kosova_flag.jpg

Alguém me dê uma boa razão para a independência unilateral do Kosovo ser aceitável e a do País Basco, da Córsega ou da Catalunha não.


Sem respostas ao post “Precedente”  

  1. 1 1  sérgio_alj

    Já agora, independência para os albaneses da Croácia, para os albaneses da Bósnia, para os albaneses da Macedónia, para o Chipre do Norte, para a Galiza, para a Andaluzia, para os turcos da Alemanha, etc…
    Ah!!! e para a ilha da Madeira…

    [Responder]

  2. 2 2  Lino José

    Quanto a mim, a independência dos povos depende da vontade dos próprios povos.

    Se os kosovares, os catalães, os bascos, os madeirenses quiserem mesmo ser independentes, se fôr essa a sua vontade colectiva, nada mais há a fazer do que lhes dar a independência.

    No caso dos kosovares, o que eu não entendo é o finca pé da Rússia em ser contra a independência do Kosovo porque, básicamente, é assunto que não lhe diz mínimamente respeito.

    [Responder]

  3. 3 3  sarkozy

    por uma simples razão, não crível que, por exemplo, os bascos a queiram

    [Responder]

  4. 4 4  Miguel F. Carvalho

    ou da Madeira…

    [Responder]

  5. 5 5  Henrique Morais

    Talvez pelo facto de 90% da populaçao do kosovo ser albanesa e a favor da independencia, quando comparado com o pais basco por exemplo em que os independentistas nao chegam a 20%…. Nao sei muito sobre o assunto nem tenho uma opinaio clara e talvez esteja a dizer alguma asneira, mas parece-me a mim que estes factos fazem alguma diferença!

    [Responder]

  6. 6 6  Luís Lavoura

    Até há boas razões: a imensa maior parte dos habitantes do Kosovo são albaneses, enquanto que no País Vasco, Catalunha e Córsega os indígenas não serão muito mais do que metade da população.

    Mas uma questão que me cabe pôr é: por que é que no caso do Kosovo o Ocidente não só dialogou com, como de facto até apoiou os terroristas (do UÇK), e depois passa a vida a defender que jamais se deve negociar com terroristas?

    [Responder]

  7. 7 7  ABeja

    o pior mesmo será quando, depois deste precedente, as comunidades Sérvias do Kosovo quiserem ter um estatuto diferente, a Republica Serpska decidir abandonar a Bósnia ou a comunidade albanesa da macedónia fizer maior brio nas suas reivindicações territoriais… E já nem falo na forma discriminatória como os Albaneses tratam touras minorias.
    é tentar apagar a fogueira com gasolina.

    [Responder]

  8. 8 8  Toino

    Caro DO, acabei de tirar o chapéu na sua passagem, é destes post que eu gosto e admiro o DO, sim senhora, porquê o kosovo e não os outros muito bem, se não se importa voltei a colocar o chapéu.

    Os interesses falam mais alto DO, eles lá sabem, os tais que dizem que o HC é presidente do Perú.

    [Responder]

  9. 9 9  João André

    Não que sirva de muito, mas creio que a razão para tantos países apoiarem esta hipótese foram os crimes dos sérvios sobre os kosovars. Claro que assim que as bombas da NATO começaram a cair, os crimes viraram de direcção, mas serão estas as razões.

    Em termos muito práticos, foi porque os sérvios perderam.

    [Responder]

  10. 10 10  Sou eu, pá!

    Claro que não há!
    Só acrescentaria a Galiza no rol das nações sem estado…Não percebo porquê, mas esquecem-se sempre do que nos está mais próximo.
    Esta trapalhada da aventura da NATO nos Balcãs, parece que ainda está para “lavar e durar”.

    [Responder]

  11. 11 11  Patricia

    Boa razão não há nenhuma,mas que Bush está desejoso que eles declarem a independencia para ser logo o primeiro a reconhece-la está,sempre pode ser que lá deixem fazer uma prisão secreta.Vi numa manifestação pró-independencia muitos manifestantes com bandeiras dos EUA.

    [Responder]

  12. 12 12  party program

    uma boa razão para a cataunha não ser independente é que a maioria dos catalães não o deseja.

    [Responder]

  13. 13 13  Sebastião José

    Não consigo vislumbrar nenhuma boa razão. Talvez porque:

    Timor também é independente;
    Algum mundo quer que o Kosovo seja independente assim como quer que o Tibete também o seja;
    A França ou a Espanha não querem que a Córsega ou a Catalunha e o País Basco sejam independentes (como a Rússia e a Sérvia não querem que o Kososvo seja independente);
    Os corsos, os catalães e os bascos não queiram, de facto, ser independentes (à imagem dos madeirenses).

    Não sei! Mas também é-me indiferente o Kososvo ser independente ou não.

    [Responder]

  14. 14 14  João Vasco

    Concordo a 100% com o comentário do Lino José:

    «Quanto a mim, a independência dos povos depende da vontade dos próprios povos.»

    Qualquer povo: seja na Madeira, seja na Catalunha, seja no Kosovo.

    Aliás, pensava que o direito à auto-determinação estava consagrado, e que era uma conquista civilizacional.
    Não, claro que não pensava – mas pelo menos pensava que as pessoas civilizadas teriam vergonha na cara caso estivessem contra a auto-determinação de um povo.

    Quanto aos que dizem que «não [é] crível que, por exemplo, os bascos a queiram», resta perguntar porquê então a recusa do poder político em fazer um referendo que colocasse essa escolha ao povo em questão. Uma recusa expressiva dos eleitores dessa região desacreditaria e enfraqueceria os movimentos independentistas muito mais que muita repressão e abuso.

    Por fim, Luís Lavoura, essa duplicidade hipócrita faz algum sentido. Obviamente é completamente idiota a recusa de dialogar em contexto algum com terroristas, e ninguém com responsabilidade pensa de outra forma. Mas alguns consideram importante que se DIGA que não dialogam em caso algum com terroristas, pelo contributo que isso pode dar (será algum?) para diminuir as suas pretensões, fazendo os seus objectivos parecer inalcansáveis.
    Ou seja: há quem acredite que “é bom que os terroristas pensem que façam o que fizerem, nós não dialogaremos, para que isso desmotive a sua acção”. Parece-me uma estratégia disparatada – e em certo sentido hipócrita e pouco transparente – mas estou longe de ser especialista e saber até que ponto pode ter um impacto positivo.

    [Responder]

  15. 15 15  J.h

    “Quanto a mim, a independência dos povos depende da vontade dos próprios povos.”

    Está aqui, Daniel, a boa razão pedida.

    [Responder]

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Depreendo então que há aqui vários defensores de um referendo no País Basco, por exemplo.

    [Responder]

  17. 17 17  Henrique Morais

    Partir da argumentaçao que aqui foi deixada em alguns posts em que a comparaçao do pais basco com o kosovo foi infeliz, nao lhe permite depreender que estes sejam a favor do referendo.

    [Responder]

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Como podem saber o quer a maioria? A maioria representada no Parlamento do país basco é independentista ou pelo menos defende de uma autonomia reforçada. Ou os comentadores defendem o referendo (para saber o que quer a maioria) ou acham que a maioria é irrelevante para o debate. Decidam-se.

    [Responder]

  19. 19 19  viana

    “Quanto a mim, a independência dos povos depende da vontade dos próprios povos.”

