Dois vencedores, os dois do lado republicano: McCain e Huckabee. McCain conseguiu, na prática, fechar a corrida. Mas vai ter um problema: o eleitorado conservador, que não confia nele, como indicam todas as sondagens e resultados. E é aí que entra o segundo vencedor da noite: Huckabee. Foi uma surpresa. Venceu em muitos dos estados do sul e arregimentou muitos dos eleitores mais conservadores republicanos, a começar pelos evangélicos. É o vice-presidente ideal para McCain e o namoro já começou.
No voto popular, McCain teve 40%, Romney 31% e Huckabee 21%. McCain terá acumulado 615 delegados (17 não eleitos), Romney 268 (9 não eleitos), Huckabee 169 delegados (3 não eleitos) e Paul 16 delegados. McCain vence em 9 Estados: Missouri, Califórnia, Arizona, Nova Iorque, Delaware, Connecticut, New Jersey, Oklahoma e Illinois. Romney vence em 6 Estados: Colorado, Minnesota, North Dakota, Utah, Massachussets e Alasca. Huckabee vence em 5 Estados: West Virginia, Georgia , Arkansas, Tennessee e Alabama.
No lado democrata, tudo em aberto, com vantagem para Hillary Clinton, sobretudo depois da vitória na Califórnia. Clinton manteve a vantagem mas a corrida continua. Venceu onde era suposto vencer. Teve vitórias importantes, como am Massachusetts (onde todas figuras, dos Kennedy a Kerry, apoiavam Obama) e na Califórnia (que elege a maioria dos delegados), mas não houve muito mais surpresas. O seu voto é o das mulheres e o dos Blue-collar worker. O das mulheres, por razões óbvias, o dos trabalhadores e dos mais pobres pela recordação dos tempos dourados de Bill Clinton.
Já Obama continuou o seu crescimento. Ganhou Estados a norte e a sul. Tem o voto dos independentes, dos jovens, dos republicanos e dos liberais, ao mesmo tempo. Tem o voto dos negros mas vence onde os democratas nunca sonharam eleger um negro. Com o voto de brancos sulistas. É mais forte onde os democratas são mais fracos.
No voto popular, o empate é quase absoluto: 49% dos votos para Hillary, 48% para Obama. Até à hora em que escrevo este post, Hillary tinha 825 delegados acumulados (193 dos quais superdelegados não eleitos), e Obama 732 (106 superdelegados). Qualquer um deles precisa de 2,025 delegados para ser nomeado. Como se vê, diferença reversível com aproximação de posições. A Califórnia decidirá se é maior ou não. Obama venceu em 13 Estados: Alasca, Missouri, Idaho, Colorado, Minnesota, Kansas, North Dakota, Utah, Alabama, Delaware, Connecticut, Illinois e Georgia. Hillary venceu em 8 Estados: Oklahoma, Massachussets, New Jersey, Arkansas, Tennessee, Nova Iorque, Arizona e Califórnia. A esta hora ainda não era claro quem tinha vencido no Novo México.
Falta fazer as contas a muitos dos delegados, sobretudo os da Califórnia cuja distribuição pode ser muito diferente do resultado. Essa foi de facto a vitória fundamental para McCain e Hillary que pode fazer toda diferença. Mas para os democratas tudo está em aberto. Até porque Obama tem pela frente alguns Estados que lhe são favoráveis. Os resultados de cada Estado estão nos posts em baixo. Alguns serão actualizados ao longo do dia. E falta o Novo México, em que Obama e Clinton estão empatados.
Por Daniel Oliveira 6 Fev 08 em EUA


Curiosamente, Obama venceu em todos os estados que elegeram os seus delegados através de caucuses.
A leitura pode ser outra, Obama vence nos Estados mais conservadores, porque este eleitorado não quer uma mulher na Presidência….
Aliás são praticamente os mesmos Estados onde o republicano mormon vence…….
McCain esse ‘herói’ da guerra… Usa no seu melhor…
Boa Semana
Corvo, viu os estados que ele ganhou? Não querem uma mulher e querem um negro???
Daniel Oliveira:
Estando sempre sujeito a que me diga que o “blog” é seu - e com razão - apesar disso deixo esta pergunta:
Não acha que é um exagero o espaço ocupado por este assunto? Em Portugal não se está a passar nada?
O assunto é importante? Claro que é. Eu também o acompanho.
Gostava que perdessem os “Republicanos”? Obviamente!
Oxalá que não, mas tenho um mau pressentimento.
Quem irá pelo lado “democrata”?
Agora, só pode ser ou uma mulher ou um negro.
Imagino como vai ser a campanha dos “republicanos”! É que isto passa-se nos E.U.
Numa coisa estou de acordo: há uma mudança, muito forte, principalmente na gente mais jovem.
O voto em Obama é já uma conquista significativa.
Mas temo que não dê para ganhar, quer nesta fase quer na outra.
Este é um dos casos em que gostaria de me enganar!
