Alguns comentadores perguntam-se se não estarei a ir na onda da moda de ataque à ASAE? Até podem ter razão. É fácil gozar com quem se dedica a inspeccionar colheres de pau e empadas. E perguntam se não é importante haver um organismo que trate de cuidar do que comemos? É claro que é. Só tenho, na realidade, dois problemas com a ASAE: desigualdade de tratamento e excesso de zelo.
Ainda estou à espera de ver os senhores da ASAE a entrarem no McDonalds ou na Pizza Hut. Gostava de os ver a chatear o peixe graúdo. Por que até agora só têm metido com a sardinha e com o carapau. E, no entanto, é bem mais difícil sabermos o que se esconde num hambúrguer produzido industrialmente do que num arroz de cabidela. A porcaria caseira conhecemos nós.
Se tentarmos que tudo fique limpinho à nossa volta acabaremos a comer todos o mesmo. E isto tem consequências económicas. Quando as regras são em excesso os pequenos produtores vão à vida. Quando se proibiram os saudosos galheteiros acabou-se com a possibilidade de um bom restaurante tradicional ter azeite de um pequeno produtor local. Aumentaram-se os custos de produção sem que os riscos o justificassem. Aliás, a fúria normativa europeia que mede a maçã e legisla sobre tripas tem tido esta consequência: mandar borda fora os pequenos produtores. Além do risco de ficarmos todos a comer tão mal como os desgraçados da Europa do Norte, perdemos a pequena economia que, quando a coisa corre pior, é o que salva muitas famílias.
A vida não é segura. Corremos riscos quando vivemos. E corremos riscos quando comemos: o que não mata engorda, já diz o bom povo. Entre o mínimo de fiscalização das condições de higiene e segurança alimentar e a fúria da brigada da Bola de Berlim há um meio termo: o do bom senso. Deixem-nos por isso alguma badalhoqueice. Porque o excesso de saúde prejudica gravemente o prazer.
Por Daniel Oliveira 21 Dez 07 em Estado34 respostas ao post “Vamos salvar as bactérias”
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A ASAE pode ser acusada de excesso de zelo,quanto ao resto,limita~-se a aplicar a legislação em vigor.
Quem pode ganhar o prémio de associação mais incompetente do século é a ARESP, e do século passado.
Multa o cigano, mas os “industriais” da contrafacção continuam a passear de Ferrari entre Braga e o Porto.
e como alguém que vive perto da “europa do norte” mais precisamente em amsterdam, eu digo que não percebo essa fúria da ASAE e nem percebo que regras da “europa” são essas… por aqui não as vejo e ainda bem… mais, o que vejo é uma crescente valorização do saber cozinhar com productos do sul (sim porque comidinha de cá é de fugir…)… e não só, também productos biológicos
A ASAE pode andar com excesso de zelo mas ao fechar, por exemplo, a Jinjinha, já fez mais pela higiene que o “OMO” lava mais branco!
Há muita gente a mexer as tamanquinhas e a fazer o que deve.
Daniel, desculpe lá voltar á carga, mas deixe-me fazer dois comentários a algo que v. diz e não posso deixar passar em claro.
1. Pode gostar-se ou não da Pizza Hut ou do McDonald’s (pessoalmente, só lá vou em último caso) mas a comida é confeccionada sob normas, de higiene, composição dos produtos e outras, extremamente rigorosas e iguais em todo o mundo. Exactamente porque as grandes cadeias internacionais, muito contestadas mas pouco conhecidas no seu modelo de funcionamento, não se podem dar ao “luxo” de terem problemas, como é fácil de calcular. Já imaginou o que seria uma intoxicação alimentar num desses restaurantes? A repercussão internacional que teria e as perdas associadas? Estou certo que esse conhecimento contribui para que a ASAE, nas suas prioridades, não as tenha em conta: se lá fosse, pouco iria encontrar para actuar. Repito, não gosto da comida, mas isso não significa que seja prejudicial à saúde (a não ser do ponto de vista dietético - e mesmo assim esforçaram-se com as saladas - mas isso é outra conversa)
2. Quanto ao azeite do pequeno produtor. Não conheço tão bem o sector como conheço o do vinho, muito associado. Mas essa história parece-me ipsis verbis ligada ao mito do “vinho do lavrador” como vinho de qualidade e não adulterado. Hoje em dia, fazer vinho de qualidade exige investigação científica, grandes cuidados na vinha que vão, por vezes, ao extremo da rega “gota a gota” e da vindima de noite, tecnologia de frio e de inox, barricas de madeira de boa qualidade (são mtº caras), etc, etc. E isto não é só para fazer vinhos de 100 euros por garrafa, mas para os que se vendem a 3 e 5 euros e têm qualidade (há vários). Como vê, algo que não está ao alcance do pequeno produtor local, mtªas vezes sem recursos e formação.Falo-lhe do que conheço bem e no azeite as coisas não serão muito diferentes.
