ESTÁ tudo doido. Primeiro, foi Marques Mendes. Arrogante, corre com os mais queridos homens da nossa terra. Homens que ajudam o pequeno clube local a dar ao povo uma pequena alegria. Homens que dão a mão a incansáveis financiadores da democracia, generosos comendadores do 10 de Junho e laboriosos empresários locais. Homens que se batem de forma viril, por vezes incompreensível para a tibieza urbana, contra os que, oportunistas, lhes querem tomar o lugar.

Mas a decadência dos valores pátrios não acaba aqui. Esta semana, o Ministério Público, alheado das nossas mais profundas tradições, constituiu como arguidos um ex-ministro, um ex-tesoureiro partidário e três quadros do Espírito Santo. É a Santíssima Trindade que é profanada. Mesquinha, a Justiça terá descoberto um despacho do anterior Governo a permitir o abate de uns reles sobreiros para que em seu lugar se construísse um empreendimento turístico de «imprescindível utilidade pública». Um ministro tira uns chaparros do caminho do progresso e faz qualquer coisa pela interioridade. Alguém lhe agradece? Não. É a inveja, o desporto nacional.

E este país tinha avançado como - não fosse aquela atençãozinha, aquele pequeno favor, aquele telefonema ao amigo lá do ministério, aquela simpatia para a coisa não ficar presa nas malhas da burocracia? Não vêem, senhores magistrados? É um país que se move assim há séculos. Feito de pessoas que conhecem o valor da amizade. Pessoas que se ajudam e que não esquecem quem as ajudou. É um país solidário que começa agora a perder a sua inocência. E ninguém faz nada.


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