O PS e o Governo não estão a dormir e à espera que Mário Soares faça um aviso”. Assim respondeu Mário Lino ao artigo do ex-presidente sobre a pobreza. Na sua inocência, não percebe que o eleitorado socialista é capaz de não apreciar que um cristão-novo fale de alto com o seu fundador. Já Vitalino Canas acusou Manuel Alegre de falta de lealdade por andar em comícios mal frequentados. Deveria saber Vitalino que lealdade e obediência não são bem a mesma coisa. A muita gente é capaz de parecer traição bem mais grave ver um porta-voz do PS como provedor de empresas de trabalho temporário.

O problema de Manuel Alegre não é falta de lealdade. É ainda não ter dado um passo consequente com as suas posições e manter-se agarrado a uma retórica autocontemplativa da esquerda. Só que o PS, entregue a um cabide sem alma, sem currículo e sem memória que vive cercado de gnomos políticos, dá os sinais de autismo típicos do fim de um ciclo. Quanto maior o isolamento e a irritação do seu próprio eleitorado maior a arrogância e mais palco para figuras de vigésima linha. Do cavaquismo ao barrosismo, foi sempre assim no fim de todos os consulados. É por isso natural que o ministro mais trapalhão deste Governo e o provedor Vitalino valorizem a lealdade ao chefe. Não existem para lá dela, não existirão depois dela.