Cumprimentos e Bom Natal
Para além do exposto, segundo um médico meu amigo, corremos o grave risco de morrer saudáveis.
Tem toda a razão, Daniel, mas a ASAE não tem culpa das leis que lhe compete aplicar. Mesmo no que respeita a discriminação entre os pequenos estabelecimentos e as grandes cadeias de junk food, iria jurar que ela começa ao nível da própria lei.
-O grupo Auchan ou o Intermarché é peixe miudo? Ir a Fátima nas vésperas do 13 de Outubro? Bem sei que não inspecionaram nada pertencente á I.C., mas em Fátima, tudo directa ou indirectamente vai lá dar. Há manifestamente um excesso de protagonismo por parte da ASAE, mas cabe ás associações de sector, por exemplo a ARESP, fazer valer os seus direitos, e julgo que na questão do azeite, poderiam ter feito mais.
Concordo plenamente com este post! Está na altura de se começar a pôr um travão nesta fúria normativa europeia antes que comecemos a viver à base de iogurtes. E se a legislação em vigor está a ir longe demais em alguns aspectos, então altera-se. Por incrivel que possa parecer, convivermos com um pouco mais de bactérias ainda nos pode vir a salvar a vida um dia desses…
«Ainda estou à espera de ver os senhores da ASAE a entrarem no McDonalds ou na Pizza Hut. Gostava de os ver a chatear o peixe graúdo»
Só porque a TVI não está lá a fazer um directo, presume-se automaticamente que nunca fizeram?
Daniel,
Não existe tal coisa como excesso de zelo. O que pode haver é falta dele no legislador, falta dele no eleitor, em todo lado menos naquele que faz. Esse que o faça com todo o zelo e empenho que bem bastam todos os outros calões e emplastros.
O que a ASAE faz não é fiscalizar os estabelecimentos com baratas e ratos, se fosse assim estava tudo bem.
Portugal não tem luxos para existir esta ASAE, é absolutamente ridículo, como se não houvesse coisas suficientes para nos preocupar vêm estes tontos de merda dizer “ah, e tal, assim não pode ser” quando ainda estamos a tentar perceber qual é este “ser” em nós. Haja paciência.
Paternalismos a esta altura? A única coisa certa que temos é este porreirismo auto-confiante e de confiança, o “vá por mim que vai bem”, tirem-nos isso tirem que depois dizemos onde hão-de enfiar a colher de pau.
É que só nos faltava esta.
Essa norma do azeite vem impedir que muitos restaurantes poupem dinheiro a fazer misturas de óleos vegetais no azeite. O Director da ASAE disse (no Expresso da Meia Noite da semana passada) que fiscalizam empresas embaladoras de óleos e azeite, dado também haver adulterações no processo industrial de embalagem.
As colheres de pau não são muito higiénicas, dado que a madeira apodrece. Devem, por isso, ser feitas de materiais inertes.
Eu sou um adepto de comida tradicional, e espero bom senso da ASAE na execução das suas fiscalizações. Há que punir os abusos.
Mas no meio de isto tudo não nos tirem do que de melhor há no nosso país!
Infelizmente penso que a malta da Fast Food cumpre as normas. Espero é que no futuro não se associe a higienização e a segurança alimentar à comida de plástico.
Boas Festas (de preferência bem regadas e bem comidas).
Não esquecer que na 2º Guerra Mundial morreram mais americanos de infecções do que de balas. Porquê? Porque vinham todos desinfectadinhos das comidas e ambientes fiscalizados pelas ‘ASAES?s lá dos States.
Ah pois!
Quando se proibiram os saudosos galheteiros, finalmente o consumidor soube que estava a consumir um Azeite Virgem Extra, e não um Azeite Virgem ou uma mistura de azeites do produtor local, já para não falar na mistura de azeite com Óleo do Minipreço ou Auchan (muito mais habitual que o que se possa pensar).
Quanto aos grandes escolhidos para atingir , a McDonalds ou a Pizza Hut, devia ter mais cuidado. A McDonalds já tinha sistema de controlo de qualidade alimentar, muito pŕoximo ao actual HACCP implementado (penso que décadas de 60/70), muito antes de alguém pensar em tornar obrigatório o seu uso.