    Como princípio, concordo. Mas na prática o assunto é bem mais complexo. Basta tentar definir independência e povo. Por exemplo, se os habitantes do Kosovo podem decidir sobre a sua independência da Sérvia, então porque não podem decidir sobre a sua independência da Kosovo todas as regiões, cidades e aldeias de maioria sérvia no Kosovo?…

    Não há respostas simples e fáceis nesta questão. Na prática, a defesa de “princípios” ou discutir na base de “razões” é inútil. Qualquer pessoa ou entidade colectiva (ex. povo) tem o direito de dizer e tentar fazer o que quiser. Se não tiver cuidado, se não assegurar previamente que o que pretende fazer tem mais consequências positivas do que negativas (em particular para si, mas também para outros afectados), então é irresponsável, e isso sim é que é para mim condenável, não o acto em si de se querer ser “independente”. E, obviamente, todos aqueles que apoiam actos irresponsáveis são igualmente condenáveis. Note-se, no entanto, que por vezes a omissão de acção é que irresponsável…

    Aplicado o anteriormente dito ao caso do Kosovo, acho que uma declaração (não o desejo) de independência no contexto actual é irresponsável, pois acontece em ruptura e sem negociação, ou seja, na prática sem acautelar a minimização dos aspectos negativos dessa “independência” para aqueles prejudicados por ela.

    [Responder]

  20. 20 20  Henrique Morais

    Os independentistas nao sao mioria. Os que querem mais poderes autonomos, se se for para ter uma equipa no mundial de futebol. So dependem do tribunal supremo em Madrid, nada mais. O que eles querem é ser como o Canada. Para fora vendem a imagem de Espanha e lucram todos, mas depois no seu “espirito socialista” nao querem pagar as contas da regios pobres do sul, que lhes garentem a mao de obra necessaria para a sua poderosa industria, refiro-me principalmente a Catalunha podendo incluir o pais basco. Já que se bate tanto no tema por estas bandas, é tudo uma questao economica e digo-o por conversas com catalaes que nao tem problemas em afirmar isto mesmo!!!

    [Responder]

  21. 21 21  baldassare

    “aindependência dos povos depende da vontade dos próprios povos.”
    Então, se os habitantes de Samora Correia quiserem ser independentes são e pronto…

    Para haver independência é preciso haver duas condições em simultâneo: serem efectivamente uma nação (com uma identidade e cultura próprias, língua ou dialecto, etc…) e a vontade popular, claro.

    No caso do País Basco, da Galiza e da Catalunha, são efectivamente nações, foram antigos reinos, têm uma língua própria (então os bascos…), uma cultura singular. Se são nações, falta a outra condição: a vontade popular, que é impedida de ser manifestada porque o referendo é proibido.

    O caso da Madeira é diferente… a Madeira nunca foi uma nação. Todos os madeirenses são descendentes de portugueses continentais, pois a ilha, quando foi ocupada, estava deserta. Não são um povo diferente, não têm uma cultura totalmente diferente da portuguesa, nem uma língua própria. São todos portugueses. Portanto, se a Madeira, mesmo com referendo, fôr independente, Samora Correia também pode ser independente, assim seja a vontade do povo samurai-correiense.

    A Madeira não é uma nação ocupada por outra nação. Faz parte de Portugal. O País Basco, Catalunha e Galiza são nações ocupadas por Castela, portanto não percebo porque é que não se dá liberdade de escolher a esses povos. O caso da córsega, não conheço…

    [Responder]

  22. 22 22  L.

    Os bombardeamentos da NATO não foram por causa de uns massacrezitos que por lá havia há uns anos?

    Também andam a matar os corsos?

    [Responder]

  23. 23 23  JonyBarz

    Eu no meio disto tudo so nao compreendo como é q uma comunidade de emigrantes albaneses, q foi até foi bem recebida (ensinava-se albanes, as ruas tinham os nomes traduzidos, etc?, q cresceu e se tornou maioritaria “expulsando” a população servia, pode querer revindicar uma parte do territorio do pais vizinho, so porque sim. Se o Kosovo for independente, será de esperar o mesmo na Amadora? Ou em Algeciras? No meio disto tudo, o simples facto de o territorio ser de outro país, nao conta? Com a independencia do Kosovo, nao se estaria a validar uma invasao? A criar um problema algo semelhante ao médio oriente? No fundo a abrir a caixa de pandora…

    [Responder]

  24. 24 24  Luis

    Eu sei da história da moura Sá (daí Samora de Sá moura), mas os naturais de Samora Correia são samorenses, como eu. E estamos muito bem no Ribatejo e em Portugal e perfeitamente integrados.

    Como o Kosovo, província da Sérvia, está muito bem na Sérvia. E vai ficar.

    [Responder]

  25. 25 25  Xico

    Talvez conhecer um pouco a história daquela zona e daqueles países.
    Recordar a limpeza étnica que foi feita naquela zona e mais a norte, após as duas guerras.
    Lembrar por exemplo a expulsão de alemães que viviam na europa central há séculos e que não conheciam outra Pátria.
    Lembrar por exemplo que a maior e mais bem sucedida empresa feita pelo homem foi o império romano.
    Que os povos sejam livres não significa que forçosamente tenham os seus quintais independentes e à mercê de quem lhes alugue por melhor preço o espaço…!

    [Responder]

  26. 26 26  Xico

    Que os seus quintais sejam alugados a quem queira apontar baterias contra os vizinhos???…

    [Responder]

  27. 27 27  Rui Fernandes

    Antes de mais sou completamente a favor de qualquer referendo no país basco ou onde quer que seja, se bem que acho que referendos separatistas (ou agregacionistas) deviam ser o mais espaçados no tempo sensatamente possível. Mas a diferença fundamental para a separação do Kosovo é histórica, vem da guerra de Kosovo, do regime de Milosevic, de Srebrenica. Depois existe a razão albanesa, não existe uma Albânia ao lado do país basco, nem de catalunha, etc. Agora a sério, concluir que por trás da maioria actual pírrica como diria Chávez do voto nacionalista no país basco ganharia o sim a separação é ingênuo. A razão principal para que não haja referendo (que não é o mesmo que não haja separação) é que o país basco possui um problema terrorista por resolver, e na opinião inclusive de muitos nacionalistas (o anterior presidente do PNV mais votado por exemplo) o fim de ETA deve preceder o referendo. No caso de Catalunha nem sequer os nacionalistas querem referendo! (talvez porque ainda achem que os catalães não estão maduros…) Alguém referiu a Galiza? Não me façam rir, ali o voto espanholista é maioria esmagadora e o partido mais votado é o PP espanhol.

    [Responder]

  28. 28 28  pedro oliveira

    Independentes em relação a quê?
    A Córsega, o País Vasco, a Catalunha independentes a seguir iam a correr pedir a integração na União Europeia, independentes, como, Daniel?

    [Responder]

  29. 29 29  Rui Fernandes

    Finalmente dizer que apesar de entender o desejo de kosovares de independência de uma sérvia férreamente nacionalista que sempre os desprezou, me flagela um pouco este alvorecer de nacionalismos por todo lado. Nazis russos, judeus racistas, árabes jihadistas, ucranianos que se partem, estônios contra estônios que afinal são russos, portugueses com bandeirinhas nas janelas (eu sei que não é a mesma coisa…)etc, etc. O próprio Milosevic e os sérvios que o apoiavam foi separatista antes que os eslovenos, croatas, bósnios etc. Foi ele o primeiro a entender que havia que optar pela grande sérvia, que aí estava a sua base de apoio e sobrevivência. Nesse infeliz sentido Zizek (esloveno) tem razão quando diz que Milosevic foi um visionário. Huntington depois escreveu o livro.

