos os heróis, tudo bem. Mas e os líderes, deixamo-los andar por aí? (Zero de Conduta)
Chávez não é a minha via (Peão)
A Democracia, Tipologia de uma História? (Zero de Conduta)
Idealizar a democracia? Vamos a isso! (Peão)
Os Assessores do Ministério (Zero de Conduta)
O outro:
A quem serve o «bota-abaixo» do Serviço Nacional de Saúde (Isabel do Carmo)
Um bom debate (Ladrões de Bicicletas)
O Privado, o Público e o Comum (Zero de Conduta)
Bens Comuns (Ladrões de Bicicletas)
O outro movimento operário (Spectrum)
O outro debate político (Zero de Conduta)
Debate? (Peão)
Será o debate exequível? (Peão)
O post mais longo da história do ZdC, na esperança de notícias sobre uma greve geral que vai de Pequim até ao Vale do Ave (Zero de Conduta)
Agora vou tentar ler isto e se no fim ainda tiver tempo e alguma coisa para dizer talvez me junte à confusão
Publicado por Daniel Oliveira 6 de Dezembro de 2007 em Esquerda, Estado13 respostas to “Debate à esquerda (actualizado)”
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Obrigado.
O seu amigo Zé Neves é um anti-chavista confesso.Acho que ele gosta é dos ditadores puros e duros que não se dão a maçada de convocar referendos.E tambem é amigo de censurar os comentários que não lhe agradam
Entretanto, fiz aqui uma tentativa de cronologia do debate:
http://ventosueste.blogspot.com/2007/12/tentativa-de-cronologia-do-debate.html
Concordo com a expressão do James Petras não se pode contar com a “Whisky Esquerda”, nada contra o Whisky.
Francamente, parece-me que as discussões daqueles gajos são a conseqência de falta de namoradas(os) ou de outra qualquer coisa mais interessante que a história do pensamento económico.
E a des-cronologia:
http://obitoque.blogspot.com/2007/12/diz-que-disse.html
Também tenho acompanhado o debate e reconheço que neste momento é difícil entrar nele até porque já saltou à muito as fronteiras (também elas muito pouco estanques num debate deste tipo) o tema do estado e da democracia.
No entanto penso que chegou a um ponto que é identificável as questões levantadas sobre a ausência de propostas politicas concretas e objectivas apresentadas (sobretudo pelo João Rodrigues) a um modelo não estatizante na regulação das relações económicas e sociais. Num mundo todo ele institucionalizado pelo modelo sistémico e ideológico vigente num estado de desenvolvimento e aprofundamento sem paralelo, onde o processo de aculturação dos povos se faz à escala planetária não se torna plausível que sejam as mesmas receitas revolucionárias de à cem anos atrás sejam elas soluções para os novos paradigmas. Do ponto de vista da análise em muitos casos permanecem actualíssimas, com algumas diferenças de sujeito e conceito (o capitalismo industrial deixou de ser o principal explorador para ser agora o financeiro, a luta de classes aos olhos das classes assalariadas foi esvaziada pois a tercearização e especialização do trabalho, o aparecimento das classes médias, acesso a bens de consumo etc, etc, etc, dificulta a consciência de classe, a luta faz-se cada vez mais através do seu internacionalismo em vez das fronteiras nacionais, e poderíamos continuar). Claro que para quem se move dentro do modelo sistémico actual o debate e a argumentação torna-se menos difícil pois concentra-se em reformar, talvez por vezes até em encontrar formas originais e inovadoras de relação das estruturas, mas sempre com a matriz da super-estrutura existente, mais complicado é para quem pretende lutar contra ele, destruí-lo e ao mesmo tempo ter que mover-se nos corredores sombrios da pseudo-democraticidade, do direito e das legitimidades do modelo, do sistema e da ideologia. Sendo então o actual processo de construção social tão complexo comecemos talvez por democratizá-lo e descapiltalizá-lo. Como? Todos temos que pensar e, como estamos em época disso temos que inovar. O que é que isto quer dizer? Não sei, mas nos últimos tempos também ninguém o conseguiu nem os mais ou menos estatizantes. Mais que um programa de transição neste momento precisamos de um programa de comunicação.
Sobre a esta última questão em concreto penso que brevemente voltarei e voltaremos a ela.
Debates à Esquerda: Aqueles que veneram Chávez contra aqueles que apenas adoram Chávez (neste debate o Daniel Oliveira representa a ala direitista). Eu por mim também gosto do Chávez. Cada vez que aparece na televisão consegue fazer-me rir sempre. Depois do fuso horário de horas completas ser coisa de capitalista, ontem apareceu a imitar o presidente da Colômbia… genial. Força Chávez!
“Aqueles que veneram Chávez contra aqueles que apenas adoram Chávez (neste debate o Daniel Oliveira representa a ala direitista)”
Só por curiosidade - quem é a “ala esquerda” e a “ala direita”? Os que “veneram” ou os que “adoram”?