Geert Wilders é um deputado holandês à caça de votos. Usa o caminho fácil: o insulto aos muçulmanos e o combate à imigração. Pelas suas palavras: “Eu quero que o Corão fascista seja proibido. Temos de parar a islamização da Holanda. Isto quer dizer nem mais uma mesquita, nem mais uma escola islâmica, nem mais um imã…”. Mas Wilders é mais inteligente do que Le Pen: em vez de ser o agressor, provoca à espera de ser vítima e de receber indignada solidariedade. E resulta. Agora fez um filme e quer transmiti-lo. Não está a ser fácil. É um filme anti-Islão e vindo de quem vem espera-se o pior. Geert Wilders diz-se defensor da liberdade de expressão. Apenas a dele, claro.

Wilders tem direito a fazer um filme insultuoso contra o Islão? Mesmo recusando a liberdade de expressão alheia, tem. Pode exibi-lo? Se o fez, deve. A Holanda tem, depois da exibição do filme, de garantir a sua segurança? Sempre e a qualquer custo. Mas depois do senhor Wilders conseguir o que quer é a nossa vez. Também nós, os que recusam a lógica do confronto de civilizações, os que sentem náuseas perante o fascismo da superioridade cultural, os que não gostam de quem usa o medo para ganhar votos, os que realmente defendem a liberdade de expressão de todos, temos direito a falar. Que não nos obriguem a fazer coro com esta gente. Temos de poder dizer ao senhor Wilders que reconhecemos o seu ódio: usou bigode estreito e marchou pela Europa. Usou a bestialização da diferença para chegar ao poder. Cá está de novo. E cá estaremos nós, mais uma vez, para defender a liberdade de todos. Porque em democracia todos os pulhas têm direito à palavra. Felizmente.