Para finalizar, se pensasse bem de onde podem vir as bactérias que costumam aparecer nas cozinhas de alguns restaurantes/tascos/bares/outros decerto pensaria duas vezes antes de as querer salvar.
Danial:
Eu tambem tenho o “corporate” complex.
Mas uma coisa lhe digo, compare os espaços e as normas a e o controlo a que estão sujeitpo esses estabelecimentos de que falou com os tipico restaurante “tuga” e depois veja se o que diz é assim tão verdadeiro.
Você é jornalista, não me desapontou até agora, apesar das diferenças de opinião, não caia no “facil” juizo emotivo/ideologico.
Eu cá abomino o mau hábito inglês e irlandês de passar a louça por água e não por detergente. acho bem que tenham fechado a ginginha e que fechem outras casas onde copos são lavados com simples passagens por água.
ao menos no macdonalds, cuja comida é bem má, toda a gente usa luvas e redes de cabeça, sinto que não estão a fazer porcarias como mexer em dinheiro e na comida.
andar pelo restaurante a tossir para as mãos e a seguir ir mexer na comida não é só falta de um hábito de higiene é um sinal de falta de educação e de formação (se não lhes ensinaram em casa, alguém deve fazê-lo). tendencialmente a asae tem razão e falta fazer muito. vi um feirante danado por o terem multado por ter bens alimentares vários, numa caixa pousada no chão. ao menos com o azeite vedado melhora imenso a qualidade do azeite que nos servem, e passei a conseguir consumir o azeite em todos os restaurantes, coisa que dantes não acontecia pois não só era mau com defeitos vários como acidez exagerada e ranço como também era baptizado e misturado em garrafas que tanta vez deixavam muito a desejavar em termos de limpeza. em lado nenhum do mundo a falta de limpeza melhora a culinária. nos países do norte onde nem são muito asseados, a comida é má. não é por sermos porcos ee sujos que a comida melhora.
quanto ao morrer saudável, confesso que prefiro. é melhor do que morrer doente.
Depois há aqui uma grande falácia. Durante séculos as pessoas morreram devido a morrinhas muitas delas provocadas pela má qualidade de alimentos e pela sua má conservação. O que não mata, engorda não passa de conversa pois muitas dessas coisas vão matando. décadas de bactérias no bucho acumulam-se tão letalmente como mercúrio. e quem há-de negar que um cancro nos intestinos ou no estomago é bem pior do que uma alergiazinha ao pó?
Como alguém aqui já disse, se a ASAE fosse ao McD, provavelmente ia encontrar um espaço com normas muito _acima_ da lei. Preconceituoso é quem acha que o McD é um sitio porco e pouco higiénico. É o oposto disso: esterilizado ao extremo do mau gosto.
A ASAE é um BOM exemplo de como fazer as coisas: A lei é para todos e para cumprir à séria.
Num estado civilizado a lei é para cumprir. Se a lei está mal, não se fura, muda-se. (E eu concordo em absoluto que a “esterilização escandinava” do azeite é um exagero, mas é a lei que emana de uma directiva europeia… Não concordamos? É um problema político, vamos tentar mudá-la). Porque se dizemos que a “lei dos galheteiros” é para furar, então que moral é que temos para ir ter com o dono do mesmo restaurante que usa azeite “contrafeito” e dizer-lhe que pagar impostos e um dever legal? Ah… estou a ver, há leis para cumprir e outras que talvez não… “civismo”, sem dúvida.
Quanto ao exemplo de Amsterdão aqui dado é o típico caso de um complexo de inferioridade: Se os holandeses fazem é porque é bom. Vivi lá três anos, e sempre que disse às minhas visitas portuguesas para verem como são lavados os copos as reacções eram no mínimo nunca mais beber café e cerveja, até ao vómito. Funciona assim, para que saibam: Há um boião de água, com uma torneira a correr água para lá (no entanto a água é essencialmente estagnada)… bebes o café, a chavena é passada por essa água e reutilizada imediatamente. Um nojo. Se alguma vez forem a um bar ou café típico na Holanda, olhem para como eles lavam os copos e depois façam vocês mesmo o vosso juízo. Lá porque o povo X dito mais evoluído faz uma coisa de uma certa maneira não quer dizer que seja melhor que a nossa.
Bem, estou a gostar de ler tantos doutourados em bacteriologia, tudo fundamentado presumo.
Já o meu avô dizia que «boas tripas são as que ainda trazem um restinho»
«boas tripas são as que ainda trazem um restinho»
Mainada
Minhas ricas migas
Festas Felizes
Tomem lá um poema meu.
