O grande debate nos EUA volta a ser o financiamento das campanhas. E por uma razão inesperada: Obama recusou dinheiros públicos. Com esta decisão deixa de estar limitado nos montantes que pode gastar. Mas atira por terra as reformas propostas há anos pelos democratas, que querem diminuir o peso do financiamento privado na política. As razões dos democratas são simples: os republicanos costumam contar com maior generosidade das corporações. As razões de Obama também: desta vez um democrata conseguiu angariar mais dinheiro do que o seu oponente republicano. Através da Internet, dois terços das contribuições para a sua campanha foram inferiores a mil dólares, o que acontece com apenas um terço das contribuições para McCain. Mesmo assim, por mero calculismo conjuntural, Obama poderá ter comprometido a mais urgente reforma na vida política americana: libertar os candidatos da dependência dos interesses privados.
A realidade portuguesa é bem diferente e as recentes mudanças na lei melhoraram a situação. Mas no momento em que surgiram novas regras logo se abriu um novo buraco negro: sem legislação para as directas nos partidos nada sabemos sobre o financiamento dos candidatos. Poderá ser nesse momento que os políticos nacionais hipotecam a sua independência. A solução é simples: nas directas, o financiamento tem de ser dado pelo partido; nas eleições ele deve ser público. Incomportável para o Estado? Só na aparência. Aqui como nos EUA, os favores aos financiadores acabam por sair bem mais caros aos contribuintes.
Publicado por Daniel Oliveira 7 de Julho de 2008 em Expresso