    [Responder]

  30. 30 30  Justicialista

    Das duas uma: ou o Kosovo tem a independência ou então integra-se na Albânia. Não faz sentido que um país maioriamente albanês e de maioria muçulmana continue na Sérvia que é uma outra nação e com outra religião.

    [Responder]

  31. 31 31  Pedro Sá

    Independência do Kosovo sim, mas negociada e sem humilhar a Sérvia.

    Uma solução que humilhe a Sérvia seria o pior dos cenários.

    [Responder]

  32. 32 32  JPT

    Há uma diferença importante. Os Bascos sempre viveram no país Basco, os cataães na Catalunha, etc. Os Albaneses estão no Kosovo ha relativamente pouco tempo, em termos históricos. Ou eu me engano muito ou a independência do Kosovo vai fazer mais pela xenofobia na Europa que todos os comícios da extrema-direita europeia junta. Há, a partir de agora, um excelente argumento para ser contra imigração. As zonas de maioria portuguesa no Luxemburgo podem exigir a independência?

    [Responder]

  33. 33 33  Luis

    E se os romenos decidirem imigrar em massa para Guimarães podem depois exigir a independência de Guimarães?

    Pela mesma falta de lógica, os samorenses podiam exigir a independência e integrarem-se em Marrocos. Pois se foi de lá que vieram os meus antepassados…ganham mas é juízo e não brinquem com coisas tão sérias.

    [Responder]

  34. 34 34  Asensio

    A razão parece ser aquela que o Pedro Oliveira apontou: A independência unilateral do Kosovo é aceitável porque a Sérvia (ainda) não pertence à União Europeia. Secessão dentro da UE é que não é tolerável (deve ter algo a ver com a distribuição dos fundos comunitários)

    Eu ingenuamente pergunto: porque é que o Curdistão, Chechénia, Ossétia do Sul e outras regiões russas, a minoria Tamil, o Chipre Turco, Cabinda, Tibete, Sahara Ocidental, etc. não têm direito à autodeterminação ou, pelo menos, a um seguimento político como o Kosovo?

    [Responder]

  35. 35 35  Rui Lima Costa

    Boa noite.
    Em primeiro lugar um esclarecimento ao Rui Fernandes, Srebrenica não é no kosovo. É na Bosnia. Portanto não pode comparar a guerra da Bosnia com a guerra no kosovo porque são acontecimentos distintos, com geneses completamente distintas, e se ler um pouco sobre a região vai compreender isso.
    Mas para aflorar o assunto, as guerras nos Balcãs (Eslovenia, Croacia e Bosnia) começaram com tensões étnicas no kosovo, que foram mal resolvidas por Milosevic, então ainda Presidente do Partido Comunista Sérvio, que era um dos componentes do Partido Comunista Jugoslavo. Dessas tensões mal resolvidas, Milosevic parte para uma conquista sucessiva do poder que origina as guerras dos Balcães. A da Bosnia foi sem duvida a mais sangrenta porque a Bosnia era um caldeirão etnico. Mas atenção porque nessa guerra sangrenta os massacres não são só da responsabilidade dos Servios em relação aos Muçulmanos. Em partes da guerra a própria Croacia, comandado por Tujman, ataca os Muçulmanos com o objectivo de conquistar territorio. Se temos o massacre de Srebrenica com culpa para as forças Bosno-Sérvias, temos a batalha, ou o massacre, de Mostar, com culpa para as forças Croatas.
    Mas não me alongando mais, sou absolutamente contra a independencia do kosovo. O kosovo é Sérvio, é lá a genese da sua nação. Naquele lugar já todos se venderam. Os Croatas aos Nazis, os Macedonos aos Italianos, os Albaneses a quem der mais dinheiro. Só os Servios não se vendem, tem coragem e principios.
    Já agora, se de repente imensos marroquinos forem viver para o Algarve, acham bem que daqui a 50 anos o Algarve seja Marrocos?

    [Responder]

  36. 36 36  Rui Fernandes

    Senhor Rui Lima Costa muito obrigado pelo seu esclarecimento de que Srebrenica está na Bósnia mas lamento desilusionar-lo dizendo que já o sabia. Eu e com certeza todos os demais comentadores deste post. Mas muito obrigado na mesma. Por outro lado acho que há alguma ingenuidade da sua parte em achar que Srebrenica nada teve que ver com a invasão do kosovo pela nato, e com a sua eventual separação de sérvia. E por fim o seu texto transpira todos os tais erros dos sérvios que é o de todos nacionalismos que tomam as nações como identidades supra-históricas. Fala de gênese de nações em terras onde os tais “genes” já quase lá não estavam. Considero um erro montar o cavalo de nacionalismos independentistas “porque sim” (admito que o caso kosovar não é exactamente “porque sim”) mas pior erro montar em cavalos nacionalistas ainda mais tarados simplesmente “porque não”.

    [Responder]

  37. 37 37  rivera

    Supor que os 90% de kosovares albaneses são o resultado de uma emigração moderna é o triunfo da mentira nacionalista sérvia (ou melhor, da génese nacional sérvia, que como todas as outras no século XIX e, principalmente, no século XX, criou os seus mitos fundadores). Os albaneses (e entre eles os Kosovares) são os descendentes directos (culturalmente e etnicamente) dos habitantes originais (ao tempo do Império Romano). Os sérvios são a reunião de algumas tribos invasoras eslavas (as que se reuniram culturalmente ao Império Bizantino). O argumento do Kosovo sérvio é o argumento da grande sérvia, que falha demograficamente e historicamente (seria supor que os pied noirs do maghreb colonial francês justificariam o teor francês do Tunísia francesa e só por que existiu Santo Agostinho culturamente seria justificado o domínio francês), falha porque (fora os números sérvios sem bases neutras) a maioria sempre foi albanesa, porque ninguém é emigrante na sua própria terra, porque as batalhas fundadoras do mito sérvio que teriam tido lugar no Kosovo não são mais do que isso: batalhas históricas longínquas. A realidade é um povo que fala a língua mais antiga dos Balcãs, tirando o grego, que sempre esteve lá, que foi massacrado e expulso pelos sérvios, deseja naturalmente a sua independência. A ligação do Kosovo à Sérvia só representa a possibilidade de um dia voltarem a estar, os habitantes de Pristina, na fronteira macedónia, abandonados à fome e ao frio (ou poior). A Sérvia permitiu (e a Croácia possivelmente enferma dos mesmos pecados, embora em medida menor) que em seu nome, sem que nenhuma opinião pública protestasse, com o seu apoio, mantendo ainda hoje a protecção aos criminosos, se efectuassem os maiores massacres a seguir à segunda guerra mundial. Falar da Sérvia como uma nação como as outras roça o negacionismo histórico, com a mesma honestidade intelectual de questionar se o holocausto existiu. À Sérvia falta reconhecer o que se fez em seu nome e julgar, ela própria, os seus criminosos. Sbernica não é no Kosovo. Mas os mesmos sérvios que estiveram em Sbernica estiveram no Kosovo e isso faz toda a diferença. E só mais uma questão: nunca foi reconhecido eleitoralmente o domínio espanhol do País Vasco, aliás sempre ganharam os votos partidos expressamente independentistas, nem nunca legalmente as vascongadas foram incluídas num estado unitário espanhol, portanto se em referendo o povo basco decidir ser independente (e nomeadamente num contexto da união europeia), é legal, justo e admíssivel. Resumindo, a independência do Kosovo devem da vontade do seu povo e ganhou urgência e determinação na fronteira com a macedónia quando milhares de Kosovares esperaram pelo Mundo ao frio e à fome.

