Luís Filipe Menezes, ele mesmo, decidiu que a autarquia de Lisboa não podia contrair um empréstimo nos valores que pretendia. Acabou por ter uma entrada de leão e uma saída de sendeiro. Mas fez mossa. A direcção do partido explicou a posição: “O dr. António Costa tem de fazer gestão e poupar, como todos os outros autarcas”.

Menezes não respeita a coerência. É presidente da segunda câmara mais endividada do país. Menezes não assume responsabilidades. As finanças da cidade estão no estado em que estão graças à gestão de Santana Lopes e Carmona Rodrigues. Menezes não respeita os eleitores. Usa uma Assembleia Municipal que não foi a votos nas últimas eleições para contrariar uma decisão largamente maioritária na Câmara. Menezes não respeita os eleitos. Intrépido combatente contra o centralismo lisboeta, transforma-se em vereador e decide, de Gaia, os orçamentos de Lisboa. E dá-se mesmo ao luxo de substituir metade dos deputados municipais eleitos pelo seu partido para impor a sua vontade.

Pretende o PSD aplicar esta estratégia a todo o país? Claro que não. Se o fizesse haveria uma fronda e Menezes caía. Pelo contrário. O líder do PSD/Porto já veio mesmo anunciar que vai dispensar de disciplina de voto os deputados nacionais eleitos pelo seu distrito “quando estiverem em causa os interesses da sua região”. É curioso verificar como o país político absorveu toda a lógica centralista. O que é do Porto é com o Porto, o que é de Lisboa é com as direcções nacionais dos partidos. Um episódio que pode sossegar a má consciência dos lisboetas. Afinal, se querem ver um vilão basta pôr-lhe um pau na mão.