Mais vale um Beckett mal passado
ou um bitoque bem passado?
Mais vale um bitoque mal passado
ou um Beckett bem passado?
Bitoque de Beckett com batatas…
Bitoque de Beckett com batatas…
Bitoque de Beckett com batatas…
Alguém escreveu no balcão;
Higiene sim Bruxelas não!
Traga-me um godotnapo faz favor!
Poema escrito por Dandy em 2007.
Notoriamente a ASAE apenas reagiu porque pela primeira vez sente que (porque quase 15000 assinaturas de protesto na net é muito, muito mesmo) está a ser verdadeiramente posta em causa. E está a ser posta em causa porque a sua actuação percebida por muitos já ultrapassou o “que bom até que enfim àregras” para passar a se aquilo que é: uma actuação securitária cega em relação a regras já de si na sua grande parte absurdas. Vejamos:
1. O azeite dos galheteiros ou das pequenas unidades invilolávies é a lógica do cinto de castidade: se a ASAE quer fazer o seu trabalho que analise o azeite em si e não as barreiras à sua contaminação. É da vontade dos agentes económicos e da análise do poroduto que vem a segurança alimentar. Apenas proibir tudo o que não é produzido industrialmente é somente um pequeno prémio à indústria do azeite (o qual é envenenado porque apenas vai abrir a porta à concorrência externa, que entrará pelo preço e pelo poder económico, ao eliminar qualquer possibilidade concreta de prestígio do produto tradicional).
2. Não foram as grandes cadeias de fast-food que adoptaram as regras da ASAE antes de elas existirem. É a ASAE na sua interpretação fundamentalista de directivas já de si bacocas que segue a política de regulação da segurança alimentar das cadeias de fast-food. A qual existe não porque o bjecto final é a segurança alimentar, mas para que a possibilidade de controlo exista no seu máximo, de forma a controlar todos os custos. Se não, uma pergunta: uma refeição de fast-food é mais saudável que uma refeição tradicional? e outra pergunta: é a suposta contaminação bacteriológica ao ser evitada pelo fast-food que vai dar qualidade aos alimentos processados?
3. A ASAE, ao seguir regras decorrentes da lei, mas principalmente pela sua cegueira em se auto-justificar que conduz a uma aplicação absurda do seu ideal do mundo industrializado, construiu um edifício de controlo que só serve às grandes unidades de restauração num mundo globalizado sem lugar para qualquer forma de localismo que fome valor. O número de normas que aplica, o tipo de normas, a má educação, agressividade e falta de qualquer respeito pelos cidadãos, apenas ilustram aquilo que a ASAE é: mais uma polícia (que não precisamos), mais um ataque à pequena e autónoma iniciativa privada, masi um insulto à nossa qualidade de vida.
Resumindo, quem quer viver a comer fast-food ou comida de fusão que o faça, agora não utilize a segurança alimentar, porque não possui bases científicas, nem económicas.
Por Portugal (da boa comida, da boa bebida, da boa vida e da saúde daí decorrente) acabem com a ASAE e criem não uma polícia alimentar mas uma verdadeira Agência de apoio à restauração. Para bem de todos.
Já tudo foi dito, ficando claro que a legislação aplicada pela ASAE não é inofensiva. Mas, só para dar um exemplo de como as coisas mais óbvias nem sempre o são, deixo aqui algumas informações.
Lembram-se daquele caso da exploração pecuária onde os animais morriam à fome e outros se amontoavam já mortos? Foi alvo de um engraçado comentário aqui no “Arrastão” e chocou todos aqueles que ainda tem um mínimo de sentimentos. No entanto, tomem lá isto: as fábricas de rações exigem pagamento imediato, enquanto os matadouros pagam a 60 dias; é proibido enterrar animais mortos, sem a avaliação de uma autoridade sanitária; se essa autoridade não se puder deslocar ao local, o animal tem que ser transportado até ela às custas do produtor; a transporte do animal morto, tem que ser feito, obrigatoriamente, em veículo refrigerado.
Não me venham dizer que os autores destas normas não se aperceberam das suas consequências económicas (para os pequenos produtores). Sobretudo, não me venham dizer que tudo isto não podia ser completamente diferente.
O facto de haver uma entidade a cumprir efectivamente o que está estipulado a nível Europeu, não devia causar tanto desagrado na comunidade que irá, em príncipio, usufruir destas medidas.
Certamente discordo de algumas regras, mas não da atitude da ASAE. São as primeiras que são “excessivas”. Nesse aspecto estamos plenamente de acordo quanto à excessiva regulamentação, a nível europeu.
