
A mesma Comissão Europeia que abriu dois processos contra a permanência de uma golden share do Estado português na EDP e na PT, recusando-se a reconhecer o interesse público dos dois sectores, aceita agora com simpática bonomia a nacionalização de bancos e seguradoras no espaço europeu. Mais esclarecedor, para quem abriu esses processos na suposta defesa da “livre concorrência”, é o silêncio sobre a completa distorção da mesma causada pela existência de países, como a Irlanda, Grécia e Alemanha, que asseguram os depósitos bancários a 100%. Está bom de ver que o problema nunca foi a defesa da competição, mas antes a imposição de um modelo liberalizador da economia no qual o Estado tinha que estar de fora de todos os sectores estratégicos. Até ao momento em que só o Estado pode bancar os prejuízos privados.
Por Pedro Sales 6 Out 08 em estes liberais são uns brincalhões


Tens alternativa? Deixar os bancos ir ao fundo com as poupanças das pessoas?
Neste momento estas são as alternativas…
Prejuízos públicos, lucros privados.
Essa é que é essa…
Pedro Sales:
Alguma vez teve dúvidas que as decisões da UE não se regem pela coerência, mas pela ganância. Dizem que a UE não tem coesão política. E financeira, tem? A primeira coisa que fizeram foi reunir os 4 grandes para poderem decidir sem os impecilhos. E haverá alguma vez política concertada? Quando aparece um problema mais complicado, entra em vigor o regime de excepção.
O que se está a ver é que cada um vai resolver o “seu” problema. Mais uma vez se verifica, desde há muito tempo, que a preocupação da UE, não é o bem-estar dos povos, é sim o bem-estar das multinacionais. E, se sobrarem algumas migalhas, muito bem; se não sobrarem, os povos que paguem a crise, como vem sendo hábito,
“Prejuízos públicos, lucros privados.
Essa é que é essa…”
Sim. É o objectivo último do bom gestor privado: converter e maximizar os lucros, descartar os prejuízos.
Não me iludo: sei perfeitamente quem é que vai pagar esta “crise financeira”.
“ Tens alternativa? “
Herry ,
Tenho, claro que tenho…um delas é cercar um bom par de hectares de terreno com arame farpado e meter lá a comerem do que produzissem os Burrosos e afins.
Porquê??? O pacto de estabilidade é sagrado…tem de ser cumprido com um palmo de língua de fora, a crise financeira cada país por sim que se desenrasque.
A esta teoria de (união), chamaria eu que sou um trambolho…uma teoria de merd@
Não esquecer que nos Burrosos e afins, entram como é óbvio, o Teixeira das finanças e o pai do Magalhães, o Sócrates.
Pense por sim e, se calhar encontra algumas alternativas…quer mais uma??? Os pais da crise que colocaram as coisas aqui, começarem a receber de reforma, a reforma mínima. Que??? Cavaco por exemplo.
Espreite aqui…http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317016. Sabe o que faz agora??? É poeta, pintor e Monárquico.
Alternativas??? Ai não que não há…
Devia explicar melhor em que é que assegurar depósitos é contra a concorrência. Eles não asseguram só para determinados bancos, asseguram para todos. Nos casos citados-EDP e PT-é o estado a ajudar/influênciar determinada empresa em deterimento das suas concorrentes.
O interesse que os estados têm em dizer que asseguram os depósitos é não terem a vir que o fazer. A ideia é fazer com que as pessoas tenham confiança de que o seu $ está a salvo e portanto não vão a correr busca-lo ao banco exacerbando o problema de liquidez. A isto chama-se risco sistémico, o que deve ser evitado a todo o custo.
De facto, quem foi ganancioso deve ser penalizado, mas não se vão prejudicar 1000 para atingir 10. A economia de mercado tem destas coisas: umas crises de vez em quando, mas até ver é bem melhor do que qualquer dos outros regimes já experimentados.
Caro João Pedro,
Percebo bem por que é que se assegura os depósitos. Mas, assegurar os depósitos a 100%, se decidido à escala nacional, tem impacto na concorrência à escala europeia, podendo levar a massivas fugas de capital para os países que garantem a totalidade dos depósitos. Basta ver as queixas que a Inglaterra tem feito da Irlanda a propósito deste tema.
Isto só prova que a UE, tem tudo menos união.
Quando as crises começam é cada um por si.Os países da UE são principalmente concorrentes entre si, não são complementares.
Nada que me cause qualquer admiração. Ou que alguma vez me tenha causado. Só para quem olha para a superfície das coisas é que isto lhe pode causar admiração. O objectivo da UE é o objectivo das multinacionais. Só que o capitalismo tem muitas “variáveis”, muitas “torneirinhas” para afinar. E algumas, quando menos se espera, comessam a verter água. Malhas que o império tece, como diria Pessoa.
No meu comentário, na última linha, é obviamente começam.
Há! O verdadeiro problema é não termos de facto uma verdadeira união europeia, mas sim um grupo de países que cada um faz o que quer. Assim, o 1º caso com as empresas portuguesas está bem, o que está mal é não concertarem uma solução para esta crise entre todos os membros.
João Pedro:
Se é a mim que se refere, eu não disse isso.
Tal como nas pessoas, é nos momentos maus que vem ao de cima a verdadeira tendência. Quando está tudo bem, é tudo sorrisos e palavras bonitas. Mas em plena crise, vai-se o verniz e aparece a verdadeira índole. Foi isso que eu quis salientar.