Caso tenham algum contacto com o país, os militantes do PSD irão livrar-se de Luís Filipe Menezes. Porque o ridículo mata e o partido está moribundo há demasiado tempo. Mas não é de excluir que, dominando o aparelho, as pequenas ambições internas contem mais e mantenham Menezes ao leme do barco, rumo ao desastre. Que não se ria o PS. Daqui a uns anos viverá a mesma experiência. Com a agenda social do centro-esquerda reduzida ao mínimo e um centro-direita que sabe que a agenda ultraliberal é impraticável neste país, resta pouco que distinga os dois maiores partidos. Na oposição, sem lugares para distribuir nem programa alternativo para apresentar, sobra apenas a competição entre personalidades. Quando o poder está longe, quem está na oposição fica com o refugo. Quando cheira a poder regressam os pesos pesados.

Se se confirmar a candidatura de Manuela Ferreira Leite, Sócrates deve preocupar-se. Tem contra si o original de que ele é apenas uma cópia forçada. Uma mulher que aparece aos olhos dos eleitores como sendo rigorosa, determinada e autoritária. Tudo o que Sócrates quis ser, mas sem uma vida de trapalhadas no currículo. Ferreira Leite é o arquétipo da direita nacional. A mesma direita que, à falta de quem no seu campo representasse esse papel, adoptou Sócrates. Se o modelo concorrer contra a falsificação, resta a Sócrates voltar à casa-mãe. Será tarde de mais. Ficará entalado entre uma esquerda desiludida com o seu Governo e uma direita entusiasmada com a nova liderança. E uma coisa pode esquecer: a maioria absoluta.