Mas também é verdade que os estados com mais reputação de racismo são também os com mais negros, e, provavelmente, nas primárias democratas são estes (mais os brancos não-racistas) que votam.
Ou seja, a vitória de Obama no Alabama, p.ex., talvez não signifique que os “rednecks” votaram Obama - provavelmente votaram Huckabee.
Se calhar….
Mas este entusiasmo, do Marcelo, do Vitorino, aqui do Daniel, pelo sr Obama, é no minimo de assinalar….
Todos os candidatos são candidatos do sistema, candidatos de lobies, por isso a diferença entre eles é muito mais de forma do que conteúdo….
Talvez em termos de politica interna possa haver diferenças, agora na politica externa, todos querem os USA, como a grande potência mundial, o policia do mundo.
Daniel, e que tal uma vista de olhos à campanha eleitoral em Espanha? aquilo é que vai uma animação com a Igreja Católica (Cadena Cope incluída) a fazer campanha à descarada pelo PP. Ainda por cima o PP usa “adereços” publicitários já vistos por aqui: http://www.tupropuestaen30segundos.com/
Obama vence nos Red States porque tem maior capacidade de penetração no eleitorado Independente e Republicano. Ainda não conseguiu ganhar a alma do Partido Democrata e por isso tem perdido algumas batalhas para Hillary Clinton. Mas não esqueçamos a enorme vantagem que esta detinha ainda há algumas semanas. Está tudo em aberto
Obama venceu no Connecticut, Missouri, Delaware e Illinois (estados de Mccain), Georgia, Alabama (estados de Huckabee). O facto de ser negro ainda não lhe retirou vitória alguma. Antes pelo contrário, como se viu nos estados do Sul.
Nos estados unidos o ódio a aversão a uma mulher no poder é superior ao de um negro no poder…
(p.s. só para provocar)
Clinton chorou e lá voltou a ganhar! De referir que o voto dos latinos foi fundamental para ganhar em NY e Califórnia.
Contudo nada esta decidido e continuo a acreditar que o Obama vai conseguir.
Resta-lhe agora continuar com a sua estratégia uma vez que me parece terá vantagem nos Estados que faltam disputar.
Stran, uma afirmação arriscada, tendo em conta que as mulheres tiveram direito a voto muito antes dos negros.
Isso é falso Daniel. Ao contrário da percepção popular, nos EUA os negros tiveram direito de voto primeiro que as mulheres.
1868 Fourteenth amendment ratified. Fifteenth amendment passes Congress, giving the vote to black men. Women petition to be included but are turned down. Formation of New England Woman Suffrage Association. In New Jersey, 172 women attempt to vote; their ballots are ignored. (http://dpsinfo.com/women/history/timeline.html)
Miguel: o voto branco, nesses estados, em Obama demonstra que não é assim.
José Silveira: as últimas mulheres a ter direito ao voto tiveram-o logo depois da Grande Guerra. Os últimos negros a ter direito ao voto tiveram-o nos anos 60. As coisas aconteceram em momentos diferentes, conforme os Estados.
Hillary vence tb na Samoa Americana, uma espécie de Figueiró dos Vinhos lá do sítio mas que tb conta
“Quem irá pelo lado “democrata”?
Agora, só pode ser ou uma mulher ou um negro.”
Penso que Mike Gravel ainda pode ser nomeado (claro, se nas prmárias que restam, tiver 80% em vez dos 0,0.. habituais)
Por mim acho que o blog esta muito bom
e que esta coisa das eleiçoes nos US sao afinal do interesse de todos porque hoje em dia quase nada se pode separar em termos de politica internacional. Quer queiramos ou nao acabamos todos por estar metidos nisso , em relaçao as eleiçoes serem mais disputadas pela Clinton e Obama , e verdade que ela e uma mulher e que ele e um negro, mas a verdade e que sao ambos dois seres humanos, pode simpatizar-se mais com um do que com outro por diferentes razoes mas e inegavel que ambos merecem respeito do ponto de vista da sua qualidade humana e isso parece-me o mais importante.
Daniel lê aqui neste forum o meu topic sobre o que se está a passar hoje nos media americanos onde tentam falsear os resultados:
http://www.horizontalrecords.com/forum/viewtopic.php?t=14048
o Obama ELEGEU MAIS delegados! ela apenas aparece à frente por causa dessa coisa ridicula e anti-democratica que sao os super-delegados
Obama 603 + 106
Hillary 590 + 193
http://www.cnn.com/ELECTION/2008/primaries/results/scorecard/#D
Antifa,
isso faz parte das regras do jogo. De qualquer modo, não é mais ridículo e anti-democrático do que a possibilidade (que por vezes se torna realidade, como aconteceu no Nevada), de um candidato ter mais de 50% dos votos e, devido ao método de distribuição, acabar com menos delegados do que o perdedor.
Daniel,
O voto é diferente de exercer o poder. Não fiz nenhum estudo mas gostaria de saber em percentagem quem ocupa mais cargos de poder: afro-americanos ou mulheres?