    [Responder]

  38. 38 38  Rui Fernandes

    Deve-se ser rigoroso. Primeiro a maior parte da população de etnia albanesa do Kosovo actual é de emigração “recente” (pouco mais ou menos um século), mas ao contrário do Rui Lima Costa e do rivera, que mesmo estando em extremos opostos, buscam na história, que cada qual interpreta como quer e lhe convém, a justificação dos desejos dos povos, eu prefiro buscar e aceitar justificações no tempo mais presente. Os albano-kosovares de hoje não possuem menos direitos à dignidade por terem nascido de pais, avós ou bisavós de emigração “recente” ou longínqua, os direitos são dos homens não se herdam. Aí está a principal justificação dos anseios independentistas deles, na sua situação humanitária e não na história… Isto da história para reinvindicações políticas é conversa de fanáticos de genealogia. Por outra parte, rivera não é verdade que no país basco tenha sempre saído vitorioso com maioria o voto independentista, já que o voto nacionalista na vascongada e outras partes de espanha engloba independentistas e não independentistas, aliás muitos dos tais indenpendentistas são uma coisa ou outra em momentos diferentes da vida política ou de cada ano ou ao largo do dia. Já me cansei de ouvir Carod Rovira, apenas como exemplo mais caricato no caso dos catalães, a falar que quer ser chefe de estado para depois falar que quer catalunha como parte de uma federação ibérica… Mas já que falas dos gloriosos bascos contra o império romano seria curioso referir que por exemplo a inicios do século passado o nome de mulher mais comum no país basco era carmen, a maior parte dos bascos não sabia euskera nem queria saber e era apenas uma língua rural com forma escrita em construção ou ercente construção. Isto é antes da guerra civil espanhola, de Franco, etc. Depois pouco a pouco os nomes mais comuns começam a mudar e começam a aparecer no top as ainhoas, etc, ainda durante Franco e não por acaso. Outra curiosidade os primeiros terroristas da ETA eram da zona rural, falavam euskera desde várias gerações, e possuiam os dois apelidos bascos, com a democracia a coisa muda e começam a ser quase todos de zonas urbanas com apelidos mistos senão com os dois apelidos castelhanos, muitos filhos de emigrantes recentes do sul de espanha, ou de casamentos mistos, etc. Podem ser paenas curiosidades mas que são curtiosas são. A história é mais complicada do que em cada momento se pinta, os nacionalismos quase nunca estiveram ou estão sempre lá, se constroem eles mais os seus mitos, de pequenino se vai torcendo o pepino, e quando faz bom ou mau tempo conforme se olhe os pepinos florecem todos ou murcham. A história que se conta como religião política é quase sempre da carochinha.

    [Responder]

  39. 39 39  Rui Fernandes

    Uma nota (antes que algum engraçadinho se lembre de apontar supostas contradições, prefiro ser eu o engraçadinho). Quando disse no primeiro comentário: “Mas a diferença fundamental para a separação do Kosovo é histórica, vem da guerra de Kosovo, do regime de Milosevic, de Srebrenica.” Me referia a história recente, dos vivos e não só de mortos tataravôs de mortos, com todo respeito pelos mortos. Só esta história, a dos vivos e principalmente dos sobreviventes, deveria servir como justificação política do que quer que seja.

    [Responder]

  40. 40 40  José Fernandes

    Compartilho com o testemunho válido do Senhor Rui Costa. O massacre de Srebrenica, em Julho de 1995 foi motivado por diversos massacres levados a cabo por elementos da Jiade muçulmana, crentes provenientes de todo o médio oriente que viajaram até à Europa com a finalidade de semear o medo e o terror entre a comunidade Sérvia residente na Bósnia, numa guerra por eles idealizada, com o objectivo lunático de reconquistar a velha supremacia Otomana nos Balcãs. No meu entender são acontecimentos distintos, não aplaudo a posição dos lideres Bosno-Sérvios na Bósnia, nem em Srebrenica nem durante o cerco a Sarajevo mas no entanto consigo distinguir os dois acontecimentos. As forças militares que levaram a cabo a sangrenta guerra da Bósnia não são sérvias mas sim Bosnas. Lembro que a Sérvia tal como a Bósnia, a Croacia faziam parte de uma federação Jusgoslava que se desmoronou. O apadrinhamento Americano da causa independentista da Croácia criou condições de estrema gravidade e fragilidade para a federação e para os Balcãs, mas, os Americanos assim conseguiram afirmar a sua influência no coração da velha Europa uma vez mais. Já ninguém se lembra do fornecimento de armamento Americano à Croácia? Armamento esse que foi usado contra a federação e contra o próprio povo Bosno em Mostar.
    A título de rectificação, a guerra na Bósnia foi levada a cabo por Bosnos e não por Sérvios. Belgrado não teve nenhum envolvimento militar na guerra da Bósnia, muito menos no massacre de Srebrenica. A forças bosno-sérvias, formadas após a queda da federação, comandadas por General Ratko Mladić foram as forças que defenderam os interesses de uma comunidade bosno-sérvia. Milosevic e Belgrado foram envolvidos na questão da Bósnia de forma a facilitar uma possível resolução para o território (tratado de Dayton) mas não teve qualquer envolvimento militar na questão da Bósnia.
    A questão Kosovar começa cedo, muito cedo. Na segunda grande guerra, os nazis apoiados pelos croatas dominam todo o território que mais tarde ficou conhecido por Jugoslávia. Obviamente que todas as comunidades muçulmanas que até ai viviam no território do Kosovo, Macedónia ou Bósnia fogem para a Albánia. Dá-se a a queda do império Nazi, e sucede um período de hegemonia Jusgolavo, liderado pelo Marchal Tito. A Jugoslávia gozava de uma economia forte e um crescimento promissor enquanto que a Albánia mergulhava cada vez mais num desespero económico. A pobreza da população Albanesa, e o crescimento acelerado da economia Jugoslávia motivam uma explosão migratória Albanesa para o Kosovo, Macedónia e Bósnia. A explosão demográfica dos albaneses nesses territórios (um casal tem em média 6-7 filhos) resulta numa reviravolta demográfica de etnias. Os Albaneses passam a ser a maioria e não mais uma minoria imigrante e isso motiva-os para se insurgirem contra a ordem federativa da Jugoslávia e esse acontecimento já explicado pelo Senhor Rui Costa que desperta uma guerra sangrenta em toda a federação. Milosevic, consciente dos problemas étnicos no kosovo, consciente da descriminarão do povo Sérvio kosovar intervêm no kosovo (sem recorrer a armas) despertando um claro desagrado noutros estados federais, pois os outros temiam o apoio do poder central à comunidade Sérvia nos seus estados. A Guerra desperta numa questão étnica Kosovar.
    No verão de 1999, a NATO intervêm no kosovo, com o intuito de travar os maus tratos à comunidade Albanesa. Maus tratos esses que foram motivados pela posição do UCK que estava então organizado e armado e era uma constante ameaça à comunidade Sérvia que em desespero recorreu a Belgrado. Belgrado entreviu de forma a fazer recuar o UCK e a por um fim à discriminação do povo Sérvio no Kosovo mas a situação era mais grave e complexa do que Belgrado julgava, O UCK era forte, financiado por negócios ilegais como o tráfico de armas, droga e humano bem como financiado pela própria Albánia, Jiade e EUA. A situação aqueceu e actos de natureza xenófoba e limpeza étnica protagonizados por ambas as partes começaram a aparecer. Para quem não sabe o UCK é um movimento armado que visa a unificação da grande Albânia. Posição essa escondida pelos intervenientes da NATO no Kosovo, interessante, não?
    A independência do Kosovo vai trazer mais instabilidade e insegurança ao território, o famoso triângulo Tirana, Pristina e Podogorica vai ser mais um mecanismo de violência, terrorismo, droga, armas, trafico humano, mafia e desordem. lembrem-se que o senhor que foi eleito para governar o Kosovo é um ex-UCK e que tem diversos processos criminais no tribunal internacional por corrupção, crimes de guerra, negócios ilícitos e assassinatos. Ainda à poucos dias tomei conhecimento que forças indendentistas radicais albanesas foram detidas na Macedónia. É este o futuro dos Balcãs? É este o futuro com que o ocidente vai compactuar? É este o futuro de uma nação consciente e Europeia que o Kosovo deve ser? O kosovo é Sérvio e sempre o há de ser.

