TINHA 11 anos quando se casou. Tinha 13 quando teve o primeiro filho. Aos 14, veio o segundo. Por essa altura, o marido foi morto por um rival numa disputa de terras. Torturada na prisão, a adolescente confessou ser a autora do crime por ter, claro, um amante. Não fosse a pressão de algumas organizações internacionais e já teria sido executada. O julgamento vai ser repetido mas a sua sorte já esta traçada. Ou é condenada à morte ou é absolvida, regressa à sua aldeia e é morta.

Chama-se Amina, como a nigeriana a quem a justiça divina quis condenar ao mesmo calvário. Vive no Iémen. Há poucos países no mundo piores para as mulheres. Nem sempre foi assim, no Iémen do Sul, comunista e, por isso, laico. Sempre foi assim, muito pior, no Iémen do Norte, islamista. Duas ditaduras com esta pequena diferença. No Iémen do Norte, tal como no Iémen agora reunificado, e, ao que parece, «pró-ocidental», governa um tiranete, o Presidente Saleh. Tem o seu retrato espalhado por todo o pais, que travestiu de democracia, com eleições e tudo. Ali, cuida-se das aparências. Há anos que nenhuma criança é condenada à morte. Espera-se que cresça. Mas a corrupção, a opressão e a miséria são as marcas de um dos países mais pobres e atrasados do Mundo Árabe.

Só que Saleh é um fiel amigo de George W. Bush. Por isso, não está na rota das cruzadas dos neoconservadores. Fosse Amina da Palestina ou do Iraque, dois paraísos laicos quando comparados com o Iémen, e o coro de combatentes contra o «relativismo moral» não lhe esqueceria o nome. Infelizmente para ela, é apenas uma iemenita condenada a morrer como viveu: sem direitos.