Não existe perseguição só existe a gestão de riscos potenciais (decerto nunca viu o McDonalds a “dar” intoxicações alimentares a meia centena de crianças!).
Cumprimentos
Quais normas Europeias? a nivel da restauração nem sequer falamos de leis nacionais, grande parte delas são regulamentos municipais.
Portugal tem em muitos campos das legislaçoes mais avançadas do mundo i.e lei do ruido, que são totalmente irrealistas e impraticáveis.
A nivel da restauração temos de longe os estabelecimentos mais asseados do mundo, o problema é que muitas das regulamentações são pura e simplesmente paranóia aguda, e caça à multa.
O problema é o excesso de zelo,mas radica nos ditames de Bruxelas.Sao directivas eleboradas por gente que não respeita as tradiçoes culturais e gastronómicas dos povos de sul,neste caso.È gente que não sabe saborear um excelente rissol de camarão feito pela Tia Joaquina que o vende no café lá do bairro;é gente que não tem paladar para uns excelentes enchidos de Arganil ou de Barrancos;é gente demasiado asséptica,demasiado preocupada em fazer a vida negra aos outros,num novo fascismo que impôe aquilo que devemos comer e se nos devemos ou não “matar” pelo prazer da descontracçao de um cigarro.Um dia isto acaba mal…
Na sua edição de 17 de Dezembro, o “Público” incluiu uma entrevista à senhora Catherine Geslain Lanéelle, directora da EFSA (Autoridade Europeia de Segurança Alimentar). Logo no início, o jornalista interrogou-a sobre as reacções que se estão a verificar contra o que chamou de “obsessão higiénica”. A resposta da senhora parece-me dizer tudo sobre essa ideia de que nos limitamos a cumprir as directivas europeias: “A questão que coloca prende-se mais com as formas de controlo alimentar que se desenvolveram nos diversos países, ou seja, com a gestão do risco, que não se inscreve nas minhas competências”.
O que está em causa é mesmo uma “especificidade portuguesa”, na linha do mito do “bom aluno”: aquele puto graxista que passa a vida a tentar obter os favores dos profs.
Imaginemos que de repente vem uma entidade dizer-me :” ah e tal, tu podias ser melhor, e não deves ser assim e assado porque não sei quê.”
Se me provarem que o meu “assim e assado” está errado eu contemplo uma reunião.
O que eu odeio, odeio de morte são paternalismos pseudos que nem sequer dá para levar a sério.
Que estudos são esses? Porque foram feitos? Poruqe não me perguntaram? Porque tenho eu de obedecer a isso?
Recuso-me.
E repito, o nosso país não tem espaço para esta ASAE.
É absurdo(a).
Honra lhe seja feita. Daniel Oliveira tem a coragem de confessar ser adepto da badalhoquice, uma bactéria que se desenvolveu entre a classe dirigente (política e empresarial), que não se cansa de empurrar sistematicamente este país para a cauda da Europa, seja uma Europa a treze, a quinze, a vinte e sete, ou a cinquenta, quando a houver.
O comentário continua no meu blogue http://abrasivo.blogs.sapo.pt
À de Moura Pina
Esta actuação das autoridades, como da GNR, ASAE, etc…, está inserida na caça à coima, já que o Estado não consegue com facilidade reduzir a despesa e no que concerne à receita, a coima, multas, etc…, são os meios de financiamento mais eficazes, para pagar o folar a esta gente, que se fôr preciso nos leva o couro e o cabelo, em suma, somos escalpados:
FOLAR PARA A GNR
-
A trabalhar para a dama
ou pode ser que eu erre
pára choques com lama
condutor levou à G.N.R.!
-
E o agente da autoridade
deu voltas a uma viatura
que no campo, na cidade
tudo leva a uma criatura!
-
O condutor, diz exaltado
como não pode ter lama
s’o piso estava molhado
com chuvadas de fama!
-
pensando nessa asneira
do agente d’autoridade
ele partiu p’ra Albufeira
e disse com notoriedade:
-
o agente que me autuou
se comigo quer brincar
minha razão não a dou
ele que vá é já passear!
-
diz-lhe a agente ofendida
Com o seu orgulho ferido
fala duma pessoa querida
a que amo,o meu marido!
-
E ele viu naquela cidade
onde outrora a asneira
fez cair a boa sociedade
qu’era de igual maneira!
-
Temos que pagar o folar
a agentes de autoridade
qu’a receita não vai dar
Autuam com sagacidade!
-
Se não chora, não mama
não tem o folar, o agente
não ando e limpo a lama
que trabalho, boa gente!?
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Pisco