Embora deva confessar que foi mesmo só uma provocação, pois julgo que existe preconceituosos para todos os estilos. Esta questão embora interessante é pouco relevante para a escolha do presidente. Se fosse determinante julgo que os republicanos ganhariam, é que do lados deles encontrariam uma mulher afro-americana: a Rice! (um verdadeiro dois em um!!!)
Stran
Há por aqui muita verdade por demonstrar.
Olhe só por exemplo.
É dada a vitória de Obama no Missouri mas a verdade sendo esta uma é que ambos elegeram o mesmo número de deputados.
Agora vejamos o Alabama onde Obama ganhou mais dois deputados que Clinton (25/23) analisando os polls temos que nos white men 70% votaram Clinton e nos black men 89% votam Obama, por race as percentagens são 72 contra 84.
Se alguém disser que estas eleições não têm um carácter racial por favor esqueçam.
O discurso de Barack Obama tem um refrão. Yes we can. Obama pergunta se a América pode mudar e a assistência responde Yes we can. Obama quer saber se a América pode tudo e a sua plateia grita Yes we can. A melodia de Obama é ‘Yes we can’, cantada e musicada sobre as suas próprias palavras, de forma magistral, reconheça-se. Yes we can, diz a América de Barack, Yes we can. E eu percebo porquê.
Se JFK era louro de esperança, Obama é o preto no branco. Mas os dois são postos a par na análise mundial destas eleições americanas, por mais do que parecenças físicas ou até programáticas, embora sejam rios que entroncam da mesma nascente. Um lembra o outro pela aragem, não pela imagem. É no projecto esperança da mensagem de Obama que o mundo inteiro se revê e vê o Jonh forever young. É no afrontar (suave) de Barack ao situacionismo do compadrio político em Washington, que a América e o mundo querem ver um JFK. Hoje não há Vietname, mas há Iraque. Não há Nixon, mas há Bush. E, pior talvez, não há guerra fria mas há terrorismo internacional.
A informação global trouxe a Sala Oval para a nossa cozinha, lá se discute a economia mundial, lá se cortam as cenouras e as taxas de juro. No forno de lenha mais remoto deste país real, qualquer Zé ou Maria sabem que a América manda no petróleo lá fora e no preço das couves cá dentro, de uma forma ou de outra, mais coisa menos coisa. E nas guerras do mundo, também, que os netos já não vão morrer a Angola mas tombam no Afeganistão como os outros. E onde raio fica o Afeganistão, porra, não me dizem? É para lá de Borralheira de Orjais? Portugal e o mundo devem querer saber o que vai acontecer na América, porque povos como nós são a carne para o canhão da voz grossa de quem ganhar estas eleições. Somos dano colateral, caca de passarinho na lapela das negociações, por mais que Durão Barroso pareça ser da mesma altura que os outros três na fotografia de grupo. Somos úteis, porque inconsequentes.
Barack Obama parece ser mais alto nas ideias, mais desempoeirado na vontade, mais humanista na ambição. Parece culto, determinado, capaz. Parece até democrata, seja lá isso o que for. Parece. Apenas parece. Pode-se acreditar num homem assim? Yes we can. E acreditar nas suas ideias, pode-se? Yes we can. E sonhar com ele uma América diferente, um mundo diferente, de diálogo e soluções em vez de bombas e problemas, podemos? Yes we can. E podemos duvidar que isto tudo vai acontecer com ele na cadeira do poder mundial, se lá chegar? Yes we can. E podemos suspeitar que não há show business sem business e que o dinheiro ganha todas as eleições, independentemente do manequim humano que veste a farda da vitória? Infelizmente yes. Yes, we can. E por isso devemos cortar as pernas ao pensamento e baixar os braços que marcam presença na opinião, só para não correr riscos de novidade? Podemos dar-nos ao luxo de não acreditar na mudança para um mundo melhor, mesmo que ela se venha a revelar apenas um nadita melhor ou menos má? Não, não podemos. Um mundo em que Durão Barroso é nomeado para Nobel da Paz é um mundo perigoso nos valores políticos que persegue. Mais um Rambo não, por favor.
Daniel, tem que admitir que não estava à espera que o Obama fosse conseguir a maior parte do seu apoio entre os Republicanos, e Democratas conservadores das áreas rurais. Os bastiões do liberalismo na América, Califórnia (devido aos 70% dos hispânicos em Hillary), Nova Iorque (estado natal de Hillary) e Massachussetts votaram em bloco em Hillary.
Fado Alexandrino,
Por acaso julgo que o factor racial, embora presente, é marginal. Julgo que existe uma associação ao grupo em questão (negros e mulheres) e que esta associação preenche muitos headlines. Julgo que talvez exista uma diferença no discurso que apela mais a uma ou outra comunidade.
Talvez a única comunidade que tenha alguma questão racial seja a latina por se tratarem de comunidades rivais.
No entanto julgo que é marginal e a provar isso é o facto de mais de 70% do eleitorado democrata ficar tão satisfeito com Clinton como com Obama.
Se a questão racial fosse fundamental não existiria esta taxa de aceitação.