    [Responder]

  41. 41 41  Pedro Sá

    Er…não acham aqui alguns que estão a ir longe demais ? Eu defendo uma independência negociada do Kosovo de forma a que a Sérvia não saia mal da fotografia…mas há que ter em conta que os albaneses não são nenhuns santos e que na região ninguém os grama…

    [Responder]

  42. 42 42  Rui Fernandes

    José Fernandes tens amigos sérvios, certo? Tudo o que dizes é pura propaganda sérvia…

    [Responder]

  43. 43 43  Rui Fernandes

    1 – Os bósnios receberam ajuda de países muçulmanos com a conivência de americanos, sim. Os croatas de Alemanha e dos americanos também. Mas dizer que a Sérvia e Milosevic (e russos e ucranianos e gregos e romenos e búlgaros) não ajudaram os coitados dos sérvios bosnios é rídiculo. Milosevic podia fingir com maior ou menor veemência ser neutral mas nem os sérvios mais fanáticos e ingênuos terão coragem de dizer que não ajudou os sérvios-bosnios. O exército muçulmano bósnio comparado com o exército sérvio-bósnio era extremamente modesto, basicamente em comparação não tinha nenhuma artilharia pesada, tanques, etc, e precisamente por isso as suas vitórias foram apenas pontuais e apenas lhes possibilitaram resistir no limite da sobrevivência. A maior parte dos muçulmanos bósnios viviam ali há tanto tempo como seus congéneres sérvios, muitos quiçá mais, se bem que esta classe de argumentação de propriedade moral-étnico-religioso-genealógico de território tem para mim valor nulo. Os muçulmanos bósnios não eram santos, ninguém é. Mas os sérvios menos ainda, digam os teus amigos sérvios o que disserem.

    [Responder]

  44. 44 44  Rui Fernandes

    2 e fim – A tua descrição da história do conflicto entre sérvios e albano-kosovares é no minimo demasiado pró-sérvia. “Os malvados albaneses com o apoio de uma conspiracão islàmica internacional e liderados localmente pelos ultra-poderosos UCK massacrando os coitados dos sérvios que, por sua vez, tiveram que, infelizes, pedir ajuda ao bondoso do Milô e pronto começou então uma troca de maldades várias mais ou menos parecidas entre os dois lados…” Pelamordedeus… Que isto não são contos de fadas e a memória está fresca.

    [Responder]

  45. 45 45  rivera

    Atenção, as únicas fontes que indicam uma onda moderna (de nascimentos ou de emigração) de Kosovares a mudar o registo étnico de toda uma região são apenas, e unicamente sérvias, sem bases reais e não validadas. Mas também é verdade que isso não importa, a actual maioria, e maioria de nascidos no Kosovo, é albanesa. E é essa maioria que quer a independência. Ponto final.
    Foi o exército jugoslavo (ou melhor sérvio), que combateu na Bosnia, tanto em unidades formais como paramilitares (como o famigerado Arkan que tanto combateu na Bósnia como no Kosovo). Há demasiados cadáveres em Srebrenica para que mentiras de propaganda sérvia possam passar.
    Os povos não são culpados colectivamente, mas as nações (ou melhor os estados) devem efectuar actos de contrição quando em seu nome são cometidos crimes. Os milhares e milhares de mulçumanos bósnios mortos em Srebrenica morreram a combater? ou foram simplesmente executados? sem que a Sérvia julgue os sérvios que cometeram crimes de guerra é só natural que qualquer outra etnia não queira legitimamente viver no seu seio.
    O Kosovo é sérvio? com certeza, e por mim podem ficar com toda a Europa de Leste, é só pedir que até é possível que a Polónia seja uma província sérvia perdida feita com a emigração de católicos (possivelmente croatas) sobre uma base lealista sérvia, porque que nem as cadelas pariam às ninhadas de 10 crianças não-sérvias à vez!
    A Sérvia tem de deixar o seu passado (recente) colonial e só assim será livre. A mentira é uma base fraca e falível da glória histórica das nações. Será sempre demasiado caro manter milhões de albaneses contra a sua vontade dentro das fronteira nacionais e dado que as grandes soluções drásticas (que sim foram tentadas pelo governo sérvio) não são admíssiveis só resta o divórcio.
    Repito, e quem quiser vá ver aos registos eleitorais: nas provincías das vascongadas (Alava, Biscaia e Guypuzcoa) ganharam sempre partidos idependentistas (considerando o PNV, de acordo com o seu programa, como idependentista). Daí a validade democratica de um referendo.

    [Responder]

  46. 46 46  Rui Fernandes

    O programa do PNV é hoje independentista não foi sempre rivera, daí o erro.

    [Responder]

