Esta semana Luís Filipe Menezes explicou ao ‘Jornal de Notícias’ que há um enorme exagero quando se fala dos críticos internos à sua liderança. Sendo médico e conhecendo segredos do corpo humano que nos escapam, garantiu que os contava “pelos dedos das mãos”: “são uma dúzia”. No mesmo dia em que ficámos a conhecer a estranha anatomia de Menezes - ou a sua pouca queda para a matemática -, o autarca voltou a dar um ar da sua graça e revelou-nos o que já sabíamos: “da mesma maneira que o PSD ainda não merece ser Governo, o PS já não merece ser Governo. Portanto temos aqui um vazio complicado”. Santana veio em auxílio do cândido, recordando que já outros foram apanhados desprevenidos e, antes do que pensavam, mandavam neste país. “Lembro que alguém que foi primeiro-ministro mais cedo do que esperava, disse um dia: ’sei que vou ser primeiro-ministro, não sei é quando’”. E nós lembramo-nos de que também deixou de o ser antes do previsto. E que numa bela manhã de Verão, entre a estupefacção e o riso, Portugal acordou governado por Santana Lopes que também chegou ao cargo quando não esperava e saiu dele quando julgava que ia ficar.
Não sei se os militantes do PSD andam há anos sob o efeito de psicotrópicos e é neste estado que escolhem as suas lideranças. Sei que, mesmo rindo, devemos temer que a profecia de Durão se repita e que, sem darmos por ela, se venha a instalar em São Bento o homem dos 12 dedos que confessa não merecer o lugar. Por isso, depois de nos oferecerem este momento lúdico, o PSD bem podia, pelo sim pelo não, tratar de escolher o seu candidato a sério. Só para não corrermos riscos.
Por Daniel Oliveira 11 Mar 08 em Expresso


Daniel, eu sou militante do PSD e, tal como não votei em Santana Lopes, também não votarei em LFM. Percebo que clame por uma nova liderança no PSD porque, a continuar assim, teremos o Eng Sócrates por mais algum tempo. E calculo que, para si, seja uma chatice que as eleições sejam sempre decididas no centrão. Há por aí uma malta que ora vota aqui ora vota ali e não se desvia para muito mais longe. E são esses que decidem as eleições. Por isso pode ficar descansado que LFM não chegará ao almejado cargo. Até porque Cavaco não é Sampaio.