  47. 47 47  José Fernandes

    Indigna-me o facto de me acusarem de propagandista pro-Sérvio. Discuto esta questão com a seriedade que ela merece não querendo de qualquer forma passar uma imagem tendenciosa.
    Arkan e as suas forças paramilitares nada têm a ver com o regime ou a posição de Milosevic. Acho bastante ofensivo que se associe a imagem de um homem de estado que muito fez pela estabilidade da região a um carniceiro radical que esteve directamente associado a crimes de guerra sem precedente desde a segunda grande guerra.
    Após a queda da federação, os exércitos também se desmantelaram e se dividiram. Como é obvio, a parte do exercito Jugoslavo-Bosno era sem dúvida alguma o caso mais complicado visto que Bósnia sempre foi uma mistura étnica. A parte do exercito Bosno-Sérvio afirmou-se então a facção mais forte dentro da Bósnia e foi esse mesmo movimento armado que levou a cabo uma guerra sangrenta na Bósnia e não os Sérvios ou o estado Sérvio que nada teve a ver com isso. Entenda-se que um Bósnio-Sérvio não é um Sérvio, como também a Republica Bosno-Sérvia não seja parte da Sérvia ou visasse a sua anexação à mesma. São coisas distintas. Os Bosnos-Sérvios combateram pelos seus interesses dentro da Bósnia, recorrendo aos seus métodos pouco convencionais e reprovados internacionalmente numa guerra que não era mais do que interna, uma guerra civil. Concordo que as facções Bosno-mulçumanas estivessem em desvantagem, o que a mim me parece obvio visto que os muçulmanos não estavam nem se sentiam tão integrados numa política federativa como os Sérvios ou os Croatas estavam. Sempre foram uns outsiders as todos os níveis, um probema constante já desde os tempos de uma Jugoslávia coesa e forte. Perguntem ainda hoje aos Croatas ou aos Eslovenos a posição deles sobre os Bosno-mulçomanos.
    A Sérvia não tem nada que julgar o General Ratko Mladic, eles são Bosnos e foram responsáveis por crimes de guerra ao serviço de um exercito Bosno na Bósnia. Onde aqui está a Sérvia? Não está.
    Slobodan Milošević, foi envolvido na discussão política e não militar, repito, política e não militar pela comunidade internacional. Era de seu interesse a estabilidade da Bósnia e de toda a região dos Balcãs. Slobodan participou em diversas reuniões internacionais que visavam a resolução do problema étnico da Bósnia. Existem declarações públicas dele onde ele incita ao dialogo, à discussão e à aceitação por parte das forças políticas e militares da Republica Bosno-Sérvia de uma resolução apresentada por um conselho internacional. Isto tudo antes de Dayton. Slobodan foi um facilitador da discussão e do entendimento para a frágil condição da Bósnia.
    É com tristeza que vejo comentários em tons de gozo, sobre a a veracidade de que o Kosovo é Sérvio. Quem lá este, quem confraternizou com o povo e se esforçou por compreender uma realidade de um povo sofredor, justo e digno não proferiria tais comentários tristes e infundados. A Sérvia é uma nação com origens na província do Kosovo. As raízes de um povo não lhes podem ser tiradas por interesses económicos, políticos e geoestratégicos por parte de países completamente externos e alheios à questão. Julgo não ser necessário numerar esses países.
    A instabilidade da zona sul dos Balcãs é de preocupação máxima. Toda a gente encontrou a quem apontar o dedo, mas da Albánia pouco ou nada sabemos nós. O pouco que eu sei são as ligações e trocas de influências entre estes e os terroristas do UCK, os seus negócios ilícitos e toda a corrupção em torno do financiamento da causa Albanesa. Disto ninguém fala, porquê? Não são vocês que lá vivem, não são vocês que sofrem com a instabilidade, com o clima de desordem e total desgoverno. A causa do UCK, camuflada e abafada pela comunidade internacional é uma ameaça real ao futuro da estabilidade europeia mas é claro que aqui alguém já descobriu por nós o “bode expiatório” e vós assim o aceitam apontando também o dedo à Sérvia e tentando-a fragilizar quando ali está um parceiro de confiança, de respeito, cumpridor dos direitos cívicos e humanos, uma nação digna da Europa e dos dias de hoje. Não uma causa independentista infundada, financiada pela corrupção que irá fomentar a desordem e o isolamento do coração dos Balcãs.

    [Responder]

  48. 48 48  Rui Fernandes

    No PNV se considera existirem em geral dois grupos: soberanistas e autonomistas, sendo que apenas os primeiros se declaram abertamente independentistas. Nomeadamente o período em que PNV foi liderado por Josu Jon Imaz (até setembro deste ano) e o governo basco também do PNV por Ibarretxe, cada um destes representava as duas forças opostas. Sendo que a radicalização soberanista de Ibarretxe muitas vezes se interpretou em chave interna como meio de forçar o braço de ferro com os autonomistas na presidência do partido. Claramente Imaz perdeu e anunciou a sua retirada da politica e os soberanistas do PNV ganharam, mas o partido curiosamente no processo tem perdido votos mesmo tendo em conta os que tenham migrado do HB (braço politico de ETA) ilegalizado. Ninguem sabe a ciencia exacta o resultado de um eventual referendo no pais basco o que se sabe e também era defendido pelo proprio Imaz e parte importante do PNV é que um referendo com ETA é reconhecer a vitória aos violentos. O referendo independentista provavelmente terminara acontecendo e até acho que o mais provavel é que o nao a independencia vença, mas para isso ETA tem que deixar de existir. É essa a opiniao da maior parte da sociedade espanhola e de seguramente pelo menos metade da sociedade basca. Anunciar um referendo com uma ETA activa seria um erro colossal.

    [Responder]

  49. 49 49  faialense

    Por muito que desejemos evitar a balcanização de Espanha, é impossível rejeitar a secessão do País Basco e da Catalunha, defendendo ao mesmo tempo a independência de Portugal.

    Não existem singularidades étnicas, sociais, históricas e culturais que atribuam a Portugal o direito a uma existência diferente das Nações Históricas de Espanha.

    Aliás, paradoxalmente, são os Açores e a Madeira, que seguram o País, defendendo-o da sua diluição em Espanha, porque lhe dão uma dimensão atlântica, que ultrapassa em muito as fronteiras do rectângulo.
    É ver a Z.E.E. Portuguesa, uma das maiores do mundo, que resulta precisamente da soberania nacional dos arquipélagos.

    De resto, a nível interno, só nos podemos congratular por Portugal ser um dos países mais homogéneos do mundo, isento de qualquer conflito identitário, seja ele étnico, linguístico, religioso ou social. Do Corvo a Vila Real de St.António e do Funchal a Miranda do Douro, Portugal é um país uno e indivizível.

    Todos TUGAS, para o bem e para o mal!

    [Responder]

  50. 50 50  Rui Fernandes

    Não deixo de pensar que há algo de anedótico-nazista neste orgulho português na sua homogeneidade. Pela mesma lógica não deveríamos haver entrado na comunidade européia já que a sua diversidade é algo pouco congratulável. E ainda pela mesma lógica se portugal fosse dividido em quatro ou seis partes cada uma delas seria ainda mais feliz em auto-congratulações devido a sua maior homogeneidade. Por trás dessas características homogeneidade, pequena dimensão, existem defeitos e não só qualidades, não só coisas dignas de congratulações. É por isso aliás que entrámos na comunidade européia. Quanto à frase: “Não existem singularidades étnicas, sociais, históricas e culturais que atribuam a Portugal o direito a uma existência diferente das Nações Históricas de Espanha.” Esta sim tem quase toda a razão, a única singularidade é a histórica: estas nações históricas espanholas são espanholas e nós não; e é identitária também já que pelo menos em um caso podemos estar bastante seguros que não quer separar-se de Espanha e menos juntar-se com Portugal. A Galiza precisamente. As outras duas haveria e haverá que ver-se sem dúvida. Falo dos bascos e catalães e somente da parte de separar-se de Espanha, é claro.

    [Responder]

  51. 51 51  Rui Lima Costa

    Só posso concordar com o Sr. José Fernandes. O tipo de relativismos morais postados nesta caixa de comentários deixa-me preocupado. O politicamente correcto gritante e a falta de ligação com a realidade da zona em questão são por demais evidentes.
    Os países formam-se pela vontade e força de uns ser maior que a vontade e a força de outros. Depois podemos discutir se os pressupostos dessa formação são justos. No entanto esses pressupostos têm que ter um ponto de partida. O meu é de que aquela região pode ser Servia, existindo outros argumentos, perfeitamente válidos de que pode ser Albanesa. Entre uns e outros eu claramente considero o dos Servios mais forte. Acho que o Kosovo é Sérvio, e irei continuar a achar.
    No entanto a realpolitik liberal necessita destes enclaves de bandidos (porque nao possuem outro nome) para fazerem o jogo sujo do trafico de armas, pessoas e droga.
    Quando falo de Albaneses não me refiro ao povo que me merece respeito, como é obvio. Refiro-me à sua classe dirigente, constituida por terroristas, criminosos e bandidos.
    Em 1999 o povo Servio foi massacrado na provincia do Kosovo, e a comunidade internacional não autorizou o exercito Servio a defender o seu próprio país, um gesto que penso não encontrar precedentes na diplomacia internacional (seria como impedir o Governo Espanhol de caçar a ETA, ou o Britânico de lutar contra o IRA). Quando o exercito interviu, prontamente foi considerado que a comunidade internacional deveria colocar uma missão de paz no terreno, que existe até hoje. Essa missão mais não faz que dar cobertura a um lado (albaneses) contra o outro (servios). Porque nao se enganem aqui os verdadeiros racistas e xenofobos não são os Servios.
    Quem não vê que a Albania e o Kosovo sao setas Americanas cravadas no seio da Europa está distraido. Basta olhar para a forma como Bush é recebido em Tirana. O longo historial de apoio dos EUA a determinadas causas apenas para retirar daí dividendos politicos a curto prazo é longo, e agora a Europa segue-os.
    O Kosovo nao tem solução? Os Balcas nao tem solução? Eu penso que sim. Retirem a força de paz, deixem a Servia resolver o assunto internamente, da forma que achar mais adquada.

    [Responder]

  52. 52 52  Rui Fernandes

    “Retirem a força de paz, deixem a Servia resolver o assunto internamente, da forma que achar mais adequada.”
    Seguro que houve quem fizesse a mesma sugestão a propósito de críticas a Hitler no seu trato com a minoria judaica. Claro que neste caso e na região do Kosovo não se trata de uma minoria mas da maioria. Se achassemos que os balcas não tinham solução seriamos de igual opinião que vós de deixar que eles são arkanes eles que se entendam, deixando o mais forte vencer como é “lei natural de vida”… Como se estivessemos a ver um documental do national geographic desde o sofa de casa.

    [Responder]

  53. 53 53  Rui Lima Costa

    Da forma que achar mais adequada não presupõe nenhuma limpeza étnica. Apenas presupõe que os bandidos sejam presos e a normalidade se restabeleça. Neste momento um terrorista foi eleito para dirigir uma, provincia Servia. Ou seja parte do território de uma país é comandado por alguém que ordenou massacres contra naturais desse país e que não pode ser preso pelas autoridades eleitas desse país porque é defendido por uma força de paz internacional. É a vergonha.
    Comparar os Sérvios aos Nazis é inacreditável. É falso, é vazio, é esquecer que os únicos que combateram os Nazis nos Balcãs foram os Sérvios, no fundo é uma opinião sem fundamento e sem bases.
    Sim, estou no sofá e voçê também. Mas eu quero continuar no meu sofá tranquilo e que no futuro os Europeus possam continuar no sofá se lhes apetecer e não serem obrigados a ceder a criminosos.

    [Responder]

  54. 54 54  Margarida

    Depois duma guerra ilegal de 78 dias da NATO, seguida duma ocupação violenta de oito anos pela ONU, e depois da proposta do “mediador” designado pela ONU ( Martti Ahtisaari, antigo PR Finlandês) de “independência supervisionada” ter encalhado no Conselho de Segurança (CS) da ONU a mesma é recuperada pelos 27 líderes europeus para separar o Kosovo da Sérvia. Esta decisão está em linha com as violações sistemáticas da lei internacional, com as violações das próprias cartas da ONU e da NATO e em violação da mesmíssima resolução da ONU que criou a cobertura legal precária para a ocupação.

    E pior ainda, é um acto criminoso e dúplice sem qualquer relação com a verdade ou com a lógica.

    Se se remover o paleio diplomático do “mediador” o que se conclui é que a UNMIK conquistou o Kosovo. Mas a tomada de território por conquista é ilegal desde o Pacto Kellog-Briand de 1928.

    Nada na carta da ONU lhe dá (a ela ou a outro) o poder de expulsar pela força um governo e de o substituir por uma missão (da ONU ou de outro), criado especialmente para a ocasião e depois dissolver a missão e entregar a soberania do território a outro. A aquisição do território por conquista é simplesmente ilegal, seja isso feito por um Estado ou por uma organização internacional.

    [Responder]

  55. 55 55  rivera

    Os unicos que combateram os nazis nos Balcãs foram so sérvios? Já agora o Marechal Tito era sérvio (bolas, não era meio croata e meio esloveno!)? os partisans comunistas eram maioritariamente sérvios (não, bolas, por acaso até eram de outras nacionalidades!)?
    Até onde chega o ridículo. Não é possível fazer uma comparação das milícias sérvias e do exército sérvio com os nazis. Agora, os métodos nazis foram utilizados pela primeira (e única) vez na Europa pelos sérvios, em nome dos sérvios.
    Eu propunha aos apoiantes da causa sérvia (além de alguma cultura geral mediana que se pode obter através de leituras disponíveis a todos) que se preparassem para apoiar a causa turca (não existem curdos, apenas turcos das montanhas e os arménios não foram massacrados, devem ter tido algum problema alimentar por ingestão de carne de porco, esses infieis), ou, o argumento, mais próximo deste rectangulo de que os judeus em Portugal é que tiveram a culpa da sua desgraça e das perseguições que sofreram (estes seguidores da fé mosaica sempre com as suas tendências para não se diluirem nas maiorias provocando por esta desfaçatez o ódio dos seus concidadãos).
    Tenham juízo, o Kosovo sempre foi albanês, teve ocupado por um poder feudal e, em seguida, colonial, e agora, para o bem e para o pior vai ser livre.
    O povo sérvio ia ser massacrado no Kosovo e a Nato não deixou o exército sérvio intervir? e já agora em Srebrenica 8.000 bósnios iam-se preparar para massacrar (e com que armas) quem? o contingente holandês?
    Coragem, talvez exista o prémio ignobel da mentira histórica…

    [Responder]

  56. 56 56  Margarida

    Por quem lá esteve e relata:

    “Outubro 20, 2005
    Por Carlos Miguel Fernandes

    A Grande Sérvia

    Eram uma ou duas da manhã. Havíamos regressado ao Hotel Novi Sad para tentar dormir meia dúzia de horas antes de apanhar o comboio que nos levaria de volta a Budapeste. O bar estava fechado mas, vinda da sala de jantar, ouvíamos música. Penetrámos na cortina de fumo, adereço habitual em qualquer lugar fechado da Sérvia e sentámo-nos num dos muitos lugares vazios das mesas que se estendiam ao longo da sala para beber uma última Jelen Pivo antes de deixar o país.

    Lá dentro, sobravam pouco mais de uma dezena de convivas que, como viemos a descobrir logo a seguir, faziam parte de um grupo ligado a uma empresa ou a um sindicato de camionistas. Uma senhora com cerca de cinquenta anos animava os resistentes com canções melosas e um vestido feito para corpos mais jovens. Era um ambiente de fim de festa, com aquele tom um pouco decadente característico dos Balcãs que não deixa de ter o seu encanto.

    Em pouco minutos ficámos rodeados por sérvios bem dispostos, um pouco embriagados, e, como é habitual por aqueles lados, ávidos de conhecer os estranhos que se haviam intrometido na sua celebração moribunda. O mapa da região acabou na mesa, e ouviram-se as primeiras referências à Velica Serbia, a Grande Sérvia. E o que é afinal a Grande Sérvia?

    Para alguns pensadores ocidentais, parece que a Grande Sérvia é a Jugoslávia. Confundem conceitos, por ignorarem a História europeia ou por má-fé. Não sabem que a ideia de Jugoslávia, a terra dos eslavos do sul, atraiu, transversalmente, intelectuais de todas as nações que formavam o país.

    Outros, mais moderados, deixam a Eslovénia e grande parte da Croácia de fora. Mas, nessa noite, ouvimos o que os sérvios, os verdadeiros donos da ideia de Grande Sérvia, tinham a dizer. Afinal, o conceito não abrange mais do que actual território sérvio-montenegrino (incluindo o Kosovo, obviamente) e uma parte da Bósnia-Herzegovina, aquela que hoje já se encontra sob administração da república Sprska. Falo-lhes da Krajina, região croata onde, antes da guerra, vivia uma considerável comunidade sérvia (a qual viria a ser expulsa durante as limpezas étnicas lideradas por Tudjman). Respondem-me com um encolher de ombros desinteressado. E a Macedónia? São separatistas, fiquem com o país deles…

    Compare-se esta ideia com o conceito de Grande Albânia, que pretende, para além do Kosovo, uma parte significativa da Macedónia, e que duplicaria, pelo menos, o dimensão actual da terra-mãe. E recuemos uma década até às acaloradas discussões sobre a situação balcânica, que rapidamente encontraram os monstros úteis. E atentemos como, ainda hoje, não é difícil encontrar quem pense segundo um catecismo gasto, aprendido num sector da imprensa inglesa e norte-americana, que apontava o dedo a Slobodan Milosevic mas deixava morrer Tudjman e Izetbegovic em paz, que ignorava aquilo que se passara na Krajina, que não queria (nem quer) saber quem teriam sido os verdadeiros autores do massacre no mercado de Sarajevo, e que sempre viu os kosovares albaneses apenas como vítimas, e nunca como terroristas. Do outro lado, a paixão pelas minorias (mesmo quando não são minoritárias) e a fúria do multiculturalismo encontrou os mesmos heróis e os mesmos culpados, numa unanimidade envergonhada entre inimigos que só foi quebrada quando as bombas começaram a cair em Belgrado. Mas entretanto a Sérvia ficou isolada, estigmatizada por uma ideia de Grande Nação, de contornos proto-nazis, que só existia na fértil imaginação global. É assim que se constróem os mitos: da cegueira ideológica da elite, até ao sectarismo de um público barricado.

    No dia seguinte, a horas dolorosas, reencontrámos os nossos amigos na mesma sala, agora convenientemente limpa e arranjada para o pequeno-almoço. Despedimo-nos com um olhar cúmplice. Passámos pelo átrio da recepção, onde já não se encontra a caixa de peditório que víramos no ano anterior, quando visitámos Novi Sad durante um breve ressurgimento dos conflitos na região autónoma do sul do país, e na qual se lia Help for the Serbs in Kosovo. Pouco depois estávamos dentro do comboio, prontos para abandonar um país que é, sem dúvida, um grande país, ainda que não seja, nem queira ser, Grande.”

    http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/2005_10.html

    [Responder]

  57. 57 57  rivera

    O argumento de que os Kosovares albaneses não merecem a independência porque são terroristas é exactamente o mesmo argumento utlizado contra os irlandeses em 1916, ou contra os movimentos de libertação dos PALOP e de uma maneira geral contra qualquer movimento de libertação ou comunidade étnica onde surgem desejos independentistas (e em que a utilização da luta armada, seja em que grau, é uma relaidade ou possibilidade). E não é uma forma de terrorismo não aceitar resultados eleitorais?
    O argumento de algum povo é individualmente simpático e empático e daí os seus actos colectivos não poderam ser maléficos é o negativo do argumento da culpa colectiva que volta até ao ser humano individual e equivalente aquele argumento que dizia que alguem ou fulano tinham estado na Alemanha antes da guerra (ou durante a guerra) e que era um povo tão culto e tão simpático que não podiam ter feito aqulo aos judeus.
    O argumento de que não, não se quer mais do que os territórios que sempre foram nossos, onde os nossos compatriotas habitam, recuando do nome grande qualquer coisa pelas suas identificações nazis, quando associado à negação de que outras nacionalidades possam desejar algo como uma unidade nacional.
    O argumento de que eu ou um amigo ou alguém conhecido esteve lá e que a partir de alguns contactos passa a ser uma autoridade indescutível.
    São argumentos perigosos porque surgem perante perguntas simples e directas (que ficam sem resposta), porque não é a visita do turista (ou do jornalista em missão temporizada) que por si só traduz um conhecimento perfeito e total da realidade (o que via sentenças definitivas eliminaria a necessidade de resposta a certas perguntas).
    Nunca duvidei que existem sérvios simpáticos (aliás já conheci vários), que a Sérvia é um país que pode ser agradável (também já a visitei). E o mesmo poderá ser dito de tantas nações, talvez de uma maneira ou de outras, de todas as nações, povos e países.
    Estamos num mundo global em que certos direitos, pelo menos, deveriam ser universais.
    Parece que os albaneses do Kosovo não participam da comunidade humana: se alguns deles usaram armas e porque não são um estado formal são terroristas, se pretendem a independência de um território em que são maioria esmagadora, são independentistas, se raclamam de abusos sobre os seus direitos culturais, são mentirosos que aliás eles próprios fizeram muito pior.
    A pergunta básica sobre a Alemanha Nazi é: Auschwitz aconteceu?
    A pergunta básica sobre a questão sérvia: Srebrenica aconteceu?

    [Responder]

  58. 58 58  Rui Lima Costa

    Não vou neste momento efectuar o comentário que pretendo, mas estou com alguma pressa e virei aqui mais tarde completar.

    Apenas quero dizer, para já, comparar Nazis a Sérvios numa discussão que se quer elevada e esclarecedora diz bastante sobre o completo vazio intelectual de quem o defende, pelo menos em relação a este assunto.

    [Responder]

  59. 59 59  Rui Fernandes

    A foto de um país que não é tão simples como muitos e de distintos bandos querem pintar. Um país dividido, profundamente dividido, e onde o terrorismo etarra é ao mesmo tempo pavio e fósforo.

    - 52% dos bascos consideram importante que qualquer reforma da autonomia basca seja compatível com a constituição espanhola, e um 57% considera imprescendível que uma eventual reforma alcance o mesmo grau de consenso que o actual Estatuto de Guernica. Por fim 70% se mostram satisfeitos com o actual estatuto.

    - 51% dos bascos não votaria em um partido nacionalista. Apenas 27% deseja a independência, e 39% manter a actual autonomia. Mesmo dentro do partido nacionalista no poder regional, PNV, os independentistas são apenas um terço dos seus votantes.

    - 58% dos bascos se mostra contra a eventual ilegalização dos actuais partidos ANV e PCTV, e por outro lado são 49% os que se mostram contrários à ilegalização actual de HB.

    - Apenas pouco mais de um de cada tres bascos dedica nota positiva à coligação nacionalista no poder de PNV-EA-EB.

    O euskobarómetro indica que o processo de desgaste do voto de PNV continua, e ao mesmo tempo que a ilegalização de Batasuna não levou ao temido incremento do voto nacionalista, mas também parece indicar que a ilegalização de outros partidos ainda não tão claramente identificados com ETA não seria bem vista pela população basca. Mostra um povo dividido, mas não mostra um povo maioritáriamente desejoso de independência. Mostra tristemente uma das regiões mais ricas de Europa que maior parte de habitantes possui desejosos de imigrar. A tragédia basca não é entre bascos e espanhóis, é entre bascos e bascos.

    [Responder]

Leave a Reply